15: Os melhores locais para procurar vida extraterrestre: cientistas identificam 45 mundos semelhantes à Terra

1
0
  • 1 mês ago
  • 8Minutes
  • 1496Words
  • 15Views

 

Um diagrama que ilustra os limites da zona habitável em diferentes tipos de estrelas com exoplanetas rochosos, a partir de Bohl et al. (2026). Os limites da zona habitável variam consoante a cor da estrela, uma vez que diferentes comprimentos de onda da luz aquecem a atmosfera de um planeta de forma diferente.
Crédito: Gillis Lowry/Pablo Carlos Budassi

Os astrónomos determinaram os melhores locais para procurar vida extraterrestre no Universo.

Entre os mais de 6000 exoplanetas descobertos até agora, identificaram pouco menos de 50 mundos rochosos com maior probabilidade de serem habitáveis.

A sua investigação, publicada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, seria útil num cenário retratado no recém-lançado sucesso de bilheteira de Hollywood, “Projecto Hail Mary”, no qual a personagem de Ryan Gosling tem de viajar para um sistema exoplanetário em busca de uma forma de salvar a Terra.

No caminho, encontra uma forma de vida alienígena chamada Rocky e os fictícios micro-organismos extraterrestres Astrophage e Taumoeba.

A professora Lisa Kaltenegger, directora do Instituto Carl Sagan na Universidade de Cornell, e uma equipa de estudantes universitários, utilizaram novos dados da missão Gaia da ESA e do Arquivo de Exoplanetas da NASA para identificar planetas na chamada zona habitável.

Esta é uma área que não fica demasiado perto de uma estrela hospedeira, onde seria demasiado quente, nem demasiado longe, onde seria demasiado frio. Significa também que, tal como a Terra, é muito mais provável que um planeta tenha água à sua superfície – o que é um ingrediente essencial para a vida.

O artigo científico também seleccionou os mundos que recebem da sua estrela uma quantidade de energia mais semelhante à que a Terra recebe do Sol.

Representação artística de um sistema planetário em torno de uma estrela ligeiramente mais quente do que o nosso Sol. Em investigações anteriores, os cientistas do Instituto Carl Sagan teorizaram que os organismos poderiam desenvolver biofluorescência para se protegerem de uma estrela mais intensa.
Crédito: Gillis Lowry

“Como o ‘Projecto Hail Mary’ tão bem ilustra, a vida pode ser muito mais versátil do que imaginamos actualmente, por isso, descobrir qual dos 6000 exoplanetas conhecidos teria mais probabilidades de albergar extraterrestres como o Astrophage e o Taumoeba – ou o Rocky – pode revelar-se crucial, e não apenas para Ryan Gosling”, afirmou a professora Kaltenegger.

“O nosso artigo científico revela para onde se deveria viajar para encontrar vida, caso alguma vez construíssemos uma nave espacial ‘Hail Mary'”.

Os investigadores identificaram 45 mundos rochosos que podem suportar vida na zona habitável, e outros 24 numa zona habitável 3D mais restrita, que parte de um pressuposto mais conservador sobre a quantidade de calor que um planeta pode suportar antes de perder a sua habitabilidade.

Entre eles encontram-se alguns exoplanetas famosos, incluindo Proxima Centauri b, TRAPPIST-1 f e Kepler-186 f, bem como outros menos conhecidos, como TOI-715 b.

Os planetas mais interessantes da lista, segundo os autores, são TRAPPIST-1 d, e, f e g, que se encontram a 40 anos-luz da Terra, bem como LHS 1140 b, que está a 48 anos-luz de distância. A possibilidade de estes planetas terem água na forma líquida depende, em parte, da sua capacidade de reter uma atmosfera.

Os mundos que recebem luz das suas estrelas de forma mais semelhante à que a Terra moderna recebe do Sol são os planetas em trânsito TRAPPIST-1 e, TOI-715 b, Kepler-1652 b, Kepler-442 b, Kepler-1544 b e os planetas Proxima Centauri b, GJ 1061 d, GJ 1002 b e Wolf 1069 b, que fazem as suas estrelas oscilarem.

Os autores também esperam que os planetas que identificaram perto dos limites da zona habitável ajudem a esclarecer exactamente onde termina a habitabilidade e se as teorias dos cientistas sobre esses limites estão corretas. Embora a ideia da zona habitável tenha vindo a ser desenvolvida desde a década de 1970, novas observações serão fundamentais para determinar se certas suposições precisam de ser adaptadas, afirmou a professora Kaltenegger.

Além disso, os exoplanetas com órbitas elípticas invulgares em torno da sua estrela podem revelar a importância da variação da quantidade de calor que atinge um mundo e ajudar a responder à questão de saber se um planeta precisa de permanecer na zona habitável ou se pode entrar e sair dela e continuar a ser habitável.

