462: El Niño traz tempo extremo este verão: o que significa para quem viaja

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🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // EL NIÑO

Os fenómenos meteorológicos extremos estão a afectar cada vez mais as experiências e decisões de viagem, desde o calor intenso que muda hábitos e destinos de férias de verão até ao risco de incêndios florestais, que aumenta o interesse nos seguros de viagem.

Organização Meteorológica Mundial da ONU alerta para 80% de probabilidade de formação do El Niño neste verão.
© Manu Fernandez

Agora, os modelos climáticos prevêem a chegada de um ‘super’ El Niño este ano. O fenómeno de aquecimento no Pacífico tropical molda os padrões meteorológicos globais e pode provocar secas, inundações e ondas de calor.

Para os viajantes, isto significa estar ainda mais preparados para ter em conta os riscos climáticos e meteorológicos no planeamento.

Como o clima extremo está a mudar os hábitos de viagem

A Organização Meteorológica Mundial da ONU adverte agora que há 80% de probabilidade de o El Niño se desenvolver este verão e mais de 90% de se prolongar até Novembro, com potencial para provocar secas, chuvas intensas e ondas de calor em todo o mundo.

Para os viajantes, isso traduz-se em maior preocupação com a actividade de tempestades, com condições mais chuvosas em algumas regiões e, no geral, com expectativas de um verão meteorologicamente mais instável.

Impulsionado por águas do oceano invulgarmente quentes no Pacífico tropical, o El Niño deverá fazer-se sentir praticamente em todo o lado, com previsão de temperaturas acima da média em todo o globo entre Junho e Agosto.

Um inquérito recente a 600 viajantes norte‑americanos em lazer, realizado pela Sensible Weather (fonte em inglês), concluiu que o mau tempo é agora a segunda maior preocupação no momento da reserva, logo a seguir ao custo. Mais de metade (55%) disse ter adiado uma viagem devido à incerteza quanto ao tempo.

O seguro de viagem não garante o reembolso se o tempo extremo ou uma onda de calor afectar a sua viagem. É provável que só receba uma compensação se existir um aviso governamental a desaconselhar viagens para o destino de férias escolhido, ou se o seu médico tiver desaconselhado a viagem.

Por isso, a chegada do El Niño torna mais prudente que os viajantes sejam pro-activos nas decisões de reserva.

«Estamos a ver viajantes a tornarem-se mais selectivos nos destinos, com maior interesse em férias em destinos mais frescos, as chamadas ‘coolcations‘, em viagens na época baixa ou de transição e em experiências que sejam mais fáceis de adaptar se as condições meteorológicas mudarem durante a viagem», afirma Nick Cavanaugh, fundador e director executivo da Sensible Weather, uma empresa que oferece protecção meteorológica a viajantes e operadores turísticos.

Se estiver prevista uma onda de calor e o seu itinerário incluir, por exemplo, aventura ao ar livre, pode valer a pena perguntar ao seu operador turístico se é possível alterar planos ou datas.

«Ao mesmo tempo, o comportamento de consumo tornou-se mais cauteloso. As pessoas continuam a querer viajar, mas querem ter mais confiança de que o investimento feito na viagem se mantém, mesmo que a previsão mude», acrescenta.

Cresce a oferta de produtos de protecção ligados ao tempo

À medida que a incerteza climática ganha peso nas decisões de quem planeia uma viagem, a protecção ligada ao tempo deixa de ser um extra de nicho para se tornar uma ferramenta central de confiança, explica Cavanaugh.

«O seguro de viagem tradicional é muitas vezes concebido para cobrir grandes acontecimentos que interrompem ou impedem totalmente uma viagem, como uma emergência médica, serviço de júri, cancelamento de voo, etc. Mas muitos viajantes estão agora mais preocupados com o que acontece se a viagem avançar e o tempo tiver um impacto negativo na experiência», explica.

Na Sensible Weather, se estiver previsto tempo que cumpra os critérios definidos para uma determinada reserva, o reembolso é ‘proactivo e automático’.

No início deste ano, a JetBlue Vacations testou uma colaboração com o Conselho de Turismo da Jamaica e a WeatherPromise, oferecendo uma ‘Great Weather Guarantee’ para pacotes de férias na Jamaica. A empresa comprometia-se a devolver 500 dólares (430 euros) aos clientes se chovesse mais do que o prometido durante a estadia.

A Vrbo estabeleceu também uma parceria com a WeatherPromise para garantir pagamentos se a chuva estragar a viagem. É definido um limiar de precipitação com base nas tendências históricas de chuva específicas do destino e das datas da viagem, e a WeatherPromise monitoriza depois o tempo usando milhões de pontos de dados meteorológicos, incluindo imagens de satélite e radar.

