🇵🇹 OPINIÃO
Todos os anos vamos para a rua pôr à vista uma realidade que contraria as ilusões instiladas pela extrema-direita na opinião pública – que a maioria o da população se reconhece no 25 de Abril, que os jovens não viraram as costas ao 25 de Abril e que a crítica a determinadas políticas públicas do Estado, seja de que área política elas venham, não quer dizer que rejeitemos a forma democrática de governo.
Este consenso transcende esquerda e direita e não é exclusivo de velhinhos a tremer pelas suas reformas, pois vimos muitos jovens na rua, com os cravos bem vermelhos a brilhar nas mãos.
Quer isto dizer que não existem problemas com as gerações que não viveram a Revolução e não conheceram o regime que nos foi imposto pela extrema-direita? Não, esse problema existe, essa distância é real, e, como disse o nosso Presidente da República, não podemos pedir aos mais jovens que amem o 25 de Abril por imposição, pois “ninguém ama por decreto ou procuração aquilo que não viveu”.
Por isso teremos de repetir sem quebras o que significou para nós essa data e, sobretudo, o que é viver num país democrático. Teremos de contrariar, com um discurso simples e sem chavões, as falsidades da extrema-direita, de onde surgiu agora a mentira da “facada nas costas” que teria sido dada pelo 25 de Abril a uma Guerra Colonial justa, ganha e aplaudida internacionalmente.
A mentira tem de ser desmentida com clareza, em vez de ser difundida acriticamente por uma comunicação social fascinada com as falsidades, quando as verdades não vendem.
Há uma desilusão com a política, quando a política falha nas promessas que faz aos eleitores. E é fácil, demasiado fácil, atribuir à maldade dos partidos e dos eleitos os fracassos havidos, em lugar de debater as soluções que cada força política propõe (ou não propõe) para os problemas. É que resolver problemas é mais complicado do que gritar “vergonha” no Parlamento e insinuar que um chefe todo-poderoso daria num ápice a felicidade a todos.
Acabar com a corrupção é fácil, quando se dispõe de uma censura eficaz, pois o que não vem a público deixa de existir. Minimizar as falhas dos serviços do Estado é fácil, desde que elimine, por via autoritária, qualquer escrutínio público. Nós lembramo-nos disso. Lembramo-nos da guerra e da miséria, dos interditos e das prisões. Lembramo-nos dos coronéis da censura e dos informadores da PIDE. Lembramo-nos da tortura nas prisões, dos Tribunais Plenários, das medidas de segurança, que permitiam manter um cidadão ou uma cidadã na prisão por tempo indefinido, mesmo sem acusação processual, mesmo com sentença de absolvição lavrada.
Hoje a prioridade política é defendermo-nos dos falsos salvadores.
Viva o 25 de Abril!
Diário de Notícias
Luís Castro Mendes
Diplomata e escritor
29.04.2026



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