71: As ondas gravitacionais revelam os segredos dos maiores buracos negros

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De acordo com um novo estudo, os buracos negros mais massivos do Universo, detectados pelas ondulações que provocam no espaço-tempo, não nasceram directamente do colapso de estrelas. Em vez disso, estes gigantes cósmicos formam-se através de uma série de colisões repetidas e extremamente violentas em enxames estelares muito densos, argumenta uma equipa internacional de investigadores.

A cerca de 28.000 anos-luz de distância, o enxame globular M80 alberga centenas de milhares de estrelas unidas pela gravidade. Ambientes densamente povoados como este podem contribuir para o crescimento dos buracos negros através de fusões sucessivas.
Crédito: NASA, ESA, STScI e A. Sarajedini (Universidade da Flórida)

O estudo, liderado pela Universidade de Cardiff, com investigadores de Chicago, da Northwestern, de Oxford e de outras universidades na Europa, analisou a versão 4.0 do GWTC (Gravitational-Wave Transient Catalogue) da Colabração LIGO-Virgo-KAGRA, que contém 153 detecções de fusões de buracos negros com fiabilidade suficiente.

A equipa pretendia testar a ideia de que os buracos negros mais massivos no GWTC-4 são objectos de “segunda geração”, formados quando buracos negros anteriores se fundiram e depois se fundiram novamente nos núcleos densos de enxames estelares, onde as estrelas podem estar agrupadas até um milhão de vezes mais densamente do que na vizinhança do Sol. As suas descobertas, publicadas na revista Nature Astronomy, investigam as origens dos buracos negros mais massivos detectados pelas suas ondas gravitacionais, revelando duas populações distintas.

“A astronomia de ondas gravitacionais já não se limita a contar fusões de buracos negros”, explica o autor principal, Dr. Fabio Antonini, da Faculdade de Física e Astronomia da Universidade de Cardiff. “Está a começar a revelar como os buracos negros crescem, onde crescem e o que isso nos diz sobre a vida e a morte das estrelas massivas. Isto é excitante porque podemos usar essa informação para testar a nossa compreensão de como as estrelas e os enxames evoluem no Universo”.

Nos dados de ondas gravitacionais, a equipa identificou uma população de menor massa consistente com o colapso estelar comum; e uma população de maior massa cujas rotações parecem-se exactamente com as esperadas de fusões hierárquicas em enxames estelares densos.

Verificou-se que as rotações dos buracos negros de baixa massa eram muito lentas – tal como seria de esperar de um colapso estelar. A massa de transição entre as duas populações emerge muito claramente dos dados das rotações: para massas acima desse valor, verificou-se que as rotações eram consistentes com o que seria de esperar de orientações aleatórias no espaço e tinham magnitudes muito maiores.

O estudo também apresenta as evidências mais sólidas até à data da existência de uma “lacuna de massa”, em que estrelas extremamente massivas explodem de forma catastrófica em vez de colapsarem para formar buracos negros. A teoria, há muito prevista, descreve um intervalo “proibido” de massa para buracos negros formados directamente a partir de estrelas, em que se espera que estrelas muito massivas sejam destruídas antes de poderem formar buracos negros.

A equipa identifica este intervalo numa população de buracos negros de origem estelar com 45 vezes a massa do Sol ou mais, o que significa que buracos negros mais massivos do que isso não podem ter-se formado exclusivamente a partir de estrelas moribundas.

O co-autor Dr. Yonadav Barry Ginat, bolseiro em Oxford, comenta: “Os enxames estelares densos são um ambiente que pode permitir a formação de objectos de segunda geração da forma exacta necessária para produzir a distribuição da rotação, e também produzir buracos negros na lacuna de massa naturalmente.

“Existe também uma característica clara na distribuição de massas que surge nesta massa de transição: a curvatura da distribuição altera-se, reflectindo a ausência de buracos negros de ‘primeira geração’ e a proeminência emergente dos de segunda geração. Descobrimos que esta alteração da curvatura é exactamente o que seria de esperar se estes buracos negros proviessem, de facto, de enxames densos”.

// Universidade de Cardiff (comunicado de imprensa)
// Universidade de Oxford (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)

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12.05.2026

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70: Astrónomos investigam a composição da superfície de uma super-Terra próxima

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Utilizando o instrumento MIRI (Mid-Infrared Instrument) a bordo do Telescópio Espacial James Webb, uma equipa de investigadores analisou a composição da superfície do exoplaneta rochoso LHS 3844 b. Para além de caracterizar as atmosferas exoplanetárias, este tipo de interpretação das propriedades geológicas de planetas que orbitam estrelas distantes é o próximo passo para desvendar a sua natureza. Os resultados desta investigação foram publicados na revista Nature Astronomy.

Esta fotografia de alta resolução do planeta Mercúrio assemelha-se provavelmente ao exoplaneta rochoso LHS 3844 b. Os resultados das observações do JWST apontam para um planeta rochoso sem atmosfera, com uma superfície escura semelhante a basalto, provavelmente com erosão espacial devido à irradiação e aos impactos de meteoritos.
Crédito: NASA/JHUAPL/Instituto Carnegie

Uma super-Terra rochosa, escura e sem atmosfera

LHS 3844 b é um planeta rochoso 30% maior do que a Terra e orbita uma anã vermelha fria, completando uma volta em cerca de 11 horas. Girando apenas três diâmetros estelares acima da superfície da estrela hospedeira, o planeta sofre acoplamento de maré. Isto significa que uma rotação demora exactamente o mesmo tempo que uma revolução.

Como resultado, o mesmo hemisfério de LHS 3844 b está sempre voltado para a sua estrela, produzindo um lado diurno constante com uma temperatura média de aproximadamente 1000 Kelvin (cerca de 725º C). O sistema LHS 3844 está a apenas 48,5 anos-luz (14,9 parsecs) de distância da Terra.

