Boletim de previsão mensal do IPMA para o período entre 20 de abril e 17 de Maio dá conta de que Portugal continental irá ter valores de precipitação total semanal abaixo do normal e valores de temperatura média semanal acima do normal.
As próximas quatro semanas trarão valores de precipitação total semanal abaixo do normal e valores de temperatura média semanal acima do normal, anunciou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
De acordo com o boletim de previsão mensal para o período entre 20 de Abril e 17 de Maio deste ano, espera-se, até ao próximo domingo, valores de precipitação abaixo do normal para todo o território continental (-30 mm a -1 mm). Já quanto a temperaturas, prevêem-se valores acima do normal em todo o território (+0.5°C e +3°C), principalmente no interior (+1.5°C e +3°C).
A partir de domingo e até ao próximo dia 3 de Maio, não se esperam anomalias significativas no que toca à chuva, mas esperam-se valores de temperatura acima do normal para quase todo o território, excepto no Algarve (+0.5°C e +3°C).
Já na semana entre os dias 4 e 10 de Maio, conte com valores de precipitação abaixo do normal no Alentejo e Algarve (-10 mm a -1 mm) e valores de temperatura acima do normal no interior (+0.5°C e +1.5°C).
Por fim, na última semana analisada, entre os dias 11 e 17 de Maio, o IPMA não prevê anomalias estatisticamente significativas no que diz respeito à chuva, mas prevê valores de temperatura acima do normal no interior (+0.5°C e +1.5°C).
“A previsão alargada apresenta cenários em termos probabilísticos”, refere o IPMA, no boletim. “A sua utilização deve ser feita com reservas, para a segunda e em especial para as terceira e quarta semanas.”
Constantemente promovido pelos canais televisivos e por outros meios de comunicação social – incluindo as plataformas digitais –, o espectáculo político funciona como uma droga de efeito rápido: estimula, excita, mas não alimenta; promete cura, mas não trata a doença. E depois, quando a adrenalina baixa, volta a pergunta que incomoda: onde estão os resultados? No dia a dia, o que resta são os custos exorbitantes dos combustíveis, da Saúde, da habitação e de tudo o resto, somados a uma sensação crescente de insegurança.
Passado o efeito, fica tudo na mesma – ou pior. O circo acaba, com o tempo, por revoltar o espectador contra os actores políticos, que não produzem resultados, e contra os comentadores, que falham previsões como quem troca de camisa. É uma política feita para a fotografia: o essencial é manter-se visível, no centro da arena.
Quando os resultados não se materializam, a estratégia costuma mudar de direcção: ou se anunciam reformas em catadupa (no estilo faz-de-conta), ou se aumenta a polarização e se procura um inimigo a quem atribuir todas as culpas. O espectáculo pode mobilizar multidões – pode, até, ganhar eleições. Mas é o resultado concreto que sustém o poder e, por algum tempo, garante a paz social.
Ou então, para continuar no poder, o mau líder tenta destruir – ou, pelo menos, enfraquecer – as instituições que sustentam os regimes democráticos. Se é um fascista, procura capturá-las, subjugá-las, torná-las inteiramente obedientes. Se é um populista, o objectivo é mais rasteiro: reduzir a capacidade de controlo e fiscalização, eliminar os travões. A partir daí, manda-se como se quer.
Nero, um imperador errático, cultivava obsessivamente a adulação popular e o culto da personalidade. Projectar-se como figura divina – de Apolo ao Sol – e governou quase sempre em confronto com o Senado. Trump não pode ir tão longe num sistema com separação de poderes e uma imprensa plural.
Mas tem tentado empurrar os limites: minimizar o papel do Congresso, pressionar a Justiça, atacar governadores democráticos, condicionar os media e as plataformas sociais. E, quando convém, volta ao velho expediente das operações militares externas: projectar força, ocupar o ciclo noticioso, galvanizar franjas do eleitorado.
À falta de resultados que melhorem o quotidiano das famílias, ataca as fundações da democracia e explora o nacionalismo: os EUA são apresentados como a potência número um na cena internacional. Tudo isto é feito com o calendário eleitoral a apertar: aproximam-se as eleições intercalares de 3 de Novembro.
Nesse dia estará em jogo o controlo do Senado e da Câmara dos Representantes, vários lugares de governador e outras posições. Na prática, é o próprio poder de Donald Trump que vai a votos. E os sinais, em geral, não lhe são favoráveis. Daí a urgência de conter – e, idealmente, encerrar – a escalada com o Irão antes que ela ganhe vida própria.
Como irá evoluir esta escalada e qual é a saída possível – uma saída que evite um recuo eleitoral expressivo? É esta, creio, a pergunta central, numa altura em que volta a circular a hipótese de uma segunda ronda de contactos entre as partes, em Islamabad.
A resposta – um acordo em Islamabad, sim ou não? – não depende de uma única variável. Eu resumiria assim: Ormuz, a questão nuclear, o futuro da política interna iraniana e, por fim, o factor israelita (com o peso particular da linha dura e inaceitável de Netanyahu). Um entendimento minimamente viável teria de baixar a temperatura no Estreito, estabilizar o dossier nuclear e criar canais de desescalada que funcionassem fora das câmaras e dos grandes cabeçalhos – e não apenas em comunicados para consumo internacional.
