286: Poeiras mais concentradas devem chegar já na primeira semana de Março

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🇵🇹 PORTUGAL // POEIRAS

O IPMA deixou um alerta acerca das poeiras em suspensão sobre Portugal continental, referindo que está previsto que o transporte ocorra em direcção ao território continental a 2 de Março, segunda-feira. Situação meteorológica para os “dias seguintes favorece a persistência de poeiras em suspensão até 5 de Março.”

Poeiras vindas do norte de África sobre Portugal continental
© Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) fez, esta sexta-feira, uma previsão sobre as poeiras que têm vindo a ser tema há já alguns dias, mas que podem ser mais “persistentes” na próxima semana.

“Hoje, dia 27, poeiras com origem no deserto do Saara encontravam-se junto às ilhas Canárias estendendo-se para norte e eram visíveis às 15 UTC [16h em Lisboa] através da imagem do satélite MTG”, começa por ler-se na nota, sendo a imagem referida a primeira que aparece na publicação (que pode ver abaixo).

Explicam os especialistas que está previsto que “o transporte de poeiras ocorra em direcção ao território continental a 2 de Março, progredindo gradualmente de Sul para Norte, inseridas num fluxo de sul, definido por uma depressão centrada em Marrocos e pela aproximação de uma superfície frontal fria ao continente.”

O IPMA adianta ainda que a situação meteorológica para os dias seguintes “favorece a persistência de poeiras em suspensão até dia 5 de Março, podendo apresentar concentrações mais elevadas do que as observadas no dia 24 de Fevereiro.”

Poeiras em suspensão sobre Portugal continental: Que esperar?

Na publicação partilhada durante a tarde desta sexta-feira, os especialistas referem que os efeitos mais visíveis das poeiras em suspensão “são a alteração da cor do céu, pois encontram-se normalmente em níveis mais elevados quando longe da origem.”

“Dependendo da sua concentração podem atingir níveis mais próximos da superfície, com deposição seca, podendo também ter implicações na qualidade do ar e impactos na saúde”, alerta ainda o IPMA, dando conta de que é “mais provável que ocorra a deposição húmida de poeiras, em consequência da precipitação prevista a partir do dia 2 no território continental.”

Noticias ao Minuto
28.02.2026

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285: A mentira das Lajes

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🇵🇹 OPINIÃO

As relações entre Estados não se baseiam apenas na confluência de interesses, nem na dimensão ou força relativa de cada um. Que Paulo Rangel queira agradar à Administração norte-americana, ainda que Trump nem saiba onde fica Portugal, isso é lá com ele. Que o faça à custa do respeito próprio que é devido ao nosso País e enquanto chefe da diplomacia portuguesa já nos envergonha a todos.

Não é a primeira vez que o inquilino do Palácio das Necessidades tortura os factos para efeitos retóricos. O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, a propósito do aumento do número de aeronaves militares estacionadas na ilha Terceira e da utilização pelos EUA da Base das Lajes para operações militares contra o Irão, afirmou aos jornalistas que “qualquer outra operação não tem de ser nem autorizada, nem conhecida, nem comunicada.”

Vamos então aos factos. O Acordo de Cooperação e Defesa, actualmente em vigor, data de 1995 e veio substituir o de 1951. O Acordo de Cooperação e Defesa integra ainda dois outros acordos (menos conhecidos, mas não menos relevantes): o Acordo Laboral, que regula as relações laborais dos portugueses ao serviço dos EUA, e o Acordo Técnico, que autoriza e regula a utilização de infra-estruturas das, e nas, Lajes pelos norte-americanos.

É este último que determina que Portugal cede aos EUA autorização para a utilização das instalações e para o trânsito de aviões militares na base e pelo espaço aéreo dos Açores e que Portugal “encarará favoravelmente” os pedidos de utilização da Base para operações militares decorrentes de decisões de organizações internacionais de que os dois países sejam membros como, por exemplo, a NATO.

Qualquer outra utilização por parte dos EUA que não se enquadre nesse tipo de operações deverá ter autorização prévia da parte portuguesa. De resto, nem se compreenderia que assim não fosse atendendo, inclusivamente, aos princípios nucleares das relações entre Estados, dos quais avultam a igualdade soberana dos Estados, a não ingerência nos assuntos internos, a proibição do uso da força, a autodeterminação dos povos, a resolução pacifica dos conflitos, entre outros.