Euronews Português
Rebecca Ann Hughes
09.06.2026

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420: El Niño está a chegar mais depressa do que o esperado e as probabilidades de ser historicamente forte estão a aumentar

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🇵🇹 PORTUGAL // EL NIÑO

O El Niño está a emergir no Oceano Pacífico mais rapidamente do que o previsto e estão a aumentar as probabilidades de poder tornar-se historicamente forte – num raro “Super” El Niño – no outono ou inverno.

Planeta
© CNN Portugal

Isto de acordo com uma actualização recentemente divulgada pelo Climate Prediction Center da NOAA, que indica que há uma probabilidade de dois em três de que a intensidade máxima do El Niño seja forte ou muito forte.

O El Niño é um ciclo climático natural que ocorre quando o Oceano Pacífico tropical aquece o suficiente para provocar alterações nos padrões de vento na atmosfera, o que tem um efeito em cadeia nas condições meteorológicas em todo o mundo.

Secas e ondas de calor podem intensificar-se em algumas regiões, aumentando o risco de incêndios florestais e problemas no abastecimento de água, enquanto outras são atingidas por chuvas intensas e inundações. Os efeitos abrangentes do El Niño também podem afectar a temporada de furacões no Atlântico. A uma escala maior, faz com que as já crescentes temperaturas globais resultantes das alterações climáticas provocadas pelo homem subam ainda mais. El Niños mais fortes tornam todos estes impactos mais prováveis.

Probabilidades de Super El Niño aumentam

O El Niño ocorre aproximadamente de dois em dois a sete em sete anos e dura entre nove e 12 meses. A sua intensidade é medida pela forma como as temperaturas da água sobem acima da média numa zona do Oceano Pacífico equatorial, atingindo normalmente o pico no inverno do Hemisfério Norte.

Condições fracas de El Niño desenvolvem-se quando a temperatura ultrapassa os 0,5 graus Celsius acima da média durante um período prolongado. As temperaturas da água têm de estar mais de 2 graus acima da média para ser considerado um El Niño muito forte ou Super El Niño.

O rectângulo indica a área do Oceano Pacífico onde as temperaturas da superfície do mar estão a ser monitorizadas para a formação do El Niño.
CNN Weather

A temperatura média da água está actualmente ligeiramente abaixo do limite dos 0,5 graus, mas prevê-se que suba acima desse valor já no próximo mês, segundo a actualização mensal do Climate Prediction Center. Trata-se de uma mudança significativa em relação à actualização do mês passado, que apontava para condições neutras — nem El Niño nem La Niña — até Junho.

CNN Portugal
15.05.2026

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404: El Niño vai trazer já este mês temperaturas elevadas ao planeta

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EL NIÑO // METEOROLOGIA

O mês de Abril foi um dos mais quentes de que há registo, tanto em terra como no mar. Avisos deixados pelo Copernicus, o programa da União Europeia para a observação da terra.

O mês de Abril foi um dos mais quentes de que há registo, tanto em terra como no mar. Avisos deixados pelo Copernicus, o programa da União Europeia para a observação da terra.
© Imagem: World Meteorological Organization

O observatório climático europeu refere que se Abril foi quente, maio poderá ser pior com a chegada da tempestade El Niño.

Um fenómeno climático que está a aumentar a temperatura do mar e a provocar alterações em várias partes do globo.

De acordo com as previsões, os cientistas da Copernicus alertam para o facto de este fenómeno possa ser ainda mais forte do que o último registado há 3 anos.

RTP
Sara Araújo de Almeida – RTP Antena 1
08.05.2026

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360: El Niño poderá regressar em força entre Maio e Julho de 2026

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METEOROLOGIA // EL NIÑO

Este fenómeno meteorológico redistribui o calor global, provocando eventos meteorológicos extremos. Existe uma probabilidade de 25% da ocorrência de um “Super El Niño” entre Novembro de 2026 e Janeiro de 2027.

Este fenómeno meteorológico redistribui o calor global, provocando eventos meteorológicos extremos.
© RTVE

Antes de mais, o que é o El Niño? O El Niño-Oscilação Sul (ENSO) é um fenómeno natural que ocorre no Pacífico equatorial mas que influencia os padrões climáticos em várias partes do mundo. Envolve a atmosfera e o oceano e tem três fases distintas: El Niño, La Niña e a fase neutra.

Trata-se de um processo periódico, que começa a desenvolver-se na primavera/verão no hemisfério norte e se intensifica no inverno.

