301: Realismo geopolítico: quando a força se sobrepõe ao Direito Internacional

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🇵🇹 OPINIÃO

Lamento ter de repetir, mas criticar a teoria do realismo geopolítico não constitui um exercício de idealismo ingénuo. Trata-se, pelo contrário, de recordar três dimensões fundamentais das relações entre os Estados. Primeiro, que a paz deve ser o princípio basilar da ordem internacional.

Segundo, que a Carta das Nações Unidas – ainda que careça de actualização em matéria de representatividade e do funcionamento do Conselho de Segurança – deve ser escrupulosamente respeitada. Terceiro, que o poder da força militar não pode, nem deve, sobrepor-se à força do Direito Internacional. O mundo não é um ringue de boxe, nem uma arena de gladiadores, onde vence invariavelmente o mais forte.

O erro central do pretenso “realismo político” reside na redução do Estado ao papel de um ator único, ignorando as práticas democráticas. As instituições, as associações de cidadãos, os agentes económicos, a comunicação social e os intelectuais são desvalorizados ou instrumentalizados como meros peões do poder.

As oposições são diminuídas nos seus direitos, como alternativas normais em democracia. Na realidade, este pretenso realismo, que mais não é do que uma forma de reducionismo político, abre as portas ao poder absoluto e arbitrário, mesmo nas democracias aparentemente consolidadas.

Um líder, quando encara o mundo apenas pela alavanca da força e da agressão militar, vive ancorado noutros tempos, tem as suas raízes mentais enterradas no passado. Coloca-se fora da lei e chama a isso pragmatismo. Ignora – ou finge ignorar – que há um antes e um depois de 1945, e que o mundo mudou radicalmente desde o fim da Guerra Fria. Quando fala em “negociações”, refere-se, na verdade, à submissão do mais fraco perante a vontade do mais forte.

No século XIX, tal prática designava-se por “ultimato”. Hoje, apresenta-se sob a capa de um denso “nevoeiro geopolítico”. A falta de visibilidade, permite um jogo sem regras claras. A diplomacia é capturada para ganhar tempo, semear confusão – entre adversários e junto da opinião pública– e preparar, na sombra, a logística da guerra. Podemos confiar, hoje e amanhã, num líder assim?

Ahmed Mardnli / EPA

A guerra contra o Irão recorda-nos que é imperativo e urgente insistir na ética internacional e nos Direitos Humanos. Quando a força bruta se torna o critério primordial, ninguém está verdadeiramente seguro – nem mesmo os mais poderosos. Se os Direitos Humanos são desprezados, o medo transforma-se na única verdade aceitável e na regra social dominante. A novilíngua de George Orwell começa, inquietantemente, a ser imposta como norma linguística, quando em certas capitais europeias se fala de personagens invulgares que agora aparecem à boca de cena.

O que acontece hoje no Médio Oriente sublinha uma realidade constante: durante e no fim das más decisões e do despotismo, há sempre um grande número de seres humanos a pagar a factura. Esta realidade leva-me a sustentar que a única soberania que verdadeiramente conta é aquela que assenta na protecção da vida e da dignidade humana. Tudo o resto pertence à comédia trágica do poder, às ambições megalomaníacas absurdas e à indiferença perante as pessoas e o próprio mundo. Estaremos a assistir ao declínio definitivo das preocupações humanistas?

É urgente levar este tema à mesa do Conselho de Segurança. A diplomacia portuguesa, empenhada em obter um assento no Conselho para o biénio 2027-2028, deve assumir esta visão como uma bandeira sua: a bandeira da paz, do diálogo e da tolerância, com a Humanidade acima de tudo. Ao fazê-lo, Portugal alinhar-se-á com a maioria dos Estados-membros e com a própria essência da ONU. Não seremos meros espectadores passivos do niilismo e do unilateralismo actuais, mas sim uma voz ativa, capaz de proclamar que os grandes desafios exigem respostas colectivas e multilaterais.

A nossa participação na NATO tem um objectivo de paz e não impede a construção de pontes com organizações regionais na América Latina, em África ou na Ásia. Num momento em que algumas potências se afastam da ONU, ou a querem subalternizar e capturar, a diplomacia portuguesa poderá servir de mais um pilar – em articulação com outros Estados – na construção de consensos, na defesa do Direito Internacional e no apoio às instituições de interesse comum. Por exemplo, dos tribunais internacionais sediados em Haia e dos organismos do sistema das Nações Unidas, vitais para milhares de milhões de pessoas e para o planeta.

Em Junho, a Assembleia Geral votará a composição do Conselho para os próximos dois anos. A campanha portuguesa decorre num contexto exigente e bastante delicado. O nosso maior trunfo deve ser a promoção intransigente da paz através do reforço do papel político da ONU. É essa a mensagem que o mundo quer – e mais precisa – de ouvir com clareza.