Nestes quase 80 anos, aquela base evidenciou a sua relevância geo-estratégica com destaque, por exemplo, na Guerra do Golfo (1991), em que serviu de apoio a 12 mil operações de aviões, com 33 reabastecedores a operarem nas Lajes, um número muito superior aos 12 recentemente utilizados na operação contra o Irão e que, já agora, são muito semelhantes aos registados da II Guerra do Golfo, já em 2003.

Portanto, a ideia de que os EUA podem usar aquela base, ainda que ao abrigo do Acordo de Cooperação e Defesa, sem dar cavaco ao Estado português, confere-nos uma subalternidade e uma menorização que enfraquece a nossa posição negocial e ofende a dignidade institucional e soberana de um dos Estados mais antigos da Europa, com mais de 880 anos de História.

Por fim, o Estado Português, tão lesto em agradar e em não se dar ao respeito, tem sido praticamente inexistente na exigência que se impõe de resolver o passivo ambiental que resulta da presença norte-americana nas Lajes e ainda menos presente em potenciar a posição geo-estratégica única que os Açores nos conferem no Atlântico Norte. Isto sim, seria uma forma de valorizar o que é nosso e de reforçar a nossa posição face aos EUA.

Diário de Notícias
André Franqueira Rodrigues
Eurodeputado pelo PS e membro da Comissão de Defesa do Parlamento Europeu
27.02.2026

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284: Bom tempo tem os dias contados. Vem aí a gota fria: O que é? E que fará?

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🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // TEMPO

À excepção de sexta-feira, dia 27, o tempo deverá continuar estável e seco até domingo. Contudo, o início de Março poderá marcar o regresso dos aguaceiros, trovoada e granizo a Portugal continental.

Depois de uma segunda quinzena de Fevereiro em que, regra geral, a chuva deu tréguas e até houve temperaturas acima da média para a época, o cenário parece estar prestes a mudar novamente. A primeira semana de Março será de chuva e descida das temperaturas devido à formação de uma gota fria. Mas o que é que isto significa?

A aproximação de uma depressão em altitude, também denominada gota fria ou DANA (em castelhano), vai provocar uma mudança do estado do tempo em Portugal continental, a partir do início da próxima semana.

De acordo com o Meteored Portugal, contudo, as depressões isoladas em altitude “são conhecidas pela sua trajectória errática, o que torna muito difícil prever com precisão a distribuição geográfica e intensidade da precipitação convectiva e de carácter irregular que geralmente lhes está associada”.

Ou seja, é muito difícil prever, para já, a chuva acumulada. Neste momento, os mapas insistem que poderá chover em qualquer zona do território de Portugal continental, com acumulações entre 5 mm e 20 mm.

É, aliás, “muito provável que, por causa da trajectória deste centro de baixas pressões, os valores de chuva acumulada se alterem várias vezes nas próximas actualizações do modelo Europeu”, conforme detalha o comunicado da Meteored sobre os possíveis efeitos da gota fria no tempo em Portugal.

Ainda assim, de momento, os mapas sugerem que as áreas potencialmente mais afectadas seriam, com valores a rondar os 20 mm de precipitação acumulada: Região Norte (excepto distrito de Bragança), Grande Lisboa, Península de Setúbal, Beira Alta, Beira Baixa e toda a zona fronteiriça do Alentejo com Espanha.

De acordo com o geógrafo e especialista Alfredo Graça, a partir do final da madrugada ou início da manhã de segunda-feira, dia 2 de Março, prevê-se que uma frente fria associada a uma depressão atlântica situada a noroeste das Ilhas Britânicas, entre pelo litoral Norte e Centro de Portugal continental, espalhe precipitação gradualmente para as restantes regiões do país.

A interacção entre a frente fria associada à referida depressão atlântica, uma massa de ar mais frio de origem polar em altitude e a presença prévia de ar mais quente e húmido a sul, favorecerá o aprofundamento de um centro de baixas pressões que poderá evoluir para uma gota fria.

Ora, isso vai significar a predominância de aguaceiros, trovoadas e granizo durante segunda e terça-feira, dias 2 e 3 de Março. Inicialmente, “a precipitação em Portugal continental será gerada pela frente fria, mas posteriormente dever-se-á à depressão isolada em altitude”, refere a mesma nota.

