Sete distritos do continente vão estar sob aviso amarelo na quinta-feira devido à previsão de tempo quente, informou esta terça-feira o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Os distritos de Évora, Setúbal, Santarém, Lisboa, Leiria, Beja e Portalegre vão estar sob aviso amarelo entre as 09:00 e as 21:00 de quinta-feira devido à “persistência de valores elevados da temperatura máxima”.
O IPMA tinha emitido anteriormente o mesmo nível para os distritos de Lisboa e Leiria por causa do vento forte de norte/noroeste, com rajadas até 80 quilómetros por hora.
De acordo com o instituto, o aviso de vento vai estar em vigor entre as 12:00 e as 21:00 desta terça-feira.
O aviso amarelo, o menos grave de uma escala de três, é emitido sempre que existe uma situação de risco para determinadas actividades dependentes da situação meteorológica.
Metro de Lisboa vai estar encerrado já a partir de terça-feira e só reabre na quinta-feira, por causa da greve geral, anunciou a transportadora. Todas as estações vão estar fechadas.
O Metro de Lisboa alertou, esta segunda-feira, que o serviço vai estar encerrado já a partir de terça-feira e só reabre na quinta-feira, por causa da greve geral, anunciou a transportadora. Todas as estações vão estar fechadas.
“O Metro de Lisboa informa que, por motivo de greve convocada pelos sindicatos representativos dos trabalhadores da Empresa, para o dia 3 de Junho (4ª feira), se prevê a paralisação do seu serviço de transporte e o encerramento das estações“, pode ler-se num comunicado publicado no site da transportadora.
A empresa alerta ainda que a “partir das 23h do dia 2 de Junho (3.ªf) o Metro encerra o serviço de exploração, sendo retomado às 06h30 do dia 4 de Junho (5.ªf)“.
Na mesma nota, o “Metro de Lisboa agradece a compreensão e lamenta eventuais inconvenientes que esta paralisação possa causar”.
A próxima quarta-feira deverá ser marcada por dificuldades nos transportes públicos, tendo em conta a adesão prevista para a greve.
O Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI), que representa os trabalhadores com funções comerciais (itinerantes e fixos) da CP, anunciou a sua adesão.
Também os maquinistas, representados pelo SMAQ — Sindicato Nacional dos Maquinistas dos Caminhos de Ferro Portugueses, apresentaram um pré-aviso de greve, aderindo à greve geral “convocada no âmbito da contestação ao pacote laboral actualmente em discussão”, segundo um comunicado.
Paralelamente, as empresas de transportes urbanos de passageiros, de norte a sul do país, estão mobilizadas para a greve, disse à Lusa fonte da Fectrans.
De acordo com José Manuel Oliveira, da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans), “todas as empresas de transportes” estão mobilizadas, tendo já sido entregue o pré-aviso de greve por parte dos sindicatos.
Foi ainda revelado que os trabalhadores da Carris e da Carristur decidiram aderir à greve geral.
Os associados do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) também aprovaram a adesão à greve geral e o Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroporto (Sitava) vai aderir ao protesto, apontando dois objectivos: “rejeitar o pacote laboral de assalto aos direitos e de afronta à Constituição da República Portuguesa” e “combater a política de retrocesso e exigir outro rumo para o País”.
Já o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) não vai aderir.
De recordar que a CGTP-IN entregou um pré-aviso de greve geral para 3 de Junho contra as alterações à lei laboral, após as negociações com o Governo terem terminado sem acordo.
O Governo aprovou em Conselho de Ministros, a proposta de lei de revisão da lei laboral, que será discutida no Parlamento. O anúncio foi transmitido pela ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Rosário Palma Ramalho, em conferência de imprensa, uma semana depois de o Governo ter dado por terminadas as negociações sobre as alterações à legislação laboral sem acordo na Concertação Social.
Espera-se para esta terça-feira (26 de Maio) uma subida da temperatura, “que pode chegar aos 38/39 graus em zonas do Alentejo, Vale do Tejo e interior”, explica meteorologista do IPMA.
Foto: Reinaldo Rodrigues
O tempo quente vai manter-se em Portugal continental com as temperaturas máximas a poderem chegar esta terça-feira, 26 de maio, aos 38/39 graus Celsius, estando praticamente todo o território em onda de calor, disse à Lusa a meteorologista Alexandra Fonseca.
