18: Portugueses mantêm hábitos alimentares que mais contribuem para a mortalidade e perda de anos de vida saudável

1
0

 

PORTUGAL // SAÚDE // NUTRIÇÃO // HÁBITOS

Relatório da Direcção-Geral da Saúde divulgado esta quinta-feira, dia 16, para assinalar o Dia Mundial da Alimentação revela que portugueses continuam a abusar no consumo de carne vermelha e de carne processada e a consumir poucos cereais integrais. Outro destaque do documento vai para o impacto positivo do imposto sobre as bebidas açucaradas.

Portugueses ainda comem poucos cereais integrais e legumes

Em 2021, os hábitos alimentares inadequados foram o quinto factor de risco que mais contribuiu para a perda de anos de vida saudável dos portugueses e para a mortalidade. A conclusão está expressa no relatório de 2024 do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS), um dos programas de Saúde prioritários da Direcção-Geral da Saúde (DGS), que foi divulgado nesta quinta-feira, 16 de Outubro, para assinalar o Dia Mundial da Alimentação.

O documento, que reúne toda a informação epidemiológica a nível nacional na área da alimentação e nutrição, revela que os portugueses continuam a ter um consumo elevado de de carne vermelha e de carne processada e baixo consumo de cereais integrais. Três dos principais factores que “contribuem para a perda de anos de vida saudável e para a mortalidade”.

No entanto, nem tudo é negativo. O relatório destaca também que Portugal conseguiu melhorar a sua oferta alimentar e aumentar a sua resposta na área da nutrição nos Cuidados de Saúde Primários, situando-se agora entre os países europeus com menor teor médio de sal e açúcar nos alimentos, apresentando valores mais baixos de sal em produtos de padaria, refeições pré-preparadas e queijos, e de açúcar em refrigerantes e bolos e bolachas doces.

Nas conclusões é especificado que, no ano passado, foi possível verificar-se “uma diminuição da prevalência de insegurança alimentar moderada ou severa em Portugal (-0,7 p.p.), igualando os 4,1%. A análise realizada pela DGS permitiu perceber que “a percentagem média de doentes submetidos à identificação do risco nutricional nas unidades hospitalares do Serviço Nacional de Saúde (SNS) monitorizadas pelo BI do risco nutricional foi de 36,7%”, e que durante o ano de 2024 “foram realizadas 136 921 consultas de nutrição nos Cuidados de Saúde Primários (CSP)”.

De acordo com a informação disponibilizada, conclui-se que “a evolução temporal nesta área tem sido positiva desde 2022, traduzindo-se num aumento de praticamente 30% no número de consultas de nutrição relativamente a 2022”, sendo que, “em 2024, o tempo decorrido entre a referenciação de um doente e a efectivação da consulta de nutrição foi de 94 dias totais”.

Outro destaque positivo vai para o impacto do imposto sobre as bebidas açucaradas, que incentivou “à reformulação do teor de açúcar destas bebidas, tendo-se verificado uma diminuição de 39% da proporção de bebidas com 8g de açúcar por 100mL, entre 2017 e 2024”. Ou seja, refere o documento, “entre 2017 e 2024, verificou-se uma redução de 39% nas bebidas com maior teor de açúcar (≥8g/100mL). Este efeito, mantido ao longo do tempo, demonstra o papel decisivo das políticas fiscais na promoção de ambientes alimentares mais saudáveis”.

Mas os resultados agora divulgados sugerem que “as medidas regulatórias são mais efectivas do que os acordos voluntários, já que a redução de açúcar foi significativamente superior nos refrigerantes sujeitos à taxação (−25,7%) do que nas categorias apenas abrangidas por compromissos voluntários (−14,8%)”.

No futuro, em termos de metas a alcançar até 2027, a DGS assume ser necessário “melhorar o conhecimento sobre o consumo alimentar e estado nutricional da população portuguesa; promover a melhoria do acesso e da qualidade a cuidados nutricionais, em todos os níveis de cuidados de saúde; melhorar os ambientes alimentares, através de medidas que reduzam a exposição e os estímulos ao consumo de alimentos não saudáveis e, em contrapartida, promovam a exposição a alimentos saudáveis”.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
16.10.2025

- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 nativo.

Loading

17: Médicos juntam-se a greve geral da Função Pública no dia 24

0
1

 

PORTUGAL // SNS // MÉDICOS // GREVE

No dia em que a ministra da Saúde está a receber os sindicatos dos médicos e dos enfermeiros para apresentar três decretos de lei, Federação Nacional dos Médicos anuncia que se junta à paralisação decretada pela Frente Comum.