Diário de Notícias
Victor Ângelo
Conselheiro em Segurança Internacional. Ex-secretário-geral-adjunto da ONU
06.03.2026

Os renascidos 4 estarolas pré-históricos do século XXI

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300: O que precisa de saber sobre a nuvem de poeiras do Saara a chegar

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🇵🇹 PORTUGAL // NUVEM DE POEIRAS DO SAARA

Com a chegada de uma nova massa de ar vindo do Norte de África, o céu de Portugal está prestes a ganhar aquele tom baço e alaranjado que já conhecemos a partir de segunda-feira. No entanto, este fenómeno vai muito além de uma curiosidade visual ou de deixar os carros sujos. Como a nuvem de poeiras do Saara transporta partículas finas que afectam a qualidade do ar, é fundamental que saibas como te proteger nos próximos dias.

poeiras do Saara ainda contêm radioactividade! quais os perigos?

Nuvem de poeiras do Saara a chegar: os cuidados que tens de ter

Certamente, o impacto mais directo sente-se na nossa respiração. Estas poeiras são compostas por minerais, mas também podem carregar pólenes, fungos e outros poluentes recolhidos durante o trajecto. Portanto, se sofres de alergias ou problemas respiratórios, deves redobrar a atenção, pois a concentração de partículas em suspensão (PM10) vai disparar.

Poeiras de África

Os Perigos Invisíveis para a Tua Saúde

Embora pareça apenas “areia no ar”, a verdade é que estas partículas são tão pequenas que conseguem penetrar profundamente nos pulmões. Consequentemente, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) recomenda habitualmente cuidados especiais durante estes episódios.

Irritação Imediata: É muito comum sentires os olhos a arder, a garganta seca ou uma tosse persistente.

Agravamento de Doenças: Pessoas com asma, rinite ou bronquite podem sentir crises mais severas devido à má qualidade do ar.

Esforço Cardiovascular: O corpo trabalha mais para filtrar estas impurezas, o que pode ser perigoso para idosos ou pessoas com problemas de coração.

Visto que a exposição prolongada é o maior risco, o ideal é que tentes passar o máximo de tempo possível em ambientes fechados enquanto a nuvem estiver sobre a tua região.

Dicas Práticas para Sobreviver à “Chuva de Lama”

Além da saúde, existe o lado prático da manutenção da casa e do carro. Adicionalmente, as previsões apontam para a possibilidade de chuva em alguns pontos do país, o que resultará na deposição de lama sobre todas as superfícies.

Alerta chuva: este erro fatal custa-te 600 Euros em multa

Mantém as Janelas Fechadas: Evita arejar a casa nas horas de maior concentração para impedir que o pó entre nos teus estofos e tapetes.

Cuidado ao Lavar o Carro: Se o teu carro ficar coberto de pó, não passes uma esponja directamente. Deves usar muita água sob pressão primeiro, caso contrário, os grãos de areia vão riscar a pintura de forma permanente.

Hidratação Constante: Beber muita água ajuda a manter as mucosas das vias respiratórias húmidas, o que facilita a expulsão natural de algumas destas poeiras.

Usa Máscara se Necessário: Se tiveres de fazer trabalhos no exterior ou se fores do grupo de risco, a utilização de uma máscara FFP2 pode ser uma excelente aliada para filtrar o ar que respiras.

Quando é que o Céu Volta ao Normal?

De acordo com os modelos meteorológicos, este fenómeno deverá persistir durante vários dias, afectando primeiro a Madeira e progredindo depois pelo Continente. Contudo, a situação tende a normalizar assim que as correntes de ar mudarem ou uma frente de chuva mais limpa ajude a lavar a atmosfera.

Em suma, aproveita o cenário para tirar fotografias impressionantes, mas não ignores os sinais do teu corpo. Se sentires falta de ar ou um desconforto invulgar, procura um local arejado (dentro de casa) e descansa.

Leak
05.03.2026

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299: A farsa dos loucos e Portugal

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🇵🇹 OPINIÃO

Querem um exemplo concreto da relevância do multilateralismo entre estados que também protege as populações portuguesas e Ocidentais? Olhem para o caos no Médio Oriente com a resposta do Irão à Operação Fúria Épica e onde tudo isso esteve ausente desde o primeiro momento.

Num contexto em que a União Europeia tanto invoca a “autonomia estratégica” pretendida, seria expectável que, pelo menos os estados afirmassem, o primado do Direito Internacional e da diplomacia. Alguns fizeram-no. Portugal optou pelo silêncio administrativo. Algo que nos tornou perigosamente coniventes. Mesmo que de forma prudente, a União tenha apelado à contenção e à legalidade institucional. Fora desse espectro, até o Reino Unido que é o grande aliado dos americanos, foi contundente e não renunciou ao reflexo na utilização das suas bases.

