As temperaturas devem registar valores mais elevados no Vale do Tejo e no interior do Alentejo, onde podem chegar aos 35 graus. Estão também previstas poeiras do Norte de África.
D. R.
As temperaturas máximas vão subir na quarta-feira até nove graus Celsius, ultrapassando os 30 graus em algumas regiões do país, e estão também previstas poeiras do Norte de África, disse à Lusa a meteorologista Maria João Frada.
Segundo a meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), para esta segunda (18 de maio) e terça-feira ainda se prevê nebulosidade nas regiões do Norte e Centro, e há a possibilidade de períodos de chuva fraca ou chuvisco, temporariamente moderado no Minho e mais prováveis no litoral.
De acordo com Maria João Frada, na terça-feira já se aguarda uma pequena subida da máxima nas regiões do Norte e Centro e na quarta-feira essa subida será acentuada.
“No dia 20 [quarta-feira] começamos a ter a influência de um anticiclone que ficará localizado sobre França e estende a sua influência em direcção ao arquipélago da Madeira, juntamente com um vale invertido que se estende desde o norte de África à Península Ibérica que começa a transportar massas de ar tropicais que nesta altura do ano fazem com que as temperaturas subam significativamente”, explicou.
Assim, segundo Maria João Frada, na quarta-feira as temperaturas vão registar subidas da ordem dos 6 a 8/9 graus Celsius, com excepção de alguns locais da faixa costeira a norte do Cabo Raso, onde serão menos significativas.
“Vamos chegar a dia 20/21 com temperaturas na generalidade do território a variar entre os 26 e os 30 graus, com valores mais elevados no Vale do Tejo e no interior do Alentejo onde podem chegar aos 32 e 34/35 graus. Na faixa costeira ocidental, principalmente a norte do Cabo Raso, vão variar entre os 20 e os 25 graus”, disse.
Na quinta-feira, as temperaturas máximas voltam a subir 2/3 graus em alguns locais do continente.
“Teremos então na quarta e quinta-feira dias de céu pouco nublado ou limpo. No entanto, é previsível e provável que possam vir, principalmente na quarta-feira, algumas poeiras do Norte de África, que poderão ficar até pelo menos dia 22 [sexta-feira]”, adiantou.
De acordo com a meteorologista do IPMA, a partir de quinta-feira a previsão é um pouco instável.
“Os modelos ao longo do tempo não têm dado uma situação estável ou de confiança, podendo no sábado haver uma descida das máximas no litoral e na região sul, mas ainda a confirmar”, disse.
Maria João Frada referiu ainda que os valores da temperatura a registar na quarta e quinta-feira começam a contribuir para onda de calor.
“No entanto, se houver uma descida de temperatura no dia 23 [no sábado] deve quebrar e não haver onda de calor, mas o cenário em algumas estações do IPMA é para um período prolongado especialmente no interior”, disse.
As temperaturas na próxima semana deverão chegar aos 35ºC em Portugal continental, havendo dois dias em especial em que o calor se vai sentir de forma mais forte. A chuva deverá ser “residual ou nula” e o vento segue o mesmo caminho, mantendo-se discreto.
Maio é conhecido por ser o mês das flores, mas este ano a chuva ainda não deixou de acompanhar a primavera – cenário que está prestes a mudar (sim, fãs do calor, está na hora de celebrarem).
O cenário de chuva e tempo nublado que tem vindo a verificar-se está ao virar da esquina, que é como quem diz: ao virar do fim de semana.
De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), na próxima semana, de 18 a 24 de maio, “prevê-se uma subida gradual de temperatura devido ao estabelecimento de uma região anti-ciclónica entre a Madeira e a Europa Central, particularmente a partir de terça e quarta-feira, dias 19 e 20”.
Segundo os especialistas, o guarda-chuva será mesmo para guardar, dado que a “precipitação prevista será residual ou nula, embora haja a possibilidade de períodos de chuva fraca ou chuvisco em alguns locais do litoral Norte e Centro, mais prováveis no Minho, na terça-feira”.
Mas a chuva não se despede sozinha, já que com ela deverá ir também o vento, dado que no período em questão se prevê que “o vento soprará em geral fraco, sendo moderado em alguns períodos, particularmente nas terras altas e, em regime de brisa, na faixa costeira durante as tardes”.
E os termómetros?
Vento e chuva ‘arrumados’, completa-se a tríade das previsões com as temperaturas – que, apesar de ainda estarmos na primavera, poderão mesmo parecer de verão, que oficialmente só chega daqui a um mês.
Para o início da semana os valores de temperatura máxima vão rondar os 18ºC e os 25ºC, “com os valores mais elevados no interior do Alentejo, subindo gradualmente ao longo da semana para valores entre 25ºC e 35°C a partir de quarta-feira, dia 20, com excepção da faixa costeira ocidental das regiões Norte e Centro, que deverá manter valores entre 20 e 25°C”.
