Há quase um milénio, os astrónomos testemunharam uma nova estrela brilhante a resplandecer no céu – uma super-nova tão luminosa que foi visível à luz do dia durante semanas. Hoje, o seu remanescente em expansão, a Nebulosa do Caranguejo, continua a evoluir a 6500 anos-luz de distância.
Associada pela primeira vez a registos históricos por Edwin Hubble, a nebulosa tem sido, desde então, estudada em pormenor pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, que revisitou agora esta antiga explosão para acompanhar a sua expansão e transformação contínuas.
Um quarto de século após as suas primeiras observações da Nebulosa do Caranguejo, o Telescópio Espacial Hubble lançou um novo olhar sobre o remanescente de super-nova. A Nebulosa do Caranguejo é o resultado da SN 1054, localizada a 6500 anos-luz da Terra, na constelação de Touro.
O resultado é uma visão detalhada e sem paralelo do rescaldo de uma super-nova e de como esta evoluiu durante a longa vida do Telescópio Hubble. Um artigo científico que detalha a nova observação do Hubble foi publicado na revista The Astrophysical Journal.
O remanescente de super-nova foi descoberto em meados do século XVIII e, na década de 1950, Edwin Hubble foi um dos vários astrónomos que notaram a estreita correlação entre os registos astronómicos chineses de uma super-nova e a posição da Nebulosa do Caranguejo. A descoberta de que o coração da Nebulosa do Caranguejo continha um pulsar – uma estrela de neutrões em rotação rápida – que impulsionava a expansão da nebulosa, acabou por alinhar as observações modernas com os registos antigos.
Na sua nova imagem da nebulosa, o Hubble captou detalhes extraordinários da sua estrutura filamentar, bem como o considerável movimento de expansão desses filamentos ao longo de 25 anos, a uma velocidade de 5,5 milhões de quilómetros por hora. O Hubble é o único telescópio que combina longevidade e resolução, capaz de captar estas alterações detalhadas.
Para uma melhor comparação com a nova imagem, a imagem da Nebulosa do Caranguejo captada pelo Hubble em 1999 foi reprocessada. A variação de cores em ambas as imagens Hubble mostra uma combinação de alterações na temperatura local e na densidade do gás, bem como na sua composição química.
A equipa científica observou que os filamentos na periferia da nebulosa parecem ter-se deslocado mais do que os do centro e que, em vez de se esticarem ao longo do tempo, parecem ter-se simplesmente deslocado para fora. Isto deve-se à natureza do Caranguejo como uma nebulosa de vento de pulsar alimentada por radiação de sincrotrão, criada pela interacção entre o campo magnético do pulsar e o material da nebulosa.
Noutros remanescentes de super-nova bem conhecidos, a expansão é, pelo contrário, impulsionada por ondas de choque da explosão inicial, erodindo as camadas de gás circundantes que a estrela moribunda tinha anteriormente expelido.
As novas observações do Hubble, com maior resolução, estão também a fornecer novas informações sobre a estrutura tridimensional da Nebulosa do Caranguejo, algo que pode ser difícil de determinar a partir de uma imagem bidimensional. É possível observar as sombras de alguns dos filamentos projectadas sobre a névoa de radiação de sincrotrão no interior da nebulosa. Contrariamente ao que seria de esperar, alguns dos filamentos mais brilhantes nas imagens mais recentes do Hubble não apresentam sombras, indicando que devem estar localizados no lado oposto da nebulosa.
De acordo com a equipa científica, o verdadeiro valor das observações da Nebulosa do Caranguejo, pelo Hubble, ainda está por vir. Os dados do Hubble podem ser combinados com dados recentes de outros telescópios que estão a observar a Nebulosa do Caranguejo em diferentes comprimentos de onda da luz. O Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA divulgou as suas observações infravermelhas da Nebulosa do Caranguejo em 2024.
A comparação da imagem do Hubble com outras observações contemporâneas em vários comprimentos de onda ajudará os cientistas a compor um quadro mais completo do contínuo rescaldo da super-nova, séculos depois de os astrónomos se terem questionado pela primeira vez acerca de uma nova estrelinha a cintilar no céu.
// ESA/Hubble (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)
CCVALG
27.03.2026

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published in: 1 mês ago
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