{"id":1157,"date":"2026-03-11T10:22:20","date_gmt":"2026-03-11T09:22:20","guid":{"rendered":"https:\/\/inforgomes.pt\/social\/?p=1157"},"modified":"2026-03-11T10:48:37","modified_gmt":"2026-03-11T09:48:37","slug":"epa-desisto-nao-quero-saber-mais-quanto-mais-o-mundo-precisa-de-salvacao-maior-a-indiferenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inforgomes.pt\/social\/epa-desisto-nao-quero-saber-mais-quanto-mais-o-mundo-precisa-de-salvacao-maior-a-indiferenca\/","title":{"rendered":"\u201cEp\u00e1, desisto, n\u00e3o quero saber mais\u201d: quanto mais o mundo precisa de salva\u00e7\u00e3o, maior a indiferen\u00e7a?"},"content":{"rendered":"<div class=\"pld-like-dislike-wrap pld-template-1\">\r\n    <div class=\"pld-like-wrap  pld-common-wrap\">\r\n    <a href=\"javascript:void(0)\" class=\"pld-like-trigger pld-like-dislike-trigger  \" title=\"Gosto\" data-post-id=\"1157\" data-trigger-type=\"like\" data-restriction=\"no\" data-already-liked=\"0\">\r\n                        <i class=\"fas fa-thumbs-up\"><\/i>\r\n                <\/a>\r\n    <span class=\"pld-like-count-wrap pld-count-wrap\">0    <\/span>\r\n<\/div><div class=\"pld-dislike-wrap  pld-common-wrap\">\r\n    <a href=\"javascript:void(0)\" class=\"pld-dislike-trigger pld-like-dislike-trigger  \" title=\"N\u00e3o gosto\" data-post-id=\"1157\" data-trigger-type=\"dislike\" data-restriction=\"no\" data-already-liked=\"0\">\r\n                        <i class=\"fas fa-thumbs-down\"><\/i>\r\n                <\/a>\r\n    <span class=\"pld-dislike-count-wrap pld-count-wrap\">0<\/span>\r\n<\/div><\/div><p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 20px; font-family: Aldrich; color: #ff0000;\" data-darkreader-inline-color=\"\"><span style=\"font-size: 36px;\">\ud83c\uddf5\ud83c\uddf9<\/span>\u00a0OPINI\u00c3O<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-size: 20px;\">H\u00e1 quem fale de \u201cpsychic numbing\u201d (\u201centorpecimento psicol\u00f3gico\u201d) e quem use a express\u00e3o \u201cfadiga da solidariedade\u201d. Certo \u00e9 que parece haver cada vez mais pessoas, face ao carrossel de trag\u00e9dias e ao sentimento de \u201ctudo cada vez pior\u201d, a querer desistir de acompanhar a actualidade e a desligar a empatia.<\/span><\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_1162\" style=\"width: 1210px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1162\" class=\"size-full wp-image-1162\" src=\"https:\/\/inforgomes.pt\/social\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/dn10032026-02.avif\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/inforgomes.pt\/social\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/dn10032026-02.avif 1200w, https:\/\/inforgomes.pt\/social\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/dn10032026-02-300x200.avif 300w, https:\/\/inforgomes.pt\/social\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/dn10032026-02-1024x683.avif 1024w, https:\/\/inforgomes.pt\/social\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/dn10032026-02-768x512.avif 768w, https:\/\/inforgomes.pt\/social\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/dn10032026-02-450x300.avif 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><p id=\"caption-attachment-1162\" class=\"wp-caption-text\">Manifesta\u00e7\u00e3o em Israel, em Setembro de 2025, pela liberta\u00e7\u00e3o dos ref\u00e9ns ainda ent\u00e3o detidos pelo Hamas e o fim da guerra em Gaza. Este \u00e9 um dos conflitos\/trag\u00e9dias que, em conjunto com a invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia e, agora, a interven\u00e7\u00e3o dos EUA e Israel no Ir\u00e3o, mais s\u00e3o referidos como motivo da overdose de pessimismo que leva ao desligar da empatia.<br \/>ABIR SULTAN \/ EPA<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cParece que estamos a ser bombardeados de todos os lados e para onde quer que se olhe \u00e9 tudo mau.