311: Utentes que não vão ao centro de saúde há cinco anos deixam de ter médico de família

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🇵🇹 PORTUGAL // CENTROS DE SAÚDE // MÉDICOS DE FAMÍLIA

Ministério da Saúde faz mais uma alteração ao Registo Nacional de Utentes. Desta vez, elimina das listas de médicos de família quem não procura cuidados no SNS há cinco anos. Neste situação, estão mais de 121 mil utentes. E o objectivo “é libertar a vaga” para utentes sem médico. Associação de Medicina Familiar diz-se “preocupada” com efeito da medida, “mais parece ser uma forma administrativa de reduzir lista de utentes sem médico”.

No país, há 1,5 milhões de utentes sem médico de família. ANTÓNIO PEDRO SANTOS

Utentes que não vão ao centro de saúde há cinco anos deixam de ter médico de família

Ministério da Saúde faz mais uma alteração ao Registo Nacional de Utentes. Desta vez, elimina das listas de médicos de família quem não procura cuidados no SNS há cinco anos. Neste situação, estão mais de 121 mil utentes. E o objectivo “é libertar a vaga” para utentes sem médico. Associação de Medicina Familiar diz-se “preocupada” com efeito da medida, “mais parece ser uma forma administrativa de reduzir lista de utentes sem médico”.

 

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306: Não há acordo para o pacote laboral. Negociações entre Governo, UGT e confederações terminam

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🇵🇹 PORTUGAL // NEGOCIAÇÕES // PACOTE LABORAL

Representantes terminam ronda esta segunda-feira sem qualquer possibilidade de compromisso. Executivo e Confederações empresariais acusam UGT de “intransigência”.

Reunião entre Governo, UGT e associações patronais.
Reinaldo Rodrigues

As negociações do pacote laboral chegaram ao fim, esta segunda-feira, 9 de Março, sem qualquer acordo entre Governo, representantes da UGT e das confederações patronais.

As reuniões decorriam no Ministério do Trabalho mas, ao que foi possível apurar, não há solução à vista.

“Houve uma falta de recuo do Governo em propostas sucessivas”, o que provocou um “desencontro estrutural e uma inadequação de propostas face ao que a UGT tinha sugerido”, confirma fonte desta central sindical ao DN. “Para a UGT acabou a negociação”.

O presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, confirma que o processo “terminou. Quando não se chega a acordo, dá-se o processo por terminado. Isto era um processo que se arrastava há sete meses. Não podemos prolongar isto. Nas últimas três semanas, foram 20 reuniões”, referiu, citado pelo ECO.

O responsável afirma ainda que “não houve vontade política por parte da UGT” para chegar a um compromisso. “Tentou-se tudo até ao infinito. Não houve vontade, não se pode forçar“, salienta Francisco Calheiros à mesma publicação.

Da mesma falta de vontade por parte da central sindical queixou-se a ministra do Trabalho. “A UGT está absolutamente intransigente. O Governo vai realizar todos os esforços para que seja possível um acordo”, garantiu Maria da Palma Ramalho, por seu lado.

E Armindo Monteiro, presidente da CIP, afinou pelo mesmo diapasão, referindo que as negociações sobre o pacote laboral terminaram sem acordo por responsabilidade daquela central sindical.

“É da responsabilidade da UGT não haver acordo”, afirmou o líder da CIP, acrescentando que “não é habitual ver a UGT ter a atitude que teve” durante o processo de negociação da reforma laboral proposta em Julho de 2025 pelo Governo.

Na reacção, à saída do encontro, Sérgio Monte, secretário-geral adjunto da UGT, afirma que “dizer que a UGT é intransigente é falta de verdade. Havia conciliação a quase 60 propostas. À 25.ª hora, a CIP apresentou uma proposta maximalista que não permitia consensos”, considera o responsável.

Sérgio Monte elencou uma série de medidas contra as quais a central sindical sempre se mostrou contra, afirmando que não seriam negociáveis, como a reintegração de um trabalhador após vencer um processo de despedimento por justa causa ou o banco de horas individual.

“Não está morto o acordo”, garante Monte. “Mas para a CIP, pelos vistos, está. Há várias propostas inconstitucionais. O Governo é que tem de dizer se ainda existem ou não negociações”, continuou responsável que garante que não abandonarão “a mesa”.

“Nas traves mestras do Governo não houve alterações. Tivemos reuniões com os nossos 55 sindicatos e mais de 30 disseram que esta proposta não era susceptível de um acordo”, terminou o responsável.

Recorde-se que desde Julho de 2025 que está em negociação a reforma da lei do trabalho, altura em que o Governo aprovou em Conselho de Ministros e, posteriormente, apresentou na Concertação Social um anteprojecto que previa cerca de uma centena de 100 alterações à actual legislação laboral.

As centrais sindicais foram sempre contra o “pacotão” de medidas apresentado pelo Executivo de Luís Montenegro, e a sua discordância culminaria na greve geral de 11 de Dezembro – a primeira greve geral organizada pela UGT e pela CGTP desde os tempos da ‘troika‘, em 2013. Foi a quinta greve geral em cinco décadas de democracia.

Na altura, o secretário-geral adjunto da UGT, Sérgio Monte, realçava que o Governo não estava a negociar uma alteração á lei laboral, mas sim “a impor as suas vontades“. Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP dizia, por seu lado, que a reforma proposta “acentua a precariedade, facilita os despedimentos, desregula os tempos de trabalho, limita a actuação dos sindicatos, e ataca a negociação colectiva. Temos de exigir, neste momento, a retirada do pacote. É neste momento. Nenhum trabalhador perdoaria se não déssemos combate”.

O combate terminou hoje, assim, sem um vencedor claro. Mas vale a pena recordar que não será alheio a este resultado o facto de António José Seguro, que tomou esta segunda-feira posse como Presidente da República, já ter adiantado que não publicaria as alterações à legislação laboral tal como estão porque a questão “não fez parte” das propostas eleitorais e sem um acordo em concertação social. “Primeiro, não fez parte a proposta eleitoral dos partidos que estão hoje no lugar. Segundo, não houve acordo na concertação social”, afirmou Seguro durante uma intervenção na Faculdade de Economia do Porto, ainda durante a campanha para as presidenciais.

A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, que tem sido sempre a voz optimista destas negociações, acreditando que elas poderiam chegar a bom porto, tem feito saber, no entanto, que com ou sem acordo na Concertação Social, vai avançar com a proposta da alteração laboral no Parlamento, o que faz adivinhar que este poderá ser o primeiro teste de António José Seguro numa presidência que, fez questão de dizer e repetir durante, quer que seja de estabilidade.

com Lusa

Diário de Notícias
Margarida Vaqueiro Lopes, Frederico Bártolo, Ricardo Simões Ferreira
09.03.2026

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271: Governo contrata maquilhagem e cabeleireiro por 11 mil euros

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🇵🇹 PORTUGAL // GOVERNO // DINHEIROS PÚBLICOS

O Governo celebrou um contrato no valor de 11.520 euros para a prestação de serviços de maquilhagem e cabeleireiro destinados a membros dos gabinetes ministeriais antes de conferências de imprensa. De acordo com o Correio da Manhã, o acordo foi assinado pela Secretaria-Geral do Governo na quinta-feira e tem como objectivo “garantir a qualidade da imagem” de ministros e secretários de Estado.

Luís Montenegro fala aos jornalistas após reunião com Marcelo (LUSA)
© TVI Notícias

O contrato prevê a realização de 50 sessões ao longo de um ano, com uma periodicidade semanal. Cada serviço tem um custo unitário de 230,40 euros e pode abranger entre um e quatro membros do Executivo. Estão incluídos trabalhos de maquilhagem e desmaquilhagem para homens e mulheres, bem como serviços de cabeleireiro para as governantes.

De acordo com o documento, os profissionais são informados com 24 horas de antecedência quando o serviço decorre em Lisboa e com 48 horas quando acontece noutra localidade de Portugal continental.

O ajuste directo foi autorizado pelo secretário-geral do Governo no início de Dezembro de 2025, data em que foi também aprovada a abertura do procedimento. O contrato foi assinado a 19 de Fevereiro de 2026 com a empresa GlitterGlobe Lda., que não regista outras adjudicações semelhantes no Portal Base.

O acordo aplica-se aos membros do Executivo liderado por Luís Montenegro e destina-se exclusivamente a momentos de comunicação oficial com os jornalistas.

CNN Portugal
23.02.2026

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Montenegro diz que PTRR será “projecto de transformação nacional”. Cortado acesso da Ponte 25 de Abril à A5

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🇵🇹 PORTUGAL // PTRR // GOVERNO // MAU TEMPO

Mau tempo tem provocado condicionamentos nas ligações ferroviárias e em várias estradas do país, com destaque para a A1, cujo piso abateu na zona de Coimbra devido ao rompimento de um dique.

Elementos da protecção civil transportam agricultores de barco nos campos e instalações agrícolas inundadas pela água do Mondego devido ao rebentamento do dique em Coimbra
FOTO: PAULO NOVAIS/LUSA

Mais de 70 empresas já pediram lay-off simplificado

O ‘lay-off’ simplificado já foi pedido por 75 empresas afectadas pela tempestade Kristin, abrangendo 642 trabalhadores, enquanto 68 entidades recorreram ao incentivo extraordinário à manutenção de postos de trabalho, segundo dados hoje divulgados pelo Ministério do Trabalho.

“Os concelhos que registam um maior número de empregadores a requerer” o lay-off simplificado foram “Leiria, com 22 e Marinha Grande, com 16”, adiantou ainda o ministério liderado por Rosário Palma Ramalho, em comunicado enviado às redacções.

Os trabalhadores abrangidos pelo lay-off simplificado nas empresas afectadas pelas tempestades vão, afinal, receber dois terços do salário bruto até ao triplo do salário mínimo nacional (até 2.760 euros) e não 100%, como o Governo tinha anunciado, segundo esclareceu na quinta-feira o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

A remuneração nunca pode ser inferior ao salário mínimo nacional em vigor, que está actualmente fixado em 920 euros.

No comunicado divulgado na quinta-feira, o Governo esclareceu ainda uma outra questão que estava por clarificar relativamente às regras do ‘lay-off’ simplificado, sobre a fatia que a Segurança Social vai suportar nos salários a pagar aos trabalhadores abrangidos.

Segundo o ministério, “durante os primeiros 60 dias, a Segurança Social assegura 80% da remuneração devida ao trabalhador, enquanto a entidade empregadora garante os restantes 20%”.

“Após este período inicial, aplicar-se-á a habitual divisão de 70/30”, acrescentou.

Além do lay-off simplificado, o Governo criou uma outra medida, chamada incentivo extraordinário à manutenção de postos de trabalho.

No âmbito deste apoio, “foram submetidas 68 candidaturas por empregadores, abrangendo um total de 340 trabalhadores, num montante global de apoio de mais de um milhão de euros”, adianta ainda a tutela, no comunicado hoje divulgado.

Do total de candidaturas apresentadas, 21 correspondem a trabalhadores independentes, acrescenta o executivo.

Em termos geográficos, “os concelhos de Leiria, Marinha Grande e Pombal concentram 62% das candidaturas”, adianta ainda o ministério, acrescentando que a região Centro “regista 52 empregadores apoiados, abrangendo 253 trabalhadores e um montante de 788.625,27 euros”.

Segundo o ministério, segue-se a região de Lisboa e Vale do Tejo, com 15 candidaturas abrangendo 80 trabalhadores, “e o Alentejo, com uma candidatura que abrange sete trabalhadores”.

Este apoio é atribuído pelo IEFP três meses “com possibilidade de prorrogação”, para assegurar “o cumprimento das obrigações retributivas até 100% do montante da retribuição normal ilíquida do trabalhador, deduzida a contribuição para a Segurança Social”, confirmou na quinta-feira o ministério.