Mas não são só as máximas que vão subir nos termómetros, dado que também a temperatura mínima vai subir “gradualmente, com valores entre 13 e 17°C na generalidade do território a partir de quinta-feira, ou mesmo ligeiramente superiores na costa sul do Algarve”.
Morreu um desconhecido que tinha poder – o de escutar, o do silêncio, o de conhecer segredos, o de guardá-los, o de tratar bem quem lhe batia à porta, o de ser uma presença invisível. Davide Pinto era chefe de sala do Café de São Bento, restaurante/bar em frente do Parlamento. Das poucas vezes em que lá fui chamava-o de guardião do bife e do maldito Abade de Priscos que me obrigava ao pecado da gula.
Davide conheceu toda a gente na política portuguesa. Conversava com ministros, deputados, aspirantes a sê-lo, jornalistas, artistas e engolidores de fogo. Mantinha conversas suspensas que retomava quando o cliente tornava a aparecer, na sua cabeça existiam centenas de gavetas que abria e fechava como se fosse um jogador de xadrez num torneio de simultâneas.
“Davide Pinto era chefe de sala do Café de São Bento, restaurante/bar em frente do Parlamento. Das poucas vezes em que lá fui chamava-o de guardião do bife e do maldito Abade de Priscos que me obrigava ao pecado da gula.” FOTO: Direitos reservados
Morreu o chefe que guardava uma parte dos segredos do país. E o segredo do melhor bife de Lisboa e das conversas pelo princípio da madrugada. Já não existem muitos como ele, até os bares e a noite estão em obras ou então fui eu que envelheci sem perceber que há outros lugares onde podemos confiar em alguém que nos serve um whisky de malte num copo baixo, sem gelo.
Davide partiu para um outro bar que um dia, quando me aborrecer, descobrirei. Há momentos em que devemos deixar a noite entrar. Abrir a janela de par em par e abraçar todas as sombras e estrelas. E há outros momentos em que devemos fazer o contrário. Fechar todas as janelas e impedir que a penumbra entre no que nos resta. Hoje estou assim.
Diário de Notícias
Luís Osório
Escritor, jornalista e cronista
15.05.2026
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O El Niño está a emergir no Oceano Pacífico mais rapidamente do que o previsto e estão a aumentar as probabilidades de poder tornar-se historicamente forte – num raro “Super” El Niño – no outono ou inverno.
Isto de acordo com uma actualização recentemente divulgada pelo Climate Prediction Center da NOAA, que indica que há uma probabilidade de dois em três de que a intensidade máxima do El Niño seja forte ou muito forte.
O El Niño é um ciclo climático natural que ocorre quando o Oceano Pacífico tropical aquece o suficiente para provocar alterações nos padrões de vento na atmosfera, o que tem um efeito em cadeia nas condições meteorológicas em todo o mundo.
Secas e ondas de calor podem intensificar-se em algumas regiões, aumentando o risco de incêndios florestais e problemas no abastecimento de água, enquanto outras são atingidas por chuvas intensas e inundações. Os efeitos abrangentes do El Niño também podem afectar a temporada de furacões no Atlântico. A uma escala maior, faz com que as já crescentes temperaturas globais resultantes das alterações climáticas provocadas pelo homem subam ainda mais. El Niños mais fortes tornam todos estes impactos mais prováveis.
Probabilidades de Super El Niño aumentam
O El Niño ocorre aproximadamente de dois em dois a sete em sete anos e dura entre nove e 12 meses. A sua intensidade é medida pela forma como as temperaturas da água sobem acima da média numa zona do Oceano Pacífico equatorial, atingindo normalmente o pico no inverno do Hemisfério Norte.
Condições fracas de El Niño desenvolvem-se quando a temperatura ultrapassa os 0,5 graus Celsius acima da média durante um período prolongado. As temperaturas da água têm de estar mais de 2 graus acima da média para ser considerado um El Niño muito forte ou Super El Niño.
O rectângulo indica a área do Oceano Pacífico onde as temperaturas da superfície do mar estão a ser monitorizadas para a formação do El Niño. CNN Weather
A temperatura média da água está actualmente ligeiramente abaixo do limite dos 0,5 graus, mas prevê-se que suba acima desse valor já no próximo mês, segundo a actualização mensal do Climate Prediction Center. Trata-se de uma mudança significativa em relação à actualização do mês passado, que apontava para condições neutras — nem El Niño nem La Niña — até Junho.
O próximo fim de semana vai ser marcado por uma melhoria do estado do tempo em grande parte de Portugal continental, com céu pouco nublado e temperaturas máximas a subir, sobretudo no interior, como referem as previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). Ainda assim, o vento vai fazer-se sentir com intensidade em várias regiões, especialmente no litoral e nas terras altas. Já no domingo, regressa alguma nebulosidade e há possibilidade de aguaceiros no Norte e Centro durante a manhã.
