🇵🇹 OPINIÃO
O Ministro da Educação admite uma investigação ao que está a acontecer nas escolas públicas frequentadas por crianças e adolescentes. A reportagem no Público criou ondas de choque: 79 associações de estudantes, de escolas de norte a sul, pagaram a actores pornográficos e misóginos para animar a malta. As sessões levaram os alunos ao delírio e vários professores assistiram à performance de “machonitos” de tronco nu e cuecas a transbordar das calças.
A indignação obriga-me a um sorriso triste. Porque a maioria dos que se chocaram não faz ideia da música que os miúdos ouvem, dos influencers que os contaminam, da linguagem que usam, das referências que têm.

Artur Machado
Há centenas de escolas primárias, para não falar dos outros ciclos, em que as festas de final de período, incluindo o Natal, são feitas à base das músicas rascas que as crianças conhecem e consomem em casa. Música funk, com letras ordinárias, machistas, sexualizadas e altamente promiscuas.
Não sou moralista. Acredito no futuro e nas gerações dos meus filhos e futuros netos. No entanto, que não haja ilusões. Há uma multidão de miúdos que está a crescer sem referências. Lê pouco ou nada, está online em permanência e venera pessoas de quem nunca ouvimos falar, gente com milhares e milhares de seguidores que são populares por serem “manos muita-malucos e bacanos”.
Estamos chocados pelos idiotas que entram nas escolas dos nossos filhos com a autorização dos directores, mas ligamos pouco ou nada ao que nos trouxe até aqui.
Diário de Notícias
Luís Osório
04.03.2026



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A sociedade está podre, sem ética, sem valores, imoral, sem princípios, incivilizada, não respeita a cidadania. É como um cancro incurável que vai minando esta gente aos poucos até ao suspiro final.