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cChamo-lhe o PAEC: processo de aliena\u00e7\u00e3o em curso.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c0s tantas j\u00e1 n\u00e3o sei se \u00e9 normal ou se se passa algo de errado comigo. Olho para as coisas com um distanciamento e um pessimismo enorme. N\u00e3o vejo qualquer tipo de esperan\u00e7a ou de futuro para o mundo, para a sociedade.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEsse sentimento de \u2018Ep\u00e1, n\u00e3o, desisto, n\u00e3o quero saber mais, n\u00e3o adianta, n\u00e3o posso fazer nada e quem podia\/pode, ou j\u00e1 n\u00e3o pode ou n\u00e3o quer fazer\u2019, sim, tem-me vindo a assolar bastante nos \u00faltimos tempos.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As vozes s\u00e3o de quatro pessoas diferentes, em resposta, no Twitter\/X, \u00e0 pergunta <strong>\u201cmais algu\u00e9m est\u00e1 a sentir que ante tanta merda a acontecer quer desligar por se afogar em impot\u00eancia?\u201d<\/strong>\u00a0 A \u00faltima das quatro \u00e9 Pedro, 40 anos, banc\u00e1rio. Questionado sobre o momento em que foi invadido por tal desalento, aponta para 2025: \u201cNo \u00faltimo ano esse sentimento acentuou-se. <strong>Parece que vivemos em \u2018\u00faltima hora\u2019 de forma permanente: nem bem terminou a pandemia, come\u00e7ou a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia, o genoc\u00eddio em Gaza, o descalabro da democracia nos EUA, o lambe-botismo da UE, o Direito Internacional a ser enterrado\u2026 Da\u00ed a sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia elevada \u00e0 nona pot\u00eancia.<\/strong>\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3, precisa, \u201ca sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia, como a da inevitabilidade (de que algo, de facto, ter\u00e1 de acontecer). Tento desviar alguma aten\u00e7\u00e3o deste c\u00edrculo vicioso: menos consumo de not\u00edcias, mais de tudo o resto (livros, filmes, s\u00e9ries, medita\u00e7\u00e3o, gin\u00e1sio, etc). Mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil porque est\u00e3o, de facto, a acontecer coisas, e viver na ignor\u00e2ncia por op\u00e7\u00e3o parece-me, no m\u00ednimo, muito estranho. Talvez afine mais o que leio\/vejo, sobretudo <em>online<\/em>. Claro que as redes sociais (X, principalmente) contribuem para este estado de actualiza\u00e7\u00e3o permanente, mas acaba por ser inevit\u00e1vel, j\u00e1 que s\u00e3o acontecimentos verdadeiramente cruciais. Um <em>detox<\/em> digital urge mas n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rita, 50 anos, que como auxiliar de ac\u00e7\u00e3o directa num servi\u00e7o de apoio domicili\u00e1rio trabalha exclusivamente com idosos com dem\u00eancia, est\u00e1 no mesmo s\u00edtio: \u201cEstou a tentar n\u00e3o pensar nos assuntos, n\u00e3o ter muita informa\u00e7\u00e3o. <strong>Neste momento sinto que viver \u2018na ignor\u00e2ncia\u2019 \u00e9 uma estrat\u00e9gia para manter a minha sanidade mental face \u00e0 actualidade. Penso que tem vindo a escalar depois da pandemia e guerra na Ucr\u00e2nia. N\u00e3o sei se ser\u00e1 apenas impot\u00eancia, no meu caso talvez seja mais falta de esperan\u00e7a em voltar a viver num mundo normal&#8230;<\/strong> E ser\u00e1 sentimento de impot\u00eancia ou ego\u00edsmo? Tamb\u00e9m penso nisso.