37: Primeira luz do PoET: iluminando com a luz do Sol a investigação de exoplanetas

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O PoET (Paranal solar ESPRESSO Telescope), instalado no Observatório do Paranal do Observatório Europeu do Sul (ESO), no Chile, realizou as suas primeiras observações. O telescópio irá trabalhar com o instrumento ESPRESSO do ESO para estudar o Sol com todo o detalhe.

Descrito como um telescópio solar preparado para trabalhar em conjunto com instrumentos que procuram planetas, o PoET tem como objectivo compreender como é que a variação da luz de estrelas como o Sol pode mascarar a presença de planetas que orbitam em seu redor, ajudando-nos assim na busca de mundos fora do Sistema Solar.

O telescópio principal do PoET
(Créditos: ESO)

Um dos maiores desafios na detecção de outras Terras em órbita de outros Sóis é o “ruído” astrofísico proveniente das suas estrelas progenitoras“, explica Nuno Santos, Investigador Principal do PoET, a trabalhar no Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) e na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. “As observações do PoET poderão ser fundamentais para a descoberta e caracterização de exoplanetas, que possam estar escondidos neste ruído.

Os exoplanetas — planetas exteriores ao nosso Sistema Solar — são, na sua maioria, detectados e estudados através da análise da radiação emitida pela sua estrela progenitora, muitas vezes observando pequenas alterações no espectro da estrela (a luz dividida nas cores, ou frequências, que a constituem). No entanto, a actividade estelar pode produzir sinais que abafam, ou até imitam, os sinais que esperamos de um planeta em órbita.

Tal como as manchas solares alteram a luz solar, a actividade na superfície doutras estrelas distorce o seu espectro duma forma que pode ser medida como ruído com os actuais instrumentos que utilizamos para detectar exoplanetas. Mas remover este ruído dos espectros de estrelas distantes é algo difícil, porque não compreendemos totalmente como é que a actividade estelar altera a luz observada. Assim, a solução passa por tirar partido e aprender com a nossa estrela mais próxima, o Sol.

O PoET foi concebido para observar o Sol e utilizá-lo para compreender melhor os espectros de estrelas distantes. Esta infra-estrutura possui um telescópio com um espelho de 60 centímetros de diâmetro, para capturar a luz do Sol em áreas específicas da sua superfície, tais como manchas solares individuais, e analisar sinais da actividade solar. O PoET inclui ainda um telescópio mais pequeno que captura a luz de toda a superfície visível, ou seja, de todo o disco solar.

Seremos capazes de analisar regiões muito específicas do Sol com uma resolução muito elevada, de um modo nunca feito anteriormente“, afirma Alexandre Cabral, co-Investigador Principal do PoET e investigador no IA e na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Ao observar em simultâneo tanto o disco solar como zonas individuais da superfície do Sol, os astrónomos podem determinar com exactidão como é que a actividade solar altera o espectro solar, informação esta que, por sua vez, pode ser utilizada para remover com precisão o ruído proveniente de estrelas distantes que possam ter exoplanetas na sua órbita.

Para garantir que o Sol possa ser comparado com estrelas do mesmo tipo mas distantes, a equipa necessita dum instrumento bastante preciso concebido para investigar exoplanetas. “O ESPRESSO é o melhor instrumento nesta área e foi, por isso, a escolha óbvia“, afirma Nuno Santos.

Por ser um espectrógrafo extremamente preciso e de alta resolução, o ESPRESSO consegue detectar pequenas alterações nos espectros das estrelas, o que é normalmente usado para encontrar ou caracterizar os planetas que as orbitam. Este instrumento que procura exoplanetas ao observar estrelas distantes durante a noite, e que se encontra instalado no Very Large Telescope (VLT) do ESO, será agora utilizado também durante o dia, em conjunção com o PoET, para analisar espectros solares.

É extremamente vantajoso ter o ESPRESSO a funcionar desta forma. Ao alternar entre o VLT durante a noite e o PoET durante o dia, maximizamos a utilização deste instrumento para nos ajudar a encontrar e caracterizar exoplanetas“, afirma Alain Smette, do ESO, astrónomo da equipa de operações do VLT e pessoa de contacto no ESO para o PoET. “Graças à localização excepcional do Observatório do Paranal, esperamos que o número de dias disponíveis com condições meteorológicas adequadas para a observação do Sol seja muito semelhante ao das observações nocturnas.”

O PoET concluiu com sucesso, no início de Abril, as primeiras observações de teste, um processo conhecido como “primeira luz”, no Observatório do Paranal, no deserto chileno do Atacama. As primeiras observações revelaram que o sistema está a funcionar de acordo com as suas especificações e é capaz de obter espectros tanto do disco solar na sua totalidade como de áreas específicas do mesmo. Nas próximas semanas, a equipa irá testar e optimizar o sistema, antes de dar início às observações científicas.

O PoET foi concebido e desenvolvido em Portugal, com financiamento do Conselho Europeu de Investigação [1]. Uma equipa de 12 investigadores portugueses esteve presente na instalação e nos testes do telescópio solar. Alguns componentes do PoET, incluindo o telescópio principal, foram construídos em Itália, enquanto a cúpula do telescópio foi construída por uma empresa chilena.

O projecto está agora a ser operado remotamente a partir do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto. Os dados do PoET analisados pelo ESPRESSO estarão disponíveis à comunidade científica através do Arquivo Científico do ESO.

Notas

[1] O telescópio PoET foi financiado pela União Europeia (ERC, FIERCE, 101052347).

ESO – European South Observatoey
Nota de Imprensa
09.04.2026

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