Lê-se grande parte da opinião pública americana e europeia, e existe uma crítica com pouco ou nada de ideológico a esta investida e que sublinha aquilo que já se deveria ter aprendido com a História recente. As mudanças de regime não acontecem assim num país da dimensão do Irão e com as células terroristas que dali espoletam. Antes, têm tendência a reforçá-las e até a reacender o que estava adormecido.

Netanyahu é um carniceiro que pretende dizimar a região para distrair aquilo que recai sobre si e Trump, de forma quase idêntica, é alguém que despreza os serviços de inteligência, a diplomacia e tudo o que é aconselhável na cautela que se deve ter sobre aquela região. Não será um pormenor esta guerra ter sido iniciada por quem foi do lado Ocidental.

Com o tema da utilização da Base das Lajes e os EUA como Estado agressor, Portugal colocou-se à margem de um dos maiores desafios na relevância da UE: a reabilitação do multilateralismo e do Direito Internacional. Perdemos espaço para a crítica recorrente da falta de força política e de autonomia da União.

Como se poderá exigir isso a partir daqui? É verdade que o Governo Português não participa no ataque, mas politicamente a resposta é insuficiente em relação às Lajes. Nem nos enquadrámos de forma pragmática. Se é certo que provavelmente não corremos o risco de ser atingidos por um míssil, também o é que a guerra assimétrica pode vir a revelar-se por outros meios e aí a comprometer-nos.

Nada aprendemos com a História. O resultado da invasão do Iraque à margem culminou num país devastado, de uma instabilidade regional duradoura e do fortalecimento de dinâmicas extremistas que ainda hoje moldam o Médio Oriente.

No Afeganistão, duas décadas de intervenção resultaram num regresso ao ponto de partida, com mais de dois milhões de mortos e custos financeiros incalculáveis.

Mudanças de regime promovidas externamente, por mais tenebroso e sanguinário que seja o mesmo – e o do Irão é tudo do pior – produzem efeitos desastrosos. Ignorar essa memória colectiva é um luxo ao qual a Europa não se pode dar. Muito menos um Estado como Portugal. Ao evitar qualquer afirmação política, o Governo enfraquece a relevância portuguesa e contribui para aquilo que tem sobrado: uma UE sem peso estratégico.

Pequenos Estados não ganham influência pelo alinhamento subserviente, mas pela consistência dos princípios que defendem. Se queremos uma Europa com voz própria, temos de começar por exercê-la. Caso contrário, continuaremos a queixar-nos da fragilidade europeia enquanto voluntariamente, somos hoje o principal promotor.

Olhemos para o nosso vizinho e entendamos como se mantém a lucidez, os princípios, a realpolitik e a coluna num tempo de ignorância trumpista e em que a farsa dos loucos comanda.

Podemos ser mais do que isto.

Diário de Notícias
Gonçalo Ribeiro Telles
Comentador Político. Fundador e consultor de Comunicação na GRiT Communication & Political Risk
04.03.2026

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298: A guerra que nos cerca

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🇵🇹 OPINIÃO

What passing-bells for those who die as cattle?
– Only the monstruous anger of the guns.
Only the stuttering rifles’ rapid rattle
– Wilfred Owen
(1893 – 1918)

As nossas mentes e as nossas escritas conseguem alhear-se deste clima de guerra total que nos rodeia e envolve? A bem da nossa saúde mental, era bom que continuássemos a falar de outras coisas, a olhar para fora de nós e das notícias terríveis que hora a hora nos chegam e em que, crescentemente, “cada homem tem apenas para dar/um horizonte de cidades bombardeadas” (Eugénio de Andrade).

A nossa época está a transformar-se numa daquelas épocas em que os tempos se transformam por cima das nossas vontades, quaisquer que elas sejam, e em que se procede a uma destruição selvagem e radical do que passámos décadas a acumular. Como se a guerra fosse a limpeza que fazem os donos da casa antes de mudar a mobília.

O nosso drama é que não sabemos quem são os donos da casa, nem que nova mobília querem trazer, porque os fins da guerra ultrapassam sempre as estratégias mais ou menos racionais que movem os líderes que são instigadores e agentes das guerras. Por isso, no final, os resultados são tão diferentes do que vencedores e vencidos tinham previsto!

Outra característica de todas as guerras é que duram sempre muito mais tempo do que o programado. Daí que nalguns casos sejam os militares, conscientes da insustentabilidade dos objectivos bélicos, a impor a paz aos poderes políticos; mas a situação inversa pode também registar-se.

No momento presente, verificamos uma grande indefinição nos propósitos finais desta guerra generalizada no Médio Oriente, além do objectivo claro e permanente, por parte dos Estados Unidos, de garantir a segurança de Israel, mesmo que o final tenha de ser como o da história bíblica de Sansão…

A Ucrânia e, por tabela, a Europa, arriscam-se a perder força e presença nesta conjuntura, em que o Médio Oriente vai claramente passar à frente do drama ucraniano.

