Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar decretou esta quinta-feira, dia 21, uma jornada de luta para protestar contra o que o Governo chama de “Refundação do INEM”. O protesto decorre esta manhã em frente ao Ministério da Saúde onde foi lido e aprovado um manifesto para ser entregue à ministra.
Técnicos do INEM querem que ministra negoceie alterações com quem está no terreno. Reinaldo Rodrigues
Manifesto entregue à ministra Ana Paula Martins pelo Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) refere que “alterações recentemente anunciadas como uma alegada ‘refundação no INEM’ não representam um reforço do sistema.” Pelo contrário, dizem, traduzem-se, na prática, numa diminuição da capacidade operacional da emergência médica pré-hospitalar.”
Em frente ao Ministério da Saúde, desde o início da manhã desta quinta-feira, 21 de maio, os técnicos têm vindo a reforçar que o socorro de emergência “não pertence a governos, a administrações ou a interesses económicos”, mas “aos portugueses”. E é “é em nome dos portugueses, da segurança das populações e da dignidade da emergência médica pré-hospitalar” que apelam “à suspensão destas medidas e à construção de soluções com quem conhece a realidade do terreno”, afirmam no documento.
No mesmo, é ainda dito que o INEM “representa, há mais de 40 anos, uma das maiores conquistas do Serviço Nacional de Saúde e um dos principais pilares de protecção e socorro dos portugueses. Todos os dias, milhares de profissionais garantem resposta a situações críticas, salvam vidas e asseguram assistência diferenciada em todo o território nacional”. E que “é, precisamente por reconhecermos a importância estratégica do INEM que não podemos permanecer em silêncio perante medidas que consideramos perigosas para o futuro da emergência médica pré-hospitalar”.
Para os técnicos a “redução de ambulâncias do INEM dedicadas à emergência, a transformação de ambulâncias em veículos ligeiros, a transferência de meios para funções de transporte inter-hospitalar e a desvalorização progressiva dos Técnicos de Emergência representam um caminho que fragiliza a resposta às populações e coloca em risco a eficácia do socorro”, considerando que “não é possível melhorar tempos de resposta reduzindo meios no terreno”, “não é possível proteger as populações retirando ambulâncias da emergência” ou que “não é possível reforçar o INEM diminuindo competências, formação e profissionais especializados.”
No documento, o STEPH refere ainda que a estas alterações “acresce a intenção de abrir parte da resposta urgente ao sector privado”, o que “levanta sérias dúvidas legais, operacionais e financeiras, podendo representar um primeiro passo para a descaracterização e privatização progressiva de uma missão que deve permanecer pública, coordenada e centrada no interesse dos cidadãos.”
E, em vez de tudo isto, o sindicato propõe que se reforce na contratação de “mais técnicos de emergência pré-hospitalar, dar-lhes a formação prevista fazendo-a evoluir, e com estes, que se abram mais ambulâncias do INEM onde as carências estão identificadas. É este o caminho que defendemos. É este o único caminho que os portugueses precisam. É este o caminho que salva mais vidas.”
Por tudo isto, o STEPH exige “a manutenção e reforço do número de ambulâncias do INEM dedicadas à emergência pré-hospitalar; a valorização das competências técnicas e clínicas dos Técnicos de Emergência no ensino superior; a preservação da missão operacional do INEM; o reforço da formação e qualificação profissional; o reforço e a manutenção dos postos de trabalho e das equipas especializadas; a rejeição de qualquer processo de privatização da emergência médica pré-hospitalar; a garantia de que o socorro às populações continuará assente em meios públicos, qualificados e adequadamente coordenados”.
Por fim, o STEPH exige que se seja aberto “um verdadeiro processo de diálogo com os profissionais do sector”. Recorde-se que a nova Lei Orgânica do INEM foi aprovada a 7 de Maio de 2026 em Conselho de Ministros e ainda pouco se sabe do que dela consta, pois ainda não foi divulgada nem publicada.
Ana Paula Martins admitiu que Portugal está “ainda, no meio de uma epidemia de gripe”, num inverno mais severo do que o do ano passado e com vírus mais agressivos em circulação.
Ana Paula Martins, ministra da Saúde. FOTO: PAULO NOVAIS/LUSA
A situação nos tempos de espera dos serviços de urgência é “muito crítica” e não deverá melhorar durante esta semana, nomeadamente na região de Lisboa e Vale do Tejo, disse esta segunda-feira, 5 de Janeiro, a ministra da Saúde.
