Uma massa de poeiras proveniente dos desertos do Norte de África está a atravessar Portugal Continental e deverá manter-se até à próxima quinta-feira, levando a um agravamento da qualidade do ar, alertou a Direcção-Geral da Saúde.
O fenómeno vai provocar um aumento das partículas inaláveis (PM10) na atmosfera, um poluente que pode ter impacto na saúde, sobretudo nas populações mais vulneráveis.
Crianças, idosos e doentes com problemas respiratórios ou cardiovasculares estão entre os grupos mais afectados, sendo aconselhados a adoptar cuidados acrescidos durante este período.
Cuidados a ter durante o fenómeno
A Direcção-Geral da Saúde recomenda à população em geral que evite esforços prolongados e reduza a actividade física ao ar livre, bem como a exposição a factores de risco, como o fumo do tabaco ou produtos irritantes.
Já as pessoas mais vulneráveis devem, sempre que possível, permanecer no interior dos edifícios e manter as janelas fechadas, de forma a minimizar a exposição às poeiras em suspensão.
A autoridade de saúde sublinha ainda a importância de manter os tratamentos médicos, no caso de doentes crónicos, e alerta para a necessidade de procurar ajuda em caso de agravamento de sintomas, através da Linha Saúde 24 ou de um serviço de saúde.
A evolução da qualidade do ar pode ser acompanhada através da informação disponibilizada pela Agência Portuguesa do Ambiente ou pela aplicação QualAr.
Com a chegada de uma nova massa de ar vindo do Norte de África, o céu de Portugal está prestes a ganhar aquele tom baço e alaranjado que já conhecemos a partir de segunda-feira. No entanto, este fenómeno vai muito além de uma curiosidade visual ou de deixar os carros sujos. Como a nuvem de poeiras do Saara transporta partículas finas que afectam a qualidade do ar, é fundamental que saibas como te proteger nos próximos dias.
poeiras do Saara ainda contêm radioactividade! quais os perigos?
Nuvem de poeiras do Saara a chegar: os cuidados que tens de ter
Certamente, o impacto mais directo sente-se na nossa respiração. Estas poeiras são compostas por minerais, mas também podem carregar pólenes, fungos e outros poluentes recolhidos durante o trajecto. Portanto, se sofres de alergias ou problemas respiratórios, deves redobrar a atenção, pois a concentração de partículas em suspensão (PM10) vai disparar.
Poeiras de África
Os Perigos Invisíveis para a Tua Saúde
Embora pareça apenas “areia no ar”, a verdade é que estas partículas são tão pequenas que conseguem penetrar profundamente nos pulmões. Consequentemente, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) recomenda habitualmente cuidados especiais durante estes episódios.
Irritação Imediata: É muito comum sentires os olhos a arder, a garganta seca ou uma tosse persistente.
Agravamento de Doenças: Pessoas com asma, rinite ou bronquite podem sentir crises mais severas devido à má qualidade do ar.
Esforço Cardiovascular: O corpo trabalha mais para filtrar estas impurezas, o que pode ser perigoso para idosos ou pessoas com problemas de coração.
Visto que a exposição prolongada é o maior risco, o ideal é que tentes passar o máximo de tempo possível em ambientes fechados enquanto a nuvem estiver sobre a tua região.
Dicas Práticas para Sobreviver à “Chuva de Lama”
Além da saúde, existe o lado prático da manutenção da casa e do carro. Adicionalmente, as previsões apontam para a possibilidade de chuva em alguns pontos do país, o que resultará na deposição de lama sobre todas as superfícies.
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Mantém as Janelas Fechadas: Evita arejar a casa nas horas de maior concentração para impedir que o pó entre nos teus estofos e tapetes.
Cuidado ao Lavar o Carro: Se o teu carro ficar coberto de pó, não passes uma esponja directamente. Deves usar muita água sob pressão primeiro, caso contrário, os grãos de areia vão riscar a pintura de forma permanente.
Hidratação Constante: Beber muita água ajuda a manter as mucosas das vias respiratórias húmidas, o que facilita a expulsão natural de algumas destas poeiras.
Usa Máscara se Necessário: Se tiveres de fazer trabalhos no exterior ou se fores do grupo de risco, a utilização de uma máscara FFP2 pode ser uma excelente aliada para filtrar o ar que respiras.
Quando é que o Céu Volta ao Normal?
De acordo com os modelos meteorológicos, este fenómeno deverá persistir durante vários dias, afectando primeiro a Madeira e progredindo depois pelo Continente. Contudo, a situação tende a normalizar assim que as correntes de ar mudarem ou uma frente de chuva mais limpa ajude a lavar a atmosfera.