O montante do apoio “não pode ultrapassar o valor de duas vezes a retribuição mínima mensal garantida, vulgo salário mínimo, ao qual acresce o apoio à alimentação e transporte”.

O Governo esclareceu ainda que “este apoio não é acumulável com o ‘lay-off’ simplificado”.

“Os dois apoios podem, no entanto, ser pedidos de forma sequencial. Quanto à isenção do pagamento de contribuições à Segurança Social para empresas afectadas pela calamidade, é acumulável com o incentivo extraordinário à manutenção de postos de trabalho ou com o lay-off simplificado”, sinalizou o ministério do Trabalho na mesma nota, na quinta-feira.

O comunicado divulgado hoje pelo Ministério do Trabalho surge pouco depois de o primeiro-ministro ter indicado que o Governo já contabilizou mais de 18.500 pedidos de ajuda, quase metade dos quais para reconstrução de habitações afectadas pelas tempestades.

Lusa

Deslizamentos provocam cortes e condicionamentos de trânsito na Sertã

A Câmara da Sertã cortou várias ruas, estradas e caminhos municipais devido aos deslizamentos e derrocadas que têm provocado danos nas vias, na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta pelo território.

“O elevado índice de precipitação que se tem registado tem provocado deslizamento de vertentes e danos em algumas vias, afectando a normal circulação rodoviária. Assim, no que respeita a estradas no concelho, registam-se alguns cortes e condicionamentos”, explicou, em comunicado, este município do distrito de Castelo Branco.

Segundo a informação disponibilizada, a Estrada Nacional 2 (EN2) tem o trânsito rodoviário cortado desde a Barragem do Cabril até Pedrogão Pequeno (alternativa IC8) e encontra-se condicionada entre Pedrogão Pequeno até ao limite do concelho com Vila de Rei.

Em Pedrogão Pequeno, a Rua Casimiro Freire teve de ser cortada por perigo de queda de uma fachada para a via pública e na União de Freguesias de Cernache do Bonjardim, Nesperal e Palhais, na Rua do Vale Casal o trânsito está cortado.

Já o Caminho Municipal 1130, na freguesia da Sertã, está cortado à circulação rodoviária.

Existem ainda condicionamentos no cruzamento desde a EN238 (junto à Portela de Oliveira) até à Foz da Sertã (União de Freguesias de Cernache do Bonjardim, Nesperal e Palhais) e no Caminho Municipal 1116 (entre Pinheiro a Aldeia Velha) e no Caminho Municipal 1117.

No que diz respeito à reposição da energia eléctrica, todos os 280 postes de transformação do concelho estão energizados, dos quais 246 ligados à rede de média tensão e 34 alimentados por geradores, prosseguindo os trabalhos quer na média, quer na baixa tensão.

Já o apoio psico-social, que estava a decorrer na biblioteca municipal, vai passar a realizar-se exclusivamente na Câmara Municipal da Sertã, no Sector de Acção Social, nos dias úteis das 09:00 às 12:30 e das 13:30 às 17:00.

Lusa

Troço suburbano do metrobus na região de Coimbra pode reabrir na próxima semana

O presidente da Metro Mondego estimou hoje que a operação do Sistema de Mobilidade do Mondego seja retomada na próxima semana até à Lousã, mas até Serpins pode ainda demorar, pelo menos, cinco meses.

“Estamos convencidos de que iremos ultrapassar estes problemas durante a próxima semana e que voltaremos a operar de forma normal o metrobus”, afirmou João Marrana.

As operações do metrobus no troço suburbano foram suspensas há cerca de uma semana por motivos de segurança e indicação da Protecção Civil, com a Metro Mondego a garantir serviços alternativos de transporte.

“Pedimos desculpa por todos os problemas que demos às pessoas”, disse.

O presidente da Metro Mondego participou hoje na reunião de Câmara de Miranda do Corvo, no concelho de Coimbra, a convite do presidente da autarquia, José Miguel Ramos Ferreira, para dar explicações sobre os constrangimentos na circulação do metrobus.

Na reunião, Marrana reconheceu que a ligação entre a Lousã e Serpins pode demorar mais tempo a ser retomada, devido “à obra estrutural” que terá de ser feita entre o Casal de Espírito Santo e o Casal de Santo António.

“Esperamos fazer o contrato com total urgência de serviço na próxima semana, mas vai demorar cinco meses. É a nossa estimativa”, explicou.

João Marrana reconheceu que a operação dos serviços alternativos ao metrobus começou “com muitas limitações”, apontando dificuldades em encontrar operadores.

“Neste momento, temos em operação autocarros que são operados com motoristas que vieram de Aveiro e outros que vieram de Guimarães. Não é fácil encontrar operadores do pé para a mão. Não é nada fácil”, explicou.

Sobre a oferta de serviços alternativos, “tudo indica que será suficiente”, tendo como referência os dados da utilização no dia 21 de Janeiro.

“Neste momento, estamos com 78 serviços em cada sentido. Quando eram os serviços alternativos, há uns meses, eram 83”, detalhou, acrescentando que se for preciso mais serviços a Metro Mondego disponibilizará, “desde que se arranje quem os possa fazer”.

Aos vereadores e residentes de Miranda do Corvo presentes na reunião, o responsável apontou ainda como condicionante para os serviços alternativos a “quantidade expressiva de estradas que estão cortadas”.

Marrana disse ainda que o problema foi “existir a [depressão] Kristin com um conjunto extenso de tempestades seguintes”.

Lusa

Empresas em municípios em calamidade responsáveis por 15,2% de exportações

As empresas sediadas nos 68 municípios onde foi declarada situação de calamidade foram responsáveis, no ano passado, pela exportação de 15,2% dos bens nacionais, segundo dados do INE.

Num destaque hoje publicado, sobre estes municípios, o Instituto Nacional de Estatística (INE) indicou que em 2025, as empresas sediadas nestes municípios foram responsáveis por 15,2% das exportações nacionais de bens e por 12.085,7 milhões de euros (dados preliminares).

Segundo o INE, no sector do alojamento turístico, estes municípios concentravam 14,9% dos estabelecimentos em actividade (1.263 unidades), 11,5% da capacidade instalada (58,3 mil camas) e 8,9% das dormidas registadas no país (7,3 milhões).

De acordo com a mesma informação, em 2024, nestes municípios estavam 15,8% das empresas não financeiras, 14% do pessoal ao serviço e 13,8% do volume de negócios.

Já em termos sectoriais, destacaram-se a agricultura e pescas e a indústria e energia, com o maior peso relativo no pessoal ao serviço e no volume de negócios, bem como a indústria e energia e o comércio, com maior expressão no número de empresas.

Paralelamente, segundo o recenseamento agrícola de 2019, estes municípios concentravam 22% das explorações agrícolas, 20% do volume de trabalho agrícola e 14% da superfície agrícola utilizada.

Já na produção pecuária, “o peso relativo era particularmente expressivo”, indicou o INE, com 60% do efectivo nacional de suínos e 52% das aves.

“Apesar de concentrarem uma menor proporção da superfície agrícola utilizada, estes municípios assumem um peso significativo na produção pecuária nacional”, destacou.

De acordo com o INE, “em 2021, cerca de 1,8 milhões de pessoas (17,0% da população residente em Portugal) viviam nos 68 municípios onde foi declarada situação de calamidade, que concentravam também 19% dos alojamentos do país”.

Lusa

Prejuízos elevados em praias de freguesias de Oliveira do Hospital

A presidente da União de Freguesias de Penalva de Alva e São Sebastião da Feira, em Oliveira do Hospital, fez hoje votos de que, no verão, as praias fluviais afectadas pelo mau tempo possam receber visitantes.

Apesar de não conseguir apontar números concretos, Madalena Mendes disse à agência Lusa que os prejuízos no território desta união de freguesias do distrito de Coimbra foram “muito elevados, sobretudo em infra-estruturas viárias e nas praias fluviais”.

Segundo Madalena Mendes, o mau tempo deixou um rasto de destruição nas praias fluviais de Penalva de Alva, Caldas de São Paulo, Santo António do Alva e São Sebastião da Feira, muito procuradas no verão por pessoas que “dão muita vida” às freguesias.

“Esperamos que no próximo verão já haja condições” para receber os visitantes.

No que respeita à rede viária, a autarca destacou o colapso da plataforma da Estrada Municipal (EM) 514, que ficou cortada nos dois sentidos na quarta-feira à noite.

“É outro grande constrangimento, até porque temos unidades hoteleiras e está a ser muito difícil”, afirmou Madalena Mendes, garantindo que estão a ser feitos todos os esforços para que a EM 514 reabra o mais rapidamente possível.

O desabamento na EM 514 (também conhecida como estrada do Vale do Alva) ocorreu às 22:48 de quarta-feira, encerrando a via entre o cemitério de Penalva de Alva e o Lagar das Caldas de São Paulo.

“A estrada colapsou numa extensão de 100 metros. Grande parte da plataforma foi abaixo. Tem apenas uma parte residual que ainda não abateu, mas admitimos que nas próximas horas acabará por colapsar, o que põe em causa a mobilidade e um conjunto de serviços”, disse o presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, na quinta-feira.

Segundo José Francisco Rolo, trata-se de “uma estrada estruturante para a zona Sul do concelho”, que liga várias freguesias e dá acesso à escola da Ponte das Três Entradas.

Lusa

Acesso da Ponte 25 de Abril para a A5 de novo cortado

O acesso da Ponte 25 de Abril para a Autoestrada 5 (A5), que liga Lisboa a Cascais, foi hoje novamente cortado ao trânsito, sendo a saída alternativa por Alcântara ou Monsanto, informou a Brisa.

De acordo com uma nota da BCR – Brisa Concessão Rodoviária, cerca das 15:20, o acesso da Ponte 25 de Abril à A5, no sentido Lisboa – Cascais, está fechado, não adiantando mais pormenores.

Anteriormente, a Brisa dava conta de que se encontrava cortado o trânsito na via central esquerda da A5, sentido Lisboa-Cascais, ao km1, ficando apenas a via esquerda aberta ao trânsito.

Já na quarta e quinta-feira, o trânsito na A5 esteve cortado no sentido Lisboa–Cascais, do viaduto de Duarte Pacheco até à Cruz das Oliveiras (quilómetro 1), depois de um deslizamento de terras ter obstruído duas faixas de rodagem, cerca das 19:20.

O trânsito reabriu no local na quinta-feira às 06:27 em duas das quatro vias no sentido Lisboa-Cascais, depois de terem sido terminados trabalhos de limpeza, segundo disse a GNR.

Durante a noite foram removidos detritos devido à derrocada de quarta-feira. No local estiveram elementos da Brisa, a concessionária da autoestrada, a avaliar a situação.

No entanto, horas depois, cerca das 15:40, fonte da Divisão de Trânsito da PSP de Lisboa adiantou à Lusa ter ocorrido um novo deslizamento de terras ao quilómetro 1, na subida para o Monsanto, no mesmo local em que ocorreu um outro na quarta-feira, pelo que o trânsito foi novamente cortado.

Lusa

Mais de 250 bibliotecas públicas com danos causados pelas tempestades

Mais de metade das 489 bibliotecas da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas (RNBP) foram afectadas pelo mau tempo, principalmente as de Alcácer do Sal, Santarém, Leiria, Caldas da Rainha, Pombal e Marinha Grande, que sofreram maior impacto.

“De acordo com a informação recolhida pela DGLAB [Direcção-Geral do Arquivo dos Livros e das Bibliotecas] e que se mantém em actualização, 52% das bibliotecas da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, maioritariamente localizadas na região centro do país, indicaram ter sido afectadas pelo mau tempo das últimas semanas”, disse à Lusa Bruno Eiras, subdirector-geral daquele organismo.

O responsável adiantou que este é o balanço possível no momento, uma vez que os “contactos com as bibliotecas não estão a ser tão rápidos” como desejável, “não conseguindo manter a informação actualizada”.

