Veja como pedir o reembolso total ou troca gratuita para outro comboio.
FOTO: Paulo Spranger
A CP – Comboios de Portugal prevê perturbações na circulação de comboios devido à greve geral de quarta-feira, 3 de Junho, e alerta para possíveis impactos também no dia anterior e seguinte.
A empresa divulgou os serviços mínimos previstos para os comboios urbanos, regionais e de longo curso, os quais podem ser consultados aqui.
Os clientes que já tenham bilhetes para viajar em comboios dos serviços Alfa Pendular, Intercidades, Internacional, InterRegional e Regional, podem pedir o reembolso total, ou troca gratuita para outro comboio da mesma categoria e na mesma classe.
Para reembolso ou troca de forma automática, a CP recomenda, para os bilhetes adquiridos nos canais digitais e até 15 minutos antes da partida do comboio da estação de origem do cliente, o site na área “pós venda”, ou na App MyCP, ou as bilheteiras físicas, antes ou após a data da viagem, e até 10 dias após o fim da greve.
Sujeito a tempos de resposta superiores, poderá também pedir o reembolso através do formulário online “Reembolso por Atraso ou Supressão”.
A semana entre os dias 1 e 7 de Junho “deverá ser menos quente que a anterior, em particular no litoral”, de acordo com o IPMA, que admite, ainda assim, que “deverão manter-se ainda valores elevados de temperatura máxima no interior”.
Depois de uma segunda quinzena de maio marcada por uma vaga de calor que colocou os termómetros acima dos 30 graus – e, nalguns casos, até acima dos 40.º – o que esperar da primeira semana de Junho?
Para já, a semana que se inicia na próxima segunda-feira “deverá ser menos quente que a anterior, em particular no litoral”, de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Contudo, dizem os meteorologistas, “deverão manter-se ainda valores elevados de temperatura máxima no interior”.
De acordo com a previsão do IPMA para o estado do tempo na semana entre 1 e 7 de Junho, o anticiclone dos Açores “irá deslocar-se ao longo da semana e localizar-se a oeste do arquipélago, devendo estender-se em crista para a Península Ibérica, com o fluxo a ser predominantemente do quadrante oeste. Essa crista não será intensa e irá permitir a passagem de sistemas frontais em dissipação, que originarão alguma precipitação fraca, em especial no litoral Norte e Centro, e influenciarão as temperaturas nas zonas litorais”.
E, se no Interior as temperaturas previstas deverão continuar acima dos valores normais para a época, como vão estar os termómetros? Nas regiões do interior Norte e Centro, a temperatura máxima deverá variar entre 21°C e 31°C, enquanto que na região Sul variará entre 27°C e 35°C. No litoral ocidental “deveremos ter temperaturas máximas entre 19°C e 29°C e no litoral sul deveremos ter temperaturas máximas entre 23°C e 34°C”.
No que toca às temperaturas mínimas, deverão situar-se entre os 8°C e os 17°C nas regiões do interior Norte e Centro e entre 11°C e 17°C na região Sul, sendo que nas zonas litorais os valores deverão variar entre 12°C e 19°C.
Se o arranque do mês de Junho significa, no seu caso, o arranque das férias e início da época balnear, saiba que, no que toca à ida a banhos, as notícias não são muito animadoras: a temperatura da água “terá uma tendência de descida ao longo da semana, devendo apresentar valores entre os 16°C e os 18°C na costa ocidental, sendo que na costa sul se esperam valores entre os 16°C e os 19°C”.
Quanto ao fim de semana, oito distritos de Portugal continental ainda vão estar sob aviso amarelo devido ao tempo quente, pelo menos até às 18 horas de sábado. São eles Beja, Évora, Portalegre, Castelo Branco, Guarda, Viseu, Bragança e Vila Real.
O aviso amarelo, o menos grave de uma escala de três, é emitido sempre que existe uma situação de risco para determinadas actividades dependentes da situação meteorológica.
No domingo, já não deverá haver qualquer distrito sob avisos meteorológicos.
As manchetes têm-se sucedido nos últimos dias – inclusivamente no Dinheiro Vivo – e parecem espantar toda a gente: caos no aeroporto de Lisboa vai provocar problemas na restauração, nas agências de viagem e na hotelaria nacionais.