Seria um erro enorme se as autoridades de Teerão concluíssem que não vale a pena voltarem a sentar-se com uma delegação americana. Conhece-se a lista de exigências de Washington – maximalista, no limite daquilo que Teerão pode aceitar sem se desautorizar internamente – e conhece-se também a posição iraniana perante cada uma dessas condições.
Ainda assim, é plausível que um encontro, mesmo sem “negociações” formais, evite o retorno a hostilidades em larga escala e permita a outros actores continuar o trabalho diplomático já em curso – da China à Turquia, sem esquecer o Paquistão (aliado próximo de Pequim) – e, também, em vários países asiáticos e do Golfo.
A China e o Paquistão parecem estar a pressionar Teerão para que essa nova ronda de contactos – é cedo demais para lhe chamar “negociações” – aconteça agora ou em breve.
Ambos os lados teriam a ganhar com um acordo limitado. Para Washington, a vantagem é óbvia: travar uma dinâmica de escalada que, além de perigosa no terreno, aumenta o risco de violações do Direito Internacional Humanitário e degrada ainda mais a sua imagem na região e no Sudeste Asiático. E, convenhamos, a imagem americana hoje é muitas vezes lida através de dois filtros: a tentação do “músculo” e o alinhamento automático com a liderança israelita.
Para Teerão, o cálculo é igualmente claro: evitar o colapso económico e não cair na armadilha de uma guerra de represálias contra instalações petrolíferas e de gás natural – e contra portos dos Estados vizinhos do Golfo, onde basta um incidente para incendiar tudo.
Esta é uma crise que precisa de ser travada depressa. Em condições normais, seria assunto para o Conselho de Segurança da ONU. Vivemos, porém, num mundo em que as grandes potências escolhem, à carta, quais preceitos do Direito Internacional levam a sério.
Ainda assim, uma conjugação de esforços de um novo tipo – China, Índia e União Europeia, com um par de países do Sul (Paquistão e Indonésia, por exemplo) – poderia fazer a diferença, no meu entender, onde a ONU está paralisada: manter canais de contacto permanentes, fazer aceitar medidas de cessar-fogo minimamente verificáveis e desenhar um roteiro pragmático para Ormuz e para o dossier nuclear. É este o tipo de trabalho diplomático que evita desastres. Essencial.
Diário de Notícias
Victor Ângelo
Conselheiro em Segurança Internacional. Ex-secretário-geral-adjunto da ONU
24.04.2026
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- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).
Sabe aqueles dias em que está tanto calor que não consegue imaginar fazer mais nada além de estar na praia, de preferência com os pés dentro de água para refrescar? Aqueles dias em que o nosso querido Eça de Queiroz diria estar “um calor de ananases”? Os japoneses arranjaram um nome para se referir a esses dias: kokushobi.
A palavra, apresentada há dias pela Agência Meteorológica do Japão, significa “dia de calor insuportável”, “dia de calor brutal” ou “dia de calor extremo”. Foi a vencedora de uma sondagem online realizada a nível nacional e refere-se, especificamente, a dias em que as temperaturas ultrapassem os 40ºC. A ideia de fazer uma sondagem surgiu depois de o Japão ter registado em 2025 o verão mais quente desde que há registos.
Quem participou no inquérito podia escolher entre 13 opções para descrever os dias mais quentes. Realizado entre Fevereiro e Março, este recebeu mais de 478 mil respostas. Ideia inovadora? Nem tanto, afinal o Japão é conhecido por gostar de “inventar” palavras. Um outro exemplo? Tsundoku, ou seja, a arte de empilhar no chão livros por ler. E em relação ao calor, já tinham palavras específicas para dias com temperaturas superiores a 25°C, 30°C e 35°C.
Por cá, se ainda não inventámos uma palavra para os designar também nós nos habituámos a Verões cada vez mais quentes. E, como alentejana – mesmo da “espécie” que cresceu na Suíça e gosta bastante mais de neve do que de calor -, já enfrentei muitos dias com os termómetros acima dos 40ºC. E ainda não esqueci aquele verão de 2003 em que a Amareleja chegou aos 47,3ºC, ainda hoje o recorde de temperatura em Portugal.
No Alentejo, antigamente, quando o mercúrio subia e nem bolia uma aragem, os mais antigos escondiam-se atrás das paredes grossas das casas, caiadas de branco para afugentar o calor, e só voltavam a sair ao final da tarde para se sentar às portas e queixar-se da “calmaça” que esteve.
Se não é inventada como as dos japoneses, esta palavra também não vem no dicionário, sendo uma espécie de equivalente local a “caloraça” mas com “calma”, como os alentejanos gostam de chamar ao calor. Hoje, infelizmente, as paredes das casas já não são tão grossas e se o branco ainda domina no Alentejo, os ares condicionados continuam a ser excepção nas casas de habitação.
Ora são cada vez mais estes dias de calor extremo, no Japão, em Portugal e um pouco por todo o mundo, reflexo dessas alterações climáticas que alguns insistem em negar e outros pretendem combater lançando tinta sobre obras de arte. Mas contra as quais há muito devíamos ter começado a agir para evitar ondas de calor ou tempestades destruidoras, como as do último inverno em Portugal.
Afinal, mesmo quem gosta do verão, dispensa com certeza muitos dias de caloraça… ou de kokushobi.
Diário de Notícias
Helena Tecedeiro
Editora-executiva do Diário de Notícias
24.04.2026
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