🇵🇹 OPINIÃO
Dentro de cerca de um mês quem residir no Porto vai poder viajar gratuitamente nos transportes públicos que servem a área metropolitana. A medida aprovada recentemente pela autarquia deverá entrar em vigor a 1 de Julho e será destinada aos portadores do Cartão Porto, documento que já garante descontos em teatros, museus, piscinas e bibliotecas da cidade.
Além da parte política – foi uma das bandeiras da campanha eleitoral do actual presidente da câmara, Pedro Duarte –, a medida tem objectivos maiores: retirar carros da cidade e promover melhorias ambientais numa altura em que as alterações climáticas estão cada vez mais presentes e se assiste a uma tentativa de diminuir o consumo de combustíveis fósseis.
A decisão portuense não é inédita em Portugal existindo diversas ofertas de gratuitidade nos transportes públicos desde a isenção de pagamento para maiores de 65 anos (por exemplo em Lisboa) até ao projecto MobiCascais, em que os residentes não pagam para viajar nos transportes rodoviários. Braga, Aveiro, Guimarães e Castelo Branco são outros exemplos de medidas que visam incentivar o uso de transportes públicos.
E na Europa há vários casos, com o Luxemburgo a liderar ao ter sido o primeiro país do mundo a tornar a mobilidade gratuita – desde 2020 que não se paga para viajar de transportes públicos. Mas, há outros exemplos como Malta, Talin (Estónia), Montpellier e Dunquerque (ambos em França) com modelos diferentes.
Tudo em nome do ambiente, de uma melhor mobilidade e apoio à descarbonização.
Mas, há sempre um mas, à parte o elogio pela decisão, os responsáveis portuenses devem estar atentos a factores que podem tornar esta gratuitidade apenas numa bandeira para a imagem da cidade, excepto a poupança que os residentes vão passar a usufruir.
Para ser um sucesso completo é necessário que a mobilidade desses transportes seja a correcta e não com atrasos, e que exista mesmo uma redução de carros a circular/entrar na cidade. É que só com horários e frequências correspondentes às necessidades dos passageiros se consegue convencer alguém a usar um autocarro, um comboio ou o metro, não com passagens de 20 a 30 minutos entre carreiras, ou mesmo com a sua supressão.
Mas vamos esperar para fazer esse balanço e desejar que o Porto seja um bom anfitrião. O que, por vezes em Lisboa não acontece, por exemplo, devido aos atrasos nos autocarros que têm de circular em ruas cheias de carros pois os automobilistas privilegiam o transporte individual pelo conforto e para evitar tempos de espera longos.
Diário de Notícias
Carlos Ferro
Editor-executivo do Diário de Notícias
14.05.2026



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