O IPMA prevê um sábado marcado por céu pouco nublado ou limpo em praticamente todo o território continental. Durante a tarde, poderá haver aumento temporário de nebulosidade nas regiões Norte e Centro. O vento sopra de noroeste, fraco a moderado na maioria das regiões, mas poderá ser moderado a forte no litoral oeste e nas terras altas, com rajadas mais intensas junto à costa.
Destaques para sábado
Céu geralmente limpo
Subida das temperaturas máximas
Descida ligeira das mínimas
Vento forte no litoral oeste e zonas altas
Algarve com vento de oeste durante a tarde
Na Grande Lisboa, o céu estará pouco nublado e o vento norte poderá atingir rajadas até 60 km/h, sobretudo junto ao Cabo Raso. Já no Grande Porto, espera-se céu pouco nublado, embora com aumento de nuvens durante a tarde e vento moderado a forte de noroeste.
Domingo: nuvens e possibilidade de aguaceiros
O domingo traz mudanças no estado do tempo, sobretudo durante a manhã. O IPMA prevê períodos de céu muito nublado, com possibilidade de aguaceiros mais prováveis nas regiões Norte e Centro até ao início da tarde.Ao longo do dia, a nebulosidade deverá diminuir gradualmente.
O que esperar no domingo
Céu muito nublado durante a manhã
Possibilidade de aguaceiros no Norte e Centro
Abertas a partir da tarde
Neblina ou nevoeiro matinal em algumas regiões
Pequena subida das temperaturas mínimas no Norte e Centro
Avisos meteorológicos
Para já, o IPMA não prevê avisos meteorológicos significativos para Portugal continental nem para os arquipélagos.
Quando o Air Force One aterra em Beijing, Donald Trump imagina que uma curta visita de dois dias à China será consagrada pelo eleitorado americano como vitória pessoal. Mas a realidade que importa é outra. Por baixo dos apertos de mão e das fotografias protocolares com Xi Jinping, desenha-se a versão contemporânea do Dilema de Tucídides: o choque entre duas super-potências — uma estabelecida, que tenta preservar a sua hegemonia (os EUA), e outra, emergente, em rápida ascensão (a China).
Para Trump, o propósito desta cimeira não é redesenhar a arquitectura de segurança do século XXI, nem falar de paz, harmonia ou desafios globais — temas que raramente entram na sua agenda. O que procura é um espectáculo táctico. Curto e vendável como uma vitória, antes das eleições intercalares de Novembro.
O presidente americano procura regressar com resultados fáceis de comunicar: sinais de desanuviamento comercial (compromissos de compras adicionais em setores relevantes para o eleitorado MAGA) e, idealmente, algum gesto que reduza o risco de disrupção no Estreito de Ormuz. A gestão da imagem é parte integrante da sua estratégia. O espaço mediático norte-americano tem-se tornado mais assimétrico: segmentos influentes amplificam narrativas partidárias, moldadas por incentivos comerciais e pela polarização à volta de Trump.
O problema desta abordagem transaccional é que expõe a verdadeira fraqueza americana: a obsessão pelo curto prazo corrói a confiança e afasta os aliados. Taipei observa, inquieta, a hipótese de a sua segurança ser convertida em moeda de troca. Na Europa, a visita é interpretada como um indicador de volatilidade na orientação estratégica de Washington. Isso tende a reforçar os debates sobre a autonomia de defesa, a resiliência económica e a política tecnológica.
Do outro lado da mesa, Xi Jinping move as peças do seu xadrez sem pressas e sem as amarras dos calendários eleitorais. O interesse imediato de Beijing é simples: gerir a imprevisibilidade de Trump, recorrer à diplomacia pessoal para obter concessões retóricas sobre Taiwan e, sobretudo, comprar tempo. A liderança chinesa parte do pressuposto de que a tendência de longo prazo — em capacidade industrial, tecnológica, semicondutores, Inteligência Artificial e em influência externa — lhe é favorável, e por isso privilegia estratégias de desgaste e de alongamento do horizonte decisório.
À primeira vista, a China parece munida de trunfos difíceis de contrariar. Um sistema político centralizado permite-lhe definir prioridades e mobilizar recursos com um horizonte plurianual — como nos Planos Quinquenais — e reduzir os custos de coordenação em sectores estratégicos. A aproximação a Moscovo, descrita por ambos como parceria “sem limites”, dá a Beijing margens adicionais em matéria de energia, de diplomacia, de rotas comerciais e de segurança, embora a exponha a riscos reputacionais e a sanções secundárias. No plano externo, a China procura consolidar a sua influência e poder junto dos países do Sul Global através do financiamento de infra-estruturas e de cadeias logísticas (Nova Rota da Seda) e de fóruns como os BRICS, em expansão.
