76: O caçador de planetas da NASA, TESS, revela um céu nocturno deslumbrante

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O TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA divulgou a sua visão mais completa do céu estrelado até à data, preenchendo lacunas de observações anteriores. Quase 6000 pontos coloridos espalhados pela imagem mostram as localizações de exoplanetas confirmados ou candidatos – mundos para lá do nosso Sistema solar – identificados pela missão até Setembro de 2025, no final da segunda missão prolongada do TESS.

Esta imagem de todo o céu foi construída a partir de 96 sectores do TESS. No final de Setembro de 2025, quando a última imagem deste mosaico foi captada, o TESS tinha descoberto 679 exoplanetas (pontos azuis) e 5165 candidatos (pontos laranja). O arco brilhante que atravessa o centro é o plano da Via Láctea. A Grande Nuvem de Magalhães pode ser vista ao longo da orla inferior, logo à esquerda do centro. As áreas pretas dentro da oval indicam regiões que o TESS ainda não captou.
Clique aqui para ver outras versões deste mosaico.
Crédito: NASA/MIT/TESS e Veselin Kostov (Universidade de Maryland College Park)

“Nos últimos oito anos, o TESS tornou-se uma fonte ininterrupta de ciência exoplanetária”, afirmou Rebekah Hounsell, cientista associada do projecto TESS na UMBC (University Of Maryland, Baltimore County) e no Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, em Greenbelt, Maryland, EUA. “Ajudou-nos a encontrar planetas de todos os tamanhos, desde os minúsculos semelhantes a Mercúrio até aos maiores do que Júpiter. Alguns deles encontram-se mesmo na zona habitável, onde a água líquida pode existir à sua superfície, um factor importante na nossa busca por vida para lá da Terra”.

A missão TESS varre uma ampla área do céu, de nome sector, durante cerca de um mês de cada vez, utilizando as suas quatro câmaras. Estas longas observações permitem à nave espacial acompanhar as alterações de brilho de dezenas de milhares de estrelas, procurando variações na sua luz que possam ser causadas por planetas em órbita.

Os investigadores criaram um mosaico de todo o céu composto por 96 sectores observados entre Abril de 2018, quando o TESS iniciou o seu trabalho, e Setembro de 2025.

Os pontos azuis na imagem indicam as localizações de quase 700 planetas confirmados, até 9 de Setembro. Este conjunto inclui mundos que podem estar cobertos por vulcões, que estão a ser destruídos pelas suas estrelas ou que orbitam duas estrelas – testemunhando dois nasceres e pores-do-sol todos os dias. Os pontos laranja representam mais de 5000 candidatos a planeta que aguardam verificação.

Até à data, os cientistas confirmaram mais de 6270 exoplanetas utilizando missões como o TESS, o Telescópio Espacial Kepler da NASA, já aposentado, e outras instalações.

Também captado no mosaico está o plano brilhante da nossa Galáxia, a Via Láctea, visível como um arco resplandecente no centro. As formas ovais brancas brilhantes em baixo e à esquerda são as Nuvens de Magalhães. Estas galáxias satélites estão localizadas a 160.000 e 200.000 anos-luz de distância, respectivamente.

“Quanto mais exploramos o vasto conjunto de dados do TESS, especialmente utilizando algoritmos automatizados, mais surpresas encontramos”, afirmou Allison Youngblood, cientista do projecto TESS no Centro de Voos Espaciais Goddard. “Para além dos planetas, o TESS ajudou-nos a estudar rios de estrelas jovens, a observar o comportamento dinâmico da galáxia e a monitorizar asteróides próximos da Terra. À medida que o TESS preenche cada vez mais do céu nocturno, não há como saber o que poderá ver a seguir”.

// NASA (comunicado de imprensa)

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15.05.2026

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75: Este tranquilo enxame galáctico esconde um passado muito mais violento

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O enxame galáctico Abell 2029 é por vezes descrito como “o enxame mais tranquilo do Universo”. Esta designação não se deve a uma “aura” particularmente serena, mas sim ao facto de o gás super-aquecido que permeia o enxame parecer extremamente calmo e imperturbado.

Composição óptica e em raios X do enxame galáctico Abell 2029. Clique aqui para ver apenas a imagem em raios X. Clique aqui para ver apenas a imagem óptica. Clique aqui para ver apenas a versão de raios X subtraída.
Crédito: raios X – NASA/CXC/CfA/C. Watson et al.; óptico – PanSTARRS; processamento de imagem – NASA/CXC/SAO/N. Wolk e P. Edmonds

Novas observações do Observatório de raios X Chandra mostram claramente que Abell 2029 teve uma história muito mais conturbada do que a sua aparência actual sugere. O estudo mais recente conclui que Abell 2029 ainda está a estabilizar-se após uma colisão violenta com outro enxame mais pequeno, há cerca de quatro mil milhões de anos.