Em suma, aproveita o cenário para tirar fotografias impressionantes, mas não ignores os sinais do teu corpo. Se sentires falta de ar ou um desconforto invulgar, procura um local arejado (dentro de casa) e descansa.
O IPMA deixou um alerta acerca das poeiras em suspensão sobre Portugal continental, referindo que está previsto que o transporte ocorra em direcção ao território continental a 2 de Março, segunda-feira. Situação meteorológica para os “dias seguintes favorece a persistência de poeiras em suspensão até 5 de Março.”
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) fez, esta sexta-feira, uma previsão sobre as poeiras que têm vindo a ser tema há já alguns dias, mas que podem ser mais “persistentes” na próxima semana.
“Hoje, dia 27, poeiras com origem no deserto do Saara encontravam-se junto às ilhas Canárias estendendo-se para norte e eram visíveis às 15 UTC [16h em Lisboa] através da imagem do satélite MTG”, começa por ler-se na nota, sendo a imagem referida a primeira que aparece na publicação (que pode ver abaixo).
Explicam os especialistas que está previsto que “o transporte de poeiras ocorra em direcção ao território continental a 2 de Março, progredindo gradualmente de Sul para Norte, inseridas num fluxo de sul, definido por uma depressão centrada em Marrocos e pela aproximação de uma superfície frontal fria ao continente.”
O IPMA adianta ainda que a situação meteorológica para os dias seguintes “favorece a persistência de poeiras em suspensão até dia 5 de Março, podendo apresentar concentrações mais elevadas do que as observadas no dia 24 de Fevereiro.”
Poeiras em suspensão sobre Portugal continental: Que esperar?
Na publicação partilhada durante a tarde desta sexta-feira, os especialistas referem que os efeitos mais visíveis das poeiras em suspensão “são a alteração da cor do céu, pois encontram-se normalmente em níveis mais elevados quando longe da origem.”
“Dependendo da sua concentração podem atingir níveis mais próximos da superfície, com deposição seca, podendo também ter implicações na qualidade do ar e impactos na saúde”, alerta ainda o IPMA, dando conta de que é “mais provável que ocorra a deposição húmida de poeiras, em consequência da precipitação prevista a partir do dia 2 no território continental.”
Atravessou o Atlântico “por etapas”, passou pelas Canárias e pela Madeira e atingiu Portugal continental, num percurso menos habitual. O fenómeno, conhecido como migração transcontinental de bio-aerossóis, está a ser acompanhado pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que desde 2020 monitoriza estas intrusões no âmbito do programa DUST para avaliar riscos e benefícios.
Reinaldo Rodrigues (Arquivo)
O céu ficou mais esbatido e a qualidade do ar degradou-se, mas o que chega não é apenas “poeira”. Trata-se de bio-aerossóis: partículas finas de terra levantadas em zonas áridas de África que entram na atmosfera e são transportadas pelos ventos para outros continentes. Chamam-se aerossóis porque viajam em suspensão e “bio” porque podem levar consigo vida microscópica, como vírus e bactérias.
“Estamos a falar de partículas de solo que conseguem percorrer milhares de quilómetros e que, pelo caminho, podem transportar microrganismos”, explica ao DN Ricardo Dias, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
Neste caso, a informação disponível aponta para uma origem na região do Chade, numa faixa de África já bastante baixa e propensa à emissão de poeiras. A fonte, sublinha o especialista, pode estar associada a um lago actualmente seco, rico em minerais “exportáveis”, material facilmente mobilizado quando há vento suficiente para levantar partículas do solo.
A chegada a Portugal, porém, foi menos visível do que noutros episódios. “Com humidade, chuva e poeiras há uma co-precipitação que se nota sobretudo nos telhados ou nos carros estacionados na rua”, refere Ricardo Dias.
O fenómeno segue rotas diferentes ao longo do ano, consoante os regimes de vento e as condições meteorológicas. “Não podemos dizer que estes eventos estejam necessariamente mais frequentes, mas podemos dizer que as rotas estão a ficar mais diversificadas”, afirma o professor.
A trajectória agora observada – Chade, Canárias, Madeira e Portugal continental – é vista como um desvio de um corredor atmosférico comum entre África e a América do Sul. E esse corredor, recorda o investigador, tem um papel global: alimenta ecossistemas.
“Estas partículas são uma das principais fontes de matéria que chega a sistemas como a Amazónia”, nota Ricardo Dias. A escala impressiona: em determinados anos, a deposição associada a estas poeiras pode ultrapassar dois mil milhões de toneladas, o equivalente a “cerca de 80 milhões de camiões carregados de terra” num só ano. É massa suficiente para influenciar a fertilidade dos solos e o equilíbrio de nutrientes, funcionando, em muitos casos, como adubo natural.