“Esta semana é uma situação que é muito critica, porque é o final das festas e das férias e das tolerâncias de ponto. Se, por um lado, vamos ter os nossos profissionais que estavam de férias a voltar, por outro lado também temos muito mais doentes, a verdade é esta, nomeadamente em algumas regiões do país, a entrar nas nossas urgências”, explicou Ana Paula Martins.
Em declarações à margem de uma visita ao Hospital Distrital da Figueira da Foz, sede da Unidade Local de Saúde do Baixo Mondego (ULSBM), a governante não espera que os tempos de espera nas urgências “possam melhorar significativamente”, durante esta semana, concretamente nos hospitais Amadora-Sintra, Beatriz Ângelo (Loures) e, em Lisboa “o próprio Santa Maria, que está também com muitas dificuldades”.
Ana Paula Martins vincou que Portugal está “ainda, no meio de uma epidemia de gripe”, num inverno mais severo do que o do ano passado e com vírus mais agressivos em circulação, embora ainda não haja dados concretos sobre se o pico da doença já foi atingido este ano.
“Os nossos virologistas dizem que, possivelmente, estamos mesmo a atingir o pico, mas só saberemos daqui a mais alguns dias, se começarmos a ver o número de infecções, através da rede Sentinela, a baixar”, explicou a ministra.
A morte de uma grávida de 38 semanas, na sexta-feira, no Hospital Fernando da Fonseca já levou à demissão do presidente do Conselho de Administração da ULS Amadora Sintra. Mas a razão da saída está no facto de ter havido uma falha na informação passada à ministra da Saúde, com a justificação de que o sistema informático existente no hospital e no centro de saúde são diferentes. SPMS confirma que esta ULS é das que tem sistema antigo.
Ministra da Saúde aceitou demissão do presidente do CA da ULS Amadora Sintra.
O Registo de Saúde Electrónico (RSE) do doente é um projecto de há muitos anos, ainda do tempo em que a Troika andava por Portugal (2012). E o seu objectivo era criar uma base de dados única para os utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) de forma a que todas as unidades pudessem ter acesso ao seu processo clínico.
Aliás, na altura, a explicação dada pelo próprio Governo de Passos Coelho, era a de que o RSE serviria para que o doente não ficasse esquecido no sistema e não se perdesse o rasto de todos os passos dados no âmbito do seu processo de saúde.
Aliás, em 2012, foi mesmo criada a plataforma a partir da qual, através da área profissional, médicos e outros profissionais de saúde, passam a ter acesso aos dados dos utentes, mas, numa nota de esclarecimento, enviada esta segunda-feira, dia 3 de Novembro, ao DN, os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS),organismo com competências nesta área, reconhece que a migração dos dados do antigo sistema informático para um novo, recolhida em unidades hospitalares ou de cuidados primários, ainda não está completa.
“Ainda se está a finalizar a migração dos sistemas de cuidados hospitalares de suporte ao serviço administrativo e clínico para a Suite Hospitalar – versão 2 do SONHO e SClínico”, refere a SPMS. Ou seja, das “42 instituições do SNS, apenas quatro entidades ainda não concluíram a migração, um processo determinante para a transição digital da saúde e para o projecto do Registo de Saúde Electrónico Único”.
A Unidade Local de Saúde Amadora Sintra, que integra o Hospital Fernando da Fonseca (HFF) é uma das unidades que ainda funciona com o sistema antigo, em que o sistema que reúne os dados clínicos da actividade hospitalar é diferente da do sistema que reúne os dados clínicos dos centros de saúde. Uma situação que, talvez possa explicar, o facto de o hospital não ter acesso completo aos dados clínicos da mulher grávida de 38 semanas, que morreu, na urgência desta unidade, sexta-feira, dia 31, um dia depois de ter ido a uma consulta hospitalar e de ter sido enviada para casa.
A polémica que envolve os dados clínicos desta mulher, de 36 anos, surge depois de a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, ter proferido no Parlamento, neste mesmo dia, que esta não era acompanhada em Portugal e que apenas teve duas consultas no HFF, uma em Setembro e outra em Outubro, sem acesso à história clínica.
