🇵🇹 PORTUGAL // SNS // FALHA INFORMÁTICA
Apagão está a afectar gravemente o funcionamento dos Cuidados de Saúde Primários e de várias unidades hospitalares do Serviço Nacional de Saúde.

Um apagão informático está a afetar gravemente o funcionamento dos Cuidados de Saúde Primários e de várias unidades hospitalares do Serviço Nacional de Saúde, denuncia o Sindicato Independente dos Médicos (SIM), que dá conta de relatos de “uma falha informática generalizada”.
“Nos Cuidados de Saúde Primários, a falha reportada é total, impedindo o normal acesso aos sistemas informáticos essenciais à actividade clínica. Nos hospitais do SNS, estão igualmente indisponíveis os sistemas que dependem de ligação à Internet, com impacto directo nos actos necessários à prestação de cuidados”, indica um comunicado publicado no site oficial do SIM.
A falha está também a afectar os serviços de saúde das Regiões Autónomas e sector privado de todo o território nacional, com constrangimentos reportados no acesso à emissão de Certificados de Incapacidade Temporária (CIT) e à Prescrição Electrónica Médica (PEM).
A situação “não é um mero constrangimento técnico”. “É uma falha crítica de funcionamento do SNS, com consequências imediatas para os médicos, para os restantes profissionais de saúde e, sobretudo, para os doentes”, vinca o SIM.
Sem sistemas informáticos operacionais, os médicos ficam privados do acesso ao processo do doente, antecedentes, medicação habitual, alergias, resultados analíticos, exames complementares, prescrições e referenciações.
As receitas médicas estão a ser passadas em papel e nas farmácias há constrangimentos na dispensa, dá conta o Público. O SIM explica que “a actividade assistencial passa a depender de soluções improvisadas, fragmentadas e inseguras, aumentando o risco de erro médico e comprometendo a qualidade dos cuidados prestados”.
O SIM defende que “não deverão ser realizadas consultas médicas quando a falha impeça o acesso aos registos clínicos anteriores, diagnósticos, medicação habitual, alergias ou outros elementos essenciais à decisão médica” e considera que “obrigar os médicos a consultar nestas condições representa uma intolerável intensificação do risco profissional, potencia o erro médico por ação ou omissão e transfere para os profissionais uma responsabilidade que pertence às entidades que têm o dever de assegurar sistemas funcionais, seguros e com planos de contingência adequados”.
“O SNS não pode funcionar dependente da improvisação. A digitalização da saúde exige redundância, segurança, planos de contingência testados, comunicação clara e capacidade de resposta imediata. Quando os sistemas falham, falha também a organização que devia garantir a continuidade assistencial”, frisa o SIM.
Diário de Notícias
David Pereira
12.06.2026

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