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ego\u00edsmo de n\u00e3o querer sentir que se \u00e9 totalmente impotente, que seja o que for que se pense ou deseje ou se fa\u00e7a n\u00e3o serve para nada? Mariana, 30 anos, acad\u00e9mica que tem nas suas \u00e1reas de investiga\u00e7\u00e3o \u201cespecializa\u00e7\u00e3o em paz e conflitos\u201d, assente: \u201cAgora, acordar, pegar no telem\u00f3vel \u00e0s sete da manh\u00e3 ou antes de ir dormir, e ler que os EUA e Israel continuam a violar o Direito Internacional, a bombardear pa\u00edses, crian\u00e7as, seres humanos, saber que quase nenhum estado do Norte Global os pode ou os quer parar, d\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o geral de impot\u00eancia enorme. Tamb\u00e9m porque destr\u00f3i as bases dos valores que defendo, do que estudei, dos temas com que trabalho. <strong>Sempre senti isto, mas de forma muito intensa desde o genoc\u00eddio na Palestina, que, em \u00faltima an\u00e1lise, foi onde se testaram os limites da banalidade do mal no nosso s\u00e9culo.<\/strong>\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para tentar \u201cn\u00e3o sucumbir \u00e0 apatia\u201d, Mariana faz um esfor\u00e7o para \u201ctransformar estes sentimentos em ac\u00e7\u00e3o, activismos\u201d, e tenta \u201climitar os hor\u00e1rios de acesso a algumas redes sociais para reduzir a intensidade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 T\u00e2nia, 49 anos, economista que trabalha em <em>marketing<\/em>, recusa desligar mas, reconhece, \u201c\u00e9 uma luta\u201d. <strong>Inventou uma palavra, \u201cdesesper\u00e2ncia\u201d, para descrever o que sente \u201cdesde Gaza\u201d e aventa que possa haver, no que respeita a alguns actores ou movimentos pol\u00edticos, uma delibera\u00e7\u00e3o no bombardeamento de enormidades, de modo a criar apatia<\/strong>: \u201cConhe\u00e7o v\u00e1rias pessoas que me dizem que j\u00e1 n\u00e3o conseguem ver not\u00edcias, que j\u00e1 est\u00e1 para al\u00e9m delas, do que conseguem aguentar. Julgo que o sentimento \u00e9 de nega\u00e7\u00e3o porque \u00e9 mau demais. Come\u00e7o a achar que \u00e9 uma estrat\u00e9gia premeditada. <strong>Decerto foram percebendo que, ultrapassando um determinado limite, as pessoas bloqueiam e a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 mesmo essa. Bloqueados \u00e9 o estado que julgo nos define melhor neste carrossel de horrores.<\/strong>\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Aldrich; font-size: 20px;\">O triunfo do mal e a \u201cfadiga da compaix\u00e3o\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A no\u00e7\u00e3o de que, confrontados com calamidades avassaladoras \u2014 ou aquilo que sentem ou percebem como tal \u2014, as pessoas tendem a desenvolver indiferen\u00e7a ou apatia tem vindo a ser frequentemente resumida na express\u00e3o \u201c<em>psychic numbing<\/em>\u201d, ou \u201centorpecimento psicol\u00f3gico\u201d. Usada na actualidade para referir sobretudo o sentimento expresso pelas pessoas que responderam \u00e0 citada pergunta no Twitter \u2014 um sentimento nascido sobretudo da observa\u00e7\u00e3o de acontecimentos terr\u00edveis \u00e0 dist\u00e2ncia, atrav\u00e9s dos media \u2014, a express\u00e3o foi cunhada a partir de algo bastante mais radical: o efeito de uma das mais terr\u00edveis trag\u00e9dias registadas na hist\u00f3ria em pessoas que a viveram directamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O seu autor \u00e9 o psiquiatra americano Robert Jay Lifton, a partir da investiga\u00e7\u00e3o junto de sobreviventes da bomba largada pelos EUA a 6 de Agosto de 1945 sobre a cidade japonesa de Hiroshima. Os seus entrevistados, escreveu Lifton em <em>Death in Life: The Survivors of Hiroshima<\/em>\/<em>Morte em vida: os sobreviventes de Hiroshima<\/em>, ficaram emocionalmente bloqueados em resposta \u00e0s horr\u00edficas cenas de morte em massa a que assistiram. Algumas d\u00e9cadas depois, a express\u00e3o foi utilizada pelo psic\u00f3logo americano Paul Slovic para referir um outro mecanismo: aquele que leva a que, ante a not\u00edcia de hecatombes humanit\u00e1rias nas quais perecem dezenas ou centenas de milhar de seres humanos, se instale uma indiferen\u00e7a que, para este cientista social, adv\u00e9m precisamente da dimens\u00e3o da cat\u00e1strofe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em><a