A transição de El Niño para La Niña ocorre, em média, a cada três a cinco anos. O El Niño provoca um enfraquecimento dos ventos alísios no Pacífico equatorial e aumenta a temperatura à superfície do Pacífico equatorial central e oriental. Pode durar até 18 meses.

Provoca chuvas intensas, ou mesmo inundações, e prejudica a pesca nas costas peruanas e equatorianas, enquanto no outro extremo, no Sudeste Asiático ou na Austrália, se forma uma zona de alta pressão persistente que provoca seca.

Nome de El Niño

Este termo é utilizado há séculos. Foi assim que os pescadores do Peru e do Equador baptizaram este acontecimento em referência ao Menino Jesus, quando, por altura do Natal, a água aquecia e a pesca piorava.

E La Niña? É o fenómeno oposto. Os ventos alísios intensificam-se e a temperatura à superfície do Pacífico equatorial central e oriental arrefece.

As águas profundas do oceano sobem ao largo da costa do Peru e do Equador, fornecendo mais nutrientes e melhorando a pesca, mas o tempo é, no entanto, mais seco.

Na Austrália, por outro lado, a precipitação é muito abundante. Pode durar até três anos.

Efeitos fora do Pacífico

Modifica a circulação atmosférica global, logo, os efeitos não se fazem sentir apenas no local de origem, mas podem ser detectados a milhares de quilómetros de distância. Impede o desenvolvimento de furacões, conduzindo a uma estação de ciclones tropicais menos activa no Atlântico.

Como já dissemos, gera mais chuva no Equador e no Peru, mas provoca secas noutros países do norte da América do Sul e da América Central. Lá longe, no Corno de África, o El Niño provoca inundações, enquanto o La Niña gera secas significativas.Quando é que o El Niño regressa?

Actualmente, nem El Niño nem La Niña estão presentes, ou seja, ainda estamos em condições neutras.

Mas estamos a começar a ver mudanças tanto na atmosfera como no oceano. Há cinco meses consecutivos que a temperatura do Pacífico equatorial está acima da média.

Existe uma probabilidade de 61% de que o El Niño surja no trimestre entre maio e Julho. Esta probabilidade aumenta para 79% no trimestre Junho-Julho-Agosto e ultrapassará os 90% nos meses seguintes. Uma vez activo, El Niño persistirá pelo menos até ao final de 2026.

Poderemos ter um “super El Niño” no final de 2026?

Existe uma probabilidade de 25% da ocorrência de um El Niño muito forte (anomalia ≥ 2°C) durante o trimestre Novembro-Dezembro-Janeiro. Um El Niño mais forte aumentaria a probabilidade de temperaturas globais anormalmente elevadas em 2026 e 2027 e de fenómenos meteorológicos extremos (vagas de calor, inundações, secas, tempestades graves, etc.).

Os episódios El Niño tendem a aumentar as temperaturas globais durante o evento e mesmo depois de este terminar, enquanto o La Niña provoca um arrefecimento.

Até agora, o ano de 2024 é o mais quente registado desde 1850 e o segundo ano mais quente foi 2023. O ano de 2024, com uma anomalia de temperatura de +1,6°C, é o primeiro ano a exceder o nível de 1,5°C estabelecido no Acordo de Paris. 

O último evento El Niño ocorreu entre 2023 e 2024. Se adicionarmos o El Niño ao aquecimento global, o que se antevê para 2026 e 2027 não é certamente uma previsão optimista.

Silvia Laplana / 14 abril 2026 06:13 GMT+1
Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa

Um Olhar Europeu com RTVE
RTP
14.04.2026

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351: Grandes inundações, incêndios e não só: vem aí um super El Niño

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METEOROLOGIA // SUPER EL NIÑO

Prepare-se para ouvir muito mais sobre o El Niño nos próximos meses – e talvez até durante mais tempo – à medida que o infame ciclo climático regressa, desenvolvendo-se e intensificando-se no Oceano Pacífico, junto ao equador. Se se formar como previsto, este El Niño irá redesenhar os mapas climáticos globais, provocando inundações em algumas regiões e secas e incêndios florestais noutras – tudo isto enquanto acelera o ritmo do aquecimento global.

Pessoas reúnem-se para assistir ao pôr do sol na praia de Windansea, em La Jolla, durante uma onda de calor de inverno, a 31 de Janeiro, em San Diego, na Califórnia. Um Super El Niño também pode resultar em calor recorde no próximo inverno
(Kevin Carter/Getty Images)

Há indícios crescentes de que um El Niño não só está iminente – a chegar no final do verão ou no início do outono – como também pode ser significativo.

Na verdade, este poderia até ser classificado como um “Super El Niño”, o que aumentaria significativamente os impactos sentidos em todo o mundo. El Niños tão intensos são raros.

