81: Identificados os exoplanetas com maior período orbital entre os que transitam estrelas jovens

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Uma colaboração internacional de astrónomos liderada pela ULL (Universidade de La Laguna) e pelo IAC (Instituto de Astrofísica de Canarias) identificou dois planetas intrigantes, gigantescos, mas de baixa densidade, que orbitam a estrela HD 114082. Esta estrela tem apenas 15 milhões de anos, ou seja, é muito mais jovem do que o Sol (com 4,6 mil milhões de anos), gira 15 vezes mais depressa, tem 28% mais massa e é cerca de mil graus mais quente e quase quatro vezes mais luminosa. Os seus planetas recebem cerca de 200 vezes mais luz e calor do que Júpiter. O estudo, que envolveu a separação do fraco sinal planetário do sinal estelar, oferece pistas acerca da formação dos exoplanetas e ajuda a contextualizar o Sistema Solar.

Representação artística do sistema planetário HD 114082.
Crédito: ilustração – Gabriel Pérez Díaz (IAC); conceito – Carlos del Burgo (IAC/ULL); fundo – ESO/S. Brunier

Carlos del Burgo Díaz, investigador sénior que trabalha na ULL e no IAC, lidera o estudo publicado na revista The Astrophysical Journal Letters e detalha as descobertas: “Identificámos um estranho par de exoplanetas gigantes. Destacam-se entre os mais jovens detectados por passarem à frente da sua estrela, pois demoram mais tempo a completar uma órbita. O planeta interior, 20% mais próximo da sua estrela do que a Terra do Sol, tem o tamanho de Júpiter. O planeta exterior encontra-se à mesma distância orbital que a Terra e tem um raio 36% maior do que o de Júpiter e uma densidade média mais de 7,5 vezes inferior à da água, pelo que flutuaria”.

Alejandro Suárez Mascareño (ULL/IAC), co-autor do artigo científico, acrescenta: “Os planetas movem-se em órbitas quase circulares no mesmo plano e podem estar em ressonância, ou perto da ressonância [o que implica que os períodos orbitais têm uma relação simples de números inteiros]”.

O estudo utiliza dados recolhidos pelos telescópios espaciais TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) e CHEOPS (CHaracterising ExOplanet Satellite), bem como por instalações terrestres, incluindo o NGTS (Next-Generation Transit Survey; Chile), o ASTEP+ (Antarctic Search for Transiting ExoPlanets; Antártida) e o LCO (Las Cumbres Observatory). A partir destas observações, foram geradas curvas de luz estelar (intensidade em função do tempo).

Estas mostram quatro diminuições não consecutivas do planeta interior HD 114082 b. Cada diminuição de brilho, ou trânsito, deve-se ao facto de o planeta passar à frente da estrela, bloqueando uma pequena fracção da sua luz do ponto de vista do Sistema Solar. Estes dados permitiram determinar o seu período orbital com uma precisão de minutos: 225 dias, 13 horas e 12 minutos (incerteza de 34,56 segundos). O período do planeta exterior, HD 114082 c, 314 dias (margem de erro de 9%), foi estimado a partir de um único trânsito confirmado por dois instrumentos e medições suplementares.

A atracção gravitacional entre os dois planetas manifesta-se através de um efeito de “jogo da corda”, que atrasa ou antecipa o trânsito do planeta companheiro; este efeito, tanto mais pronunciado quanto mais próximos de uma ressonância estes gigantes estiverem, pode ser medido mesmo que as suas massas sejam pequenas.

Carlos del Burgo acrescenta: “Na sequência da nossa descoberta, esperamos que a comunidade exoplanetária se junte à busca por um segundo trânsito do planeta exterior, o que nos permitiria determinar o seu período com uma maior precisão. Uma vez alcançado este objectivo, o aperfeiçoamento dos valores das massas dos dois planetas exigirá a medição dos tempos médios de trânsito de vários picos de diminuição de brilho para cada um. Este método também poderá revelar corpos adicionais no sistema”.

Como e onde é que se formaram estes planetas?

Estes gigantes formaram-se no disco protoplanetário, rico em gás e poeira, em torno da estrela. Inicialmente, acumularam material até formarem um núcleo sólido. Quando atingiram uma determinada massa, iniciou-se um descontrolado processo de acreção de gás e o calor interno provocou a expansão do seu invólucro. A teoria sugere que dois planetas nascidos muito próximos um do outro tendem a atingir massas semelhantes. A massa medida do planeta exterior é, no máximo, 24% da de Júpiter, ou seja, 4,4 vezes a massa de Neptuno. Os planetas de HD 114082 podem ter-se formado “in situ” (expressão em latim – significa que se formaram onde foram encontrados). Ou então, formaram-se numa região distante e fria e migraram para as suas órbitas actuais, onde recebem mais luz e calor.

Carlos del Burgo explica: “Estes gigantes devem ter influenciado as órbitas dos asteróides e cometas [remanescentes da formação planetária] mais próximos da estrela, organizando-os numa cintura que se encontra no mesmo plano que as órbitas dos planetas”. Jonathan Marshall, do ASIAA (Academia Sinica Institute of Astronomy and Astrophysics), co-autor do artigo científico, acrescenta: “Por outro lado, o anel exterior de grãos de poeira gelada e detritos, localizado a uma distância 25% superior do que a órbita de Neptuno, está inclinado em relação às órbitas planetárias e é provavelmente primordial”.

O impacto das descobertas

A colaboração internacional contou com a participação de 38 investigadores. Os esforços foram coordenados para garantir a integração dos dados e um processamento coerente. As descobertas obtidas colocam este sistema planetário em torno de HD 114082 no centro das atenções da comunidade exoplanetária.

Nos próximos anos, observações de acompanhamento com instalações como as utilizadas neste trabalho e outras, tais como o Telescópio Espacial James Webb, permitirão caracterizar este sistema único com maior detalhe, desde a determinação precisa das massas dos planetas até à descoberta da composição química das suas atmosferas e outros mistérios ainda por resolver.

// IAC (comunicado de imprensa)
// ULL (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)

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22.05.2026

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80: Fermi avista a fonte de energia das super-novas super-luminosas

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Uma equipa internacional que estuda dados do Telescópio Espacial de Raios Gama Fermi concluiu que a missão detectou uma super-nova rara e invulgarmente luminosa. Os investigadores afirmam que esta provavelmente obteve a sua energia de uma estrela de neutrões super-magnetizada, nascida do colapso estelar que desencadeou a explosão.

A super-nova super-luminosa SN 2017egm foi descoberta pela missão Gaia da ESA no dia 23 de maio de 2017. Explodiu numa enorme galáxia espiral barrada conhecida como NGC 3191, mostrada à esquerda antes da explosão. A imagem à direita, captada a 1 de Julho de 2017, mostra a super-nova a brilhar mais do que toda a galáxia. Crédito: esquerda – SDSS e PS1; direita – NOT+ALFSOC/Bose et al., 2020

A missão Fermi faz parte da frota de observatórios da NASA que monitoriza as mudanças no cosmos para ajudar a humanidade a compreender melhor como o Universo funciona.