“Para hoje, estamos à espera de uma subida da temperatura, em especial da máxima, que pode chegar aos 38/39 graus em zonas do Alentejo, Vale do Tejo e interior”, disse, adiantando que no litoral oeste as subidas serão de 6 a 7 graus e no restante território 1 a 2 graus face às registadas na segunda-feira.
Quanto às temperaturas mínimas, são esperadas noites tropicais, acima de 20 graus sobretudo no interior do país, Alentejo e Algarve.
De acordo com a meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), segunda-feira foi o sexto dia com temperaturas acima da média a contar para onda de calor.
“Já estamos em onda de calor em praticamente todo o território. Não é uma situação muito normal [para esta altura do ano], mas não é inédito”, indicou.
Alexandra Fonseca adiantou também que a partir de hoje estão previstas poeiras em suspensão na atmosfera, mas não tão intensas como o episódio da semana passada.
“Devido a esta subida da temperatura e tempo quente, foram emitidos avisos amarelos que irão iniciar hoje, às 09:00, nos distritos de Leiria, Lisboa, Santarém, Setúbal Portalegre Évora e Beja. O restante território também irá ficar sob aviso de tempo quente a começar amanhã dia 27 [quarta-feira] à excepção de Faro. Este aviso prolonga-se até dia 28 [quinta-feira] com estas temperaturas elevadas”, indicou.
No entanto, está previsto para quarta-feira nova situação de aguaceiros acompanhados de trovoada e granizo durante a tarde no interior norte e centro.
“Para já os modelos mostram uma tendência de descida para quinta e sexta-feira. Não sabemos muito bem de quantos graus, mas vamos continuar a ter temperaturas elevadas de 30 a 35 graus”, referiu.
Onda de calor atinge a Europa, com temperaturas recorde para maio. França associa sete mortes às altas temperaturas
O IPMA prevê para os próximos dias para várias regiões do país perigo de incêndio muito elevado e elevado.
Uma onda de calor está a atingir a Europa, com temperaturas recorde para maio e alertas das autoridades em países como Espanha, França, Irlanda, Reino Unido, Áustria e República Checa, além de Portugal.
As altas temperaturas registadas em grande parte da Europa, acima do normal para maio, obrigaram as autoridades de vários países a emitir alertas de calor e a tomar precauções extremas para evitar incêndios florestais.
Nesta terça-feira, o governo francês contabilizou sete mortos, cinco delas por afogamento, relacionando os óbitos à onda de calor que atinge a França, disse a porta-voz do governo, Maud Bregeon.
O porta-voz da Agência Estatal de Meteorologia (AEMET), Rubén del Campo, anunciou na segunda-feira uma subida das temperaturas a partir de quarta-feira em grande parte da Península Ibérica com os termómetros atingir cerca de 40ºC e “noites tropicais”.
Dos 37 meios aéreos previstos para o nível Bravo, há dois helicópteros do Estado em manutenção.
Meios aéreos em acção em Murça. Foto: Reinaldo Rodrigues
O Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) não tem actualmente disponíveis todos os meios aéreos previstos, faltando dois helicópteros, avançou esta quinta-feira, 21 de Maio, à Lusa a Força Aérea Portuguesa (FAP).
No âmbito do DECIR, os meios de combate a incêndios florestais foram reforçados na passada sexta-feira, no que é denominado “nível Bravo”, estando previsto até 31 de Maio 37 meios aéreos.
Numa reposta enviada à Lusa, a FAP, responsável pela contratação e operação dos meios aéreos de combate aos incêndios, refere que, “dos 37 meios aéreos previstos para o nível Bravo, há dois helicópteros do Estado em manutenção”.
A Força Aérea prevê que um helicóptero fique disponível a 30 de Maio e o outro a 15 de Junho.
O DECIR estabelece um novo reforço de meios a 1 de Junho, altura em que deviam ficar disponíveis 78 aeronaves, 74 contratados e mais quatro da Força Aérea.
A FAP estima que “existam 77 meios aéreos disponíveis até 15 de Junho, altura em que se prevê que o helicóptero do Estado termine os trabalhos de manutenção e fique disponível, totalizando 78”.
No ano passado também existiram constrangimentos com os meios aéreos, tendo algumas aeronaves ficado indisponíveis devido a avarias.
O DECIR conta também com três helicópteros da AFOCELCA (empresa privada de protecção florestal vocacionada para o combate a incêndios rurais), além dois helicópteros Black Hawk da Força Aérea estarem este ano pela primeira vez ao serviço do combate aos fogos rurais.
Até ao final do mês vão estar disponíveis no combate aos fogos 11.955 operacionais que integram 2.031 equipas dos vários agentes presentes no terreno e 2.599 veículos.
