68: Eclipses estelares lançam luz sobre possíveis novos mundos

1
0

 

Um estudo de dados do TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA acerca de pares de estrelas que sofrem eclipses mútuos revelou mais de duas dúzias de candidatos a exoplanetas, ou mundos para lá do nosso Sistema Solar. Este método permite à missão localizar planetas que, de outra forma, não conseguiria detectar.

Um planeta gigante gasoso destaca-se em primeiro plano, à direita, iluminado por um par de estrelas, nesta representação artística de um mundo num sistema binário. O TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA descobriu planetas em sistemas estelares binários, observando a diminuição do brilho estelar quando os planetas passam à frente de uma delas. Os astrónomos demonstraram agora um novo método para encontrar planetas nestes sistemas, concentrando-se no momento em que ocorrem os eclipses mútuos das estrelas.
Crédito: Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA/Chris Smith (USRA)

Até à data, o TESS descobriu 885 exoplanetas confirmados e identificou mais de 7900 candidatos, quase todos encontrados porque os planetas, da perspectiva do Sistema Solar, passam à frente das suas estrelas. Estes eventos, chamados de trânsitos, produzem uma pequena e regular diminuição no brilho da estrela hospedeira. O TESS também observa dezenas de milhares de estrelas binárias eclipsantes – duas estrelas em órbita que se eclipsam mutuamente e alternadamente, do nosso ponto de vista.

Os astrónomos conseguem detectar a atracção gravitacional dos exoplanetas nestes sistemas medindo cuidadosamente o momento exacto de muitos eclipses. Antes do novo estudo, as descobertas do aposentado telescópio espacial Kepler, e de outras instalações, tinham registado 16 mundos em trânsito em torno de estrelas binárias, enquanto o TESS tinha encontrado mais dois.

“Identificar trânsitos em sistemas binários é claramente um desafio, mas gostaríamos de saber mais sobre a variedade de planetas que se podem formar em torno de duas estrelas ligadas gravitacionalmente”, afirmou a líder do estudo, Margo Thornton, doutoranda na UNSW (University of New South Wales), em Sydney. “Por isso, desenvolvemos um levantamento para procurar planetas utilizando eclipses estelares que não se limita à orientação da órbita do planeta”.

O artigo científico que descreve as descobertas foi publicado no passado dia 4 de Maio na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

No caso de planetas localizados em sistemas binários, a orientação da órbita do planeta pode dar-nos informações sobre como esse sistema se formou. Alguns modelos de formação planetária em sistemas binários sugerem que os planetas se formam principalmente perto do plano formado pelas duas estrelas em órbita, aumentando a probabilidade de os sistemas binários abrigarem mundos em trânsito. Mas outros modelos indicam um processo de formação muito mais desordenado, com o par estelar a empurrar os seus planetas jovens para trajectórias mais amplas e inclinadas, muito menos propensas a sofrer trânsitos.

O momento dos eclipses estelares pode mudar gradualmente através de interacções de maré e de rotação entre as estrelas, dos efeitos da relatividade geral e da presença de outras massas invisíveis, como planetas, no sistema. Todas estas forças fazem com que todo o plano orbital do binário gire, ou precesse, e isto, por sua vez, altera o momento do eclipse.

“A chave para calcular todas estas diferentes influências é o vasto e rico conjunto de observações disponibilizadas pelo TESS”, afirmou o co-autor Benjamin Montet, professor associado na UNSW. “Após analisarmos 1590 binários com pelo menos dois anos de dados do TESS, identificámos 27 com planetas candidatos que aguardam agora confirmação”.

Explore como as observações de eclipses estelares podem ampliar as capacidades do TESS, levando à descoberta de novos candidatos a planetas que, de outra forma, não seriam detectados.
Crédito: Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA/Francis Reddy

Desde o início das operações científicas em 2018 que o TESS tem varrido o céu observando vastas áreas, denominadas “sectores”, durante quase um mês. Actualmente, as câmaras da missão captam uma única imagem de todo o sector, com 24 por 96 graus, aproximadamente a cada 3 minutos, realizando observações ainda mais rápidas de alvos seleccionados.

As massas dos novos candidatos permanecem incertas, mas a equipa estima que o mundo mais pequeno possa ter apenas 12 massas terrestres, com o maior a atingir cerca de 3200 massas terrestres, ou cerca de 10 vezes a massa de Júpiter. A confirmação destes planetas exigirá futuras observações terrestres que meçam com precisão as velocidades das estrelas hospedeiras, o que revelará os ligeiros efeitos gravitacionais de quaisquer possíveis planetas.

“A missão TESS foi concebida para encontrar planetas em trânsito e é fantástico ver como as mesmas medições estão a impulsionar descobertas muito além da sua missão original”, afirmou Allison Youngblood, cientista do projecto TESS no Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, em Greenbelt, Maryland, EUA. “A recolha contínua de dados da missão é um tesouro que permite novas descobertas numa vasta gama de tópicos astronómicos, desde asteróides no Sistema Solar até galáxias activas alimentadas por buracos negros no Universo distante”.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)

CCVALG
08.05.2026

🇵🇹 Aqui escreve-se em Português de Portugal (não adulterado), pré-AO 🇵🇹

Portal: https://inforgomes.pt/

Webdesigner, Computer Networks and Systems, Programmer, Astronomer, Photographer, Blogger, Culinary Cook, Certificate Microsoft Network Server, Administrative and Financial Manager, IA, Scientific Researcher, Digital Content Performer, Musician: Spanish Classical Viola, Double Bass, Vocalist and Drummer

published in: 1 mês ago

 

Loading

67: Eclipse solar mais longo está a chegar e é o último que vais ver

1
0

 

O universo tem formas incríveis de nos surpreender e de nos lembrar da nossa pequenez face à imensidão do cosmos. Efectivamente, prepara-te para testemunhar um dos eventos espaciais mais raros e espectaculares da nossa era. Assim os astrónomos já confirmaram que o eclipse solar mais longo do século está prestes a acontecer. De facto, será uma oportunidade verdadeiramente única na vida para observar a grandiosidade do sistema solar em tempo real e de forma totalmente natural.

Porque é que os eclipses mexem com o nosso corpo? A ciência descobriu

Eclipse solar mais longo: um apagão com planetas e estrelas a meio do dia

Antes de mais, o detalhe mais fascinante e alucinante deste evento não é apenas o simples desaparecimento do sol. Neste sentido, a escuridão provocada pela passagem da Lua será tão incrivelmente profunda e densa que vai alterar por completo o nosso céu diurno.