Um vídeo da correspondente internacional principal da CNN, Clarissa Ward, tornou-se viral esta semana, depois de a repórter de guerra ter filmado uma fila imensa de pessoas à espera para conseguir passar no controlo de passaportes do aeroporto de Lisboa, enquanto contava a sua própria experiência, nas redes sociais: esperou, perdeu o voo que ia apanhar, continuou à espera…
Confesso que me deixa sempre surpreendida esta capacidade que temos de nos espantarmos com algo que não é novo. Há mais de 50 anos que se fala num novo aeroporto e, na última década, apesar de o discurso se ter inflamado, o resultado foi exactamente o mesmo: zero. No entanto, o Turismo de Portugal, juntamente com associações do sector apostaram significativamente no aumento do turismo, a quem devemos grande parte do desenvolvimento económico a que o país assistiu desde o pico da crise financeira, em 2012.
Ora, não é possível ter mais turistas sem preparar para isso as estruturas que os recebem. Bem que podem aumentar o número de polícias, substituir sistemas, suspender temporariamente o controlo fronteiriço e escrever textos inflamados nos jornais: quando o espaço não estica, não há milagres.
Há uns meses escrevi nestas páginas algo parecido, sobre o aumento significativo do número de habitantes em território português nos últimos cinco anos: tal como acontece quando regamos uma planta, se formos colocando água em quantidades moderadas, a terra consegue absorvê-la; mas se decidirmos despejar um litro e meio de água para o vaso, não há muitas dúvidas de que a água vai transbordar.
No aeroporto – pasme-se! – não é diferente. Por muito que se tente fazer obras, alterar percursos ou regras, o que é certo é que não é possível, naquele espaço, acolher a quantidade de viajantes que as companhias aéreas querem, os hotéis e os restaurantes precisam (porque agora se dimensionaram para estes números recorde) e o país tem recebido. Simples assim.
Lisboa tem-se tornado motivo de chacota internacional porque o aeroporto parece, na verdade, um grande armazém onde nada faz sentido. Os passageiros que chegam e que partem cruzam-se nos mesmos corredores; as filas nos controlos fronteiriços são inenarráveis; os atrasos sucedem-se porque não há, sequer, forma, de garantir que todos os voos previstos saem a horas – é como se o trânsito do aeroporto se juntasse ao da 2.ª Circular, mas sempre em hora de ponta – e a experiência é, na larga maioria das vezes, pouco agradável.
Aliás, recentemente, até a zona do lounge da TAP esteve em obras, o que fez com que várias pessoas se espalhassem pelos corredores, encostadas a plásticos de protecção.
Tudo isto podia ser somente interpretado como falta de respeito pelos passageiros, que pagam cada vez taxas mais elevadas para viajar. Mas na verdade, creio que é até mais grave do que isso. É sintomático de uma cultura de descaso que se tem visto em vários serviços públicos, e que tem sido perpetuada por governantes ao longo das últimas décadas.
Seria fácil resolver a questão do aeroporto se houvesse vontade política para resolver um problema, ao invés de estarem à espera de quem ganha uma guerra de poder onde quem perde são sempre os mesmos: os consumidores e os contribuintes.
Diário de Notícias
Margarida Vaqueiro Lopes
Editora-Executiva do Diário de Notícias
29.05.2026
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- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).
Corria um tranquilo sábado, como devem ser todos os sábados, quando o simples e costumeiro gesto de ligar a televisão nos traz a surpresa e a perturbação.
Naquele sábado, sétimo dia da semana, dia de descanso consagrado como tal por várias religiões e, também, na legislação portuguesa desde a década de 60 do século passado, a televisão é porta-voz da afirmação de que “o povo está farto”.
Quando, depois de podar as roseiras e conversar com um amigo de infância, liguei a televisão e, de supetão, antes do almoço em família ouço o senhor primeiro-ministro afirmar que “o povo estava farto”, tive um sobressalto.
Consciente das dificuldades por que passamos, e apesar da minha orientação política diversa, logo tendi a concordar.
Os portugueses estarão certamente desgostosos com a incapacidade de atendimento dos serviços de saúde ou com as dificuldades que a crescente inflação impõe ao seu quotidiano.
Estarão também angustiados por não conseguirem ter a casa que ambicionam, ou os salários que lhes assegurem uma vida digna.
