253: Mau tempo: Rio Tejo continua a baixar e começa a deixar à vista destruição

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🇵🇹 PORTUGAL // MAU TEMPO // RIO TEJO

O nível do rio Tejo continua a baixar, está praticamente dentro do leito e a descida da água está a deixar à vista a destruição causada pelas inundações, refere a Protecção Civil

Casa atingida na zona ribeirinha de Vila Nova da Rainha, na Azambuja, devido à subida do caudal do Rio Tejo.
FOTO: JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

O Tejo manteve este domingo (15) a tendência de descida e as autoridades aguardam que, nas próximas horas, o nível regresse à normalidade em toda a sua extensão, permitindo a equipas de emergência, empresas, municípios e populações entrar nas áreas afectadas e iniciar a limpeza, adiantou o comandante sub-regional da Protecção Civil do Médio Tejo, no distrito de Santarém, David Lobato.

“Desceu bastante, agora vai-se notando muita destruição, que é o normal nestas circunstâncias”, afirmou David Lobato, salientando que há restaurantes, parques infantis e outros equipamentos, que agora voltam a estar sem água e “têm um grau de destruição elevado”.

O comandante da Protecção Civil precisou que, “na parte norte, o rio já se encontra todo dentro do seu leito”, mas falta a parte sul do distrito, onde ainda não regressou totalmente ao seu curso normal.

A tendência para os próximos dias é de “normalização” do curso do rio, “primeiro, mais a norte” e, “para o final do mês, na Lezíria”.

“O rio está a descer bastante e amanhã [sábado] faremos uma reunião, de manhã, da comissão distrital [da Protecção Civil de Santarém] e iremos possivelmente baixar para o amarelo” o nível do alerta, que actualmente se encontra no vermelho, antecipou.

Com a descida do rio e do nível de alerta, na segunda-feira, as autoridades esperam “começar as operações de limpeza no Médio Tejo”, trabalho que só deverá começar a ser executado “mais para o final do mês, na Lezíria”, acrescentou.

Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afectadas.

O Governo declarou situação de calamidade até hoje para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

Diário de Notícias
DN/Lusa
15.02.2026

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240: “Parece que temos ondas no chão”: comerciantes enfrentam nova cheia em Cascais

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🇵🇹 PORTUGAL // CASCAIS // INUNDAÇÕES

Autarquia mobilizou 118 operacionais e prepara apoios financeiros de quase meio milhão de euros para comerciantes, pescadores e munícipes afectados.

Desde a madrugada desta terça-feira, a Baixa de Cascais voltou a ficar inundada. A chuva intensa que caiu durante a noite, associada à subida da maré e aos solos saturados pela sucessão de tempestades das últimas semanas, provocou inundações em várias artérias do centro histórico, afectando lojas, restaurantes e habitações.

Infelizmente o Diário de Notícias não disponibiliza os links para os vídeos

No terreno estiveram, desde as primeiras horas do dia, os cinco corpos de bombeiros do concelho, apoiados por meios da Protecção Civil Municipal.

Em declarações ao Diário de Notícias, o presidente da Câmara Municipal de Cascais, Nuno Piteira Lopes, sublinhou que o concelho já se encontrava em estado de prevenção. “Nós, em Cascais, tínhamos equipas já de prevenção e com planeamento feito, com meios de prontidão para poder ocorrer a qualquer situação que pudesse vir a acontecer, como aconteceu”, afirmou.

A situação mais crítica registou-se na Baixa, que durante a madrugada galgou as margens. “Temos neste momento e desde a madrugada cerca de 118 homens a trabalhar no terreno, nomeadamente na Baixa de Cascais”, explicou o autarca, acrescentando que foram mobilizadas “bombas de alto débito para retirar a água”. Apesar de a situação estar agora “controlada”, o presidente alertou para a necessidade de manter o dispositivo reforçado: “Prevê-se um agravamento do tempo ao final da manhã e ao início da tarde, o que irá coincidir com a maré alta e por isso iremos manter os meios todos disponíveis”.