Além disso, “a continuidade do tempo de chuva tem criado novas situações”, alertou.

De qualquer modo, os dados recolhidos indicam que das quase 255 bibliotecas atingidas pelas sucessivas tempestades que assolam o país desde 28 de Janeiro, 80% dizem respeito a infiltrações e inundações de pequenas dimensões ou a situações externas às bibliotecas como falhas de electricidade e comunicações.

As restantes informaram pequenos impactos, alguns relacionados com problemas preexistentes, e muitas relatam dificuldades por parte de alguns trabalhadores em chegar às bibliotecas.

Apesar dos danos verificados, 78% das bibliotecas indicaram ter conseguido manter-se em funcionamento, enquanto os restantes 22% tiveram de encerrar alguns espaços ou serviços, acrescentou Bruno Eiras, sem especificar quais as bibliotecas em causa.

No entanto, revelou que “os casos mais graves” de que teve conhecimento “ocorreram nas Bibliotecas Municipais de Alcácer do Sal, Santarém, Leiria, Caldas da Rainha, Pombal e Marinha Grande, onde os espaços ou mesmo as estruturas foram bastante afectadas”.

De acordo com uma publicação nas redes sociais da respectiva autarquia, a Biblioteca Municipal de Alcácer do Sal está “encerrada por tempo indeterminado”, pois “todo o piso térreo ficou debaixo de água, perdendo-se as salas infantis e os livros em depósito e registando-se enormes danos no auditório e sala de exposições”.

Na sequência da perda deste espólio de 30 anos de actividade, a biblioteca lançou no início desta semana um apelo à doação de “livros infantis” em bom estado, destinados a crianças até 12 anos, para recompor o seu acervo, mas de acordo com informações de um agrupamento de escolas local, a angariação foi entretanto suspensa por falta de capacidade de gestão, devido ao mau tempo.

No dia 04 deste mês, quando ainda só se faziam sentir os impactos da depressão Kristin, também a directora da Biblioteca Municipal de Pombal, Daniela Martins, revelou à Lusa que aquela estrutura sofrera “estragos significativos no piso superior e na parte de trás”.

“Está com infiltrações e falta de coberturas. Uma janela ficou partida e outras duas janelas grandes foram projectadas, tendo destruído alguns computadores sobre os quais caíram”, indicou na altura, especificando que “ficaram também destruídas a parte interna do edifício e a oficina”, mantendo-se em funcionamento apenas a parte da frente, servindo a população afectada.

Quanto à biblioteca da Marinha Grande, já naquela altura era uma das que tinham tido “mais estragos”, tendo perdido a cobertura, que impedia a entrada da água, segundo a responsável, que disse ainda que as estantes e os livros estavam cobertos com plásticos, para tentar minimizar os danos.

Bruno Eiras destacou “o trabalho de apoio às comunidades que muitas bibliotecas têm dado desde os primeiros dias”.

“As características das bibliotecas públicas e dos seus trabalhadores atribuem-lhes especial importância na ajuda às populações, como locais abertos a todos, gratuitos e seguros e onde os profissionais podem apoiar as populações na procura de informação relevante e na utilização dos equipamentos informáticos”, realçou.

Em muitos municípios, as bibliotecas públicas foram os primeiros locais a disponibilizar-se para prestar serviços às populações para carregar telemóveis e computadores, aceder à Internet, ter um espaço para trabalhar, estudar, contactar familiares ou ainda, simplesmente, como um local confortável para estar face às tempestades, assegurou o responsável.

“Várias bibliotecas também adaptaram os seus horários de funcionamento para melhor responderem à procura e tentaram estar alinhadas com as estratégias municipais”, acrescentou.

Esse foi o caso da Biblioteca Municipal de Pombal que, devido à procura, alargou o horário de funcionamento para o período das 09:00 às 20:00, sem interrupções, de segunda-feira a sábado, segundo a directora.

Lusa

Deslizamento de terra obriga à retirada de 13 pessoas em Leiria

Um deslizamento de terra hoje de madrugada obrigou à retirada de 13 pessoas, em São Romão, no concelho de Leiria, disse à agência Lusa o vereador da Protecção Civil, que revelou que uma outra habitação está a ser monitorizada.

“Verificou-se um deslizamento de terras numa das encostas de São Romão. Retirámos, até ao momento, 13 pessoas. E já estamos a proceder a vistorias para notificar os proprietários, que é uma parte privada, para também procedermos às reparações necessárias”, explicou Luís Lopes.

Segundo o vereador, um dos objectivos é repor o acesso às habitações todas, porque “algumas ficaram muito condicionadas por parte de um caminho que foi também muito danificado”.

As 13 pessoas retiradas viviam nas habitações por baixo de uma encosta, mas a Protecção Civil está a monitorizar uma outra habitação na parte superior do talude.

“Estamos a verificar a sua estabilidade, uma vez que uma parte das fundações ficou à mostra e temos de ter a certeza de que não há dano estrutural que possa colocar em causa os moradores”, acrescentou.

Luís Lopes explicou que se tratou de “um movimento de massas considerável”, que envolve “umas toneladas valentes de terras que se movimentaram”, pelo que “ainda vai levar alguns dias até se conseguir repor”.

O autarca salientou que “as condições meteorológicas não têm sido nada favoráveis e a acumulação de água nos solos tem contribuído para este tipo de situações”.

Esperando que nos próximos dias a situação meteorológica melhore, Luís Lopes espera que seja possível realizar uma “intervenção para repor alguma normalidade e as pessoas poderem regressar o mais rápido possível às suas casas”.

Lusa

Diário de Notícias
Susete Henriques, Sofia Fonseca
13.02.2026

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235: Depressão Nils traz chuva e vento fortes apesar de não afectar directamente Portugal. 46 mil clientes sem luz

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🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // DEPRESSÃO NILS

Prevê-se que a chuva persistente vai continuar a atingir, nos próximos dias, o continente, sobretudo no Norte e Centro, zonas onde já se verifica um excesso de acumulação de água devido ao mau tempo.

Danos numa estrada em Arruda dos Vinhos, na sequência do mau tempo
Foto. Reinaldo Rodrigues

Município de Leiria pede doação urgente de telhas

O Município de Leiria apelou hoje para a doação urgente de telhas, material necessário para a reconstrução de casas afectadas pela depressão Kristin.

Numa nota de imprensa, a Câmara salienta que as telhas são “indispensáveis para dar resposta às necessidades de reconstrução das habitações afectadas pelos danos provocados pela depressão Kristin”.

Segundo a autarquia, agora são prioritárias “telhasol 10 e 12, telhões para telhasol, telha Marselha antiga, telha Margon Juncal (esquerda e direita), telha Umbelino Monteiro, telha CS – modelo F2 e telhões para telha CS”.

A Câmara salienta que “a entrega destes materiais, desde que em bom estado de conservação, é fundamental para permitir uma resposta eficaz aos pedidos de apoio apresentados pelos munícipes”.

A entrega deve ser feita no Armazém Solidário, localizado no Mercado do Falcão, junto ao aeródromo de Leiria, diariamente entre as 09:00 e as 17:00, local que também é de recolha de outros “materiais de construção, assegurando o apoio direto às famílias nos trabalhos de reconstrução das suas habitações”.

Os munícipes que necessitem de apoio podem dirigir-se ao Armazém Solidário, por onde passaram já cerca de quatro mil pessoas, para pedir materiais.

À agência Lusa, o vereador Carlos Palheira adiantou que a Câmara está com alguma dificuldade em ter aquele tipo de telhas e telhões, referindo que já adquiriu e também tem apelado à solidariedade de empresas, que têm oferecido.

“Quem tem telhas em casa e não as consegue fazer chegar, pelo menos sinalize o modelo de telha e diga onde é que estão, que nós vamos tentar encontrar forma de ir buscá-las à casa das pessoas, caso seja uma necessidade o modelo em questão”, adiantou Carlos Palheira.

O autarca agradeceu a todos os que têm doado telhas, “um gesto de solidariedade imensa”, destacando que “contribuem, de alguma forma para o bem-estar de pessoas”.

Lusa

E-Redes com 46 mil clientes sem energia às 16:00

Um total de 46 mil clientes da E-Redes, em Portugal continental, continua sem abastecimento de energia eléctrica devido aos danos provocados pelo mau tempo na rede de distribuição, desde 28 de Janeiro, informou hoje a empresa.

Num balanço com dados actualizados às 16:00, a empresa contabiliza 46 mil clientes por alimentar em todo o território continental, dos quais “cerca de 35 mil clientes na zona da depressão Kristin”.

Destes 35 mil clientes, 27 mil estão localizados no distrito de Leiria, o mais afectado com a falta de energia eléctrica, sete mil no distrito de Santarém e mil no distrito de Castelo Branco.

Anteriormente a empresa tinha indicado que pelas 08:00 estavam sem energia eléctrica 41 mil clientes, “sendo que nas zonas mais críticas” as avarias decorrentes da depressão Kristin totalizavam 35 mil clientes.

Leiria já era o distrito mais afectado, com 26 mil clientes sem energia, seguido de Santarém com seis mil clientes, Castelo Branco com dois mil e Coimbra com mil.

Os clientes da E-Redes correspondem a “pontos de entrega de energia” como habitações, empresas ou lojas com ligação eléctrica, sendo assim difícil quantificar o número de pessoas que estão a ser afectadas, ainda de acordo com a empresa.

Lusa

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) alertou hoje que são esperados, na quarta-feira, chuva e vento por vezes fortes devido à depressão Nils, que não irá afectar directamente Portugal continental.

Num comunicado, o IPMA refere que o continente português “não será influenciado directamente pela depressão Nils”, que “tem associado um sistema frontal que transporta uma massa de ar quente e húmido para a Península Ibérica”.

“Assim, para dia 11 está prevista chuva persistente e por vezes forte nas regiões Norte e Centro, sendo menos intensa na região Sul”, acrescenta o instituto.

De acordo com o IPMA, o vento irá soprar por vezes forte, com rajadas até 75 km/h, podendo atingir 100 km/h nas terras altas, em particular nas regiões a norte do rio Mondego.

Quanto à agitação marítima, “continua forte na costa ocidental”, prevendo-se ondas de noroeste com 4 a 6 metros de altura significativa, podendo atingir 11 metros de altura máxima a norte do Cabo Mondego.

O IPMA já emitiu avisos amarelo e laranja para chuva, vento e agitação marítima.

Estão com aviso laranja devido à previsão de chuva “persistente e por vezes forte” os distritos de Coimbra, Viseu, Porto, Vila Real, Viana do Castelo, Aveiro e Braga.

Lusa

Depressão Nils: “Seremos influenciados, mas a severidade será menor do que a da Marta”, diz o IPMA

Nuno Lopes, meteorologista do IPMA, afirma que a Nils terá em Portugal um impacto inferior ao da depressão Marta — “com a Kristin não há comparação possível”. Alerta para chuva “por persistência”, a norte e centro, e para o risco de deslizamentos de terras, já que “os solos estão muito fragilizados”

Município de Leiria pede doação urgente de telhas

O Município de Leiria apelou hoje para a doação urgente de telhas, material necessário para a reconstrução de casas afectadas pela depressão Kristin.

Numa nota de imprensa, a Câmara salienta que as telhas são “indispensáveis para dar resposta às necessidades de reconstrução das habitações afectadas pelos danos provocados pela depressão Kristin”.

Segundo a autarquia, agora são prioritárias “telhasol 10 e 12, telhões para telhasol, telha Marselha antiga, telha Margon Juncal (esquerda e direita), telha Umbelino Monteiro, telha CS – modelo F2 e telhões para telha CS”.

A Câmara salienta que “a entrega destes materiais, desde que em bom estado de conservação, é fundamental para permitir uma resposta eficaz aos pedidos de apoio apresentados pelos munícipes”.