Os planetas em trânsito que podem testar o limite da habitabilidade na orla interna são K2-239 d, TOI-700 e e o K2-3 d – bem como os planetas Wolf 1061 c e GJ 1061 c, que fazem as suas estrelas oscilarem. TRAPPIST-1 g, Kepler-441 b e GJ 102 podem sondar a orla exterior da habitabilidade, onde se torna extremamente frio, afirmam os investigadores.

“Embora seja difícil dizer o que torna algo mais propício à vida, identificar onde procurar é o primeiro passo fundamental – por isso, o objectivo do nosso projecto era dizer ‘eis os melhores alvos para observação'”, afirmou Gillis Lowry, actualmente estudante na Universidade Estatal de São Francisco.

O colega investigador Lucas Lawrence, actualmente estudante na Universidade de Pádua, em Itália, afirmou: “Queríamos criar algo que permitisse a outros cientistas pesquisar de forma eficaz e fomos descobrindo coisas novas sobre estes mundos que queríamos investigar mais a fundo”.

A co-autora Abigail Bohl, da Universidade de Cornell, acrescentou: “Sabemos que a Terra é habitável, enquanto Vénus e Marte não o são. Podemos usar o nosso Sistema Solar como referência para procurar exoplanetas que recebam energia estelar entre o que Vénus e Marte recebem”.

“A observação destes planetas pode ajudar-nos a compreender quando se perde a habitabilidade, qual é o limite máximo de energia e quais os planetas que permanecem habitáveis – ou que talvez nunca o tenham sido.

“A mesma ideia aplica-se aos planetas excêntricos: qual é o grau de excentricidade orbital que um planeta pode ter e ainda assim manter a água na sua superfície e as condições de habitabilidade?

Uma representação artística de como poderá ser o sistema planetário TRAPPIST-1, mostrando (da esquerda para a direita) TRAPPIST-1, b, c, d, e, f, g e h, com base nos dados disponíveis sobre os diâmetros, as massas e as distâncias dos planetas em relação à estrela hospedeira. Destes, pensa-se que TRAPPIST-1 d, e, f e g sejam os planetas mais semelhantes à Terra. Crédito: NASA/JPL-Caltech

“Identificámos planetas nos limites interno e externo da zona habitável, bem como aqueles com as excentricidades mais elevadas, para testar a nossa compreensão do que é necessário para um planeta ser e permanecer habitável. Também identificámos os alvos mais observáveis com o Telescópio Espacial James Webb e outros telescópios”.

Os estudantes também seleccionaram os melhores planetas para observar com diferentes técnicas, para dar aos cientistas as melhores hipóteses de encontrar sinais de vida, caso existam nesses mundos.

A lista que criaram irá orientar os astrónomos que estudam o céu nocturno com o Webb, com o futuro Telescópio Espacial Nancy Grace Roman (com lançamento previsto para 2027), com o ELT (Extremely Large Telescope), que deverá ver a primeira luz em 2029, com o HWO (Habitable Worlds Observatory), com lançamento previsto para a década de 2040 e com o projecto proposto do LIFE (Large Interferometer For Exoplanets).

Observar estes pequenos exoplanetas é a única forma de confirmar se possuem atmosferas e se os astrónomos precisam de rever as suas ideias sobre o que define a zona habitável, afirmou Lowry.

Acrescentou que já tem utilizado a lista para dar uma primeira olhadela aos 10 planetas que recebem radiação muito semelhante à da Terra, identificando dois que estão suficientemente próximos para serem estudados com os telescópios actuais ou futuros: TRAPPIST-1 e e TOI-715 b.

O sistema planetário TRAPPIST-1 é um dos principais focos de observação do Telescópio Webb, um programa liderado por Nikole Lewis, professora associada de astronomia em Cornell. Tanto TRAPPIST-1 como TOI-715 são pequenas estrelas vermelhas, o que facilita a observação dos pequenos planetas do tamanho da Terra que orbitam em seu redor.

// Real Sociedade Astronómica (comunicado de imprensa)
// Instituto Carl Sagan (comunicado de imprensa)
// Universidade de Cornell (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)

CCVALG
24.03.2026

How useful was this post?

Click on a star to rate it!

Average rating 0 / 5. Vote count: 0

No votes so far! Be the first to rate this post.

🇵🇹 Aqui escreve-se em Português de Portugal (não adulterado), pré-AO 🇵🇹

Portal: https://inforgomes.pt/

Webdesigner, Computer Networks and Systems, Programmer, Astronomer, Photographer, Blogger, Culinary Cook, Certificate Microsoft Network Server, Administrative and Financial Manager, IA, Scientific Researcher, Digital Content Performer, Musician: Spanish Classical Viola, Double Bass, Vocalist and Drummer

published in: 1 mês ago

 

Loading

Please follow and like us:
Be the first to write a review

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *