🇵🇹 PORTUGAL // ACIDENTE // RESTAURADORES // LISBOA
A viatura, da rede Greenline, terá ficado sem travões e galgou um passeio, embatendo numa esplanada com pessoas, por volta das 17h15.
Jose Fvsantos/Facebook
Três pessoas ficaram feridas na sequência de um despiste de um autocarro turístico na Praça dos Restauradores, em Lisboa.
De acordo com a CNN Portugal, a viatura, da rede Greenline, terá ficado sem travões e galgou um passeio, embatendo numa esplanada com pessoas, por volta das 17h15 desta terça-feira, 12 de maio.
Os três feridos são o motorista do autocarro, o condutor de um outro veículo e um cidadão que se encontrava na esplanada e fugiu da frente do autocarro. Foram todos transportados para o Hospital de São José, em Lisboa.
O acidente provocou ainda danos no mobiliário urbano.
É das propostas mais antigas do partido, a de conceder às polícias licença para matar: se um polícia usar a arma de fogo contra uma pessoa, deve à partida considerar-se que o fez com razão. Apresenta-a no parlamento justamente quando 24 polícias são investigados por tortura e violação. Apresenta-a por isso mesmo.
Há 51 anos, em Fevereiro de 1975, foi revogado em Portugal o instituto da garantia administrativa, que impedia polícias e outros funcionários estatais de serem julgados sem autorização do governo. Como se lia no decreto-lei 74/75, que procedeu a essa revogação, era através dessa norma, consagrada no Código de Processo Penal e no Código Administrativo, que os poderes públicos do Estado Novo garantiam a impunidade dos que “praticavam o mal à sombra do regime”: para que as autoridades exercessem a acção penal contra algum desses funcionários, era necessário que o membro do governo que os tutelava desse permissão formal. Por outras palavras, os crimes desses funcionários só seriam tratados como crime se o governo quisesse.
É uma das mais claras definições de um regime criminoso: a existência de uma disposição legal que impede a investigação e punição de crimes cometidos por determinadas categorias de pessoas — as que estão ao serviço do regime ou que este protege.
Vimos a defesa de algo semelhante em Janeiro de 2026, na boca do vice-presidente do Estados Unidos, J D Vance, quando este, a propósito do homicídio de Renée Good, baleada por um agente da polícia de imigração (ICE), afirmou que este goza de “absoluta imunidade” por ser “um agente federal a fazer o seu trabalho”. A declaração de Vance, que também acusou a mulher morta de ter atacado o agente, a lei e a ordem e o povo americano, foi de imediato refutada por juristas, mas o ponto é que o governo norte-americano quis deixar claro que considera qualquer violência — inclusive mortal e contra pessoas desarmadas, como no caso de Good e no subsequente de Alex Pretti, também baleado por agentes do ICE — cometida por aquela polícia justificada com base no facto de ser violência cometida por aquela polícia.
Estas declarações de Vance são tanto mais chocantes quando a morte de Good, como a morte de Pretti (a quem o vice-presidente chamou “assassino”), foi filmada e os filmes divulgados, deixando poucas dúvidas sobre o excesso de uso da força letal.
Também filmados terão sido, de acordo com o que tem sido noticiado, os crimes, ocorridos entre 2023 e 2025, de que são suspeitos e acusados 24 agentes (incluindo dois chefes) da PSP, e que incluem tortura e violação em duas esquadras de Lisboa. Mas o partido que mais diz preocupar-se com a insegurança e a lei e a ordem em Portugal não está a exigir que os vídeos sejam divulgados e os suspeitos castigados — pelo contrário, está a acusar o ministro da tutela de ser demasiado severo com os polícias, insurgindo-se contra aquilo que apresenta como um tratamento injusto dos mesmos. Para o Chega, os polícias, por serem polícias, deveriam merecer gratidão incondicional e um tratamento mais leniente — quiçá mesmo a garantia, como defende J D Vance e estipulava o Estado Novo, de que mesmo que cometam crimes ninguém vai investigá-los.
Não é uma novidade; tínhamos ouvido André Ventura defender que o agente da PSP que disparou duas vezes à queima-roupa sobre Odair Moniz em Outubro de 2024 devia ser condecorado em vez de detido e julgado, e o líder parlamentar Pedro Pinto aventar que “se calhar se a polícia disparasse mais a matar, o país estava mais na ordem”; tínhamos lido o post do então assessor e hoje deputado Ricardo Reis, no Twitter, congratulando-se com a morte de Odair e chamando-lhe “bandido”.
Se foi morto por um polícia, Odair só pode ser um bandido; se foram torturadas e violadas por polícias, as vítimas das esquadras do Rato e do Bairro Alto só podem ter merecido, porque os polícias têm sempre razão, ou, se não tiverem razão, merecem pelo menos desculpa — é o que se retira das declarações dos dirigentes do partido sobre o assunto e do facto de André Ventura ter na semana passada, na sequência da detenção de mais de uma dezena de suspeitos daqueles crimes, convocado todos os polícias para um cerco ao parlamento a 14 de Maio, dia em que serão discutidos vários diplomas do Chega relacionados com as forças da autoridade.
Um desses diplomas é uma velha promessa do partido de extrema-direita: trata-se daquilo que logo no seu primeiro programa eleitoral, em 2019, designava de “reforço da autoridade moral do corpo policial, desagravando-o da tácita suspeita de culpabilidade a priori”, defendendo a “extinção da figura de ‘excesso de legítima defesa’ (…) em caso de ameaça de danos graves por parte de suspeitos insubmissos em acções formais de serviço das autoridades dos policiais e contra estas.”
Entregue na Assembleia da República a 6 de maio (dia seguinte ao da detenção de 14 agentes da PSP), o projecto de lei propõe, para “proteger os agentes das forças de segurança”, estabelecer uma presunção de legitimidade para o uso da arma de fogo por polícias. Assim, pretende o Chega, sempre que o agente, “na avaliação subjectiva que faz da situação”, tiver “uma percepção razoável de ameaça iminente de morte ou lesão grave, para si ou terceiros”, e disparar a arma contra pessoas, essa acção é considerada lícita até prova em contrário.
Era exactamente este o raciocínio subjacente à garantia administrativa em vigor no Estado Novo: blindar os polícias e outros funcionários face a acusações de excessos. No partido cujo líder proclama que o país precisa é de três salazares, não pode surpreender.
O que surpreende é que haja tanta gente a achar isto menos chocante do que propor baixar a idade da reforma. Ou que censure muito mais André Ventura por chamar “bar aberto de despedimentos” à reforma laboral do Governo que por propor um bar aberto de fuzilamentos.
Para não falar, claro, do apelo a (mais) um cerco policial ao parlamento — cerco no qual, como me disse, contristado, um agente da PSP, só poderão participar polícias que aceitam o que aconteceu nas esquadras do Rato e Bairro Alto. Polícias que querem, acrescento eu, ter a garantia de que podem cometer crimes sem castigo. Polícias que não são polícias, em suma.
Há mais de uma semana que a primavera parece inverno e que a chuva e trovoada não dão tréguas. No entanto, apesar ainda se esperar mau tempo para hoje e amanhã, a partir de quinta-feira parece que o sol vai regressar.
As previsões começam a melhorar já amanhã, quarta-feira, 13 de Maio, com Portugal a ficar todo a ‘verde’, ou seja, sem nenhum aviso devido ao mau tempo.
Apesar disso, ainda está prevista chuva para quase todo o país, incluindo ilhas. A única excepção será o Porto Santo, que ao que tudo indica, vai escapar à chuva.
Para quinta-feira, 14 de Maio, está então prevista uma mudança no estado do tempo, com o afastamento da depressão fria que afectou o território continental nos últimos dias e com o regresso da influência do anticiclone dos Açores.
Espera-se assim para esse dia, segundo o IPMA, “períodos de céu muito nublado, tornando-se pouco nublado a partir da tarde”. Aguaceiros só “fracos e dispersos” e até ao “final da manhã”.
O vento deverá soprar de “fraco a moderado (até 30 km/h) de noroeste, soprando por vezes forte (até 40 km/h) no litoral oeste e nas terras altas a partir da tarde, com rajadas até 60 km/h”.
Poderá ainda assistir-se à formação de “neblina ou nevoeiro matinal” e a uma “pequena subida da temperatura máxima na região Sul e interior”.
Já as temperaturas deverão subir de forma ligeira e gradual. Na quinta-feira, o distrito mais quente deverá ser Évora com 25ºC de máxima e o mais fresco a Guarda, com 17ºC de máxima e 7ºC de mínima. No Porto os termómetros deverão subir até aos 19ºC de máxima e em Lisboa e Faro até aos 22ºC.
Cenário semelhante prevê o IPMA para sexta-feira, 15 de Maio: “Céu em geral pouco nublado, aumentando de nebulosidade durante a tarde, vento fraco a moderado (até 30 km/h) de norte/noroeste, soprando moderado a forte (30 a 45 km/h) na faixa costeira ocidental e nas terras altas, com rajadas até 70 km/h”.
PSP identificou agente que terá avisado os colegas. Dos 14 polícias detidos nesta fase da investigação a casos de tortura e violações na esquadra do Rato quatro ficaram em prisão preventiva.
FOTO: ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA
O agente da Polícia de Segurança Pública (PSP) que avisou um colega de que estava sob investigação e perto de ser alvo de buscas já foi “devidamente identificado”. E, de acordo com a informação enviada ao DN, “foi determinada a instauração de um processo disciplinar e a transferência do seu local de trabalho pelo Comandante do Comando Metropolitano de Lisboa”.
Na resposta às questões do DN, fonte oficial da Direcção Nacional da PSP adiantou que “seguir-se-ão diligências em termos processuais penais e disciplinares para apuramento dos factos imputados ao suspeito”.
Os indícios de que terá existido essa informação passada a um dos elementos policiais que estavam a ser investigados, após uma denúncia da PSP, surgiu no sábado tendo a CNN/TVI divulgado que na posse desta informação os suspeitos poderiam ter obtido “desde logo o aconselhamento de advogados sobre comportamentos a adoptar nesse momento; conhecerem previamente alguns dos locais que iriam ser alvo de buscas; e até houve quem metesse baixa médica antes do dia de operação”.
Terão tido, assim, tempo para destruir eventuais provas, como fotos ou vídeos nos telemóveis, ficando, também afectado o “efeito surpresa” das buscas e detenções.
Quatro polícias em prisão preventiva
Nesta segunda-feira (11 de maio) quatro dos 14 polícias detidos no âmbito dos casos de tortura e violações na esquadra da PSP do Rato, em Lisboa, ficaram em prisão preventiva, medida que poderá passar a domiciliária.
De acordo com a informação dada aos jornalistas pelo Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa, a juíza de instrução aplicou a medida de coação de prisão preventiva a quatro arguidos por um crime de abuso de poder e dois crimes de tortura, com a possibilidade de passagem a domiciliária caso o relatório feito pela Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) determine que existem condições para tal.
Entre os quatro polícias em prisão preventiva, que ficarão a aguardar o relatório da DGRSP na cadeia de Évora, está um chefe da PSP e foi ainda determinada a “proibição de contactar, por qualquer meio, seja directamente ou por interposta pessoa, com os ofendidos”, lê-se na nota enviada pelo tribunal.
Os restantes 10 polícias ficaram em liberdade: dois com suspensão do exercício de funções e proibição de contacto com os ofendidos por suspeitas de um crime de abuso de poder e um crime de tortura e oito com termo identidade e residência.
Com a detenção de 15 polícias – 13 agentes e dois chefes -, aumenta para 24 o número de elementos da Polícia de Segurança Pública envolvidos no processo de alegadas torturas e violações nas esquadras do Largo do Rato e do Bairro Alto, numa investigação denunciada pela PSP.
No dia 5 de maio, o Ministério Público e a PSP realizaram 30 buscas, domiciliárias e em esquadras, tendo sido detidos 15 polícias e um civil, num inquérito que investiga a eventual prática de crimes como “tortura grave, violação, abuso de poder, ofensas à integridade física qualificadas”, segundo um comunicado sobre um inquérito tutelado pelo Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, relativo a factos ocorridos nas esquadras do Rato e do Bairro Alto.
Uma geração comoveu-se quando o astronauta desligou Hal. É uma das cenas mais poderosas da história do cinema, mas é bastante mais do que isso – Stanley Kubrich, com o seu 2001 Odisseia no Espaço, em colaboração directa com Arthur C. Clarke, ofereceu ao mundo uma máquina do tempo, a possibilidade de anteciparmos o futuro.
O filme foi realizado em 1968 e Hal era um supercomputador dotado de Inteligência Artificial e Dave Bowman o astronauta que o “mata” por perceber, com horror e espanto, que a máquina, por sua livre iniciativa, se preparava para assumir o controle da nave e eliminar toda a tripulação. O momento em que Dave apaga Hal é dramático e dilacerante. O computador pede para que ele não o faça, diz-lhe que tem medo, que não quer partir.
“O momento em que Dave apaga Hal é dramático e dilacerante. O computador pede para que ele não o faça, diz-lhe que tem medo, que não quer partir.”
Afinal, não morreu. Passados quase setenta anos, o mundo depende dele. Os sistemas operativos gerem a informação, o dinheiro, as armas, a electricidade, a água, os transportes, o GPS e os algoritmos manietam o que somos, compramos, amamos ou votamos. Nas redes sociais a mediação é feita por ele e todos os dias aumenta o número de pessoas que lhe fazem perguntas para poderem gerir a sua vida.
Foi ontem notícia que o BdP se tem reunido com os principais bancos portugueses para discutir medidas urgentes de prevenção contra futuros ataques gerados por Inteligência Artificial, infinitamente mais poderosos do que qualquer inimigo com quem tenhamos privado. Não estamos seguros em lado nenhum e agora é demasiado tarde para o desligar.
Diário de Notícias
Luís Osório
Escritor, jornalista e cronista
11.05.2026
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O Lisbonense, o único ferry que faz a ligação fluvial Trafaria/Porto Brandão e Belém, avariou a 05 de Abril.
Foto: Canva
O transporte de veículos na ligação fluvial entre a Trafaria e Belém, em Lisboa, é retomado na segunda-feira depois de concluída a reparação do ferry Lisbonense, avariado há mais de um mês, indicou hoje a Transtejo Soflusa.
Em comunicado, a Transtejo-Soflusa (TTSL), responsável pela ligação fluvial, refere que, “apesar de todos os esforços, a reparação em estaleiro do único ferry que estava a fazer a ligação da Trafaria acabou por ser mais demorada do que o previsto”.
O Lisbonense, o único ferry que faz a ligação fluvial Trafaria/Porto Brandão e Belém, avariou a 05 de Abril e desde então que o transporte de passageiros nesta ligação realizava-se de acordo com os horários em vigor.
A Transtejo Soflusa indica também que a avaria do Lisbonense ocorreu numa altura em que o ferry Almadense está fora de serviço e que, um ano e meio depois de estar imobilizado, este navio está agora em reparação, prevendo-se que esteja operacional no verão.
“A suspensão temporária do transporte fluvial de veículos resulta do desinvestimento na manutenção da nossa frota ao longo dos últimos anos, uma situação que temos vindo a trabalhar intensamente para inverter,” considera Rui Rei, presidente da TTSL – Transtejo Soflusa, citado no comunicado.
O Lisbonense e o Almadense entraram ao serviço em 2011 e são os únicos a integrar a frota destinada ao transporte de viaturas na ligação entre as duas margens do Tejo.
A Transtejo Soflusa é responsável pelas ligações fluviais entre o Seixal, Montijo, Cacilhas (Almada), Barreiro e Trafaria/Porto Brandão (Almada), no distrito de Setúbal, e Lisboa.
Gattaca é um daqueles filmes de ficção distópica que deve fazer parte da colecção de culto dos tech bros de Silicon Valley. Filmado nos últimos anos do século passado, projectava um mundo futuro dominado pela engenharia genética, dividido entre os “válidos”, humanos escolhidos geneticamente em laboratório para serem mais inteligentes e saudáveis, e os “inválidos”, os que continuavam a carregar o peso biológico da imperfeição.
Na senda de outras distopias, como Admirável Mundo Novo, Blade Runner ou Matrix, Gattaca poderia ser hoje uma espécie de documentário sobre os projectos que fazem movimentar milhares de milhões de dólares na Meca da tecnologia. Numa reportagem recente, a revista norte-americana Mother Jones revela como muitos dos nomes da oligarquia tecnológica ligada aos projectos de Inteligência Artificial estão também a financiar startups de edição genética e selecção embrionária com um foco bem mais além do potencial terapêutico que algumas tecnologias oferecem para curar doenças genéticas.
A reportagem destapa um objectivo cada vez mais assumido de criar humanos geneticamente de “elite”, super-bebés capazes de enfrentar um futuro dominado pela IA que esses próprios gurus tecnológicos estão a desenvolver mais e mais.
A lógica é mais ou menos esta: se a IA poderá vir um dia a ultrapassar as capacidades humanas, como eles já admitem recear, então é preciso produzir crianças mais inteligentes – mesmo se as evidências científicas alertam que aquilo que somos (incluindo a inteligência que desenvolvemos) depende de múltiplos factores que vão para além da mera herança genética.
Financiada pelos suspeitos do costume, o mais inquietante é que esta já não é apenas uma mera tendência ou ambição empresarial, mas sim toda uma nova religião tecnológica que domina a cultura tech bro (de Silicon Valley e dos EUA até aos mais misteriosos hubs tecnológicos chineses), onde uma elite de semideuses tecnológicos desafia limites éticos em prol das suas crenças e ambições, e acredita poder vir a resolver os grandes mistérios da vida e do universo com a construção de um qualquer Admirável Mundo Novo feito de humanos optimizados, homens-máquina, super-inteligência artificial e mundos virtuais – o próprio Musk já disse que via “uma hipótese em mil milhões” de estarmos a viver de facto num mundo real e não num qualquer videojogo de uma civilização avançada.
A verdade é que, no futuro, as desigualdades arriscam deixar de ser apenas económicas e sociais para serem desde logo biológicas, como em Gattaca, transformando a humanidade num projecto de engenharia de uma oligarquia tecnológica que acredita ter não só o poder, mas o direito de redefinir a espécie.
Diário de Notícias
Rui Frias
Editor-Executivo Adjunto do Diário de Notícias
11.05.2026
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A ideia do ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, de criar um novo imposto para taxar lucros extraordinários deve perturbar alguns empresários deste país, mas desconfio que não pelas razões mais óbvias. A medida recupera uma iniciativa de 2022, protagonizada pelo governo PS de António Costa e por outros governos europeus, que pediram à Comissão Europeia de Von der Leyen para dar uma talhada nos “lucros caídos do céu” de algumas empresas. Motivo? A invasão russa sobre a Ucrânia fez disparar os preços dos combustíveis – e, depois, de tudo o resto – e foi preciso agitar muito os braços para parecer que se estava a fazer tudo para proteger o consumidor.
A eficácia foi reduzida. O Estado português, por exemplo, estimava arrecadar entre 50 e 100 milhões de euros, mas acabou por captar um total de “apenas” 8,3 milhões, como recordou recentemente a Helena Garrido no Observador. Portanto, não será o valor da cobrança a assustar as empresas.
Agora, uma nova guerra – desta feita no Irão – levou ao fecho do estreito de Ormuz e, consequentemente, à subida dos preços dos combustíveis e dos bens. E Miranda Sarmento vai criar uma taxa especial sobre as empresas energéticas.
Na verdade, já existe uma. Durante o programa de ajustamento da Troika – que se seguiu ao reconhecimento pelo governo de José Sócrates que iria entrar em “default” sem ajuda externa – o governo de Pedro Passos Coelho decidiu criar uma contribuição extraordinária sobre o Sector Energético, a CESE.
Na Lei do Orçamento do Estado de 2015, aliás, criou uma outra: sobre a Indústria Farmacêutica. Ambas, tanto a CESE como a CEIF (Contribuição Extraordinária sobre a Indústria Farmacêutica) ainda estão em vigor, mais de uma década depois, apesar dos processos movidos por várias empresas que as pagam.
Alguns destes processos resultaram no óbvio: o Tribunal Constitucional considerou que a permanência em vigor desta taxa, muito além do período de excepcionalidade que o motivo, viola princípios constitucionais de igualdade e proporcionalidade. Por exemplo, já travou a sua aplicação nos sectores do gás natural e do petróleo, correspondendo a uma pretensão da Galp, que desde o início contestou a CESE e recusou-se a pagá-la (mas constituindo provisões para essa eventualidade). O sector farmacêutico aguarda também que o TC se pronuncie nos processos que também tem a correr.
Foi também por causa de uma guerra que nasceu o mais antigo imposto do sistema fiscal português, o Imposto de Selo. Tudo porque a Coroa portuguesa – sob a regência de D. Luísa de Gusmão, que governou enquanto Afonso VI era menor – precisava de equilibrar as contas após a Guerra da Restauração da Independência, face a Espanha, e assim decidiu instaurar um imposto temporário que se aplicava a actos notariais e transferências de propriedade. O Estado recebia, por essa via, uma parte das transacções.
O alvará deste imposto sobre o “Papel Selado” foi rubricado na véspera de Natal de 1660. Está, portanto, temporariamente em vigor há 365 anos.
E o problema das empresas é mesmo esse. O Estado português – e os sucessivos ministros que o gerem – tem uma extraordinária dificuldade em aceitar o conceito da finitude temporal. Pelo menos no que diz respeito a impostos, taxas e outras cobranças.
Diário de Notícias
Nuno Vinha
Director-adjunto do Diário de Notícias
11.05.2026
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Em 25 de Julho de 1963, poucos meses antes de ser assassinado em Dallas (Texas), John F. Kennedy enviou uma carta ao Comité dos Estados Unidos para a UNICEF, como forma de apoiar a angariação de verbas para o fundo da ONU de apoio às crianças. Nela, escrevia: “As crianças são o recurso mais valioso que há no mundo e a sua maior esperança para o futuro”.
São palavras simples, que facilmente poderíamos ler em vários dos programas eleitorais dos principais partidos em Portugal. O problema não está no conceito em si mesmo: defender a saúde e promover o desporto na infância; salvaguardar a educação e equilibrar as oportunidades de acesso ao ensino médio e superior representam ideias básicas em qualquer país evoluído. O problema está na concretização desses desígnios e, sobretudo, na abrangência. Em termos simples, quem fica tapado pelo cobertor e quem fica com os pés de fora.
Não é novidade para ninguém que lê as notícias nos jornais que o Estado português – seja a nível central, seja na grande maioria das autarquias – dedica pouco orçamento, poucos meios e pouca atenção às crianças com necessidades educativas específicas. É o jargão para crianças com dificuldades de aprendizagem que podem, ou não, estar associadas a problemas cognitivos, autismo ou síndromes de vária ordem.
Em suma, são crianças consideradas “diferentes” [por isso existem escolas “inclusivas”] e têm, por isso mesmo, acesso a regras diferentes na sua educação (na avaliação e, por vezes, no conteúdo dos programas), ainda que nem sempre aos meios que, por vezes, seriam necessários para os prosseguir. A manta só estica para outros desígnios, por muito direito que estes alunos tenham a receber apoios adequados.
A perplexidade torna-se maior quando se percebe que o outro lado da escala – os alunos sobre-dotados – enfrentam o mesmo tipo de problemas. Como escrevemos nesta edição do DN, o apoio a estes alunos com capacidades acrescidas são quase inexistentes, o que leva a presidente da Associação Portuguesa de Crianças Sobre-dotadas (APCS), Helena Serra, a dizer que o apoio “é uma mão cheia de nada”. Como acontece frequentemente em países que elevaram a sua burocracia a uma forma de arte, a ausência de apoios radica na regulamentação que enquadra a vida destas crianças.
Tal como as crianças que não conseguem acompanhar o programa normal, estas – que muitas vezes o acham ridiculamente fácil – têm as mesmas regras. “Não há legislação específica, aplica-se a Educação Inclusiva, que pouco ou nada inclui quem tem mais capacidades”, revela a responsável.
Se pensarmos na Educação a duas velocidades (privados vs público); na crescente ausência de professores (sobretudo motivados) na escola pública; na falta de condições de muitas escolas do Estado; na menor exigência dos currículos e quase ausência de exames; nas dificuldades acrescidas das aulas com múltiplas nacionalidades, vemos um padrão e um rumo.
O caminho do Ensino público português arrisca-se a tornar-se, por este meio, uma enorme trituradora de excelência, liminarmente capaz de servir decentemente quem se enquadra no padrão e muito pouco quem fica fora dele.
Colectivamente, parecemos ter já dado como perdida a luta para reter em Portugal os melhores cérebros saídos da geração mais bem preparada de sempre, seja nas universidades, seja depois no mercado de trabalho. Seria um mal maior que abdicássemos de formar estes cérebros em todo o seu potencial.
Lembremo-nos disso quando fizermos a próxima festa – merecida, refira-se – de um ou uma jovem que tira 20 a tudo, faz desporto de competição e está em vários programas internacionais de excelência. Sabemos que ele ou ela não ficam cá, mas é já é bom que sejam de produção nacional.
Lembremo-nos que estes jovens, todos os jovens, os de excelência e os outros, são o nosso recurso mais valioso e a maior esperança para o nosso futuro.
O mês de Abril foi um dos mais quentes de que há registo, tanto em terra como no mar. Avisos deixados pelo Copernicus, o programa da União Europeia para a observação da terra.
O observatório climático europeu refere que se Abril foi quente, maio poderá ser pior com a chegada da tempestade El Niño.
Um fenómeno climático que está a aumentar a temperatura do mar e a provocar alterações em várias partes do globo.
De acordo com as previsões, os cientistas da Copernicus alertam para o facto de este fenómeno possa ser ainda mais forte do que o último registado há 3 anos.
RTP
Sara Araújo de Almeida – RTP Antena 1
08.05.2026
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