13: Como duas anãs castanhas ténues se juntaram para brilhar intensamente

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Os investigadores identificaram um par muito íntimo de anãs castanhas, denominado ZTF J1239+8347, em que uma está a extrair activamente matéria da outra, tal como ilustrado nesta representação artística. Em última análise, espera-se que as anãs castanhas se fundam para formar uma nova estrela; alternativamente, a anã castanha que ganhar a massa extra irá inflamar-se para se tornar uma estrela. Seja como for, um par de estrelas falhadas terá criado uma estrela brilhante.
Crédito: Caltech/R. Hurt (IPAC)

As anãs castanhas têm má reputação no mundo estelar, sendo frequentemente rotuladas como “estrelas falhadas” devido à sua incapacidade de sustentar a fusão nuclear nos seus núcleos. A massa destes objectos situa-se entre a dos planetas e a das estrelas, variando entre 13 e 80 vezes a massa de Júpiter. Como não são suficientemente massivas para sustentar a fusão, são muito mais ténues e frias do que as suas congéneres estelares.

Agora, uma nova descoberta liderada por investigadores do Caltech mostra como estes corpos pouco luminosos podem unir-se para brilhar intensamente. Ao analisar observações de arquivo captadas pelo ZTF (Zwicky Transient Facility) no Observatório Palomar, os investigadores identificaram um par íntimo de anãs castanhas, no qual uma está ativamente a extrair material da outra.

Em última análise, espera-se que as anãs castanhas se fundam para formar uma nova estrela; alternativamente, a anã castanha que ganha a massa extra irá inflamar-se para se tornar uma estrela. Seja como for, um par de estrelas falhadas terá criado uma estrela brilhante.

“As estrelas falhadas têm uma segunda oportunidade”, afirma Samuel Whitebook, estudante do Caltech e autor principal de um novo estudo acerca das descobertas publicado na revista The Astrophysical Journal Letters. “As anãs castanhas não têm motores internos como as estrelas, mas este resultado mostra que podem apresentar uma física dinâmica muito interessante”.

Whitebook trabalha com dois orientadores: Tom Prince, professor de física, e Dimitri Mawet, professor de astronomia e investigador sénior no JPL da NASA. Tanto Prince como Mawet são co-autores do estudo.

A descoberta é inédita: até agora, este tipo de transferência de massa entre objectos binários só tinha sido observado em objectos muito mais pesados, como as anãs brancas, que são os cadáveres de estrelas como o nosso Sol.

O par de anãs castanhas, denominado ZTF J1239+8347 (ou ZTF J1239, para abreviar), foi detectado depois de os cientistas terem analisado uma base de dados conhecida como ZVAR, ou ZTF Variability Archive, que é uma colecção de dados de todo o céu recolhidos repetidamente pelo ZTF desde 2017. A base de dados, que contém 2 mil milhões de objetos, revela como esses objectos mudam ao longo do tempo. No caso de ZTF J1239, verificou-se que o objecto mudava significativamente de brilho a cada 57 minutos.

Uma análise mais aprofundada da fonte revelou que se trata de um par de anãs castanhas pouco luminosas que intimamente se orbitam uma à outra; na verdade, todo o sistema caberia na distância entre a Terra e a Lua. Os objectos, que têm aproximadamente 60 a 80 vezes a massa de Júpiter, encontram-se a cerca de 1000 anos-luz de distância, na direcção da constelação da Ursa Maior.

Os cientistas não têm a certeza de como os dois corpos celestes pouco luminosos se juntaram inicialmente; é possível que uma terceira estrela as tenha aproximado gravitacionalmente a partir de sistemas distintos. Uma vez juntas, as estrelas teriam entrado numa espiral, aproximando-se cada vez mais, até que uma das anãs castanhas aumentou de tamanho devido à influência gravitacional da outra, tornando-se menos densa.

“Quando a gravidade de uma estrela é superada pela da outra, a matéria começa a fluir da estrela menos densa para a mais densa”, diz Whitebook. “É como se a matéria escorresse através de um bocal”.

Este bocal direcciona o material de uma anã castanha para um ponto fixo na outra, que então aquece e brilha com luz azul e ultravioleta. A rotação deste ponto quente, à medida que as duas anãs castanhas giram uma à volta da outra, levou à curva de luz periódica observada pelo ZTF.

Embora se saiba que outros tipos de estrelas transferem massa entre si, esta é a primeira vez que tal acontece no mundo das anãs castanhas. “Estes são objectos muito exóticos”, diz Prince. “Conversámos com alguns dos nossos colegas acerca deles, e não acreditaram que tal coisa existisse”.

Como o par recém-descoberto é pouco brilhante e está próximo da Terra, os cientistas estimam que existam muitos outros semelhantes por aí à espera de serem descobertos.

“Esperamos que o Observatório Vera Rubin [um observatório terrestre no Chile] detecte dúzias de outros objectos destes”, afirma Whitebook. “Queremos encontrar mais para compreender a população e a sua frequência. Prevemos que isto aconteça com mais frequência do que se pensa”.

Outros telescópios que contribuíram para o estudo incluem a missão Gaia da ESA, o Observatório W. M. Keck no Hawaii, o Telescópio Hale de 200 polegadas de Palomar, o WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) da NASA, o Telescópio Neil Gehrels Swift da NASA e o GTC (Gran Telescopio Canarias) nas Ilhas Canárias, Espanha. Os investigadores estão a planear futuras observações de ZTF J1239 com o Telescópio Espacial James Webb da NASA.

As anãs castanhas têm má reputação no mundo estelar, sendo frequentemente rotuladas como “estrelas falhadas” devido à sua incapacidade de sustentar a fusão nuclear nos seus núcleos. A massa destes objectos situa-se entre a dos planetas e a das estrelas, variando entre 13 e 80 vezes a massa de Júpiter. Como não são suficientemente massivas para sustentar a fusão, são muito mais ténues e frias do que as suas congéneres estelares.

Agora, uma nova descoberta liderada por investigadores do Caltech mostra como estes corpos pouco luminosos podem unir-se para brilhar intensamente. Ao analisar observações de arquivo captadas pelo ZTF (Zwicky Transient Facility) no Observatório Palomar, os investigadores identificaram um par íntimo de anãs castanhas, no qual uma está ativamente a extrair material da outra.

Em última análise, espera-se que as anãs castanhas se fundam para formar uma nova estrela; alternativamente, a anã castanha que ganha a massa extra irá inflamar-se para se tornar uma estrela. Seja como for, um par de estrelas falhadas terá criado uma estrela brilhante.

“As estrelas falhadas têm uma segunda oportunidade”, afirma Samuel Whitebook, estudante do Caltech e autor principal de um novo estudo acerca das descobertas publicado na revista The Astrophysical Journal Letters. “As anãs castanhas não têm motores internos como as estrelas, mas este resultado mostra que podem apresentar uma física dinâmica muito interessante”.

Whitebook trabalha com dois orientadores: Tom Prince, professor de física, e Dimitri Mawet, professor de astronomia e investigador sénior no JPL da NASA. Tanto Prince como Mawet são co-autores do estudo.

A descoberta é inédita: até agora, este tipo de transferência de massa entre objetos binários só tinha sido observado em objectos muito mais pesados, como as anãs brancas, que são os cadáveres de estrelas como o nosso Sol.

O par de anãs castanhas, denominado ZTF J1239+8347 (ou ZTF J1239, para abreviar), foi detectado depois de os cientistas terem analisado uma base de dados conhecida como ZVAR, ou ZTF Variability Archive, que é uma colecção de dados de todo o céu recolhidos repetidamente pelo ZTF desde 2017. A base de dados, que contém 2 mil milhões de objectos, revela como esses objectos mudam ao longo do tempo. No caso de ZTF J1239, verificou-se que o objecto mudava significativamente de brilho a cada 57 minutos.

Uma análise mais aprofundada da fonte revelou que se trata de um par de anãs castanhas pouco luminosas que intimamente se orbitam uma à outra; na verdade, todo o sistema caberia na distância entre a Terra e a Lua. Os objectos, que têm aproximadamente 60 a 80 vezes a massa de Júpiter, encontram-se a cerca de 1000 anos-luz de distância, na direcção da constelação da Ursa Maior.

Os cientistas não têm a certeza de como os dois corpos celestes pouco luminosos se juntaram inicialmente; é possível que uma terceira estrela as tenha aproximado gravitacionalmente a partir de sistemas distintos. Uma vez juntas, as estrelas teriam entrado numa espiral, aproximando-se cada vez mais, até que uma das anãs castanhas aumentou de tamanho devido à influência gravitacional da outra, tornando-se menos densa.

“Quando a gravidade de uma estrela é superada pela da outra, a matéria começa a fluir da estrela menos densa para a mais densa”, diz Whitebook. “É como se a matéria escorresse através de um bocal”.