A entrega deve ser feita no Armazém Solidário, localizado no Mercado do Falcão, junto ao aeródromo de Leiria, diariamente entre as 09:00 e as 17:00, local que também é de recolha de outros “materiais de construção, assegurando o apoio directo às famílias nos trabalhos de reconstrução das suas habitações”.

Os munícipes que necessitem de apoio podem dirigir-se ao Armazém Solidário, por onde passaram já cerca de quatro mil pessoas, para pedir materiais.

À agência Lusa, o vereador Carlos Palheira adiantou que a Câmara está com alguma dificuldade em ter aquele tipo de telhas e telhões, referindo que já adquiriu e também tem apelado à solidariedade de empresas, que têm oferecido.

“Quem tem telhas em casa e não as consegue fazer chegar, pelo menos sinalize o modelo de telha e diga onde é que estão, que nós vamos tentar encontrar forma de ir buscá-las à casa das pessoas, caso seja uma necessidade o modelo em questão”, adiantou Carlos Palheira.

O autarca agradeceu a todos os que têm doado telhas, “um gesto de solidariedade imensa”, destacando que “contribuem, de alguma forma para o bem-estar de pessoas”.

Lusa

E-Redes com 46 mil clientes sem energia às 16:00

Um total de 46 mil clientes da E-Redes, em Portugal continental, continua sem abastecimento de energia eléctrica devido aos danos provocados pelo mau tempo na rede de distribuição, desde 28 de Janeiro, informou hoje a empresa.

Num balanço com dados actualizados às 16:00, a empresa contabiliza 46 mil clientes por alimentar em todo o território continental, dos quais “cerca de 35 mil clientes na zona da depressão Kristin”.

Destes 35 mil clientes, 27 mil estão localizados no distrito de Leiria, o mais afectado com a falta de energia eléctrica, sete mil no distrito de Santarém e mil no distrito de Castelo Branco.

Anteriormente a empresa tinha indicado que pelas 08:00 estavam sem energia eléctrica 41 mil clientes, “sendo que nas zonas mais críticas” as avarias decorrentes da depressão Kristin totalizavam 35 mil clientes.

Leiria já era o distrito mais afectado, com 26 mil clientes sem energia, seguido de Santarém com seis mil clientes, Castelo Branco com dois mil e Coimbra com mil.

Os clientes da E-Redes correspondem a “pontos de entrega de energia” como habitações, empresas ou lojas com ligação eléctrica, sendo assim difícil quantificar o número de pessoas que estão a ser afectadas, ainda de acordo com a empresa.

Lusa

Depressão Nils traz chuva e vento fortes apesar de não afectar directamente Portugal

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) alertou hoje que são esperados, na quarta-feira, chuva e vento por vezes fortes devido à depressão Nils, que não irá afectar directamente Portugal continental.

Num comunicado, o IPMA refere que o continente português “não será influenciado directamente pela depressão Nils”, que “tem associado um sistema frontal que transporta uma massa de ar quente e húmido para a Península Ibérica”.

“Assim, para dia 11 está prevista chuva persistente e por vezes forte nas regiões Norte e Centro, sendo menos intensa na região Sul”, acrescenta o instituto.

De acordo com o IPMA, o vento irá soprar por vezes forte, com rajadas até 75 km/h, podendo atingir 100 km/h nas terras altas, em particular nas regiões a norte do rio Mondego.

Quanto à agitação marítima, “continua forte na costa ocidental”, prevendo-se ondas de noroeste com 4 a 6 metros de altura significativa, podendo atingir 11 metros de altura máxima a norte do Cabo Mondego.

O IPMA já emitiu avisos amarelo e laranja para chuva, vento e agitação marítima.

Estão com aviso laranja devido à previsão de chuva “persistente e por vezes forte” os distritos de Coimbra, Viseu, Porto, Vila Real, Viana do Castelo, Aveiro e Braga.

Lusa

Alvaiázere ainda com “muitas centenas” de casas sem luz

O concelho de Alvaiázere, no distrito de Leiria, terá ainda “muitas centenas, se não milhares” de habitações sem luz, alertou hoje o presidente da Câmara, defendendo mais meios no terreno para resolver as ligações de baixa tensão.

“Enquanto nós estávamos a trabalhar mais na média tensão, tínhamos noção de quantos clientes é que aqueles postos abasteciam. Agora, diria que pelo número de reclamações que estamos a ter, temos muitas centenas se não alguns milhares de habitações ainda por fazer a ligação à rede eléctrica”, afirmou à agência Lusa João Guerreiro.

Apesar de os problemas de média tensão estarem resolvidos, o autarca explicou que falta fazer as ligações a habitações, num concelho com centenas de quilómetros de linhas de baixa tensão afectadas.

“Não é fácil explicar às pessoas porque é que o vizinho tem e eles não têm, porque é que já existe iluminação pública e a casa deles não tem. São questões técnicas que estamos a tentar ultrapassar e dar resposta o mais rapidamente possível”, aclarou.

Perante a situação de pessoas que estão há 14 dias sem luz, João Guerreiro salientou que o município pediu à E-Redes “disponibilização de mais equipas de baixa tensão” para resolver os vários problemas que existem no terreno, considerando que os recursos, neste momento, são escassos.

“O que precisamos muito, muito nesta altura são equipas de baixa tensão para fazer estas últimas ligações porque sem elas muitas habitações e algumas empresas não têm acesso à electricidade”, vincou, referindo que, neste momento, o concelho tem apenas três equipas de baixa tensão a trabalhar.

Se se mantiverem apenas três equipas de baixa tensão, o autarca acredita que em vez de falar de dias para resolver os problemas ainda existentes terá de pensar em semanas, numa altura em que a frustração de quem está sem luz continua a acumular-se.

“Vamos ter aqui alguns casos em que estaremos a falar de semanas, porque são territórios bastante dispersos, em que às vezes uma linha que alimenta três ou quatro casas está atingida em cinco ou seis pontos e tem 10 quilómetros de linha”, notou.

O autarca, que antes de falar com a Lusa atendia ao pedido de um munícipe de 91 anos que lhe perguntava porque é que ainda não tinha luz, contou que há “pessoas isoladas, idosas, que estão desesperadas com a situação”.

Além de no passado ter havido riscos de queda de telhados e de intoxicação por monóxido de carbono face à passagem da depressão Kristin, João Guerreiro alertou para os riscos que agora surgem com linhas de baixa tensão em carga.

Segundo o presidente da Câmara de Alvaiázere, a intervenção de emergência nas habitações afectadas já foi feita “em quase todas as casas”, o abastecimento de água está assegurado e as comunicações começam a recuperar, “embora ainda com algumas falhas”.

Lusa

Pescadores algarvios impedidos de ir ao mar passam dificuldades

Os pescadores algarvios debatem-se com a falta de rendimentos provocada pelo mau tempo, que os tem impedido de ir ao mar, agravada por subsídios do ano passado que ainda não chegaram, disseram à Lusa responsáveis do sector.

“O certo é que já são quatro semanas em que os barcos não vão ao mar e as famílias não têm maneira de ter rendimento, havendo situações já muito complicadas”, afirmou a responsável pela Associação de Armadores de Pesca da Fuseta, no concelho de Olhão.

Em declarações à Lusa, Sónia Olim lembrou que esta é a única forma de subsistência destes profissionais e que se os pescadores não conseguem trabalhar, também não têm rendimentos: “Não vendendo, não têm com o que viver”, lamentou.

Para complicar ainda mais a situação, acrescentou a responsável, ainda não foi sido distribuído o fundo de compensação salarial devido pelo período de defeso à pesca do polvo, de meados de Setembro a meados de Outubro do ano passado.

“Esse subsídio dava para as muitas famílias que estão a passar por dificuldade aguentarem pelo menos este mês de mau tempo”, afirmou Sónia Olim.

A Associação de Armadores de Pesca da Fuseta tem mais de 80 associados, na sua maior parte com pequenas embarcações que levam em média três pescadores.

Miguel Cardoso, responsável pela Olhão Pesca, uma outra associação de produtores do mesmo concelho do distrito de Faro, concorda que “a resposta das autoridades não é tão rápida” como os beneficiários gostariam.

“Estamos a falar com o Governo para ver as ferramentas de ajuda que há e aguardamos com muita expectativa por uma resposta”, disse aquele responsável à Lusa.

Miguel Cardoso admite que durante o inverno a situação dos pescadores é “sempre complicada”, mas este ano, “desde 16 de Janeiro que já houve quatro tempestades, o que impediu os barcos de pesca exercerem a sua actividade”.

A falta de actividade pesqueira afecta também os negócios ligados às lotas, de distribuição e de restauração, porque não há peixe para vender e o pouco que há está mais caro.

Lusa

Caudal do Mondego registava mais de 1.700 metros cúbicos por segundo às 14:00

O caudal do rio Mondego na ponte-açude de Coimbra registava, pelas 14:00 de hoje, 1.741 metros cúbicos por segundo (m3/s), um dos maiores valores desde que as inundações atingem, há mais de uma semana, o Baixo Mondego.

No início da passada semana, os caudais que passam no açude-ponte – onde o rio Mondego entra no trajecto canalizado que vai de Coimbra à Figueira da Foz – chegaram a ultrapassar os 1.800 m3/s, mas numa altura em que não chovia e em que os campos agrícolas estavam longe da inundação que agora se verifica.

A meio da tarde de domingo, o caudal que sai (efluente) da Ponte-Açude, começou a baixar, dos 1.507 m3/s até aos 1.264 m3/s (menos 243 mil litros por segundo) registados às 14:00 de segunda-feira, segundo dados do portal Info Água, consultados pela agência Lusa.

No entanto, nas últimas 24 horas e praticamente sem que a chuva, embora fraca, desse tréguas, o caudal voltou a subir, cifrando-se, pelas 14:00 de hoje, nos 1.741 m3/s (mais 477 mil litros por segundo) face à mesma hora de segunda-feira.

Acresce que os descarregadores da margem direita do Mondego – três infra-estruturas da obra hidráulica do rio, que permitem retirar água do canal principal para os campos agrícolas – estavam hoje a funcionar, embora não na plenitude, revelam imagens captadas no local.

A água descarregada do canal principal acaba por acumular e correr para jusante, em direcção ao leito abandonado do Mondego e valas de drenagem, sendo parcialmente responsável pelo isolamento da povoação da Ereira há uma semana e por alguma água acumulada no centro de Montemor-o-Velho.

Segundo a mesma fonte de dados, a bacia do Mondego voltou hoje a estar em situação de alerta de cheias – o menos gravoso de dois níveis, sendo o mais grave a situação de risco – embora com quatro episódios a montante de Coimbra a merecerem atenção.

Um desses episódios acontece na estação hidrométrica da Ponte do Cabouco, no rio Ceira (afluente da margem esquerda do Mondego), registava, pelas 16:00, 4,47 metros de altura de água (bem acima do mínimo de 3 metros do nível de risco) e um caudal de 193 m3/s.

Também no nível de risco estavam a ponte da Conraria, no mesmo rio, situada a pouco mais de um quilómetro da foz do Ceira, cuja altura de água se situava, pelas 16:15, nos 6,46 metros (1,46 metros acima do nível mínimo de risco de 5 metros) e um caudal de 471 m3/s, que estará a provocar uma pressão acrescida ao caudal da ponte-açude de Coimbra.

Já a ponte de Santa Clara, na baixa de Coimbra, voltou hoje à situação de risco, apresentando, pelas 16:00, um caudal com 3,88 metros de altura.

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) tem vindo a fazer uma gestão de cheia controlada, aplaudida em geral, no Baixo Mondego, por agricultores e autarcas, no sentido de evitar que as margens do Mondego quebrem, o que sucedeu em 2001 com resultados catastróficos e, mais recentemente, em 2019, com uma cheia limitada à margem direita.