Eclipse solar com anel de fogo durante eclipse total da Lua na Terra.
© Leak

Como resultado, no pico máximo do eclipse, o brilho ofuscante do sol será bloqueado a um nível extremo. Graças a isso, poderás olhar para cima e ver perfeitamente várias constelações e estrelas brilhantes que normalmente estariam escondidas. Adicionalmente, este apagão natural vai revelar até alguns planetas vizinhos a olho nu no meio do dia, criando uma paisagem visual que parece ter saído directamente de um filme de ficção científica.

Prepara o calendário: A data que não podes esquecer

O eclipse solar mais longo do século XXI acontecerá no dia 2 de Agosto de 2027.

Desta forma, tens tempo mais do que suficiente para planear a tua observação ao detalhe, garantires que tens os teus óculos de protecção espacial prontos a usar e até preparares as tuas férias. O fenómeno será fortemente visível no Norte de África, no Médio Oriente e em partes da Europa!

Uma oportunidade que demora 157 anos a voltar

Se pensas que podes simplesmente deixar passar este evento e apanhar o próximo na televisão, estás redondamente enganado. Ainda neste seguimento, os cálculos matemáticos são implacáveis e precisos em relação às órbitas. Um eclipse com esta duração de tempo excepcional que atingirá os 6 minutos e 23 segundos de escuridão não se repetirá durante os próximos cento e cinquenta e sete anos.

dores nos olhos eclipse

Consequentemente, é literalmente um momento de agora ou nunca para qualquer ser humano vivo actualmente. Assim a duração recorde deste bloqueio solar vai permitir aos cientistas e aos curiosos terem tempo mais do que suficiente para desfrutar, fotografar e absorver cada segundo deste espectáculo sem aquela típica pressa habitual dos eclipses mais curtos.

Vivemos constantemente de cabeça baixa e demasiado agarrados aos ecrãs dos nossos telemóveis, esquecendo-nos frequentemente de olhar para o tecto do nosso mundo. Dito isto, eventos gigantescos desta magnitude são um autêntico alerta visual para nos acordar para a realidade espectacular que existe acima das nossas cabeças.

O facto brutal de podermos ver estrelas e planetas a brilhar a meio do dia, graças a um alinhamento perfeito de rochas espaciais, é de rebentar com a escala do espectáculo. Marca o dia 2 de Agosto de 2027 a vermelho no teu calendário, larga o teu smartphone no bolso durante esses minutos cruciais e aproveita este bilhete VIP grátis que a natureza te está a oferecer. Não vais estar cá para ver o próximo, por isso garante que não perdes este por nada deste mundo!

Leak
04.05.2026

🇵🇹 Aqui escreve-se em Português de Portugal (não adulterado), pré-AO 🇵🇹

Portal: https://inforgomes.pt/

Webdesigner, Computer Networks and Systems, Programmer, Astronomer, Photographer, Blogger, Culinary Cook, Certificate Microsoft Network Server, Administrative and Financial Manager, IA, Scientific Researcher, Digital Content Performer, Musician: Spanish Classical Viola, Double Bass, Vocalist and Drummer

published in: 1 mês ago

 

Loading

66: As estrelas jovens perdem brilho nos raios X com uma rapidez surpreendente

1
0

 

Os cientistas descobriram que as jovens estrelas semelhantes ao nosso Sol estão a acalmar-se e a diminuir a sua emissão de raios X mais rapidamente do que se pensava, de acordo com um novo estudo que utilizou o Observatório de raios X Chandra da NASA.

Os enxames estelares Trumpler 3 e NGC 2353
Crédito: raios X – NASA/CXC/Universidade do Estado da Pensilvânia/K. Getman; ótico/infravermelho – PanSTARRS; processamento de imagem – NASA/CXC/SAO/N. Wolk

Ao contrário do que acontece no filme “Projecto Hail Mary”, este apaziguamento das estrelas jovens é um benefício para as perspectivas de vida nos planetas em órbita – e não uma ameaça.

Os astrónomos utilizaram o Chandra e outros telescópios para monitorizar a forma como a potente radiação das estrelas jovens – frequentemente sob a forma de perigosos raios X – pode bombardear os planetas que as rodeiam. No entanto, não sabiam durante quanto tempo esta investida altamente energética se prolongava.

Este último estudo analisou oito enxames de estrelas com idades compreendidas entre os 45 milhões e os 750 milhões de anos. Os investigadores descobriram que as estrelas semelhantes ao Sol nestes enxames libertavam apenas cerca de um-quarto a um-terço dos raios X que esperavam.

“Enquanto a ficção científica – como os micróbios no filme ‘Projecto Hail Mary’ – imagina vida alienígena que atenua o output estelar ao consumir a sua energia, as nossas observações reais revelam um ‘apaziguamento’ natural de jovens estrelas semelhantes ao Sol em raios X”, afirmou Konstantin Getman, autor principal do novo estudo publicado na revista The Astrophysical Journal e professor na Universidade do Estado da Pensilvânia, nos EUA. “Isto não se deve ao facto de uma força externa estar a consumir a sua luz, mas sim porque a sua geração interna de campos magnéticos se torna menos eficiente”.

Na verdade, esta diminuição da actividade poderá ser benéfica para a formação de vida em planetas que orbitam estrelas que são versões mais jovens do nosso próprio Sol (o nosso Sol tem cerca de 4,6 mil milhões de anos, sendo assim significativamente mais velho do que as estrelas analisadas neste estudo). Isto deve-se ao facto de grandes quantidades de raios X poderem corroer a atmosfera de um planeta e impedir a formação das moléculas necessárias para a vida orgânica tal como a conhecemos.

Em média, estrelas com três milhões de anos e uma massa igual à do Sol produzem cerca de mil vezes mais raios X do que o Sol actual. Por sua vez, estrelas com 100 milhões de anos e uma massa solar são cerca de 40 vezes mais brilhantes em raios X do que o Sol actual.

Ilustração de uma jovem estrela semelhante ao Sol a corroer parte da atmosfera de um planeta em órbita.
Crédito: NASA/SAO/CXC/M. Weiss

“É possível que devamos a nossa existência ao facto de o nosso Sol ter feito, há vários milhares de milhões de anos, o mesmo que vemos estas estrelas jovens a fazer agora”, afirmou o co-autor Vladimir Airapetian, do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. “Esta diminuição no mundo real ecoa a dramática mudança estelar da ficção, mas pode ser ainda mais fascinante porque destaca a história real do nosso próprio Sol”.