Este bocal direcciona o material de uma anã castanha para um ponto fixo na outra, que então aquece e brilha com luz azul e ultravioleta. A rotação deste ponto quente, à medida que as duas anãs castanhas giram uma à volta da outra, levou à curva de luz periódica observada pelo ZTF.

Embora se saiba que outros tipos de estrelas transferem massa entre si, esta é a primeira vez que tal acontece no mundo das anãs castanhas. “Estes são objectos muito exóticos”, diz Prince. “Conversámos com alguns dos nossos colegas acerca deles, e não acreditaram que tal coisa existisse”.

Como o par recém-descoberto é pouco brilhante e está próximo da Terra, os cientistas estimam que existam muitos outros semelhantes por aí à espera de serem descobertos.

“Esperamos que o Observatório Vera Rubin [um observatório terrestre no Chile] detecte dúzias de outros objectos destes”, afirma Whitebook. “Queremos encontrar mais para compreender a população e a sua frequência. Prevemos que isto aconteça com mais frequência do que se pensa”.

Outros telescópios que contribuíram para o estudo incluem a missão Gaia da ESA, o Observatório W. M. Keck no Hawaii, o Telescópio Hale de 200 polegadas de Palomar, o WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) da NASA, o Telescópio Neil Gehrels Swift da NASA e o GTC (Gran Telescopio Canarias) nas Ilhas Canárias, Espanha. Os investigadores estão a planear futuras observações de ZTF J1239 com o Telescópio Espacial James Webb da NASA.

// Caltech (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)

CCVALG
24.03.2026

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2027: porque o ‘eclipse do século’ merece ser visto ao vivo

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Vista do eclipse solar total de 21 de Agosto de 2017 a partir de Madras, Oregon
© NASA/Gopalswamy

O astro-turismo tem sido uma das maiores tendências de viagem dos últimos cinco anos e não dá sinais de abrandar, sobretudo com um eclipse solar no horizonte no final deste ano.

Embora o eclipse solar total de 12 de agosto de 2026 seja especial, por ser o primeiro e único visível na Islândia no século XXI, os caçadores de eclipses de longa data já estão a olhar para o ano seguinte.

É que, em 2 de Agosto de 2027, ocorrerá o “eclipse do século”, o mais longo eclipse solar total visível em terra facilmente acessível.

Grandes cidades no caminho da totalidade incluem Cádis e Málaga, em Espanha, Tânger, em Marrocos, e Jidá e Meca, na Arábia Saudita. Luxor, no Egipto, deverá ser um dos destinos mais procurados para observar o eclipse, já que a duração máxima da totalidade – seis minutos e 23 segundos – ocorrerá a cerca de 60 quilómetros a sudeste da cidade.

Para perceber melhor porque vale a pena viajar para ver este eclipse, falámos com a doutora Kelly Korreck, cientista responsável pelo programa de eclipses na sede da NASA.

Porque é tão especial o “eclipse do século” de 2027

“Até agora, a Terra é o único planeta de que temos conhecimento onde ocorre este tipo de eclipse solar”, disse a doutora Korreck à Euronews Travel.

“Há outras luas que passam à frente do Sol, mas ter uma lua com o tamanho e a distância perfeitos para podermos assistir a isto é algo verdadeiramente especial.”

Os cientistas conseguem prever a data, a hora e a duração dos eclipses com milhares de anos de antecedência – e saber quando ocorreram no passado – observando as órbitas da Lua, do Sol e da Terra.

Em teoria, o eclipse total mais longo possível duraria cerca de sete minutos e meio. Para isso, o Sol teria de estar no apogeu (no ponto mais distante da Terra), a Lua no perigeu (o ponto mais próximo da Terra) e o caminho da totalidade teria de passar ao longo do equador, algo que, como se imagina, é bastante improvável.

Com seis minutos e 23 segundos, o eclipse solar total de 2 de Agosto de 2027 fica muito perto desse limite.

Ultrapassa largamente o eclipse total de 2026, cuja duração será de dois minutos e 18 segundos, e o Grande Eclipse Norte-Americano de Abril de 2024, que durou quatro minutos e 28 segundos.

O que esperar durante o eclipse solar total

“É difícil explicar, sobretudo neste mundo digital, porque vale mesmo a pena sair e viver isto ao vivo”, afirmou Korreck.

“As imagens são bonitas, mas não fazem justiça à experiência vivida com todo o corpo.”

Korreck integra uma equipa que se dedica à ciência tornada possível quando a Lua tapa o Sol, incluindo estudos da coroa solar, a camada mais externa da atmosfera do Sol.

Enquanto a NASA vai utilizar equipamento sensível para estudar a coroa solar, será possível ver esses filamentos esguios a olho nu durante a totalidade.

Se o céu estiver limpo no local escolhido para observar o eclipse, será ainda possível ver estrelas muito brilhantes e até alguns planetas.

A diferença não será apenas visível: também se sente, já que a temperatura pode descer até 10 ºC enquanto o Sol está encoberto pela Lua.

“O cérebro humano tende a interpretar [o eclipse] como algo estranho e pode surgir alguma ansiedade ou medo, porque está a ficar escuro de uma forma a que não estamos habituados”, observa Korreck.

“Ficamos perplexos. Mas quando se atinge a totalidade e se observa esta parte externa do Sol, que não vemos no dia a dia, o efeito é impressionante. Por muitas vezes que se veja, apetece sempre voltar a ver.”

Como observar o eclipse em segurança

Proteger devidamente os olhos é essencial para ver um eclipse em segurança. Excepto no período de totalidade, quando o Sol está completamente coberto pela Lua, é obrigatório usar óculos específicos para observação solar.

Esses óculos devem cumprir a norma internacional ISO 12312-2 e são milhares de vezes mais escuros do que os óculos de sol comuns.

Em alternativa, pode usar um projector de orifício, que pode ser tão simples como entrelaçar as mãos e deixar passar a luz, para ver a imagem do Sol projectada no chão.

O site da NASA (fonte em inglês) apresenta conselhos de segurança detalhados, incluindo instruções para construir um projector de eclipse em casa.

Euronews (Português)
Dianne Apen-Sadler
22.03.2026

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11: O Hubble capta, inesperadamente, um cometa a fragmentar-se

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Série de imagens do cometa em processo de fragmentação, C/2025 K1 (ATLAS), ou K1 para abreviar, obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA ao longo de três dias consecutivos (8, 9 e 10 de Novembro de 2025). Captada pelo instrumento STIS (Space Telescope Imaging Spectrograph) do Hubble, a sequência mostra a desintegração progressiva do cometa ao longo deste breve período. Esta é a primeira vez que o Hubble testemunha um cometa numa fase tão precoce do processo de fragmentação.
Crédito: NASA, ESA, D. Bodewits (Auburn); processamento – J. DePasquale (STScI)

O cometa K1, cujo nome completo é Cometa C/2025 K1 (ATLAS), acabara de passar pela sua maior aproximação ao Sol e dirigia-se para fora do Sistema Solar. Embora estivesse intacto apenas alguns dias antes, o K1 fragmentou-se em pelo menos quatro pedaços enquanto o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA o observava. As probabilidades de isso acontecer enquanto o Hubble observava o cometa são extraordinariamente reduzidas.

O cometa K1, cujo nome completo é Cometa C/2025 K1 (ATLAS) – a não confundir com o cometa interestelar 3I/ATLAS – não era o alvo original de um estudo recente do Hubble. As descobertas foram publicadas na revista Icarus.

“Às vezes, a melhor ciência acontece por acaso”, disse o co-investigador John Noonan, professor investigador no Departamento de Física da Universidade de Auburn, no estado do Alabama, EUA. “Este cometa foi observado porque o nosso cometa original não estava visível devido a algumas novas restrições técnicas depois de termos ganho a nossa proposta. Tivemos de encontrar um novo alvo – e, precisamente quando o observámos, ele fragmentou-se, o que é extremamente improvável de acontecer”.

John não sabia que o K1 se estava a fragmentar até ver as imagens no dia seguinte ao da sua captura pelo Hubble. “Enquanto dava uma primeira olhadela nos dados, reparei que havia quatro cometas nessas imagens, quando só tínhamos proposto observar um”, disse John. “Por isso, percebemos que se tratava de algo realmente muito especial”.

Esta é uma experiência que os investigadores sempre quiseram realizar com o Hubble. Tinham proposto muitas observações com o Hubble para captar um cometa a fragmentar-se. Infelizmente, estas são muito difíceis de agendar e nunca tiveram sucesso.

“A ironia é que estamos apenas a estudar um cometa comum e ele desintegra-se diante dos nossos olhos”, disse o investigador principal Dennis Bodewits, também professor no Departamento de Física da Universidade de Auburn.