Os meios de combate a incêndios voltarão a ser reforçados a 01 de Junho, mas é entre Julho e Setembro, considerada a fase mais crítica, o período que mobiliza o maior dispositivo, estando este ano ao dispor 15.149 operacionais de 2.596 equipas e 3.463 viaturas, um ligeiro aumento em relação a 2025.
Dados provisórios do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) indicam que este ano já deflagraram 2.379 ocorrências de incêndio rural que provocaram quase 10 mil hectares de área ardida, 76% dos quais em matos, 21% em povoamentos florestais e 3% em terrenos agrícolas.
O IPMA prevê para esta quinta-feira e para os próximos dias temperaturas acima da média para a época do ano.
Arquivo
O Algarve tem esta quinta-feira, 21 de Maio, concelhos em perigo máximo e muito elevado de incêndio, enquanto o nordeste transmontano e Alentejo estão com risco elevado num dia em que são esperadas temperaturas que podem chegar aos 37 ou 38 graus.
O IPMA prevê para esta quinta-feira e para os próximos dias temperaturas acima da média para a época do ano devido à influência de um anticiclone localizado na Europa Central.
Segundo informação disponível no ‘site’ do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), os concelhos de Loulé, São Brás de Alportel e Tavira estão em perigo máximo de incêndio e outros 10 concelhos do distrito de Faro a muito elevado e elevado.
Vários concelhos dos distritos de Évora, Beja, Setúbal, Portalegre, Santarém, Coimbra, Viseu e Bragança apresentam perigo elevado de incêndio rural.
Segundo o instituto, o perigo de incêndio rural vai manter-se elevado na sexta-feira devido à previsão de tempo quente.
Este perigo, determinado pelo IPMA, tem cinco níveis, que vão de reduzido a máximo. Os cálculos são obtidos a partir da temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação nas últimas 24 horas.
Em comunicado, o Instituto indica que para esta quinta-feira está prevista uma nova subida da temperatura, com as máximas a variarem entre os 30 e os 35 graus Celsius na grande maioria do território do continente, com excepção de alguns locais da faixa costeira ocidental, podendo atingir 37 e 38 graus no Alentejo, Vale do Tejo e alguns vales dos rios na parte mais interior das regiões Norte e Centro.
Também a temperatura mínima irá subir, prevendo-se que em alguns locais do Alentejo e do Algarve, sejam registados valores próximos de 20 graus, ou seja, noites tropicais.
A partir da manhã desta quinta-feira estão previstas poeiras em suspensão, mantendo-se nos dias seguintes, embora diminuindo gradualmente a sua concentração.
A previsão de tempo quente levou a Direcção-Geral da Saúde a recomendar medidas preventivas, como a ingestão regular de água, evitando a exposição directa ao sol, principalmente entre as 11:00 e as 17:00, usar protector solar com factor igual ou superior a 30 e não ingerir bebidas alcoólicas.
Portugal continental e o arquipélago da Madeira estão com risco elevado de exposição à radiação ultravioleta (UV).
De acordo com o IPMA, a “temperatura manter-se-á elevada nos dias seguintes, contribuindo para uma possível onda de calor em algumas regiões, embora esteja prevista uma pequena descida no domingo, dia 24, devido a uma depressão isolada em altitude, cuja posição apresenta ainda elevada incerteza”.
Devido à referida depressão, não é de descartar que possam ocorrer aguaceiros e trovoada nas regiões Norte e Centro, particularmente nas regiões montanhosas, durante o fim de semana.
As temperaturas devem registar valores mais elevados no Vale do Tejo e no interior do Alentejo, onde podem chegar aos 35 graus. Estão também previstas poeiras do Norte de África.
D. R.
As temperaturas máximas vão subir na quarta-feira até nove graus Celsius, ultrapassando os 30 graus em algumas regiões do país, e estão também previstas poeiras do Norte de África, disse à Lusa a meteorologista Maria João Frada.
Segundo a meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), para esta segunda (18 de maio) e terça-feira ainda se prevê nebulosidade nas regiões do Norte e Centro, e há a possibilidade de períodos de chuva fraca ou chuvisco, temporariamente moderado no Minho e mais prováveis no litoral.
De acordo com Maria João Frada, na terça-feira já se aguarda uma pequena subida da máxima nas regiões do Norte e Centro e na quarta-feira essa subida será acentuada.