“Durante quase 20 anos, os astrónomos têm procurado nos dados do Fermi sinais de raios gama provenientes de milhares de super-novas e, embora tenham sido relatadas algumas pistas intrigantes, nenhuma era definitiva até agora”, afirmou o líder do estudo, Fabio Acero, do CNRS (Centre national de la recherche scientifique), França, e da Universidade de Paris-Saclay.

O artigo científico que descreve as descobertas foi publicado quarta-feira na revista Astronomy & Astrophysics.

As super-novas de colapso do núcleo ocorrem quando o centro produtor de energia de uma estrela com uma massa muitas vezes superior à do nosso Sol fica sem combustível, colapsa sob o seu próprio peso e explode. Durante o colapso, pode formar-se uma estrela de neutrões do tamanho de uma cidade ou um buraco negro ainda mais pequeno. Uma onda de choque expulsa o resto da estrela, que se expande rapidamente como uma nuvem quente e densa de gás ionizado.

Nas últimas duas décadas, foram identificadas cerca de 400 excepcionais super-novas de colapso do núcleo. Cada um destes eventos, denominados super-novas super-luminosas, produziu 10 ou mais vezes a quantidade de luz visível normalmente observada.

Em 2024, um estudo liderado por Li Shang na Universidade de Anhui, em Hefei, China, observou que o LAT (Large Area Telescope) do Fermi pode ter detectado raios gama – a forma mais energética de luz – provenientes de uma super-nova super-luminosa que ocorreu anos antes.

Denominada SN 2017egm, esta explosão super-potente ocorreu na galáxia NGC 3191, localizada a cerca de 440 milhões de anos-luz de distância na direcção da constelação da Ursa Maior. Mesmo a esta distância, a explosão continua a ser uma das mais próximas do seu tipo.

“Procurámos raios gama provenientes das seis super-novas super-luminosas mais próximas observadas durante os primeiros 16 anos da missão do Fermi”, afirmou Guillem Martí-Devesa, investigador anteriormente na Universidade de Trieste, em Itália, e agora bolseiro no Instituto de Ciências Espaciais, em Barcelona, Espanha. “Apenas SN 2017egm apresenta indícios de raios gama, confirmando sugestões anteriores de que algumas super-novas podem ser tão luminosas em raios gama como o são no visível. Isto abre uma nova janela para o estudo destes eventos fascinantes”.

Os teóricos têm debatido as possíveis fontes de energia que conferem a estas explosões a sua força adicional. No topo da lista está a formação de um magnetar, um tipo de estrela de neutrões com os campos magnéticos mais intensos que se conhecem – até 1000 vezes a intensidade das estrelas de neutrões típicas. É 10 biliões de vezes mais forte do que um típico íman que se coloca num frigorífico.

Esta composição apresenta duas perspectivas de SN 2017egm: no visível (inserção) e em raios gama (fundo). A imagem óptica mostra a super-nova – o objecto mais brilhante na imagem – e a sua galáxia hospedeira, no dia 1 de Julho de 2017. O mapa de fundo mostra uma ampla área do céu em torno da posição da super-nova. As cores mais brilhantes indicam maior probabilidade estatística de que os raios gama estejam associados à explosão. O mapa inclui raios gama detectados pelo LAT do Fermi entre 5 de Julho de 2017 e 25 de Outubro de 2017, ou seja, entre 43 e 155 dias após a descoberta da super-nova.
Crédito: fundo – NASA/DOE/Colaboração LAT do Fermi e Acero et. al. 2026; inserção – NOT+ALFSOC/Bose et al., 2020

A equipa realizou uma análise mais aprofundada das características ópticas e de raios gama observadas na super-nova para comparar a capacidade de diferentes modelos teóricos em reproduzi-las. Um modelo desenvolvido pelos co-autores Indrek Vurm, da Universidade de Tartu, na Estónia, e Brian Metzger, da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, rastreou a forma como a luz e as partículas produzidas por um magnetar recém-formado se deslocariam para o exterior e interagiriam com os detritos em expansão da super-nova.

Os cientistas esperam que um magnetar recém-formado gire algumas centenas de vezes por segundo. Esta rotação rápida produz um forte fluxo de electrões e positrões, as suas contrapartes de antimatéria, que forma uma vasta nuvem de partículas energéticas.

Dentro desta nuvem – denominada nebulosa de vento de magnetar – várias interacções alimentam a produção e a absorção de raios gama. Por exemplo, um electrão e um positrão podem aniquilar-se, formando um par de fotões de raios gama, ou dois raios gama podem colidir e produzir as partículas. Desta e de outras formas, os raios gama interagem com os detritos da super-nova. Incapazes de escapar directamente, são reprocessados, convertidos em luz visível de menor energia, o que confere à super-nova um aumento adicional de luminosidade.

“Cerca de três meses após o colapso, à medida que os detritos da supernova se expandem e arrefecem, os raios gama podem começar a escapar”, disse Acero. “Este modelo de magnetar reproduz melhor a luminosidade da super-nova e o tempo de chegada dos seus raios gama durante os primeiros meses, mas vemos margem para melhorias em fases posteriores, quando a luz visível se desvanece de forma bastante irregular”.

Acero e os seus colegas sugerem que processos adicionais provavelmente desempenharam papéis importantes durante o longo desvanecimento de SN 2017egm. Estes incluem detritos a cair de volta sobre o magnetar e interacções entre a onda de choque e a matéria ejectada pela estrela nos séculos anteriores ao seu colapso.

A equipa também analisou a capacidade de uma nova instalação terrestre de detecção de raios gama, o CTAO (Cherenkov Telescope Array Observatory), para detectar eventos como SN 2017egm. Segundo eles, com cerca de 50 horas de tempo de observação, seria possível detectar uma super-nova semelhante a uma distância de cerca de 500 milhões de anos-luz. A nossa compreensão de fenómenos como SN 2017egm irá melhorar graças à cooperação entre essas instalações e a frota de observatórios espaciais da NASA que monitorizam mudanças rápidas no Universo.

“O mecanismo do motor central do magnetar discutido neste artigo científico baseia-se em muitos avanços observacionais e teóricos sobre magnetares ao longo dos últimos 20 anos”, afirmou Judy Racusin, cientista adjunta do projecto da missão Fermi no Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, em Greenbelt, Maryland, EUA. “A observação de raios gama provenientes de super-novas irá proporcionar-nos uma nova forma de explorar o seu funcionamento interno”.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Universidade do Estado do Louisiana (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)

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22.05.2226

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79: Missão Psyche realiza com sucesso passagem por Marte, vai agora directamente para asteróide rico em metais

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A sonda espacial Psyche da NASA concluiu a sua aproximação a Marte no passado dia 15 de Maio, chegando a uma distância 4609 quilómetros da superfície do planeta. Esta passagem aproveitou a assistência gravitacional de Marte para proporcionar um aumento crucial na velocidade e ajustar o plano orbital da sonda sem utilizar qualquer combustível a bordo, encaminhando-a para o asteróide Psique, rico em metais.