“Os cometas são resquícios da era da formação do Sistema Solar, por isso são feitos de ‘material antigo’ – os materiais primordiais que formaram o nosso Sistema Solar”, explicou Dennis. “Mas não são pristinos – foram aquecidos, foram irradiados pelo Sol e pelos raios cósmicos. Por isso, ao analisar a composição de um cometa, a questão que sempre nos colocamos é: ‘Será esta uma propriedade primitiva ou deve-se à evolução?’ Ao ‘partir’ um cometa, é possível ver o material antigo que não foi processado”.

O Hubble captou o K1 a fragmentar-se em pelo menos quatro pedaços, cada um com uma cabeleira distinta, o invólucro difuso de gás e poeira que envolve o núcleo gelado de um cometa. O Hubble conseguiu distinguir claramente os fragmentos, mas, para os telescópios terrestres, na altura, estes apenas pareciam manchas dificilmente distinguíveis.

As imagens do Hubble foram captadas apenas um mês após a maior aproximação do K1 ao Sol, o chamado periélio. O periélio do cometa situava-se dentro da órbita de Mercúrio, a cerca de um terço da distância da Terra ao Sol. Durante o periélio, um cometa sofre o seu aquecimento mais intenso e a tensão máxima. É logo após o periélio que alguns cometas de longo período, como o K1, tendem a desintegrar-se.

Antes de se fragmentar, o K1 era provavelmente um pouco maior do que um cometa médio, com cerca de 8 km de diâmetro. A equipa estima que o cometa começou a desintegrar-se oito dias antes de o Hubble o ter observado. O Hubble captou três exposições de 20 segundos, uma por dia, entre 8 e 10 de Novembro de 2025. Enquanto observava o cometa, um dos fragmentos mais pequenos do K1 também se desintegrou.

Este diagrama mostra a trajectória que o cometa de longo período C/2025 K1 (ATLAS), ou K1 para abreviar, seguiu ao passar pelo Sol e ao iniciar a sua viagem para fora do Sistema Solar. A 10 de Novembro de 2025, o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA captou a imagem do cometa em fragmentação visível na inserção. O Hubble captou a imagem apenas um mês após a aproximação máxima do K1 ao Sol, chamada periélio.
Crédito: NASA, ESA, R. Crawford (STScI)

Como a visão nítida do Hubble consegue distinguir detalhes extremamente finos, a equipa conseguiu traçar a história dos fragmentos até ao momento em que eram uma única peça. Isso permitiu-lhes reconstruir a linha temporal. Mas, ao fazê-lo, descobriram um mistério: por que razão houve um atraso entre o momento em que o cometa se fragmentou e o momento em que foram observadas explosões brilhantes a partir do solo? Quando o cometa se fragmentou e expôs gelo fresco, por que razão não brilhou quase instantaneamente?

A equipa tem algumas teorias. A maior parte do brilho de um cometa deve-se à luz solar reflectida nos grãos de poeira. Mas quando um cometa se parte, revela gelo puro. Talvez seja necessário que se forme uma camada de poeira seca sobre o gelo puro e que esta depois seja soprada para longe. Ou talvez seja necessário que o calor penetre abaixo da superfície, acumule pressão e, em seguida, ejecte uma camada de poeira em expansão.

“Nunca o Hubble tinha captado um cometa fracturado tão perto do momento em que se desintegrou. Na maioria das vezes, isso acontece algumas semanas a um mês depois. E, neste caso, conseguimos vê-lo apenas alguns dias depois”, disse John. “Isto está a dizer-nos algo muito importante sobre a física do que está a acontecer na superfície do cometa. Podemos estar a ver o tempo que leva para formar uma camada substancial de poeira que pode, em seguida, ser ejectada pelo gás”.

Por mais emocionantes que estas descobertas sejam, o melhor ainda está para vir. A equipa está ansiosa por concluir a análise dos gases provenientes do cometa. As análises terrestres já revelam que o K1 é quimicamente muito estranho – apresenta uma escassez significativa de carbono, em comparação com outros cometas. É provável que a análise espectroscópica dos instrumentos STIS (Space Telescope Imaging Spectrograph) e COS (Cosmic Origins Spectrograph) do Hubble revele muito mais sobre a composição do K1 e as próprias origens do nosso Sistema Solar.

O cometa K1 é agora um conjunto de fragmentos a cerca de 400 milhões de km da Terra. Localizado na direcção da constelação de Peixes, está a afastar-se do Sistema Solar, sendo improvável que alguma vez regresse. Os astrónomos observam que os cometas de longo período, como o K1, são mais propensos a fragmentar-se do que os seus primos de curto período, como o 67P/Churyumov-Gerasimenko, que foi visitado pela missão Rosetta da ESA, mas não se sabe porquê. Com lançamento previsto para o final da década, a Comet Interceptor da ESA será a primeira missão a visitar um cometa de longo período.

“A observação fortuita do K1 pelo Hubble irá ajudar-nos a compreender por que razão alguns cometas de longo período se fragmentam e dar-nos-á uma primeira visão do seu interior”, afirmou o co-autor professor Colin Snodgrass, da Universidade de Edimburgo, na Escócia, e cientista interdisciplinar da missão Comet Interceptor. “Estes novos resultados vão complementar a visão detalhada de um cometa de longo período que vamos obter através da Comet Interceptor, além de ajudar os astrónomos a seleccionar o alvo da missão”.

 

// ESA (comunicado de imprensa)
// ESA/Hubble (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Icarus)

CCVALG
20.03.2026

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10: Investigadores revelam uma nova classe de planetas fundidos

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Ilustração artística do exoplaneta L 98-59 d.
Crédito: Mark A. Garlick

O exoplaneta conhecido como L 98-59 d orbita uma pequena estrela vermelha a cerca de 35 anos-luz da Terra. Observações recentes do Telescópio Espacial James Webb e de observatórios terrestres sugeriram algo invulgar: o planeta tem uma densidade particularmente baixa, dado o seu tamanho (que é cerca de 1,6 vezes o da Terra) e contém quantidades significativas de sulfureto de hidrogénio na sua atmosfera.

Até agora, os astrónomos teriam classificado um planeta como este numa de duas categorias conhecidas: ou um “anão gasoso” e rochoso com uma atmosfera de hidrogénio, ou um mundo rico em água composto por oceanos profundos e por gelo. Mas estas novas descobertas revelam que L 98-59 d não se enquadra em nenhuma dessas descrições – ao invés, parece pertencer a uma classe totalmente diferente de planetas, contendo moléculas pesadas de enxofre.

Um planeta com um oceano de magma

Utilizando simulações computacionais avançadas, uma equipa de investigadores da Universidade de Oxford, da Universidade de Groninga, da Universidade de Leeds e da ETH Zurique reconstruiu a história do planeta desde pouco depois do seu nascimento até aos dias de hoje – um período de quase cinco mil milhões de anos. Ao ligar directamente as observações telescópicas a estes modelos físicos detalhados do interior e da atmosfera planetária, conseguiram determinar o que deve estar a ocorrer nas profundezas do planeta.

Os seus resultados revelam que o manto de L 98-59 d é provavelmente constituído por silicato fundido (semelhante à lava na Terra), com um oceano global de magma que se estende por milhares de quilómetros abaixo da superfície. Este vasto reservatório fundido permite que o planeta armazene quantidades extremamente grandes de enxofre nas profundezas do seu interior, ao longo de escalas geológicas de tempo.

O oceano de magma também ajuda L 98-59 d a reter uma atmosfera espessa rica em hidrogénio, contendo gases que contêm enxofre, como o sulfureto de hidrogénio (H2S). Normalmente, este seria perdido para o espaço ao longo do tempo, devido aos raios X produzidos pela estrela hospedeira.

Ao longo de milhares de milhões de anos, as interacções químicas entre o seu interior fundido e a atmosfera moldaram o que os telescópios observam hoje em L 98-59 d. Os investigadores sugerem que L 98-59 d pode ser o primeiro membro reconhecido de uma população mais ampla de planetas sulfurosos ricos em gás que sustentam oceanos de magma e de longa duração. Se assim for, a diversidade de mundos na nossa Galáxia pode ser ainda maior do que se imaginava anteriormente.

O autor principal, Dr. Harrison Nicholls (Departamento de Física, Universidade de Oxford), afirmou: “Esta descoberta sugere que as categorias que os astrónomos utilizam actualmente para descrever planetas pequenos podem ser demasiado simples. Embora seja improvável que este planeta fundido sustente vida, reflecte a ampla diversidade dos mundos que existem para lá do Sistema Solar. Podemos então perguntar: que outros tipos de planetas estão à espera de serem descobertos?”

