51: Astrónomos revelam sistema multi-planetário em constante mudança

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Astrónomos da Universidade do Novo México publicaram um novo estudo que confirma a existência de três corpos celestes no sistema de exoplanetas TOI-201. Estes incluem uma super-Terra (TOI-201 d), um Júpiter morno (TOI-201 b) e uma anã castanha (TOI-201 c). Ismael Mireles, doutorando no Departamento de Física e Astronomia da UNM, orientado pela professora Diana Dragomir, liderou a investigação. O artigo científico foi publicado na revista Science Advances.

Impressão de artista do sistema exoplanetário TOI-201.
Crédito: Tedi Vick

“O objectivo era caracterizar o sistema planetário TOI-201 para compreender não apenas quais os planetas que lá existem, mas também como interagem dinamicamente uns com os outros”, afirmou Mireles. “Isto ajuda os cientistas a compreender como os sistemas planetários, tal como o nosso próprio Sistema Solar, se formam e evoluem ao longo do tempo”.

A super-Terra (TOI-201 d) é um planeta rochoso com cerca de 1,4 vezes o tamanho da Terra e aproximadamente 6 vezes a sua massa, completando uma órbita a cada 5,85 dias. Está muito perto da sua estrela e provavelmente é demasiado quente para albergar água líquida.

O Júpiter morno (TOI-201 b) é um gigante gasoso com cerca de metade da massa de Júpiter, orbitando a cada 53 dias. Os “Júpiteres mornos” situam-se entre os “Júpiteres quentes” mais próximos (órbitas de poucos dias) e os gigantes gasosos frios e distantes, como Júpiter (~12 anos). São cientificamente interessantes porque os astrónomos não compreendem totalmente como chegaram às órbitas em que se encontram.

A anã castanha (TOI-201 c) é o corpo mais massivo do sistema, além da estrela, numa órbita ampla e altamente elíptica com um período de aproximadamente 8 anos. A sua influência gravitacional é responsável pela maior parte do comportamento dinâmico do sistema. TOI-201 c é também o objeto em trânsito com o período mais longo já descoberto.

“TOI-201 c é única devido ao seu período orbital extremamente longo (~7,9 anos) e à sua localização num sistema com dois planetas interiores”, afirmou Mireles. “A maioria das anãs castanhas em trânsito conhecidas orbita muito mais perto das suas estrelas”.

“Uma vez que a massa de TOI-201 c se situa perto do limite que separa os planetas massivos das anãs castanhas, um dos mistérios que este sistema suscita é se este corpo se formou como um planeta ou como uma estrela”, acrescentou a professora Dragomir.

Para contextualizar, uma anã castanha tem uma massa 13 vezes superior à de Júpiter, mas continua a ser demasiado pequena para ser classificada como uma verdadeira estrela. Não consegue sustentar a fusão de hidrogénio no seu núcleo, tal como o Sol.

Arquitectura orbital do sistema TOI-201 em comparação com o nosso Sistema Solar. O diagrama mostra as órbitas dos três objectos conhecidos de TOI-201, representadas à escala, ao lado dos quatro planetas do Sistema Solar interior e de Júpiter. As órbitas do Júpiter morno, TOI-201 b, e da super-Terra, TOI-201 d, situam-se ambas dentro da órbita de Mercúrio, enquanto a órbita altamente excêntrica da anã castanha, TOI-201 c, a leva mais perto do Sol do que Marte e mais longe do que Júpiter.
Crédito: Tedi Vick

“Este é um dos poucos sistemas em que as órbitas planetárias podem ser observadas a mudar activamente em escalas de tempo humanas. Oferece uma rara janela em tempo real para as vidas dinâmicas dos sistemas planetários”, explicou Mireles. De facto, daqui a 200 anos, apenas dois dos três objectos continuarão em trânsito.

Os investigadores utilizaram uma combinação de quatro técnicas de observação para confirmar o sistema. A primeira é a espectroscopia (velocidades radiais), que mede a oscilação da estrela causada pelos planetas em órbita e ajuda a determinar as suas massas.

“Utilizámos vários espectrógrafos no Chile: CORALIE, HARPS e PFS. Também utilizámos dados de arquivo do espectrógrafo FEROS no Chile e do MINERVA-Australis na Austrália”, explicou Mireles.