Os investigadores descobriram que as estrelas com aproximadamente a mesma massa do Sol acalmaram-se relativamente depressa – após algumas centenas de milhões de anos – enquanto as de menor massa mantiveram os seus altos níveis de emissão de raios X por mais tempo.

Em combinação com uma diminuição na energia dos raios X e o desaparecimento de partículas energéticas, as estrelas do tamanho do Sol são aparentemente mais adequadas do que se pensava anteriormente no que toca a planetas com atmosferas robustas e, possivelmente, ao florescimento da vida.

A equipa de investigação também utilizou dados do satélite Gaia da ESA e dados de raios X da missão ROSAT (ROentgen SATellite). Estes dados permitiram-lhes identificar as estrelas que faziam parte dos enxames (e não estrelas à frente ou atrás). Para medir a emissão de raios X das estrelas, realizaram novas observações com o Chandra de cinco enxames com idades entre 45 milhões e 100 milhões de anos, além de utilizarem dados de arquivo do Chandra e do ROSAT para estudar três enxames mais antigos, com idades entre 220 e 750 milhões de anos.

Os astrónomos não tinham, anteriormente, conseguido estudar bem a emissão de raios X de estrelas nesta faixa etária. A maioria dos astrónomos baseava-se em dados escassos e numa relação derivada que prevê a emissão de raios X que as estrelas jovens deveriam produzir com base nas suas idades e rotações. Estrelas mais velhas e com rotação mais lenta são geralmente mais fracas em raios X, mas a equipa descobriu que a emissão de raios X diminui cerca de 15 vezes mais rapidamente do que a relação derivada prevê durante esta fase adolescente específica.

“Só conseguimos ver o nosso Sol neste momento específico no tempo; por isso, para compreender verdadeiramente o seu passado, temos de olhar para outras estrelas com aproximadamente a mesma massa”, afirmou o co-autor Eric Feigelson, também da Universidade do Estado da Pensilvânia. “Ao estudarmos os raios X de estrelas com centenas de milhões de anos, preenchemos uma grande lacuna na nossa compreensão da sua evolução”.

Embora ainda estejam a investigar a causa desta actividade mais lenta do que o esperado, os cientistas pensam que o processo que gera campos magnéticos nestas estrelas pode tornar-se menos eficiente. Isto levaria a que as estrelas se tornassem mais silenciosas em raios X mais rapidamente, à medida que envelhecem. Os investigadores vão continuar a analisar esta e outras causas potenciais para o rápido escurecimento de estrelas jovens semelhantes ao Sol.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Chandra/Harvard (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)

CCVALG
05.05.2026

🇵🇹 Aqui escreve-se em Português de Portugal (não adulterado), pré-AO 🇵🇹

Portal: https://inforgomes.pt/

Webdesigner, Computer Networks and Systems, Programmer, Astronomer, Photographer, Blogger, Culinary Cook, Certificate Microsoft Network Server, Administrative and Financial Manager, IA, Scientific Researcher, Digital Content Performer, Musician: Spanish Classical Viola, Double Bass, Vocalist and Drummer

published in: 1 mês ago

 

Loading

65: Porque é que as estrelas diminuem ou aumentam a sua rotação antes de morrerem

1
0

 

Desde o nascimento até à morte, as estrelas geralmente abrandam entre 100 e 1000 vezes a sua velocidade de rotação inicial. O momento angular total do Sol tem diminuído à medida que o material é gradualmente expelido da superfície sob a forma do vento solar. Ao observar este fenómeno, os astrónomos teorizaram que a interacção entre os campos magnéticos e o fluxo de plasma é a forma mais eficiente de fazer as estrelas perderem velocidade.

Ilustração das regiões internas de uma estrela massiva durante a sua fase final de combustão das camadas de oxigénio (verde) e silício (verde-azulado), antes do colapso do núcleo de ferro (azul-escuro). A intensidade e a geometria do campo magnético, combinadas com as propriedades da convecção na região do oxigénio, podem fazer com que a velocidade de rotação aumente ou diminua.
Crédito: Universidade de Quioto/Lucy McNeill

O porquê e como isto acontece há muito que interessa aos astrónomos e, recentemente, uma técnica de observação chamada asteros-sismologia, que mede as frequências de oscilação naturais de uma estrela, tornou possível medir as velocidades de rotação internas e os campos magnéticos de outras estrelas na nossa Galáxia. A partir desta enorme população, surgiu uma imagem de como a rotação estelar diminui com a idade estelar, sugerindo que a teoria actual é insuficiente para explicar a diminuição dramática da rotação.

Fascinada pela asteros-sismologia e pelas simulações 3D da zona convectiva solar realizadas por outros investigadores, uma equipa de investigadores da Universidade de Quioto sentiu-se inspirada a investigar como os campos magnéticos afectam a rotação no interior de estrelas massivas.

“Os nossos co-autores na Austrália e no Reino Unido já realizaram simulações magneto-hidrodinâmicas 3D para estrelas massivas antes do colapso do núcleo. Suspeitávamos que o fluxo no interior da zona convectiva da estrela massiva pudesse evoluir de forma análoga à zona convectiva solar”, afirma o líder da equipa, Ryota Shimada.

Através de uma simulação 3D de uma estrela massiva, os investigadores conseguiram investigar directamente a complexa interacção entre a convecção violenta, a rotação e os campos magnéticos. Confirmaram que a rotação interna e o campo magnético co-evoluem de forma semelhante ao dínamo solar: o processo energético que sustenta o campo magnético do nosso Sol. Com estas equações em mãos, a equipa conseguiu prever matematicamente a evolução da rotação interna da estrela ao longo do tempo.

A sua simulação revela que a velocidade e a direcção dos movimentos convectivos foram influenciadas pela rotação e pelos campos magnéticos em escalas de tempo curtas, o que, por sua vez, altera a rotação, fazendo com que ela diminua ou – em alguns casos – aumente.

A equipa conseguiu formular a interacção entre convecção, rotação e campos magnéticos como um modelo para o transporte radial do momento angular para fora e para dentro, mostrando que este transporte em fases de combustão posteriores está directamente relacionado com a geometria do campo magnético.

“Ficámos surpreendidos ao descobrir que algumas configurações dos campos magnéticos acabam por acelerar a rotação do núcleo, sugerindo que a velocidade de rotação final será específica das propriedades da estrela”, afirma a co-autora Lucy McNeill. “A rotação lenta pode até ser impossível em algumas classes de estrelas massivas”.