A situação do povo iraniano é cruelmente paradoxal: a esmagadora maioria das pessoas qualificadas e educadas, fora da burocracia estatal, odeia a ditadura teocrático-militar que lhes foi imposta; mas não creio que, apesar de tudo, possam ver com agrado o seu país ser atacado e destruído por forças estrangeiras.

Não penso de todo que isso leve estas pessoas (e qual será o seu peso relativo na população iraniana?) a solidarizar-se com um regime que odeiam. Mas não vemos emergir uma alternativa consistente e organizada no seio da valente oposição daquele país.

Rumi, o grande poeta e místico sufi (1207 – 1273) dizia das guerras que elas tinham a consistência “das brigas das crianças”. Infelizmente, entre essa consistência e as consequências das guerras a distância é enorme e mortal.

Há um costume no Irão de ir junto ao túmulo do poeta Hafez (século XIV) e, abrindo ao acaso o livro dos seus poemas, procurar nele o guia para o nosso futuro. Quando lá estive, vi muitos jovens a procurar o seu futuro num poema de Hafez tirado ao acaso. Fiz o mesmo agora, ao terminar este artigo, e surgiu-me este poema, que vos transmito aqui, com os meus agradecimentos a Hafez, e dedicado ao bravo povo iraniano que luta pela sua liberdade:

Os guerreiros domaram
as bestas
Em seus passados para que os cascos das patas
da noite
Não pudessem mais
quebrar a visão
Ricamente ornamentada do coração.

Diário de Notícias
Luís Castro Mendes
Diplomata e escritor
04.03.2026

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297: Figura do Dia. Actores pornográficos em escolas de crianças

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🇵🇹 OPINIÃO

O Ministro da Educação admite uma investigação ao que está a acontecer nas escolas públicas frequentadas por crianças e adolescentes. A reportagem no Público criou ondas de choque: 79 associações de estudantes, de escolas de norte a sul, pagaram a actores pornográficos e misóginos para animar a malta. As sessões levaram os alunos ao delírio e vários professores assistiram à performance de “machonitos” de tronco nu e cuecas a transbordar das calças.

A indignação obriga-me a um sorriso triste. Porque a maioria dos que se chocaram não faz ideia da música que os miúdos ouvem, dos influencers que os contaminam, da linguagem que usam, das referências que têm.

Artur Machado

Há centenas de escolas primárias, para não falar dos outros ciclos, em que as festas de final de período, incluindo o Natal, são feitas à base das músicas rascas que as crianças conhecem e consomem em casa. Música funk, com letras ordinárias, machistas, sexualizadas e altamente promiscuas.

Não sou moralista. Acredito no futuro e nas gerações dos meus filhos e futuros netos. No entanto, que não haja ilusões. Há uma multidão de miúdos que está a crescer sem referências. Lê pouco ou nada, está online em permanência e venera pessoas de quem nunca ouvimos falar, gente com milhares e milhares de seguidores que são populares por serem “manos muita-malucos e bacanos”.

Estamos chocados pelos idiotas que entram nas escolas dos nossos filhos com a autorização dos directores, mas ligamos pouco ou nada ao que nos trouxe até aqui.

Diário de Notícias
Luís Osório
04.03.2026

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296: Vento, agitação marítima e neve colocam vários distritos sob aviso

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🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // MAU TEMPO

Vários distritos de Portugal continental vão estar a partir de quinta-feira sob avisos devido à agitação marítima, vento e neve, informou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Mar agitado e vento forte na costa de Lagoa, ilha de São Miguel, devido à tempestade tropical Gabrielle (Lusa/ Eduardo Costa)
© TVI Notícias

Os distritos de Lisboa, Leiria e Coimbra vão estar com aviso amarelo entre a 21:00 de quinta-feira e as 03:00 de sexta-feira devido à agitação marítima, passando depois a laranja até às 19:00 de sexta-feira, prevendo-se ondas de noroeste com 05 a 6,5 metros de altura, podendo atingir os 11 metros de altura máxima.

Também por causa do estado do mar, o IPMA emitiu aviso amarelo para os distritos de Setúbal, Porto, Faro, Viana do Castelo, Beja, Aveiro e Braga entre as 21:00 de quinta-feira e as 19:00 de sexta-feira.

Porto, Faro, Setúbal, Viana do Castelo, Lisboa, Leiria, Beja, Aveiro, Coimbra e Braga vão estar também sob aviso amarelo entre as 00:00 e as 19:00 de sexta-feira por causa do vento forte com rajadas da ordem dos 70/80 quilómetros por hora.

O IPMA colocou também os distritos da Guarda e Castelo Branco sob aviso amarelo devido à queda de neve acima de 1.400/1.600 metros de altitude entre as 21:00 de quinta-feira e as 19:00 de sexta-feira.