Como o enxofre molda o planeta

As observações Webb realizadas em 2024 indicaram a presença de dióxido de enxofre, entre outros gases sulfurosos, nas camadas superiores da atmosfera de L 98-59 d. Os novos modelos da equipa mostram que estes gases podem ser criados quando a luz ultravioleta da estrela hospedeira, a anã vermelha L 98-59, desencadeia reacções químicas.

Ao mesmo tempo, o oceano de magma abaixo actua como um enorme reservatório para armazenar estes gases voláteis, acumulando-os e libertando-os ao longo de milhares de milhões de anos após a formação do planeta. Esta combinação de armazenamento profundo de voláteis no seu interior e da química atmosférica impulsionada pelos raios ultravioleta explica as propriedades notáveis do planeta.

De acordo com as simulações, L 98-59 d provavelmente formou-se com uma quantidade muito grande de material volátil e pode ter-se assemelhado, em tempos, a um planeta sub-Neptuno de maiores dimensões. Ao longo de milhares de milhões de anos, foi encolhendo gradualmente à medida que arrefecia e perdia parte da sua atmosfera.

É importante referir que os oceanos de magma representam os estados iniciais universais de todos os planetas rochosos (incluindo a Terra e Marte), pelo que novos conhecimentos acerca da física dos oceanos de magma podem dar-nos informações sobre o nosso próprio mundo e sobre a sua história primordial.

O co-autor e professor Raymond Pierrehumbert (Departamento de Física da Universidade de Oxford), afirmou: “O que é excitante é que podemos utilizar modelos computacionais para desvendar o interior oculto de um planeta que nunca iremos visitar. Embora os astrónomos só possam medir o tamanho, a massa e a composição atmosférica de um planeta à distância, esta investigação demonstra que é possível reconstruir o passado remoto destes mundos alienígenas – e descobrir tipos de planetas sem equivalente no nosso próprio Sistema Solar”.

O Telescópio Webb está a fornecer uma grande quantidade de novos dados, com mais a caminho pelas futuras missões Ariel e PLATO. A equipa de investigação pretende aplicar as suas simulações a estas novas medições, utilizando métodos de aprendizagem de máquina, para mapear a diversidade de mundos para lá do Sistema Solar e estabelecer ligações com as suas histórias iniciais. Ao fazê-lo, vamos aprender como os planetas se formam, como evoluem e, assim, definir expectativas sobre quais podem ser habitáveis (ou não).

O Dr. Richard Chatterjee (Universidade de Leeds/Universidade de Oxford) afirmou: “Os nossos modelos computacionais simulam vários processos planetários, permitindo-nos efectivamente recuar no tempo e compreender como este exoplaneta rochoso invulgar, L 98-59 d, evoluiu.

O gás sulfureto de hidrogénio, responsável pelo cheiro a ovos podres, parece desempenhar um papel de destaque nesse planeta. Mas, como sempre, são necessárias mais observações para compreender este planeta e outros semelhantes. Investigações futuras poderão ainda revelar que planetas com odores bastante pungentes são surpreendentemente comuns”.

// Universidade de Oxford (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)

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20.03.2026

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9: Bennu: resolvido um mistério da superfície acidentada do asteróide

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Animação que alterna entre imagens e tomografias computorizada por raios X de partículas do asteróide Bennu. Mostram os tipos mais comuns de redes de fissuras observadas nas amostras de Bennu. Uma apresenta uma estrutura extensa e interligada de fissuras curvas, enquanto a outra apresenta fracturas esparsas, rectas e planas.
Crédito: NASA/Scott Eckley

Numa das maiores surpresas da missão OSIRIS-REx da NASA, o seu asteróide alvo, Bennu, revelou-se um mundo irregular e acidentado, coberto de grandes rochas, com poucas das áreas lisas que as observações anteriores feitas por instrumentos terrestres tinham indicado.

“Quando a OSIRIS-REx chegou a Bennu em 2018, ficámos surpreendidos com o que vimos”, disse Andrew Ryan, cientista do LPL (Lunar and Planetary Laboratory) da Universidade do Arizona, em Tucson, EUA, que liderou o grupo de trabalho de análise física e térmica das amostras da missão. “Esperávamos algumas rochas, mas antecipávamos pelo menos algumas grandes regiões com regolito mais liso e fino que fosse fácil de recolher. Em vez disso, parecia que era tudo pedregulhos, e ficámos a coçar a cabeça durante algum tempo”.

Particularmente intrigantes foram as observações feitas em 2007 pelo Telescópio Espacial Spitzer da NASA, que mediu uma baixa inércia térmica, indicativa de um asteróide cuja superfície aquece e arrefece rapidamente à medida que gira para dentro e para fora da luz solar, como uma praia arenosa na Terra. Isto estava em contradição com as muitas rochas de grandes dimensões que a OSIRIS-REx encontrou à chegada, que deveriam comportar-se mais como blocos de betão, libertando calor muito tempo depois do pôr-do-sol.

Os dados recolhidos pela sonda OSIRIS-REx durante a sua campanha de levantamento no asteróide sugeriram uma possível explicação: as rochas poderiam ser muito mais porosas do que o esperado. Assim que as amostras foram entregues à Terra, os investigadores puderam investigar isto mais a fundo.

Scott Eckley, cientista especializado em raios X do ARES (Astromaterials Research and Exploration Science) do Centro Espacial Johnson da NASA, demonstra o processo de colocação de um recipiente com um fragmento de material do asteróide numa máquina de tomografia computorizada por raios X. As análises permitem aos investigadores obter imagens das partículas através de recipientes herméticos e visualizar a forma e a estrutura interna de uma rocha sem danificar a amostra.
Crédito: NASA/Robert Markowitz

A equipa de Ryan examinou minuciosamente partículas de rocha recolhidas da superfície de Bennu, utilizando várias técnicas de análise laboratorial. Num estudo publicado na revista Nature Communications, os autores relataram que os pedregulhos são, de facto, suficientemente porosos para explicar parte da perda de calor observada, mas não a totalidade. Em vez disso, verificou-se que muitas das rochas estavam repletas de extensas redes de fissuras.

Para testar se as fissuras poderiam ser a razão pela qual a superfície do asteróide perdia calor, uma equipa da Universidade de Nagoya, no Japão, analisou material das amostras de Bennu utilizando termografia. Esta técnica a laser permite aos investigadores atingir um ponto minúsculo na superfície da amostra e medir como o calor se difunde através dela, de forma semelhante à maneira como as ondulações se movem num lago.

“Foi aí que as coisas se tornaram realmente interessantes”, disse Ryan. “A inércia térmica medida nas amostras de laboratório revelou-se muito superior à registada pelos instrumentos da nave espacial, ecoando conclusões semelhantes obtidas pela equipa da missão parceira da OSIRIS-REx, a Hayabusa-2 da JAXA (Japan Aerospace Exploration Agency)”.

Para fazer previsões significativas sobre como o material se comportaria nas grandes rochas do asteróide, a equipa teve de encontrar uma forma de escalar as medições obtidas com as pequenas partículas da amostra.

Utilizando uma câmara de manuseamento, os membros da equipa do Centro Espacial Johnson da NASA, em Houston, selaram as partículas das amostras em recipientes herméticos sob uma atmosfera protectora de azoto e, em seguida, transferiram-nas para um laboratório onde puderam realizar tomografias computorizadas por raios X. Assim que uma partícula era examinada, voltava para a câmara de manuseamento.

“A amostra entra no seu próprio ‘fato espacial’, é submetida a uma tomografia computorizada e, em seguida, regressa ao seu ambiente imaculado, tudo isto sem qualquer exposição ao ambiente terrestre”, afirmou Nicole Lunning, curadora principal das amostras da OSIRIS-REx no ARES (Astromaterials Research and Exploration Science) do Centro Espacial Johnson da NASA e uma das co-autoras do estudo. “Conseguimos obter imagens através destes recipientes herméticos para visualizar a forma e a estrutura interna da rocha que se encontra no interior”.

“A tomografia computorizada por raios X permite-nos observar o interior de um objecto em três dimensões, sem o danificar”, afirmou o co-autor do estudo e cientista de raios X de Johnson da NASA, Scott Eckley.

Uma vez mapeada desta forma, é criado um arquivo digital tridimensional permanente da forma e do interior de uma partícula da amostra, e os dados são introduzidos numa base de dados pública. A equipa de Ryan utilizou os dados da tomografia computorizada por raios X para simulações computacionais que modelavam o fluxo de calor e a inércia térmica. Quando escalados para o tamanho de pedregulhos, os resultados da inércia térmica coincidiram com o que a nave espacial tinha medido no asteróide.

Enquanto os cientistas esperavam que as rochas de Bennu fossem extremamente porosas e fofas, talvez até esponjosas, a análise das amostras revelou algo inesperado.

“Afinal, elas também estão bastante fissuradas, e essa era a peça que faltava no quebra-cabeças”, afirmou Ryan.