Também a comandante da Associação Humanitária dos Bombeiros de Cascais, Cristina Santos, confirmou a dimensão da operação. “Houve bastante pluviosidade durante a madrugada, tendo inundado certas zonas de risco aqui da zona da Baixa de Cascais”, explicou. No terreno, encontram-se equipas posicionadas “entre as zonas de maior alagamento, assim como várias lojas”, com especial incidência na área entre o Largo Camões e o Hotel Baía.

A comandante destacou que o pico da maré condicionou os trabalhos: “Estamos mesmo no pico da maré, o que significa que o nível de escoamento da Baixa de Cascais é bastante reduzido.” Por essa razão, os trabalhos deverão prolongar-se “ao longo de todo o dia de hoje e possivelmente pela noite dentro”, dependendo da evolução da maré e das condições meteorológicas.

Quanto aos estragos, ainda é cedo para uma avaliação rigorosa. “Só quando conseguimos retirar a água é que se consegue verificar a real dimensão dos estragos”, referiu Cristina Santos, adiantando que, para já, a maioria dos danos registados é ao nível do piso térreo, embora haja situações mais graves, como uma loja onde a água atingiu “quase acima de dois metros”.

No terreno, a angústia dos comerciantes é evidente. Angelina Ferreira, proprietária de uma ourivesaria na Rua da Baía, descreve um cenário devastador. “Tenho a loja toda cheia de água e a cave toda submersa. Já conseguimos, com máquinas, tirar a água. Só que, como a parte de trás ainda continua cheia de água, já subiu outra vez”, relata.

A comerciante fala num efeito dominó entre estabelecimentos: “Vem de umas lojas para as outras.” O impacto estrutural é já visível: “Reparei que tenho o chão todo levantado. Parece que temos ali ondas. Até dá para saltar.”A água infiltra-se pelas paredes e pelo pavimento, comprometendo seriamente o espaço. “As paredes vão ter de ser todas feitas de novo”, lamenta, sem conseguir ainda quantificar os prejuízos. “Não tenho noção nenhuma.”

Na Farmácia da Misericórdia, a poucos metros dali o cenário é distinto, mas igualmente preocupante. Graça, funcionária do estabelecimento, descreve o que vê à sua volta: “Aquilo que nós vemos é uma tragédia, principalmente da parte dos restaurantes, que este ano já não têm conta as vezes que foram inundados.” A água que invadiu as ruas é, segundo diz, “lama autêntica”.

Apesar de a farmácia não ter sido afectada desta vez, graças a bombas instaladas numa loja vizinha, o ambiente é de solidariedade com os restantes comerciantes. “Temos um aparato enorme de bombeiros e de protecção civil a tentar ajudar e fazer aquilo que podem fazer”, afirma.

Face aos danos, a Câmara Municipal anunciou um pacote de medidas de apoio que ascende a quase meio milhão de euros. Está a ser preparada para a próxima reunião de Câmara uma proposta de criação de um fundo de emergência de 150 mil euros para os comerciantes da Baixa de Cascais, a que se somam outros 150 mil euros destinados a munícipes afectados por danos provocados pela queda de árvores. Haverá ainda um fundo de apoio à comunidade piscatória, que há cerca de um mês não consegue sair para o mar, e a isenção do pagamento de taxas e licenças municipais para os comerciantes afectados.

Este valor, assim que seja aprovado na reunião de Câmara, estará disponível para começar a distribuir a todos os munícipes afectados e comerciantes”, garantiu Nuno Piteira Lopes.

O autarca deixou ainda um apelo à população: “Vivemos um fenómeno atípico, com as piores tempestades dos últimos largos anos. Os terrenos estão muito saturados, já não aguentam mais chuva.” E acrescentou: “Aquilo que eu peço aos cascalenses é que confiem no trabalho dos corpos de bombeiros, das forças de segurança e da protecção civil, porque estamos coordenados.”