“No dia 20 [quarta-feira] começamos a ter a influência de um anticiclone que ficará localizado sobre França e estende a sua influência em direcção ao arquipélago da Madeira, juntamente com um vale invertido que se estende desde o norte de África à Península Ibérica que começa a transportar massas de ar tropicais que nesta altura do ano fazem com que as temperaturas subam significativamente”, explicou.
Assim, segundo Maria João Frada, na quarta-feira as temperaturas vão registar subidas da ordem dos 6 a 8/9 graus Celsius, com excepção de alguns locais da faixa costeira a norte do Cabo Raso, onde serão menos significativas.
“Vamos chegar a dia 20/21 com temperaturas na generalidade do território a variar entre os 26 e os 30 graus, com valores mais elevados no Vale do Tejo e no interior do Alentejo onde podem chegar aos 32 e 34/35 graus. Na faixa costeira ocidental, principalmente a norte do Cabo Raso, vão variar entre os 20 e os 25 graus”, disse.
Na quinta-feira, as temperaturas máximas voltam a subir 2/3 graus em alguns locais do continente.
“Teremos então na quarta e quinta-feira dias de céu pouco nublado ou limpo. No entanto, é previsível e provável que possam vir, principalmente na quarta-feira, algumas poeiras do Norte de África, que poderão ficar até pelo menos dia 22 [sexta-feira]”, adiantou.
De acordo com a meteorologista do IPMA, a partir de quinta-feira a previsão é um pouco instável.
“Os modelos ao longo do tempo não têm dado uma situação estável ou de confiança, podendo no sábado haver uma descida das máximas no litoral e na região sul, mas ainda a confirmar”, disse.
Maria João Frada referiu ainda que os valores da temperatura a registar na quarta e quinta-feira começam a contribuir para onda de calor.
“No entanto, se houver uma descida de temperatura no dia 23 [no sábado] deve quebrar e não haver onda de calor, mas o cenário em algumas estações do IPMA é para um período prolongado especialmente no interior”, disse.
As regiões de Pedrogão Grande e de Leiria, o pinhal interior, Algarve e Norte são zonas com potencial de risco de incêndio, segundo adianta o comandante nacional da Protecção Civil. Este ano, o dispositivo terá um maior número de aeronaves a utilizar retardante de fogo.
Mário Silvestre, comandante nacional da Protecção Civil ANTÓNIO COTRIM/LUSA
O comandante nacional da Protecção Civil alertou para “o potencial risco de incêndio” em algumas regiões do país, como na zona de Pedrogão Grande, onde existe a possibilidade de se enfrentar novamente grandes fogos.
“Basta percorrer o IC8 [itinerário que liga Pombal a Vila Velha de Ródão e atravessa Pedrogão Grande] para percebermos que estamos novamente naquela zona toda com potencial muito grande de ter novamente grandes incêndios”, disse Mário Silvestre em entrevista à agência Lusa divulgada esta quinta-feira, 14 de Maio.
O comandante nacional de emergência e protecção civil explicou que as áreas que são percorridas por incêndios “tendencialmente regeneram ainda com mais intensidade”, o que faz com que o fogo seja “bastante superior da próxima vez que exista um incêndio”.
Segundo o responsável, o ciclo do fogo tem entre oito a 10 anos e “está perfeitamente estudado”.
“De oito em oito anos ou de 10 em 10 anos volta a repetir-se, porque a floresta e a natureza trata de se regenerar e de crescer novamente. Cresce ainda com mais intensidade em alguns sítios. Se não tivermos uma intervenção humana que faça a gestão desse território, o potencial de termos grandes incêndios aumenta significativamente, até porque as alterações climáticas e a tal severidade meteorológica é bastante visível”, frisou.
Questionado sobre o que falhou na prevenção desde 2017, respondeu: “Não cabe a mim julgar se a prevenção funcionou ou não. A mim cabe-me olhar para o território e tentar perceber e antecipar as zonas de maior potencial de incêndio e aquela zona [IC8], neste momento, é uma zona potencial de incêndio bastante significativa”.
Nesse sentido, indicou que a Protecção Civil para aquela zona vai ter “um cuidado bastante significativo” no reforço de meios devido ao risco existente.
O comandante nacional ressalvou que em todo o país “há imensas zonas com potencial de risco de incêndio”, mas as mais críticas são o pinhal interior (concelhos dos distritos de Leiria, Castelo Branco e Coimbra), que “é sempre extremamente complexa e com um risco muito significativo”, Algarve e Norte.
