459: Preço do cabaz alimentar volta a subir e já é 72 euros mais caro do que há quatro anos

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🇵🇹 PORTUGAL // CABAZ ALIMENTAR MAIS CARO

A subida para 259,31 euros, verificada nos primeiros dias de Junho, interrompe um ciclo de três semanas de descidas. Desde o início do ano, a mesma cesta já acumula uma subida de 7,2%.

O cabaz inclui produtos como carne, congelados, frutas e legumes, lacticínios, mercearia e peixe.
Leonel de Castro/Global Imagens

O preço do cabaz alimentar monitorizado semanalmente pela DECO PROteste registou uma subida na primeira semana de Junho, interrompendo um ciclo de três semanas de descidas.

A organização aponta um aumento de 1,97 euros — mais 0,77% — para um total de 259,31 euros.

A associação lembra que, desde o início do ano, a mesma cesta já acumula uma subida de 17,48 euros, equivalente a 7,2%.

Comparando com há cerca de quatro anos e meio, a 5 de Janeiro de 2022, os consumidores pagam hoje mais 71,61 euros — um acréscimo de 38,2% pelo mesmo conjunto de produtos.

A DECO PROteste sublinha ainda que, nos últimos meses, os valores do cabaz têm batido recordes quase semanalmente, reflectindo a persistente pressão sobre o poder de compra das famílias.

Dinheiro Vivo
Nuno Braga
05.06.2026

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458: Ministra reforça que areal das praias é de acesso livre excepto nas zonas concessionadas e faixas de segurança

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🇵🇹 PORTUGAL // PRAIAS // CONCESSIONÁRIOS // OCUPAÇÃO

Autarquias são responsáveis por definir as áreas concessionadas e garantir informação clara aos banhistas sobre os espaços de utilização pública, sublinhou Maria da Graça Carvalho.


José Mota

A ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, reafirmou esta sexta-feira, 5 de Junho, que o areal das praias portuguesas é de utilização pública e acesso livre, excepto nas áreas concessionadas e nas respectivas faixas de segurança.

Segundo a ministra, compete às câmaras municipais definir as concessões e divulgar os planos de praia de forma clara. “Cabe às câmaras municipais fazer as concessões e divulgar o plano de praia”, afirmou, citada pela agência Lusa, durante uma visita à Praia da Fuseta-mar, em Olhão, onde decorre uma intervenção de reforço sedimentar.

Graça Carvalho defendeu ainda a colocação de esquemas informativos à entrada das praias para identificar as zonas concessionadas, as áreas de segurança e os espaços de utilização livre.

Questionada sobre a existência de sinalética que continua a encaminhar os banhistas para zonas específicas do areal, a ministra considerou que eventuais informações incorrectas devem ser corrigidas pelas autarquias. “A lei não mudou e estou convencida de que a maior parte da sinalética está bem e está de acordo com a lei”, sublinhou.

Maria da Graça Carvalho recordou que as concessões não podem ocupar mais de 30% da área útil da praia nem exceder 50% da frente de praia. As faixas de segurança, acrescentou, podem ser estabelecidas junto às entradas, postos de nadadores-salvadores, embarcações de salvamento ou junto ao mar, variando de acordo com as características de cada praia.

Esta semana, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) esclareceu que os utentes podem colocar chapéus-de-sol, para-ventos e outros equipamentos balneares particulares à frente de áreas concessionadas, quando não se tratar de faixas de segurança. A entidade reforçou que “as praias são espaços de utilização pública e de acesso livre” e que as zonas sem licença ou concessão permanecem disponíveis para utilização livre pelos banhistas.

Diário de Notícias
Rui Frias
05.06.2026

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457: Quando todos perdem

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🇵🇹 OPINIÃO

Portugal acordou, nos últimos dois dias, mais silencioso. Na quarta-feira foi dia de greve geral, marcada – curiosamente – para a véspera de um feriado nacional e a data não deixou de merecer reparos generalizados.

É a segunda greve geral no espaço de oito meses, com o mesmo assunto a motivá-la, ainda que, desta vez, sem o apoio da UGT.

Numa altura em que se aproxima o final do ano lectivo, milhares de alunos tiveram constrangimentos nas suas provas ModA (Monitorização das Aprendizagens); outros ficaram sem aulas necessárias para a preparação dos exames nacionais; mais de metade dos voos do aeroporto de Lisboa foram cancelados; milhares de consultas e actos médicos foram adiados… Tudo questões mais do que válidas, mas que nos têm de fazer pensar seriamente sobre o que está em causa.

Naturalmente, a greve é um direito consagrado na Constituição e todos devemos defendê-lo, queiramos ou não utilizá-lo – até porque estamos no direito de fazer uma coisa ou outra. Esta segunda paralisação, que levou milhares à rua para se manifestarem contra o pacote laboral, no entanto, recolheu menos apoio que a de há uns meses, não apenas pela questão da data, já referida anteriormente (o facto de haver quem tenha passado o dia de greve na praia, afirmando-o tranquilamente nas televisões, não ajudou à percepção) – mas também porque ainda não é clara a alternativa apresentada ao pacote laboral que está em cima da mesa.

É certo que este pacote laboral tem vários problemas, sendo o principal, para mim, a ambição meio desproporcionada. Querer introduzir mais de 100 alterações, numa lei que não sofre mexidas há anos, é despropositado e muito pouco sensato. Mas também é verdade que Portugal tem, quando comparado com os seus congéneres europeus, uma das leis laborais mais restritivas e inflexíveis, o que dificulta a vida a todos.

“É verdade que é preciso flexibilizar o mercado de trabalho nacional, cuja lei está ajustada a uma realidade que já não existe”

É também verdade que há medidas que são escandalosas para o século XXI, nomeadamente a permissão do outsourcing em situações de despedimento ou a reversão da facilidade de fazer teletrabalho, para quem tem filhos pequenos – se tivermos em conta que estamos no meio de uma crise energética, habitacional e financeira, este ponto é ainda mais absurdo.

No mesmo sentido, a questão do horário flexível já nem devia ser um tema – a era industrial já passou, e até os cientistas já vieram dizer e repetir que é mais rentável permitir, sendo conciliável com a actividade da empresa em questão, que a pessoa trabalhe consoante o seu ritmo circadiano.

Por outro lado, também é verdade que é preciso flexibilizar o mercado de trabalho nacional, cuja lei está ajustada a uma realidade que já não existe e que tem perpetuado décadas de salários baixos e pouca produtividade. E é possível chegar a um entendimento, se houver vontade de parte a parte, que é coisa que tem faltado.

Por isso, não admira também que depois haja divergências gritantes entre os números de adesão à greve libertados pelos sindicatos e os que o Governo divulga. A verdade é que, em Portugal, as greves nunca tiveram os impactos que conseguiram noutros países, o que se prende com razões históricas e culturais e tantas outras variáveis.

Se esta paralisação vai afectar mais o Governo ou todas as pessoas que viram adiadas questões fundamentais – incluindo pais que perderam dias de trabalho porque, mais uma vez, não há escolas – vai ser difícil de saber. Para já, saímos todos a perder com esta negociação, que nem acontece, nem deixa de acontecer, o que só aumenta o cenário de incerteza, insatisfação e desalento de um país que precisa de motivos para conseguir olhar com mais esperança para o futuro.

Diário de Notícias
Margarida Vaqueiro Lopes
Sub-directora do Diário de Notícias e directora executiva do Dinheiro Vivo
05.06.2026

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