A segunda técnica é a fotometria de trânsito, que envolve registar a ligeira queda de luz da estrela quando um planeta passa à sua frente. Foram utilizados trânsitos do telescópio espacial TESS da NASA e observações terrestres do telescópio ASTEP na Antárctida – um projecto liderado pelo Observatoire de la Côte d’Azur, em Nice, em parceria com a Universidade de Birmingham e a ESA. Também foram incluídas observações de trânsitos da rede global de telescópios LCOGT, com instalações no Chile, na Austrália e na África do Sul, que desempenharam um papel fundamental na análise.

“A nossa contribuição foi possível graças à existência de um telescópio na Antárctida. Embora a logística envolvida seja difícil, a localização única do telescópio e o acesso a condições astronómicas ideais são fundamentais para estudar sistemas exoplanetários com períodos orbitais longos, como TOI-201”, afirmou o professor Amaury Triaud da Universidade de Birmingham.

A terceira técnica incluiu Variações de Tempo de Trânsito (VTTs), que medem pequenos desvios de quando ocorrem os trânsitos de um planeta, indicando a presença da atracção gravitacional de outro planeta. Por fim, os investigadores utilizaram a astrometria, que recorre a dados das missões espaciais Hipparcos e Gaia para detectar pequenos desvios na posição da estrela no céu causados por uma companheira massiva invisível.

Mireles acrescenta que as observações de exoplanetas geralmente mostram apenas um instantâneo da evolução de um sistema. De facto, a maioria dos sistemas só muda em escalas de tempo de milhões de anos. O que torna TOI-201 especial é que os investigadores conseguem realmente observá-lo a mudar em tempo real.

“As órbitas dos planetas estão inclinadas umas em relação às outras e, por causa disso, estão lentamente a puxar-se mutuamente para novas orientações”, disse Mireles.

“Isto foi uma surpresa, porque se os planetas nasceram no plano do disco protoplanetário que existia no início da vida da estrela, espera-se que tenham órbitas alinhadas, como os planetas do Sistema Solar. Portanto, a próxima questão a responder para TOI-201 é como é que estes três objectos acabaram por ter órbitas tão inclinadas”, acrescentou Dragomir.

Daqui a 200 anos, a super-Terra deixará de transitar a estrela [da perspectiva do Sistema Solar]. Algumas centenas de anos mais tarde, o Júpiter morno deixará de transitar e, mais tarde ainda, a anã castanha deixará de transitar. No entanto, voltarão a transitar daqui a milhares de anos, uma vez que passam por ciclos de configurações de trânsito e de não trânsito.

O próximo trânsito de TOI-201 c está previsto para 26 de Março de 2031, o que proporcionará uma oportunidade rara para observações de acompanhamento em todo o mundo, incluindo por parte de cientistas cidadãos.

“Foi verdadeiramente um esforço de vários anos e de uma grande equipa para estudar este sistema. Cada nova observação de trânsito do ASTEP e do LCOGT e cada nova medição de velocidade radial levantaram gradualmente o véu e ajudaram a revelar a arquitectura tridimensional do sistema TOI 201. E esta arquitectura única está no centro das interacções dinâmicas do sistema, até agora nunca vistas”, concluiu Mireles.

// Universidade do Novo México (comunicado de imprensa)
// IAC (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Science Advances)

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21.04.2026

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50: NASA desliga um instrumento da Voyager 1 para manter a sonda em funcionamento

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No dia 17 de Abril, os engenheiros do JPL (Jet Propulsion Labortory) da NASA, no sul da Califórnia, enviaram comandos para desligar um instrumento a bordo da Voyager 1 denominado LECP (Low-energy Charged Particles). A sonda espacial, movida a energia nuclear, está a ficar sem energia, e desligar o LECP é considerado a melhor forma de manter em funcionamento o primeiro explorador interestelar da humanidade.

Os engenheiros da missão no JPL da NASA, no sul da Califórnia, desligaram o LECP (Low-energy Charged Particles) a bordo da Voyager 1 no dia 17 de Abril de 2026. Crédito: NASA/JPL-Caltech

O LECP tem estado em funcionamento quase sem interrupção desde o lançamento da Voyager 1 em 1977 – há quase 49 anos. Mede partículas carregadas de baixa energia, incluindo iões, electrões e raios cósmicos originários do nosso Sistema Solar e da nossa Galáxia. O instrumento forneceu dados críticos sobre a estrutura do meio interestelar, detectando frentes de pressão e regiões de densidade variável de partículas no espaço para lá da nossa heliosfera. As sondas gémeas Voyager são as únicas naves espaciais suficientemente distantes da Terra para fornecer esta informação.