Salientando que Portugal “estará sempre sujeito a um risco muito elevado de incêndios rurais”, Mário Silvestre adiantou que este ano também existe a preocupação acrescida na região de Leiria afectada pela depressão Kristin e que deixou milhares de árvores caídas no chão.
“Estamos a criar um conjunto de planos para implementar nessa região mais afectada”, disse, indicando que a prioridade actual é desobstruir caminhos florestais para os carros dos bombeiros se movimentarem durante os incêndios.
“Olhamos para o território como um todo, estamos com uma particular atenção a esse território, exactamente por causa do impacto que tivemos pela Kristin e depois por todos os outros fenómenos. Na realidade, aumentou ainda mais o problema”, precisou.
Mário Silvestre manifestou-se preocupado, mas assegurou que a Protecção Civil está “a fazer tudo aquilo que está ao seu alcance” para garantir que o impacto dos incêndios seja mitigado, considerando que o comportamento humano nos espaços florestais é “um factor decisivo”, bem como a limpeza e a protecção dos aglomerados urbanos e das casas que ficam nesses espaços.
“O dispositivo de combate terá muito mais facilidade em desenvolver as suas acções de supressão se os aglomerados urbanos estiverem devidamente protegidos, se as pessoas forem no fundo mentoras da sua auto-protecção, será tudo muito mais fácil para todos”, disse.
O comandante sublinhou que Portugal tem conseguido reduzir o número de ignições de incêndio nos últimos anos, sendo este trabalho visível.
“No entanto, nos períodos mais críticos, nos períodos de maior severidade, a redução não é tão significativa quanto isso. E isto alerta-nos para que, quando estamos em dias de calor, a utilização do fogo tem que ser reduzida, eliminada, não o podemos usar. E os comportamentos não podem gerar ignições”, concluiu.
Mais aeronaves e retardante
Este ano, a Protecção Civil vai introduzir no combate várias medidas para melhorar a capacidade de análise, antecipação e extinção do incêndio, como um maior número de aeronaves a utilizar retardante de fogo.
“Para este ano, o que tentámos fazer foi incorporar não só as aprendizagens de 2025, mas também as de 2024, e garantir que temos maior capacidade de análise, de antecipação e, com base nisso também, criámos um conjunto de novas medidas que aumentam a nossa capacidade de extinção do incêndio, sobretudo na sua fase inicial”, disse o comandante nacional de emergência e protecção civil.
Mário Silvestre avançou que “uma das grandes apostas” é a utilização do retardante (substância química usada para reduzir, atrasar ou impedir a propagação do incêndio e consequentemente auxilia no controlo e extinção do fogo), que já foi usado em 2025 num Centro de Meios Aéreos, passando este ano a estar disponível em cinco.
“Este ano teremos mais quatro centros de meios aéreos a operar com o retardante. Vamos passar para cinco. Aquilo que queremos é tentar que a taxa de sucesso que temos neste momento no ataque inicial aumente ainda mais”, afirmou.
Mário Silvestre frisou que actualmente os incêndios são mais violentos e arrancam a uma maior velocidade de propagação, sendo por isso necessário ter outros meios de extinção para garantir maior sucesso no ataque inicial e “o retardante é sem dúvida uma das grandes tentativas de melhoria contínua que o sistema está a implementar”.
O comandante nacional avançou também que outra melhoria introduzida no sistema passa por uma reformulação dos grupos de combate de ataque ampliado dos corpos de bombeiros que foram reforçados do ponto de vista da sua constituição.
“Fizemos uma análise em conjunto com os comandantes dos corpos de bombeiros e concluímos que havia um conjunto de alterações que deviam ser introduzidas nesse grupo. Estamos a constituir os grupos para se ter outra capacidade e para que os comandantes desses grupos tenham outra capacidade de gestão, mantendo o grupo mais tempo em combate do ponto de vista do incêndio e da supressão”, referiu.
Mário Silvestre realçou que há um conjunto de mudanças no Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) deste ano, que muitas vezes “são cirúrgicas, mas que permitem ter outro tipo de coordenação e capacidade, comando e controlo nos teatros de operações”.
O mesmo responsável deu igualmente conta de que este ano a Protecção Civil vai também “tentar potenciar a capacidade de análise e uso do fogo” ao ter introduzido em cada uma das sub-regiões do país equipas especializadas para analisar os grandes incêndios.
De acordo com comandante nacional, estas equipas de reconhecimento e avaliação da situação vão passar a informação sobre o risco e o tipo de incêndio ao comandante do sector e das operações, permitindo assim “uma maior capacidade de antecipação” e melhorar a comunicação e a coordenação.