A costa norte da ilha da Madeira e o Porto Santo estão até às 12:00 de hoje sob aviso amarelo por causa da agitação marítima, prevendo-se ondas de noroeste com 04 a 05 metros.

O aviso laranja é emitido pelo IPMA sempre que existe “situação meteorológica de risco moderado a elevado, e o amarelo quando há uma situação de risco para determinadas actividades dependentes da situação meteorológica.

CNN Portugal
Agência Lusa
04.03.2026

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295: Depressão Regina deixa as serras da Madeira pintadas de branco

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🇵🇹 PORTUGAL // MADEIRA // METEOROLOGIA

Temperaturas chegaram quase aos 3 graus negativos na terça-feira no Pico do Areeiro. Veja os vídeos registados por madeirenses e turistas nos pontos mais altos da ilha nos últimos dias.

A passagem da depressão Regina levou, na terça-feira, neve até às regiões montanhosas da ilha da Madeira, que estão agora pintadas de branco.

A estação meteorológica do Pico do Areeiro chegou ontem a registar -2.9ºC, a temperatura mais baixa do país na terça-feira.

O arquipélago da Madeira foi atingido pela depressão Regina, que, segundo as previsões, iria condicionar o estado do tempo até esta manhã.

As imagens partilhadas nas redes sociais mostram um manto branco nos pontos altos da ilha.

O Serviço Regional de Protecção Civil emitiu um aviso à população, alertando para a necessidade de adoptar uma condução defensiva, reduzindo a velocidade e tendo especial cuidado com a possível formação de gelo nas vias; não circular em vias afectadas pela acumulação de neve, respeitar as interdições dos acessos às zonas com neve e garantir que os sistemas de aquecimento dos veículos se encontram em bom estado de funcionamento.

Por outro lado, veículos pesados devem evitar circular naquelas vias, em particular articulados, veículos com reboque e veículos de tracção traseira.

A população deve também manter-se atenta às informações da meteorologia.

A Protecção Civil deu também conta das estradas que estão condicionadas.

A Polícia de Segurança Pública (PSP) anunciou que reforçou o patrulhamento nas zonas de maior altitude da região, “devido às baixas temperaturas e à queda de neve verificada nas últimas horas”.

“Vários acessos encontram-se encerrados por razões de segurança e a circulação está condicionada em algumas vias devido à formação de gelo e acumulação de neve”, lê-se numa publicação feita nas redes sociais na terça-feira.

À semelhança da Protecção Civil, também a PSP alerta para que sejam “evitadas deslocações para estas zonas enquanto se mantiverem as actuais condições meteorológicas, mesmo que as viaturas sejam consideradas preparadas”.

“A presença de gelo e o eventual bloqueio de vias podem colocar pessoas e veículos em situação de risco”, lê-se na mesma nota.

Quanto aos voos, o aeroporto da Madeira parece ter retomado a normalidade esta quarta-feira, depois de mais de 80 voos com partida ou destino para a ilha terem sido cancelados na terça-feira.

Notícias ao Minuto
Tomásia Sousa
04.03.2026

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294: O dilema de Rangel nas Lajes

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🇵🇹 OPINIÃO

A utilização da Base das Lajes para o reabastecimento de aviões norte-americanos a caminho do Médio Oriente, para apoiar as operações contra o Irão, voltou a colocar Portugal no centro de uma polémica sensível. Especialistas contestam a versão do ministro dos Negócios Estrangeiros e defendem que os Estados Unidos precisariam de autorização explícita para usar a base no âmbito de uma ofensiva militar.

O ministro argumentou que nenhum aparelho que tenha passado pelas Lajes foi utilizado no ataque, mas terão sido usados em funções de reabastecimento, o que significa que Portugal terá facilitado a intervenção norte-americana e israelita. E isso tem consequências políticas.

O problema é que esta não é uma questão de resposta simples. Em teoria, Portugal poderia recusar o uso da base, como prevê o tratado assinado nos anos 50. Mas, na prática, uma recusa colocaria em causa uma aliança que, desde há décadas, contribui para a nossa segurança e para a preservação da nossa integridade territorial. É aqui que a política externa deixa de ser um exercício académico e passa a ser um confronto com a realidade.

A cedência da base na Terceira nasceu no contexto da Guerra Fria, numa altura em que os Estados Unidos procuravam apresentar-se como uma potência democrática e pós-colonial, distinta dos antigos impérios europeus e guiada por valores que sustentavam a sua ambição de liderar o “mundo livre”. O acordo foi assinado entre estados soberanos que, no papel, se tratavam como iguais. Mas Salazar sabia que a recusa das pretensões norte-americanas poderia pôr em risco a sobrevivência do Estado Novo e até a integridade territorial do país.