Esta imagem de um Marte Crescente foi captada a 15 de maio de 2026, por volta das 13:03 (hora portuguesa), pela missão Psyche da NASA, enquanto esta se aproximava do planeta para uma manobra de assistência gravitacional. A imagem foi processada para apresentar cores naturais, utilizando dados de vermelho, verde e azul do instrumento de imagem multi-espectral.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ASU

A sonda dirige-se agora directamente para o asteróide, localizado na cintura principal de asteróides entre Marte e Júpiter. Após a aproximação a Marte, a equipa de voo analisou os sinais de rádio entre a sonda e a DSN (Deep Space Network) da NASA, o sistema global da agência para comunicar com sondas interplanetárias, para confirmar que a Psyche se encontrava na trajectória correta.

“Embora estivéssemos confiantes nos nossos cálculos e no plano de voo, monitorizar o sinal Doppler da DSN em tempo real durante a aproximação foi ainda assim emocionante”, afirmou Don Han, responsável pela navegação da Psyche no JPL da NASA, no sul da Califórnia. “Confirmámos que Marte deu à sonda um impulso de 1600 km/h e alterou o seu plano orbital em cerca de 1 grau em relação ao Sol. Estamos agora a caminho de chegar ao asteróide Psique no verão de 2029”.

Esta é a primeira imagem de um “Marte quase Cheio”, tal como foi captada pela sonda Psyche da NASA pouco depois da sua aproximação máxima ao planeta, no dia 15 de maio de 2026. A imagem estende-se desde a calota polar sul, em direcção a norte, até ao sistema de desfiladeiros Valles Marineris e além.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ASU

Uma vista marciana única

Nos dias que antecederam e durante a aproximação, todos os instrumentos da Psyche foram ligados para a realização de calibrações, incluindo as câmaras, os magnetómetros e os espectrómetros de raios gama e de neutrões. O encontro planetário proporcionou à missão um valioso ensaio para quando chegar ao asteróide Psique; como bónus, captou imagens de Marte a partir de uma perspectiva rara.

Como a Psyche passou por Marte a partir de um ângulo de fase elevado, o planeta apareceu como um fino crescente nos dias que antecederam a aproximação máxima, iluminado pela luz solar reflectida na sua superfície. Nas observações do sensor multi-espectral da sonda, o crescente apareceu mais brilhante e estendeu-se mais ao redor do disco do planeta do que o previsto, devido à forte dispersão da luz solar através da atmosfera empoeirada do planeta. À medida que a Psyche passava dos céus nocturnos de Marte para os diurnos, tirou uma rápida série de fotografias da superfície por volta do momento da aproximação máxima.

“Captámos milhares de imagens da aproximação a Marte e da superfície e atmosfera do planeta na aproximação máxima. Este conjunto de dados proporciona-nos oportunidades únicas e importantes para calibrar e caracterizar o desempenho das câmaras, bem como para testar as primeiras versões das nossas ferramentas de processamento de imagem que estão a ser desenvolvidas para utilização no asteróide Psique”, afirmou Jim Bell, responsável pelo instrumento de imagem da Psyche na Universidade do Estado do Arizona, em Tempe, EUA. “À medida que a sonda prossegue a sua viagem após a aproximação, continuaremos a realizar imagens de calibração de Marte durante o resto do mês, à medida que este se afasta”.

Bell também lidera a investigação de imagens da Mastcam-Z na equipa da missão do rover Perseverance da NASA em Marte, que foi uma das várias missões que forneceram imagens complementares da superfície e da atmosfera, bem como dados de navegação durante a aproximação, para ajudar nos esforços de calibração. Outras missões envolvidas incluem a MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA, a Mars Odyssey e o rover Curiosity, juntamente com a Mars Express e a ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter) da ESA.

Para além do sensor de imagem, as primeiras medições de calibração feitas pelos magnetómetros da Psyche podem ter detectado o choque em arco de Marte à medida que a nave espacial passava pelo planeta. A equipa do espectrómetro de raios gama e neutrões também estava a recolher rapidamente dados para calibrar o instrumento, comparando as suas medições com o vasto conjunto de dados existentes sobre Marte.

Captada pelo instrumento de imagem multi-espectral da Psyche, esta é uma imagem com cores intensificadas da grande cratera de anéis duplos Huygens (canto superior direito; com cerca de 470 quilómetros, de diâmetro) e das circundantes terras altas do sul, densamente crateradas.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ASU

Em direcção ao asteróide Psique

Com Marte no retrovisor, a sonda espacial retomará em breve a utilização do seu sistema de propulsão solar-eléctrica para seguir em linha recta para a cintura principal de asteróides. Quando chegar, em Agosto de 2029, entrará em órbita em torno do asteróide Psique, que se pensa ser o núcleo parcial de um planetesimal, um bloco de construção de um planeta primitivo. Através de uma série de órbitas circulares que descem e depois sobem em altitude em torno de Psique, que tem cerca de 280 quilómetros de diâmetro no seu segmento mais largo, a sonda irá mapear o asteróide e recolher dados científicos.

Se o asteróide se revelar o núcleo metálico de um antigo planetesimal, poderá oferecer uma visão única do interior de planetas rochosos como a Terra.

“Há anos que aguardávamos ansiosamente a aproximação a Marte, mas agora está concluída. Podemos agradecer ao Planeta Vermelho por ter proporcionado à nossa sonda espacial um impulso gravitacional crucial para nos levar para mais longe no Sistema Solar”, afirmou Lindy Elkins-Tanton, investigadora principal da missão Psyche na Universidade da Califórnia, em Berkeley. “Em frente, rumo ao asteróide Psique!”

// NASA (comunicado de imprensa)

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78: Astrónomos descobrem a galáxia quimicamente mais primitiva do Universo jovem

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Uma equipa internacional de astrónomos utilizou o Telescópio Espacial James Webb (JWST) e um fenómeno natural conhecido como lente gravitacional para obter uma caracterização definitiva de LAP1-B, uma galáxia ultra-fraca com 13 mil milhões de anos.

Aprofundando as detecções iniciais, este novo estudo revelou uma abundância extremamente baixa de oxigénio – apenas 1/240 da do Sol, um recorde. Este estado quimicamente primitivo, aliado a uma elevada proporção carbono-oxigénio e a um halo dominante de matéria escura, sugere que LAP1-B é a tão procurada “antecessora” das misteriosas galáxias fósseis encontradas hoje perto da nossa Via Láctea.