Mário Silvestre acrescentou que está ainda a ser feito “treino operacional para garantir que os processos de comunicação são mais céleres e que toda a gente está na mesma página e percebe exactamente quais as conduta e doutrina que têm de adoptar”.
“São um conjunto de circunstâncias e de melhorias que resultam todas elas dos processos de avaliação e da melhoria contínua que temos que implementar no sistema”, disse, afirmando que, após a avaliação feita aos incêndios de 2025 com todos os actores do sistema, a Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANPEC) tentou introduzir no sistema algumas das melhorias identificadas.
Questionado sobre as críticas recorrentes da falta de coordenação e de comunicação durante o combate dos grandes incêndios, Mário Silvestre admitiu que possa existir “pequenas falhas”, mas “são momentâneas e depois são automaticamente corrigidos pelos postos de comando”.
Esclarecendo que “o teatro de operações de um grande incêndio é uma situação complexa e que as solicitações aos diversos agentes “são imensas”, referiu ser “normal que pontualmente haja uma comunicação que não foi percebida e que haja uma comunicação que não chegou”, mas garantiu que “o sistema está coordenado e responde de forma coordenada”.
Dispositivo de combate dimensionado para a realidade do país
O comandante nacional da Protecção Civil considerou ainda que o dispositivo de combate a incêndios rurais está dimensionado para a realidade do país e para aquilo que é expectável acontecer, mas realçou que está dependente da dimensão dos fogos.
“O dispositivo de combate a incêndios no fundo tenta mitigar os impactos que temos no país, mas eu diria que o dispositivo está dimensionado àquilo que é a realidade e que é expectável que aconteça”, disse Mário Silvestre nesta entrevista à Lusa na véspera do Dispositivo Especial de Combate aos Incêndios Rurais (DECIR) reforçar os meios de combate.
O DECIR vai ter este ano um ligeiro aumento de meios, nomeadamente operacionais e aeronaves, em relação a 2025, numa altura em que o Governo já alertou que 2026 pode ser muito difícil em termos de incêndios rurais, especialmente depois da tempestade Kristin que afectou especialmente a região centro no final do mês de Janeiro.
Questionado se perante este cenário os meios previstos no DECIR são os necessários, o comandante nacional de emergência e protecção civil afirmou que o dispositivo “depende do número de ocorrências, da dimensão dos incêndios e do comportamento humano”.
“Dimensionamos o dispositivo para aquilo que será, não para o pior cenário, nós não podemos dimensionar o dispositivo para o pior cenário, mas dimensionamos o dispositivo para aquilo que é expectável de acontecer”, disse.
Mário Silvestre referiu que, se ocorrer um incêndio numa zona onde o risco é potencialmente baixo, não existe problema em deflagrarem grandes incêndios.
“O nosso problema está nas ocorrências que vão e que têm lugar em zonas onde o potencial de incêndio é muito grande. Existem zonas do país onde rapidamente chegamos a valores na casa de 100 mil hectares de potencial a arder”, afirmou.
O comandante disse também que o DECIR não é um documento fechado, podendo sofrer alterações de acordo com as avaliações feitas a cada momento.
Reforço de meios
Os meios de combate a incêndios rurais vão ser reforçados a partir de sexta-feira, passando a estar em permanência no terreno 11.955 operacionais de 2.031 equipas, 2.599 veículos e 37 meios aéreos, além dos três helicópteros da AFOCELCA (empresa privada de protecção florestal vocacionada para o combate a incêndios rurais).
O primeiro reforço de meios acontece a 15 de Maio, no que é denominado ‘nível Bravo’, numa fase que se prolonga até ao dia 31 de Maio, altura em que os meios voltam a aumentar.
A fase mais crítica, entre Julho e Setembro, é aquela que mobiliza o maior dispositivo e vai contar este ano com 15.149 operacionais de 2.596 equipas, 3.463 viaturas e 81 meios aéreos, incluindo os três da AFOCELCA, um ligeiro aumento relação ao ano passado.
Dois helicópteros Black Hawk da Força Aérea vão estar este ano pela primeira vez ao serviço do combate aos fogos rurais.
No ano passado, o DECIR não teve disponíveis os meios aéreos previstos, tendo existido algumas alturas em que não chegaram aos 70 devido a avarias.
