424: Figura do dia: Esquadra com vista para a Capela do Rato

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🇵🇹 OPINIÃO

A pouco mais de 100 metros da esquadra, apenas um par de minutos a pé, está a Capela do Rato. Não podia ser mais simbólico do que somos: grotescos e anjos, perversos e generosos. A dois passos do Inferno, lugar de atrocidades e esgoto humano, um sítio que simboliza a tolerância, o conhecimento e a interioridade. Se as paredes daquela esquadra não fossem insonorizadas ter-se-iam ouvido as desesperadas súplicas dos que foram torturados por polícias fardados.

Esquadra do Rato
ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Gente pobre, excluída, sem-abrigos, toxicodependentes violados por cabos de vassoura e cassetetes amovíveis, humilhados e expostos em imagens que circularam como um vírus do Mal. A menos de 200 metros, a capela onde Tolentino pregou o Amor. Onde os católicos críticos do Estado Novo rezaram pelo fim da ditadura. Onde o Padre Alberto Neto, mentor da JUC, agitou as águas com palavras que indicavam o sentido do futuro. A dois minutos de distância da animalidade, uma capela despojada de artifícios para que só a Palavra possa sobreviver. E o silêncio.

Sabemos que o nosso destino está escrito: um dia a morte chegará. O problema por isso nunca foi o fim, mas o que fazemos até lá. O que somos, o que desejamos para a nossa vida. Que todos morremos não é uma surpresa, o que realmente me surpreende é encontrar pessoas que estando vivas nunca realmente viveram. A maldade a este nível não tem remissão ou se apaga com arrependimento, é puro veneno. São 200 metros, um pouco menos ou um pouco mais. Uma distância de dois minutos entre a vida e as trevas.

Diário de Notícias
Luís Osório
Escritor, jornalista e cronista
18.05.2026

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- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).

 

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423: Temperaturas máximas sobem na quarta-feira e podem chegar aos 35 graus

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🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // CALOR

As temperaturas devem registar valores mais elevados no Vale do Tejo e no interior do Alentejo, onde podem chegar aos 35 graus. Estão também previstas poeiras do Norte de África.

D. R.

As temperaturas máximas vão subir na quarta-feira até nove graus Celsius, ultrapassando os 30 graus em algumas regiões do país, e estão também previstas poeiras do Norte de África, disse à Lusa a meteorologista Maria João Frada.

Segundo a meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), para esta segunda (18 de maio) e terça-feira ainda se prevê nebulosidade nas regiões do Norte e Centro, e há a possibilidade de períodos de chuva fraca ou chuvisco, temporariamente moderado no Minho e mais prováveis no litoral.

De acordo com Maria João Frada, na terça-feira já se aguarda uma pequena subida da máxima nas regiões do Norte e Centro e na quarta-feira essa subida será acentuada.

“No dia 20 [quarta-feira] começamos a ter a influência de um anticiclone que ficará localizado sobre França e estende a sua influência em direcção ao arquipélago da Madeira, juntamente com um vale invertido que se estende desde o norte de África à Península Ibérica que começa a transportar massas de ar tropicais que nesta altura do ano fazem com que as temperaturas subam significativamente”, explicou.

Assim, segundo Maria João Frada, na quarta-feira as temperaturas vão registar subidas da ordem dos 6 a 8/9 graus Celsius, com excepção de alguns locais da faixa costeira a norte do Cabo Raso, onde serão menos significativas.

“Vamos chegar a dia 20/21 com temperaturas na generalidade do território a variar entre os 26 e os 30 graus, com valores mais elevados no Vale do Tejo e no interior do Alentejo onde podem chegar aos 32 e 34/35 graus. Na faixa costeira ocidental, principalmente a norte do Cabo Raso, vão variar entre os 20 e os 25 graus”, disse.

Na quinta-feira, as temperaturas máximas voltam a subir 2/3 graus em alguns locais do continente.

“Teremos então na quarta e quinta-feira dias de céu pouco nublado ou limpo. No entanto, é previsível e provável que possam vir, principalmente na quarta-feira, algumas poeiras do Norte de África, que poderão ficar até pelo menos dia 22 [sexta-feira]”, adiantou.

De acordo com a meteorologista do IPMA, a partir de quinta-feira a previsão é um pouco instável.

“Os modelos ao longo do tempo não têm dado uma situação estável ou de confiança, podendo no sábado haver uma descida das máximas no litoral e na região sul, mas ainda a confirmar”, disse.

Maria João Frada referiu ainda que os valores da temperatura a registar na quarta e quinta-feira começam a contribuir para onda de calor.

“No entanto, se houver uma descida de temperatura no dia 23 [no sábado] deve quebrar e não haver onda de calor, mas o cenário em algumas estações do IPMA é para um período prolongado especialmente no interior”, disse.

Diário de Notícias
DN/Lusa
18.05.2026

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