No entanto, continua a existir o risco de os diques direito ou esquerdo do canal principal do rio poderem rebentar, face à pressão que a água exerce naquelas infra-estruturas e o tempo decorrido desde o início desta crise – cerca de 10 dias – com caudais médios da ordem dos 1.500 m3/s.

Lusa

Novas inundações em Soure devido à subida dos rios

O concelho de Soure voltou hoje a registar inundações devido à subida do caudal dos rios e a localidade de Sobral ficou parcialmente isolada, disse o presidente da Câmara.

Hoje, a situação no concelho “está pior, com os níveis de cheia muito altos”, e, na localidade de Sobral, “foram os Fuzileiros a levar as crianças para a escola”.

“Nos outros sítios estamos a conseguir fazer [o transporte] com alternativas terrestres. No Sobral é que temos algumas situações em que as casas estão mesmo isoladas no meio da água. Só mesmo com os botes”, afirmou Rui Fernandes à agência Lusa, realçando que apenas “algumas casas” da localidade estão isoladas.

Os rios Arunca e Anços “subiram outra vez” hoje, verificando-se inundações no centro da vila de Soure, disse o autarca, notando que a situação das povoações à volta do rio Mondego é também “muito difícil”.

“Cada vez são mais as estradas cortadas”, salientou.

A autarquia está a avaliar a retirada de uma pessoa devido aos danos na cobertura de uma casa na localidade de Gabrieis, que não foi possível reparar.

De acordo com Rui Fernandes, a previsão é a de que a situação piore, face às notícias que chegam do rio Mondego, com o reporte de um caudal no rio Ceira “que as pessoas nunca viram”.

“Temos muita chuva e vamos manter o Anços e o Arunca a subir também. A previsão para as próximas horas é de agravamento e, para complicar as coisas mais, parece que na quarta-feira ainda temos muita chuva”, concluiu.

Lusa

Cheia no Baixo Mondego poderá impedir produção de arroz

A situação de cheia que dura há mais de uma semana no Baixo Mondego, com cerca de 6.000 hectares inundados, poderá impedir a produção de arroz, cuja sementeira começa em Abril, perdendo-se 30 mil toneladas daquele cereal.

A previsão foi feita à agência Lusa por José Pinto Costa, um dos maiores produtores de arroz do Baixo Mondego, que, olhando para a eventual subida dos custos de produção, acrescidos dos investimentos necessários para fazer face aos prejuízos das cheias e da depressão Kristin, admitiu a possibilidade de não avançar, este ano, para a sementeira, por poder não compensar.

“Quanto mais tarde instalarmos a cultura, menor vai ser a produção média por hectare, a perspectiva das 30 mil toneladas pode cair para as 20 mil. E já sabemos que os custos de produção vão aumentar novamente e, portanto, ponderamos seriamente se vale a pena ir para o terreno ou não”, frisou o empresário agrícola da freguesia de Maiorca, concelho da Figueira da Foz.

“Estamos a fazer as nossas contas e a ponderar seriamente se vale a pena avançar com a cultura do arroz na próxima campanha”, reafirmou José Pinto Costa.

A água acumulada nos campos agrícolas – que, em alguns locais, ultrapassa dois metros de altura – vai fazer com as culturas sejam instaladas “muito mais tarde” no terreno, antecipando “graves problemas” na campanha do arroz que começa em Abril.

Para além das inundações, observou que há agricultores com armazéns danificados pela passagem da depressão Kristin, e que têm os terrenos “totalmente inundados, sem saberem daqui por quanto tempo podem entrar nas suas propriedades agrícolas”.

“E as infra-estruturas de rega e de drenagem não sabemos o que acontece e em que estado estarão quando a água descer”, vincou o também presidente da Associação de Beneficiários da Obra de Fomento Hidroagrícola do Baixo Mondego.

“Está um cenário futuro bastante complicado. De há dois anos para cá vimos a perder rendimento, há dois anos perdemos 25%, o ano passado voltámos a perder, e agora, com estas perspectivas, com este cenário que temos, não sabemos o que vai acontecer”, argumentou José Pinto Costa.

Do lado do milho, mas também dos produtos horto-frutícolas – as três principais culturas do Baixo Mondego – a situação é idêntica: Armindo Valente já produziu arroz, mas, de há uns anos para cá, aposta apenas no milho, planta cuja cultura se inicia em finais de Março, princípios de Abril.

Depois há ainda problemas na batata, cultura habitualmente instalada em finais deste mês, início de Março, e cujos agricultores “estão sem saber o que fazer” e “sem condições”, face a tanta água nos campos.

Com décadas de experiência na agricultura, Armindo Valente é uma das vozes mais conhecedoras e respeitadas na planície agrícola. O também vice-presidente da associação de regantes considerou ser ainda prematuro antecipar o que sucederá face à situação de cheia que teima em não largar o Baixo Mondego, avisando, no entanto, que “se isto continuar mais uma semana ou duas, a situação leva a que não se consiga entrar em algumas zonas dos arrozais”.

“O arroz [os terrenos onde se cultiva] está praticamente todo debaixo de água. Como são os terrenos com cotas mais baixas, são os que têm neste momento mais água. Ninguém sabe o que vai acontecer, mas isto pode pôr em causa a produção no Baixo Mondego e não só no arroz”, avisou.

“Está toda a gente à espera que venha o bom tempo e isto se resolva, mas a situação começa a ser preocupante para algumas culturas”, antecipou Armindo Valente.

A inundação dos campos afecta o vale central do Mondego, na margem direita do rio, mas também os vales secundários da margem esquerda, por onde correm os rios Ega, Arunca e Pranto, nos concelhos de Montemor-o-Velho, Soure e Figueira da Foz, distrito de Coimbra.

A única zona que não está totalmente coberta de água são os campos agrícolas localizados mais perto de Coimbra, embora, também aí, as preocupações cresçam.

“Aqui mais a montante, a situação poderá ser menos gravosa, mas também está a ficar tudo cheio de água”, notou João Grilo, produtor de arroz e milho, com uma propriedade de cerca de 100 hectares, localizada entre São Martinho da Árvore e São Silvestre, no concelho de Coimbra.

Por estes dias, João Grilo, que também preside à Associação de Agricultores do Vale do Mondego, vai olhando as infra-estruturas adjacentes ao canal principal do Mondego – como os três descarregadores da margem direita que voltaram a lançar água para os campos.

“Temos de deixar passar isto [as cheias]. Mas já sabemos que mais custos vão existir, estamos a viver tempos muito difíceis e sem rendimento nenhum, não sabemos se vamos ter capacidade de semear ou não. O que sabemos é que vai ter de existir um antes e um depois desta situação no Baixo Mondego”, enfatizou.

Cauteloso, João Grilo, aguarda para perceber a dimensão dos prejuízos: “Só depois das águas baixarem e ficar tudo a nu, é que vamos ver”, defendeu.

Também hoje, em comunicado, a Associação Distrital dos Agricultores de Coimbra (ADACO) considerou que os prejuízos causados pelas tempestades na agricultura e floresta “foram avultados”, sendo que na horticultura, “ultrapassam o meio milhão de euros”, para além de destruição de telhados de armazéns agrícolas, de dezenas de estufas, assim como milhares de árvores e oliveiras arrancadas.

A ADACO disse ser “urgente o rápido levantamento dos prejuízos junto dos agricultores”, a simplificação dos processos administrativos e que as indemnizações e apoios cheguem aos destinatários de forma célere, defendendo apoios a fundo perdido por parte do Governo.

Lusa

Primeiro-ministro responde quarta-feira no parlamento sobre actuação do Governo

O primeiro-ministro regressa na quarta-feira ao parlamento para um debate quinzenal que deverá ficar marcado pela resposta do Governo às consequências do mau tempo que causou 15 mortes nas últimas duas semanas.

Com parte do país (68 concelhos) em situação de calamidade até domingo, Luís Montenegro responderá, pela primeira vez, na Assembleia da República à oposição, que criticou a actuação do executivo, sobretudo na fase inicial de resposta à depressão Kristin, com vários partidos a pedirem a demissão da ministra da Administração Interna.

Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de Janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

O debate quinzenal realiza-se ainda três dias depois da eleição do novo Presidente da República, o antigo secretário-geral do PS António José Seguro, que venceu com quase 67% e 3,48 milhões de votos, quando faltam votar 20 freguesias, de oito municípios, que pediram o adiamento do sufrágio para o próximo domingo devido ao mau tempo.

O outro candidato, o presidente do Chega, André Ventura, obteve mais de 1,7 milhões de votos (cerca de 33%), o que o levou a auto-intitular-se no domingo “líder da direita.

Já o primeiro-ministro defendeu no domingo que “nada mudou” para a governação com esta eleição presidencial e insistiu, por várias vezes, que se abre agora um período de 3,5 anos sem eleições nacionais, referindo-se ao final previsto da legislatura, no outono de 2029.

O debate quinzenal abrirá com uma intervenção inicial de Luís Montenegro, e André Ventura – que retomará o mandato de deputado que suspendeu durante a campanha – será o primeiro a questionar o chefe do Governo, seguindo-se PS, IL, Livre, PCP, BE, PAN, JPP, antes das bancadas que suportam o Governo, CDS-PP e PSD.

Sobre a resposta ao mau tempo, o primeiro-ministro tem defendido que o Governo fez tudo o que era possível desde o início e que este ainda não é o momento de fazer a avaliação do executivo, mas de responder às situações de emergência no terreno.

Nas duas últimas semanas, o Governo realizou dois Conselho de Ministros centrados na resposta ao mau tempo – um extraordinário, a 01 de Fevereiro, onde aprovou os primeiros apoios a famílias e empresas, quer para ajuda à subsistência quer à reconstrução das habitações e fábricas destruídas, que o primeiro-ministro estimou totalizaram 2,5 mil milhões de euros.

Na quinta-feira passada, além de ter sido prolongada a situação de calamidade até ao próximo domingo, foi formalizada a isenção de portagens em alguns trechos de autoestradas das zonas afectadas pelo mau tempo e aprovado um regime jurídico excepcional e transitório de simplificação administrativa e financeira destinado a viabilizar a reconstrução e reabilitação, sem controlo administrativo prévio.

A ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, tem sido o alvo preferencial das críticas da oposição – com vários partidos a pedirem a sua substituição no Governo -, mas estas estenderam-se a outros membros do executivo na gestão da crise, como o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, o da Defesa Nacional, Nuno Melo, ou o da Economia e da Gestão Territorial, Manuel Castro Almeida.

O último debate quinzenal com o primeiro-ministro no parlamento realizou-se a 21 de janeiro, dominado pelo tema das presidenciais, e o próximo já está marcado para 25 deste mês.

Lusa

Diário de Notícias
Susete Henriques, Sofia Fonseca, David Pereira
10.02.2026

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- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).

 

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233: Mau tempo. Gouveia e Melo considera que MAI deveria pedir exoneração, entre críticas ao improviso

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🇵🇹 PORTUGAL // GOUVEIA E MELO // MAU TEMPO // GOVERNO

O ex-candidato à Presidência da República considera que o Governo falhou na organização da resposta às populações afectadas pelo mau tempo, realçando que a ministra da Administração Interna deveria pedir a exoneração. Defende uma estrutura de missão e uma espécie de “Plano Marshall” regional. Num artigo de opinião publicado esta terça-feira no jornal Público, intitulado “Estado do improviso”, Henrique Gouveia e Melo diz que “houve falhas no planeamento, no aviso antecipado, nos alertas claros à população, na comunicação do perigo e no aconselhamento prático do que deveria ser feito“.

O ex-candidato à Presidência da República considera que o Governo falhou na organização da resposta às populações afectadas pelo mau tempo, realçando que a ministra da Administração Interna deveria pedir a exoneração. Defende uma estrutura de missão e uma espécie de “Plano Marshall” regional.
© José Sena Goulão – Lusa

O ex-chefe do Estado-Maior da Armada considera que o “Estado falhou” e que o “Governo é, perante os cidadãos, responsável pela resposta do Estado e terá, necessariamente, de tirar consequências políticas do que aconteceu”.