Alguns estarão mesmo cansados de esperar pelos apoios para se recuperarem das recentes catástrofes naturais, apoios que teimam em não chegar.
Estava nestes pensamentos quando percebi que não era deste tipo de realidades que o senhor primeiro-ministro achava que o povo estava farto.
Socorrendo-me da tecnologia que permite ver a qualquer hora, qualquer notícia na sua integralidade, percebi que as preocupações do senhor primeiro-ministro não eram aquelas.
O que disse foi que “o povo não quer eleições, está farto de eleições. O povo já fez a sua opção e em 2029 fará a próxima”.
Ora, aqui chegados, convirá deixar para reflexão colectiva alguns princípios.
O povo não se farta de eleições pela simples razão de que não se farta da democracia e da liberdade de escolha, ou de censura, que a democracia, e só ela, permitem.
Quem encontra a legitimidade do seu cargo no voto soberano do povo não pode, seja em que circunstância for, diminuir ou apoucar esse exercício.
O exercício dos mais relevantes lugares do Estado Português obriga ao conhecimento e rígido respeito pelas leis da República, e todos sabemos que a duração dos mandatos e a marcação de eleições depende da avaliação e decisão de vários órgãos de soberania.
O povo pode estar farto. Mas, não está farto de eleições. Estará, porventura, cansado de programas não-cumpridos. Mas, isso é outro assunto.
Talvez faça aqui sentido citar Francisco Sá Carneiro, em declarações de 1980:
“Democracia representativa significa o funcionamento de órgãos de soberania eleitos e o pleno respeito pela acção da oposição parlamentar…
Posso concordar ou não com as posições alheias, mas respeito os meus colegas e os seus pontos de vista (…). Admito que as opiniões dos outros sejam melhores.”
Nota final: sendo hoje 28 de Maio, e um século passado, tem especial significado não apoucar as eleições e a participação dos cidadãos.
As temperaturas mínimas vão oscilar entre os 16 e os 23 graus e as máximas entre os 29 (em Faro e Viana do Castelo) e os 38 (em Santarém e Évora).
Fenómeno das ‘ilhas de calor’ na cidade, onde a temperatura aumenta, ocorre, entre outros motivos, pela falta de árvores. Leonardo Negrão
Esta semana está a ser marcada por muito calor no território nacional, o que levou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) a emitir avisos. A Direcção-Geral da Saúde (DGS) também está a fazer recomendações à população.
É o resultado de uma onda de calor está a atingir a Europa, com temperaturas recorde para maio. Há alertas das autoridades em países como Espanha, França, Irlanda, Reino Unido, Áustria e República Checa.
As altas temperaturas registadas em grande parte da Europa, acima do normal para maio, obrigaram as autoridades de vários países a emitir alertas de calor e a tomar precauções extremas para evitar incêndios florestais.
Que distritos estão sob aviso meteorológico?
Todos os distritos de Portugal continental, com exceção de Faro, estão esta quarta e quinta-feira sob aviso amarelo devido à previsão de tempo quente, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
O aviso nos 17 distritos vai vigorar entre as 09:00 de hoje e as 18:00 de quinta-feira face à previsão de persistência de valores elevados da temperatura máxima. O aviso amarelo, o menos grave de uma escala de três, é emitido sempre que existe uma situação de risco para determinadas actividades dependentes da situação meteorológica.
O IPMA prevê para esta quarta-feira continuação de tempo quente e aguaceiros no interior Norte e Centro, que serão acompanhados de trovoada e poderão ser ocasionalmente sob a forma de granizo e acompanhados de rajadas fortes.
A previsão aponta ainda para vento em geral fraco predominando do quadrante leste, poeiras em suspensão, em especial nas regiões Norte e Centro e pequena subida de temperatura, em especial da mínima.
As temperaturas mínimas vão oscilar entre os 16 graus (em Bragança, Viana do Castelo, Leiria e Setúbal) e os 23 (em Portalegre) e as máximas entre os 29 (em faro e Viana do Castelo) e os 38 (em Santarém e Évora).
De acordo com o IPMA, o tempo quente vai manter-se em Portugal continental com temperaturas elevadas, estando praticamente todo o território em onda de calor.
Que concelhos têm maior risco de incêndio?