A memória da Segunda Guerra Mundial estava demasiado presente: em 1943, as potências anglo-saxónicas deixaram claro que poderiam ocupar os Açores, se necessário, como fizeram na Gronelândia e na Islândia, se Portugal não permitisse a sua utilização. Além disso, desde a Restauração, Portugal sempre procurou manter uma aliança com a potência marítima dominante, para garantir a sua independência e preservar o império colonial.

“A margem jurídica para rejeitar a utilização da base existe, mas a margem estratégica é estreita. A decisão de Rangel é um exercício de equilíbrio entre a autonomia política e a dependência estrutural do país.”
Igor Martins

Setenta anos depois, o mundo mudou, o país democratizou-se e o império desvaneceu-se, mas a nossa geografia continua a ser a mesma. Portugal é um pequeno país atlântico, responsável por uma vasta área oceânica que inclui dois arquipélagos e recursos submarinos ainda pouco explorados. Por estas águas passam rotas essenciais do comércio marítimo internacional.

Ao contrário de países europeus com grande profundidade continental, Portugal não tem o luxo de poder dispensar uma relação estreita com a principal potência marítima. E esta tem dado sinais de que está disposta a contornar a ordem internacional construída no pós-guerra e a regressar a lógicas de competição imperial, chegando a admitir a anexação de territórios alheios, como se viu na Gronelândia.

É verdade que não estamos sozinhos, dado que Portugal integra a União Europeia, mas trata-se de uma construção recente e de futuro incerto. A geografia, porém, não muda. Com ou sem União Europeia, Portugal vai ser sempre um país marítimo e os EUA vão permanecer a grande potência do Atlântico Norte.

É neste contexto que qualquer governo português tem de decidir se autoriza ou não o uso das Lajes. A margem jurídica existe, mas a margem estratégica é estreita. A decisão nunca é apenas técnica ou legal. É, acima de tudo, um exercício de equilíbrio entre autonomia política e dependência estrutural, num mundo em que a geografia e o poder continuam a pesar mais do que as declarações formais.

Diário de Notícias
Filipe Alves
Director do Diário de Notícias

04.03.2026

Ainda sobre as constantes agressões ao Direito Internacional e à Carta das Nações Unidas por parte de psicopatas terroristas que não possuem o mínimo respeito pelos valores humanos, voltámos à Idade da Pedra.

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293: O projecto de transformação de Passos

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🇵🇹 OPINIÃO

Regressado das brumas, o dom Sebastião da direita garante não querer desforras nem provar nada — quando, com a inestimável ajuda dos do costume, não faz outra coisa.

Vai por aí uma grande excitação com o regresso de Passos Coelho às lides. O que é completamente natural, tendo em conta que o ex-primeiro-ministro e ex-líder do PSD entrou logo a disparar canhões contra o seu ex-mui-delfim Luís Montenegro..

Criticou a política de nomeações para cargos no Estado, criticou a resposta do Governo às tempestades, criticou a passagem do ex-director da Polícia Judiciária para ministro da Administração Interna, criticou a falta de “ímpeto reformista” e, em entrevista este domingo publicada no Eco, na qual garante “não querer desforras nem provar nada”, o facto de Luís Montenegro não ter aproveitado “a grande maioria no Parlamento à direita” para tentar construir “um acordo de legislatura” com Chega e IL.

Dando-se o caso de esta entrevista ter ocorrido após as presidenciais, surpreende um pouco que Passos não tenha sido confrontado com a evidência de que a maioria bastante esmagadora dos eleitores da AD e até da IL votaram no socialista António José Seguro contra André Ventura — o que talvez queira dizer que não querem misturas com o Chega e prezam a ideia de uma cerca sanitária face à extrema-direita, mesmo quando isso implica votar à esquerda.

E surpreende ainda mais que, opinando Passos que o Chega estará bem posicionado para ganhar as próximas eleições, considere que a melhor solução para o PSD seria ter-se aliado a ele. Quiçá para melhor se deixar engolir, perdendo para o PS e a IL os (como se constatou, muitos) eleitores que rejeitam o discurso de ódio, racista e xenófobo de Ventura e apaniguados?

Tácticas à parte, sobre o que Passos pensa da extrema-direita também não vimos qualquer questão nesta bastante interminável entrevista — ficamos só a saber, caso tivéssemos ainda dúvidas (o entrevistador claramente não teve), que em nada o incomoda. O que não pode ser grande surpresa: foi com Passos e o PSD, através da candidatura à presidência da Câmara de Loures nas autárquicas de 2017, que Ventura estreou o seu discurso anti-ciganos (levando, recorde-se, o parceiro de coligação CDS-PP a afastar-se), iniciando, com o beneplácito da então direcção do partido, a caminhada de radicalização racista e desbragada que conduziu à criação do Chega.