href=\"https:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/judgment-and-decision-making\/article\/if-i-look-at-the-mass-i-will-never-act-psychic-numbing-and-genocide\/0E55D099E133068F9ACD5A0DBBE1E4E2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" aria-label=\"content\">If I Look at the Mass I will Never Act: Psychic Numbing and Genocide<\/a><\/em>\/<em>Se eu olhar para a multid\u00e3o nunca agirei: Entorpecimento psicol\u00f3gico e genoc\u00eddio<\/em>\u201d (2007) \u00e9 um dos artigos que publicou sobre esse fen\u00f3meno. Partindo da asser\u00e7\u00e3o de que ao longo da hist\u00f3ria recente \u201cas pessoas boas repetidamente ignoraram o homic\u00eddio em massa e o genoc\u00eddio\u201d, Slovic aprestou-se a perceber porqu\u00ea, para concluir que \u201cas estat\u00edsticas de homic\u00eddio em massa e genoc\u00eddio, n\u00e3o importa qu\u00e3o esmagadores os n\u00fameros, n\u00e3o conseguem representar o verdadeiro significado dessas atrocidades. O reporte do n\u00famero de mortes corresponde a estat\u00edsticas sem interesse, \u2018seres humanos com as l\u00e1grimas secas\u2019, que n\u00e3o logram desencadear emo\u00e7\u00e3o ou sentimento e portanto n\u00e3o motivam ac\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tendo pedido emprestada \u00e0 freira albanesa-indiana que ficou conhecida como madre Teresa de Calcut\u00e1 a frase do t\u00edtulo \u2014 \u201cSe olhar para a multid\u00e3o nunca agirei. Se olhar s\u00f3 para uma pessoa, sim\u201d \u2014 , Slovic cita um colunista digital que em 2005 observou: \u201cH\u00e1 mais de 60 anos, desde a liberta\u00e7\u00e3o dos campos de morte nazis, dissemos \u2018nunca mais\u2019. Desde ent\u00e3o assistimos a exterm\u00ednios em massa de seres humanos, seja por maldade deliberada ou por pura, sanguin\u00e1ria, estupidez ideol\u00f3gica, na China, no Cambodja, na Nig\u00e9ria, na Eti\u00f3pia, no Kosovo, no Rwanda. De cada vez censuramos, censuramos, mas\u2026 n\u00e3o fazemos nada. \u2018Nunca mais\u2019 transformou-se em mais e mais outra vez.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O psic\u00f3logo prossegue a reflex\u00e3o referindo que <strong>as organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias h\u00e1 muito perceberam que para obter d\u00e1divas \u00e9 muito mais eficaz apresentar uma \u00fanica crian\u00e7a, com nome e rosto e hist\u00f3ria, que pedir para a grande causa das crian\u00e7as desvalidas ou em perigo.<\/strong> H\u00e1 experi\u00eancias que o comprovam, como \u00e9 o caso daquela em que esteve envolvido, publicada em 2007: um grupo de pessoas foi confrontado com a possibilidade de doar cinco d\u00f3lares (4,30 euros na actual taxa de c\u00e2mbio) para uma ONG (Save the Children), com tr\u00eas op\u00e7\u00f5es: uma crian\u00e7a identificada com nome, rosto e hist\u00f3ria; n\u00famero total de v\u00edtimas; v\u00edtima identificada mais informa\u00e7\u00e3o sobre o n\u00famero total de v\u00edtimas. Em todas as op\u00e7\u00f5es, era dada a informa\u00e7\u00e3o de que \u201ctodo o dinheiro doado seria usado para mitigar a fome na Eti\u00f3pia e na \u00c1frica Austral\u201d. As doa\u00e7\u00f5es para a crian\u00e7a identificada foram muito superiores \u00e0s dirigidas \u00e0s v\u00edtimas em geral. Mas <strong>mais relevante ainda, e, lamenta Slovic, \u201cmais desanimador\u201d, \u00e9 que ante a op\u00e7\u00e3o que aliava a cara, nome e hist\u00f3ria da crian\u00e7a individualizada com os n\u00fameros das outras v\u00edtimas as pessoas doavam menos que quando estava s\u00f3 em causa essa mesma crian\u00e7a<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 pior: um grupo de estudantes suecos foi usado numa experi\u00eancia em que foram divididos em tr\u00eas grupos, cada um para uma destas tr\u00eas op\u00e7\u00f5es: doar a uma crian\u00e7a identificada do sexo