“Graças à incrível sensibilidade do JWST, conseguimos detectar luz proveniente directamente da superfície deste distante planeta rochoso”, afirmou Laura Kreidberg, directora do Instituto Max Planck de Astronomia e investigadora principal do estudo. “Vemos uma rocha escura, quente e árida, desprovida de qualquer atmosfera”.

Espectro infravermelho do lado diurno e quente de LHS 3844 b, obtido a partir do contraste de brilho em relação à sua estrela hospedeira, expresso em ppm (partes por milhão = 0,0001%) em diferentes comprimentos de onda. Os dados observacionais obtidos pelos telescópios espaciais James Webb e Spitzer são consistentes com a presença de manto ou rocha vulcânica, ao passo que excluem a existência de uma crosta semelhante à da Terra.
Crédito: Sebastian Zieba et al./Instituto Max Planck de Astronomia

Com a sua superfície escura, LHS 3844 b pode assemelhar-se a uma versão maior da Lua ou do planeta Mercúrio. Esta conclusão baseia-se na análise da radiação infravermelha recebida do lado diurno e quente do planeta. No entanto, ao medir esta radiação, os astrónomos não conseguem ver o planeta directamente; em vez disso, registam a variação repetitiva de brilho que recebem da combinação da estrela e do planeta em órbita.

O MIRI dividiu uma parte da emissão infravermelha do planeta, variando entre 5 e 12 micrómetros, em secções mais pequenas de comprimento de onda e mediu o brilho por intervalo de comprimento de onda. É a isto que os astrónomos chamam espectro, uma distribuição semelhante a um arco-íris dos componentes da luz. Outro ponto de dados, obtido a partir de observações com o Telescópio Espacial Spitzer e publicado há alguns anos, complementou a análise.

Limitações da actividade geológica

Tal como a investigação sobre as atmosferas exoplanetárias tem beneficiado da ciência climática, este campo emergente da geologia exoplanetária baseia-se no conhecimento geológico da Terra. Kreidberg, Sebastian Zieba (Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian) e colaboradores executaram modelos de computador e acederam a bibliotecas de rochas e minerais conhecidos da Terra, da Lua e de Marte para ver que assinaturas infravermelhas produziriam sob as condições de LHS 3844 b. A comparação de dados baseados em observações com estas computações descartou com segurança uma composição comparável à da crosta terrestre, tipicamente rochas ricas em silicatos, como o granito.

Embora este resultado não seja muito surpreendente – mesmo no Sistema Solar, a Terra é o único planeta com tal crosta -, pode revelar detalhes sobre a história geológica de LHS 3844 b. Pensa-se que as crostas ricas em silicatos, semelhantes às da Terra, se formam através de um processo de refinamento prolongado que requer actividade tectónica e depende tipicamente da água como lubrificante. O material rochoso derrete e solidifica repetidamente à medida que se mistura com material do manto, deixando os minerais mais leves na superfície.

“Uma vez que LHS 3844 b carece dessa crosta de silicatos, pode-se concluir que a tectónica de placas semelhante à da Terra não se aplica a este planeta, ou que é ineficaz”, afirma Zieba. “Este planeta provavelmente contém apenas pouca água”.

O que podemos deduzir sobre a superfície rochosa de um exoplaneta?

Em vez disso, a superfície escura aponta para uma composição semelhante ao basalto terrestre ou lunar, ou ao material do manto da Terra. No entanto, os astrónomos tentaram uma caracterização ainda mais detalhada.

Uma análise estatística de quão bem este espectro se ajusta a várias misturas e configurações minerais revelou que extensas áreas sólidas de basalto ou rocha magmática correspondem melhor às observações. Estas são ricas em magnésio e ferro e podem incluir olivina. Material “triturado”, como rochas ou cascalho, também se ajusta razoavelmente bem, enquanto grãos ou poeiras são inconsistentes com as observações devido à sua aparência mais brilhante, pelo menos à primeira vista.

Sem uma atmosfera protectora, os planetas estão sujeitos à erosão espacial, impulsionada predominantemente pela radiação dura e energética da estrela hospedeira e pelos impactos de meteoritos de vários tamanhos.

Uma imagem em grande plano da pegada da bota de um astronauta no rególito lunar, composto por pó fino, durante a actividade extra-veicular da Apollo 11 na Lua. Podem existir condições semelhantes no exoplaneta LHS 3844 b, devido ao intemperismo espacial prolongado causado pela irradiação estelar e pelos impactos de meteoritos.
Crédito: NASA

“Acontece que estes processos não só dissolvem lentamente rochas duras em rególito, uma camada de grãos finos ou pó como a que se encontra na Lua”, explica Zieba. “Também escurecem a camada ao acrescentar ferro e carbono, tornando as propriedades do rególito mais consistentes com as observações”.

Geologicamente recente ou desgastada? Dois cenários possíveis

Esta avaliação deixou os astrónomos com dois cenários para a superfície do planeta que encaixam igualmente bem nos dados. Um envolve uma superfície dominada por rocha escura e sólida, composta por minerais basálticos ou magmáticos. Em comparação com as escalas geológicas de tempo, a erosão espacial altera as suas propriedades rapidamente. Por isso, os astrónomos concluem que, neste cenário, a superfície deve ser relativamente jovem, resultante de actividade geológica recente, como vulcanismo generalizado.

O segundo cenário também propõe uma superfície escura, comparável à da Lua ou de Mercúrio. No entanto, este cenário tem em conta um intemperismo espacial prolongado, o que leva a regiões extensas cobertas por uma camada de rególito escurecido, um pó fino também presente na Lua, como evidenciado pelas fotos icónicas das pegadas dos astronautas. Esta alternativa assenta em períodos mais longos de inactividade geológica, exigindo assim condições opostas às do primeiro cenário.