Mas esta aparência de invencibilidade esconde fragilidades capazes de alterar o curso dos acontecimentos. O que Beijing projecta para o exterior como “coesão e estabilidade” é, as mais das vezes, uma paz interna imposta pela força e por um aparelho de vigilância e repressão. A China está longe de ser um monólito: é um mosaico de 1,41 mil milhões de pessoas, 56 grupos étnicos, centenas de línguas e dezenas de milhões de cidadãos pertencentes a minorias. Em regiões vitais como Xinjiang (mais de 26 milhões de habitantes) e o Tibete (cerca de 3,6 milhões), a assimilação forçada substitui a autonomia política — e as tensões não desaparecem; acumulam-se.
A verdadeira ameaça ao regime dominado pelo Partido Comunista pode não vir das periferias, mas do centro: das expectativas crescentes da maioria Han nas megacidades; dos jovens frustrados, altamente educados, mas a lutar numa sociedade cada vez mais competitiva; e da assimetria persistente entre as cidades costeiras hipertecnológicas — como Shanghai e Shenzhen — e o interior rural profundamente tradicional que vive no limiar da subsistência.
Em sistemas com mecanismos de responsabilização e mediação — imprensa relativamente livre, associações cívicas, manifestações nas praças públicas, tribunais independentes e eleições competitivas — a contestação tende a ser canalizada e absorvida por vias institucionais, reduzindo a probabilidade de rupturas abruptas. Num regime autocrático, onde a expressão pública é mais limitada e a correcção das políticas depende sobretudo de quem dirige o Partido-Estado, os erros podem acumular-se durante mais tempo e tornar-se mais difíceis de reverter. Quando choques económicos, demográficos ou de legitimidade convergem, a gestão dos conflitos sociais torna-se mais exigente e o custo de manter a estabilidade aumenta.
Em termos estratégicos, tanto a China como os Estados Unidos têm incentivos para um entendimento mínimo que reduza potenciais conflitos: gerir crises antes de escalarem, evitar incidentes militares no mar e no ar e estabilizar as expectativas na competição tecnológica, digital e comercial. São esses os temas que Trump e Xi deveriam discutir — não como gestos de boa vontade, mas para construir uma arquitetura de contenção mútua. Um arranjo deste tipo não apaga a rivalidade. É, todavia, a única forma de evitar que um erro de cálculo deite tudo a perder. O Dilema de Tucídides poderia então passar definitivamente à História.
Diário de Notícias
Victor Ângelo
Conselheiro em Segurança Internacional. Ex-secretário-geral-adjunto da ONU
15.05.2026
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Dentro de cerca de um mês quem residir no Porto vai poder viajar gratuitamente nos transportes públicos que servem a área metropolitana. A medida aprovada recentemente pela autarquia deverá entrar em vigor a 1 de Julho e será destinada aos portadores do Cartão Porto, documento que já garante descontos em teatros, museus, piscinas e bibliotecas da cidade.
Além da parte política – foi uma das bandeiras da campanha eleitoral do actual presidente da câmara, Pedro Duarte –, a medida tem objectivos maiores: retirar carros da cidade e promover melhorias ambientais numa altura em que as alterações climáticas estão cada vez mais presentes e se assiste a uma tentativa de diminuir o consumo de combustíveis fósseis.
A decisão portuense não é inédita em Portugal existindo diversas ofertas de gratuitidade nos transportes públicos desde a isenção de pagamento para maiores de 65 anos (por exemplo em Lisboa) até ao projecto MobiCascais, em que os residentes não pagam para viajar nos transportes rodoviários. Braga, Aveiro, Guimarães e Castelo Branco são outros exemplos de medidas que visam incentivar o uso de transportes públicos.
E na Europa há vários casos, com o Luxemburgo a liderar ao ter sido o primeiro país do mundo a tornar a mobilidade gratuita – desde 2020 que não se paga para viajar de transportes públicos. Mas, há outros exemplos como Malta, Talin (Estónia), Montpellier e Dunquerque (ambos em França) com modelos diferentes.
Tudo em nome do ambiente, de uma melhor mobilidade e apoio à descarbonização.
Mas, há sempre um mas, à parte o elogio pela decisão, os responsáveis portuenses devem estar atentos a factores que podem tornar esta gratuitidade apenas numa bandeira para a imagem da cidade, excepto a poupança que os residentes vão passar a usufruir.
Para ser um sucesso completo é necessário que a mobilidade desses transportes seja a correcta e não com atrasos, e que exista mesmo uma redução de carros a circular/entrar na cidade. É que só com horários e frequências correspondentes às necessidades dos passageiros se consegue convencer alguém a usar um autocarro, um comboio ou o metro, não com passagens de 20 a 30 minutos entre carreiras, ou mesmo com a sua supressão.
Mas vamos esperar para fazer esse balanço e desejar que o Porto seja um bom anfitrião. O que, por vezes em Lisboa não acontece, por exemplo, devido aos atrasos nos autocarros que têm de circular em ruas cheias de carros pois os automobilistas privilegiam o transporte individual pelo conforto e para evitar tempos de espera longos.
Diário de Notícias
Carlos Ferro
Editor-executivo do Diário de Notícias
14.05.2026
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As regiões de Pedrogão Grande e de Leiria, o pinhal interior, Algarve e Norte são zonas com potencial de risco de incêndio, segundo adianta o comandante nacional da Protecção Civil. Este ano, o dispositivo terá um maior número de aeronaves a utilizar retardante de fogo.
Mário Silvestre, comandante nacional da Protecção Civil ANTÓNIO COTRIM/LUSA
O comandante nacional da Protecção Civil alertou para “o potencial risco de incêndio” em algumas regiões do país, como na zona de Pedrogão Grande, onde existe a possibilidade de se enfrentar novamente grandes fogos.
“Basta percorrer o IC8 [itinerário que liga Pombal a Vila Velha de Ródão e atravessa Pedrogão Grande] para percebermos que estamos novamente naquela zona toda com potencial muito grande de ter novamente grandes incêndios”, disse Mário Silvestre em entrevista à agência Lusa divulgada esta quinta-feira, 14 de Maio.
O comandante nacional de emergência e protecção civil explicou que as áreas que são percorridas por incêndios “tendencialmente regeneram ainda com mais intensidade”, o que faz com que o fogo seja “bastante superior da próxima vez que exista um incêndio”.
Segundo o responsável, o ciclo do fogo tem entre oito a 10 anos e “está perfeitamente estudado”.
“De oito em oito anos ou de 10 em 10 anos volta a repetir-se, porque a floresta e a natureza trata de se regenerar e de crescer novamente. Cresce ainda com mais intensidade em alguns sítios. Se não tivermos uma intervenção humana que faça a gestão desse território, o potencial de termos grandes incêndios aumenta significativamente, até porque as alterações climáticas e a tal severidade meteorológica é bastante visível”, frisou.
Questionado sobre o que falhou na prevenção desde 2017, respondeu: “Não cabe a mim julgar se a prevenção funcionou ou não. A mim cabe-me olhar para o território e tentar perceber e antecipar as zonas de maior potencial de incêndio e aquela zona [IC8], neste momento, é uma zona potencial de incêndio bastante significativa”.
Nesse sentido, indicou que a Protecção Civil para aquela zona vai ter “um cuidado bastante significativo” no reforço de meios devido ao risco existente.
O comandante nacional ressalvou que em todo o país “há imensas zonas com potencial de risco de incêndio”, mas as mais críticas são o pinhal interior (concelhos dos distritos de Leiria, Castelo Branco e Coimbra), que “é sempre extremamente complexa e com um risco muito significativo”, Algarve e Norte.
Salientando que Portugal “estará sempre sujeito a um risco muito elevado de incêndios rurais”, Mário Silvestre adiantou que este ano também existe a preocupação acrescida na região de Leiria afectada pela depressão Kristin e que deixou milhares de árvores caídas no chão.
“Estamos a criar um conjunto de planos para implementar nessa região mais afectada”, disse, indicando que a prioridade actual é desobstruir caminhos florestais para os carros dos bombeiros se movimentarem durante os incêndios.
“Olhamos para o território como um todo, estamos com uma particular atenção a esse território, exactamente por causa do impacto que tivemos pela Kristin e depois por todos os outros fenómenos. Na realidade, aumentou ainda mais o problema”, precisou.
Mário Silvestre manifestou-se preocupado, mas assegurou que a Protecção Civil está “a fazer tudo aquilo que está ao seu alcance” para garantir que o impacto dos incêndios seja mitigado, considerando que o comportamento humano nos espaços florestais é “um factor decisivo”, bem como a limpeza e a protecção dos aglomerados urbanos e das casas que ficam nesses espaços.
“O dispositivo de combate terá muito mais facilidade em desenvolver as suas acções de supressão se os aglomerados urbanos estiverem devidamente protegidos, se as pessoas forem no fundo mentoras da sua auto-protecção, será tudo muito mais fácil para todos”, disse.
O comandante sublinhou que Portugal tem conseguido reduzir o número de ignições de incêndio nos últimos anos, sendo este trabalho visível.
“No entanto, nos períodos mais críticos, nos períodos de maior severidade, a redução não é tão significativa quanto isso. E isto alerta-nos para que, quando estamos em dias de calor, a utilização do fogo tem que ser reduzida, eliminada, não o podemos usar. E os comportamentos não podem gerar ignições”, concluiu.
Mais aeronaves e retardante
Este ano, a Protecção Civil vai introduzir no combate várias medidas para melhorar a capacidade de análise, antecipação e extinção do incêndio, como um maior número de aeronaves a utilizar retardante de fogo.