Segundo a previsão actual do modelo europeu, a gota fria só se deverá começar a formar no período entre o fim da tarde de segunda e a meia-noite de terça-feira, “quando o sistema evoluir para uma depressão que se desligará da circulação principal, isolando-se em altitude na sua deslocação para sul, e com o seu centro a posicionar-se entre a Península Ibérica e Marrocos”.

E até lá?

Até à próxima segunda-feira, o tempo deverá continuar estável e seco, com excepção de sexta-feira, dia 27. Se é facto que as temperaturas diurnas têm sido bastante agradáveis por estes dias, espera-se uma descida significativa das mesmas entre hoje e amanhã.

Em causa está a aproximação de uma massa de ar polar, que irá contribuir para a descida dos termómetros em praticamente todo o continente.

De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), além do acentuado arrefecimento nocturno (que também tem marcado esta última semana), haverá uma descida da temperatura máxima, em especial nas regiões Norte e Centro.

Em Lisboa, as temperaturas deverão variar entre os 10 e os 17 graus na sexta-feira, enquanto hoje chegaram aos 22. Também no Porto a máxima esperada desce de 17 para 15 graus. Só Faro mantém o cenário de hoje: as temperaturas vão variar entre os 10 e os 23 graus na sexta-feira.

No sábado, deverá registar-se novamente uma pequena subida da temperatura máxima no Norte e Centro.

Notícias ao Minuto
26.02.2026

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283: Depois de poeiras e chuva, quando volta o sol a Portugal?

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🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // SOL

O passado sábado e domingo foram dias de sonho em Portugal. Depois de semanas com chuva, frio e tempestades devastadoras, finalmente veio a bonança, com sol e temperaturas a rondar os 25ºC em algumas regiões. Contudo, como se costuma dizer, não há sol que sempre dure.

Poeiras chegam a Portugal | Fotografia: Unsplash
© VERSA

Para esta quarta-feira, 25 de Fevereiro, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê “chuva, passando a aguaceiros dispersos diminuindo de frequência a partir da tarde”, especialmente no litoral oeste. Como se chuva não bastasse, para a região Sul prevê-se a possibilidade de ocorrência de trovoada e de queda de granizo durante a tarde, um cenário que traz de volta o inverno.

O dia ficará ainda marcado pelas poeiras provenientes do deserto do Saara, que pintarão o céu de um laranja carregado e trarão uma fraca qualidade do ar do qual a população se deve proteger, evitando actividade física ao ar livre e circulação sem máscara.

Mas, felizmente, este é um cenário efémero. Ainda que seja sol de pouca dura, o bom tempo volta na quinta-feira, 26, dia em que o IPMA anuncia “céu pouco nublado ou limpo, apresentando períodos de mais nebulosidade até ao meio da manhã”. E há, ainda, mais uma boa notícia: “Subida da temperatura máxima”. Por contraste, infelizmente, a temperatura mínima vai descer.

Já sexta-feira, 27, há novamente previsão de chuva nas regiões Norte e Centro, mau tempo que vai embora logo no sábado, 28, com a previsão de “céu em geral pouco nublado”.

Que venha sábado e o bom tempo depressa.

Versa
Rafaela Simões
25.02.2026

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282: A Figura do Dia. A eficácia dos “bacanais” de Epstein

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🇵🇹 OPINIÃO

Peter Mandelson, figura maior da diplomacia britânica, foi ontem libertado sob fiança. A teia Epstein continua a fazer vítimas, mas também a revelar o mais profundo do que, em nós, é um sórdido abismo.

Vamos sabendo das festas, dos “bacanais”, do tráfico de adolescentes, da rede de influentes e milionários, das trocas de e-mails e de favores, do que diziam uns aos outros. Não dá para tapar os olhos ou fechar os ouvidos.

As notícias oferecem-nos um retrato de uma corte onde tudo se traficava…a começar pela alma que, quando se vende, parece sempre ser uma brincadeira, uma reunião de amigos, uma prova de degustação.

Lemos os ficheiros de Mefistófeles e é uma sequela de Squid Game, um inferno sem redenção possível.

