2: A missão DART alterou a órbita do asteróide Didymos em torno do Sol

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Esta imagem dos asteróides Didymos, à esquerda, e Dimorphos foi capturada pela missão DART da NASA alguns segundos antes da nave espacial colidir com Dimorphos no dia 26 de Setembro de 2022. O impacto no asteróide mais pequeno teve um efeito mensurável na órbita do seu parceiro maior.
Crédito: NASA/JHUAPL

Uma nova investigação revela que, quando a sonda espacial DART (Double Asteroid Redirection Test) da NASA colidiu intencionalmente com o pequeno asteróide Dimorphos em Setembro de 2022, não alterou apenas o movimento de Dimorphos em torno do seu companheiro maior, Didymos; a colisão também alterou a órbita de ambos os asteróides em torno do Sol. Ligados pela gravidade, Didymos e Dimorphos orbitam-se um ao outro em torno de um centro de massa comum, numa configuração conhecida como sistema binário, pelo que as alterações num asteróide afectam o outro.

Conforme detalhado num estudo publicado na sexta-feira passada na revista Science Advances, observações do movimento do par revelaram que o período orbital de 770 dias em torno do Sol mudou por uma fracção de segundo após o impacto da sonda DART em Dimorphos. Essa mudança marca a primeira vez que um objecto feito pelo homem alterou de forma mensurável a trajectória de um corpo celeste em torno do Sol.

“Esta é uma pequena alteração na órbita, mas, com tempo suficiente, mesmo uma pequena alteração pode crescer e tornar-se um desvio significativo”, disse Thomas Statler, cientista-chefe para corpos pequenos do Sistema Solar na sede da NASA em Washington. “A medição incrivelmente precisa da equipa valida novamente o impacto cinético como uma técnica para defender a Terra contra os perigos dos asteróides e mostra como um asteróide binário pode ser desviado ao impactar apenas um dos membros do par”.

Alto impacto

Quando a DART atingiu Dimorphos, o impacto lançou uma enorme nuvem de detritos rochosos para o espaço, alterando a forma do asteróide, que mede 170 metros de largura. Como os detritos carregavam o seu próprio momento para longe do asteróide, deram a Dimorphos um impulso explosivo – o que os cientistas chamam de factor de aumento de momento. Mais detritos ejectados significa mais força. De acordo com a nova investigação, o factor de aumento de momento para o impacto da DART foi de cerca de dois, o que significa que a perda de detritos duplicou a força do impacto criado apenas pela nave espacial.

Investigações anteriores mostraram que o período orbital de 12 horas do asteróide mais pequeno em torno de Didymos (que tem 805 metros de largura) encurtou 33 minutos. O novo estudo mostra que o impacto ejectou tanto material do sistema binário que também alterou o período orbital do binário em torno do Sol por 0,15 segundos.

“A mudança na velocidade orbital do sistema binário foi de cerca de 11,7 micrómetros por segundo, ou 1,7 polegadas por hora”, disse Rahil Makadia, principal autor do estudo na Universidade de Illinois em Urbana-Champaign. “Com o tempo, uma mudança tão pequena no movimento de um asteróide pode fazer a diferença entre um objecto perigoso atingir ou não o nosso planeta”.

O Telescópio Espacial Hubble observou duas caudas de poeira ejectadas do sistema de asteróides Didymos-Dimorphos vários dias após a sonda DART da NASA colidir com o asteróide mais pequeno.
Crédito: NASA, ESA, Jian-Yang Li (PSI), Joe Depasquale (STScI)

Embora Didymos não estivesse numa trajectória de impacto com a Terra e fosse impossível para a missão DART colocá-lo nessa trajectória, a mudança na velocidade orbital sublinha o papel que as naves espaciais – também conhecidas como impactadores cinéticos neste contexto – poderiam desempenhar se um asteróide potencialmente perigoso fosse encontrado em rota de colisão no futuro. O segredo é detectar objectos próximos da Terra com suficiente antecedência para enviar um impactador cinético.

Para esse fim, a NASA está a desenvolver a missão NEO (Near-Earth Object) Surveyor. Gerido pelo JPL da NASA no sul da Califórnia, este telescópio espacial de próxima geração é o primeiro a ser construído para defesa planetária. A missão irá procurar alguns dos objectos próximos da Terra mais difíceis de avistar, como asteróides escuros e cometas que não reflectem muita luz visível.

Como o fizeram

Para provar que a DART teve uma influência detectável em ambos os asteróides – não apenas no mais pequeno Dimorphos -, os investigadores precisavam medir a órbita de Didymos em torno do Sol com extrema precisão. Assim, além de fazerem observações por radar e outras observações terrestres do asteróide, acompanharam ocultações estelares, que ocorrem quando o asteróide passa exactamente em frente de uma estrela, fazendo com que o ponto de luz pisque por uma fracção de segundo. Esta técnica fornece medições extremamente precisas da velocidade, forma e posição do asteróide.

A medição de ocultações estelares é um desafio: os astrónomos precisam estar no lugar certo, na hora certa, com várias estações de observação, por vezes separadas por quilómetros, para rastrear a trajectória prevista do asteróide em frente de uma estrela específica. A equipa contou com a ajuda de astrónomos voluntários de todo o mundo, que registaram 22 ocultações estelares entre Outubro de 2022 e Março de 2025.

“Quando combinadas com anos de observações terrestres existentes, estas observações de ocultações estelares tornaram-se fundamentais para ajudar a calcular como a DART alterou a órbita de Didymos”, afirmou o co-líder do estudo Steve Chesley, investigador sénior do JPL. “Este trabalho depende muito das condições meteorológicas e muitas vezes requer viagens a regiões remotas, sem garantia de sucesso. Este resultado não teria sido possível sem a dedicação de dúzias de observadores voluntários de ocultações em todo o mundo”.

O estudo das mudanças no movimento de Didymos também ajudou os investigadores a calcular as densidades de ambos os asteróides. Dimorphos é ligeiramente menos denso do que se pensava anteriormente, apoiando a teoria de que se formou a partir de detritos rochosos lançados por um Didymos em rápida rotação. Este material solto eventualmente aglomerou-se para formar Dimorphos, um asteróide do tipo “pilha de entulho”.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Science Advances)

CCVALG

10.03.2026

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