Revelando a natureza da galáxia ultra-fraca LAP1-B através de uma gigantesca “lente gravitacional”. Uma imagem a três cores criada a partir de dados obtidos com o instrumento NIRCam (Near-Infrared Camera) do Telescópio Espacial James Webb (JWST). Como as estrelas desta galáxia são extremamente fracas e poucas em número, a galáxia é invisível na imagem de fundo captada pelo NIRCam, mas outro instrumento, o NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph), conseguiu detetar assinaturas químicas. Uma visualização (não uma imagem real) dos dados de velocidade e distribuição do NIRSpec é apresentada na inserção para o oxigénio (verde) e dois estados de excitação diferentes do hidrogénio (azul e vermelho).
Crédito: NASA, ESA, CSA e K. Nakajima et al., Nature

Logo após o Big Bang, o Universo continha apenas elementos leves, como hidrogénio e hélio. Os elementos mais pesados, como o oxigénio e o carbono, foram forjados muito mais tarde no interior das primeiras estrelas. Durante décadas, os astrónomos tentaram encontrar o momento em que estas “estrelas de primeira geração” começaram a espalhar elementos mais pesados pelo cosmos. No entanto, as galáxias mais antigas que albergam essas estrelas jovens e primordiais são tão pequenas e ténues que observar a sua composição química era praticamente impossível – até agora.

Uma equipa de investigação liderada por Kimihiko Nakajima, da Universidade de Kanazawa, e que inclui Masami Ouchi, do NAOJ (National Astronomical Observatory of Japan) e da Universidade de Tóquio, centrou-se numa minúscula galáxia ultra-fraca denominada LAP1-B. A sua luz foi ampliada 100 vezes por um fenómeno chamado “lente gravitacional”, em que a gravidade de um enorme enxame de galáxias atua como uma gigante e natural lente de telescópio no espaço. Ao observar esta manchinha durante mais de 30 horas com o JWST, a equipa determinou que a abundância de oxigénio da galáxia é aproximadamente 1/240 da do Sol.

“Fiquei imediatamente entusiasmado com a extrema falta de oxigénio”, diz Nakajima. “Encontrar uma galáxia num estado tão primitivo é surpreendente. É uma assinatura química que indica claramente uma galáxia primordial captada nos momentos logo após a sua formação”.

Para além da sua natureza primitiva, a galáxia apresenta um elevado rácio de abundância carbono-oxigénio. Esta relação única de elementos está em estreita conformidade com as previsões teóricas do material disperso pelas explosões das primeiras estrelas do Universo.

A equipa também descobriu que LAP1-B é incrivelmente leve – menos de 3300 vezes a massa do Sol -, o que sugere que a maior parte da galáxia consiste de matéria escura invisível. Esta característica, juntamente com a sua composição química única, torna-a uma correspondência quase perfeita para as “galáxias anãs ultra-fracas” encontradas hoje perto da nossa Via Láctea, que são extremamente ténues, pequenas e contêm muito poucas estrelas.

“As galáxias anãs ultra-fracas não são apenas as galáxias mais ténues; são compostas por estrelas antigas com mais de 12 mil milhões de anos e são frequentemente descritas como ‘fósseis do Universo'”, explica Ouchi. “Os astrónomos suspeitavam que pudessem ser os vestígios das primeiras galáxias do Universo devido à ausência de elementos pesados, mas nunca tiveram uma ligação directa – até encontrarmos LAP1-B”.

Ouchi continua: “É uma grande surpresa descobrir que LAP1-B se parece exactamente com a ‘antecessora’ que apenas tínhamos imaginado nas teorias. Isto ajuda-nos a resolver o mistério de por que razão estes fósseis cósmicos sobreviveram na sua forma actual até aos dias de hoje”.

Esta descoberta estabelece uma nova forma de mapear o nascimento dos elementos e a formação das estruturas mais antigas do Universo. No futuro, a equipa planeia utilizar o Webb para procurar objectos ainda mais primitivos, com o objectivo de encontrar as primeiras galáxias alguma vez formadas.

// NAOJ (comunicado de imprensa)
// Universidade de Kanazawa (comunicado de imprensa)
// ICRR, Universidade de Tóquio (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (arXiv)

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19.05.2026

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77: Nuvem Interestelar Local deixa a sua marca na Terra

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O nosso Sistema Solar está actualmente a atravessar a Nuvem Interestelar Local, uma região de gás e poeira altamente diluídos entre as estrelas. Ao longo do seu percurso, a Terra acumula continuamente ferro-60, um raro isótopo radioactivo de ferro produzido em explosões estelares. Esta descoberta foi agora confirmada por uma equipa de investigação internacional liderada pelo HZDR (Helmholtz-Zentrum Dresden-Rossendorf), através da análise de gelo antárctico com dezenas de milhares de anos.

A partir do fluxo constante, mas variável no tempo, os investigadores concluíram que o isótopo radioactivo tem estado armazenado na nuvem desde uma explosão estelar ocorrida há muito tempo. Os resultados foram publicados na revista Physical Review Letters.

Trajectória do Sistema Solar através da Nuvem Interestelar Local. O perfil da nuvem fica preservado como uma “impressão digital” interestelar no gelo da Antárctida.
Crédito: B. Schröder/HZDR/NASA/Goddard/Adler/Universidade de Chicago/Wesleyan

O ferro-60 forma-se no interior de estrelas massivas e é ejectado para o espaço quando estas explodem. Os registos geológicos mostram que o nosso Sistema Solar foi atingido duas vezes por ferro-60 proveniente de super-novas há milhões de anos. No entanto, em tempos mais recentes, não houve explosões estelares nas proximidades – e, portanto, nenhum fornecimento directo de ferro-60. Quando os cientistas, há alguns anos, descobriram ferro-60 na neve à superfície da Antárctida, neve esta com menos de vinte anos, surgiu a questão da sua origem.

“A nossa ideia é que a Nuvem Interestelar Local contém ferro-60 e pode armazená-lo durante longos períodos. À medida que o Sistema Solar se move através da nuvem, a Terra poderia recolher este material. No entanto, não conseguimos provar isto na altura”, explica o Dr. Dominik Koll, do IIM (Institute of Ion Beam Physics and Materials Research) do HZDR.

Nos últimos anos, a equipa liderada por Koll e pelo professor Anton Wallner analisou amostras adicionais, incluindo sedimentos do fundo do mar com até 30.000 anos. Também se encontrou ferro-60 nessas amostras, mas continuavam a existir teorias concorrentes.

As novas amostras de gelo da Antárctida datam de há 40.000 a 80.000 anos. A sua análise deixa agora claro: a Nuvem Interestelar Local é a fonte provável. “Isto significa que as nuvens que rodeiam o Sistema Solar estão ligadas a uma explosão estelar. E, pela primeira vez, isto dá-nos a oportunidade de investigar a origem destas nuvens”, afirma Koll.

A Nuvem Interestelar Local armazena ferro-60 proveniente de explosões estelares

O nosso Sistema Solar entrou na Nuvem Interestelar Local há várias dezenas de milhares de anos e irá sair dela novamente dentro de alguns milhares de anos. Actualmente, estamos localizados perto da sua orla.

Para o seu estudo, os investigadores analisaram um núcleo de gelo do período em torno da entrada suspeita na nuvem. O AWI (Alfred Wegener Institute Helmholtz Centre for Polar and Marine Research) forneceu uma amostra do EPICA (European Project for Ice Coring in Antárctica). A comparação do teor de ferro-60 com amostras anteriores de águas profundas e de neve revelou que, há 40.000 a 80.000 anos atrás, chegou à Terra menos ferro-60 do que hoje e em épocas mais recentes. “Isto sugere que anteriormente estávamos num meio com menor teor de ferro-60, ou que a própria nuvem apresenta fortes variações de densidade”, explica Koll.