“O primeiro-ministro deve reflectir se, perante a evidente falta de preparação e capacidade da ministra da Administração Interna, esta tem condições para permanecer no lugar. Parecer-me-ia adequado que a senhora ministra pedisse, por sua própria iniciativa, a sua exoneração — a bem do Governo e do país”, sublinhou.

“Portugal deve abandonar lógicas corporativas dentro do Estado e atribuir funções às entidades com mais preparação e capacidade para agir em desastres e crises”, advoga.

A Protecção Civil tem de ser remodelada de alto a baixo: deve ser fortemente profissionalizada, liberta de clientelas políticas e verdadeiramente capacitada”, disse, lembrando que num outro artigo, no verão passado, propôs a criação, nas Forças Armadas, de uma grande unidade, ou mesmo um novo ramo, dedicado à protecção civil”.

Na opinião de Gouveia e Melo, o primeiro-ministro tem de criar uma ‘task force‘, ou uma Estrutura de Missão, mas na sua dependência directa, para colocar todos os ministérios a trabalhar de forma efectivamente coordenada, com unidade de propósito e comando.

“As tarefas de organização, coordenação, comunicação e liderança devem estar sob a dependência directa dessa estrutura de crise. Deve ser criada uma estrutura logística de apoio, com um nível central de coordenação e concentração, que alimente postos desconcentrados de resposta junto das populações afectadas”, disse.

Gouveia e Melo considerou, entre outros, que devem ser accionados todos os mecanismos de solidariedade e financiamento comunitário, produzida legislação adequadas para responder às consequências negativas das tempestades.

“Devemos criar um ‘Plano Marshall’ regional e localizado, que recupere e desenvolva “, disse.

Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de Janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

c/Lusa

RTP
10.02.2026

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Protecção Civil eleva estado de prontidão para o nível máximo. Montenegro prevê “grande desafio” esta semana

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🇵🇹 PORTUGAL // DEPRESSÃO LEONARDO // PROTECÇÃO CIVIL

Quando ainda se tenta recuperar do rasto de destruição devido à tempestade Kristin, país começa esta terça-feira a sentir os efeitos da depressão Leonardo: mais chuva, vento forte e agitação marítima

Marcelo Rebelo de Sousa recebeu o primeiro-ministro Luís Montenegro no Palácio de Belém.
FOTO: FILIPE AMORIM/LUSA

Pescadores têm fundo de compensação e Governo estuda novo apoio para aquacultura

O Governo esclareceu hoje que os pescadores podem recorrer ao fundo de compensação salarial face ao mau tempo e adiantou estar a avaliar, para a aquacultura, um apoio para a compra de equipamentos destinados a requalificar unidades destruídas.

“No que respeita aos pescadores, é possível recorrer ao Fundo de Compensação Salarial dos Profissionais da Pesca (FCSPP), um mecanismo que apoia financeiramente pescadores e armadores com actividade suspensa por motivos excepcionais, como mau tempo ou gestão de recursos”, indicou o Ministério da Agricultura e Mar, em resposta à Lusa, acrescentando que estão a ser analisados apoios complementares.

O município da Nazaré pediu esclarecimentos à Secretaria de Estado das Pescas e do Mar quanto à não inclusão das actividades piscatórias e de aquacultura nos apoios anunciados na sequência da depressão Kristin.

Numa solicitação dirigida ao secretário de Estado das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro, o presidente da Câmara da Nazaré, Serafim António, questionou “as razões que justificam esta exclusão, da comunicação pública relativa aos apoios financeiros extraordinários destinados a mitigar os prejuízos provocados pelas recentes intempéries”.

À Lusa, o Ministério da Agricultura e Mar assegurou que as empresas do sector podem recorrer ao conjunto de medidas para famílias e empresas afectadas pela depressão Kristin.

O ministério tutelado por José Manuel Fernandes adiantou ainda estar a trabalhar com a autoridade de gestão do Mar 2030 sobre a possibilidade de disponibilizar um apoio para a aquisição de novos equipamentos para requalificar as unidades destruídas.

Lusa

Metropolitano de Lisboa abre três estações a sem-abrigo no período nocturno

O Metropolitano de Lisboa vai manter abertas entre hoje e a madrugada de segunda-feira, no período nocturno, as estações de Santa Apolónia, Oriente e Rossio, para permitir que pessoas em situação de sem-abrigo possam ali pernoitar, devido ao frio.

Numa informação enviada à agência Lusa, fonte do Metropolitano de Lisboa explicou que esta medida se insere “no âmbito do Plano de Contingência para Pessoas em Situação de Sem-Abrigo, visando assegurar uma resposta adequada às condições de frio extremo que actualmente se fazem sentir na cidade de Lisboa”.

Assim, entre hoje e a madrugada de segunda-feira, as pessoas em situação de sem-abrigo poderão pernoitar nas estações de metro de Santa Apolónia (linha Azul), Rossio (linha Verde) e Oriente (linha Vermelha).

Lusa

Banco de Fomento lança 1.500 milhões de euros de crédito para emergências e reconstrução

O Banco de Fomento vai lançar na quarta-feira duas linhas de crédito de emergência de 1.500 milhões de euros dirigidas às empresas afectadas pelas tempestades, para colmatar necessidades imediatas e apoiar a reconstrução de instalações e equipamentos.

A criação das linhas foi anunciada hoje pelo presidente do Banco Português de Fomento (BPF), Gonçalo Regalado, num encontro com jornalistas.

O responsável da instituição adiantou que o prazo para submissão das candidaturas arranca na quarta-feira, estando previsto que a contratação e a liquidez aconteçam a partir de segunda-feira, 09 de Fevereiro.

Ao contraírem os empréstimos através destas linhas, as empresas terão uma isenção de comissão de garantia e das comissões bancárias habitualmente associadas, adiantou.

Os pedidos são submetidos junto do BPF pelos bancos comerciais, através do formulário que ficará disponível a partir de quarta-feira, cabendo às instituições financeiras obter a validação dos empresários para formalizar o empréstimo.

O objectivo das linhas de crédito especiais é assegurar condições de financiamento mais baixas às empresas, uma vez que os bancos concedem os empréstimos através de uma garantia emitida pelo BPF equivalente a 70% ou 80% do financiamento, dependendo da dimensão das empresas.

As linhas agora anunciadas abrangem diversos sectores de actividade, desde a indústria à hotelaria, passando pela restauração ou empresas agrícolas, explicou o presidente executivo do BPF.

Além do financiamento global de 1.500 milhões de euros, o BPF tem previstos 100 milhões de euros que serão convertíveis a fundo perdido (subvenções), explicou.

O apoio com maior valor disponível, para a concessão de empréstimos num valor global de 1.000 milhões de euros, chama-se “linha BPF apoio à reconstrução – investimento” e destina-se a apoiar a construção de instalações, equipamentos, activos biológicos e outras infra-estruturas afectadas.

Para acederem a esta linha, as empresas têm de enviar aos bancos dois documentos: uma declaração de valor de danos (emitida pelas seguradoras ou pelas comissões de coordenação de desenvolvimento regional) ou da avaliação bancária (pelos bancos), e uma declaração de compromisso.

Os bancos comerciais analisam as operações, financiam até 100% dos danos e o BPF emite uma garantia, explicou o presidente executivo.

O financiamento vai até 100% dos danos causados. Se as empresas receberem indemnizações de seguros ou outras compensações relacionadas com os danos financiados os valores abate ao apoio concedido.

A garantia do BPF será de 70% para as grandes empresas e de 80% para as Pequenas e Médias Empresas, referiu. Depois, existe um tecto máximo da garantia a conceder pelo BPF, que não poderá ultrapassar 20% do financiamento total por cada entidade financeira.

Há ainda a possibilidade de converter até 10% do valor concedido a uma empresa a fundo perdido, ao fim de três anos, se as entidades mantiverem a actividade e o emprego (será comparado o numero de trabalhadores entre 2025 e 2028), referiu o responsável do BPF.

As empresas têm dez anos para pagar os créditos, com um período de carência de três anos (até 36 meses) em que podem não reembolsar capital nem juros, explicou o responsável.

A segunda linha chama-se “linha BPF apoio à reconstrução – tesouraria” e pretende financiar necessidades imediatas de liquidez e fundo de maneio indispensáveis, estando previsto um total de 500 milhões de euros.

Neste caso, o prazo de pagamento é de cinco anos e o período sem exigência de reembolso é de 12 meses.

Nesta segunda linha, as micro empresas podem receber até 100 mil euros, as pequenas até 500 mil, as médias até 1,5 milhões de euros e as grandes até 2,5 milhões de euros, disse o presidente do BPF.

Para os financiamentos de tesouraria, o apoio abrange as empresas dos municípios em que seja decretada uma situação de emergência ou calamidade a partir de Janeiro de 2026.

O presidente executivo do banco disse que há pelo menos 120 mil empresas elegíveis, sendo este número variável porque diz respeito apenas às empresas sediadas nos locais afectados, e as empresas com sede noutros locais do país também podem concorrer caso tenham registado perdas nos concelhos afectados pelas tempestades.

Lusa

Protecção Civil eleva estado de prontidão para o nível máximo

O comandante nacional de emergência e protecção civil alertou hoje para a situação meteorológica “muito complexa” prevista para os próximos dias, que obrigou a elevar o estado de prontidão do dispositivo para o nível mais elevado.

“Com base neste quadro meteorológico, o país foi elevado todo para o estado de prontidão especial 4, o mais elevado dos níveis que temos, o que implica 100% da capacidade dos agentes de protecção civil disponível”, afirmou Mário Silvestre, numa conferência de imprensa na sede Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC).

Face à situação meteorológica muito complexa que está prevista, o comandante nacional apelou às populações que tenham em atenção os fenómenos meteorológicos, como chuva e vento forte, agitação marítima com ondas que podem atingir os 11 metros, queda de neve e possibilidade de inundações.

O comandante nacional da Protecção Civil alertou ainda para o risco de lençóis de água nas estradas e e disse que o risco de cheias é sobretudo elevado em Águeda e nas margens dos rios Douro e Tâmega.

Desde o início da tempestade Kristin até às 16:00 de dia 1 foram registadas 12 183 ocorrências, sendo a queda de árvores o principal tipo de ocorrência, e já foram activados 72 planos municipais e três planos distritais de emergência.

Castanheira de Pera estima prejuízos de cinco milhões de euros com 550 habitações afectadas

O presidente do Município de Castanheira de Pera, no norte do distrito de Leiria, estimou hoje em cinco milhões de euros os prejuízos no concelho após a depressão Kristin, que provocou danos em 550 habitações.

“São cerca 600 infra-estruturas e habitações com danos, estamos agora a fazer o levantamento mais exaustivo, porque a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro pediu. E estimamos prejuízos de cerca de cinco milhões de euros”, disse à agência Lusa António Henriques.

“Os danos são em estradas, edifícios municipais, danos em património natural, nomeadamente ribeira de Pera, e Praia das Rocas”, declarou António Henriques, destacando que o número de habitações afectadas é de 550.

Segundo o autarca, “a zona sul do concelho foi praticamente toda afectada por esta intempérie”.

Quanto aos serviços essenciais, a falta de água foi pontual no concelho.

“Ao nível das telecomunicações, as três operadoras estão a funcionar desde domingo, embora, de vez em quando, haja alguma falha”, declarou, referindo que 95% do território tem energia eléctrica.

O presidente da Câmara destacou o trabalho dos operacionais que estão no terreno, desde a Protecção Civil, funcionários municipais e de instituições particulares de solidariedade social, bombeiros, sapadores florestais e pessoas que trabalham nas infra-estruturas eléctricas e de comunicações.

