“Integrity” em casa: a cápsula Orion amara no Pacífico e astronautas são levados para navio da Marinha

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Quatro tripulantes em estado verde”, reportou Reid Wiseman minutos após o impacto, assinalando que a equipa está de excelente saúde e a cápsula está estável.

O momento do “splashdown” no Pacífico.
NASA

É oficial. Às 01:07,27 (hora de Lisboa), a cápsula Orion, baptizada de Integrity pela sua tripulação, pela resistência que demonstrou, tocou as águas do Oceano Pacífico, ao largo da costa da Baixa Califórnia, culminando uma missão de precisão absoluta. O sistema de 11 para-quedas funcionou impecavelmente, reduzindo a velocidade de descida de uns estonteantes 40.000 km/h para apenas cerca de 30 km/h no momento do impacto.

O escudo térmico, que enfrentou temperaturas de quase 2800°C durante a reentrada, provou ser a barreira intransponível necessária para proteger Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen.

 

Pouco depois do impacto controlado, o Comandante Reid Wiseman enviou a mensagem que o mundo esperava ouvir: “Que aventura. Estamos estáveis. Quatro tripulantes em ‘estado verde'”. Esta confirmação técnica de que Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen se encontram em perfeitas condições físicas marca o desfecho triunfal da primeira missão tripulada à Lua em mais de 50 anos.

A operação de recuperação, coordenada pela Marinha dos EUA e pela NASA a cerca de 3.200 quilómetros a sudoeste de San Diego, avançou de imediato para retirar os astronautas da cápsula.

Nesta fase, no entanto, surgiu um problema: inicialmente, a Marinha não conseguia estabelecer comunicação de duas vias com a tripulação. Era possível ouvir Reid Wiseman e os seus companheiros, mas estes não ouviam o que lhes era transmitido. A Marinha e a NASA foram obrigados a tentar canais alternativos antes de abordarem a Integrity.

Entretanto, segundo a transmissão em directo da NASA, a tripulação da Orion executou os procedimentos de desactivação do engenho.

Cerca de uma hora depois, a operação de resgate atingiu o seu ponto alto com a chegada bem-sucedida dos quatro astronautas ao convés do navio da Marinha dos EUA, o USS John P. Murtha.

A chegada dos astronautas a bordo no navio.
NASA

Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen foram transportados directamente da cápsula para o navio através de helicópteros, uma opção estratégica da NASA por ser significativamente mais rápida do que o transporte por barco. Esta agilidade é fundamental para minimizar o tempo que a tripulação passa à deriva, garantindo que a transição da micro-gravidade para a gravidade terrestre seja o mais suave possível.



A bordo do navio, os heróis lunares foram recebidos por um comité entusiasta de cerca de 550 pessoas, entre militares e equipas técnicas da NASA.

A prioridade agora recai inteiramente sobre as avaliações médicas detalhadas que já começaram na baía de saúde do navio. Embora o Comandante Wiseman tenha confirmado que todos se sentiam bem, estes exames são cruciais para monitorizar como os seus corpos reagem ao regresso após 10 dias no espaço profundo, antes de seguirem viagem para solo firme.

Uma espera ainda longa

A missão Artemis II só termina verdadeiramente quando os astronautas chegam em segurança ao convés do navio de recuperação da Marinha dos EUA. Este processo é longo, pois há uma sequência meticulosa de segurança que acontece nestas alturas.

No interior da cápsula, a tripulação ocupa-se com a desactivação manual dos sistemas da Orion e com os preparativos para a abertura da escotilha. Lá fora, realiza-se trabalho de alto risco: mergulhadores especializados avaliam a qualidade do ar e da água em redor da nave para garantir que não existem fugas de substâncias tóxicas, como amoníaco ou combustíveis hipergólicos.

A fase final focada-se na saúde dos quatro exploradores. Só após oficiais médicos entrarem na cápsula, um de cada vez, e terem realizado uma avaliação rápida do estado físico de cada tripulante, que acabaram de sofrer o choque de regressar à gravidade terrestre é que é dada luz verde para saírem.

O protocolo prevê desde início uma ordem de saída específica: Christina Koch tem ordem de ser a primeira a abandonar a nave, seguida de Victor Glover, Jeremy Hansen e, finalmente, o Comandante Reid Wiseman.

Escudo térmico funcionou

O escudo térmico da Integrity cumpriu a sua função crítica, protegendo o interior da nave enquanto esta atravessava a atmosfera a velocidades hipersónicas.

Com este sucesso absoluto, a NASA valida não só a tecnologia da Orion, mas também a resiliência humana para missões de longa duração no espaço profundo. O caminho para a Artemis III e para o próximo passo no solo lunar está agora oficialmente aberto, com a confiança de uma tripulação que provou estar à altura deste desafio.

Abertura dos para-quedas que fizeram a última “travagem” da cápsula ates do “splashdown”.
NASA

Tecnicamente, o que regressou à Terra foi apenas o Módulo de Tripulação da Orion. O Módulo de Serviço Europeu (ESM), que forneceu electricidade e propulsão durante a viagem, separou-se da cápsula cerca de 20 minutos antes da reentrada na atmosfera e desintegrou-se de forma segura sobre o oceano. Assim, a Integrity — protegida pelo seu escudo térmico de 5 metros de diâmetro — foi a única parte do conjunto a enfrentar o calor extremo da reentrada, garantindo que os quatro exploradores regressassem sãos e salvos a uma distância de cerca de 3200 quilómetros da costa da Califórnia.

Vista da Terra a bordo da nave imediatamente antes da reentrada.
NASA

Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e o canadiano Jeremy Hansen enfrentaram temperaturas extremas enquanto o veículo viaja a cerca de 38.600 km/h — aproximadamente 32 vezes a velocidade do som. Este regresso marcou o fim da missão Artemis II, a primeira viagem tripulada às vizinhanças da Lua desde 1972, provando que a humanidade está finalmente pronta para voltar a “vizinhança” lunar.

O momento de separação do módulo de serviço da secção da tripulação, em órbita da Terra.
NASA

Diário de Notícias
Ricardo Simões Ferreira
11.04.2026

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