O sinal do ferro-60 varia, assim, ao longo de apenas algumas dezenas de milhares de anos – um ritmo notavelmente veloz em escalas cósmicas de tempo. Com esta constatação, os investigadores conseguiram descartar explicações alternativas para a origem do fluxo de ferro-60, tais como o enfraquecimento gradual de explosões estelares com milhões de anos.

Em busca de vestígios no gelo antárctico

Para as medições, a equipa transportou cerca de 300 kg de gelo do AWI, em Bremerhaven, para Dresden (cidades na Alemanha), onde foi processado quimicamente – um procedimento demorado que, no final, deixou apenas algumas centenas de miligramas de poeira. Passo a passo, isolaram o ferro-60, tomando muito cuidado para evitar perdas em todas as etapas.

No laboratório DREAMS (DREsden Accelerator Mass Spectrometry) do HZDR, verificaram, assim, a amostra após a preparação química utilizando dois outros radio-isótopos: o berílio-10 e o alumínio-26. As concentrações esperadas destes isótopos no gelo são bem conhecidas. Qualquer perda de ferro-60 teria sido também acompanhada por uma redução nas suas quantidades. A equipa conseguiu excluir essa possibilidade.

Encontrando uma agulha num palheiro

Para a medição final, a equipa utilizou a HIAF (Heavy Ion Accelerator Facility) da Universidade Nacional Australiana – actualmente a única instalação no mundo capaz de detectar quantidades tão minúsculas de ferro-60. Recorrendo a filtros eléctricos e magnéticos, separaram os átomos indesejados de acordo com a sua massa, até que restassem apenas alguns átomos de ferro-60 dos 10 biliões iniciais.

“É como procurar uma agulha em 50.000 estádios de futebol cheios até ao teto de feno. A máquina encontra a agulha numa hora”, explica Annabel Rolofs, da Universidade de Bona.

“Através de muitos anos de colaboração com colegas internacionais, desenvolvemos um método extremamente sensível que agora nos permite detectar, nos arquivos geológicos actuais, a assinatura clara de explosões cósmicas que ocorreram há milhões de anos”, resume Wallner.

A equipa já está a planear novas medições. O objectivo é analisar um núcleo de gelo ainda mais antigo, datado de antes de o Sistema Solar ter entrado na Nuvem Interestelar Local. O AWI é um parceiro fundamental no projecto BEOI (Beyond EPICA – Oldest Ice), que visa recuperar núcleos de gelo com essa idade.

// HZDR (comunicado de imprensa)
// AWI (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Physical Review Letters)

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76: O caçador de planetas da NASA, TESS, revela um céu nocturno deslumbrante

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O TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA divulgou a sua visão mais completa do céu estrelado até à data, preenchendo lacunas de observações anteriores. Quase 6000 pontos coloridos espalhados pela imagem mostram as localizações de exoplanetas confirmados ou candidatos – mundos para lá do nosso Sistema solar – identificados pela missão até Setembro de 2025, no final da segunda missão prolongada do TESS.

Esta imagem de todo o céu foi construída a partir de 96 sectores do TESS. No final de Setembro de 2025, quando a última imagem deste mosaico foi captada, o TESS tinha descoberto 679 exoplanetas (pontos azuis) e 5165 candidatos (pontos laranja). O arco brilhante que atravessa o centro é o plano da Via Láctea. A Grande Nuvem de Magalhães pode ser vista ao longo da orla inferior, logo à esquerda do centro. As áreas pretas dentro da oval indicam regiões que o TESS ainda não captou.
Clique aqui para ver outras versões deste mosaico.
Crédito: NASA/MIT/TESS e Veselin Kostov (Universidade de Maryland College Park)

“Nos últimos oito anos, o TESS tornou-se uma fonte ininterrupta de ciência exoplanetária”, afirmou Rebekah Hounsell, cientista associada do projecto TESS na UMBC (University Of Maryland, Baltimore County) e no Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, em Greenbelt, Maryland, EUA. “Ajudou-nos a encontrar planetas de todos os tamanhos, desde os minúsculos semelhantes a Mercúrio até aos maiores do que Júpiter. Alguns deles encontram-se mesmo na zona habitável, onde a água líquida pode existir à sua superfície, um factor importante na nossa busca por vida para lá da Terra”.

A missão TESS varre uma ampla área do céu, de nome sector, durante cerca de um mês de cada vez, utilizando as suas quatro câmaras. Estas longas observações permitem à nave espacial acompanhar as alterações de brilho de dezenas de milhares de estrelas, procurando variações na sua luz que possam ser causadas por planetas em órbita.

Os investigadores criaram um mosaico de todo o céu composto por 96 sectores observados entre Abril de 2018, quando o TESS iniciou o seu trabalho, e Setembro de 2025.

Os pontos azuis na imagem indicam as localizações de quase 700 planetas confirmados, até 9 de Setembro. Este conjunto inclui mundos que podem estar cobertos por vulcões, que estão a ser destruídos pelas suas estrelas ou que orbitam duas estrelas – testemunhando dois nasceres e pores-do-sol todos os dias. Os pontos laranja representam mais de 5000 candidatos a planeta que aguardam verificação.

Até à data, os cientistas confirmaram mais de 6270 exoplanetas utilizando missões como o TESS, o Telescópio Espacial Kepler da NASA, já aposentado, e outras instalações.

Também captado no mosaico está o plano brilhante da nossa Galáxia, a Via Láctea, visível como um arco resplandecente no centro. As formas ovais brancas brilhantes em baixo e à esquerda são as Nuvens de Magalhães. Estas galáxias satélites estão localizadas a 160.000 e 200.000 anos-luz de distância, respectivamente.

“Quanto mais exploramos o vasto conjunto de dados do TESS, especialmente utilizando algoritmos automatizados, mais surpresas encontramos”, afirmou Allison Youngblood, cientista do projecto TESS no Centro de Voos Espaciais Goddard. “Para além dos planetas, o TESS ajudou-nos a estudar rios de estrelas jovens, a observar o comportamento dinâmico da galáxia e a monitorizar asteróides próximos da Terra. À medida que o TESS preenche cada vez mais do céu nocturno, não há como saber o que poderá ver a seguir”.

// NASA (comunicado de imprensa)

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15.05.2026

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75: Este tranquilo enxame galáctico esconde um passado muito mais violento

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O enxame galáctico Abell 2029 é por vezes descrito como “o enxame mais tranquilo do Universo”. Esta designação não se deve a uma “aura” particularmente serena, mas sim ao facto de o gás super-aquecido que permeia o enxame parecer extremamente calmo e imperturbado.