A sua descoberta do transporte de momento angular magnético durante fases avançadas de combustão sugere que a teoria desenvolvida para descrever a rotação em estrelas do tipo solar pode ser universal. A seguir, a equipa planeia criar simulações de evolução estelar que retratem toda a vida de várias estrelas de baixa a alta massa, para prever as suas velocidades de rotação durante várias fases evolutivas.

// Universidade de Quioto (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)

CCVALG
05.05.2026

🇵🇹 Aqui escreve-se em Português de Portugal (não adulterado), pré-AO 🇵🇹

Portal: https://inforgomes.pt/

Webdesigner, Computer Networks and Systems, Programmer, Astronomer, Photographer, Blogger, Culinary Cook, Certificate Microsoft Network Server, Administrative and Financial Manager, IA, Scientific Researcher, Digital Content Performer, Musician: Spanish Classical Viola, Double Bass, Vocalist and Drummer

published in: 1 mês ago

 

Loading

64: Prepare-se: há uma chuva de meteoros esta semana que pode ver a olho nu

1
0

 

O fenómeno atinge o pico já nos próximos dias e promete iluminar o céu, especialmente antes do amanhecer

Prepare-se: há uma chuva de meteoros esta semana que pode ver a olho nu
© Gettyimages

O céu nocturno vai dar espectáculo esta semana e não precisa de telescópio para assistir.

A chuva de meteoros Eta Aquáridas está de regresso e atinge o seu pico no dia 6 de Maio, oferecendo uma oportunidade única para observar vários meteoros a olho nu. Este fenómeno anual decorre entre o final de Abril e o final de Maio, mas é durante o pico que as condições são mais favoráveis. No Hemisfério Norte, a melhor altura para observar será nas horas que antecedem o amanhecer.

Apesar de ser mais visível no Hemisfério Sul, ainda assim será possível ver cerca de 10 meteoros por hora, desde que as condições sejam favoráveis. E a boa notícia? Não precisa de qualquer equipamento especial.

Para aproveitar ao máximo, o ideal é escolher um local afastado das cidades, onde a poluição luminosa seja reduzida.

Outro detalhe importante: dê tempo aos seus olhos para se adaptarem à escuridão. Chegar ao local cerca de 20 a 30 minutos antes pode fazer toda a diferença.

As Eta Aquáridas têm origem nos detritos deixados pelo Cometa Halley, o mesmo que está na base de outra chuva de meteoros, as Oriónidas, visíveis em Outubro. Mesmo que não consiga ver o fenómeno no pico, ainda terá oportunidade. A chuva de meteoros continuará activa até ao final de Maio, embora com menor intensidade.

Se gosta de olhar para o céu, esta é uma daquelas noites que vale mesmo a pena aproveitar.

SIC Mulher
04.05.2026

🇵🇹 Aqui escreve-se em Português de Portugal (não adulterado), pré-AO 🇵🇹

Portal: https://inforgomes.pt/

Webdesigner, Computer Networks and Systems, Programmer, Astronomer, Photographer, Blogger, Culinary Cook, Certificate Microsoft Network Server, Administrative and Financial Manager, IA, Scientific Researcher, Digital Content Performer, Musician: Spanish Classical Viola, Double Bass, Vocalist and Drummer

published in: 1 mês ago

 

Loading

A Voyager 1 tem pouco tempo restante no espaço interestelar. Uma ambiciosa solução “Big Bang” pode salvá-la

1
0

 

A Voyager 1, actualmente a nave espacial mais distante do nosso planeta, desligou mais um instrumento científico enquanto explora o espaço interestelar desconhecido- uma medida que poderá ganhar tempo para uma tentativa ambiciosa de prolongar a impressionante vida útil da sonda.

Voyager.
JPL-Caltech/NASA © CNN Portugal

A NASA enviou um comando a 17 de Abril para desactivar a experiência de partículas carregadas de baixa energia da nave espacial, ou LECP, na esperança de poupar energia à medida que a Voyager 1 se afasta cada vez mais da Terra, segundo a agência. O mesmo instrumento, que mede a estrutura do espaço entre as estrelas, foi desligado na gémea da Voyager 1, a Voyager 2, em Março de 2025.

As sondas foram lançadas com semanas de intervalo em 1977, cada uma equipada com um conjunto de 10 instrumentos científicos destinados a ajudar as suas passagens por Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno. A Voyager 1 está actualmente a cerca de 25,40 mil milhões de quilómetros (16 mil milhões de milhas) da Terra, enquanto a Voyager 2 está a cerca de 21,35 mil milhões de quilómetros (13 mil milhões de milhas).

São as únicas naves espaciais activas para além da heliosfera, a bolha de campos magnéticos e partículas do Sol que se estende muito para além da órbita de Plutão. Manter as sondas a funcionar durante muito mais tempo do que a sua vida útil prevista de cinco anos implicou desligar diferentes instrumentos ao longo do tempo para preservar a fonte de alimentação limitada de cada nave espacial.

“Embora desligar um instrumento científico não seja a preferência de ninguém, é a melhor opção disponível”, explica Kareem Badaruddin, gestor da missão Voyager no Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA em Pasadena, Califórnia.

“A Voyager 1 ainda tem dois instrumentos científicos em funcionamento- um que escuta as ondas de plasma e outro que mede os campos magnéticos. Continuam a funcionar muito bem, enviando dados de uma região do espaço que nenhuma outra nave humana alguma vez explorou. A equipa continua concentrada em manter os dois Voyagers em funcionamento durante o máximo de tempo possível”.

A Voyager 2 tem ainda três instrumentos científicos em funcionamento.

Os engenheiros esperam que a última jogada de sacrifício possa manter a Voyager 1 a funcionar o tempo suficiente para que a equipa possa lançar uma actualização, apelidada de “Big Bang”, que poderá permitir à sonda recordista continuar a explorar o espaço mais profundamente- e talvez até reiniciar alguns dos seus instrumentos científicos.

A preparar a correcção do “Big Bang”

As duas sondas Voyager funcionam com geradores termo-eléctricos de radioisótopos, ou seja, dispositivos que convertem em electricidade o calor fornecido pelo plutónio em decomposição. Desde que as sondas começaram a voar, há quase meio século, têm vindo a perder cerca de 4 watts de energia por ano.

Gerir o lento mas constante esgotamento de energia obriga os engenheiros a um ato de equilíbrio de alto risco. Desligar instrumentos e aquecedores nas temperaturas gélidas do espaço interestelar arrisca-se a arrefecer as sondas para além de qualquer reparação. Se os tubos de combustível congelarem, as naves espaciais perderão a capacidade de manter as suas antenas apontadas para a Terra e as equipas da NASA perderão o contacto com elas – terminando efectivamente as missões.