Tal como a Voyager 2, a Voyager 1 depende de um gerador termoeléctrico radioisotópico, um dispositivo que converte o calor proveniente da decomposição do plutónio em electricidade. Ambas as sondas perdem cerca de 4 watts de potência por ano. Após quase meio século no espaço, as margens de potência tornaram-se extremamente reduzidas, obrigando a equipa a conservar energia desligando aquecedores e instrumentos, enquanto assegura que as naves espaciais não arrefecem ao ponto das suas linhas de combustível congelarem.

Durante uma rotineira manobra de rotação, planeada para 27 de Fevereiro, os níveis de energia da Voyager 1 caíram inesperadamente. Os engenheiros da missão sabiam que qualquer queda adicional de energia poderia accionar o sistema de protecção contra sub-tensão da sonda, o que desligaria automaticamente os componentes para proteger a sonda, exigindo uma recuperação por parte da equipa de voo – um processo demorado que acarreta os seus próprios riscos.

A equipa da Voyager precisava de agir primeiro.

“Embora desligar um instrumento científico não seja a preferência de ninguém, é a melhor opção disponível”, afirmou Kareem Badaruddin, gestor da missão Voyager no JPL. “A Voyager 1 ainda tem dois instrumentos científicos em funcionamento – um que capta ondas de plasma e outro que mede campos magnéticos. Continuam a funcionar na perfeição, enviando dados de uma região do espaço que nenhuma outra nave construída pelo homem jamais explorou. A equipa continua focada em manter ambas as Voyager em funcionamento durante o máximo de tempo possível”.

Plano ambicioso

A escolha do próximo instrumento a desligar não foi feita no calor do momento. Há anos, as equipas científicas e de engenharia das Voyager reuniram-se e chegaram a um acordo sobre a ordem em que iriam desligar partes das sondas, garantindo ao mesmo tempo que a missão pudesse continuar a realizar a sua investigação científica única. Dos 10 conjuntos idênticos de instrumentos que cada sonda transporta, sete foram desligados até agora. Para a Voyager 1, o LECP era o próximo da lista. A equipa desligou o LECP da Voyager 2 em Março de 2025.

Como a Voyager 1 está a mais de 25 mil milhões de quilómetros da Terra, a sequência de comandos para desligar o instrumento levou cerca de 23 horas a chegar à nave espacial, e o próprio processo de encerramento demorou cerca de três horas e 15 minutos a ser concluído. Uma parte do LECP – um pequeno motor que gira o sensor num círculo para fazer a varredura em todas as direcções – permanecerá ligada. Consome pouca energia (0,5 watts) e mantê-lo em funcionamento dá à equipa a melhor hipótese de poder ligar o instrumento novamente algum dia, caso encontrem energia extra.

O que vem a seguir

Os engenheiros estão confiantes de que desligar o LECP dará à Voyager 1 cerca de um ano de margem de manobra. Estão a aproveitar esse tempo para finalizar uma solução de poupança de energia mais ambiciosa para ambas as Voyagers, a que chamam de “Big Bang”, concebida para prolongar ainda mais as operações das Voyager. A ideia é substituir um conjunto de dispositivos alimentados de uma só vez – daí a alcunha -, desligando alguns e substituindo-os por alternativas de menor consumo energético, para manter as sondas espaciais suficientemente aquecidas para continuar a recolher dados científicos.

A equipa irá implementar o procedimento Big Bang primeiro na Voyager 2, que tem um pouco mais de energia disponível e está mais próxima da Terra, tornando-a o objecto de teste mais seguro. Os testes estão previstos para Maio e Junho de 2026. Se correrem bem, a equipa tentará a mesma solução na Voyager 1, o mais cedo em Julho. Se funcionar, há até a possibilidade de o LECP da Voyager 1 poder ser ligado novamente.

// NASA (blog)

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21.04.2026

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49: Como serão as ondas noutros planetas?