Ron Ballouz, cientista do JHUAPL (Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory) em Laurel, no estado norte-americano de Maryland, e segundo autor do artigo científico, afirmou que este trabalho transforma a maneira como os cientistas interpretam a estrutura de um asteróide com base nas suas propriedades térmicas observadas a partir da Terra.

“Podemos finalmente fundamentar a nossa compreensão das observações telescópicas das propriedades térmicas de um asteróide através da análise destas amostras provenientes desse mesmo asteróide”, afirmou Ballouz.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Communications)

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O Sol não está sozinho – escapou do Centro Galáctico juntamente com as suas “gémeas”

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Uma êxodo em massa de estrelas gémeas. Estrelas semelhantes ao nosso Sol formam uma migração em massa a partir do centro da Via Láctea, ocorrida há aproximadamente 4 a 6 mil milhões de anos.
Crédito: NAOJ

Investigadores descobriram evidências de que o nosso Sol fez parte de uma migração em massa de “gémeas” idênticas que abandonaram as regiões centrais da nossa Galáxia há 4 a 6 mil milhões de anos. A equipa criou e estudou um catálogo de estrelas e das suas propriedades com uma precisão sem precedentes, recorrendo a dados do satélite Gaia da ESA. Esta descoberta lança luz sobre a evolução da nossa Galáxia, em particular sobre o desenvolvimento da estrutura da barra giratória no seu centro.

Enquanto a arqueologia na Terra estuda o passado humano, a arqueologia galáctica rastreia as vastas jornadas das estrelas e das galáxias. Por exemplo, os cientistas sabem que o nosso Sol nasceu há cerca de 4,6 mil milhões de anos, mais de 10.000 anos-luz mais perto do centro da Via Láctea do que estamos hoje. Embora os estudos sobre a composição das estrelas apoiem esta teoria, há muito que se revela um mistério para os cientistas. As observações revelam uma enorme estrutura em forma de barra no centro da nossa Galáxia que cria uma “barreira de co-rotação”, o que dificulta a fuga das estrelas para tão longe do centro.

Então, como é que chegámos aqui? Para responder a esta pergunta, uma equipa liderada pelos professores Daisuke Taniguchi, da Universidade Metropolitana de Tóquio, e Takuji Tsujimoto, do NAOJ (National Astronomical Observatory of Japan), empreendeu um estudo de dimensão sem precedentes acerca de “gémeas” solares, estrelas que têm temperatura, gravidade superficial e composição muito semelhantes às do nosso Sol. Utilizaram dados recolhidos pela missão do satélite Gaia da ESA, um vasto conjunto de observações que abrange dois mil milhões de estrelas e outros objectos. Criaram um catálogo de 6594 “gémeas” estelares, uma colecção cerca de 30 vezes maior do que os levantamentos anteriores.

A partir desta imensa lista, conseguiram obter o retrato mais preciso até à data das idades destas estrelas, corrigindo cuidadosamente o enviesamento de selecção das estrelas que são mais fáceis de observar. Ao analisar a distribuição das idades, notaram um pico generalizado para estrelas com cerca de 4 a 6 mil milhões de anos: isto inclui o nosso Sol e constitui uma evidência da existência de estrelas semelhantes, com idades semelhantes, localizadas a aproximadamente a mesma distância do centro da Galáxia. Isto significa que o nosso Sol não se encontra na sua posição actual por acaso, mas como parte de uma migração estelar muito mais vasta.

Esta descoberta lança luz não só sobre a natureza do nosso Sistema Solar, mas também sobre a evolução da própria Galáxia. A barreira de co-rotação criada pela estrutura em barra no Centro Galáctico não permitiria tal êxodo em massa. No entanto, a história muda se a barra ainda estivesse, na altura, a ser formada. As idades das nossas “gémeas” estelares revelam não só quando o êxodo em massa ocorreu, mas também o intervalo de tempo durante o qual a barra se formou.

O centro da Galáxia é um ambiente muito menos hospitaleiro para a evolução da vida do que as regiões exteriores. As descobertas da equipa esclarecem, assim, um factor-chave na forma como o nosso Sistema Solar, e por sua vez o nosso planeta, se encontrou numa região da Galáxia onde os organismos puderam desenvolver-se e evoluir.

No futuro, a equipa espera utilizar observações precisas de estrelas com idades semelhantes à do Sol para procurar estrelas nascidas aproximadamente na mesma altura e no mesmo local que o Sol, a fim de determinar o ponto de origem e a rota de viagem da migração em massa. Espera-se que a missão do satélite de astrometria japonês, JASMINE, que está a ser desenvolvida pelo NAOJ, contribua para esta investigação.

(vídeo)

Investigadores descobriram evidências de que o nosso Sol fez parte de uma migração em massa de “gémeas” idênticas que abandonaram as regiões centrais da nossa Galáxia há 4 a 6 mil milhões de anos. A equipa criou e estudou um catálogo de estrelas e das suas propriedades com uma precisão sem precedentes, recorrendo a dados do satélite Gaia da ESA. Esta descoberta lança luz sobre a evolução da nossa Galáxia, em particular sobre o desenvolvimento da estrutura da barra giratória no seu centro.

Enquanto a arqueologia na Terra estuda o passado humano, a arqueologia galáctica rastreia as vastas jornadas das estrelas e das galáxias. Por exemplo, os cientistas sabem que o nosso Sol nasceu há cerca de 4,6 mil milhões de anos, mais de 10.000 anos-luz mais perto do centro da Via Láctea do que estamos hoje. Embora os estudos sobre a composição das estrelas apoiem esta teoria, há muito que se revela um mistério para os cientistas. As observações revelam uma enorme estrutura em forma de barra no centro da nossa Galáxia que cria uma “barreira de co-rotação”, o que dificulta a fuga das estrelas para tão longe do centro.

Então, como é que chegámos aqui? Para responder a esta pergunta, uma equipa liderada pelos professores Daisuke Taniguchi, da Universidade Metropolitana de Tóquio, e Takuji Tsujimoto, do NAOJ (National Astronomical Observatory of Japan), empreendeu um estudo de dimensão sem precedentes acerca de “gémeas” solares, estrelas que têm temperatura, gravidade superficial e composição muito semelhantes às do nosso Sol. Utilizaram dados recolhidos pela missão do satélite Gaia da ESA, um vasto conjunto de observações que abrange dois mil milhões de estrelas e outros objectos. Criaram um catálogo de 6594 “gémeas” estelares, uma colecção cerca de 30 vezes maior do que os levantamentos anteriores.

A partir desta imensa lista, conseguiram obter o retrato mais preciso até à data das idades destas estrelas, corrigindo cuidadosamente o enviesamento de selecção das estrelas que são mais fáceis de observar. Ao analisar a distribuição das idades, notaram um pico generalizado para estrelas com cerca de 4 a 6 mil milhões de anos: isto inclui o nosso Sol e constitui uma evidência da existência de estrelas semelhantes, com idades semelhantes, localizadas a aproximadamente a mesma distância do centro da Galáxia. Isto significa que o nosso Sol não se encontra na sua posição actual por acaso, mas como parte de uma migração estelar muito mais vasta.

Esta descoberta lança luz não só sobre a natureza do nosso Sistema Solar, mas também sobre a evolução da própria Galáxia. A barreira de co-rotação criada pela estrutura em barra no Centro Galáctico não permitiria tal êxodo em massa. No entanto, a história muda se a barra ainda estivesse, na altura, a ser formada. As idades das nossas “gémeas” estelares revelam não só quando o êxodo em massa ocorreu, mas também o intervalo de tempo durante o qual a barra se formou.

O centro da Galáxia é um ambiente muito menos hospitaleiro para a evolução da vida do que as regiões exteriores. As descobertas da equipa esclarecem, assim, um factor-chave na forma como o nosso Sistema Solar, e por sua vez o nosso planeta, se encontrou numa região da Galáxia onde os organismos puderam desenvolver-se e evoluir.

No futuro, a equipa espera utilizar observações precisas de estrelas com idades semelhantes à do Sol para procurar estrelas nascidas aproximadamente na mesma altura e no mesmo local que o Sol, a fim de determinar o ponto de origem e a rota de viagem da migração em massa. Espera-se que a missão do satélite de astrometria japonês, JASMINE, que está a ser desenvolvida pelo NAOJ, contribua para esta investigação.