“Tem sido um trabalho que tem permitido minimizar o impacto, que é grande, da intempérie”.

A autarquia anunciou, entretanto, a criação de um banco de telhas gratuitas, no estaleiro municipal, que começa a funcionar na quarta-feira, entre as 09:00 e as 17:30.

Aos munícipes que necessitem, a autarquia pede que levem um exemplar ou informação do tipo de telha que precisem.

“No local, deverá ser solicitada exclusivamente a quantidade necessária de telhas”, adiantou, explicando que, “posteriormente, técnicos da Câmara Municipal deslocar-se-ão às habitações para verificar se a quantidade de materiais utilizada corresponde ao solicitado, de forma a evitar pedidos indevidos ou excedentes”.

Em caso de os cidadãos não terem meios para transportar as telhas até casa, haverá apoio dos técnicos.

“O apoio está limitado ao ‘stock’ existente e os materiais serão entregues apenas no local indicado, por ordem de chegada”, esclareceu o município, pedindo às pessoas que tenham telhas para doar que o façam no estaleiro naquele horário.

Lusa

Montenegro: “Esta semana será um grande desafio. Quinta-feira e domingo serão dias difíceis”

Luís Montenegro perspectivou mais uma semana difícil no que concerne ao mau tempo e os seus efeitos, garantindo que tudo está a ser feito para minimizar os estragos.

“Estamos a fazer o maior esforço possível para a normalidade regressar à vida das pessoas. ainda há muitas que estão sem energia eléctrica e telecomunicações. Esta semana será um grande desafio. Quinta-feira e domingo serão dias difíceis, com risco de inundações. Estamos a fazer toda a prevenção, para precaver os impactos”, afirmou primeiro-ministro após uma reunião com Marcelo Rebelo de Sousa no Palácio de Belém, em Lisboa.

Montenegro adiantou que o Presidente da República “estar em visitas a zonas afectadas, juntamente com membros do Governo, e constatar o que todos têm feito no terreno”.

O líder do executivo garantiu que “estão empenhados todos os meios disponíveis para reparação e proteger o que está hoje mais frágil”. “Não será possível fazer reparações nos primeiros dias, mas haverá acções preventivas para minimizar estragos”, assegurou Montenegro.

Concelhos em situação de calamidade representam 17% da população portuguesa

Os 68 concelhos em situação de calamidade após a passagem da depressão Kristin têm 17,1% da população residente em Portugal e 16,7% da área total, um território onde se localizam grandes empresas, muitas delas fortemente exportadoras.

Segundo os dados do INE de 2023, nos concelhos com declaração de calamidade viviam 1.8267.35 pessoas (17,1%) e com um rendimento bruto de 20.651.694 euros, que corresponde a 16,4 % do total do país.

Em muitas das freguesias, ainda sem electricidade, existirão dificuldades no acesso ao voto nas eleições presidenciais de domingo, 08 de Fevereiro. No total da área afectada, estão inscritos 1.589.165 eleitores (14,4% do total). A abstenção nestes concelhos oscilou entre 26,33% em Vila de Rei e 50,30% na Nazaré.

Acima do poder de compra ‘per capita’ do país, no mapa dos concelhos afectados, apenas está Leiria, Coimbra e Aveiro, mas, entre os municípios com menos de 70% da média nacional existem quatro casos: Oleiros, Penamacor, Góis e Pampilhosa da Serra.

No que diz respeito ao envelhecimento, 30% da população tem mais de 65 anos, acima da média nacional (24%), e, dos 68 concelhos afectados, apenas 14 têm populações mais novas que a média nacional, com destaque para Entroncamento, Batalha e Ílhavo, seguindo-se depois Aveiro, Torres Vedras, Condeixa-a-Nova, Leiria, Rio Maior, Murtosa, Ovar, Vagos, Marinha Grande, Lourinhã e Albergaria-a-Velha.

Na região, encontram-se 14 concelhos com índice de envelhecimento que corresponde a mais do dobro da média nacional, com destaque para Oleiros, Penamacor, Pampilhosa da Serra e Castanheira de Pêra.

Oleiros, aliás, é o concelho mais envelhecido de toda a região afectada, com um índice de 730, quatro vezes superior à média nacional, e o presidente da Câmara disse hoje que mais de 70% do território está sem comunicações móveis ou com instabilidade.

O impacto não é apenas nas pessoas mas também na economia regional e nacional. Os concelhos litorais desta região afectada têm uma forte componente empresarial e toda a região tem 248.586 empresas, que correspondem a 15,7% do total do país.

A região de Leiria e de Aveiro é fortemente exportadora e essa contabilidade também terá efeitos na balança comercial do país.

Lusa

Diário de Notícias
Susete Henriques, Sofia Fonseca, Carlos Nogueira, David Pereira
03.02.2026

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- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).

 

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205: Situação de calamidade prolongada até 8 de Fevereiro. Será criada estrutura de missão para zonas afectadas

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🇵🇹 PORTUGAL // SITUAÇÃO DE CALAMIDADE

Passagem da depressão Kristin por Portugal continental deixou rasto de destruição em Leiria, Coimbra e Santarém. Situação de calamidade foi decretada até à meia-noite deste domingo em 60 municípios.

Primeiro-ministro em visita à região de Leiria.
Paulo Novais / Lusa

Estrutura de missão para zonas afectadas

Governo vai criar estrutura de missão para zona afectadas pela depressão Kristin. Será liderada por Paulo Fernandes, anterior presidente da câmara do Fundão, e funcionará em Leiria.

Apoio até dez mil euros para “reconstrução de habitação própria”

Luís Montenegro anunciou também uma linha de apoio para “reconstrução de habitação própria e permanente” até dez mil euros, sem ser necessária documentação quando não houver cobertura de seguro.

O mesmo montante estará disponível para situações relacionadas com agricultura e floresta exactamente no mesmo montante.

Situação de calamidade prolongada até 8 de Fevereiro

Em declaração após o Conselho de Ministros extraordinário o primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou o prolongamento da situação de calamidade até de 8 de Fevereiro. Abrangidos estão 60 municípios do país.

167 mil clientes mantêm-se sem energia, quase 50 mil no concelho de Leiria

Cerca de 167 mil clientes da E-Redes mantinham-se às 12h00 deste domingo sem electricidade, dos quais 49.900 no concelho de Leiria, devido aos efeitos da depressão Kristin, disse o presidente do conselho de administração da empresa.

“O número absoluto neste momento em Leiria [concelho] de clientes sem electricidade é 49.900. O dado que eu tenho para o total são cerca de 167 mil clientes, ao meio-dia de hoje”, afirmou aos jornalistas José Ferrari Careto, numa conferência de imprensa nos Bombeiros Sapadores de Leiria, onde está instalado o centro de operações do município.

José Ferreira Careto adiantou que o número de clientes continua a diminuir à medida que decorrem as intervenções que a E-Redes tem no terreno.

E-Redes sem previsão de restabelecimento total de energia na região afectada pela depressão

O presidente do conselho de administração da E-Redes, José Ferrari Careto, afirmou este domingo não haver previsibilidade sobre quando vai ser possível ter o restabelecimento total de energia eléctrica à região afectada pela depressão Kristin.

“Eu esclareço que não consigo, neste momento ter previsibilidade sobre a data em que toda a gente vai ter energia no perímetro desta intempérie. É a resposta mais séria e a resposta mais honesta que eu tenho para dar neste momento”, declarou José Ferrari Careto.

Numa conferência de imprensa nos Bombeiros Sapadores de Leiria, onde o município instalou um centro de operações, o responsável da empresa disse esperar que “seja cada vez mais residual o número de pessoas que não tem energia”.

“Mas não consigo dizer mais do que isto, neste momento, sob prejuízo de estar a criar falsas expectativas e de estar a faltar à verdade”, adiantou.

Lusa

Diário de Notícias
Carla Alves Ribeiro
01.02.2026

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- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).

 

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201: Sobe para nove número de vítimas da depressão Kristin. 180 mil clientes da E-Redes ainda sem energia

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🇵🇹 PORTUGAL // DEPRESSÃO KRISTIN // ESTRAGOS

Passagem da depressão Kristin por Portugal continental deixou rasto de destruição em Leiria, Coimbra e Santarém. Situação de calamidade foi decretada até à meia-noite deste domingo em 60 municípios.

Primeiro-ministro em visita à região de Leiria.
Paulo Novais / Lusa

Encerrada ponte de Louredo no rio Mondego em Vila Nova de Poiares

A Câmara Municipal de Vila Nova de Poiares informou hoje que a ponte de Louredo, sobre o rio Mondego, está encerrada ao trânsito devido ao previsível aumento do caudal.

“O Serviço Municipal de Protecção Civil informa que a ponte de Louredo, no rio Mondego, que liga a ER110 [Estrada Regional 110] à EN2 [Estrada Nacional 2] foi encerrada ao trânsito devido ao previsível aumento do caudal do rio”, anunciou.

Nas redes sociais, o executivo municipal liderado por Nuno Neves adiantou que a decisão “foi tomada em articulação com o Município de Vila Nova de Poiares, GNR [Guarda Nacional Republicana] e restantes autoridades”.

“A ligação alternativa entre as duas margens é a ponte de Penacova”, também no distrito de Coimbra.

Lusa

Doze pessoas foram retiradas das habitações por segurança em Vila de Rei

Doze pessoas foram retiradas das suas casas em Vila de Rei, no distrito de Castelo Branco, por motivos de segurança e o fornecimento de energia eléctrica está restabelecido em cerca de 90% do concelho.

“Os serviços de telecomunicações encontram-se em fase de reposição, nomeadamente o serviço de fibra óptica, o abastecimento de água foi totalmente restabelecido e o acesso a todas as aldeias do concelho encontra-se assegurado”, explicou, numa nota publicada nas suas redes sociais, o município de Vila de Rei.

Na sequência da passagem da depressão Kristin pelo concelho de Vila de Rei, continuam a decorrer, no terreno, diversos trabalhos com o objectivo de minimizar os seus efeitos e restabelecer a normalidade no território.

“O fornecimento de energia eléctrica encontra-se restabelecido em cerca de 90% do território concelho, subsistindo ainda alguns constrangimentos em determinadas localidades. Estão a ser desenvolvidos todos os esforços para que o serviço seja reposto com a maior brevidade possível”.

A autarquia tem ainda equipas no terreno a fazer a identificação e acompanhamento de pessoas desalojadas, isoladas ou em situação de maior vulnerabilidade.

Caso as condições meteorológicas não originem novos danos, prevê-se que os estabelecimentos de ensino – Creche Municipal, Jardim de Infância Municipal e Escola Básica e Secundária do Centro de Portugal – retomem o seu funcionamento a partir de segunda-feira, assim como os serviços municipais.

Lusa

180 mil clientes da E-Redes ainda sem energia às 08h00

Cerca de 180 mil clientes da E-Redes continuavam este domingo, 1 de Fevereiro, às 08h00 sem luz em Portugal continental, a maior parte na zona de Leiria, na sequência da depressão Kristin na madrugada da passada quarta-feira.

Comparativamente com os dados da E-Redes de sábado às 19h00 (quando havia 187 mil clientes sem luz), há agora mais 7.000 clientes com energia eléctrica.

Do total de clientes que estavam hoje às 08h00 sem luz, a maior parte é da zona de Leiria, no total de 127 mil (eram 130 mil no sábado ao fim da tarde).

Os restantes clientes sem luz encontravam-se hoje nas zonas de Santarém (30.000 clientes sem luz), Coimbra (7.000) e Castelo Branco (13.000).

Os clientes da E-Redes correspondem a pontos de entrega de energia como habitações, empresas ou lojas com ligação eléctrica, sendo assim difícil quantificar o número de pessoas que está a ser afectada.