Tentativas de resolver a ambiguidade

Estas duas alternativas diferem no necessário grau de actividade geológica recente. Na Terra e noutros objectos activos do Sistema Solar, um fenómeno típico durante essa actividade é a libertação de gases. O dióxido de enxofre (SO₂) é um gás frequentemente associado ao vulcanismo.

Se estivesse presente em LHS 3844 b em quantidades razoáveis, o MIRI deveria tê-lo detectado. No entanto, não encontrou nada. Por conseguinte, um período recente de actividade parece improvável, o que leva os astrónomos a favorecer o segundo cenário. Se estiver correto, LHS 3844 b pode realmente assemelhar-se muito a Mercúrio.

Para testar a sua ideia, Zieba, Kreidberg e os seus colegas já estão a seguir uma abordagem mais directa. Obtiveram observações adicionais do JWST, que lhes deverão permitir discernir as condições da superfície, explorando pequenas diferenças na forma como placas sólidas e pós emitem ou reflectem a luz.

A distribuição dos ângulos de emissão depende da rugosidade da superfície, que afecta a quantidade de radiação recebida num determinado ângulo de visão. Este conceito é aplicado com sucesso na caracterização de asteróides no Sistema Solar. “Estamos confiantes de que a mesma técnica nos permitirá esclarecer a natureza da crosta de LHS 3844 b e, no futuro, de outros exoplanetas rochosos”, conclui Kreidberg.

// Instituto Max Planck de Astronomia (comunicado de imprensa)
// Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian (comunicado de imprensa)
// Universidade de Chicago (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)
// Artigo científico (arXiv)

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69: Este objecto do Sistema Solar exterior tem uma atmosfera, mas não deveria ter

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Uma equipa de astrónomos japoneses, profissionais e amadores, encontrou indícios de uma atmosfera ténue em torno de um pequeno corpo no Sistema Solar exterior. O objecto é tão pequeno que não deveria possuir uma atmosfera sustentável, o que levanta questões sobre quando e como essa atmosfera se formou. Observações futuras destinadas a caracterizar melhor a atmosfera ajudarão a desvendar estes mistérios.

Representação artística desta investigação, mostrando uma sequência temporal imaginária no momento em que uma estrela passa por trás de um objecto transneptuniano (OTN) com atmosfera.
Crédito: NAOJ

Nas regiões frias do Sistema Solar exterior encontram-se milhares de pequenos objectos conhecidos como objectos transneptunianos (OTNs), porque se situam para lá da órbita de Neptuno. Foi observada uma atmosfera ténue em torno de Plutão, o OTN mais famoso, mas estudos de outros OTNs deram resultados negativos. A maioria dos OTNs é tão fria, e a sua gravidade superficial tão fraca, que não se espera que retenham atmosferas.

Mas os astrónomos gostam de esperar o inesperado, por isso aproveitaram uma “experiência natural” fortuita para procurar uma atmosfera em torno de um OTN conhecido como (612533) 2002 XV93. Este objecto, abreviado como 2002 XV93, tem um diâmetro de aproximadamente 500 km. A título de referência, Plutão tem um diâmetro de 2377 km. A órbita de 2002 XV93 é tal que, vista do Japão, passou directamente à frente de uma estrela no dia 10 de Janeiro de 2024.

À medida que a estrela desaparece por trás de 2002 XV93, pode desvanecer gradualmente, indicando que a luz está a ser atenuada ao passar por uma atmosfera fina; ou pode desaparecer repentinamente ao deslizar por trás da superfície sólida do OTN.

Uma equipa de astrónomos profissionais e amadores, liderada por Ko Arimatsu do Observatório Astronómico Ishigakijima do NAOJ (National Astronomical Observatory of Japan), observou a estrela enquanto 2002 XV93 passava à sua frente a partir de vários locais no Japão. Os dados obtidos são consistentes com a atenuação causada por uma atmosfera.

Os cálculos mostram que a atmosfera encontrada em torno de 2002 XV93 deverá durar menos de 1000 anos, a menos que seja reabastecida. Por isso, deve ter sido criada ou reabastecida recentemente. As observações do Telescópio Espacial James Webb não mostram sinais de gases congelados na superfície de 2002 XV93 que possam sublimar para formar uma atmosfera.

Uma possibilidade é que algum evento tenha trazido gases congelados ou líquidos das profundezas do OTN para a superfície. Outra possibilidade é que um cometa tenha colidido com 2002 XV93, libertando gás que formou uma atmosfera temporária. São necessárias mais observações para distinguir entre estes dois cenários.

// NAOJ (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)
// Artigo científico (arXiv)

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68: Eclipses estelares lançam luz sobre possíveis novos mundos

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Um estudo de dados do TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA acerca de pares de estrelas que sofrem eclipses mútuos revelou mais de duas dúzias de candidatos a exoplanetas, ou mundos para lá do nosso Sistema Solar. Este método permite à missão localizar planetas que, de outra forma, não conseguiria detectar.

Um planeta gigante gasoso destaca-se em primeiro plano, à direita, iluminado por um par de estrelas, nesta representação artística de um mundo num sistema binário. O TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA descobriu planetas em sistemas estelares binários, observando a diminuição do brilho estelar quando os planetas passam à frente de uma delas. Os astrónomos demonstraram agora um novo método para encontrar planetas nestes sistemas, concentrando-se no momento em que ocorrem os eclipses mútuos das estrelas.
Crédito: Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA/Chris Smith (USRA)

Até à data, o TESS descobriu 885 exoplanetas confirmados e identificou mais de 7900 candidatos, quase todos encontrados porque os planetas, da perspectiva do Sistema Solar, passam à frente das suas estrelas. Estes eventos, chamados de trânsitos, produzem uma pequena e regular diminuição no brilho da estrela hospedeira. O TESS também observa dezenas de milhares de estrelas binárias eclipsantes – duas estrelas em órbita que se eclipsam mutuamente e alternadamente, do nosso ponto de vista.