Os engenheiros acreditam que o encerramento da maior parte da experiência de partículas carregadas de baixa energia permitirá à Voyager 1 continuar a voar com dois instrumentos funcionais durante cerca de um ano.

Prolongar a vida da missão por tanto tempo poderia levar a Voyager 1 ao seu 50.º aniversário, um prazo que está a preparar o terreno para um dos passos mais empreendedores da equipa.

A equipa tentará fazer uma grande troca nas sondas Voyager, desligando alguns dispositivos eléctricos e ligando outros que consumam menos energia- mantendo o equilíbrio entre manter cada nave espacial quente e continuar a recolher dados científicos.

Este “Big Bang” ocorreria de uma só vez, para uma nave espacial de cada vez. A Voyager 2, que tem um pouco mais de potência e está relativamente mais perto da Terra, servirá inicialmente como objeto de teste durante maio e Junho.

Se o Big Bang for bem sucedido na Voyager 2, a equipa tentará a mesma manobra na Voyager 1 em Julho- e se resultar, a experiência Low-energy Charged Particles poderá ter uma segunda oportunidade de continuar a sua crucial recolha de dados no espaço interestelar.

“Com o LECP descobrimos as propriedades e os efeitos dos raios cósmicos e das partículas solares, e ‘sentimos’ as mudanças na região à nossa volta que determinaram quando a Voyager passou do sistema solar para o espaço interestelar”, escreve Matt Hill, investigador principal do instrumento no Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins, num e-mail.

“Temos esperança de que o último plano dos engenheiros da Voyager possa voltar a ligar o LECP na Voyager 1, para que possamos continuar a conhecer as surpresas que esperam a Voyager nestas regiões distantes do espaço”, acrescenta. “Eles têm um bom historial de parecerem fazer milagres que esticam o fornecimento de energia restante, mas eventualmente esta série vai acabar.”

Uma queda inesperada de energia

Uma ilustração mostra alguns dos instrumentos localizados em cada nave espacial Voyager. Uma ilustração mostra alguns dos instrumentos localizados em cada nave espacial Voyager.
NASA/JPL-Caltech

Durante uma manobra de rotação programada para 27 de Fevereiro, a equipa da missão notou que os níveis de energia da Voyager 1 baixaram inesperadamente. A nave espacial executa habitualmente este tipo de manobras para calibrar o seu instrumento magnetómetro, que mede os campos magnéticos e os ambientes no espaço interestelar.

Se os níveis de energia da Voyager 1 baixassem ainda mais, essa diminuição accionaria um sistema autónomo de segurança chamado sistema de protecção contra falhas de sub-tensão.

O sistema desligaria os componentes da Voyager, e a recuperação de qualquer coisa que fosse desligada durante o processo automático exigiria um esforço de recuperação demorado e arriscado por parte dos engenheiros em terra.

“Penso na protecção contra falhas como uma rede de segurança para um trapezista- está lá, mas na verdade o trapezista nunca deve largar o trapézio”, diz Badaruddin. “A protecção contra falhas coloca a nave espacial num estado seguro, mas temos de a recuperar e ‘voltar ao trapézio’.”

A protecção contra falhas também interrompe temporariamente qualquer transmissão de dados científicos da Voyager para a Terra e aumenta o risco de os instrumentos científicos não voltarem a ligar-se correctamente, disse.

Os engenheiros da missão estavam prontos para agir e consultaram uma lista que tinham compilado juntamente com a equipa científica anos antes sobre a ordem pela qual queriam desligar vários instrumentos, assegurando ao mesmo tempo que a Voyager 1 ainda podia levar a cabo uma missão científica viável.

A experiência “Low-energy Charged Particles” estava no topo da lista. Durante quase 49 anos, o instrumento mediu partículas carregadas como iões, electrões e raios cósmicos provenientes do nosso sistema solar e da galáxia Via Láctea em geral.

As medições forneceram dados sem precedentes sobre regiões de densidade variável para além da heliosfera. Os subsistemas do instrumento incluem um telescópio e um analisador de partículas magnetosféricas, que têm uma visão de 360 graus, graças a uma plataforma rotativa accionada por um motor passo a passo.

Esse pequeno motor, que consome apenas 0,5 watts, permanecerá ligado- o que significa que o próprio instrumento poderá ser reactivado no futuro se houver energia suficiente.

Na Terra, o motor de passo foi testado em cerca de 250 mil passos, o suficiente para funcionar durante as passagens da Voyager 1 por Júpiter e Saturno durante um período de quatro anos.

“O motor de passo funcionou sem falhas durante quase 49 anos e mais de 8,5 milhões de passos”, escreve Stamatios Krimigis, investigador principal do instrumento no Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins, numa mensagem de correio electrónico.

“E, surpreendentemente, continuou a pisar depois de termos desligado o aquecedor suplementar do LECP para poupar energia, e a sua temperatura desceu para -62 graus centígrados. É disto que são feitos os sonhos!”

CNN Portugal
02.05.2026

🇵🇹 Aqui escreve-se em Português de Portugal (não adulterado), pré-AO 🇵🇹

Portal: https://inforgomes.pt/

Webdesigner, Computer Networks and Systems, Programmer, Astronomer, Photographer, Blogger, Culinary Cook, Certificate Microsoft Network Server, Administrative and Financial Manager, IA, Scientific Researcher, Digital Content Performer, Musician: Spanish Classical Viola, Double Bass, Vocalist and Drummer

published in: 1 mês ago

 

Loading

Chandra e Webb “ligam” os pequenos pontos vermelhos

1
0

 

Um objecto recém-descoberto pode ser a chave para desvendar a verdadeira natureza de uma misteriosa classe de fontes que os astrónomos têm recentemente encontrado no Universo primitivo.

Esta imagem de um objecto especial, apelidado de “ponto de raios X”, representa uma descoberta do Chandra que poderá ajudar a explicar a natureza de uma misteriosa classe de fontes no Universo primitivo. A imagem óptica e infravermelha do Hubble mostra a região em torno do ponto de raios X, enquanto a imagem de raios X do Chandra apresenta um grande plano. Antes desta descoberta, não se sabia que os “pequenos pontos vermelhos” observados pelo telescópio Webb emitissem raios X. Este emite, o que leva os investigadores a propor que o ponto de raios X representa uma fase de transição até então desconhecida do crescimento de buracos negros super-massivos.
Crédito: raios X – NASA/CXC/Instituto Max Plank/R. Hviding et al.; ótico/infravermelho – NASA/ESA/STScI/HST; processamento de imagem – NASA/CXC/SAO/N. Wolk

Um “ponto de raios X” detectado pelo Observatório de raios X Chandra da NASA poderá explicar o que são estas centenas ou, potencialmente, milhares de objectos. Um artigo científico que descreve os resultados foi publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.