O IPMA prevê para os próximos dias para várias regiões do país perigo de incêndio muito elevado e elevado. Hoje, os concelhos de Aljezur, Monchique, Portimão, Silves, Loulé, São Brás de Alportel e Tavira, no distrito de Faro, e Pampilhosa da Serra, em Coimbra apresentam perigo máximo de incêndio rural, estando quase todos os concelhos do continente em risco muito elevado e elevado.
Quais são as recomendações da DGS?
Tendo em conta as previsões de temperaturas elevadas, a Direcção-Geral da Saúde já emitiu diversas recomendações à população, entre elas a ingestão de água com frequência (pelo menos 1,5 litros/dia) e a procura de ambientes frescos ou climatizados pelo menos durante duas a três horas por dia.
Recomenda igualmente que se evite a exposição directa ao sol, principalmente entre as 11:00 e as 17:00, assim como a utilização de roupas de cor clara, leves e largas, que cubram a maior parte do corpo, chapéu e óculos de sol com protecção ultravioleta.
Pede especial atenção aos grupos mais vulneráveis ao calor, como crianças, pessoas idosas, doentes crónicos, grávidas ou trabalhadores com actividade no exterior.
A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, revelou esta quarta-feira que a subida das temperaturas fez aumentar a procura do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e o nível de prontidão dos planos de contingência.
A praia tem um lugar especial no coração de uma larga maioria dos portugueses. Seja pelas memórias e bem estar que proporciona, pela associação a tempos de lazer e de férias, ou outro motivo qualquer. É um espaço público do mais democrático que pode existir, onde se misturam ricos e pobres, locais e turistas, crianças e seniores. Pelo menos, assim devia ser. No entanto, aos poucos, vão surgindo obstáculos. Problemas de vária ordem e que precisam de respostas diferentes, para que permaneça livre o acesso da população a estes espaços públicos.
Há tendências que surgem rapidamente e que só se conseguem conter com legislação (como aconteceu com a proibição do uso de colunas de som na praia), outras que tentam ganhar terreno lentamente e que precisam de ser contestadas tanto judicialmente, como através da voz dos cidadãos (caso das cadeias hoteleiras que procuram condicionar/dificultar o acesso à linha de praia, quase como privatizando esses locais), e ainda aquelas que já se instalaram de tal forma, normalizando-se, que se torna necessário recordar que não têm qualquer respaldo na lei.
Foi isso que fez esta semana o presidente da Associação Portuguesa do Ambiente (APA) em relação à suposta interdição de os banhistas utilizarem chapéus-de-sol no areal em frente às concessões de praia, as quais cobram pela utilização de pontos de sombra fixos e outras comodidades, como espreguiçadeiras, garantindo aos seus clientes, ao mesmo tempo, mas de forma encapotada, vista directa para o mar.
“A única área que está onerada e que está concessionada é aquela que está delimitada por aquele rectângulo e nada mais, isto que fique claro. Todo o resto é de uso livre”, afirmou José Pimenta Machado, salientando ainda que a colocação de sinalética a proibir de chapéus-de-sol em frente das concessões “é um abuso” e que essa situação terá de ser revista.
Algumas concessionárias navegam no desconhecimento dos banhistas e até das autoridades para criar o seu próprio conjunto de regras, muitas vezes defendido em primeiro lugar pelos nadadores-salvadores que estas têm de contratar por obrigação legal.
Além disso, mesmo alguns banhistas mais conscientes da lei preferem deslocar o chapéu-de-sol uns metros mais para o lado e evitar, logo à partida, uma troca de argumentos capaz de perturbar um dia que devia ser de ócio – não deixa de ser curioso que tanta gente obedeça sem pestanejar à sinalética das concessionárias e, depois, não tenha qualquer problema em colocar o chapéu-de-sol por baixo de uma arriba instável.
Pois bem, este alerta da APA chega em boa hora e a clarificação deve ser rápida, para que Portugal não se transforme numa nova Itália. Por lá, as concessionárias permanecem há décadas nas mãos da mesmas famílias e foram ganhando metros de areal com o passar dos anos, empurrando o banhista que não quer pagar pelos serviços para faixas de terreno cada vez mais curtas.