Os astrónomos conseguem detectar a atracção gravitacional dos exoplanetas nestes sistemas medindo cuidadosamente o momento exacto de muitos eclipses. Antes do novo estudo, as descobertas do aposentado telescópio espacial Kepler, e de outras instalações, tinham registado 16 mundos em trânsito em torno de estrelas binárias, enquanto o TESS tinha encontrado mais dois.

“Identificar trânsitos em sistemas binários é claramente um desafio, mas gostaríamos de saber mais sobre a variedade de planetas que se podem formar em torno de duas estrelas ligadas gravitacionalmente”, afirmou a líder do estudo, Margo Thornton, doutoranda na UNSW (University of New South Wales), em Sydney. “Por isso, desenvolvemos um levantamento para procurar planetas utilizando eclipses estelares que não se limita à orientação da órbita do planeta”.

O artigo científico que descreve as descobertas foi publicado no passado dia 4 de Maio na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

No caso de planetas localizados em sistemas binários, a orientação da órbita do planeta pode dar-nos informações sobre como esse sistema se formou. Alguns modelos de formação planetária em sistemas binários sugerem que os planetas se formam principalmente perto do plano formado pelas duas estrelas em órbita, aumentando a probabilidade de os sistemas binários abrigarem mundos em trânsito. Mas outros modelos indicam um processo de formação muito mais desordenado, com o par estelar a empurrar os seus planetas jovens para trajectórias mais amplas e inclinadas, muito menos propensas a sofrer trânsitos.

O momento dos eclipses estelares pode mudar gradualmente através de interacções de maré e de rotação entre as estrelas, dos efeitos da relatividade geral e da presença de outras massas invisíveis, como planetas, no sistema. Todas estas forças fazem com que todo o plano orbital do binário gire, ou precesse, e isto, por sua vez, altera o momento do eclipse.

“A chave para calcular todas estas diferentes influências é o vasto e rico conjunto de observações disponibilizadas pelo TESS”, afirmou o co-autor Benjamin Montet, professor associado na UNSW. “Após analisarmos 1590 binários com pelo menos dois anos de dados do TESS, identificámos 27 com planetas candidatos que aguardam agora confirmação”.

Explore como as observações de eclipses estelares podem ampliar as capacidades do TESS, levando à descoberta de novos candidatos a planetas que, de outra forma, não seriam detectados.
Crédito: Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA/Francis Reddy

Desde o início das operações científicas em 2018 que o TESS tem varrido o céu observando vastas áreas, denominadas “sectores”, durante quase um mês. Actualmente, as câmaras da missão captam uma única imagem de todo o sector, com 24 por 96 graus, aproximadamente a cada 3 minutos, realizando observações ainda mais rápidas de alvos seleccionados.

As massas dos novos candidatos permanecem incertas, mas a equipa estima que o mundo mais pequeno possa ter apenas 12 massas terrestres, com o maior a atingir cerca de 3200 massas terrestres, ou cerca de 10 vezes a massa de Júpiter. A confirmação destes planetas exigirá futuras observações terrestres que meçam com precisão as velocidades das estrelas hospedeiras, o que revelará os ligeiros efeitos gravitacionais de quaisquer possíveis planetas.

“A missão TESS foi concebida para encontrar planetas em trânsito e é fantástico ver como as mesmas medições estão a impulsionar descobertas muito além da sua missão original”, afirmou Allison Youngblood, cientista do projecto TESS no Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, em Greenbelt, Maryland, EUA. “A recolha contínua de dados da missão é um tesouro que permite novas descobertas numa vasta gama de tópicos astronómicos, desde asteróides no Sistema Solar até galáxias activas alimentadas por buracos negros no Universo distante”.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)

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08.05.2026

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67: Eclipse solar mais longo está a chegar e é o último que vais ver

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O universo tem formas incríveis de nos surpreender e de nos lembrar da nossa pequenez face à imensidão do cosmos. Efectivamente, prepara-te para testemunhar um dos eventos espaciais mais raros e espectaculares da nossa era. Assim os astrónomos já confirmaram que o eclipse solar mais longo do século está prestes a acontecer. De facto, será uma oportunidade verdadeiramente única na vida para observar a grandiosidade do sistema solar em tempo real e de forma totalmente natural.

Porque é que os eclipses mexem com o nosso corpo? A ciência descobriu

Eclipse solar mais longo: um apagão com planetas e estrelas a meio do dia

Antes de mais, o detalhe mais fascinante e alucinante deste evento não é apenas o simples desaparecimento do sol. Neste sentido, a escuridão provocada pela passagem da Lua será tão incrivelmente profunda e densa que vai alterar por completo o nosso céu diurno.

Eclipse solar com anel de fogo durante eclipse total da Lua na Terra.
© Leak

Como resultado, no pico máximo do eclipse, o brilho ofuscante do sol será bloqueado a um nível extremo. Graças a isso, poderás olhar para cima e ver perfeitamente várias constelações e estrelas brilhantes que normalmente estariam escondidas. Adicionalmente, este apagão natural vai revelar até alguns planetas vizinhos a olho nu no meio do dia, criando uma paisagem visual que parece ter saído directamente de um filme de ficção científica.

Prepara o calendário: A data que não podes esquecer

O eclipse solar mais longo do século XXI acontecerá no dia 2 de Agosto de 2027.

Desta forma, tens tempo mais do que suficiente para planear a tua observação ao detalhe, garantires que tens os teus óculos de protecção espacial prontos a usar e até preparares as tuas férias. O fenómeno será fortemente visível no Norte de África, no Médio Oriente e em partes da Europa!