“Epstein era um crápula que usava a informação para criar e multiplicar teias de poder e influência.”
New York State Division of Criminal Justice Services / Handout

Mas desculpem-me a pergunta: todas aquelas pessoas são o mal ou muitos de nós poderíamos lá estar, se as circunstâncias o tivessem proporcionado? Teria o monstro o dom de reconhecer os perversos ou oferecia o que um largo número de homens deseja sem o poder confessar?

Terríveis, perguntam, mas quando vemos, um pouco por todo o lado, casas de prostitutas cheias de gente que paga pelo corpo que os serve, não será essa uma prova de que a luxúria é um vício humano?

Epstein era um crápula que usava a informação para criar e multiplicar teias de poder e influência. Sabia que o que acontecia ali, ficava ali.

Nos que vivem dentro de bolhas, nunca há culpa. E quando a culpa ameaça sair da toca há sempre o antídoto sob a forma de um cheque a uma associação de beneficência.

Diário de Notícias
Luís Osório
25.02.2026

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‘Retratos dos Dias Difíceis 24/7’: ex-fotógrafo do DN expõe cuidadores informais

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🇵🇹 PORTUGAL // CUIDADORES INFORMAIS // EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA

Nuno Pinto Fernandes inaugura quinta-feira na Casa da Cultura Mestre José Rodrigues uma mostra fotográfica que retrata a resiliência de quem cuida. A exposição estará patente até ao dia 3 de Maio.

A solidão e dependência dos necessitam de cuidados, aqui captadas pela objectiva de Nuno Pinto Fernandes.
Nuno Pinto Fernandes

Dar assistência, dia a dia, a quem precisa de cuidados permanentes é uma missão e vida difícil. Este quotidiano, tantas vezes fechado entre quatro paredes, serviu de mote ao fotógrafo Nuno Pinto Fernandes, que esta quinta-feira, em Alfândega da Fé, inaugura uma exposição, como o objectivo de, através da arte, lançar um alerta para os desafios, a resiliência e a dimensão do que é prestar cuidados informais.

Para tirar esta vivência da invisibilidade, a Galeria Manuel Cunha, situada na Casa da Cultura Mestre José Rodrigues, recebe a partir do dia 26 de Fevereiro a exposição fotográfica Retratos dos Dias Difíceis 24/7, da autoria do foto-jornalista.

A mostra propõe uma imersão profunda e sensível no quotidiano dos cuidadores informais, revelando os desafios e a dedicação permanente de quem cuida de familiares na intimidade do lar. Uma dedicação de 24 horas por dia, sete dias por semana e um quotidiano em que o cansaço e a solidão se cruzam com o afecto.

Logo após a imersão nesta temática sensível, o espectador depara-se com o rigor técnico de quem captou estas imagens: Nuno Pinto Fernandes. O autor, que agora se dedica a este projecto de cariz social, traz consigo o selo de qualidade de uma carreira de prestígio no jornalismo nacional, tendo sido, durante largos anos, fotógrafo do Diário de Notícias.

A sua vasta experiência em publicações de referência, como o Diário de Notícias e o Jornal de Notícias, permitiu-lhe transpor para a fotografia a carga emocional e a dignidade dos gestos mais simples de assistência.

Um tributo à resiliência

A exposição foi desenvolvida em colaboração com a Equipa de Atenção Bio-psicossocial à Pessoa Idosa do Município de Alfândega da Fé. O objectivo central é valorizar e dar voz aos cuidadores informais do concelho, cujas histórias, embora universais, raramente saem do recato do lar.

Segundo a organização, através da lente de Pinto Fernandes, procura-se “expor, reconhecer e dignificar estes gestos de cuidado e dedicação”, criando um espaço onde a comunidade pode reflectir sobre o papel vital que estes homens e mulheres desempenham junto dos seus familiares.

Inauguração e Visitas

A sessão de abertura da mostra terá um momento musical a cargo do grupo de cavaquinhos “Doce Mel”, simbolizando o apoio da comunidade a esta causa.

Retratos dos Dias Difíceis 24/7 estará patente na Galeria Manuel Cunha até ao dia 3 de maio. É um convite para conhecer o lado humano da assistência permanente e para reconhecer o valor de quem, abnegadamente, dedica a sua vida ao cuidado do outro.