Para que um El Niño seja declarado, em geral, as temperaturas oceânicas numa determinada região do Pacífico tropical devem estar 0,5 graus Celsius acima da média de longo prazo. Um Super El Niño, por outro lado, ocorre quando as temperaturas estão mais de 2 graus Celsius acima da média. Alguns modelos computacionais geralmente fiáveis, como o conjunto de modelos europeus, estão a projectar exactamente este resultado para esta vez.

Os fenómenos mais temidos

El Niño e La Niña, nomes que se traduzem como “o Menino” e “a Menina”, são ciclos climáticos recorrentes no Oceano Pacífico tropical que ocorrem a cada poucos anos e podem ter efeitos profundos nos padrões climáticos globais. No caso do El Niño, o ciclo pode trazer tanto inundações como secas a diferentes partes de África, contribuir para as tempestades de inverno na costa oeste dos EUA e levar a extremos de calor mais frequentes em todo o mundo.

O El Niño é caracterizado por águas excepcionalmente quentes ao longo do Oceano Pacífico tropical equatorial e por uma série de alterações relacionadas nos padrões de ventos e precipitação na atmosfera. É um fenómeno denominado acoplado, o que significa que, para ocorrer um El Niño, tanto o oceano como a atmosfera têm de estar a interagir de formas características.

Mapa das diferenças de temperatura oceânica em relação ao normal durante um El Niño forte. As cores vermelhas indicam que a água do oceano está mais quente do que o normal; o azul indica que está mais fria
(NOAA)

A atmosfera tende a reagir às águas mais quentes deslocando as áreas de precipitação intensa para mais perto da região quente do oceano. Os ventos alísios, que normalmente sopram de leste para oeste perto do equador, podem enfraquecer e inverter a sua direcção. Estas mudanças são significativas o suficiente para afectar o clima em todo o mundo, como uma série de dominós que caem.

Neste momento, enormes volumes de água excepcionalmente quente estão a espalhar-se sob a superfície do oceano, desde o Pacífico tropical ocidental até ao oriental, onde esta água sobe lentamente à superfície, num claro precursor do El Niño. Áreas periódicas de vento a soprar de oeste para este têm ajudado a transportar esta água, em fenómenos conhecidos como rajadas de vento oeste.

Embora o El Niño e a La Niña, o fenómeno mais frio do El Niño, sejam fascinantes do ponto de vista meteorológico, preocupamo-nos com eles devido às formas como podem afectar os eventos climáticos extremos em todo o mundo. Na verdade, podem causar prejuízos de milhares de milhões de dólares, e um El Niño mais forte tornaria provavelmente os impactos habituais ainda mais severos.

Identificar a formação de um El Niño e prever a sua evolução “dá-nos um aviso prévio sobre as mudanças nos riscos de muitos fenómenos climáticos, incluindo inundações, secas, ondas de calor, furacões e tempestades severas”, explica Nat Johnson, meteorologista do Laboratório de Dinâmica de Fluidos Geofísicos da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA). “Estes impactos climáticos e meteorológicos modificam a produção agrícola, a propagação de doenças, o branqueamento de corais, a pesca e muitas outras partes do sistema terrestre que afectam o nosso dia a dia.”

Ainda há muita incerteza em relação ao próximo El Niño, incluindo uma variedade de previsões, especialmente em relação à intensidade, acrescenta Johnson. Para complicar ainda mais as coisas, as projecções dos modelos computacionais feitas durante a primavera tendem a ter uma precisão inferior às projecções feitas noutras alturas do ano, um fenómeno conhecido como barreira de previsão da primavera.

As pessoas enchem a praia de Baker, perto da Golden Gate, em São Francisco, na Califórnia, a 16 de Março, devido a um alerta de calor
(Tayfun Coskun/Anadolu/Getty Images)

Quente e mais quente

Nos EUA, o El Niño tende a atingir o seu pico durante os meses de inverno, quando pode enviar uma série de tempestades para partes da Califórnia e ao longo da faixa sul dos EUA, trazendo o risco de inundações.

Também pode acelerar os ventos na alta atmosfera sobre o Oceano Atlântico tropical durante o outono. Isto provoca um aumento do cisalhamento do vento, o que pode desfazer tempestades tropicais e furacões em formação – prejudicando a época dos furacões no Atlântico.

Além disso, os El Niños fortes também foram associados a ondas de calor nos EUA e noutras partes do mundo.