Nos últimos anos, grupos de cidadãos organizaram-se para contestar este poder das concessionárias e o assunto tornou-se até um foco de pressão política para o governo de Giorgia Meloni. Por cá, talvez seja chegada a hora de colocar o seu chapéu-de-sol bem em frente à concessionária e defender esse direito, se for preciso. Antes que seja tarde demais.
Diário de Notícias
Pedro Sequeira
Editor-executivo do Diário de Notícias
27.05.2026
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É normal que em idades mais avançadas nos atinja e alcance com mais força o peso do irreversível e a aura da nostalgia. Compreendemos que não poderemos nunca mais retomar os caminhos que deixámos por percorrer, os trabalhos que deixámos por fazer, os seres e as coisas que deixámos por conhecer.
Como nos avisa Robert Frost, no seu famoso poema “The road not taken”, não teremos oportunidade de voltar ao bosque onde, na encruzilhada, escolhemos o caminho menos percorrido, para irmos reconhecer o outro caminho, aquele que não tomámos. E mesmo que regressemos a todos os lugares do nosso percurso de vida, nem nós próprios nem esses lugares são já os mesmos. Como amargamente reconheceu o português António Mourão, o tempo não volta mesmo para trás.
Ninguém reconheceu Ulisses (só o cão!) quando ele finalmente regressou a Ítaca. Estarmos vivos significa que o que já fomos morreu. E como fugir a esse eterno e permanente luto por nós próprios, que se acrescenta ao luto por todos aqueles que perdemos?
Menos pessimista que o nosso António Mourão, o filósofo francês Vladimir Jankélévitch, no seu livro L’Irréversible et la Nostalgie aponta para o facto de o nosso corpo, as células e os tecidos do nosso corpo, terem uma capacidade de regeneração e de substituição que, se não nos dá a imortalidade, pelo menos nos permite prolongar a vida.
E se olharmos a vida que nos resta como um novo terreno de escolhas e de apostas, em que continuamos a escolher entre caminhos – mesmo sabendo que não voltaremos àquela encruzilhada, pois outras se nos irão abrir –, guardaremos da nostalgia a sua irrepetível beleza, sem perdermos nela a alegria e o poder criador de estarmos vivos.
O irreversível vem assim abrir-se à esperança, que é a última a morrer-nos. E a força de “ter sido” vem compensar toda a nostalgia do que “poderia ter sido”.
Vivemos uma época de transição num ambiente de crescente irracionalidade. Não é inédita a violência e a irracionalidade destes nossos tempos, mas é nova a arrogante e assertiva afirmação (“para além do bem e do mal”), com que os poderosos se congratulam publicamente com a sua própria crueldade. Já não vivemos a banalização do mal, denunciada por Hannah Arendt: vivemos hoje a exaltação do mal!
Governos que torturam e governos que protegem e promovem desordeiros sempre existiram. Mas governos que filmam os seus próprios ministros, risonhos, a torturar, e governos que absolvem e indemnizam arruaceiros que invadiram o seu próprio Congresso, estes pertencem já a um novo modelo, o da exaltação do mal.
Eu escrevo estas considerações pessoais por imaginar que alguém possa tirar algum conforto destas ideias sobre a irreversibilidade do envelhecimento, neste país de população envelhecida e trabalhada pelo tempo e pela História. Mas eu sou dos que se recusam a olhar só para o copo meio vazio e por isso continuo, apesar de tudo, a acreditar nas jovens gerações.
Sim, há uma dura luta a travar pelo humano contra o instrumental, pelo pensamento contra o embrutecimento, pela vida contra a mecanização e a instrumentalização da vida, pela civilização contra a exaltação do mal. Mas acredito que o humano triunfará sobre a desumanização, porque a força das coisas e da própria vida a tal irá conduzir.
Desde o início de 2022, os portugueses pagam consideravelmente mais pelo que põem no prato. Não é impressão: é aritmética. Segundo a Deco Proteste, que monitoriza semanalmente um cabaz de bens essenciais, a carne de novilho passou de 5,82 euros por quilo para mais do dobro – 12,95 euros. Os ovos subiram mais de 80%. O peixe acumulou subidas de dois dígitos, registando uma variação homóloga de 23,3% de Março de 2025 a Março de 2026. A inflação geral no mesmo período? Pouco mais de 15%. A diferença entre o que se paga na proteína animal e o que a inflação “oficial” registou é, ela própria, uma forma de empobrecimento silencioso.