Uma oportunidade que demora 157 anos a voltar

Se pensas que podes simplesmente deixar passar este evento e apanhar o próximo na televisão, estás redondamente enganado. Ainda neste seguimento, os cálculos matemáticos são implacáveis e precisos em relação às órbitas. Um eclipse com esta duração de tempo excepcional que atingirá os 6 minutos e 23 segundos de escuridão não se repetirá durante os próximos cento e cinquenta e sete anos.

dores nos olhos eclipse

Consequentemente, é literalmente um momento de agora ou nunca para qualquer ser humano vivo actualmente. Assim a duração recorde deste bloqueio solar vai permitir aos cientistas e aos curiosos terem tempo mais do que suficiente para desfrutar, fotografar e absorver cada segundo deste espectáculo sem aquela típica pressa habitual dos eclipses mais curtos.

Vivemos constantemente de cabeça baixa e demasiado agarrados aos ecrãs dos nossos telemóveis, esquecendo-nos frequentemente de olhar para o tecto do nosso mundo. Dito isto, eventos gigantescos desta magnitude são um autêntico alerta visual para nos acordar para a realidade espectacular que existe acima das nossas cabeças.

O facto brutal de podermos ver estrelas e planetas a brilhar a meio do dia, graças a um alinhamento perfeito de rochas espaciais, é de rebentar com a escala do espectáculo. Marca o dia 2 de Agosto de 2027 a vermelho no teu calendário, larga o teu smartphone no bolso durante esses minutos cruciais e aproveita este bilhete VIP grátis que a natureza te está a oferecer. Não vais estar cá para ver o próximo, por isso garante que não perdes este por nada deste mundo!

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04.05.2026

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66: As estrelas jovens perdem brilho nos raios X com uma rapidez surpreendente

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Os cientistas descobriram que as jovens estrelas semelhantes ao nosso Sol estão a acalmar-se e a diminuir a sua emissão de raios X mais rapidamente do que se pensava, de acordo com um novo estudo que utilizou o Observatório de raios X Chandra da NASA.

Os enxames estelares Trumpler 3 e NGC 2353
Crédito: raios X – NASA/CXC/Universidade do Estado da Pensilvânia/K. Getman; ótico/infravermelho – PanSTARRS; processamento de imagem – NASA/CXC/SAO/N. Wolk

Ao contrário do que acontece no filme “Projecto Hail Mary”, este apaziguamento das estrelas jovens é um benefício para as perspectivas de vida nos planetas em órbita – e não uma ameaça.

Os astrónomos utilizaram o Chandra e outros telescópios para monitorizar a forma como a potente radiação das estrelas jovens – frequentemente sob a forma de perigosos raios X – pode bombardear os planetas que as rodeiam. No entanto, não sabiam durante quanto tempo esta investida altamente energética se prolongava.

Este último estudo analisou oito enxames de estrelas com idades compreendidas entre os 45 milhões e os 750 milhões de anos. Os investigadores descobriram que as estrelas semelhantes ao Sol nestes enxames libertavam apenas cerca de um-quarto a um-terço dos raios X que esperavam.

“Enquanto a ficção científica – como os micróbios no filme ‘Projecto Hail Mary’ – imagina vida alienígena que atenua o output estelar ao consumir a sua energia, as nossas observações reais revelam um ‘apaziguamento’ natural de jovens estrelas semelhantes ao Sol em raios X”, afirmou Konstantin Getman, autor principal do novo estudo publicado na revista The Astrophysical Journal e professor na Universidade do Estado da Pensilvânia, nos EUA. “Isto não se deve ao facto de uma força externa estar a consumir a sua luz, mas sim porque a sua geração interna de campos magnéticos se torna menos eficiente”.

Na verdade, esta diminuição da actividade poderá ser benéfica para a formação de vida em planetas que orbitam estrelas que são versões mais jovens do nosso próprio Sol (o nosso Sol tem cerca de 4,6 mil milhões de anos, sendo assim significativamente mais velho do que as estrelas analisadas neste estudo). Isto deve-se ao facto de grandes quantidades de raios X poderem corroer a atmosfera de um planeta e impedir a formação das moléculas necessárias para a vida orgânica tal como a conhecemos.

Em média, estrelas com três milhões de anos e uma massa igual à do Sol produzem cerca de mil vezes mais raios X do que o Sol actual. Por sua vez, estrelas com 100 milhões de anos e uma massa solar são cerca de 40 vezes mais brilhantes em raios X do que o Sol actual.

Ilustração de uma jovem estrela semelhante ao Sol a corroer parte da atmosfera de um planeta em órbita.
Crédito: NASA/SAO/CXC/M. Weiss

“É possível que devamos a nossa existência ao facto de o nosso Sol ter feito, há vários milhares de milhões de anos, o mesmo que vemos estas estrelas jovens a fazer agora”, afirmou o co-autor Vladimir Airapetian, do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. “Esta diminuição no mundo real ecoa a dramática mudança estelar da ficção, mas pode ser ainda mais fascinante porque destaca a história real do nosso próprio Sol”.

Os investigadores descobriram que as estrelas com aproximadamente a mesma massa do Sol acalmaram-se relativamente depressa – após algumas centenas de milhões de anos – enquanto as de menor massa mantiveram os seus altos níveis de emissão de raios X por mais tempo.

Em combinação com uma diminuição na energia dos raios X e o desaparecimento de partículas energéticas, as estrelas do tamanho do Sol são aparentemente mais adequadas do que se pensava anteriormente no que toca a planetas com atmosferas robustas e, possivelmente, ao florescimento da vida.