FNAM junta-se à greve geral.
Gerardo Santos

A presidente da Federação Nacional dos Médicos, Joana Bordalo e Sá, confirmou ao DN que a estrutura vai juntar-se à greve geral decretada pela Frente Comum no dia 24 de Outubro. Joana Bordalo e Sá explicou ao DN que a adesão a este protesto serve para “salvaguardar” todos os médicos que queiram manifestar a sua “insatisfação” com o que se está a passar no Serviço Nacional de Saúde (SNS), acrescentando que a FNAM avança para esta decisão perante o que foi hoje demonstrado pelo lado da tutela: “Falta de diálogo e desrespeito pelos profissionais e pelos utentes do SNS. Por isso mesmo, vamos juntar-nos a esta greve em too o território nacional e ilhas no dia 24 de Outubro”.

Uma greve que considera ser, mais uma vez, “um grito de alerta” para o que “Ama Paula Martins e o governo de Luís Montenegro estão a fazer ao SNS”, sublinhando ainda “fazemos isto em nome de todas as grávidas que tiveram os seus bebés nas ambulâncias ou no chão da rua e por todos os cidadãos que merecem um SNS público digno. Vamos continuar a lutar por isto”.

O anúncio surge nesta quinta-feira, dia 16, quando a ministra da Saúde tinha agendado para a parte da manhã várias reuniões com os sindicatos representativos de profissionais do SNS, nomeadamente dos médicos e dos enfermeiros, para dar a conhecer três decretos de lei que envolvem mexidas em matérias laborais.

Tal como o DN já tinha noticiado esta semana, a ministra levou para cima da mesa os projectos de Decreto-Lei referentes às novas regras de contratação de profissionais tarefeiros, com o objectivo de reduzir o uso deste tipo de profissionais, à criação de urgências regionais no país, bem como o da criação dos chamados Centros de Elevado Desempenho, uma espécie de Centros de Responsabilidade Integrada nos hospitais, mas só para área da Ginecologia-Obstetrícia. Segundo apurou o DN, legislação que envolve mexidas em matérias laborais que exigem, pelo menos, que os sindicatos sejam informados sobre o seu conteúdo.

No final da reunião e do anúncio de mais um protesto, a presidente da FNAM, Joana Bordalo e Sá, dizia ao DN que esta “foi o total desrespeito pelos médicos”, confirmando que “foram apresentados três diplomas que entendemos que consideramos serem profundamente prejudicial para a população e para o futuro do SNS, sobretudo no que toca à concentração de recursos em urgências regionais”.

Segundo a dirigente sindical, “o que estão a prever é concentrar serviços de urgência a nível regional na área da Ginecologia-Obstetrícia, o que, na prática, vai continuar a deixar as grávidas e os seus bebés sem cuidados de proximidade”. Portanto, “na margem sul, onde temos um milhão de habitantes, e seguramente noutras zonas do país, as grávidas e as suas famílias vão continuar a ter de fazer dezenas e dezenas de quilómetros para terem os seus filhos”.

Joana Bordalo e Sá, que referiu ao DN que as matérias foram referidas sem lhes ter sido dada qualquer documentação para analisar, volta a alertar para o facto de “uma urgência regional não ser a mesma coisa que uma urgência metropolitana. No Porto, os hospitais estão a poucos quilómetros dos outros e este modelo nem sequer existe na área da obstetrícia, porque é uma área extremamente sensível e que tem que estar próxima da população”.

Quanto ao projecto que prevê a alteração das regras na contratação de prestadores de serviços (tarefeiros), a presidente da FNAM destaca: “Desconhecemos o documento, a única informação que dada é muito pouco clara, mas percebeu-se que, acima de tudo, continua uma porta aberta à prestação de serviço indiferenciada, de médicos que não têm especialidade. Mas, acima de tudo, o que se percebeu é que neste projecto não há qualquer medida que tente reduzir a necessidade da prestação de serviços, embora o objectivo devesse ser esse”.

Sobre os Centros de Elevado Desempenho na área da Ginecologia-Obstetrícia, Joana Bordalo e Sá diz que a informação dispensada “ainda é mais confusa e pedimos a documentação para analisar. Basicamente são centros na lógica da produtividade industrial que já sabemos não serem atractivos para médicos e que não vão responder às necessidades da população”.

A presidente da FNAM afirma ao DN que o agendamento desta reunião “não foi para negociar mas para consumar o que já está decidido pelo Governo”.

O DN soube junto de fonte da tutela que a ministra quer levar tais diplomas “o mais rápido possível a Conselho de Ministros, provavelmente até ao final do mês”, embora “devam existir mais reuniões com sindicatos”. A FNAM confirmou ter ficado uma marcada uma nova reunião, não presencial, mas digital, para a próxima semana.

O DN tentou ainda obter uma reacção do Sindicato Independente dos Médicos à reunião com a ministra Ana Paula Martins, mas ainda não foi possível.

Em actualização

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
16.10.2025

- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 nativo.

Loading