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Num dia calmo, uma brisa leve mal consegue ondular a superfície de um lago na Terra. Mas em Titã, a maior lua de Saturno, um semelhante vento suave provocaria ondas de 3 metros de altura.

O mesmo vento suave que cria pequenas ondulações num lago na Terra (à direita) provocaria grandes ondas em Titã, a maior lua de Saturno (à esquerda). Nestas imagens, a escala é medida em metros.
Crédito: Schneck et al., 2026

Este comportamento do outro mundo é uma das previsões de um novo modelo de ondas desenvolvido por cientistas do MIT (Massachusetts Institute of Technology). O modelo é o primeiro a captar toda a dinâmica das ondas e o que é necessário para as provocar em diferentes condições planetárias.

Num estudo publicado na revista Journal of Geophysical Research: Planets, a equipa do MIT apresenta o modelo, ao qual deram o nome apropriado de “PlanetWaves”. Aplicam o modelo para prever como as ondas se comportam em corpos planetários que possam albergar lagos e oceanos líquidos, incluindo Titã, o antigo Marte e três planetas para lá do Sistema Solar.

O modelo prevê que um vento suave seria suficiente para agitar ondas enormes em Titã, onde os lagos estão cheios de hidrocarbonetos líquidos leves. Em contraste, seriam necessários ventos com a força de um furacão para mal mover a superfície de um lago no exoplaneta 55 Cancri e, que se pensa ser um mundo de lava coberto por rocha líquida quente e densa.

“Na Terra, estamos habituados a certas dinâmicas das ondas”, afirma o autor do estudo Andrew Ashton, cientista associado do WHOI (Woods Hole Oceanographic Institution) e membro do corpo docente do Programa Conjunto MIT-WHOI. “Mas com este modelo, podemos ver como as ondas se comportam em planetas com diferentes líquidos, atmosferas e gravidade, o que pode, de certa forma, desafiar a nossa intuição”.

A equipa está particularmente interessada em compreender como as ondas se formam em Titã. Esta grande lua é o único outro corpo planetário do Sistema Solar, além da Terra, que se sabe albergar actualmente lagos líquidos.

“Em qualquer lugar onde haja uma superfície líquida sobre a qual sopre vento, existe a possibilidade de se formarem ondas”, afirma Taylor Perron, professor de Ciências da Terra, Atmosféricas e Planetárias no MIT. “No caso de Titã, o que é intrigante é que não temos qualquer observação directa de como são esses lagos. Por isso, não sabemos ao certo que tipo de ondas poderão existir lá. Agora, este modelo dá-nos uma ideia”.

Se um dia os humanos enviassem uma sonda aos lagos de Titã, o novo modelo da equipa poderia servir de base para a construção de naves espaciais resistentes às ondas.

“Seria necessário construir algo capaz de resistir à energia das ondas”, afirma a autora principal, Una Schneck, estudante no Departamento de Ciências da Terra, Atmosféricas e Planetárias do MIT. “Por isso, é importante saber que tipo de ondas estes instrumentos teriam de enfrentar”.

Entre os co-autores do estudo contam-se Charlene Detelich e Alexander Hayes, da Universidade de Cornell, e Milan Curcic, da Universidade de Miami.

“A primeira lufada”

Quando o vento sopra sobre a água, cria ondas que podem ser suficientemente fortes para esculpir linhas costeiras e redistribuir os sedimentos trazidos para a costa pelos rios. Através deste processo, as ondas podem ser uma força significativa na formação da paisagem ao longo do tempo. Schneck e colegas, que estudam a evolução da paisagem na Terra e noutros planetas, questionaram-se sobre como as ondas se comportariam noutros mundos onde a gravidade, as condições atmosféricas e a composição dos líquidos podem ser muito diferentes das encontradas na Terra.

“Já houve tentativas, no passado, de prever como a gravidade afectaria as ondas noutros planetas”, diz Schneck. “Mas não quantificam outros factores, como a composição do líquido que está a formar as ondas. Esse foi o grande avanço deste projecto”.

Ela e os seus colegas desenvolveram um modelo de ondas completo que tem em conta não só a gravidade de um planeta, mas também as propriedades do seu líquido superficial, tais como a densidade, a viscosidade e a tensão superficial, ou seja, a resistência de um líquido à formação de ondulações. A equipa também incorporou o efeito da pressão atmosférica de um planeta. Com este modelo, pretendiam prever como a superfície líquida de um planeta evoluiria em resposta a ventos de uma determinada velocidade.

