🇵🇹 OPINIÃO
D. Luís, um dos nossos últimos reis, era gostado pela arraia miúda. Não fazia ondas, defendia a paz perpétua e adorava ver pessoas alegres e que dançassem. Foi ele quem, pela primeira vez, ligou o 10 de Junho a uma festa nacional – em 1880 a data era redonda e o poeta d’ Os Lusíadas completava 300 anos, perfeito para uma celebração.
O hino que conhecemos ainda não existia, só dez anos mais tarde, como reacção ao Ultimato Inglês, Henrique Lopes de Mendonça e Alfredo Keil compuseram letra e música para uma canção de protesto. Tornou-se ícone da República e símbolo do país.

“Por falar do hino, ouviram-no na voz de Bárbara Bandeira na final da Taça de Portugal? Uma esmagadora surpresa, uma lição de humildade e um sinal de inteligência.”
FOTO: D.R. / Arquivo
Todos o cantamos, todos o sentimos e todos o interpretamos à nossa maneira. Os patriotas de extrema-direita dançam-no como no tempo de Salazar, os patriotas de extrema-esquerda bailam como no PREC, os moderados de esquerda e direita com orgulho, o povo com paixão e, se formos Campeões do Mundo de Futebol, por uma vez que seja, seremos capazes de o cantar a uma só voz.
Por falar do hino, ouviram-no na voz de Bárbara Bandeira na final da Taça de Portugal? Uma esmagadora surpresa, uma lição de humildade e um sinal de inteligência.
Surpresa por a melhor de todas as versões em meio século ter sido a de uma miúda pop e que canta temas levezinhos e comerciais; humildade por a vida, mais uma vez, me mostrar que julgar antecipadamente faz pouco ou nenhum sentido; e por fim a inteligência de Bárbara, que nos provou o quanto o hino pode, pela simplicidade e ausência de floreados, ser pertença de todos a uma só voz.
Desculpa, Bárbara. Começarei a seguir o que desejas dizer ao mundo.
Diário de Notícias
Luís Osório
Escritor, jornalista e cronista
10.06.2026

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