Composição óptica e em raios X do enxame galáctico Abell 2029. Clique aqui para ver apenas a imagem em raios X. Clique aqui para ver apenas a imagem óptica. Clique aqui para ver apenas a versão de raios X subtraída.
Crédito: raios X – NASA/CXC/CfA/C. Watson et al.; óptico – PanSTARRS; processamento de imagem – NASA/CXC/SAO/N. Wolk e P. Edmonds

Novas observações do Observatório de raios X Chandra mostram claramente que Abell 2029 teve uma história muito mais conturbada do que a sua aparência actual sugere. O estudo mais recente conclui que Abell 2029 ainda está a estabilizar-se após uma colisão violenta com outro enxame mais pequeno, há cerca de quatro mil milhões de anos.

Os enxames de galáxias são as maiores estruturas do Universo mantidas unidas pela gravidade. São compostos por centenas ou até milhares de galáxias, matéria escura invisível e uma enorme quantidade de gás que preenche o espaço entre as galáxias. Este gás é normalmente aquecido a milhões de graus, o que o faz brilhar em raios X.

Uma equipa liderada por astrónomos da Universidade de Boston e do Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian obteve a observação de raios X mais profunda de sempre deste enxame utilizando o Chandra. Os resultados foram descritos num artigo científico publicado na revista The Astrophysical Journal, liderado por Courtney Watson, pertencente a ambas as instituições.

Os dados do Chandra revelam sinais claros de que este enxame não teve uma história monótona. Esta nova imagem composta mostra evidências da actividade passada do enxame na forma semelhante a um náutilo observada nos dados do Chandra (azul). A luz óptica proveniente de estrelas e galáxias no mesmo campo de visão aparece principalmente branca numa imagem do Pan-STARRS, um telescópio no Hawaii.

A equipa pensa que a forma espiral no gás quente foi formada quando o gás no enxame se espalhou para os lados devido aos efeitos gravitacionais da colisão do enxame – semelhante ao modo como o vinho se move num copo. A espiral espalhada em Abell 2029 é uma das mais longas já observadas, estendendo-se por cerca de dois milhões de anos-luz a partir do centro do enxame.

Existem várias outras evidências-chave da colisão passada, nunca vistas em conjunto num enxame, permitindo à equipa rastrear a história da colisão do enxame com um detalhe sem precedentes. Por exemplo, a equipa vê indícios de um amplo “splash” de gás mais frio criado pela colisão. Pode também haver uma onda de choque – semelhante a um estrondo sónico de um avião supersónico – no gás super-aquecido que restou da colisão. Por fim, existe uma característica em forma de “baía” no gás quente, que os investigadores pensam poder ter sido causada por uma sobreposição entre as partes exteriores da espiral e o gás arrancado do enxame mais pequeno à medida que este passava pelo enxame maior. Embora os autores pensem que se trata de uma relíquia da colisão, também são possíveis outras explicações para esta estrutura.

Versão anotada da composição óptica e em raios X do enxame galáctico Abell 2029.
Crédito: raios X – NASA/CXC/CfA/C. Watson et al.; ótico – PanSTARRS; processamento de imagem – NASA/CXC/SAO/N. Wolk e P. Edmonds

Simulações computacionais da colisão sugerem que o enxame mais pequeno tinha uma massa cerca de dez vezes inferior à do enxame maior. A espiral formou-se quando o enxame mais pequeno fez a sua primeira passagem pelo enxame maior, empurrando o seu gás para os lados. A gravidade do enxame maior fez então com que o outro enxame abrandasse e fosse atraído de volta para uma segunda colisão. Isto gerou uma frente de choque e deixou para trás um rasto de material, formando a região do “splash”.

Para revelar estas várias características, os autores utilizaram uma técnica especial que analisou o quanto o gás quente do enxame se desvia de uma forma simétrica. A maior parte do gás quente é simétrico e tem aproximadamente a forma de uma oval. Os autores removeram (“subtraíram”) esta forma oval simétrica da imagem original de raios X. A emissão de raios X remanescente na “imagem subtraída” mostra claramente as características invulgares da espiral ondulante, da baía e da zona do “splash”. A frente de choque é demasiado fraca para ser vista nesta imagem.

A nova composição combina tanto a imagem original de raios X como a imagem de raios X subtraída das observações profundas de Abell 2029 pelo Chandra. A imagem de raios X subtraída (azul-claro) mostra de forma impressionante a espiral ondulante. A maior parte da imagem de raios X original apresenta uma cor azul mais escura, com excepção do centro da imagem, que é azul-claro. Duas outras características – a baía e a área de “splash” – estão identificadas na versão anotada. O brilho da imagem original foi reduzido para mostrar melhor a imagem subtraída.

// Chandra/Harvard (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)

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15.05.2026

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74: Webb estuda galáxia primitiva que parece não girar

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Astrónomos, utilizando o Telescópio Espacial James Webb, fizeram uma descoberta surpreendente acerca de uma galáxia que existe há muito, muito tempo e que está muito, muito longe: não está a girar.

Com os instrumentos do Telescópio Espacial James Webb, os astrónomos conseguem medir o movimento da matéria no interior das galáxias menos de dois mil milhões de anos após o Big Bang. Para sua surpresa, os astrónomos descobriram uma galáxia que não está a girar como seria de esperar para essa idade do Universo.
Crédito: Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA/CIL/Adriana Manrique Gutierrez

É algo que só se observa nas galáxias mais massivas e maduras, que estão mais próximas de nós no espaço e no tempo, afirmou Ben Forrest, investigador científico do Departamento de Física e Astronomia da Universidade da Califórnia, em Davis, e primeiro autor do artigo científico publicado a 4 de maio na revista Nature Astronomy.

“Esta em particular não apresentava quaisquer indícios de rotação, o que foi surpreendente e muito interessante”, afirmou Forrest.

De acordo com as teorias actuais, à medida que as primeiras galáxias se formaram, o momento angular proveniente do gás em queda e a influência da gravidade fizeram com que elas começassem a girar.

Ao longo de milhares de milhões de anos, algumas galáxias, especialmente aquelas dentro de enxames de galáxias, fundiram-se umas com as outras várias vezes e as suas rotações combinadas somaram-se ou anularam-se parcialmente umas às outras. É por isso que algumas galáxias que estão mais próximas da Terra (e, portanto, também relativamente recentes) podem apresentar pouca rotação global, mas muito movimento aleatório de estrelas no seu interior.

Este processo deveria demorar muito, muito tempo, pelo que é surpreendente que a galáxia XMM-VID1-2075 tivesse atingido este estado quando o Universo tinha menos de 2 mil milhões de anos.

Forrest e os seus colegas do levantamento MAGAZ3NE (Massive Ancient Galaxies at z>3 NEar-Infrared) já tinham observado anteriormente esta galáxia com o Observatório W.M. Keck, no Hawaii.

“Observações anteriores do MAGAZ3NE tinham confirmado que esta era uma das galáxias mais massivas do Universo primitivo, com várias vezes o número de estrelas da nossa Via Láctea, e também confirmaram que já não estava a formar novas estrelas, tornando-a um alvo atraente para observações de acompanhamento”, disse Forrest.