feminino; doar a uma crian\u00e7a identificada do sexo masculino; doar \u00e0s duas. Para cada op\u00e7\u00e3o, deviam pontuar o seu n\u00edvel de afecto de 1 (negativo) a 5 (positivo). A conclus\u00e3o foi de que no caso das crian\u00e7as individualizadas o valor da doa\u00e7\u00e3o estava fortemente relacionada com o sentimento; no caso do par, essa correla\u00e7\u00e3o era muito menor. Se, conclui Slovic, a nossa capacidade de sentir \u00e9 limitada, esta experi\u00eancia parece indicar que a \u201cfadiga da compaix\u00e3o\u201d, come\u00e7a nos muito pequenos n\u00fameros \u2014 no n\u00famero dois, pelos vistos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E Slovic conclui: <strong>\u201cRobert Jay Lifton cunhou o termo \u2018psychic numbing\u2019 para designar o \u2018desligar\u2019 do sentimento que possibilitava, no horr\u00edfico rescaldo do bombardeamento de Hiroshima, que quem tentava ajudar pudesse continuar a faz\u00ea-lo; aqui estamos perante um entorpecimento sem qualquer resultado positivo. \u00c9, ao contr\u00e1rio, um entorpecimento que leva \u00e0 apatia e \u00e0 inac\u00e7\u00e3o, consistente com aquele a que temos repetidamente assistido na reac\u00e7\u00e3o ao homic\u00eddio em massa e ao genoc\u00eddio.\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Aldrich; font-size: 20px;\">Empatia e etnocentrismo<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A compaix\u00e3o pelos outros \u00e9 \u201cuma flor fr\u00e1gil, facilmente esmagada pelo ego\u00edsmo\u201d, escreve ainda o psic\u00f3logo, citando o estudo <em><a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/232583519_Influence_of_self-reported_distress_and_empathy_on_egoistic_versus_altruistic_motivation_to_help\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" aria-label=\"content\">Influence of self-reported distress and empathy on egoistic versus altruistic motivation to help<\/a><\/em> (1983). E nessa equa\u00e7\u00e3o os vieses desempenham um papel muito relevante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um bom exemplo desses vieses \u00e9 a forma como o mundo ocidental reagiu em Setembro de 2015 \u00e0 imagem do cad\u00e1ver de Alan Kurdi, o menino de tr\u00eas anos fotografado numa praia turca ap\u00f3s o naufr\u00e1gio do barco de refugiados s\u00edrios em que seguia com a fam\u00edlia (da qual s\u00f3 o pai se salvou). Tamb\u00e9m a\u00ed se proclamou \u201cnunca mais\u201d. Alan foi apenas uma de muitas, muitos milhares, de crian\u00e7as mortas devido \u00e0 guerra na S\u00edria \u2014 mas ali estava, vestido como um menino ocidental, branco como um menino ocidental, igual a qualquer crian\u00e7a ocidental e portanto identificado e sentido como \u201cnosso\u201d. De repente, toda a gente garantia que era preciso salvar os Alan Kurdis, que n\u00e3o podia continuar a indiferen\u00e7a e a crueldade que lhes barrava a entrada na Europa. Mas, como \u00e9 sabido, nada mudou \u2014 ou, na verdade, as coisas mudaram para pior, com o movimento anti-imigra\u00e7\u00e3o e anti-refugiados a ganhar cada vez mais apoiantes e pol\u00edticas de acolhimento como a que Angela Merkel aplicou na Alemanha a serem responsabilizadas pelo escalar do extremismo nativista de extrema-direita. A m\u00e1goa e a empatia europeias\/ocidentais esgotaram-se nas l\u00e1grimas por aquela crian\u00e7a morta, sem reflexo em todas as outras que poderiam ser salvas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cSomos todos humanos, ou alguns s\u00e3o mais humanos que os outros? Se acreditamos que todos os humanos s\u00e3o humanos, como \u00e9 que o provamos? S\u00f3 podemos prov\u00e1-lo atrav\u00e9s das nossas ac\u00e7\u00f5es\u201d<\/strong>, escreveu o militar canadiano Rom\u00e9o Dallaire, que comandava a miss\u00e3o da ONU no Rwanda aquando do genoc\u00eddio que ocorreu naquele pa\u00eds africano, em 1994, e que