Ana Paula Martins anunciou o que lhe foi transmitido pelo HFF, mas dois dias depois a família da grávida veio contestar as suas declarações e comprovar que a mulher era acompanhada no SNS desde Julho, quando teve a primeira consulta a 14 de Julho, no Centro de Saúde Agualva-Cacém, que integra também a Unidade Local de Saúde Amadora Sintra, e uma segunda a 14 de Agosto, altura em que terá sido referenciada para acompanhamento no HFF, por “gravidez de risco”.
Após a referenciação teve duas consultas de rotina, uma a 17 de Setembro e outra a 29 de Outubro, durante a qual lhe foi diagnosticado um episódio de hipertensão ligeiro, com encaminhamento para a urgência de ginecologia-obstetrícia, para a realização de mais exames. Depois de os ter feito, foi enviada para casa com consulta marcada para daí a uma semana, que seria esta quarta-feira, dia 5 de Novembro, já com 39 semanas e para preparação do parto.
Só que no dia 30 de Outubro, esta mulher, de 36 anos, Umo Cami, sentiu-se mal, pediu socorro ao INEM e foi levada para o hospital em paragem cardio-respiratória, foram-lhe feitas manobras de suporte vida, sem resultado, e foi realizada uma cesariana de urgência para extracção do bebé, uma menina, que viria a falecer no dia seguinte, sábado, dia 1 de Novembro.
No domingo, dia 2 de Novembro, o hospital, em comunicado, assume ter havido uma falha na informação, e que só depois de ter passado a informação disponível à titular da pasta da Saúde é que soube que a grávida já estava a ser acompanhada nos cuidados primários da sua ULS.
Situação que levou o presidente do Conselho de Administração da ULS, Carlos Sá, nomeado por Ana Paula Martins para o cargo em Fevereiro deste ano, a colocar o seu lugar à disposição, o que foi aceite. “É uma falha grave na informação”, justificou a ministra, escusando-se a mais comentários – a ULSASI estava também desde o dia 8 de Outubro sem directora clínica para a área hospitalar que pediu a cessação de funções por motivos pessoais.
Em relação ao caso de sexta-feira, a família e amigos de Umo Cami, que dizem que esta já era acompanhada no SNS desde as 20 semanas de gestação, criticou o tom e a forma como a ministra abordou o caso no Parlamento, considerando que o associou a outros, cujas mulheres chegam “a Portugal só para o momento do parto”, algumas “sem falar português” e até “sem telemóvel para pedir socorro ao INEM”.
Nesta segunda-feira, dia 3, Paloma Mendes, amiga da família, voltou a reiterar, em declarações a várias estações de televisão, aguardarem ainda por um “pedido de desculpas” por parte da ministra, solicitando ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, que opte pela sua “demissão”.
O marido de Umo Cami, em declarações a algumas televisões, pediu que seja feita uma investigação séria na justiça e que reponha a verdade. Neste momento, recorde-se, há processos de investigação instaurados pelo Ministério Público, Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) e da Entidade Reguladora da Saúde (ERS).
Será que falha na comunicação de dados foi essencial para o desfecho deste caso?
Agora, se a falha na comunicação entre hospital e centro de saúde sobre processo clínico desta doente foi relevante ou não para o desfecho do caso, é algo que o presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH), Xavier Barreto, diz “não se poder afirmar ainda com certezas. Há muita coisa que não sabemos, nomeadamente se a história clínica da doente esteve na base ou não do desfecho deste caso”.
O administrador considera que a partilha de dados clínicos é fundamental para o sistema de saúde, sobretudo porque tem vantagens para os utentes, pois é a única forma de se acompanhar todo o seu percurso nos serviços de saúde, mas também para o próprio SNS, e respectivas poupanças, já que evitaria, por vezes, duplicação de pedidos de exames e de consultas. No entanto, defende ao DN, ser importante que este Registo de Saúde Electrónico (RSE) fosse único – ou seja, que envolvesse também os sectores privado e social.
Xavier Barreto reconhece que a migração dos dados de cada utente para um novo sistema informático não é tarefa fácil, mas também lembra que este é um projecto que já vem de há muitos anos e que até agora não foi finalizado. Aliás, sublinha, “o RSE é uma das medidas inscritas no PRR, que vai terminar em 2026, e espero que seja implementado como estava previsto, um RSE único para que a partilha da informação clínica possa ser feita em todos os sectores da Saúde”.
Segundo afirma ao DN, o presidente da APAH diz saber que nalgumas unidades de saúde “os médicos têm acesso a uma parte importante da informação recolhida pelos centros de saúde, mas, por vezes, existem problemas. Tem de entrar noutro sistema, demora mais tempo e nem sempre funciona e, por isso, nem sempre se acede a toda a informação do doente”.