// NAOJ (comunicado de imprensa)
// Projeto JASMINE do NAOJ (comunicado de imprensa)
// Artigo científico #1 (Astronomy & Astrophysics)
// Artigo científico #2 (Astronomy & Astrophysics)

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17.03.2026

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7: Os astrónomos recolheram evidências raras da colisão entre dois planetas

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Representação do autor principal, Andy Tzanidakis, da colisão planetária que ele suspeita ter ocorrido, em 2021, em torno da estrela Gaia20ehk.
Crédito: Andy Tzanidakis

Anastasios (Andy) Tzanidakis estava a analisar dados telescópicos obtidos em 2020 quando descobriu uma estrela, de outra forma nada de especial, com um comportamento muito estranho. A estrela, denominada Gaia20ehk, encontra-se a cerca de 11.000 anos-luz da Terra, perto da constelação da Popa. É uma estrela estável de “sequência principal”, muito semelhante ao nosso Sol, o que significa que deveria emitir uma luz constante e previsível. No entanto, esta estrela começou a piscar descontroladamente.

“A emissão de luz estelar era regular e constante, mas a partir de 2016 apresentou estas três quedas de brilho. E depois, por volta de 2021, enlouqueceu completamente”, disse Tzanidakis, doutorando em astronomia na Universidade de Washington, EUA. “Nunca é demais salientar que estrelas como o nosso Sol não fazem isso. Por isso, quando vimos esta, ficámos tipo ‘Olá, o que se passa aqui?'”

A causa do cintilar não tinha nada a ver com a própria estrela: enormes quantidades de rocha e poeira – aparentemente vindas do nada – passavam à frente da estrela distante enquanto o material orbitava o sistema, ofuscando de forma irregular a luz que chegava à Terra. A provável origem de todos esses detritos era ainda mais notável: uma colisão catastrófica entre dois planetas.

“É incrível que vários telescópios tenham captado este impacto em tempo real”, disse Tzanidakis. “Existem apenas algumas outras colisões planetárias de qualquer tipo registadas, e nenhuma que apresente tantas semelhanças com o impacto que criou a Terra e a Lua. Se conseguirmos observar mais momentos como este noutros locais da Galáxia, isso ensinar-nos-á muito sobre a formação do nosso planeta”.

A análise da estrela foi publicada a 11 de Março na revista The Astrophysical Journal Letters.

Os planetas formam-se quando a gravidade agrupa a matéria – poeira, gás, gelo ou detritos rochosos, por exemplo – que orbita uma nova estrela. Os sistemas solares em fase inicial são caóticos – os planetas colidem e explodem frequentemente ou são lançados para o espaço exterior. Através deste processo, e ao longo de talvez 100 milhões de anos, sistemas solares como o nosso reduzem o número de planetas e estabelecem-se num equilíbrio.

Por mais comuns que estas colisões provavelmente sejam, observar uma num sistema solar distante requer paciência e sorte. As órbitas dos planetas têm de os levar directamente entre nós e a sua estrela, para que os detritos resultantes obscureçam parte da luz estelar. O cintilar revelador demora então anos a manifestar-se.

“O trabalho excepcional de Andy aproveita décadas de dados para encontrar coisas que estão a acontecer lentamente – histórias astronómicas que se desenrolam ao longo de uma década”, disse o autor sénior James Davenport, professor assistente de astronomia na Universidade de Washington. “Não há muitos investigadores a procurar fenómenos desta forma, o que significa que todo o tipo de descobertas está potencialmente ao nosso alcance”.

Tzanidakis, o principal autor do estudo, estuda a variabilidade extrema das estrelas ao longo do tempo. O seu trabalho anterior na Universidade de Washington identificou um sistema com uma estrela binária e uma grande nuvem de poeira que causou um eclipse com a duração de sete anos.

O comportamento de Gaia20ehk, no entanto, representou um novo mistério. A flutuação particular da estrela – breves quedas no brilho seguidas de caos – nunca tinha sido observada antes. A equipa ficou perplexa, até que Davenport sugeriu que usassem dados de um telescópio diferente para procurar luz infravermelha em vez de luz visível.

“A curva de luz infravermelha era o oposto completo da luz visível”, disse Tzanidakis. “À medida que a luz visível começava a cintilar e a enfraquecer, a luz infravermelha atingia picos. O que poderia significar que o material a bloquear a estrela era quente – tão quente que brilha no infravermelho”.

Uma colisão cataclísmica entre planetas produziria certamente calor suficiente para explicar a energia infravermelha. Além disso, o tipo certo de colisão poderia também explicar aquelas quedas iniciais de luminosidade.

O gráfico de cima mostra medições de brilho (pontos verdes e amarelos) de Gaia20ehk no espetro da luz ótica. São visíveis três pequenas quedas no brilho, seguidas de um declínio geral mais caótico. O gráfico de baixo mostra medições (pontos rosa, pretos e azuis) do brilho da estrela no infravermelho. As medições revelam um aumento acentuado no infravermelho à medida que o brilho óptico da estrela diminui.
Crédito: Tzanidakis et al./The Astrophysical Journal Letters

“Isso pode ter sido causado pelo facto de os dois planetas se aproximarem cada vez mais um do outro numa trajectória espiral”, afirmou Tzanidakis. “No início, ocorreram uma série de impactos tangenciais, que não produziriam muita energia infravermelha. Depois, tiveram a sua grande colisão catastrófica, e a radiação infravermelha aumentou consideravelmente”.

Existem também indícios de que a colisão se assemelha àquela que criou a Terra e a Lua há cerca de quatro mil milhões e meio de anos. A nuvem de poeira está a orbitar Gaia20ehk a cerca de uma unidade astronómica, a mesma distância que separa o Sol da Terra. A essa distância, o material pode eventualmente arrefecer o suficiente para se solidificar em algo semelhante ao nosso sistema Terra-Lua. Cientistas como Tzanidakis e Davenport não podem ter a certeza até que a poeira assente – literalmente – no sistema. Isso pode demorar alguns anos, ou alguns milhões.

Entretanto, a sua descoberta é um apelo à ação para encontrar mais colisões. O potente Simonyi Survey Telescope, do Observatório Vera C. Rubin, será ideal para a tarefa quando iniciar o seu LSST (Legacy Survey of Space and Time) ainda este ano; alguns cálculos rápidos de Davenport sugerem que o Rubin poderá encontrar 100 novos impactos nos próximos 10 anos. Isso poderá, em última análise, ajudar a restringir a busca por mundos habitáveis fora do nosso Sistema Solar.

“Quão raro foi o evento que deu origem à Terra e à Lua? Essa questão é fundamental para a astrobiologia”, afirmou Davenport. “Parece que a Lua é um dos ingredientes mágicos que tornam a Terra um local propício à vida. Pode ajudar a proteger a Terra de alguns asteróides, produz as marés oceânicas e as condições meteorológicas que permitem a interacção global entre a química e a biologia, e pode até desempenhar um papel na actividade das placas tectónicas. Neste momento, não sabemos quão comuns são estas dinâmicas. Mas se observarmos mais destas colisões, começaremos a perceber”.

// Universidade de Washington (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)

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6: Novo método revela uma expansão mais lenta na nossa vizinhança cósmica

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As velocidades das galáxias em grupos em função da distância. No Universo em expansão, as forças gravitacionais atraem os membros dos grupos uns para os outros, enquanto a expansão cósmica afasta as galáxias mais distantes. Este equilíbrio determina conjuntamente a massa do grupo ligado gravitacionalmente e a constante de Hubble, que representa a força de expansão.
Crédito: Instituto Leibniz de Astrofísica de Potsdam/D. Benisty/J. Fohlmeister

Dois novos estudos mediram a expansão do Universo na nossa vizinhança cósmica imediata, utilizando um método inovador que analisa o movimento de dois grupos próximos de galáxias no fluxo cósmico que as rodeia. Os resultados indicam que o Universo local está a expandir-se mais lentamente do que se estimava anteriormente, o que aproxima as medições das galáxias próximas das observações do Universo primitivo. As descobertas sugerem também que é necessária menos matéria escura do que se supunha anteriormente para explicar a dinâmica das galáxias dentro destes grupos.

Os dois estudos foram recentemente publicados na revista Astronomy & Astrophysics por uma equipa internacional que inclui David Benisty, do Instituto Leibniz de Astrofísica de Potsdam. Cada artigo científico analisa dados observacionais de um grupo de galáxias próximas diferente – o grupo Centaurus A e o grupo M81 – para determinar tanto as suas massas como o valor da constante de Hubble.

A constante de Hubble descreve a velocidade a que o Universo se expande, expressa como a relação entre a velocidade de recessão e a distância a que uma galáxia se encontra de nós. A constante de Hubble é medida em km/s por megaparsec, sendo 1 megaparsec igual a 3,3 milhões de anos-luz.

A partir da primeira luz no Universo primitivo, a chamada radiação cósmica de fundo em micro-ondas, foi inferida uma medição precisa da constante de Hubble com o valor de 68 km/s/Mpc. Utilizando explosões de estrelas em galáxias em recessão para medir as suas distâncias, foi possível estabelecer outra medição muito precisa da constante de Hubble a partir do nosso Universo local. No entanto, o valor é de 73 km/s/Mpc.