n\u00e3o conseguiu que lhe dessem autoriza\u00e7\u00e3o nem tropas para tentar impedir a mortandade que ceifou 800 mil vidas em 100 dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio de Dallaire, a maioria de n\u00f3s n\u00e3o est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o de tentar impedir massacres \u2014 s\u00f3 podemos envolver-nos de formas muito mais distantes e bem menos arriscadas. E, no entanto, a tend\u00eancia geral ser\u00e1, como aduz Slovic, para nos afastarmos emocionalmente desse tipo de ocorr\u00eancia, de so\u00e7obrarmos \u00e0 fadiga da compaix\u00e3o e da solidariedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cH\u00e1 um fen\u00f3meno de satura\u00e7\u00e3o. As pessoas est\u00e3o constantemente a ser bombardeadas com informa\u00e7\u00e3o. Quando as coisas come\u00e7am a atingir uma determinada intensidade, quanto maior \u00e9 essa intensidade, mais temos tend\u00eancia para nos protegermos. Come\u00e7amos a ficar como que saturados de nos expormos e ent\u00e3o procedemos ao fen\u00f3meno de evitamento, procedemos a uma nega\u00e7\u00e3o afectiva\u201d, diz ao DN a psic\u00f3loga Ana Cardoso de Oliveira. <strong>\u201cCome\u00e7amos por empatizar, mas os seres humanos foram feitos para a ac\u00e7\u00e3o, e quando, ante algo de horr\u00edvel, sentimos que n\u00e3o podemos fazer nada, o impulso \u00e9 fugir. E o fugir \u00e9 omitir essa informa\u00e7\u00e3o dentro de mim, \u00e9 desligar. A ideia \u00e9 \u2018n\u00e3o consigo fazer nada, portanto, olha, \u00e9 deix\u00e1-los.\u2019 E quanto mais os acontecimentos s\u00e3o distantes, menos empatia temos. A\u00ed temos tend\u00eancia para intelectualizar, enquadramos do ponto de vista hist\u00f3rico, encontramos raz\u00f5es. Porque somos extremamente etnocentrados.\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Aldrich; font-size: 20px;\">\u201cSe te sentes sem sa\u00edda n\u00e3o est\u00e1s s\u00f3\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode ser esse etnocentrismo a explicar que aquilo a que se d\u00e1 o nome de <em>psychic numbing<\/em> esteja a afirmar-se entre n\u00f3s de forma mais generalizada nos \u00faltimos tempos, aventa esta psic\u00f3loga, que nota um crescendo desse tipo de fen\u00f3meno na sua pr\u00e1tica cl\u00ednica. O que se dever\u00e1, cr\u00ea, n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 imers\u00e3o di\u00e1ria no tsunami informativo mas tamb\u00e9m ao facto de \u201chaver mais coisas a acontecer no hemisf\u00e9rio ocidental\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos \u00faltimos anos, a incerteza sobre o presente e o futuro passou a atingir de forma particularmente aguda a Europa e as Am\u00e9ricas. Se a pandemia, com o seu sabor apocal\u00edptico, surtiu um grande rombo na forma como vemos as coisas, ser\u00e1 provavelmente a partir da segunda invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia pela R\u00fassia, em Fevereiro de 2022, a que se seguiu, a 7 de Outubro de 2023, o horrendo ataque do Hamas a Israel e a infind\u00e1vel e genocida retalia\u00e7\u00e3o deste pa\u00eds sobre Gaza, e logo depois a altera\u00e7\u00e3o, com a segunda era Trump, a partir de 2025, do papel dos EUA no mundo e na rela\u00e7\u00e3o com a Europa, e tamb\u00e9m agora o ataque conjunto de EUA e Israel ao Ir\u00e3o, que o sentimento de \u201c\u00e9 de mais, n\u00e3o consigo\u201d se notabiliza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Claro que, como bem nota Ana Cardoso de Oliveira, a preocupa\u00e7\u00e3o com Gaza e com as consequ\u00eancias da mudan\u00e7a pol\u00edtica nos EUA ou com a actual ofensiva contra o Ir\u00e3o \u201cn\u00e3o est\u00e3o presentes em todas as pessoas, mas mais nas camadas diferenciadas da popula\u00e7\u00e3o\u201d. Dever-se-\u00e1, de resto, sublinhar que aquilo que para uns \u00e9 grande motivo de ang\u00fastia \u2014 a escalada