A equipa de investigação também utilizou dados do satélite Gaia da ESA e dados de raios X da missão ROSAT (ROentgen SATellite). Estes dados permitiram-lhes identificar as estrelas que faziam parte dos enxames (e não estrelas à frente ou atrás). Para medir a emissão de raios X das estrelas, realizaram novas observações com o Chandra de cinco enxames com idades entre 45 milhões e 100 milhões de anos, além de utilizarem dados de arquivo do Chandra e do ROSAT para estudar três enxames mais antigos, com idades entre 220 e 750 milhões de anos.

Os astrónomos não tinham, anteriormente, conseguido estudar bem a emissão de raios X de estrelas nesta faixa etária. A maioria dos astrónomos baseava-se em dados escassos e numa relação derivada que prevê a emissão de raios X que as estrelas jovens deveriam produzir com base nas suas idades e rotações. Estrelas mais velhas e com rotação mais lenta são geralmente mais fracas em raios X, mas a equipa descobriu que a emissão de raios X diminui cerca de 15 vezes mais rapidamente do que a relação derivada prevê durante esta fase adolescente específica.

“Só conseguimos ver o nosso Sol neste momento específico no tempo; por isso, para compreender verdadeiramente o seu passado, temos de olhar para outras estrelas com aproximadamente a mesma massa”, afirmou o co-autor Eric Feigelson, também da Universidade do Estado da Pensilvânia. “Ao estudarmos os raios X de estrelas com centenas de milhões de anos, preenchemos uma grande lacuna na nossa compreensão da sua evolução”.

Embora ainda estejam a investigar a causa desta actividade mais lenta do que o esperado, os cientistas pensam que o processo que gera campos magnéticos nestas estrelas pode tornar-se menos eficiente. Isto levaria a que as estrelas se tornassem mais silenciosas em raios X mais rapidamente, à medida que envelhecem. Os investigadores vão continuar a analisar esta e outras causas potenciais para o rápido escurecimento de estrelas jovens semelhantes ao Sol.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Chandra/Harvard (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)

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65: Porque é que as estrelas diminuem ou aumentam a sua rotação antes de morrerem

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Desde o nascimento até à morte, as estrelas geralmente abrandam entre 100 e 1000 vezes a sua velocidade de rotação inicial. O momento angular total do Sol tem diminuído à medida que o material é gradualmente expelido da superfície sob a forma do vento solar. Ao observar este fenómeno, os astrónomos teorizaram que a interacção entre os campos magnéticos e o fluxo de plasma é a forma mais eficiente de fazer as estrelas perderem velocidade.

Ilustração das regiões internas de uma estrela massiva durante a sua fase final de combustão das camadas de oxigénio (verde) e silício (verde-azulado), antes do colapso do núcleo de ferro (azul-escuro). A intensidade e a geometria do campo magnético, combinadas com as propriedades da convecção na região do oxigénio, podem fazer com que a velocidade de rotação aumente ou diminua.
Crédito: Universidade de Quioto/Lucy McNeill

O porquê e como isto acontece há muito que interessa aos astrónomos e, recentemente, uma técnica de observação chamada asteros-sismologia, que mede as frequências de oscilação naturais de uma estrela, tornou possível medir as velocidades de rotação internas e os campos magnéticos de outras estrelas na nossa Galáxia. A partir desta enorme população, surgiu uma imagem de como a rotação estelar diminui com a idade estelar, sugerindo que a teoria actual é insuficiente para explicar a diminuição dramática da rotação.

Fascinada pela asteros-sismologia e pelas simulações 3D da zona convectiva solar realizadas por outros investigadores, uma equipa de investigadores da Universidade de Quioto sentiu-se inspirada a investigar como os campos magnéticos afectam a rotação no interior de estrelas massivas.

“Os nossos co-autores na Austrália e no Reino Unido já realizaram simulações magneto-hidrodinâmicas 3D para estrelas massivas antes do colapso do núcleo. Suspeitávamos que o fluxo no interior da zona convectiva da estrela massiva pudesse evoluir de forma análoga à zona convectiva solar”, afirma o líder da equipa, Ryota Shimada.

Através de uma simulação 3D de uma estrela massiva, os investigadores conseguiram investigar directamente a complexa interacção entre a convecção violenta, a rotação e os campos magnéticos. Confirmaram que a rotação interna e o campo magnético co-evoluem de forma semelhante ao dínamo solar: o processo energético que sustenta o campo magnético do nosso Sol. Com estas equações em mãos, a equipa conseguiu prever matematicamente a evolução da rotação interna da estrela ao longo do tempo.

A sua simulação revela que a velocidade e a direcção dos movimentos convectivos foram influenciadas pela rotação e pelos campos magnéticos em escalas de tempo curtas, o que, por sua vez, altera a rotação, fazendo com que ela diminua ou – em alguns casos – aumente.

A equipa conseguiu formular a interacção entre convecção, rotação e campos magnéticos como um modelo para o transporte radial do momento angular para fora e para dentro, mostrando que este transporte em fases de combustão posteriores está directamente relacionado com a geometria do campo magnético.

“Ficámos surpreendidos ao descobrir que algumas configurações dos campos magnéticos acabam por acelerar a rotação do núcleo, sugerindo que a velocidade de rotação final será específica das propriedades da estrela”, afirma a co-autora Lucy McNeill. “A rotação lenta pode até ser impossível em algumas classes de estrelas massivas”.

A sua descoberta do transporte de momento angular magnético durante fases avançadas de combustão sugere que a teoria desenvolvida para descrever a rotação em estrelas do tipo solar pode ser universal. A seguir, a equipa planeia criar simulações de evolução estelar que retratem toda a vida de várias estrelas de baixa a alta massa, para prever as suas velocidades de rotação durante várias fases evolutivas.

// Universidade de Quioto (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)

CCVALG
05.05.2026

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64: Prepare-se: há uma chuva de meteoros esta semana que pode ver a olho nu

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O fenómeno atinge o pico já nos próximos dias e promete iluminar o céu, especialmente antes do amanhecer

Prepare-se: há uma chuva de meteoros esta semana que pode ver a olho nu
© Gettyimages

O céu nocturno vai dar espectáculo esta semana e não precisa de telescópio para assistir.