Ainda assim, não se incomodando com o racismo e a xenofobia — que, de resto, o próprio assume, ao dizer a dada altura que, se Portugal precisa de imigrantes, não os quer “neste volume, nem estes”, e comentando: “Alguns já não são imigrantes, já são nacionais” — talvez fizesse sentido perguntar a Passos como defende uma aliança do PSD que quer “reformista” (do que entende por “reformista” falaremos a seguir) com um Chega que, para usar uma expressão do próprio entrevistado, “quer dar tudo a toda a gente”. Um Chega que passou do hiper-liberalismo a la Milei (e de certo modo a la Passos) do primeiro programa do partido, em 2019, para as actuais promessas de aumentos generalizados de pensões e de melhores salários para a função pública e para a recusa, como “bar aberto para os despedimentos” (Ventura dixit) da “reforma laboral” que o Governo Montenegro propõe e Passos elogia.

Talvez, claro, Passos tenha outras informações, que não as que constam nos programas do Chega e no discurso público do seu dirigente, sobre o que o partido e Ventura defendem/querem — sabemos bem quão elásticas são as respetivas posições.

Como, de resto, são as do próprio Passos. É que ainda não nos esquecemos (ou esquecemos?) que chegou a apresentar uma proposta de revisão constitucional “liberal” que, à imagem do que sucedeu ao primeiro programa do Chega, foi para a gaveta mal percebeu que lhe ia tirar votos.

Nem nos olvidámos (ou olvidámos?) do que dizia e prometia antes das eleições de 2011; como, em plena crise do euro, face à imposição de austeridade por parte da Comissão Europeia e parceiros europeus (a começar pela Alemanha) e mesmo já após o pedido de resgate, recusava a ideia de cortar pensões ou salários ou subsídios de Natal ou férias, como torcia as mãos face à ideia de aumentar impostos e como garantia que tudo se resolveria apenas “cortando as gorduras do Estado”. Era esse singelo e indolor corte “das gorduras do Estado” que, prometia o PSD à época, constituía as famosas “reformas estruturais” que até hoje Passos tanto incensa e apelida de o seu “projecto de transformação”.

As “reformas estruturais” que, uma vez no poder, consubstanciou em cortes e mais cortes de pensões, salários e apoios sociais, aumentos de impostos e venda ao desbarato (ao Estado chinês) de activos fulcrais como a rede eléctrica e a EDP.

Daí que seja verdadeiramente delicioso vê-lo agora a censurar Montenegro por não se ter, e cito, dirigido “aos eleitores naquela eleição [2024] pedindo-lhes um mandato para fazer reformas, com espírito reformista”. Isto porque Passos diz acreditar “que as reformas que duram são aquelas que as pessoas desejam” e portanto “um partido não pode chegar ao Governo e, de repente, mostrar às pessoas que, afinal, as surpreende com um pacote, um conjunto de reformas que as pessoas não esperavam que acontecessem e que poderiam até não gostar que fossem feitas.”

Foi, por acaso, exactamente o que o actual PSD fez com a proposta de reforma laboral — à imagem da estratégia de Passos quando governou: apresentar propostas, grande maioria delas inconstitucionais (e como tal declaradas pelo Tribunal Constitucional), que nunca submetera a sufrágio. E não se diga que houve circunstâncias supervenientes a justificá-lo: quando elaborou o programa eleitoral Portugal estava sob resgate, e os termos desse resgate foram também negociados com a troika FMI-Comissão Europeia-Banco Central Europeu pelo PSD, como o negociador-mor do partido, Eduardo Catroga, não se cansou de proclamar.

Era aliás à época director do FMI para a Europa o dirigente do PSD António Borges, que logo a seguir Passos convidaria para funcionar como uma espécie de “ministro à solta” com o pelouro das privatizações, em passagem directa do organismo que as impusera para um cargo cujo salário de centenas de milhares de euros o Governo recusou durante meses revelar (só o fazendo quando foi obrigado a isso). Em termos de portas giratórias e “precedentes graves” (foi a expressão que usou em relação à escolha de Luís Neves para o MAI), digamos que Passos não tem grandes lições a dar.

Não as tem, de resto, em nada. O homem que se quer apresentar como “sério” e “transparente” e é tantas vezes referido como “reserva moral da direita” já mudou radicalmente de ideias e discurso uma meia dúzia de vezes e foi tudo menos honesto quando se apresentou a eleições.

Sabe bem ele, e deveria saber toda a gente, que se tivesse em 2011 anunciado o que queria realmente fazer e que o seu sonho era pôr em prática a tal revisão constitucional que  meteu na gaveta em 2010 (quando, lembre-se, além de se apresentar como um liberal na economia também garantia sê-lo nos costumes, pronunciando-se a favor da legalização do aborto, do casamento das pessoas do mesmo sexo e da adoção por casais homossexuais), seria bastante improvável obter uma maioria absoluta.