Diário de Notícias
Adelaide Cabral
25.02.2026

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280: Poeiras do Chade chegam a Portugal e trazem consigo microrganismos, mas chuva atenua riscos

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🇵🇹 PORTUGAL // POEIRAS DO CHADE

Atravessou o Atlântico “por etapas”, passou pelas Canárias e pela Madeira e atingiu Portugal continental, num percurso menos habitual. O fenómeno, conhecido como migração transcontinental de bio-aerossóis, está a ser acompanhado pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que desde 2020 monitoriza estas intrusões no âmbito do programa DUST para avaliar riscos e benefícios.

Reinaldo Rodrigues (Arquivo)

O céu ficou mais esbatido e a qualidade do ar degradou-se, mas o que chega não é apenas “poeira”. Trata-se de bio-aerossóis: partículas finas de terra levantadas em zonas áridas de África que entram na atmosfera e são transportadas pelos ventos para outros continentes. Chamam-se aerossóis porque viajam em suspensão e “bio” porque podem levar consigo vida microscópica, como vírus e bactérias.

“Estamos a falar de partículas de solo que conseguem percorrer milhares de quilómetros e que, pelo caminho, podem transportar microrganismos”, explica ao DN Ricardo Dias, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Neste caso, a informação disponível aponta para uma origem na região do Chade, numa faixa de África já bastante baixa e propensa à emissão de poeiras. A fonte, sublinha o especialista, pode estar associada a um lago actualmente seco, rico em minerais “exportáveis”, material facilmente mobilizado quando há vento suficiente para levantar partículas do solo.

A chegada a Portugal, porém, foi menos visível do que noutros episódios. “Com humidade, chuva e poeiras há uma co-precipitação que se nota sobretudo nos telhados ou nos carros estacionados na rua”, refere Ricardo Dias.

O fenómeno segue rotas diferentes ao longo do ano, consoante os regimes de vento e as condições meteorológicas. “Não podemos dizer que estes eventos estejam necessariamente mais frequentes, mas podemos dizer que as rotas estão a ficar mais diversificadas”, afirma o professor.

A trajectória agora observada – Chade, Canárias, Madeira e Portugal continental – é vista como um desvio de um corredor atmosférico comum entre África e a América do Sul. E esse corredor, recorda o investigador, tem um papel global: alimenta ecossistemas.

“Estas partículas são uma das principais fontes de matéria que chega a sistemas como a Amazónia”, nota Ricardo Dias. A escala impressiona: em determinados anos, a deposição associada a estas poeiras pode ultrapassar dois mil milhões de toneladas, o equivalente a “cerca de 80 milhões de camiões carregados de terra” num só ano. É massa suficiente para influenciar a fertilidade dos solos e o equilíbrio de nutrientes, funcionando, em muitos casos, como adubo natural.

Mas se há benefícios, também há riscos, sobretudo para pessoas mais vulneráveis. As partículas finas podem irritar as vias respiratórias e agravar sintomas, e os bio-aerossóis levantam questões adicionais que só a análise laboratorial permite esclarecer.

“Tudo o que tem riscos tem também benefícios. O importante é monitorizar”, defende Ricardo Dias. Por isso, a Faculdade de Ciências acompanha estes episódios desde 2020 através do programa DUST, avaliando o potencial impacto na saúde humana, na produção agrícola e animal e até o potencial biotecnológico, isto é, o que pode ser aproveitado e aprendido com os microrganismos transportados.

“Só daqui a cerca de uma semana teremos resultados mais concretos”, antecipa o professor.

A história mostra que episódios semelhantes podem ter consequências inesperadas. Em 1953, recorda-se um caso em que um evento iniciado na Argélia acabou por ser associado, anos mais tarde, a uma doença que afectou a produção caprina no Alentejo. “São ligações que só se conseguem estabelecer com tempo, dados e rastreio”, enfatiza Ricardo Dias, apontando esse exemplo como argumento para a vigilância contínua.

Enquanto decorrem as análises, o conselho é de prudência: evitar esforços físicos ao ar livre, especialmente para quem tem problemas respiratórios.

Diário de Notícias
Alexandra Tavares-Teles
25.02.2026

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279: Mais 22 concelhos juntam-se aos 68 abrangidos por situação de calamidade

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🇵🇹 PORTUGAL // DEPRESSÃO KRISTIN // CALAMIDADE

Muitos dos concelhos abrangidos reclamavam esta inclusão perante a dimensão dos estragos do mau tempo. Passam a estar incluídos no quadro normativo de apoios e de medidas de excepção.