“Para este ano, o que tentámos fazer foi incorporar não só as aprendizagens de 2025, mas também as de 2024, e garantir que temos maior capacidade de análise, de antecipação e, com base nisso também, criámos um conjunto de novas medidas que aumentam a nossa capacidade de extinção do incêndio, sobretudo na sua fase inicial”, disse o comandante nacional de emergência e protecção civil.
Mário Silvestre avançou que “uma das grandes apostas” é a utilização do retardante (substância química usada para reduzir, atrasar ou impedir a propagação do incêndio e consequentemente auxilia no controlo e extinção do fogo), que já foi usado em 2025 num Centro de Meios Aéreos, passando este ano a estar disponível em cinco.
“Este ano teremos mais quatro centros de meios aéreos a operar com o retardante. Vamos passar para cinco. Aquilo que queremos é tentar que a taxa de sucesso que temos neste momento no ataque inicial aumente ainda mais”, afirmou.
Mário Silvestre frisou que actualmente os incêndios são mais violentos e arrancam a uma maior velocidade de propagação, sendo por isso necessário ter outros meios de extinção para garantir maior sucesso no ataque inicial e “o retardante é sem dúvida uma das grandes tentativas de melhoria contínua que o sistema está a implementar”.
O comandante nacional avançou também que outra melhoria introduzida no sistema passa por uma reformulação dos grupos de combate de ataque ampliado dos corpos de bombeiros que foram reforçados do ponto de vista da sua constituição.
“Fizemos uma análise em conjunto com os comandantes dos corpos de bombeiros e concluímos que havia um conjunto de alterações que deviam ser introduzidas nesse grupo. Estamos a constituir os grupos para se ter outra capacidade e para que os comandantes desses grupos tenham outra capacidade de gestão, mantendo o grupo mais tempo em combate do ponto de vista do incêndio e da supressão”, referiu.
Mário Silvestre realçou que há um conjunto de mudanças no Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) deste ano, que muitas vezes “são cirúrgicas, mas que permitem ter outro tipo de coordenação e capacidade, comando e controlo nos teatros de operações”.
O mesmo responsável deu igualmente conta de que este ano a Protecção Civil vai também “tentar potenciar a capacidade de análise e uso do fogo” ao ter introduzido em cada uma das sub-regiões do país equipas especializadas para analisar os grandes incêndios.
De acordo com comandante nacional, estas equipas de reconhecimento e avaliação da situação vão passar a informação sobre o risco e o tipo de incêndio ao comandante do sector e das operações, permitindo assim “uma maior capacidade de antecipação” e melhorar a comunicação e a coordenação.
Mário Silvestre acrescentou que está ainda a ser feito “treino operacional para garantir que os processos de comunicação são mais céleres e que toda a gente está na mesma página e percebe exactamente quais as conduta e doutrina que têm de adoptar”.
“São um conjunto de circunstâncias e de melhorias que resultam todas elas dos processos de avaliação e da melhoria contínua que temos que implementar no sistema”, disse, afirmando que, após a avaliação feita aos incêndios de 2025 com todos os actores do sistema, a Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANPEC) tentou introduzir no sistema algumas das melhorias identificadas.
Questionado sobre as críticas recorrentes da falta de coordenação e de comunicação durante o combate dos grandes incêndios, Mário Silvestre admitiu que possa existir “pequenas falhas”, mas “são momentâneas e depois são automaticamente corrigidos pelos postos de comando”.
Esclarecendo que “o teatro de operações de um grande incêndio é uma situação complexa e que as solicitações aos diversos agentes “são imensas”, referiu ser “normal que pontualmente haja uma comunicação que não foi percebida e que haja uma comunicação que não chegou”, mas garantiu que “o sistema está coordenado e responde de forma coordenada”.
Dispositivo de combate dimensionado para a realidade do país
O comandante nacional da Protecção Civil considerou ainda que o dispositivo de combate a incêndios rurais está dimensionado para a realidade do país e para aquilo que é expectável acontecer, mas realçou que está dependente da dimensão dos fogos.
“O dispositivo de combate a incêndios no fundo tenta mitigar os impactos que temos no país, mas eu diria que o dispositivo está dimensionado àquilo que é a realidade e que é expectável que aconteça”, disse Mário Silvestre nesta entrevista à Lusa na véspera do Dispositivo Especial de Combate aos Incêndios Rurais (DECIR) reforçar os meios de combate.
O DECIR vai ter este ano um ligeiro aumento de meios, nomeadamente operacionais e aeronaves, em relação a 2025, numa altura em que o Governo já alertou que 2026 pode ser muito difícil em termos de incêndios rurais, especialmente depois da tempestade Kristin que afectou especialmente a região centro no final do mês de Janeiro.
Questionado se perante este cenário os meios previstos no DECIR são os necessários, o comandante nacional de emergência e protecção civil afirmou que o dispositivo “depende do número de ocorrências, da dimensão dos incêndios e do comportamento humano”.