Esta discrepância entre os ritmos de expansão do Universo primitivo e do Universo local é conhecida como a “tensão de Hubble”. Ao longo das últimas décadas, observações cada vez mais precisas transformaram esta tensão num dos principais desafios da cosmologia. Põe em causa a nossa compreensão da cosmologia e da física fundamental.

Os novos estudos lançam luz sobre esta tensão a partir de uma perspectiva mais holística, em contraste com a abordagem baseada nas explosões estelares. Enquanto o método das explosões estelares visa acompanhar directamente a expansão cósmica, os novos estudos analisam o movimento das galáxias em grupos imersos no Universo em expansão. As forças atractivas da gravidade agregam estes grupos, enquanto a expansão cósmica separa as galáxias que os compõem. Este equilíbrio restringe conjuntamente a massa do grupo ligado gravitacionalmente e a constante de Hubble, que representa a força de expansão.

Surpreendentemente, David Benisty e os seus colaboradores obtiveram uma constante de Hubble de cerca de 64 km/s/Mpc. O resultado sugere que pelo menos parte da tensão de Hubble pode decorrer das observações e dos métodos que escolhemos para inferir a constante de Hubble.

A distribuição dos grupos de galáxias na nossa vizinhança cósmica local. Os estudos centraram-se nos grupos de Centaurus A e M81.
Crédito: Instituto Leibniz de Astrofísica de Potsdam/D. Benisty/J. Fohlmeister

Os investigadores centraram-se em dois grupos de galáxias: o grupo Centaurus A é um dos grupos galácticos mais próximos para além do próprio Grupo Local da Via Láctea. Presumia-se que fosse dominado pela gigantesca galáxia elíptica Centaurus A e que contivesse dúzias de galáxias satélites mais pequenas. A nova análise revelou que o grupo Centaurus A não está centrado em torno de Centaurus A, mas forma um sistema binário com a galáxia M83. A equipa determinou assim o primeiro valor da constante de Hubble a partir deste grupo como um sistema binário e uma estimativa de massa mais precisa.

Já se sabia que o grupo M81 tem duas galáxias, M81 e M82, no seu centro. Graças ao conjunto alargado de dados, verificou-se que as galáxias em torno deste binário continuam a formar uma estrutura plana, tal como já tinha sido estabelecido. O estudo da dinâmica turbulenta revela que esta estrutura não é, afinal, tão ordenada: a região plana interior, com distâncias inferiores a 1 milhão de anos-luz, está inclinada cerca de 34 graus em relação ao ambiente de maior escala. A uma distância de 10 milhões de anos-luz, a orientação mudou para se alinhar com a estrutura em forma de folha de maior escala que também se estende até ao grupo Centaurus A.

O mais intrigante é que os dois grupos de galáxias não partilham apenas um ambiente semelhante. Têm também em comum o facto de as massas das galáxias mais luminosas constituírem quase na totalidade a massa total do grupo e de os movimentos de todas as galáxias nas suas proximidades serem igualmente bem descritos pela interacção entre a atracção gravitacional das galáxias e a atracção cósmica. Assim, em contraste com grupos de galáxias simuladas que estão sempre imersos num halo global de matéria escura, as observações de ambos os grupos de galáxias podem ser bem explicadas sem esta massa escura adicional.

A equipa vai utilizar este método, que proporciona uma compreensão abrangente das estruturas na nossa vizinhança cósmica, e transferi-lo para um volume cósmico maior. Com novas observações a distâncias maiores, provenientes, por exemplo, do 4MOST (4-metre Multi-Object Spectroscopic Telescope), os próximos lançamentos de dados poderão não só resolver a tensão de Hubble, mas também fornecer um censo mais preciso da quantidade desta intrigante matéria escura que existe no nosso Universo.

// Instituto Leibniz de Astrofísica de Potsdam (comunicado de imprensa)
// Artigo científico #1 (Astronomy & Astrophysics)
// Artigo científico #2 (Astronomy & Astrophysics)

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5: ALMA detecta uma grande abundância de álcool no cometa interestelar 3I/ATLAS

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Uma representação artística do 3I/ATLAS ao passar perto do Sol, iluminando um lado do cometa. No lado do cometa mais próximo do Sol, o gás metanol é mostrado a azul, com grãos de poeira gelada ainda presentes no gás. No lado escuro do cometa, o cianeto de hidrogénio é mostrado a laranja.
Crédito: NSF/AUI/NRAO da NSF/M.Weiss

O cometa 3I/ATLAS continua a ser notícia, graças às novas descobertas dos astrónomos que utilizam o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array). Esta nova investigação revela que o 3I/ATLAS contém uma quantidade invulgarmente grande da molécula orgânica metanol – mais do que quase todos os cometas conhecidos no nosso Sistema Solar.

“Observar o 3I/ATLAS é como tirar uma impressão digital de outro sistema solar”, partilha Nathan Roth, autor principal desta investigação e professor da American University. “Os detalhes revelam de que é feito, e está repleto de metanol de uma forma que normalmente não vemos nos cometas do nosso Sistema Solar”.

Usando o ACA (Atacama Compact Array) do ALMA no Chile, em várias datas no final de 2025, a equipa observou o cometa 3I/ATLAS quando se aproximava do nosso Sol. À medida que a luz solar aquecia a sua superfície gelada, o 3I/ATLAS libertava gás e poeira, formando um halo brilhante (ou cabeleira) em torno do seu núcleo. Ao analisar esta cabeleira, os astrónomos revelaram as impressões digitais químicas do material que a compõe, permitindo-lhes estudar como os objectos podem ser formados noutro sistema planetário, sem sair do nosso.

A equipa concentrou-se nas fracas impressões digitais sub-milimétricas de duas moléculas: metanol (CH₃OH), um tipo de álcool, e cianeto de hidrogénio (HCN), uma molécula orgânica que contém azoto, comum em cometas. Os dados do ALMA revelam que o 3I/ATLAS é fortemente enriquecido em metanol em comparação com o cianeto de hidrogénio, muito além do que é normalmente observado em cometas nascidos no nosso próprio Sistema Solar. Em duas datas de observação, a equipa mediu proporções de metanol para HCN de cerca de 70 e 120, colocando o 3I/ATLAS entre os cometas do Sistema Solar mais ricos em metanol já estudados.

Estas medições sugerem que o material gelado do 3I/ATLAS foi formado por (ou passou por) condições muito diferentes daquelas que moldam a maioria dos cometas do nosso Sistema Solar. Trabalhos anteriores com o Telescópio Espacial James Webb mostraram que o 3I/ATLAS tinha uma cabeleira dominada por dióxido de carbono quando estava longe do Sol, e estes novos resultados do ALMA acrescentam o metanol como outro detalhe invulgar do seu inventário químico.

A alta resolução do ALMA também permitiu à equipa ver como diferentes moléculas se afastam do cometa, revelando diferenças surpreendentes entre o metanol e o cianeto de hidrogénio. O cianeto de hidrogénio parece vir, em grande parte, directamente do núcleo do cometa, o que é típico dos cometas do nosso Sistema Solar. O metanol, por outro lado, parece vir tanto do núcleo quanto das partículas de gelo na cabeleira.

Estes minúsculos grãos gelados actuam como mini-cometas: à medida que o objecto se aproxima do Sol, onde o gelo se transforma em gás, eles também libertam metanol. Um comportamento semelhante foi observado nalguns cometas do Sistema Solar, mas esta é a primeira vez que é detalhada, em tão grande pormenor, a física da desgaseificação num objecto interestelar.

O cometa 3I/ATLAS é apenas o terceiro objecto confirmado já visto a passar pelo nosso Sistema Solar oriundo do espaço interestelar, depois do 1I/’Oumuamua e do 2I/Borisov. As observações destes objectos também revelaram propriedades invulgares. À medida que os astrónomos continuam a descobrir e a estudar mais objectos interestelares, a nossa compreensão da formação de planetas noutros sistemas torna-se cada vez mais interessante.

// NRAO (comunicado de imprensa)
// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)

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published in: 2 meses ago

 

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4: Astrónomos observam o nascimento de um magnetar numa super-nova superluminosa

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Impressão de artista de um magnetar rodeado por um disco de acreção que está a oscilar, ou sob o efeito de precessão, devido aos efeitos da relatividade geral. Alguns modelos de magnetares sugerem que jactos velozes de partículas carregadas emanam do magnetar ao longo do seu eixo de rotação.
Crédito: Joseph Farah e Curtis McCully/LCO

Os astrónomos observaram pela primeira vez o nascimento de um magnetar – uma estrela de neutrões altamente magnetizada – e confirmaram que é a fonte de energia por trás de algumas das estrelas explosivas mais brilhantes do cosmos.