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera emitiu, entretanto, um aviso amarelo para vento no concelho de Cascais, prevendo rajadas até 80 km/h, podendo atingir 100 km/h nas serras. As autoridades pedem à população que evite deslocações desnecessárias, que recolha objectos soltos e que se afaste de zonas arborizadas.

Na Baixa de Cascais, entre mangueiras, bombas de água e comerciantes que tentam salvar o que resta, o dia será longo. A normalidade poderá demorar a regressar, mas para já a prioridade é conter a água e minimizar os estragos de mais uma madrugada de tempestade.

Diário de Notícias
Cecília Carmo
11.02.2026

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234: Alerta da Protecção Civil. Chuva dos próximos dias não deve ser encarada como episódio normal de Inverno

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🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // CHUVA

Reforçado apelo de cuidado redobrado para possíveis situações de deslizamentos de terra. “O solo encontra-se bastante instável”, devido à “precipitação” e “acumulado de água”, diz Protecção Civil.

Foto: Reinaldo Rodrigues

A precipitação é a principal preocupação nos próximos dias, afirmou esta terça-feira, 10 de Fevereiro, o comandante nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC), no habitual briefing. Mário Silvestre lembrou que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) está com aviso laranja para chuva, o que “numa situação normal, seria um episódio normal de inverno”. No entanto, não é”, alertou, referindo o impacto que a chuva terá nos cursos de água, já muito saturados.

Os rios Mondego, Sorraia, Tejo, Vouga e Sado continuam a ter risco significativo de inundação. Juntam-se a estes os rios Minho, Coura, Lima, Cávado, Ave, Douro, Lis, Sousa, o Tâmega, Nabão e Guadiana, indicou o responsável.

“É uma lista muito extensa dos principais cursos de água que, neste momento, são afectados ou, potencialmente, serão afectados por inundação. Vai de Norte a Sul do país”, destacou o responsável.

Explicou que é preciso ter cuidado noutros “ribeiros, noutras zonas que têm afluentes a estes rios”.

“Não é uma situação apenas para as povoações mais ribeirinhas, mas é transversal a todas as pessoas que vivam nestas zonas”, sublinhou no ponto de situação do mau tempo na sede Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil, em Carnaxide, Oeiras.

O comandante nacional da Protecção Civil reforçou o apelo para o cuidado redobrado nas possíveis situações de deslizamentos e quedas de árvores “nas zonas mais densamente arborizadas e nas zonas onde existem declives maiores no terreno”. “O solo encontra-se bastante instável, em virtude da precipitação e do acumulado de água”, justificou, ao final da manhã, no ponto de situação.

Os rios Mondego, Sorraia, Tejo, Vouga e Sado continuam a ter risco significativo de inundação. Juntam-se a estes os rios Minho, Coura, Lima, o Cávado, Ave, Douro, Lis, Sousa, o Tâmega, Nabão e Guadiana, indicou o responsável. Explicou que é preciso ter cuidado noutros “ribeiros, noutras zonas que tem afluentes a estes rios”.

“Não é uma situação apenas para as povoações mais ribeirinhas, mas é transversal a todas as pessoas que vivam nestas zonas”, sublinhou.

Referiu que, entre o dia 1 de Fevereiro e as 12h00 de hoje em Portugal continental, foram registadas 13.388 ocorrências, com mais de 46 mil operacionais no terreno, sendo a queda de árvore a ocorrência mais significativa, seguida de deslocação de massas e inundações.

O comandante nacional da Protecção Civil alertou para a possibilidade de inundações potencialmente em áreas urbanas e junto aos cursos de água, deslizamentos de terra e colapsos de muros.

Devido ao mau tempo, foram activados 11 planos distritais, 125 planos municipais e 15 declarações de situação de alerta emitidas pelos municípios, indicou o comandante nacional da Proteção Civil.

Diário de Notícias
Susete Henriques, Sofia Fonseca
10.02.2026

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