Os enxames de galáxias são as maiores estruturas do Universo mantidas unidas pela gravidade. São compostos por centenas ou até milhares de galáxias, matéria escura invisível e uma enorme quantidade de gás que preenche o espaço entre as galáxias. Este gás é normalmente aquecido a milhões de graus, o que o faz brilhar em raios X.

Uma equipa liderada por astrónomos da Universidade de Boston e do Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian obteve a observação de raios X mais profunda de sempre deste enxame utilizando o Chandra. Os resultados foram descritos num artigo científico publicado na revista The Astrophysical Journal, liderado por Courtney Watson, pertencente a ambas as instituições.

Os dados do Chandra revelam sinais claros de que este enxame não teve uma história monótona. Esta nova imagem composta mostra evidências da actividade passada do enxame na forma semelhante a um náutilo observada nos dados do Chandra (azul). A luz óptica proveniente de estrelas e galáxias no mesmo campo de visão aparece principalmente branca numa imagem do Pan-STARRS, um telescópio no Hawaii.

A equipa pensa que a forma espiral no gás quente foi formada quando o gás no enxame se espalhou para os lados devido aos efeitos gravitacionais da colisão do enxame – semelhante ao modo como o vinho se move num copo. A espiral espalhada em Abell 2029 é uma das mais longas já observadas, estendendo-se por cerca de dois milhões de anos-luz a partir do centro do enxame.

Existem várias outras evidências-chave da colisão passada, nunca vistas em conjunto num enxame, permitindo à equipa rastrear a história da colisão do enxame com um detalhe sem precedentes. Por exemplo, a equipa vê indícios de um amplo “splash” de gás mais frio criado pela colisão. Pode também haver uma onda de choque – semelhante a um estrondo sónico de um avião supersónico – no gás super-aquecido que restou da colisão. Por fim, existe uma característica em forma de “baía” no gás quente, que os investigadores pensam poder ter sido causada por uma sobreposição entre as partes exteriores da espiral e o gás arrancado do enxame mais pequeno à medida que este passava pelo enxame maior. Embora os autores pensem que se trata de uma relíquia da colisão, também são possíveis outras explicações para esta estrutura.

Versão anotada da composição óptica e em raios X do enxame galáctico Abell 2029.
Crédito: raios X – NASA/CXC/CfA/C. Watson et al.; ótico – PanSTARRS; processamento de imagem – NASA/CXC/SAO/N. Wolk e P. Edmonds

Simulações computacionais da colisão sugerem que o enxame mais pequeno tinha uma massa cerca de dez vezes inferior à do enxame maior. A espiral formou-se quando o enxame mais pequeno fez a sua primeira passagem pelo enxame maior, empurrando o seu gás para os lados. A gravidade do enxame maior fez então com que o outro enxame abrandasse e fosse atraído de volta para uma segunda colisão. Isto gerou uma frente de choque e deixou para trás um rasto de material, formando a região do “splash”.

Para revelar estas várias características, os autores utilizaram uma técnica especial que analisou o quanto o gás quente do enxame se desvia de uma forma simétrica. A maior parte do gás quente é simétrico e tem aproximadamente a forma de uma oval. Os autores removeram (“subtraíram”) esta forma oval simétrica da imagem original de raios X. A emissão de raios X remanescente na “imagem subtraída” mostra claramente as características invulgares da espiral ondulante, da baía e da zona do “splash”. A frente de choque é demasiado fraca para ser vista nesta imagem.

A nova composição combina tanto a imagem original de raios X como a imagem de raios X subtraída das observações profundas de Abell 2029 pelo Chandra. A imagem de raios X subtraída (azul-claro) mostra de forma impressionante a espiral ondulante. A maior parte da imagem de raios X original apresenta uma cor azul mais escura, com excepção do centro da imagem, que é azul-claro. Duas outras características – a baía e a área de “splash” – estão identificadas na versão anotada. O brilho da imagem original foi reduzido para mostrar melhor a imagem subtraída.

// Chandra/Harvard (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)

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74: Webb estuda galáxia primitiva que parece não girar

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Astrónomos, utilizando o Telescópio Espacial James Webb, fizeram uma descoberta surpreendente acerca de uma galáxia que existe há muito, muito tempo e que está muito, muito longe: não está a girar.