Empurrando a fronteira

A equipa utilizou o Telescópio Espacial James Webb para observar mais atentamente a galáxia XMM-VID1-2075 e outras duas de idade semelhante. Conseguiram medir o movimento relativo da matéria no seu interior.

“Este tipo de trabalho tem sido realizado com muitas galáxias próximas, porque estão mais perto e parecem maiores, pelo que é possível realizar estes estudos a partir do solo, mas é muito difícil fazê-lo com galáxias com um grande desvio para o vermelho, uma vez que parecem muito mais pequenas no céu”, afirmou Forrest. “O James Webb está realmente a empurrar a fronteira deste tipo de estudos”.

Das três galáxias que analisaram, uma está claramente a girar, outra está “um pouco desorganizada” e a terceira não tem rotação, mas sim muito movimento aleatório, disse Forrest. “Isso é consistente com algumas das galáxias mais massivas do Universo local, mas foi um pouco surpreendente encontrá-la tão cedo”.

A ausência de contraste de cor na imagem de XMM-VID1-2075 (painel da esquerda) revela uma ausência de movimento de rotação em comparação com as outras duas galáxias (centro e direita).
Crédito: Forrest et al., 2026

Como é que esta galáxia se tornou uma “galáxia de rotação lenta” em menos de 2 mil milhões de anos? Uma possibilidade é que seja o resultado não de múltiplas fusões, mas de uma única colisão entre duas galáxias a girar praticamente em direcções opostas. Essa ideia é apoiada pelas observações da equipa.

“Para esta galáxia em particular, vemos um grande excesso de luz na lateral. E isso sugere a existência de algum outro objecto que entrou e está a interagir com o sistema, podendo potencialmente alterar a sua dinâmica”, disse Forrest.

Os astrónomos continuam à procura de outros objectos semelhantes no Universo primitivo. Ao compararem as suas observações com simulações, conseguem testar teorias sobre a formação das galáxias.

“Existem algumas simulações que prevêem que haverá um número muito reduzido destas galáxias não giratórias numa fase muito inicial do Universo, mas esperam que sejam bastante raras. E, por isso, esta é uma forma de testarmos estas simulações e de percebermos realmente quão comuns são, o que nos pode então dar informações sobre se as nossas teorias sobre esta evolução estão corretas”, afirmou Forrest.

// UC Davis (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)
// Artigo científico (arXiv)

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15.05.2026

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73: Astrónomos descobrem as origens de um par invulgar de planetas

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Um invulgar par planetário orbita uma estrela a cerca de 190 anos-luz da Terra. Um Júpiter quente, normalmente “solitário”, partilha o espaço com um mini-Neptuno, numa combinação rara e improvável que tem intrigado os astrónomos desde a descoberta do sistema em 2020.

Este par invulgar de um mini-Neptuno e um Júpiter quente provavelmente formou-se para além da “linha de gelo” da sua estrela, na região mais fria do disco protoplanetário.
Crédito: Kamalika Chakraborty

Agora, cientistas do MIT (Massachusetts Institute of Technology) conseguiram vislumbrar a atmosfera do mini-Neptuno, que orbita dentro da órbita do seu companheiro do tamanho de Júpiter, e descobriram pistas para explicar as origens deste sistema planetário invulgar.

Num estudo publicado na revista The Astrophysical Journal Letters, os cientistas relatam novas medições da atmosfera do mini-Neptuno, realizadas com o Telescópio Espacial James Webb (JWST) da NASA. É a primeira vez que os astrónomos medem a composição de um mini-Neptuno que reside dentro da órbita de um Júpiter quente.

As suas medições revelam que o planeta mais pequeno tem uma atmosfera “pesada”, rica em vapor de água, dióxido de carbono, dióxido de enxofre e traços de metano. Uma atmosfera tão pesada não teria sido adquirida pelo planeta se este se tivesse formado na sua localização actual, muito perto da sua estrela.

Em vez disso, os cientistas afirmam que as descobertas apontam para uma teoria alternativa sobre a sua origem: tanto o mini-Neptuno como o Júpiter quente podem ter-se formado muito mais longe, na região mais fria do disco protoplanetário. Aí, os planetas poderiam ter acumulado lentamente atmosferas de gelo e outros compostos voláteis. Com o tempo, os planetas foram provavelmente atraídos para a estrela num processo gradual que os manteve próximos, com as suas atmosferas intactas.

Os resultados da equipa são os primeiros a mostrar que os mini-Neptunos podem formar-se para além da “linha de gelo” de uma estrela. Esta fronteira refere-se à distância mínima de uma estrela onde a temperatura é suficientemente baixa para que a água se condense instantaneamente em gelo.

“Esta é a primeira vez que observamos a atmosfera de um planeta que se encontra dentro da órbita de um Júpiter quente”, afirma Saugata Barat, investigador de pós-doutoramento no Instituto Kavli de Astrofísica e Investigação Espacial do MIT e autor principal do estudo. “Esta medição indica-nos que este mini-Neptuno se formou efectivamente para além da linha de gelo, confirmando que este canal de formação de facto existe”.

A equipa é composta por astrónomos de todo o mundo, incluindo Andrew Vanderburg, professor assistente convidado no MIT, e co-autores de várias outras instituições, incluindo o Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian, a Universidade do Sul de Queensland, a Universidade do Texas em Austin e a Universidade de Lund.

Um sistema “único”

Tal como o próprio nome indica, os mini-Neptunos são planetas com uma massa inferior à de Neptuno. São considerados anões gasosos, compostos principalmente por gás, com um núcleo interno rochoso. Os mini-Neptunos são os planetas mais comuns na Via Láctea, embora, curiosamente, não exista nenhum mundo deste tipo no nosso próprio Sistema Solar. Os astrónomos observaram muitos planetas a orbitar uma grande variedade de estrelas em diversos sistemas planetários. Os mini-Neptunos, portanto, são geralmente considerados planetas comuns.

Mas em 2020, Chelsea X. Huang, então bolseira de pós-doutoramento no MIT (agora membro do corpo docente da Universidade do Sul de Queensland), descobriu um mini-Neptuno numa circunstância rara e intrigante: o planeta parecia estar a orbitar a sua estrela com um companheiro improvável – um Júpiter quente.

Os astrónomos fizeram a sua descoberta utilizando o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA. Analisaram as medições do TESS relativas a TOI-1130, uma estrela localizada a 190 anos-luz da Terra, e detectaram sinais de um mini-Neptuno e de um Júpiter quente, orbitando a estrela a cada quatro e oito dias, respectivamente.