do extremismo nativista, do racismo, xenofobia e misoginia, e o aumento do apoio a ideias, regimes ou pol\u00edticos autocr\u00e1ticos e belicistas \u2014 ser\u00e1 para outros raz\u00e3o de alegria, esperan\u00e7a, maior confian\u00e7a no futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta mat\u00e9ria, h\u00e1 uma forte divis\u00e3o entre a esquerda e a direita. Quem, como a antrop\u00f3loga brit\u00e2nica Theresa MacPhail num artigo publicado em Janeiro no <em>Guardian <\/em>(\u201cVivemos num tempo de policrise. Se te sentes sem sa\u00edda n\u00e3o est\u00e1s s\u00f3\u201d), fala da incapacidade de imaginar \u201cum futuro melhor\u201d, da sensa\u00e7\u00e3o paralisante de apenas existirmos, sem horizonte, encurralados no agora, n\u00e3o pertence decerto \u00e0s fileiras dos movimentos que recuperam ideologias que se julgou, pelo menos no que respeita ao Ocidente, terem sido para sempre derrotadas h\u00e1 quase um s\u00e9culo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cN\u00e3o tinha realmente percebido o quanto a ideia de um futuro melhor me aguentava \u2014 como me tornava a vida mais viv\u00edvel, as dificuldades mais suport\u00e1veis, e possibilitava a criatividade. Quando pod\u00edamos facilmente imaginar um mundo mais justo e mais saud\u00e1vel, era mais f\u00e1cil comprometermo-nos com projectos de longo prazo e investir na pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong>, escreve MacPhail.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 como se a linha daquilo que uma parte das pessoas \u2014 as que sentem este desalento, precisamente \u2014 via como progresso se tivesse partido, e a reac\u00e7\u00e3o fosse a de deixar cair os bra\u00e7os, porque se sente que, perante uma tal regress\u00e3o, n\u00e3o vale mais a pena lutar. Que, como na can\u00e7\u00e3o dos Xutos e Pontap\u00e9s <em>O Homem do Leme<\/em> (\u201ca vida \u00e9 sempre a perder\u201d), a hist\u00f3ria, o mundo, s\u00e3o sempre a perder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Twitter e nas respostas \u00e0 pergunta inicial, a conta an\u00f3nima @masquepiada\u00e9queissotem resume, como num longo e soturno suspiro, esse des\u00e2nimo: <strong>\u201cSinto uma certa pena e um certo desapontamento por n\u00e3o poder deixar um mundo melhor como os meus pais acreditavam que me deixavam a mim. Mas olhando a hist\u00f3ria, o per\u00edodo de paz e acalmia que se viveu na Europa depois da Segunda Guerra Mundial foi uma excep\u00e7\u00e3o na humanidade. E foi uma excep\u00e7\u00e3o europeia. (\u2026) No fim de contas, n\u00e3o temos como resolver nada sobre as guerras em curso. Mas lamento profundamente que se esteja a regressar a um mundo mais inconstante, onde manda o <\/strong><em><strong>bully<\/strong><\/em><strong> da escola.\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m no Twitter mas em sentido contr\u00e1rio, a escritora e jornalista In\u00eas Pedrosa, 63 anos, aconselha contextualiza\u00e7\u00e3o e, portanto, esperan\u00e7a e ganas. \u201cTodos os dias ao acordar, desde muito mi\u00fada, agrade\u00e7o \u00e0 sorte n\u00e3o ter nascido num pa\u00eds isl\u00e2mico. Nos dias piores, ler Hannah Arendt tamb\u00e9m ajuda. Ou a Hist\u00f3ria da Idade M\u00e9dia, ou da Roma Antiga. Ou a vida das mulheres na encantadora democracia grega. (\u2026) Al\u00e9m desta ep\u00edgrafe existencial que roubei ao Savater: &#8216;Recusar-me-ia a\u00a0 nascer antes da inven\u00e7\u00e3o da anestesia\u2019. (Cuja hoje em dia n\u00e3o \u00e9 acess\u00edvel a nenhuma mulher no Afeganist\u00e3o\u2026) <strong>O progresso n\u00e3o \u00e9 uma linha recta, mas existe<\/strong>.