A chuva de meteoros Eta Aquáridas está de regresso e atinge o seu pico no dia 6 de Maio, oferecendo uma oportunidade única para observar vários meteoros a olho nu. Este fenómeno anual decorre entre o final de Abril e o final de Maio, mas é durante o pico que as condições são mais favoráveis. No Hemisfério Norte, a melhor altura para observar será nas horas que antecedem o amanhecer.

Apesar de ser mais visível no Hemisfério Sul, ainda assim será possível ver cerca de 10 meteoros por hora, desde que as condições sejam favoráveis. E a boa notícia? Não precisa de qualquer equipamento especial.

Para aproveitar ao máximo, o ideal é escolher um local afastado das cidades, onde a poluição luminosa seja reduzida.

Outro detalhe importante: dê tempo aos seus olhos para se adaptarem à escuridão. Chegar ao local cerca de 20 a 30 minutos antes pode fazer toda a diferença.

As Eta Aquáridas têm origem nos detritos deixados pelo Cometa Halley, o mesmo que está na base de outra chuva de meteoros, as Oriónidas, visíveis em Outubro. Mesmo que não consiga ver o fenómeno no pico, ainda terá oportunidade. A chuva de meteoros continuará activa até ao final de Maio, embora com menor intensidade.

Se gosta de olhar para o céu, esta é uma daquelas noites que vale mesmo a pena aproveitar.

SIC Mulher
04.05.2026

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A Voyager 1 tem pouco tempo restante no espaço interestelar. Uma ambiciosa solução “Big Bang” pode salvá-la

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A Voyager 1, actualmente a nave espacial mais distante do nosso planeta, desligou mais um instrumento científico enquanto explora o espaço interestelar desconhecido- uma medida que poderá ganhar tempo para uma tentativa ambiciosa de prolongar a impressionante vida útil da sonda.

Voyager.
JPL-Caltech/NASA © CNN Portugal

A NASA enviou um comando a 17 de Abril para desactivar a experiência de partículas carregadas de baixa energia da nave espacial, ou LECP, na esperança de poupar energia à medida que a Voyager 1 se afasta cada vez mais da Terra, segundo a agência. O mesmo instrumento, que mede a estrutura do espaço entre as estrelas, foi desligado na gémea da Voyager 1, a Voyager 2, em Março de 2025.

As sondas foram lançadas com semanas de intervalo em 1977, cada uma equipada com um conjunto de 10 instrumentos científicos destinados a ajudar as suas passagens por Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno. A Voyager 1 está actualmente a cerca de 25,40 mil milhões de quilómetros (16 mil milhões de milhas) da Terra, enquanto a Voyager 2 está a cerca de 21,35 mil milhões de quilómetros (13 mil milhões de milhas).

São as únicas naves espaciais activas para além da heliosfera, a bolha de campos magnéticos e partículas do Sol que se estende muito para além da órbita de Plutão. Manter as sondas a funcionar durante muito mais tempo do que a sua vida útil prevista de cinco anos implicou desligar diferentes instrumentos ao longo do tempo para preservar a fonte de alimentação limitada de cada nave espacial.

“Embora desligar um instrumento científico não seja a preferência de ninguém, é a melhor opção disponível”, explica Kareem Badaruddin, gestor da missão Voyager no Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA em Pasadena, Califórnia.

“A Voyager 1 ainda tem dois instrumentos científicos em funcionamento- um que escuta as ondas de plasma e outro que mede os campos magnéticos. Continuam a funcionar muito bem, enviando dados de uma região do espaço que nenhuma outra nave humana alguma vez explorou. A equipa continua concentrada em manter os dois Voyagers em funcionamento durante o máximo de tempo possível”.

A Voyager 2 tem ainda três instrumentos científicos em funcionamento.

Os engenheiros esperam que a última jogada de sacrifício possa manter a Voyager 1 a funcionar o tempo suficiente para que a equipa possa lançar uma actualização, apelidada de “Big Bang”, que poderá permitir à sonda recordista continuar a explorar o espaço mais profundamente- e talvez até reiniciar alguns dos seus instrumentos científicos.

A preparar a correcção do “Big Bang”

As duas sondas Voyager funcionam com geradores termo-eléctricos de radioisótopos, ou seja, dispositivos que convertem em electricidade o calor fornecido pelo plutónio em decomposição. Desde que as sondas começaram a voar, há quase meio século, têm vindo a perder cerca de 4 watts de energia por ano.

Gerir o lento mas constante esgotamento de energia obriga os engenheiros a um ato de equilíbrio de alto risco. Desligar instrumentos e aquecedores nas temperaturas gélidas do espaço interestelar arrisca-se a arrefecer as sondas para além de qualquer reparação. Se os tubos de combustível congelarem, as naves espaciais perderão a capacidade de manter as suas antenas apontadas para a Terra e as equipas da NASA perderão o contacto com elas – terminando efectivamente as missões.

Os engenheiros acreditam que o encerramento da maior parte da experiência de partículas carregadas de baixa energia permitirá à Voyager 1 continuar a voar com dois instrumentos funcionais durante cerca de um ano.

Prolongar a vida da missão por tanto tempo poderia levar a Voyager 1 ao seu 50.º aniversário, um prazo que está a preparar o terreno para um dos passos mais empreendedores da equipa.

A equipa tentará fazer uma grande troca nas sondas Voyager, desligando alguns dispositivos eléctricos e ligando outros que consumam menos energia- mantendo o equilíbrio entre manter cada nave espacial quente e continuar a recolher dados científicos.