Na parte superior, há muito tempo e ao longo de um período de 10 milhões de anos, um mini-Neptuno (TOI-1130 b) e um Júpiter quente (TOI-1130 c) formaram-se na “linha de gelo” da sua estrela. Os círculos azuis à volta do mini-Neptuno representam seixos ricos em material gelado. Em baixo, representando a idade actual de mais de mil milhões de anos, os planetas aproximaram-se da estrela, para longe da linha de gelo. Os seixos gelados evaporaram moléculas como água e dióxido de carbono na atmosfera de TOI-1130 b.
Crédito: Kamalika Chakraborty

“Este era um sistema único”, afirma Huang. “Os Júpiteres quentes são ‘solitários’, o que significa que não têm planetas companheiros dentro das suas órbitas. São tão massivos e a sua gravidade é tão forte que tudo o que se encontra dentro da sua órbita acaba por ser disperso. Mas, de alguma forma, neste Júpiter quente, um companheiro interior sobreviveu. E isso levanta questões sobre como é que um sistema deste tipo se poderia ter formado”.

Um instantâneo certeiro

A descoberta, em 2020, de TOI-1130 e do seu estranho par planetário inspirou Huang, Vanderburg e os seus colegas a observar mais de perto os planetas e, especificamente, as suas atmosferas, com o JWST. No novo estudo, a equipa apresenta a sua análise de TOI-1130 b – o mini-Neptuno em órbita interior.

Captar o planeta no momento certo foi o seu primeiro desafio. A maioria dos planetas orbita a sua estrela com um período regular e previsível, como o tiquetaque de um relógio. Mas descobriu-se que o mini-Neptuno e o Júpiter quente se encontravam em “ressonância de movimento médio”, o que significa que cada um pode afectar o movimento do outro, puxando e empurrando, variando ligeiramente o tempo que cada um demora a orbitar a sua estrela. Isto tornou difícil prever quando o JWST poderia obter uma visão nítida.

A equipa, liderada por Judith Korth, da Universidade de Lund, reuniu o maior número possível de observações anteriores do sistema e desenvolveu um modelo para prever quando cada planeta passaria pela estrela num ângulo que o JWST pudesse observar.

“Foi uma previsão desafiante e tivemos de ser precisos”, afirma Barat.

No final, a equipa conseguiu captar uma imagem directa e detalhada de ambos os planetas.

“A beleza do JWST reside no facto de não observar apenas numa cor, mas em diferentes cores, ou comprimentos de onda”, explica Barat. “E os comprimentos de onda específicos que um planeta absorve podem revelar muito sobre a composição da sua atmosfera”.

A partir das medições do JWST, a equipa descobriu que o planeta absorvia comprimentos de onda específicos da água, do dióxido de carbono, do dióxido de enxofre e, em menor grau, do metano. Estas moléculas são mais pesadas do que o hidrogénio e o hélio, que constituem atmosferas mais leves. Os astrónomos tinham assumido que, se os mini-Neptunos se formassem muito perto da sua estrela, deveriam ter atmosferas leves.

Mas os novos resultados da equipa contrariam essa suposição e apresentam uma nova forma como os mini-Neptunos se poderiam ter formado. Uma vez que foram encontradas moléculas mais pesadas na atmosfera de TOI-1130 b, que orbita muito próximo da sua estrela, os cientistas afirmam que a única explicação possível para a sua composição é que o planeta se formou muito mais longe do que a sua localização atual.

O planeta provavelmente acumulou a sua atmosfera densa de água e outros compostos voláteis, como dióxido de carbono e dióxido de enxofre, na região gelada para além da linha de gelo da estrela. Neste ambiente muito mais frio, a água condensa-se nas partículas de poeira para formar pedrinhas geladas, que um planeta em formação pode atrair para a sua atmosfera. A água evapora-se à medida que migra lentamente para mais perto da sua estrela.

Barat afirma que a detecção de moléculas pesadas na atmosfera de TOI-1130 b pela equipa confirma que o planeta – e provavelmente o seu companheiro Júpiter quente – se formou na periferia do sistema. Através de uma migração gradual, os dois planetas teriam sido capazes de permanecer próximos um do outro e manter as suas atmosferas intactas.

“Este sistema representa uma das arquitecturas mais raras que os astrónomos já encontraram”, afirma Barat. “As observações de TOI-1130 b fornecem a primeira indicação de que tais mini-Neptunos, que se formam para além da linha de água/gelo, estão de facto presentes na natureza”.

// MIT (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)

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72: Voluntários duplicam a população conhecida de anãs castanhas

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Um novo artigo científico do projecto “Backyard Worlds: Planet 9” da NASA anunciou que os voluntários praticamente duplicaram o número de anãs castanhas conhecidas, com mais de 3000 novas descobertas feitas nos últimos 10 anos, desde o início do projecto. As anãs castanhas são bolas de gás do tamanho de Júpiter, menos massivas do que as estrelas. Há uma por cada três ou quatro estrelas próximas do Sol.

Representação artística de uma anã castanha, da autoria de William Pendrill, voluntário do projecto Backyard Worlds: Planet 9. O projecto Backyard Worlds: Planet 9 anunciou a descoberta de mais de 3000 destes objectos nos últimos 10 anos, duplicando o número conhecido. Junte-se à busca em backyardworlds.org!
Crédito: William Pendrill

Embora as anãs castanhas sejam comuns, podem ser difíceis de detectar porque brilham muito pouco em comparação com as estrelas. Ter o dobro de anãs castanhas para estudar permite aos astrónomos uma compreensão mais profunda destes objectos esquivos. Esta nova e vital lista de anãs castanhas já revelou uma nova variedade de objectos – as sub-anãs T extremas e muitas outras raridades, tais como objectos ultra-frios e uma anã castanha que parece ter auroras. Também ajudou a inventariar a distribuição de massa na nossa Galáxia e a mapear a nossa vizinhança cósmica.

As descobertas foram publicadas na revista The Astronomical Journal, sob a liderança do astrónomo Adam Schneider, do Observatório Naval dos EUA. Representam um trabalho realizado ao longo de dez anos, com a ajuda de uma equipa de cerca de 200.000 voluntários. Dos 75 autores do artigo científico, 61 são voluntários. Dois dos outros autores começaram o seu trabalho com a equipa como voluntários e depois seguiram carreira na astronomia.

“Agradeço sinceramente o reconhecimento a todos nós que colaborámos, de alguma forma, neste esforço”, afirmou Walter Ruben Robledo, astrónomo amador e voluntário do projecto Backyard Worlds: Planet 9, de Córdoba, na Argentina.

“Quando recebi a notícia sobre a co-autoria, pensei: sim, os sonhos tornam-se realidade”, disse outra voluntária, Mayahuel Torres Guerrero, da Cidade do México.

Os voluntários descobriram estas anãs castanhas em imagens captadas pelo WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) da NASA, já aposentado, e pela missão NEOWISE-R (Near-Earth-Object WISE Reactivation). Analisaram os dados utilizando a plataforma de ciência cidadã Zooniverse, procurando objectos em movimento através da comparação de imagens captadas ao longo de um período de 16 anos. Alguns voluntários contribuíram mesmo criando as suas próprias ferramentas de pesquisa e software de análise de dados.

Quer ajudar a fazer a próxima descoberta de uma anã castanha? O projecto Backyard Worlds: Planet 9 continua a analisar mais de 2 mil milhões de fontes observadas pelo WISE e pelo NEOWISE-R. Junte-se à busca em backyardworlds.org.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv)

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