Lusa

Morreu mais um homem em Leiria

Morreu mais uma pessoa na sequência dos efeitos da depressão Kristin, em Monte Real, Leiria. Trata-se de um homem de 74 anos que morreu intoxicado por monóxido de carbono libertado por um gerador. A informação foi confirmada aos jornalistas pela GNR de Leiria.

O alerta da ocorrência, na localidade de Segodim, chegou às autoridades pelas 2h30.

Ontem, sábado, um homem de 73 anos morreu ao cair do telhado que estava a reparar, no concelho da Batalha, distrito de Leiria.

Ontem, até às 13 horas, a Unidade Local de Saúde (ULS) da Região de Leiria dava conta de que mais de 400 pessoas deram entrada nas urgências do hospital de Leiria com traumas devido a situações relacionadas com acidentes em trabalhos de limpeza e reconstrução na sequência da depressão Kristin.

Fundo de Emergência da Cáritas de Leiria com 250 mil euros em menos de 48 horas

O Fundo de Emergência Social de Apoio às Vítimas da Tempestade Kristin criado pela Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima atingiu 250 mil euros em menos de 48 horas, disse hoje à agência Lusa o director de serviços.

“A Cáritas Diocesana de Leiria encontra-se com grandes dificuldades em aceder à conta, tendo em conta também os grandes problemas com as telecomunicações. Contudo, já poderemos afirmar com toda a certeza, que já angariámos cerca de 250 mil euros”, declarou Nelson Costa.

O fundo, financiado por donativos recolhidos por MB WAY, transferência bancária ou donativo ‘online’, foi criado na sexta-feira à tarde após a Cáritas ter participado numa reunião da Protecção Civil com o Município de Leiria, e em sintonia com o bispo diocesano, José Ornelas.

Segundo este responsável, no decorrer da próxima semana, o objectivo é “entrar em contacto com os diversos municípios que fazem parte da área geográfica da Diocese de Leiria-Fátima”.

“Vamos criar uma equipa multidisciplinar, composta por elementos da Cáritas Diocesana de Leiria e com outros elementos dos concelhos vizinhos”, adiantou Nelson Costa.

O director de serviços esclareceu ainda que vai ser feito “um levantamento efectivo das necessidades das pessoas, a nível de habitações e tudo o mais”, para depois esta entidade “canalizar, da melhor forma, e dignificar também o dinheiro” que lhe foi confiado e evitar erros do passado.

Questionado sobre que tipo de ajudas chegam à Cáritas, Nelson Costa exemplificou com alimentos.

“O Município de Leiria já suspendeu a recolha de bens alimentares e de produtos de higiene. A Cáritas Diocesana de Leiria não o fez, porque a nossa área de intervenção não é só Leiria, mas também os outros concelhos vizinhos”, como Batalha, Marinha Grande, Porto de Mós, Ourém ou parte de Pombal, explicou.

No sábado, a pedido de uma entidade pública de Alvaiázere, foram encaminhados bens para cerca de 30 pessoas, referiu.

Lusa

Câmara da Sertã recolhe lonas e plásticos para cobertura de estruturas

O município da Sertã, no distrito de Castelo Branco, está a realizar uma recolha de lonas e plásticos para cobertura de estruturas face às necessidades sentidas por muitas pessoas que viram destelhadas as suas habitações.

Em comunicado enviado à agência Lusa, a Câmara Municipal da Sertã informa que os materiais podem ser entregues nos estaleiros municipais, situados na zona industrial da vila, todos os dias, incluindo fins de semana, entre as 8h00 e as 17h00.

Segundo o último ponto de situação no terreno avançado pela autarquia, relativamente ao abastecimento de água, os problemas mais críticos localizam-se em Herdade, Santo Abril e Santa Rita.

“Por todo o concelho, vão surgindo novas rupturas que vão sendo reparadas. Um ponto crítico é a Foz da Sertã, dado que o trajecto até ao depósito ainda não está acessível, mas que ficará resolvido durante o dia hoje”.

Há ainda problemas com o abastecimento de água no Painho, Casal da Escusa, Viseu Fundeiro e Carvalhal, que serão resolvidos após a limpeza dos acessos aos depósitos.

“Há outros locais que poderão, entretanto, ficar sem água, mas serão prontamente abastecidos”.

Relativamente ao fornecimento de luz eléctrica, há geradores a ligar partes das localidades de Troviscal, Cabeçudo e Cernache do Bonjardim.

“Em Cernache do Bonjardim está a ser reposta a ligação de uma fase ligada por média tensão. Ainda hoje será fornecida energia, através de gerador, às localidades de Várzea dos Cavaleiros, Cumeada e Figueiredo”.

A autarquia salientou que também as localidades de Castelo e Pedrogão Pequeno terão abastecimento através de gerador muito em breve.

A Estrada Nacional (EN) 238, entre Cernache do Bonjardim e Vale da Ursa está transitável, o mesmo acontece com a estrada entre o Brejo da Correia e Porto dos Fusos estando em curso os trabalhos de desobstrução.

Lusa

CP retoma serviço Intercidades entre Coimba B e Guarda

A circulação ferroviária de Intercidades na Linha da Beira Alta entre Coimbra B e Guarda é retomada este domingo, 1 de Fevereiro, disse a CP em comunicado.

O primeiro comboio deste serviço parte de Coimbra B às 9h40, segundo a actualização publicada no ‘site’ da CP no sábado à noite.

A empresa disse ainda que já foi reposto o serviço regional entre Entroncamento e Soure.

Apesar de virem sendo retomados alguns serviços de comboios, há vários outros afectados pela tempestade de quarta-feira que continuam suspensos e para já sem previsão de retoma.

Assim, mantém-se suspensa a circulação nos comboios urbanos de Coimbra, na Linha do Norte entre Braga e Lisboa, na Linha do Douro entre Régua e Pocinho e na Linha do Oeste.

Devido a estas suspensões, também está suspensa a venda para viagens em comboios Alfa Pendular e Intercidades na Linha do Norte para o dia de hoje.

Lusa

Pombal garante qualidade da água e divulga localização de fontanários

A Câmara de Pombal, município do distrito de Leiria gravemente afectado pelo mau tempo, garante a qualidade da água da rede pública e divulga fontanários disponíveis para a população.

“Os Serviços Municipais de Pombal informam que a água da rede pública no concelho de Pombal se encontra própria para consumo humano, cumprindo integralmente todos os parâmetros legais de qualidade”, refere o município numa publicação nas redes sociais.

Segundo a autarquia, “a água distribuída na rede pública mantém-se dentro dos padrões habituais” e os “valores de cloro residual livre e de pH encontram-se conformes à legislação aplicável”.

“Foram reforçados os procedimentos de monitorização e serão feitas análises à água para confirmação do restabelecimento da normalidade”, assegura.

Para a população que ainda não tem água, na cidade de Pombal estão localizados fontanários no Largo do Arnado (perto da Farmácia Vilhena), Praça Faria da Gama (nas imediações do edifício da Junta de Freguesia) e Largo das Laranjeiras.

A autarquia informa ainda que existem torneiras no Largo do Cardal, perto da loja de brinquedos Casa Bebé.

Na semana passada, a Direcção-Geral da Saúde alertou para riscos na segurança da água e dos alimentos após a depressão Kristin e os cortes de energia, recomendando cuidados no consumo, na alimentação e no saneamento para proteger a saúde da população.

Lusa

Dez distritos sob aviso laranja no início da semana devido a agitação marítima

Dez distritos de Portugal continental vão estar sob aviso laranja, o segundo mais elevado, entre segunda e quarta-feira, devido a agitação marítima, anunciou este domingo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Porto, Faro, Setúbal, Viana do Castelo, Lisboa, Leiria, Beja, Aveiro, Coimbra e Braga encontram-se sob aviso laranja entre as 15h00 de segunda-feira e as 02h00 de quarta-feira.

Nestes distritos prevêem-se “ondas de noroeste com cinco a seis metros, podendo atingir 11 metros de altura máxima”, lê-se num comunicado do IPMA.

Todos os distritos de Portugal Continental e o arquipélago dos Açores vão estar sob aviso amarelo por diferentes motivos – agitação marítima, precipitação, neve e vento – em distintos períodos entre hoje e terça-feira, ainda de acordo com o IPMA.

O aviso laranja é emitido pelo IPMA sempre que existe “situação meteorológica de risco moderado a elevado, e o amarelo quando há uma situação de risco para determinadas actividades dependentes da situação meteorológica.

Lusa

Primeiro-ministro convoca Conselho de Ministros extraordinário

O Governo reúne-se em Conselho de Ministros extraordinário este domingo, 1 de Fevereiro, a partir das 10h00 na Residência Oficial do Primeiro-Ministro. Na agenda está a situação de calamidade decretada em 60 municípios do país, o “acompanhamento e adopção de medidas de prevenção e assistência perante os eventos climatéricos extremos (incluindo os dos próximos dias)” e a “recuperação e reconstrução das zonas afectadas”, de acordo com o comunicado do gabinete do primeiro-ministro.

No final da reunião Luís Montenegro fará uma declaração aos jornalistas.

Diário de Notícias
Carla Alves Ribeiro
01.02.2026

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154: Doente oncológica em fase terminal foi deitada no chão da urgência do hospital de Coimbra por falta de macas

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🇵🇹 PORTUGAL // HOSPITAIS // DESUMANIDADE

O relato foi feito nas redes sociais através de uma carta aberta do filho da doente, na qual refere que por falta de ambulâncias teve de levar a mãe, “com dores insuportáveis”, num carro particular.

FOTO: FACEBOOK / JOÃO GASPAR

O filho de uma doente oncológica em fase terminar denunciou, numa carta aberta publicada nas redes sociais, que a sua mãe teve de ficar deitada no chão das urgências do Hospital de Coimbra na quinta-feira, 8 de Janeiro,

No texto, com o título de “Quando o SNS deixa os doentes no chão”, João Gaspar revela que a sua mãe “tem um cancro generalizado na zona abdominal”, faz quimioterapia e “vive com dores constantes”, razão pela qual “não consegue andar sozinha” nem “permanecer sentada por muito tempo”.

Tendo em conta as muitas dores que sentia a sua mãe na quinta-feira, João Gaspar diz que telefonou para a Linha SNS 24, mas “ninguém atendeu”, tendo depois feito uma chamada para o 112, na qual lhe foi dito que lhe iriam mandar uma ambulância, mas “vinte minutos depois voltaram a ligar para dizer que não havia ambulâncias disponíveis e que teríamos de aguardar por tempo indeterminado”. Isto numa altura em que, diz, as dores eram “insuportáveis”.

Por essa razão, não lhe restou alternativa senão colocar a doente no automóvel pessoal para levá-la às urgências. “Avisei que estava a chegar com uma doente grave, antecipando o problema que é chegar à entrada das urgências com um carro particular. Disseram-me apenas para falar com a polícia à entrada”, conta.

O problema foi quando chegou às urgências, com a mãe deitada no banco de trás e lhe disseram que não havia macas disponíveis e que a doente teria de ir de cadeira de rodas, algo que ela não conseguia por causa das dores.

Acabou por recorrer à ajuda de um familiar para transportar a mãe para o interior do hospital, onde “ninguém tinha uma solução” para o problema. Sem uma maca e sem qualquer alternativa para dar mais comodidade à doente, conta João Gaspar que não restou alternativa senão ir buscar uma manta e estende-la no chão para deitar a sua mãe. “Houve quem criticasse a decisão. Só quando perceberam que aquela imagem estava a ser registada é que alguém começou a agir”, refere.

“Depois disso, tudo aconteceu como devia ter acontecido desde o início. Foi-lhe administrada morfina, duas vezes. Recebeu soro. Foram feitos exames. Os meios existiam, o que faltou foi humanidade”, sublinhou na carta aberta que diz não ser contra os profissionais de saúde. “É contra um sistema que permite que uma doente oncológica terminal fique no chão”, finalizou.

Diário de Notícias
Carlos Nogueira
10.01.2026

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