Danos numa estrada em Arruda dos Vinhos, na sequência do mau tempo. É um dos concelhos que se junta à lista
Foto: Reinaldo Rodrigues

Mais 22 concelhos juntaram-se aos 68 municípios abrangidos pela situação de calamidade decretada pelo Governo em Janeiro nas zonas afectadas pela depressão Kristin, aos quais se aplicarão os mesmos apoios, segundo um despacho publicado esta quarta-feira, 25 de Fevereiro, em Diário da República.

A situação de calamidade para 68 concelhos de Portugal continental, primeiro decretada em 29 de Janeiro e depois prolongada, terminou em 15 de Fevereiro, assim como a isenção das portagens nos territórios afectados.

No despacho publicado em Diário da República esta quarta-feira, o Governo recorda que a resolução aprovada no final de Janeiro autorizava os membros do Governo responsáveis pelas áreas da Economia e da Administração Interna a identificar outros concelhos além dos 68 inicialmente colocados em situação de calamidade.

Assim, a esses 68 municípios juntam-se agora outros 22 concelhos “não abrangidos pela zona de impacto da ciclo-génese explosiva, que sofreram efeitos graves da tempestade Kristin, decorrentes de cenários de cheia”, aos quais “se aplicará o quadro normativo de apoios e de medidas de excepção criado em resposta à situação de calamidade”.

Os 22 concelhos são: Alcoutim, Alenquer, Almeirim, Alpiarça, Anadia, Arganil, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Baião, Benavente, Cartaxo, Castelo de Paiva, Chamusca, Coruche, Faro, Mafra, Monchique, Mortágua, Oliveira do Hospital, Salvaterra de Magos, Sobral de Monte Agraço e Tábua.

No diploma, o Governo relembra que durante os meses de Janeiro e Fevereiro, o território continental foi “sucessivamente afectado por vários fenómenos meteorológicos intensos e anómalos, que resultaram num cenário de precipitação persistente e com implicações profundas na estabilidade das regiões afectadas”.

“O alinhamento de tempestades culminou com a tempestade Kristin, com incidência crítica na madrugada de dia 28 de Janeiro causada pela formação de uma ciclo-génese explosiva, com vento e precipitação intensos e de evolução rápida provocando danos significativos em vários concelhos do território”, lê-se no despacho.

A “excepcionalidade e a gravidade deste contexto meteorológico”, é ainda referido, deram origem a “fenómenos complementares como cheias graves e desabamentos de terra que agravaram os danos significativos em habitações, infra-estruturas críticas, equipamentos públicos, empresas, instituições sociais, bem como em património natural e cultural”.

A situação de calamidade é o mais grave de três estados e, de acordo com a legislação “pode ser declarada quando, face à ocorrência ou perigo de ocorrência de acidente grave e/ou de catástrofe, e à sua previsível intensidade, se reconhece a necessidade de adoptar medidas de carácter excepcional destinadas a prevenir, reagir ou repor a normalidade das condições de vida nas áreas atingidas pelos seus efeitos”.

Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afectadas.

Diário de Notícias
DN/Lusa
25.02.2026

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278: Três feridos em tiroteio na Rua do Benformoso, em Lisboa

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🇵🇹 PORTUGAL // LISBOA // TIROTEIO

Um dos feridos encontra-se em estado crítico.

Rua do Benformoso, em Lisboa.
Paulo Spranger

Disparos efectuados a partir de uma viatura fizeram, na madrugada desta quarta-feira, 25 de Fevereiro, três feridos na Rua do Benformoso, em Lisboa, segundo avança a TVI/CNN.

As três vítimas são três homens com idades compreendidas entre os 29 e os 42 anos. Um sofreu ferimentos no tórax e foi transportado para o Hospital de São José, encontrando-se em estado crítico. Outro foi atingido num pé e o terceiro na cabeça. Segundo a TVI/CNN, também foram encaminhados para o mesmo hospital mas estão livres de perigo.

A Polícia Judiciária está a investigar.

Diário de Notícias
Sofia Fonseca
25.02.2026

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