Mas se há benefícios, também há riscos, sobretudo para pessoas mais vulneráveis. As partículas finas podem irritar as vias respiratórias e agravar sintomas, e os bio-aerossóis levantam questões adicionais que só a análise laboratorial permite esclarecer.
“Tudo o que tem riscos tem também benefícios. O importante é monitorizar”, defende Ricardo Dias. Por isso, a Faculdade de Ciências acompanha estes episódios desde 2020 através do programa DUST, avaliando o potencial impacto na saúde humana, na produção agrícola e animal e até o potencial biotecnológico, isto é, o que pode ser aproveitado e aprendido com os microrganismos transportados.
“Só daqui a cerca de uma semana teremos resultados mais concretos”, antecipa o professor.
A história mostra que episódios semelhantes podem ter consequências inesperadas. Em 1953, recorda-se um caso em que um evento iniciado na Argélia acabou por ser associado, anos mais tarde, a uma doença que afectou a produção caprina no Alentejo. “São ligações que só se conseguem estabelecer com tempo, dados e rastreio”, enfatiza Ricardo Dias, apontando esse exemplo como argumento para a vigilância contínua.
Enquanto decorrem as análises, o conselho é de prudência: evitar esforços físicos ao ar livre, especialmente para quem tem problemas respiratórios.
Depois de um fim de semana com temperaturas altas, a chuva está de regresso já esta terça-feira. Portugal continental será também hoje afectada com poeiras vindas do deserto do Saara.
Depois de um fim de semana primaveril – em que os termómetros chegaram a atingir os 26ºC -, a chuva poderá estar de regresso a partir de hoje, terça-feira, de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). De notar ainda que Portugal continental é afectado por poeiras vindas do deserto do Saara.
Segundo a previsão, o céu estará de um forma geral “muito nublado”, havendo a “possibilidade de ocorrência de períodos de chuva fraca no litoral Norte e Centro a partir do final da tarde, sendo mais provável no Minho e Douro litoral no final do dia”.
Já o vento soprará “fraco a moderado do quadrante sul, soprando por vezes forte na faixa costeira ocidental a norte do Cabo Raso”. Será “moderado a forte com rajadas até 65 km/h nas terras altas”.
Haverá uma “pequena subida da temperatura mínima, em especial no Norte e Centro”, mas também haverá uma “pequena descida da temperatura máxima” nas mesmas regiões.
Um cenário idêntico na Grande Lisboa e no Grande Porto.
“Episódio de poeiras” afecta Portugal
De recordar que, no domingo, a meteorologista do IPMA, Patrícia Marques, já havia adiantado ao Notícias ao Minuto que iriam começar a chegar poeiras a Portugal.
A meteorologista afirmou que este “episódio de poeiras” afectará primeiro o arquipélago da Madeira, “mas não se espera que seja uma concentração muito significativa e não se espera que afecte o país todo”, havendo assim uma maior incidência na ilha da Madeira, Porto Santo e na zona centro do país.
As poeiras em suspensão vão chegar primeiro à Madeira, dirigindo-se depois para o território continental. IPMA alerta para a possibilidade de “implicações na qualidade do ar e impactos na saúde”.
Reinaldo Rodrigues (Arquivo)
Para esta terça-feira, 24 de Fevereiro, prevê-se a chegada a Portugal continental de poeiras com origem no deserto do Saara, no norte de África, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
O transporte de poeiras irá afectar primeiro o arquipélago da Madeira esta segunda-feira (23), dirigindo-se depois ao território continental, “progredindo gradualmente de sul para norte, inseridas num fluxo de sul, definido pelo anticiclone localizado sobre a Península Ibérica e pela aproximação de uma superfície frontal fria ao continente”.
Um dos efeitos visíveis das poeiras em suspensão tem a ver com a alteração da cor do céu, “pois encontram-se normalmente em níveis mais elevados quando longe da origem”, explica o IPMA, referindo que será “mais provável que ocorra a deposição húmida de poeiras”, como consequência da chuva prevista a partir do final desta terça-feira em Portugal continental.
O IPMA alerta ainda para a possibilidade de “implicações na qualidade do ar e impactos na saúde”.
Nesse sentido, é sugerido que sejam seguidas as recomendações da Direcção-Geral da Saúde (DGS). Idosos, crianças e doentes crónicos (com problemas respiratórios, principalmente asma, e do foro cardiovascular) devem, se possível, permanecer em casa com as janelas fechadas.
A população em geral “deve evitar os esforços prolongados, limitar a actividade física ao ar livre e a exposição a factores de risco, tais como o fumo do tabaco e o contacto com produtos irritantes”, indica a DGS.