Foi este caso que envolve a morte de uma grávida, que agora traz a questão do sistema de partilha de dados à tona, mas poderia ter sido outro. E explica porquê: “Quem definiu a nova organização do SNS, em Unidades Locais de Saúde, decidiu avançar com o projecto sabendo que a partilha de dados entre hospitais e centros de saúde não estava acautelada, portanto considero que não se pode imputar só responsabilidades a esta ministra”.
A SPMS, em resposta ao DN, considera que a partilha de informação entre unidades, em si, “é crítica para a prestação de cuidados com segurança e qualidade”, explicando que, neste momento, “no SNS todos os médicos podem aceder ao Processo Clínico de todos os utentes, de qualquer Unidade Local de Saúde (ULS), através do Registo de Saúde Electrónico – Área do Profissional”.
Mais. “O RSE é constituído por dados clínicos recolhidos electronicamente para cada cidadão, produzidos por entidades que prestam cuidados de saúde – sejam cuidados primários ou hospitalares. Permite o registo e partilha de informação clínica entre o utente, profissionais de saúde e entidades prestadoras de serviços de saúde, de acordo com os requisitos da Comissão Nacional de Protecção de Dados. Os cidadãos acedem através da Área Pessoal do SNS 24 e os profissionais acedem através da Área do Profissional”.
Mas tal só é válido para 38 das 42 unidades do SNS que já completaram a migração dos dados dos utentes, para as quatro em que tal ainda não aconteceu, como a ULS Amadora-Sintra, a partilha de dados ainda não é uma realidade. Neste momento, não se sabe quanto mais tempo levará até este processo estar completo.
Do ponto de vista político, José Luís Carneiro, líder do PS, já veio reafirmar a sua posição de que a ministra deveria sair. O líder parlamentar da IL, Mário Amorim Lopes, também defendeu que ministra deve ceder o lugar se não tiver capacidade para reformar.
A ministra da Saúde apresentou hoje as condolências à família pela morte de uma grávida de 36 anos e, um dia depois, do seu bebe recém-nascido no hospital Amadora-Sintra, “partilhando a dor por esta tragédia”.
01/11/2025 por Lusa
A bebé nasceu de uma cesariana de emergência na Unidade Local de Saúde Amadora/Sintra e morreu hoje de manhã, um dia após a morte da mãe, que deu entrada no hospital na madrugada de sexta-feira já em paragem cardio-respiratória. A mãe de 36 anos e grávida de 38 semanas tinha estado na quarta-feira numa consulta de rotina, tendo sido então mandada para casa.
Numa nota enviada para a Lusa, o Ministério da Saúde “manifesta o seu profundo pesar” pelo falecimento do bebé, explicando que “a criança não resistiu às lesões sofridas após a mãe ter entrado em paragem cardio-respiratória no seu domicílio”.
“A ministra da Saúde apresenta sentidas condolências à família e amigos pela morte desta mulher e do seu bebé, partilhando a dor por esta tragédia”, acrescenta o gabinete de Ana Paula Martins.
A Entidade Reguladora da Saúde e a Inspecção Geral das Actividades em Saúde (IGA) vão investigar as duas mortes e o Hospital Amadora Sintra também já instaurou um processo para “averiguar as circunstâncias que envolveram o triste desfecho”, refere o gabinete de imprensa do Ministério da Saúde.
Também a Unidade Local de Saúde Amadora/Sintra manifesta o seu pesar pelo falecimento da bebé que, “desde o seu nascimento, se encontrava em coma profundo, sem qualquer reflexo neurológico, tendo ao início da manhã de hoje iniciado quadro de hipotensão e bradicardia progressivas que culminaram na sua morte”.
Segundo a ULS Amadora-Sintra, a grávida tinha estado na quarta-feira no hospital para uma consulta de rotina, tendo na altura sido identificada uma hipertensão ligeira.
A mulher foi enviada para as urgências “apenas por extra cuidado”, tendo-lhe sido despistada uma pré-eclâmpsia e teve alta com indicação para internamento às 39 semanas de gestação.
Segundo o director do serviço de urgência obstétrica e ginecológica do hospital Amadora-Sintra, Diogo Bruno, a grávida tinha chegado recentemente a Portugal e foi referenciada para a consulta de especialidade de obstetrícia com uma gravidez de termo precoce.