Pouco depois de o Telescópio Espacial James Webb da NASA ter iniciado as suas observações científicas, surgiram relatos de uma nova classe de objectos misteriosos. Os astrónomos encontraram pequenos objectos vermelhos a cerca de 12 mil milhões de anos-luz da Terra ou mais longe, que ficaram conhecidos como “Pequenos Pontos Vermelhos” (ou LRDs, sigla inglesa para “Little Red Dots”).

Muitos cientistas pensam que os LRDs são buracos negros super-massivos embebidos em nuvens densas de gás, que mascaram algumas das assinaturas típicas em diferentes tipos de luz – incluindo raios X – que os astrónomos costumam usar para os identificar. Isto torná-los-ia diferentes dos típicos buracos negros super-massivos em crescimento, que não estão embebidos em gás denso, permitindo que a brilhante luz ultravioleta e os raios X provenientes do material em órbita dos buracos negros escapem.

Devido a isto e às suas potenciais semelhanças com as atmosferas estelares, os astrónomos chamaram a isto o cenário da “estrela-buraco negro” para os LRDs.

Este novo “ponto de raios X” (oficialmente designado 3DHST-AEGIS-12014), localizado a cerca de 11,8 mil milhões de anos-luz da Terra, poderá constituir uma ponte crucial entre as estrelas-buraco negro e os típicos buracos negros super-massivos em crescimento. Exibe a maioria das características de um LRD, incluindo o facto de ser pequeno, vermelho e estar localizado a uma grande distância, mas brilha em raios X, ao contrário de outros LRDs.

“Os astrónomos há vários anos que têm vindo a tentar descobrir o que são os pequenos pontos vermelhos”, afirmou o autor principal, Raphael Hviding, do Instituto Max Planck de Astronomia, na Alemanha. “Este objecto de raios X individual pode ser – para usar uma expressão – o que nos permite ligar todos os pontos”.

lustração de uma vista em grande plano de um ponto de raios X, 3DHST-AEGIS-12014.
Crédito: NASA/CXC/SAO/M. Weiss; adaptada por K. Arcand e J. Major

A equipa encontrou este objecto especial após comparar novos dados do Webb com um levantamento profundo realizado anteriormente pelo Chandra.

“Se os pequenos pontos vermelhos são buracos negros super-massivos em rápido crescimento, por que razão não emitem raios X como outros buracos negros semelhantes?”, pergunta a co-autora Anna de Graaff, do Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian, em Cambridge, Massachusetts, EUA. “Encontrar um pequeno ponto vermelho que parece diferente dos outros dá-nos uma nova e importante perspetiva sobre o que os poderá alimentar”.

Os investigadores sugerem que o ponto de raios X representa uma fase de transição de um LRD para um buraco negro super-massivo em crescimento típico. À medida que a estrela-buraco negro consome o gás circundante, surgem abertas irregulares nas nuvens de gás. Isto permite que os raios X provenientes do material que cai no buraco negro consigam atravessar, sendo observados pelo Chandra. Eventualmente, todo o gás é consumido e a estrela-buraco negro deixa de existir.

Existem também indícios nos dados do Chandra, relativos ao ponto de raios X, de que há variações no brilho dos raios X, o que corrobora a ideia de que o buraco negro está parcialmente obscurecido. À medida que a nuvem de gás gira, zonas de gás mais denso e menos denso podem transitar à frente do buraco negro (da perspectiva do Sistema Solar), causando alterações no brilho dos raios X.

“Se confirmarmos que o ponto de raios X é um pequeno ponto vermelho em transição, não só seria o primeiro do seu género, como poderíamos estar a ver o interior de um pequeno ponto vermelho pela primeira vez”, afirmou o co-autor Hanpu Liu, da Universidade de Princeton, em New Jersey, EUA. “Teríamos também a evidência mais forte até à data de que o crescimento de buracos negros super-massivos está no centro de alguns, se não de todos, os pequenos pontos vermelhos”.

Uma ideia alternativa para o ponto de raios X é que se trata de um tipo mais comum de buraco negro super-massivo em crescimento, mas que está envolto num tipo exótico de poeira que os astrónomos nunca viram antes. Estão previstas observações futuras que deverão ser capazes de revelar a verdade.

“O ponto de raios X estava presente nos nossos dados do levantamento Chandra há mais de dez anos, mas não fazíamos ideia do quão notável era antes de o Webb ter vindo observar o campo”, afirmou o co-autor Andy Goulding, de Princeton. “Este é um exemplo marcante da colaboração entre dois grandes observatórios”.

Um objecto recém-descoberto pode ser a chave para desvendar a verdadeira natureza de uma misteriosa classe de fontes que os astrónomos têm recentemente encontrado no Universo primitivo.

Um “ponto de raios X” detectado pelo Observatório de raios X Chandra da NASA poderá explicar o que são estas centenas ou, potencialmente, milhares de objectos. Um artigo científico que descreve os resultados foi publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.

Pouco depois de o Telescópio Espacial James Webb da NASA ter iniciado as suas observações científicas, surgiram relatos de uma nova classe de objectos misteriosos. Os astrónomos encontraram pequenos objectos vermelhos a cerca de 12 mil milhões de anos-luz da Terra ou mais longe, que ficaram conhecidos como “Pequenos Pontos Vermelhos” (ou LRDs, sigla inglesa para “Little Red Dots”).

Muitos cientistas pensam que os LRDs são buracos negros super-massivos embebidos em nuvens densas de gás, que mascaram algumas das assinaturas típicas em diferentes tipos de luz – incluindo raios X – que os astrónomos costumam usar para os identificar. Isto torná-los-ia diferentes dos típicos buracos negros super-massivos em crescimento, que não estão embebidos em gás denso, permitindo que a brilhante luz ultravioleta e os raios X provenientes do material em órbita dos buracos negros escapem.

Devido a isto e às suas potenciais semelhanças com as atmosferas estelares, os astrónomos chamaram a isto o cenário da “estrela-buraco negro” para os LRDs.

