371: ERC já recebeu 4200 queixas por declarações de Cristina Ferreira

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🇵🇹 PORTUGAL // SOCIAL // ERC // QUEIXAS

As participações encontram-se em apreciação pelos serviços da ERC, no seguimento do procedimento de averiguações determinado pelo Conselho Regulador.

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) recebeu até segunda-feira, 20 de Abril, 4.200 participações sobre as declarações de Cristina Ferreira relativas à violação de uma menor, mais 900 que quinta-feira.

Contactada pela Lusa, fonte oficial da ERC adiantou esta terça-feira, 21, que “o total de participações actualizado ao dia de ontem [segunda-feira] ronda já as 4.200”.

Em 16 de Abril, a ERC tinha recebido 3.300 participações relativas às declarações de Cristina Ferreira no programa ‘Dois às 10’, da TVI.

As participações encontram-se em apreciação pelos serviços da ERC, no seguimento do procedimento de averiguações determinado pelo Conselho Regulador, adiantou, na semana passada, a mesma fonte.

Em causa estão as declarações de Cristina Ferreira na semana passada, no programa ‘Dois às 10’, sobre o caso dos quatro ‘influencers’ acusados de, em 2025, terem violado uma adolescente de 16 anos e filmado os actos sexuais, em Loures, que começaram a ser julgados à porta fechada na segunda-feira, 13 de Abril.

“Porque nós temos de falar disto. Porque é assim: mesmo que ela tenha dito para parar, quando são quatro que estão naquela adrenalina de estar a fazer sexo com uma rapariga, alguém ouve? Claro que tem de ouvir, mas alguém entende aquele: ”Não quero mais'”, questionou a apresentadora no programa da TVI, o que gerou polémica e as queixas à ERC.

Na sequência disso, na quarta-feira, a TVI emitiu um comunicado em que rejeita as acusações de banalização de um caso de violação discutido no programa, afirmando que a pergunta colocada por Cristina Ferreira foi descontextualizada e alvo de “manipulação grosseira”.

“A pergunta aconteceu, o comentário não e muito menos a expressão da banalização do crime”, referiu a TVI, que criticou ainda a propagação de acusações nas redes sociais, que considera serem feitas de forma “gratuita e leviana”, indicando que irá recorrer aos tribunais para repor a justiça.

A Lusa contactou na semana passada a empresa e questionou quem escreveu o comunicado. Questionou também se o director-geral da TVI, José Eduardo Moniz, e o presidente executivo (CEO) da Media Capital, Pedro Morais Leitão, consideram que aquela comunicação da TVI espelha a posição do grupo. Fonte oficial respondeu que “o comunicado é da TVI”.

De acordo com a acusação do Ministério Público, os arguidos no caso referido têm actualmente entre 18 e 21 anos e respondem por um crime de violação agravado e 27 crimes de pornografia de menores agravados.

Um dos ‘influencers’ está ainda acusado de três crimes de ofensa à integridade física e outro de um da mesma natureza.

O caso remonta a 12 de Fevereiro de 2025, quando a vítima se encontrou com os quatro arguidos, então com canais nas redes sociais e públicos significativos, num jardim público em Santo António dos Cavaleiros, concelho de Loures, na área metropolitana de Lisboa.

Segundo a acusação, os actos sexuais, gravados com o telemóvel, terão começado de forma consensual no jardim público e continuado, contra a vontade da vítima, numa garagem próxima.

DN/Lusa

Diário de Notícias
21.04.2026

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365: Ordem dos Psicólogos reforça repúdio a abusos após polémica com TVI

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🇵🇹 PORTUGAL // ORDEM DOS PSICÓLOGOS // TVI

A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) frisou, no sábado, que “a sociedade como um todo tem de ser totalmente clara no repúdio ao abuso sexual e na educação para a responsabilidade, o consentimento e a empatia”, tendo recordado já ter vários recursos com “recomendações específicas para a relação dos psicólogos com os meios de comunicação”, no rescaldo da polémica com a TVI.

A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) respondeu, no sábado, à carta aberta “A violação não é matéria de opinião”, tendo não só recordado que já disponibilizou “recomendações específicas para a relação dos psicólogos com os meios de comunicação”, mas também que “a sociedade como um todo tem de ser totalmente clara no repúdio ao abuso sexual e na educação para a responsabilidade, o consentimento e a empatia”.

Assinado por mais de 100 personalidades, o documento divulgado na sexta-feira surgiu após as declarações da apresentadora da TVI Cristina Ferreira e da psicóloga Inês Balinha Carlos, no programa Dois às 10 do dia 14 de Abril, no qual foi abordado o início do julgamento do caso de uma jovem de 16 anos que terá sido violada por quatro influencers.