“Imagine um lago completamente calmo”, sugere Ashton. “Estamos a tentar perceber qual é a primeira lufada de vento que vai criar aquelas primeiras ondulações minúsculas, até se transformar numa onda oceânica completa”.

Fazendo ondas

A equipa testou primeiro o seu novo modelo com dados de ondas na Terra. Utilizaram medições de ondas recolhidas por boias no Lago Superior ao longo de 20 anos. Descobriram que o modelo, que tinha em conta a gravidade da Terra, a composição do líquido (água) e as condições atmosféricas, era capaz de prever com precisão a velocidade do vento necessária para gerar ondas no lago e a altura que as ondas atingiam com uma determinada intensidade de vento.

Os investigadores aplicaram então o modelo para prever como as ondas se comportariam noutros corpos planetários que se sabe terem líquido na sua superfície. Analisaram primeiro Titã, onde a missão Cassini da NASA captou anteriormente imagens de radar de formações lacustres, que os cientistas suspeitam estarem actualmente cheias de metano e etano líquidos. A equipa utilizou o novo modelo para calcular a dinâmica das ondas da lua, tendo em conta a sua gravidade, pressão atmosférica e composição do líquido.

Descobriram que, em Titã, é surpreendentemente fácil formar ondas. O líquido relativamente leve, combinado com a baixa gravidade e a pressão atmosférica, faz com que até mesmo um vento suave consiga provocar ondas enormes.

“Parece um pouco como ondas altas a moverem-se em câmara lenta”, diz Schneck. “Se estivéssemos na margem deste lago, talvez sentíssemos apenas uma brisa suave, mas veríamos estas ondas enormes a fluir na nossa direcção, o que não é o que esperaríamos na Terra”.

Os investigadores também analisaram a actividade das ondas no antigo Marte. O Planeta Vermelho abriga muitas bacias de impacto que podem ter estado outrora cheias de água, antes de a atmosfera do planeta se dissipar e a água se evaporar. Uma dessas bacias é a Cratera Jezero, que está actualmente a ser explorada pelo rover Perseverance da NASA. Com o novo modelo, a equipa demonstrou que, à medida que a atmosfera de Marte desaparecia gradualmente, reduzindo a sua pressão ao longo do tempo, seriam necessários ventos mais fortes para criar as mesmas ondas.

Para além do Sistema Solar, os investigadores aplicaram o modelo a três exoplanetas diferentes. O primeiro, LHS 1140 b, é uma “super-Terra fria”, o que significa que é mais frio e maior do que a Terra. O planeta possui água líquida, embora, por ser tão grande, tenha uma gravidade mais forte. O modelo demonstrou que o mesmo vento na Terra geraria ondas de água muito mais pequenas na super-Terra, devido à diferença de gravidade.

A equipa também analisou Kepler-1649 b, um planeta semelhante a Vénus, que possui uma gravidade semelhante à da Terra, com lagos de ácido sulfúrico, cuja densidade é cerca de duas vezes superior à da água. Nestas condições, os investigadores descobriram que seriam necessários ventos muito fortes para provocar sequer uma ondulação neste “exo-Vénus”, em comparação com a Terra.

Este efeito é ainda mais pronunciado no terceiro planeta, 55 Cancri e – um mundo de lava que tem uma gravidade superior à da Terra e um líquido superficial muito mais denso e viscoso. Os cientistas suspeitam que o planeta abriga oceanos de rocha liquefeita. Neste ambiente, o modelo prevê que ventos com a força de um furacão na Terra, de cerca de 130 km/h, gerariam apenas pequenas ondas com alguns centímetros de altura no mundo de lava.

Para além de revelar novas formas como as ondas se podem comportar noutros planetas, Perron espera que o modelo responda a questões de longa data sobre a formação da paisagem planetária.

“Ao contrário da Terra, onde existe frequentemente um delta onde um rio encontra a costa, em Titã há muito poucas coisas que se assemelham a deltas, apesar de haver muitos rios e costas. Será que as ondas são responsáveis por isto?”, questiona-se Perron. “Este é o tipo de mistérios que este modelo nos ajudará a resolver”.

// MIT (comunicado de imprensa)
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