Globalmente, o El Niño é conhecido por aumentar as probabilidades de secas e ondas de calor na Austrália, onde também pode elevar os riscos de incêndios florestais. Outras áreas propensas à seca durante o El Niño incluem o norte da América do Sul (incluindo partes da floresta da Amazónia), a África central e meridional e a Índia. O El Niño pode também causar chuvas em excesso, com áreas propensas a inundações fora dos EUA, incluindo o sudeste da América do Sul, o corno de África, o Irão, o Afeganistão e outras partes da Ásia centro-sul.

Em termos climáticos, o El Niño tende a libertar enormes quantidades de calor armazenado nos oceanos de volta para a atmosfera, elevando as temperaturas médias globais à superfície. Se um El Niño forte se formar e persistir durante o inverno, é quase certo que 2026, 2027 ou ambos os anos estabelecerão novos recordes de ano mais quente desde que os dados instrumentais começaram a ser recolhidos no século XIX.

O planeta já está a aquecer a um ritmo acelerado, e um El Niño intenso aceleraria ainda mais este processo, pelo menos durante alguns anos. Se compararmos as alterações climáticas a subir uma escada rolante, com alguns anos mais quentes do que outros, um ano de El Niño seria o equivalente a saltar para cima e para baixo enquanto se sobe essa escada rolante – atingindo novos patamares recorde, ainda que brevemente.

O último El Niño, que não foi um Super El Niño, fez com que 2024 se tornasse o ano mais quente de que há registo. O último Super El Niño ocorreu em 2015-2016, com outros em 1997-98 e 1982-83. O Super El Niño não é uma designação técnica da NOAA, mas sim uma definição informal utilizada por alguns meteorologistas e pelos meios de comunicação social para se referirem a um El Niño muito forte.

Os meteorologistas estarão a observar atentamente o aquecimento das águas do Pacífico para determinar a intensidade do El Niño que teremos. Se o modelo europeu se revelar correto, poderá ser o El Niño mais forte alguma vez registado.

CNN
08.04.2026

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290: Fenómeno El Niño pode regressar: Organização Meteorológica Mundial prevê mais calor entre Março e Maio

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🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // EL NIÑO

Evento La Niña pode criar condições neutras e, posteriormente, um evento de aquecimento El Niño. Em 2024, o El Niño teve um papel importante no recorde das temperaturas globais.

Fenómeno El Niño pode regressar: Organização Meteorológica Mundial prevê mais calor entre Março e Maio

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) da ONU alertou esta terça-feira para a probabilidade crescente de, no período de Maio a Julho, se repetir o fenómeno climático conhecido por El Niño.

De acordo com o último boletim trimestral da OMM, espera-se que o recente evento La Niña, de menor intensidade, dê lugar a condições neutras e, posteriormente, a um evento de aquecimento El Niño.

Com base nas previsões dos centros de produção globais da OMM, espera-se que as condições neutras – indicando a ausência de um evento El Niño ou La Niña – persistam até Julho.

Para o período de Maio a Julho, a probabilidade de condições neutras é, portanto, de 60%, “enquanto a probabilidade de um evento El Niño aumentou constantemente para cerca de 40%”, afirmou a OMM.

A incerteza em torno das previsões de longo prazo está a aumentar, acrescentou a organização.

Em Janeiro, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) estimou uma probabilidade de 50 a 60% de desenvolvimento do El Niño entre Julho e Setembro.

“A comunidade da OMM (Organização Meteorológica Mundial) vai monitorizar de perto a situação nos próximos meses para que se possam tomar de decisões”, comentou a Secretária-Geral da OMM, Celeste Saulo.

O último evento El Niño, ocorrido em 2023/24, foi um dos cinco mais intensos já registados e desempenhou um papel importante nas temperaturas globais recordes de 2024.

Um evento El Niño é caracterizado pelo aquecimento periódico e em larga escala das águas superficiais no Pacífico equatorial central e oriental, associado a mudanças na circulação atmosférica tropical, especificamente nos ventos, na pressão e nas chuvas. Geralmente, ele tem efeitos opostos aos da La Niña nos padrões climáticos e de precipitação.

De acordo com a OMM, para o período de Março a Maio, deve haver “um aumento nas temperaturas da superfície em todo o mundo”.

Em relação às previsões de precipitação, “o padrão esperado é semelhante ao de La Niña no Pacífico equatorial, mas em outras partes do mundo, o sinal é mais misto”.

A OMM reitera que “fenómenos climáticos naturais de grande escala, como El Niño e La Niña, fazem parte de um contexto mais amplo de mudanças climáticas antropogénicas, que estão a elevar as temperaturas globais a longo prazo, intensificando eventos climáticos extremos, alterando os padrões sazonais de precipitação e temperatura”.

SIC Notícias
Lusa
03.03.2026

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