“Queremos acreditar que devemos ter sempre o dispositivo todo na sua força máxima. Mas trata-se de máquinas, e as máquinas avariam, e depois têm problemas na substituição de alguns componentes, que às vezes levam mais tempo do que aquilo que está a ser esperado. Portanto é algo que é expectável que aconteça”, disse o comandante nacional sobre a disponibilidade total dos meios aéreos.
Mário Silvestre disse ainda que a Protecção Civil tem a informação que até ao momento “não há qualquer constrangimento no dispositivo” e que “está pronto para arrancar” até atingir a sua capacidade máxima.
“Neste momento não temos nada que nos diga que temos algum constrangimento e, portanto, contamos com as 81 aeronaves”, concluiu.
🇵🇹 PORTUGAL // JUSTIÇA // PSP // ESQUADRA DO RATO-LISBOA
Face a essa falta de prova , sete agentes e um chefe da PSP foram libertados, tendo sido aplicada a medida menos gravosa de termo de identidade e residência.
Alegadas torturas ocorreram na esquadra do Rato, em várias noites distintas. Foto: Reinaldo Rodrigues
A juíza de instrução do caso da esquadra da PSP do Rato, em Lisboa, considerou que os indícios apresentados pelo Ministério Público sobre oito polícias são insuficientes para provar tortura e classificou como bárbaras agressões de seis polícias.
Fonte ligada ao processo revelou à Lusa que a juíza de instrução Maria Fátima Gomes considerou na segunda-feira – a propósito da aplicação das medidas de coação aos 14 polícias detidos por suspeitas de tortura e agressões nas esquadras do Largo do Rato e do Bairro Alto – estar perante uma ausência de prova capaz de sustentar a indiciação avançada pelo Ministério Público.
Face a essa falta de prova relativa a oito polícias – sete agentes e um chefe -, a juíza de instrução determinou que estes arguidos fossem libertados, tendo sido aplicada a medida menos gravosa de termo de identidade e residência.
Ainda sobre estes oito polícias e de acordo com a mesma fonte, a juíza de instrução indicou que as declarações dos arguidos e das vítimas não coincidem, além de que o depoimento de uma das testemunhas ao Ministério Público terá algumas contradições.
Dos 14 polícias detidos que ouviram na segunda-feira as medidas de coação, quatro ficaram em prisão preventiva, que poderá passar a domiciliária caso estejam reunidas todas as condições, e dois foram suspensos de funções e proibidos de contactar com as vítimas.
Em relação a estes seis polícias, a juíza de instrução considerou existirem indícios suficientes para suspeitas dos crimes de tortura e de abuso de poder, nomeadamente através do reconhecimento pelas vítimas e da existência de vídeos e fotos, acrescentou ainda fonte ligada ao processo.
A juíza de instrução classificou na segunda-feira as agressões destes polícias como bárbaras e de excepcional gravidade, ainda que os mesmos as tenham negado, e considerou que estes seis polícias tiveram como objectivo humilhar, intimidar e castigar as vítimas.
Na aplicação das medidas de coação, a juíza entendeu que existe um receio de repetição das agressões, dada a personalidade dos arguidos, que considerou ser caracterizada por um desprezo e desrespeito pelas vítimas.
No total, foram detidos 15 polícias e um civil, segurança de um espaço nocturno, tendo um dos polícias sido libertado logo depois da detenção, que aconteceu na terça-feira, e o civil libertado na quinta-feira, depois de o tribunal de instrução ter aceitado o pedido de ‘habeas corpus’ por detenção ilegal.
Com a detenção de 15 polícias – 13 agentes e dois chefes -, aumenta para 24 o número de elementos da Polícia de Segurança Pública envolvidos no processo de alegadas torturas e violações nas esquadras do Largo do Rato e do Bairro Alto, numa investigação denunciada pela PSP.
Muitos desses abusos foram filmados e partilhados em grupos de WhatsApp com dezenas de outros agentes.
As primeiras duas detenções ocorreram em Julho de 2025 e outras sete em Março de 2026, estando os nove polícias em prisão preventiva.
PSP identificou agente que terá avisado os colegas. Dos 14 polícias detidos nesta fase da investigação a casos de tortura e violações na esquadra do Rato quatro ficaram em prisão preventiva.
FOTO: ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA
O agente da Polícia de Segurança Pública (PSP) que avisou um colega de que estava sob investigação e perto de ser alvo de buscas já foi “devidamente identificado”. E, de acordo com a informação enviada ao DN, “foi determinada a instauração de um processo disciplinar e a transferência do seu local de trabalho pelo Comandante do Comando Metropolitano de Lisboa”.