“Porque nós temos de falar disto. Porque é assim: mesmo que ela tenha dito para parar, quando são quatro que estão naquela adrenalina de estar a fazer sexo com uma rapariga, alguém ouve? Claro que tem de ouvir, mas alguém entende aquele: ‘Não quero mais'”, questionou Cristina Ferreira, o que deu azo a duras críticas e motivou mais de três mil queixas à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), uma das quais assinada pelos pais da vítima.

Os signatários da carta manifestaram, assim, “o mais absoluto repúdio pelo teor e pelo tom do debate“, argumentando que “tertúlias televisivas sobre criminalidade tendem a trivializar os casos de violência, dissecando histórias de vida como se personagens de novela se tratassem, sem reflectirem nos impactos que as palavras ditas na TV têm nas pessoas que sofreram a violência comentada”.

Apelaram, por isso, a que a OPP emitisse “directrizes claras sobre esta matéria” e reforçasse “a necessidade de especialização para todas/os as/os profissionais que atendem e acompanham vítimas de violência sexual“, já que “a não especialização compromete as vítimas-sobreviventes”.

Há recomendações desde Agosto de 2022

Na resposta divulgada no sábado, o organismo frisou que “um ato sexual não consentido é abuso sexual” e que “obrigar alguém a assistir a actividades de cariz sexual sem o seu consentimento também é abuso sexual”. Aclarou, de igual modo, que “valoriza e acolhe iniciativas que promovam uma melhor informação e literacia em temas da Psicologia, como a carta aberta ‘A violação não é matéria de opinião’”, mas ressalvou que, em Agosto de 2022, “foram disponibilizadas recomendações específicas para a relação dos psicólogos com os meios de comunicação“.

Entre elas, a Ordem concedeu destaque à consideração pelos “princípios da competência específica, privacidade e confidencialidade, respeito pela dignidade da pessoa, integridade, beneficência e não maleficência”, apontando que, “quando fazem declarações públicas, os psicólogos devem observar o princípio do rigor e da independência, abstendo-se de fazer declarações falsas ou sem fundamentação científica”.

“Devem relatar os factos de forma criteriosa com base em fundamentação científica adequada, utilizando o direito de rectificação, sem suprimir as posições críticas e permitindo a existência do contraditório”, complementou, aconselhando a que estes profissionais limitem “as suas declarações públicas apenas a temas para os quais têm conhecimento ou experiência relevantes“.

A par disto, a entidade sublinhou que “os psicólogos reconhecem o impacto das suas declarações junto do público, em função da credibilidade da ciência que representam”, o que “aumenta a sua responsabilidade em relação às suas afirmações, uma vez que representam uma classe profissional”.

Nessa linha, a OPP lembrou que o código deontológico deixa claro que “os psicólogos têm como obrigação exercer a sua actividade de acordo com os pressupostos técnicos e científicos da profissão, a partir de uma formação pessoal adequada e de uma constante actualização profissional”, sob pena de acrescer “a possibilidade de prejudicar o cliente e de contribuir para o descrédito da profissão“.

“A sociedade como um todo tem de ser totalmente clara no repúdio ao abuso sexual”

Na mesma nota, a bastonária da instituição, Sofia Ramalho, vincou que, “em qualquer caso de violência sexual, sobretudo quando está envolvido uma menor, há o dever de rigor, de protecção, de linguagem correta e científica e de responsabilidade pública e colectiva”, defendendo “o papel dos media e dos profissionais de saúde mental [enquanto] parte da resposta social à violência contra mulheres e raparigas, e não amplificar as polémicas“.

“Temos espaço para uma melhoria concreta e uma correcção estrutural. O país precisa de discutir consentimento, responsabilidade, prevenção e protecção. É necessário um plano nacional de combate ao abuso sexual, incluindo o abuso sexual infantil, que integre educação sexual nas escolas, por profissionais devidamente qualificados e com competência específica, educação para os media, literacia em saúde e literacia mediática.

Precisamos também de protocolos de actuação integrados para escolas, serviços de saúde e comunitários, bem como para estruturas judiciais e media. […] A sociedade como um todo tem de ser totalmente clara no repúdio ao abuso sexual e na educação para a responsabilidade, o consentimento e a empatia“, acrescentou.

A OPP recordou ainda ter um guia para os meios de comunicação sobre a abordagem de temas sensíveis, incluindo a violência sexual, além de disponibilizar e promover recursos de literacia com orientações para a prática dos profissionais e destinados à população, como é o caso do documento “Vamos Falar Sobre Abuso Sexual“, de Julho de 2023.

Oferece, além disso, formação contínua especializada na área da violência sexual e na área da violência doméstica, colaborando também com “a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género no desenvolvimento de programas e acções inter-sectoriais articuladas, e na formação especializada de psicólogos no âmbito das respostas de apoio psicológico”, no que diz respeito à violência interpessoal.

Notícias ao Minuto
Cristina Ferreira
19.04.2026

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