Mas, reconheça-se, há um projecto de transformação do país que Pedro Passos Coelho conseguiu levar a bom porto: aquele que permite que, depois de tudo o que aconteceu, de tudo o que fez e disse, se alcandore a exemplo de probidade, lisura e ética. Isso sim é obra.

Diário de Notícias
Fernanda Câncio
03.03.2026

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- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).

 

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292: Primeiro a Venezuela, depois a Gronelândia, agora o Irão: o que virá a seguir na agenda de Trump?

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🇵🇹 OPINIÃO

O mundo já não observa apenas com inquietação — observa com perplexidade. Em poucos meses, a segunda Presidência de Donald Trump transformou a política externa norte-americana numa demonstração aberta de força, onde a lógica do facto consumado substitui a diplomacia e o multilateralismo é tratado como obstáculo, não como instrumento.

A captura de Nicolás Maduro, as ameaças à Gronelândia e a eliminação do Líder Supremo do Irão, Ali Khamenei, não são episódios isolados. São peças de uma mesma estratégia: afirmar hegemonia através da coerção directa, testando até onde o mundo está disposto a tolerar.

A Operação Absolute Resolve, que levou Maduro de Caracas para Nova Iorque, não foi apenas uma acção cirúrgica contra um regime autoritário. Foi uma mensagem política inequívoca: Washington considera-se novamente com legitimidade para intervir unilateralmente no seu “quintal estratégico”. A Doutrina Monroe, que muitos julgavam um artefacto do século XIX, regressa sob nova embalagem — jurídica, mediática e militar.

O levantamento selectivo de sanções e a reconfiguração do setor petrolífero venezuelano revelam que a moralidade invocada anda de mãos dadas com interesses energéticos. A narrativa da libertação convive, sem grande pudor, com a reorganização económica sob tutela externa. E quando Trump declara que os Estados Unidos “gerirão o país até ser seguro entregá-lo”, a frase ecoa menos como promessa de transição democrática e mais como afirmação de protectorado.

O caso da Gronelândia é igualmente revelador. A pressão sobre a Dinamarca mostrou que, para esta administração, alianças são instrumentos contingentes, não compromissos estruturais. Ao admitir o uso da força para adquirir território aliado, Washington quebrou um tabu geopolítico dentro da própria NATO. A confiança — verdadeiro cimento da Aliança Atlântica — não resiste facilmente a este tipo de teste.

Mas foi no Irão que a doutrina da força atingiu o seu ponto máximo. A morte de Ali Khamenei, confirmada por Teerão, inaugurou uma fase de imprevisibilidade estratégica raramente vista desde o início do século XXI. Falar abertamente em “mudança de regime” numa potência regional com capacidade de retaliação assimétrica é jogar xadrez geopolítico com peças inflamáveis.

O Estreito de Ormuz sob ameaça, o petróleo em escalada, mísseis sobre Israel e bases americanas: a região entrou num ciclo de acção-reacção cujo fim ninguém controla plenamente. O risco já não é apenas regional; é sistémico.

Perante este padrão, a pergunta “qual será o próximo alvo?” deixa de soar especulativa e passa a ser estrutural.

Cuba surge como hipótese lógica, fragilizada pela perda do apoio energético venezuelano. A Coreia do Norte observa, calculando custos e oportunidades. No Indo-Pacífico, Taiwan permanece o epicentro latente de uma confrontação maior entre Washington e Pequim. Mesmo cenários aparentemente improváveis — como pressões acrescidas sobre o Panamá ou intervenções indirectas em África — deixam de parecer ficção estratégica.

O que une todos estes episódios não é apenas a retórica musculada; é a normalização da excepção. A ideia de que a estabilidade internacional depende menos de regras partilhadas e mais da capacidade de impor vontades.

Para a União Europeia, isto representa um dilema existencial. Se o principal aliado age de forma imprevisível e coerciva, a autonomia estratégica deixa de ser um slogan francês e passa a necessidade estrutural. Portugal, na periferia atlântica, mas no centro das rotas energéticas e comerciais, não pode assistir como mero espectador. A instabilidade no Atlântico Norte e no Médio Oriente atinge-nos directamente.

A questão central não é se estas acções são eficazes a curto prazo. Podem sê-lo. A questão é que mundo produzem a médio e longo prazo. Um mundo onde as potências agem sem constrangimentos multilaterais tende a tornar-se menos previsível, mais volátil e mais propenso a escaladas acidentais.

A era Trump 2.0 não é apenas uma mudança de estilo; é uma alteração de paradigma. Se esta lógica se consolidar, estaremos perante o regresso explícito da política de esferas de influência, onde o poder substitui a norma.

E quando a força passa a falar mais alto do que o direito, a História ensina-nos que raramente é a última palavra.

Diário de Notícias
José Manuel Maia
EuroDefense-Portugal
03.03.2026

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