Na resposta às questões do DN, fonte oficial da Direcção Nacional da PSP adiantou que “seguir-se-ão diligências em termos processuais penais e disciplinares para apuramento dos factos imputados ao suspeito”.
Os indícios de que terá existido essa informação passada a um dos elementos policiais que estavam a ser investigados, após uma denúncia da PSP, surgiu no sábado tendo a CNN/TVI divulgado que na posse desta informação os suspeitos poderiam ter obtido “desde logo o aconselhamento de advogados sobre comportamentos a adoptar nesse momento; conhecerem previamente alguns dos locais que iriam ser alvo de buscas; e até houve quem metesse baixa médica antes do dia de operação”.
Terão tido, assim, tempo para destruir eventuais provas, como fotos ou vídeos nos telemóveis, ficando, também afectado o “efeito surpresa” das buscas e detenções.
Quatro polícias em prisão preventiva
Nesta segunda-feira (11 de maio) quatro dos 14 polícias detidos no âmbito dos casos de tortura e violações na esquadra da PSP do Rato, em Lisboa, ficaram em prisão preventiva, medida que poderá passar a domiciliária.
De acordo com a informação dada aos jornalistas pelo Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa, a juíza de instrução aplicou a medida de coação de prisão preventiva a quatro arguidos por um crime de abuso de poder e dois crimes de tortura, com a possibilidade de passagem a domiciliária caso o relatório feito pela Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) determine que existem condições para tal.
Entre os quatro polícias em prisão preventiva, que ficarão a aguardar o relatório da DGRSP na cadeia de Évora, está um chefe da PSP e foi ainda determinada a “proibição de contactar, por qualquer meio, seja directamente ou por interposta pessoa, com os ofendidos”, lê-se na nota enviada pelo tribunal.
Os restantes 10 polícias ficaram em liberdade: dois com suspensão do exercício de funções e proibição de contacto com os ofendidos por suspeitas de um crime de abuso de poder e um crime de tortura e oito com termo identidade e residência.
Com a detenção de 15 polícias – 13 agentes e dois chefes -, aumenta para 24 o número de elementos da Polícia de Segurança Pública envolvidos no processo de alegadas torturas e violações nas esquadras do Largo do Rato e do Bairro Alto, numa investigação denunciada pela PSP.
No dia 5 de maio, o Ministério Público e a PSP realizaram 30 buscas, domiciliárias e em esquadras, tendo sido detidos 15 polícias e um civil, num inquérito que investiga a eventual prática de crimes como “tortura grave, violação, abuso de poder, ofensas à integridade física qualificadas”, segundo um comunicado sobre um inquérito tutelado pelo Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, relativo a factos ocorridos nas esquadras do Rato e do Bairro Alto.
O Lisbonense, o único ferry que faz a ligação fluvial Trafaria/Porto Brandão e Belém, avariou a 05 de Abril.
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O transporte de veículos na ligação fluvial entre a Trafaria e Belém, em Lisboa, é retomado na segunda-feira depois de concluída a reparação do ferry Lisbonense, avariado há mais de um mês, indicou hoje a Transtejo Soflusa.
Em comunicado, a Transtejo-Soflusa (TTSL), responsável pela ligação fluvial, refere que, “apesar de todos os esforços, a reparação em estaleiro do único ferry que estava a fazer a ligação da Trafaria acabou por ser mais demorada do que o previsto”.
O Lisbonense, o único ferry que faz a ligação fluvial Trafaria/Porto Brandão e Belém, avariou a 05 de Abril e desde então que o transporte de passageiros nesta ligação realizava-se de acordo com os horários em vigor.
A Transtejo Soflusa indica também que a avaria do Lisbonense ocorreu numa altura em que o ferry Almadense está fora de serviço e que, um ano e meio depois de estar imobilizado, este navio está agora em reparação, prevendo-se que esteja operacional no verão.
“A suspensão temporária do transporte fluvial de veículos resulta do desinvestimento na manutenção da nossa frota ao longo dos últimos anos, uma situação que temos vindo a trabalhar intensamente para inverter,” considera Rui Rei, presidente da TTSL – Transtejo Soflusa, citado no comunicado.
O Lisbonense e o Almadense entraram ao serviço em 2011 e são os únicos a integrar a frota destinada ao transporte de viaturas na ligação entre as duas margens do Tejo.
A Transtejo Soflusa é responsável pelas ligações fluviais entre o Seixal, Montijo, Cacilhas (Almada), Barreiro e Trafaria/Porto Brandão (Almada), no distrito de Setúbal, e Lisboa.