“O seguimento da gravidez não foi o seguimento ideal. Tinha, efectivamente, uma história não bem esclarecida de hipertensão. Efectivamente, na consulta que teve, o nível de tensão era ligeiramente elevado”, reiterou Diogo Bruno.
A ULS Amadora-Sintra relatou que a grávida deu entrada no serviço de urgência cerca das 01:50 de sexta-feira, transportada por uma equipa do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), em situação de paragem cardio-respiratória.
O Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) recebeu pelas 00:28 uma chamada a pedir ajuda para a grávida, que se queixava de falta de ar, explicou o INEM, acrescentando que depois de realizada a triagem clínica, “o CODU accionou uma Ambulância de Socorro às 00:36”.
Ainda segundo o INEM, a equipa da ambulância informou o CODU, às 00:54, que a vítima se encontrava em paragem cardio-respiratória, tendo sido então enviada uma Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do hospital Amadora-Sintra.
“Às 01:14, no local, a equipa médica da VMER implementou as medidas de Suporte Avançado de Vida (SAV) adequadas. A utente foi depois encaminhada para o HFF, com acompanhamento médico da equipa da VMER, onde deu entrada pelas 01:48”, precisa o INEM.
No dia em que a ministra da Saúde está a receber os sindicatos dos médicos e dos enfermeiros para apresentar três decretos de lei, Federação Nacional dos Médicos anuncia que se junta à paralisação decretada pela Frente Comum.
FNAM junta-se à greve geral. Gerardo Santos
A presidente da Federação Nacional dos Médicos, Joana Bordalo e Sá, confirmou ao DN que a estrutura vai juntar-se à greve geral decretada pela Frente Comum no dia 24 de Outubro. Joana Bordalo e Sá explicou ao DN que a adesão a este protesto serve para “salvaguardar” todos os médicos que queiram manifestar a sua “insatisfação” com o que se está a passar no Serviço Nacional de Saúde (SNS), acrescentando que a FNAM avança para esta decisão perante o que foi hoje demonstrado pelo lado da tutela: “Falta de diálogo e desrespeito pelos profissionais e pelos utentes do SNS. Por isso mesmo, vamos juntar-nos a esta greve em too o território nacional e ilhas no dia 24 de Outubro”.
Uma greve que considera ser, mais uma vez, “um grito de alerta” para o que “Ama Paula Martins e o governo de Luís Montenegro estão a fazer ao SNS”, sublinhando ainda “fazemos isto em nome de todas as grávidas que tiveram os seus bebés nas ambulâncias ou no chão da rua e por todos os cidadãos que merecem um SNS público digno. Vamos continuar a lutar por isto”.
O anúncio surge nesta quinta-feira, dia 16, quando a ministra da Saúde tinha agendado para a parte da manhã várias reuniões com os sindicatos representativos de profissionais do SNS, nomeadamente dos médicos e dos enfermeiros, para dar a conhecer três decretos de lei que envolvem mexidas em matérias laborais.
Tal como o DN já tinha noticiado esta semana, a ministra levou para cima da mesa os projectos de Decreto-Lei referentes às novas regras de contratação de profissionais tarefeiros, com o objectivo de reduzir o uso deste tipo de profissionais, à criação de urgências regionais no país, bem como o da criação dos chamados Centros de Elevado Desempenho, uma espécie de Centros de Responsabilidade Integrada nos hospitais, mas só para área da Ginecologia-Obstetrícia. Segundo apurou o DN, legislação que envolve mexidas em matérias laborais que exigem, pelo menos, que os sindicatos sejam informados sobre o seu conteúdo.
No final da reunião e do anúncio de mais um protesto, a presidente da FNAM, Joana Bordalo e Sá, dizia ao DN que esta “foi o total desrespeito pelos médicos”, confirmando que “foram apresentados três diplomas que entendemos que consideramos serem profundamente prejudicial para a população e para o futuro do SNS, sobretudo no que toca à concentração de recursos em urgências regionais”.
Segundo a dirigente sindical, “o que estão a prever é concentrar serviços de urgência a nível regional na área da Ginecologia-Obstetrícia, o que, na prática, vai continuar a deixar as grávidas e os seus bebés sem cuidados de proximidade”. Portanto, “na margem sul, onde temos um milhão de habitantes, e seguramente noutras zonas do país, as grávidas e as suas famílias vão continuar a ter de fazer dezenas e dezenas de quilómetros para terem os seus filhos”.