A energia não ficou atrás. Segundo a ERSE, Portugal ocupa o 8.º lugar na gasolina 95 mais cara da União Europeia, com 56% do preço correspondente a impostos – acima da média europeia e muito acima de Espanha, onde a carga fiscal ronda os 49%. Na gasolina simples, cerca de 97 cêntimos de cada litro correspondem a taxas e impostos; no gasóleo, 84 cêntimos. Na electricidade, o Eurostat coloca Portugal acima da média europeia mesmo descontando as diferenças de poder de compra entre países – esforço que países escandinavos como a Finlândia ou a Suécia ficam bem abaixo de suportar. Portugal apresenta 29PPS (purchasing power standard) por quilowatt-hora em paridade de poder de compra no primeiro semestre de 2025, acima da média europeia de 28,6. Em países como a Finlândia, Noruega ou Suécia, o valor fica abaixo dos 20PPS.
Os salários subiram, diz o Governo. E é verdade: o INE confirmou que a remuneração bruta mensal média atingiu os 1694 euros em 2025, com um crescimento real de 3,2%. O salário mínimo chegou aos 920 euros em 2026. Mas a média aritmética não tem fome. Para quem aufere rendimentos baixos ou médios, a fotografia compõe-se de outra forma: a renda consome o salário antes de chegarem as compras.
Sobre a habitação, o Deutsche Bank Research Institute – citado num relatório do Conselho Europeu sobre a crise habitacional europeia, publicado em Outubro de 2025 – calculou que, em Lisboa, os residentes destinam 116% do salário médio ao arrendamento: o valor mais elevado da União Europeia. Em Madrid, o rácio é de 74%. Em Viena, 37%. Em Frankfurt e no Luxemburgo, 34%. No Porto, a renda média de um T1 equivale a 85% do salário líquido médio local.
O discurso oficial entoa os indicadores macroeconómicos: défice reduzido, dívida em queda, saldo positivo. Tudo real. E tudo insuficiente enquanto critério de bem-estar. As finanças públicas saneadas não pagam a dúzia de ovos, não enchem o depósito, não baixam a renda. Há uma distância crescente – e politicamente muito perigosa – entre os números que os governos celebram e o frigorífico que muitos portugueses abrem ao fim do mês.
Portugal não tem um problema de estatísticas. Tem um problema de distribuição. O crescimento existe, mas não chega a quem precisa – não na velocidade, nem na forma necessária. E quando se come menos proteína, se anda menos de carro e se paga o salário em renda, o “sucesso” torna-se uma palavra que soa cada vez mais a ironia.
Talvez aqui esteja também a explicação para a saída de Portugal da tal geração mais preparada sempre. E a vinda de muitos outros milhares, para quem a carne de novilho, a gasolina ou uma casa só para a sua família continuam por cá a parecer a mesma miragem habitual e quaisquer 200 euros que possam mandar mensalmente para Daca lá representa dois salários mínimos.
Espera-se para esta terça-feira (26 de Maio) uma subida da temperatura, “que pode chegar aos 38/39 graus em zonas do Alentejo, Vale do Tejo e interior”, explica meteorologista do IPMA.
Foto: Reinaldo Rodrigues
O tempo quente vai manter-se em Portugal continental com as temperaturas máximas a poderem chegar esta terça-feira, 26 de maio, aos 38/39 graus Celsius, estando praticamente todo o território em onda de calor, disse à Lusa a meteorologista Alexandra Fonseca.
“Para hoje, estamos à espera de uma subida da temperatura, em especial da máxima, que pode chegar aos 38/39 graus em zonas do Alentejo, Vale do Tejo e interior”, disse, adiantando que no litoral oeste as subidas serão de 6 a 7 graus e no restante território 1 a 2 graus face às registadas na segunda-feira.
Quanto às temperaturas mínimas, são esperadas noites tropicais, acima de 20 graus sobretudo no interior do país, Alentejo e Algarve.
De acordo com a meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), segunda-feira foi o sexto dia com temperaturas acima da média a contar para onda de calor.
“Já estamos em onda de calor em praticamente todo o território. Não é uma situação muito normal [para esta altura do ano], mas não é inédito”, indicou.