Este novo “ponto de raios X” (oficialmente designado 3DHST-AEGIS-12014), localizado a cerca de 11,8 mil milhões de anos-luz da Terra, poderá constituir uma ponte crucial entre as estrelas-buraco negro e os típicos buracos negros super-massivos em crescimento. Exibe a maioria das características de um LRD, incluindo o facto de ser pequeno, vermelho e estar localizado a uma grande distância, mas brilha em raios X, ao contrário de outros LRDs.

“Os astrónomos há vários anos que têm vindo a tentar descobrir o que são os pequenos pontos vermelhos”, afirmou o autor principal, Raphael Hviding, do Instituto Max Planck de Astronomia, na Alemanha. “Este objecto de raios X individual pode ser – para usar uma expressão – o que nos permite ligar todos os pontos”.

img
Ilustração de uma vista em grande plano de um ponto de raios X, 3DHST-AEGIS-12014.
Crédito: NASA/CXC/SAO/M. Weiss; adaptada por K. Arcand e J. Major

A equipa encontrou este objecto especial após comparar novos dados do Webb com um levantamento profundo realizado anteriormente pelo Chandra.

“Se os pequenos pontos vermelhos são buracos negros super-massivos em rápido crescimento, por que razão não emitem raios X como outros buracos negros semelhantes?”, pergunta a co-autora Anna de Graaff, do Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian, em Cambridge, Massachusetts, EUA. “Encontrar um pequeno ponto vermelho que parece diferente dos outros dá-nos uma nova e importante perspectiva sobre o que os poderá alimentar”.

Os investigadores sugerem que o ponto de raios X representa uma fase de transição de um LRD para um buraco negro super-massivo em crescimento típico. À medida que a estrela-buraco negro consome o gás circundante, surgem abertas irregulares nas nuvens de gás. Isto permite que os raios X provenientes do material que cai no buraco negro consigam atravessar, sendo observados pelo Chandra. Eventualmente, todo o gás é consumido e a estrela-buraco negro deixa de existir.

Existem também indícios nos dados do Chandra, relativos ao ponto de raios X, de que há variações no brilho dos raios X, o que corrobora a ideia de que o buraco negro está parcialmente obscurecido. À medida que a nuvem de gás gira, zonas de gás mais denso e menos denso podem transitar à frente do buraco negro (da perspectiva do Sistema Solar), causando alterações no brilho dos raios X.

“Se confirmarmos que o ponto de raios X é um pequeno ponto vermelho em transição, não só seria o primeiro do seu género, como poderíamos estar a ver o interior de um pequeno ponto vermelho pela primeira vez”, afirmou o co-autor Hanpu Liu, da Universidade de Princeton, em New Jersey, EUA. “Teríamos também a evidência mais forte até à data de que o crescimento de buracos negros super-massivos está no centro de alguns, se não de todos, os pequenos pontos vermelhos”.

Uma ideia alternativa para o ponto de raios X é que se trata de um tipo mais comum de buraco negro super-massivo em crescimento, mas que está envolto num tipo exótico de poeira que os astrónomos nunca viram antes. Estão previstas observações futuras que deverão ser capazes de revelar a verdade.

“O ponto de raios X estava presente nos nossos dados do levantamento Chandra há mais de dez anos, mas não fazíamos ideia do quão notável era antes de o Webb ter vindo observar o campo”, afirmou o co-autor Andy Goulding, de Princeton. “Este é um exemplo marcante da colaboração entre dois grandes observatórios”.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Chandra/Harvard (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)

CCVALG
01.05.2026

🇵🇹 Aqui escreve-se em Português de Portugal (não adulterado), pré-AO 🇵🇹

Portal: https://inforgomes.pt/

Webdesigner, Computer Networks and Systems, Programmer, Astronomer, Photographer, Blogger, Culinary Cook, Certificate Microsoft Network Server, Administrative and Financial Manager, IA, Scientific Researcher, Digital Content Performer, Musician: Spanish Classical Viola, Double Bass, Vocalist and Drummer

published in: 1 mês ago

 

Loading

60: Novas descobertas sobre exoplanetas desafiam as teorias da formação planetária

1
0

 

Os astrónomos estimam que exista pelo menos um planeta por cada estrela na nossa Galáxia. Denominados exoplanetas, orbitam estrelas para lá do nosso Sistema Solar. Mas uma nova investigação da Universidade McMaster revela uma reviravolta surpreendente: os planetas mais comuns na nossa Galáxia não existem em torno das estrelas mais comuns.

Representações artísticas que contrastam as super-Terras e os sub-Neptunos, os dois tipos de planetas mais comuns na nossa Galáxia.
Crédito: Centro Ames da NASA/JPL-Caltech

Em torno de estrelas como o nosso Sol, os planetas mais comuns são os sub-Neptunos – mundos que se pensa serem semelhantes a Neptuno, mas de tamanho menor – e as super-Terras, planetas rochosos que são até 10 vezes mais massivos do que a Terra. Há quase uma década que os astrónomos sabem que estes dois tipos de planetas estão amplamente espalhados em torno de estrelas semelhantes ao Sol por toda a Galáxia. Mas as estrelas semelhantes ao Sol constituem apenas uma minoria das estrelas da nossa Galáxia, deixando uma lacuna na nossa compreensão de como os planetas se formam.

Para preencher essa lacuna, os investigadores de McMaster examinaram planetas em órbita de anãs M de idade intermédia a avançada. Estas pequenas estrelas, com apenas 8 a 40 por cento do tamanho do nosso Sol, constituem a maioria das estrelas da Via Láctea. Devido à sua fraca luminosidade, têm sido historicamente difíceis de estudar.

O TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA mudou isso, proporcionando uma visão sem paralelo destas estrelas e dos seus sistemas planetários. Ao observar uma nova área do céu a cada 28 dias, o satélite estuda todo o céu ao longo de 26 meses.

Com base nos dados do TESS, a equipa de McMaster descobriu que as anãs M em idade intermédia a avançada albergam muitas super-Terras, mas praticamente nenhum sub-Neptuno, uma descoberta que desafia as teorias existentes acerca da formação planetária.

“Não nos limitámos a aperfeiçoar a imagem – alterámos-la. Em torno destas estrelas, os sub-Neptunos efectivamente desaparecem, o que significa que os mecanismos que moldam os planetas aqui são diferentes”, afirma Erik Gillis, estudante de doutoramento no Departamento de Física e Astronomia.

Gillis realizou o trabalho sob a supervisão de Ryan Cloutier, professor assistente de Física e Astronomia.