Joana Bordalo e Sá, que referiu ao DN que as matérias foram referidas sem lhes ter sido dada qualquer documentação para analisar, volta a alertar para o facto de “uma urgência regional não ser a mesma coisa que uma urgência metropolitana. No Porto, os hospitais estão a poucos quilómetros dos outros e este modelo nem sequer existe na área da obstetrícia, porque é uma área extremamente sensível e que tem que estar próxima da população”.
Quanto ao projecto que prevê a alteração das regras na contratação de prestadores de serviços (tarefeiros), a presidente da FNAM destaca: “Desconhecemos o documento, a única informação que dada é muito pouco clara, mas percebeu-se que, acima de tudo, continua uma porta aberta à prestação de serviço indiferenciada, de médicos que não têm especialidade. Mas, acima de tudo, o que se percebeu é que neste projecto não há qualquer medida que tente reduzir a necessidade da prestação de serviços, embora o objectivo devesse ser esse”.
Sobre os Centros de Elevado Desempenho na área da Ginecologia-Obstetrícia, Joana Bordalo e Sá diz que a informação dispensada “ainda é mais confusa e pedimos a documentação para analisar. Basicamente são centros na lógica da produtividade industrial que já sabemos não serem atractivos para médicos e que não vão responder às necessidades da população”.
A presidente da FNAM afirma ao DN que o agendamento desta reunião “não foi para negociar mas para consumar o que já está decidido pelo Governo”.
O DN soube junto de fonte da tutela que a ministra quer levar tais diplomas “o mais rápido possível a Conselho de Ministros, provavelmente até ao final do mês”, embora “devam existir mais reuniões com sindicatos”. A FNAM confirmou ter ficado uma marcada uma nova reunião, não presencial, mas digital, para a próxima semana.
O DN tentou ainda obter uma reacção do Sindicato Independente dos Médicos à reunião com a ministra Ana Paula Martins, mas ainda não foi possível.
Segundo um estudo de investigadores nacionais e estrangeiros, cerca de um milhão de chamadas para a Linha SNS 24 poderão ficar sem serem atendidas no inverno, devido à falta de meios.
Ministra da Saúde, Ana Paula Martins
A ministra da Saúde reconheceu esta sexta-feira, 10 de Outubro, constrangimentos na Linha SNS 24 e revelou que já foi pedido aos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) e à Altice um reforço do serviço durante o inverno.
“Aquilo que pedimos aos SPMS e à Altice, que é a nossa operadora da Linha SNS 24, foi que para o inverno fosse reforçada pelo menos em 27 unidades locais de saúde, porque temos noção dos constrangimentos”, disse Ana Paula Martins em declarações à margem de um evento sobre saúde mental no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
Segundo um estudo de investigadores nacionais e estrangeiros, cerca de um milhão de chamadas para a Linha SNS 24, usada para filtrar as idas às urgências, poderão ficar sem serem atendidas no inverno, devido à falta de meios.
As projecções para o início do próximo ano antecipam até 900 mil tentativas de chamadas mensais, deixando potencialmente quase 300 mil sem atendimento telefónico num único mês.
“O que gostaríamos era, ainda este ano, podermos alargar às 12 ULS onde ainda não temos este processo a funcionar, mas isso não está garantindo neste momento”, afirmou.
A ministra de Saúde espera que o plano de reforço nas 27 ULS aconteça neste inverno e admitiu inclusivamente o recurso à inteligência artificial. “Há de facto uma necessidade de reforços humanos, é verdade, mas também há necessidade de colocar inteligência artificial no sistema, há necessidade de utilizar também outras tecnologias que ajudem a que o atendimento seja mais rápido, porque quando ligamos para uma linha a pedir ajuda é importante que não nos levem muito tempo a atender, o encaminhamento seja feito de forma adequada e depois o accionamento seja feito de forma adequada, seja qual for a resposta”, revelou.
De acordo com o Expresso, 3.00 profissionais trabalham actualmente na Linha SNS 24, que respondeu a 4,3 milhões de chamadas telefónicas entre Janeiro e Setembro deste ano. O secretário de Estado da Gestão da Saúde, Francisco Rocha Gonçalves, garantiu em Setembro que a Linha SNS 24 (estava preparada para responder no inverno e disse que o operador ia “adaptar a tecnologia” e “vai fazê-lo com a Inteligência Artificial”.