“Dimensionamos o dispositivo para aquilo que será, não para o pior cenário, nós não podemos dimensionar o dispositivo para o pior cenário, mas dimensionamos o dispositivo para aquilo que é expectável de acontecer”, disse.
Mário Silvestre referiu que, se ocorrer um incêndio numa zona onde o risco é potencialmente baixo, não existe problema em deflagrarem grandes incêndios.
“O nosso problema está nas ocorrências que vão e que têm lugar em zonas onde o potencial de incêndio é muito grande. Existem zonas do país onde rapidamente chegamos a valores na casa de 100 mil hectares de potencial a arder”, afirmou.
O comandante disse também que o DECIR não é um documento fechado, podendo sofrer alterações de acordo com as avaliações feitas a cada momento.
Reforço de meios
Os meios de combate a incêndios rurais vão ser reforçados a partir de sexta-feira, passando a estar em permanência no terreno 11.955 operacionais de 2.031 equipas, 2.599 veículos e 37 meios aéreos, além dos três helicópteros da AFOCELCA (empresa privada de protecção florestal vocacionada para o combate a incêndios rurais).
O primeiro reforço de meios acontece a 15 de Maio, no que é denominado ‘nível Bravo’, numa fase que se prolonga até ao dia 31 de Maio, altura em que os meios voltam a aumentar.
A fase mais crítica, entre Julho e Setembro, é aquela que mobiliza o maior dispositivo e vai contar este ano com 15.149 operacionais de 2.596 equipas, 3.463 viaturas e 81 meios aéreos, incluindo os três da AFOCELCA, um ligeiro aumento relação ao ano passado.
Dois helicópteros Black Hawk da Força Aérea vão estar este ano pela primeira vez ao serviço do combate aos fogos rurais.
No ano passado, o DECIR não teve disponíveis os meios aéreos previstos, tendo existido algumas alturas em que não chegaram aos 70 devido a avarias.
“Queremos acreditar que devemos ter sempre o dispositivo todo na sua força máxima. Mas trata-se de máquinas, e as máquinas avariam, e depois têm problemas na substituição de alguns componentes, que às vezes levam mais tempo do que aquilo que está a ser esperado. Portanto é algo que é expectável que aconteça”, disse o comandante nacional sobre a disponibilidade total dos meios aéreos.
Mário Silvestre disse ainda que a Protecção Civil tem a informação que até ao momento “não há qualquer constrangimento no dispositivo” e que “está pronto para arrancar” até atingir a sua capacidade máxima.
“Neste momento não temos nada que nos diga que temos algum constrangimento e, portanto, contamos com as 81 aeronaves”, concluiu.
No início deste ano, antes da nova guerra, agravamento do custo de vida em Portugal estava relativamente controlado: em Janeiro, a subida homóloga dos preços foi de apenas 1,9%. Dados do INE.
Gasóleo acabou em vários postos de combustível em Portugal na sequência da corrida às bombas pelos automobilistas. Lisboa, 8 de Março de 2026. Foto: Reinaldo Rodrigues
A inflação homóloga no consumidor está a subir rapidamente com os efeitos da nova guerra no Médio Oriente e, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), atingiu 3,3% em Abril deste ano, o valor mais elevado em dois anos.
No início deste ano, antes da guerra que começou com o ataque dos EUA e de Israel ao Irão no final de Fevereiro, a evolução dos preços em Portugal estava relativamente controlada e baixa: em Janeiro, os consumidores terão sentido uma subida de preços na ordem de 1,9% face a igual mês do ano passado.
Desde então que a subida não cessa, confirma o novo destaque do INE, divulgado esta quarta-feira: em Fevereiro, o ritmo de aumento dos preços no consumidor aumentou para 2,1% e em Março, mês que já foi todo marcado pela agressão ao Irão e à retaliação deste aos países vizinhos do Golfo Pérsico, a inflação portuguesa saltou para 2,7%, segundo o instituto.
Recorde-se que há um ano, em Abril de 2025, a inflação homóloga foi de 2,1%. E é preciso recuar a maio de 2024 para encontrar um aumento de preços mais forte do que este agora revelado pelo INE: nessa altura, há 24 meses, a inflação chegou a 3,8% (Maio de 2024).
Combustíveis disparam quase 12%, alimentação mais de 7%
De acordo com o destaque do INE sobre este tema, “a variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor (IPC) foi 3,3% em Abril de 2026, taxa superior em 0,6 pontos percentuais (p.p.) à observada no mês anterior”.
Tal como em Março, “a aceleração do IPC é maioritariamente explicada pelo aumento do preço dos combustíveis”.
“A variação do índice relativo aos produtos energéticos aumentou para 11,7% (5,7% no mês anterior) e o índice referente aos produtos alimentares não transformados registou uma variação de 7,4% (6,4% em Março)”, indica o instituto.