Os astrónomos há muito que atribuem a distinção entre super-Terras e sub-Neptunos à foto-evaporação, um processo em que a intensa luz estelar despoja um planeta da sua atmosfera.

As anãs M em idade intermédia a avançada são extremamente activas e deveriam ser capazes de evaporar atmosferas planetárias de forma eficaz, mas não ao ponto que estamos a observar aqui, explica Gillis. O facto de os sub-Neptunos existirem em números tão reduzidos em torno destas estrelas sugere que a formação planetária aqui pode favorecer mundos ricos em água, em vez de sub-Neptunos envoltos em gás.

“Se queremos compreender as origens dos planetas e as origens da vida, precisamos de uma visão completa de como os planetas se formam e de que são feitos. Esta investigação aproxima-nos desse objectivo”, afirma Gillis. As descobertas, publicadas na revista The Astronomical Journal, surgem numa altura em que a ciência exoplanetária está a crescer rapidamente. Os primeiros exoplanetas foram descobertos há apenas 30 anos – um piscar de olhos em comparação com alguns outros campos da astronomia.

Desde então, os investigadores estudaram apenas uma pequena fracção dos sistemas planetários, muitas vezes assumindo que os mesmos padrões se aplicam em todo o lado, porque os mesmos processos físicos moldam os planetas em toda a Galáxia.

“O nosso Sistema Solar era outrora o único exemplo que tínhamos. Agora, graças a missões como a TESS, podemos comparar milhares de sistemas e descobrir padrões que reescrevem as nossas suposições”, afirma Cloutier.

“Já era surpreendente saber que os planetas mais comuns na nossa Galáxia não existem no nosso próprio Sistema Solar. Agora, com este trabalho recente, estamos a desenvolver uma imagem mais clara da origem destas super-Terras e sub-Neptunos”.

// Universidade McMaster (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astronomical Journal)

CCVALG
01.05.2026

🇵🇹 Aqui escreve-se em Português de Portugal (não adulterado), pré-AO 🇵🇹

Portal: https://inforgomes.pt/

Webdesigner, Computer Networks and Systems, Programmer, Astronomer, Photographer, Blogger, Culinary Cook, Certificate Microsoft Network Server, Administrative and Financial Manager, IA, Scientific Researcher, Digital Content Performer, Musician: Spanish Classical Viola, Double Bass, Vocalist and Drummer

published in: 1 mês ago

 

Loading

Dois sóis são melhores do que um – os planetas prosperam em torno de estrelas binárias

1
0

 

De acordo com uma nova investigação realizada por astrofísicos da Universidade de Lancashire, os planetas podem, na verdade, formar-se mais facilmente em torno de estrelas duplas do que em torno de estrelas individuais, como o nosso Sol.

O pôr-do-Sol duplo no planeta Tatooine da saga “Star Wars”.
Crédito: Lucasfilm Ltd.

As estrelas binárias são comuns na nossa Galáxia; no entanto, durante muito tempo, os astrónomos pensaram que a disputa gravitacional entre duas estrelas dificultaria a formação de planetas circumbinários, ou seja, mundos que orbitam ambas as estrelas. Famosos mundos fictícios, como Tatooine da saga “Star Wars”, com o seu icónico pôr-do-sol duplo, eram considerados curiosidades cósmicas, em vez de algo que a natureza produz habitualmente.

No entanto, uma nova investigação publicada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society sugere que o oposto pode ser verdade.

Simulação por computador da formação de planetas em torno de uma estrela binária.
Crédito: Universidade de Lancashire

Utilizando simulações computacionais de última geração, a equipa modelou a evolução dos discos de gás que rodeiam estrelas binárias jovens. As simulações mostram que as regiões internas desses discos constituem uma “zona proibida”, onde fortes efeitos gravitacionais impedem a formação de planetas. Mas, para além desta região, o disco torna-se um terreno fértil para a formação de planetas gigantes, fragmentando-se sob a sua própria gravidade para produzir múltiplos planetas jovens.

“Perto de uma estrela binária, o ambiente é simplesmente demasiado violento para que os planetas se formem”, afirmou o Dr. Matthew Teasdale, que liderou a investigação no âmbito do seu projecto de doutoramento. “Mas, à medida que nos afastamos, o disco torna-se um ambiente ideal para a formação planetária”.

A equipa descobriu que os discos em torno de estrelas binárias podem formar mais planetas através da fragmentação do que os discos em torno de estrelas individuais, e que uma maior proporção destes objectos acaba por se tornar planetas gigantes gasosos maiores do que Júpiter. Alguns planetas também podem ser ejectados dos seus sistemas, tornando-se planetas errantes que vagueiam pelo espaço interestelar.

O Dr. Dimitris Stamatellos, que orientou o projecto, acrescentou: “As estrelas binárias eram outrora vistas como ambientes hostis para a formação planetária. O que estamos a descobrir é que, na verdade, podem ser extremamente produtivos. Assim que se ultrapassa a zona de perigo, os planetas podem formar-se rapidamente e em grande número”.

As descobertas sugerem que os planetas circumbinários que orbitam mais do que uma estrela podem ser mais comuns do que se pensava anteriormente e que a instabilidade gravitacional, em que discos massivos se fragmentam sob a sua própria gravidade, pode ser uma via importante para a formação destes planetas.

Com mais de 50 exoplanetas circumbinários já descobertos, incluindo vários em órbitas largas, os resultados ajudam a explicar como estes mundos se podem formar e sobreviver. Também abrem novas possibilidades para futuras observações com instalações como o ALMA, o Telescópio Espacial James Webb e o futuro ELT (Extremely Large Telescope).

O Dr. Stamatellos acrescentou: “Embora os planetas possam ter dificuldade em sobreviver perto dos seus sóis gémeos, mais longe, estes sistemas transformam-se em ambientes dinâmicos propícios à formação de planetas, o que sugere que os ‘Tatooines’ da vida real podem ser muito menos raros do que outrora imaginávamos”.

// Universidade de Lancashire (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)

CCVALG
01.05.2026

🇵🇹 Aqui escreve-se em Português de Portugal (não adulterado), pré-AO 🇵🇹

Portal: https://inforgomes.pt/

Webdesigner, Computer Networks and Systems, Programmer, Astronomer, Photographer, Blogger, Culinary Cook, Certificate Microsoft Network Server, Administrative and Financial Manager, IA, Scientific Researcher, Digital Content Performer, Musician: Spanish Classical Viola, Double Bass, Vocalist and Drummer

published in: 1 mês ago

 

Loading