Este “Big Bang” ocorreria de uma só vez, para uma nave espacial de cada vez. A Voyager 2, que tem um pouco mais de potência e está relativamente mais perto da Terra, servirá inicialmente como objeto de teste durante maio e Junho.

Se o Big Bang for bem sucedido na Voyager 2, a equipa tentará a mesma manobra na Voyager 1 em Julho- e se resultar, a experiência Low-energy Charged Particles poderá ter uma segunda oportunidade de continuar a sua crucial recolha de dados no espaço interestelar.

“Com o LECP descobrimos as propriedades e os efeitos dos raios cósmicos e das partículas solares, e ‘sentimos’ as mudanças na região à nossa volta que determinaram quando a Voyager passou do sistema solar para o espaço interestelar”, escreve Matt Hill, investigador principal do instrumento no Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins, num e-mail.

“Temos esperança de que o último plano dos engenheiros da Voyager possa voltar a ligar o LECP na Voyager 1, para que possamos continuar a conhecer as surpresas que esperam a Voyager nestas regiões distantes do espaço”, acrescenta. “Eles têm um bom historial de parecerem fazer milagres que esticam o fornecimento de energia restante, mas eventualmente esta série vai acabar.”

Uma queda inesperada de energia

Uma ilustração mostra alguns dos instrumentos localizados em cada nave espacial Voyager. Uma ilustração mostra alguns dos instrumentos localizados em cada nave espacial Voyager.
NASA/JPL-Caltech

Durante uma manobra de rotação programada para 27 de Fevereiro, a equipa da missão notou que os níveis de energia da Voyager 1 baixaram inesperadamente. A nave espacial executa habitualmente este tipo de manobras para calibrar o seu instrumento magnetómetro, que mede os campos magnéticos e os ambientes no espaço interestelar.

Se os níveis de energia da Voyager 1 baixassem ainda mais, essa diminuição accionaria um sistema autónomo de segurança chamado sistema de protecção contra falhas de sub-tensão.

O sistema desligaria os componentes da Voyager, e a recuperação de qualquer coisa que fosse desligada durante o processo automático exigiria um esforço de recuperação demorado e arriscado por parte dos engenheiros em terra.

“Penso na protecção contra falhas como uma rede de segurança para um trapezista- está lá, mas na verdade o trapezista nunca deve largar o trapézio”, diz Badaruddin. “A protecção contra falhas coloca a nave espacial num estado seguro, mas temos de a recuperar e ‘voltar ao trapézio’.”

A protecção contra falhas também interrompe temporariamente qualquer transmissão de dados científicos da Voyager para a Terra e aumenta o risco de os instrumentos científicos não voltarem a ligar-se correctamente, disse.

Os engenheiros da missão estavam prontos para agir e consultaram uma lista que tinham compilado juntamente com a equipa científica anos antes sobre a ordem pela qual queriam desligar vários instrumentos, assegurando ao mesmo tempo que a Voyager 1 ainda podia levar a cabo uma missão científica viável.

A experiência “Low-energy Charged Particles” estava no topo da lista. Durante quase 49 anos, o instrumento mediu partículas carregadas como iões, electrões e raios cósmicos provenientes do nosso sistema solar e da galáxia Via Láctea em geral.

As medições forneceram dados sem precedentes sobre regiões de densidade variável para além da heliosfera. Os subsistemas do instrumento incluem um telescópio e um analisador de partículas magnetosféricas, que têm uma visão de 360 graus, graças a uma plataforma rotativa accionada por um motor passo a passo.

Esse pequeno motor, que consome apenas 0,5 watts, permanecerá ligado- o que significa que o próprio instrumento poderá ser reactivado no futuro se houver energia suficiente.

Na Terra, o motor de passo foi testado em cerca de 250 mil passos, o suficiente para funcionar durante as passagens da Voyager 1 por Júpiter e Saturno durante um período de quatro anos.

“O motor de passo funcionou sem falhas durante quase 49 anos e mais de 8,5 milhões de passos”, escreve Stamatios Krimigis, investigador principal do instrumento no Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins, numa mensagem de correio electrónico.

“E, surpreendentemente, continuou a pisar depois de termos desligado o aquecedor suplementar do LECP para poupar energia, e a sua temperatura desceu para -62 graus centígrados. É disto que são feitos os sonhos!”

CNN Portugal
02.05.2026

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62: Vem aí um fenómeno de micro-luas

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Saiba em concreto quando vai acontecer.

Vem aí um fenómeno de “micro-luas” em maio – e há uma explicação para isso
© Getty Images

Há sempre quem goste de observar a Lua, mesmo que a olho nu. Mais em específico, é nos momentos de “super-lua” que essa observação se torna mais fácil e fascinante.

Mas a verdade é que este mês de maio traz consigo um fenómeno menos conhecido, mas igualmente curioso: duas “micro-luas“.

Sim, leu bem. Durante este mês, o céu vai oferecer não uma, mas duas luas cheias que parecem ligeiramente mais pequenas do que o habitual.

A chamada micro-lua acontece quando a Lua Cheia coincide com o momento em que o satélite está mais afastado da Terra, conhecido como apogeu. Nessa altura, pode parecer até cerca de 14% mais pequena e menos luminosa do que uma super-lua, segundo explica a NASA.

Em breve, este fenómeno vai repetir-se duas vezes, algo pouco comum. De acordo com o site especializado Time and Date, as datas aproximadas das luas cheias deste mês permitem observar este efeito em ambas as ocasiões, embora a diferença visual seja subtil. Em concreto, a primeira será já neste dia 1, e a segunda nos últimos dias do mês.

Apesar da diferença de tamanho não ser muito evidente a olho nu, há quem consiga notar que a Lua parece ligeiramente mais distante – sobretudo se comparar com imagens de super-luas, que acontecem no efeito oposto, quando a Lua está mais próxima da Terra.

SIC
01.05.2026

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