E, mesmo expurgando a componente da energia e da alimentação do cabaz geral do consumidor, o INE conclui que o resto dos bens e serviços da economia também já estão a ser ligeiramente contaminados pelo ambiente geral de agravamento no custo de vida.
Prova disso é que “o indicador de inflação subjacente (índice total excluindo produtos alimentares não transformados e energéticos) registou uma variação de 2,2% (2% em Março)”.
Álcool, tabaco e transportes lideram agravamento entre Março e Abril
O IPC é constituído por 13 classes de bens e serviços.
O INE compara o que aconteceu nas variações homólogas registadas em Março e Abril.
“Por classes de despesa e face ao mês precedente, são de destacar os aumentos das taxas de variação homóloga das bebidas alcoólicas e tabaco (classe 2), dos transportes (classe 7), em consequência do aumento do preço dos combustíveis rodoviários, e dos serviços financeiros e de seguros (classe 12), com variações de 5%, 4,8% e 2,6% respectivamente [em Abril]”.
No mês de Março, foram registadas subidas assinaláveis face aos níveis de inflação homóloga de Fevereiro, mas, apesar da guerra em curso, esses valores foram visivelmente inferiores aos registados agora em Abril: o INE diz que os preços do grupo álcool e tabaco subiram 2,9%, nos transportes o agravamento foi 3,8% e nos serviços financeiros e seguros o aumento foi de apenas 1,6%.
Entre Março e Abril, mas “em sentido oposto, assinala-se a diminuição da taxa de variação homóloga da classe lazer, recreação, desporto e cultura (classe 9), com uma variação de -0,6% (0,4% no mês anterior)”, calcula o INE.
🇵🇹 PORTUGAL // JUSTIÇA // PSP // ESQUADRA DO RATO-LISBOA
Face a essa falta de prova , sete agentes e um chefe da PSP foram libertados, tendo sido aplicada a medida menos gravosa de termo de identidade e residência.
Alegadas torturas ocorreram na esquadra do Rato, em várias noites distintas. Foto: Reinaldo Rodrigues
A juíza de instrução do caso da esquadra da PSP do Rato, em Lisboa, considerou que os indícios apresentados pelo Ministério Público sobre oito polícias são insuficientes para provar tortura e classificou como bárbaras agressões de seis polícias.
Fonte ligada ao processo revelou à Lusa que a juíza de instrução Maria Fátima Gomes considerou na segunda-feira – a propósito da aplicação das medidas de coação aos 14 polícias detidos por suspeitas de tortura e agressões nas esquadras do Largo do Rato e do Bairro Alto – estar perante uma ausência de prova capaz de sustentar a indiciação avançada pelo Ministério Público.
Face a essa falta de prova relativa a oito polícias – sete agentes e um chefe -, a juíza de instrução determinou que estes arguidos fossem libertados, tendo sido aplicada a medida menos gravosa de termo de identidade e residência.
Ainda sobre estes oito polícias e de acordo com a mesma fonte, a juíza de instrução indicou que as declarações dos arguidos e das vítimas não coincidem, além de que o depoimento de uma das testemunhas ao Ministério Público terá algumas contradições.
Dos 14 polícias detidos que ouviram na segunda-feira as medidas de coação, quatro ficaram em prisão preventiva, que poderá passar a domiciliária caso estejam reunidas todas as condições, e dois foram suspensos de funções e proibidos de contactar com as vítimas.
Em relação a estes seis polícias, a juíza de instrução considerou existirem indícios suficientes para suspeitas dos crimes de tortura e de abuso de poder, nomeadamente através do reconhecimento pelas vítimas e da existência de vídeos e fotos, acrescentou ainda fonte ligada ao processo.
A juíza de instrução classificou na segunda-feira as agressões destes polícias como bárbaras e de excepcional gravidade, ainda que os mesmos as tenham negado, e considerou que estes seis polícias tiveram como objectivo humilhar, intimidar e castigar as vítimas.
Na aplicação das medidas de coação, a juíza entendeu que existe um receio de repetição das agressões, dada a personalidade dos arguidos, que considerou ser caracterizada por um desprezo e desrespeito pelas vítimas.
No total, foram detidos 15 polícias e um civil, segurança de um espaço nocturno, tendo um dos polícias sido libertado logo depois da detenção, que aconteceu na terça-feira, e o civil libertado na quinta-feira, depois de o tribunal de instrução ter aceitado o pedido de ‘habeas corpus’ por detenção ilegal.
Com a detenção de 15 polícias – 13 agentes e dois chefes -, aumenta para 24 o número de elementos da Polícia de Segurança Pública envolvidos no processo de alegadas torturas e violações nas esquadras do Largo do Rato e do Bairro Alto, numa investigação denunciada pela PSP.
Muitos desses abusos foram filmados e partilhados em grupos de WhatsApp com dezenas de outros agentes.
As primeiras duas detenções ocorreram em Julho de 2025 e outras sete em Março de 2026, estando os nove polícias em prisão preventiva.