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.dn.pt\/sociedade\/ep-desisto-no-quero-saber-mais-quanto-mais-o-mundo-precisa-de-salvao-maior-a-indiferena\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Di\u00e1rio de Not\u00edcias<\/a><br \/>\nFernanda C\u00e2ncio<br \/>\n10.03.2026, 20:12<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-323\" src=\"https:\/\/inforgomes.pt\/social\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/palmas.gif\" alt=\"\" width=\"152\" height=\"160\" \/><\/p>\n<p>Visita: <a href=\"https:\/\/www.counter12.com\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.counter12.com\/img-4a7dA6y13914Db88-26.gif\" alt=\"web counter free\" border=\"0\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><div class=\"note\"><div class=\"notewarning\">- Neste Blogue, escreve-se em Portugu\u00eas \ud83c\uddf5\ud83c\uddf9 de Portugal (n\u00e3o adulterado pela coloniza\u00e7\u00e3o do AO).<\/div><\/div><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1223\" src=\"https:\/\/inforgomes.pt\/cozinha\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/0-coracao_transp.png\" alt=\"\" width=\"136\" height=\"122\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1758\" src=\"https:\/\/inforgomes.pt\/cozinha\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/nao-AO.png\" alt=\"\" width=\"128\" height=\"128\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1791\" src=\"https:\/\/inforgomes.pt\/cozinha\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/meio-ambiente.png\" alt=\"\" width=\"127\" height=\"130\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_1157\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"1157\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" src=\"https:\/\/inforgomes.pt\/social\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>0 0 &nbsp; \ud83c\uddf5\ud83c\uddf9\u00a0OPINI\u00c3O H\u00e1 quem fale de \u201cpsychic numbing\u201d (\u201centorpecimento psicol\u00f3gico\u201d) e quem use a express\u00e3o \u201cfadiga da solidariedade\u201d. Certo \u00e9 que parece haver cada vez mais pessoas, face ao carrossel de trag\u00e9dias e ao sentimento de \u201ctudo cada &hellip; <a href=\"https:\/\/inforgomes.pt\/social\/epa-desisto-nao-quero-saber-mais-quanto-mais-o-mundo-precisa-de-salvacao-maior-a-indiferenca\/\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_1157\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"1157\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" src=\"https:\/\/inforgomes.pt\/social\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,5,303,4,14],"tags":[],"class_list":["post-1157","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-diario-de-noticias","category-fernanda-cancio","category-marco-2026","category-opiniao","category-portugal"],"a3_pvc":{"activated":true,"total_views":3,"today_views":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/inforgomes.pt\/social\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1157","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/inforgomes.pt\/social\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/inforgomes.pt\/social\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/inforgomes.pt\/social\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/inforgomes.pt\/social\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1157"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/inforgomes.pt\/social\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1157\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1164,"href":"https:\/\/inforgomes.pt\/social\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1157\/revisions\/1164"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/inforgomes.pt\/social\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1157"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/inforgomes.pt\/social\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1157"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/inforgomes.pt\/social\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1157"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}