A descoberta corrobora uma teoria proposta por um físico da Universidade da Califórnia em Berkeley há 16 anos e estabelece um novo fenómeno nas estrelas em explosão: super-novas com um “chilrear” na sua curva de luz causado pela relatividade geral. O artigo científico que descreve o fenómeno foi publicado dia 11 de Março na revista Nature.

As super-novas super-luminosas – que podem ser 10 ou mais vezes mais brilhantes do que as super-novas comuns – intrigam os astrónomos desde a sua descoberta no início da década de 2000. Pensava-se que resultavam da explosão de estrelas muito massivas, talvez com 25 vezes a massa do nosso sol, mas elas permanecem brilhantes por muito mais tempo do que seria de esperar quando o núcleo de ferro de uma estrela colapsa e as suas camadas externas são subsequentemente expelidas.

Em 2010, Dan Kasen, agora astrofísico teórico e professor de física na Universidade da Califórnia em Berkeley, foi o primeiro a propor que um magnetar estava a alimentar o brilho duradouro. De acordo com a teoria, co-autoria de Lars Bildsten e sugerida independentemente por Stanford Woosley, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, quando uma estrela massiva entra em colapso no final da sua vida, esmaga grande parte da sua massa numa estrela de neutrões muito compacta – um destino que fica um pouco aquém do colapso num buraco negro.

Se a estrela tivesse originalmente um campo magnético muito forte, este teria sido ampliado durante a formação do magnetar, produzindo um campo 100 a 1000 vezes mais forte do que o das normais estrelas de neutrões com elevada rotação – os chamados pulsares. Os pulsares e os seus irmãos e altamente magnetizados, os magnetares, têm apenas cerca de 16 km de diâmetro, mas, na sua juventude, podem girar mais de 1000 vezes por segundo.

À medida que o magnetar gira, o campo magnético pode acelerar partículas carregadas que colidem com os detritos da super-nova em expansão, aumentando o seu brilho. Pensa-se também que os magnetares sejam a fonte das FRBs (“fast radio bursts”, o que em português significa rajadas rápidas de rádio).

O estudante Joseph Farah, da Universidade da Califórnia em Santa Barbara e do LCO (Las Cumbres Observatory), confirmou a ligação entre os magnetares e as super-novas super-luminosas do Tipo I (SLSNe-I) após analisar dados de uma super-nova de 2024 chamada SN 2024afav. No artigo científico da Nature, Farah e os seus colegas propuseram uma explicação relativística para os invulgares picos na curva de luz desta super-nova – o que eles chamam de “chilrear” – que a ligam conclusivamente a um magnetar.

“O que é realmente empolgante é que esta é uma evidência definitiva da formação de um magnetar como resultado do colapso do núcleo de uma super-nova super-luminosa”, disse Alex Filippenko, ilustre professor de astronomia da UC Berkeley, co-autor do artigo científico.

“A base do modelo de Dan Kasen e Stan Woosley é que tudo o que precisamos é da energia do magnetar nas profundezas e uma boa parte dela será absorvida, e isso explica a razão do objecto ser super-luminoso. O que não havia sido demonstrado era que um magnetar realmente se formou no meio da super-nova, e é isso que o artigo científico do Joseph mostra”.

“Durante anos, a ideia do magnetar parecia quase um truque de magia por parte dos teóricos – esconder um motor poderoso por trás de camadas de detritos de uma super-nova”, disse Kasen. “Era uma explicação natural para o brilho extraordinário destas explosões, mas não podíamos vê-lo directamente. O ‘chilrear’ neste sinal da super-nova é como se esse motor abrisse a cortina e revelasse que realmente existe”.

Descoberta distante

Após a descoberta de SN 2024afav em Dezembro de 2024, o LCO – uma rede de 27 telescópios espalhados por todo o mundo – rastreou-a e mediu o seu brilho por mais de 200 dias. A estrela em explosão estava localizada a cerca de mil milhões de anos-luz da Terra.

Farah, trabalhando com o astrónomo Andy Howell da UCSB, percebeu que, após atingir o pico do brilho cerca de 50 dias após a explosão, não desapareceu gradualmente como as super-novas típicas. Em vez disso, o seu brilho oscilou lentamente para baixo, com o período das oscilações a encurtar gradualmente, produzindo uma série de quatro picos. Ele comparou isto a um som que aumenta gradualmente em frequência, muito parecido com o chilrear de um pássaro.

Sabia-se que as super-novas super-luminosas anteriores apresentavam alguns picos na sua curva de luz em decaimento, o que alguns interpretaram como o choque da super-nova a colidir com camadas de gás acumuladas em torno da estrela, iluminando-a brevemente. Mas ninguém tinha observado quatro picos.

De acordo com o modelo de Farah, algum material da explosão de SN 2024afav caiu de volta em direcção ao magnetar, formando um disco de matéria chamado disco de acreção. Como é improvável que o material em redor do magnetar seja simétrico, o disco de acreção também não seria simétrico em torno da estrela de neutrões, levando a um desalinhamento do eixo de rotação do magnetar e do eixo de rotação do disco de acreção.

Tendo em conta que a relatividade geral afirma que uma massa em rotação arrasta o espaço-tempo consigo, o magnetar em rotação produziria um efeito conhecido como precessão de Lense-Thirring, ou seja, faria com que o disco desalinhado oscilasse. Um disco oscilante poderia bloquear e reflectir periodicamente a luz do magnetar, transformando todo o sistema num farol cósmico intermitente.

O tempo para que isso se repita diminui com o raio do disco, de modo que, à medida que o disco se desloca em direcção ao magnetar, ele oscila mais rapidamente, fazendo com que a luz oscile mais rapidamente à medida que se desvanece, criando o “chilrear” observado pelos telescópios na Terra.

O brilho da super-nova SN 2024afav, conforme registado ao longo do tempo por três telescópios diferentes, incluindo o LCO. Após atingir o pico de brilho, a super-nova ficou mais fraca, mas apresentou vários picos de brilho com períodos cada vez mais curtos. Os investigadores referiram-se a esta frequência crescente como um chilrear. O modelo de um magnetar com um disco de acreção que oscila devido a efeitos relativísticos é o que melhor se ajusta às curvas de luz (linhas coloridas sólidas que ligam os pontos, pontos estes que representam medições individuais do brilho).
Crédito: Joseph Farah et al

“Testámos várias ideias, incluindo efeitos puramente newtonianos e precessão impulsionada pelos campos magnéticos do magnetar, mas apenas a precessão de Lense-Thirring correspondia perfeitamente ao ritmo”, disse Farah. “É a primeira vez que a relatividade geral é necessária para descrever a mecânica de uma super-nova”.

Os astrónomos também usaram dados observacionais para estimar o período de rotação da estrela de neutrões – 4,2 milissegundos – e o campo magnético: cerca de 300 biliões de vezes o da Terra. Ambos são características marcantes de um magnetar.

“Acho que o Joseph encontrou a prova irrefutável”, disse Howell, cientista sénior do LCO e professor adjunto de física da UCSB. “Ele relacionou as oscilações com o modelo do magnetar e explicou tudo com a teoria mais comprovada da astrofísica – a relatividade geral. É incrivelmente elegante”.

Filippenko acrescentou: “É sempre emocionante ver um efeito claro da teoria da relatividade geral de Einstein, mas vê-lo pela primeira vez numa super-nova é especialmente gratificante”.

Filippenko alertou que a conclusão de Farah não significa que todas as super-novas super-luminosas sejam alimentadas por magnetares. Há também uma teoria alternativa: que a onda de choque da explosão estelar atinge o material que a rodeia, aumentando um pouco o seu brilho. Além disso, Kasen propôs que, se o colapso do núcleo de uma estrela resultar num buraco negro, isso também poderia alimentar uma super-nova mais brilhante e, se tivesse um disco de acreção desalinhado, produzir oscilações na curva de luz.

“Não sabemos que fracção das super-novas super-luminosas do tipo I pode ser alimentada por material circunstelar, mas é definitivamente uma fracção mais pequena do que pensávamos anteriormente, porque esta descoberta explica claramente algumas delas”, disse Filippenko.

Farah espera encontrar dúzias destas super-novas “chilreantes” à medida que o Observatório Vera C. Rubin se prepara para entrar em operação e dar início ao mais compreensivo levantamento do céu noturno até à data.

“Esta é a coisa mais excitante da qual já tive o privilégio de fazer parte – é a ciência com que sonhei quando era criança”, disse Farah. “É o Universo a dizer-nos, em voz alta e cara a cara, que ainda não o compreendemos totalmente, e a desafiar-nos para o explicar”.

// Universidade da Califórnia em Berkeley (comunicado de imprensa)
// Universidade da Califórnia em Santa Barbara (comunicado de imprensa)
// LCO (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (arXiv)

CCVALG
13.03.2026

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