Alexandra Fonseca adiantou também que a partir de hoje estão previstas poeiras em suspensão na atmosfera, mas não tão intensas como o episódio da semana passada.
“Devido a esta subida da temperatura e tempo quente, foram emitidos avisos amarelos que irão iniciar hoje, às 09:00, nos distritos de Leiria, Lisboa, Santarém, Setúbal Portalegre Évora e Beja. O restante território também irá ficar sob aviso de tempo quente a começar amanhã dia 27 [quarta-feira] à excepção de Faro. Este aviso prolonga-se até dia 28 [quinta-feira] com estas temperaturas elevadas”, indicou.
No entanto, está previsto para quarta-feira nova situação de aguaceiros acompanhados de trovoada e granizo durante a tarde no interior norte e centro.
“Para já os modelos mostram uma tendência de descida para quinta e sexta-feira. Não sabemos muito bem de quantos graus, mas vamos continuar a ter temperaturas elevadas de 30 a 35 graus”, referiu.
Onda de calor atinge a Europa, com temperaturas recorde para maio. França associa sete mortes às altas temperaturas
O IPMA prevê para os próximos dias para várias regiões do país perigo de incêndio muito elevado e elevado.
Uma onda de calor está a atingir a Europa, com temperaturas recorde para maio e alertas das autoridades em países como Espanha, França, Irlanda, Reino Unido, Áustria e República Checa, além de Portugal.
As altas temperaturas registadas em grande parte da Europa, acima do normal para maio, obrigaram as autoridades de vários países a emitir alertas de calor e a tomar precauções extremas para evitar incêndios florestais.
Nesta terça-feira, o governo francês contabilizou sete mortos, cinco delas por afogamento, relacionando os óbitos à onda de calor que atinge a França, disse a porta-voz do governo, Maud Bregeon.
O porta-voz da Agência Estatal de Meteorologia (AEMET), Rubén del Campo, anunciou na segunda-feira uma subida das temperaturas a partir de quarta-feira em grande parte da Península Ibérica com os termómetros atingir cerca de 40ºC e “noites tropicais”.
Quando Xi Jinping e Vladimir Putin se encontram — como aconteceu de novo esta semana — assistimos a uma demonstração geopolítica altamente coreografada e rica em simbolismos. Falam de um mundo multipolar e brindam a uma “nova era” e a uma parceria “sem limites”, a célebre expressão que saiu da reunião que tiveram em fevereiro de 2022, uns dias antes do arranque da inadmissível guerra de agressão russa contra a Ucrânia. As mensagens que procuram enviar para o resto do planeta, nomeadamente para a Europa, são muito explícitas.
Foram repetidas esta semana. Primeiro, que a China e a Rússia estão unidas por uma aliança inquebrantável, indispensável para a construção da nova ordem mundial que acham necessária. Segundo, pretendem que essa ordem será diferente da estabelecida nas últimas décadas pelo mundo ocidental, sobretudo desde o tempo do tandem Reagan-Thatcher e no período que se seguiu ao fim da Guerra Fria. Estamos claramente perante um projecto sino-russo de reordenamento à sua maneira das relações internacionais.
É, no entanto, uma parceria coxa, um relacionamento desigual. Do ponto de vista económico, por exemplo. A China é indiscutivelmente o centro de gravidade e o eixo primordial da economia vizinha. Representa agora entre 40% e 45% das importações russas. É uma dependência avassaladora. Por seu turno, apenas pouco mais de 4% do comércio externo da China é efectuado com a Rússia, segundo dados da Bloomberg. Trata-se de uma percentagem insignificante quando comparada com o valor das trocas entre a China e outras economias, sejam elas os EUA, a UE ou a ASEAN.
Por outro lado, a moeda chinesa, o yuan, é a divisa predominante no mercado financeiro de Moscovo. O yuan substituiu praticamente a maioria das transacções que anteriormente eram executadas em dólares norte-americanos. O resto é feito em rublos.
À desigualdade económica junta-se a política. Essa é a dimensão mais significativa da dissimetria entre os dois países. Existe uma hierarquia tácita que coloca o presidente chinês no topo. Dir-se-ia que Xi imagina, propõe e faz acontecer. Putin segue, quando pode, quando vê que isso não põe em causa a sua imagem política na cena doméstica em que ainda dita a lei.