Com os instrumentos do Telescópio Espacial James Webb, os astrónomos conseguem medir o movimento da matéria no interior das galáxias menos de dois mil milhões de anos após o Big Bang. Para sua surpresa, os astrónomos descobriram uma galáxia que não está a girar como seria de esperar para essa idade do Universo.
Crédito: Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA/CIL/Adriana Manrique Gutierrez

É algo que só se observa nas galáxias mais massivas e maduras, que estão mais próximas de nós no espaço e no tempo, afirmou Ben Forrest, investigador científico do Departamento de Física e Astronomia da Universidade da Califórnia, em Davis, e primeiro autor do artigo científico publicado a 4 de maio na revista Nature Astronomy.

“Esta em particular não apresentava quaisquer indícios de rotação, o que foi surpreendente e muito interessante”, afirmou Forrest.

De acordo com as teorias actuais, à medida que as primeiras galáxias se formaram, o momento angular proveniente do gás em queda e a influência da gravidade fizeram com que elas começassem a girar.

Ao longo de milhares de milhões de anos, algumas galáxias, especialmente aquelas dentro de enxames de galáxias, fundiram-se umas com as outras várias vezes e as suas rotações combinadas somaram-se ou anularam-se parcialmente umas às outras. É por isso que algumas galáxias que estão mais próximas da Terra (e, portanto, também relativamente recentes) podem apresentar pouca rotação global, mas muito movimento aleatório de estrelas no seu interior.

Este processo deveria demorar muito, muito tempo, pelo que é surpreendente que a galáxia XMM-VID1-2075 tivesse atingido este estado quando o Universo tinha menos de 2 mil milhões de anos.

Forrest e os seus colegas do levantamento MAGAZ3NE (Massive Ancient Galaxies at z>3 NEar-Infrared) já tinham observado anteriormente esta galáxia com o Observatório W.M. Keck, no Hawaii.

“Observações anteriores do MAGAZ3NE tinham confirmado que esta era uma das galáxias mais massivas do Universo primitivo, com várias vezes o número de estrelas da nossa Via Láctea, e também confirmaram que já não estava a formar novas estrelas, tornando-a um alvo atraente para observações de acompanhamento”, disse Forrest.

Empurrando a fronteira

A equipa utilizou o Telescópio Espacial James Webb para observar mais atentamente a galáxia XMM-VID1-2075 e outras duas de idade semelhante. Conseguiram medir o movimento relativo da matéria no seu interior.

“Este tipo de trabalho tem sido realizado com muitas galáxias próximas, porque estão mais perto e parecem maiores, pelo que é possível realizar estes estudos a partir do solo, mas é muito difícil fazê-lo com galáxias com um grande desvio para o vermelho, uma vez que parecem muito mais pequenas no céu”, afirmou Forrest. “O James Webb está realmente a empurrar a fronteira deste tipo de estudos”.

Das três galáxias que analisaram, uma está claramente a girar, outra está “um pouco desorganizada” e a terceira não tem rotação, mas sim muito movimento aleatório, disse Forrest. “Isso é consistente com algumas das galáxias mais massivas do Universo local, mas foi um pouco surpreendente encontrá-la tão cedo”.

A ausência de contraste de cor na imagem de XMM-VID1-2075 (painel da esquerda) revela uma ausência de movimento de rotação em comparação com as outras duas galáxias (centro e direita).
Crédito: Forrest et al., 2026

Como é que esta galáxia se tornou uma “galáxia de rotação lenta” em menos de 2 mil milhões de anos? Uma possibilidade é que seja o resultado não de múltiplas fusões, mas de uma única colisão entre duas galáxias a girar praticamente em direcções opostas. Essa ideia é apoiada pelas observações da equipa.

“Para esta galáxia em particular, vemos um grande excesso de luz na lateral. E isso sugere a existência de algum outro objecto que entrou e está a interagir com o sistema, podendo potencialmente alterar a sua dinâmica”, disse Forrest.

Os astrónomos continuam à procura de outros objectos semelhantes no Universo primitivo. Ao compararem as suas observações com simulações, conseguem testar teorias sobre a formação das galáxias.

“Existem algumas simulações que prevêem que haverá um número muito reduzido destas galáxias não giratórias numa fase muito inicial do Universo, mas esperam que sejam bastante raras. E, por isso, esta é uma forma de testarmos estas simulações e de percebermos realmente quão comuns são, o que nos pode então dar informações sobre se as nossas teorias sobre esta evolução estão corretas”, afirmou Forrest.

// UC Davis (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)
// Artigo científico (arXiv)

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