Xi Jinping pretende ser o arquitecto da nova estrutura internacional, construída com calma, firmeza e tempo. Joga sem pressas desnecessárias. Está inteiramente convencido que, em breve, o seu país será um rival em pé de igualdade com os EUA. E que os desafios globais colocarão a China no centro das respostas multilaterais.
Vladimir Putin, por sua vez, confundiu desfiles pomposos com capacidade militar. Acabou por se atolar numa guerra intensamente desgastante, que cometeu o erro de iniciar sem qualquer respeito pela Lei Internacional e com umas forças armadas que fazem pensar na muito duvidosa lenda das aldeias de Potemkin. Putin continua a acreditar que é um gigante estratégico, quando na realidade a Ucrânia lhe está a pôr a nu os pés de barro.
Putin é igualmente uma nódoa na reputação internacional de Xi Jinping. Xi vê-se obrigado a defendê-lo nas mais diversas arenas políticas embora saiba que isso acarreta custos de reputação para o seu regime, que quer ser visto como o defensor da paz e da cooperação multilateral.
Os objectivos estratégicos de Xi são, no essencial, dois. Por um lado, assegurar o domínio chinês na região definida pelos oceanos Pacífico e Índico. Por outro, ganhar a dianteira no que respeita às tecnologias que estão a moldar o século XXI. Alcançar isto exige tempo e que as principais potências rivais andem distraídas com outras questões.
É aqui que os erros políticos de Putin se revelam de um valor incomensurável para a China. Por muito que não se pense nisso, a guerra sem fim à vista na Ucrânia mantém uma parte significativa das capacidades estratégicas, dos recursos militares e da atenção diplomática dos principais rivais da China longe de possíveis críticas e medidas contra a política interna e externa chinesa.
Cada reunião de crise no quadro da NATO ou nas capitais da UE representa uma distracção táctica para Washington e cria clivagens entre a Europa e os EUA. Tudo isto permite ao presidente Xi continuar o processo de subordinação económica e política da Rússia, bem como a modernização do Exército de Libertação Popular e blindar a economia da China contra possíveis sanções ocidentais. Putin é assim uma excelente distracção política.
A maior ansiedade de Xi em relação à Rússia diz respeito à filosofia bélica que continua a imperar no Kremlin. Quando Moscovo insinuou que poderia utilizar armas nucleares tácticas na Ucrânia, foi Beijing — e não apenas Washington — que também traçou, silenciosa, mas firmemente, uma linha vermelha perante as intenções de Putin. Xi precisa de um conflito prolongado e desgastante que sangre o Ocidente, mas não pode dar-se ao luxo de permitir ou promover uma escalada apocalíptica que destrua a ordem global da qual a ascensão da China depende.
Consequentemente, o apoio de Xi à Rússia tem limites estritos, embora não declarados. Essa é a realidade, apesar das afirmações públicas. A China compra petróleo e gás russo com desconto, em yuans e com limites – não houve acordo sobre o novo oleoduto transiberiano, o que desapontou profundamente a delegação vinda de Moscovo. E fornece a Moscovo bens de “dupla utilização”, incluindo militar, como micro-chips e componentes de drones.
Fá-lo discretamente, mas em grandes quantidades. Nega, porém, qualquer acusação de ajuda militar letal directa. Porquê? Para evitar sanções ocidentais secundárias contra a sua economia, que depende fortemente do comércio externo. O “arquitecto” sabe que um confronto directo com o Ocidente, neste momento, faria descarrilar as suas ambições e colocaria em risco a autoridade do Partido Comunista Chinês.
O essencial é compreender a verdadeira natureza da relação entre Xi Jinping e Vladimir Putin e responder aos sérios riscos que ela representa. Note-se os diferentes acordos que foram assinados durante esta visita. Por exemplo, nas áreas da energia atómica, do espaço e da IA. Estas matérias não permitem análises simplistas. A China e a Rússia não representam o mesmo tipo de desafio. Mas, apesar das assimetrias, existe uma perigosa convergência estratégica entre ambos os regimes.
Diário de Notícias
Victor Ângelo
Conselheiro em Segurança Internacional. Ex-secretário-geral-adjunto da ONU
22.05.2026
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