448: Passageiros, Metro de Lisboa encerra já amanhã e só abre na 5.ª-feira

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🇵🇹 PORTUGAL // LISBOA // METRO // GREVE GERAL

Metro de Lisboa vai estar encerrado já a partir de terça-feira e só reabre na quinta-feira, por causa da greve geral, anunciou a transportadora. Todas as estações vão estar fechadas. 


© Luis Boza/NurPhoto via Getty Images

O Metro de Lisboa alertou, esta segunda-feira, que o serviço vai estar encerrado já a partir de terça-feira e só reabre na quinta-feira, por causa da greve geral, anunciou a transportadora. Todas as estações vão estar fechadas.

“O Metro de Lisboa informa que, por motivo de greve convocada pelos sindicatos representativos dos trabalhadores da Empresa, para o dia 3 de Junho (4ª feira), se prevê a paralisação do seu serviço de transporte e o encerramento das estações“, pode ler-se num comunicado publicado no site da transportadora.

A empresa alerta ainda que a “partir das 23h do dia 2 de Junho (3.ªf) o Metro encerra o serviço de exploração, sendo retomado às 06h30 do dia 4 de Junho (5.ªf)“.

Na mesma nota, o “Metro de Lisboa agradece a compreensão e lamenta eventuais inconvenientes que esta paralisação possa causar”.

A próxima quarta-feira deverá ser marcada por dificuldades nos transportes públicos, tendo em conta a adesão prevista para a greve.

O Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI), que representa os trabalhadores com funções comerciais (itinerantes e fixos) da CP, anunciou a sua adesão.

Também os maquinistas, representados pelo SMAQ — Sindicato Nacional dos Maquinistas dos Caminhos de Ferro Portugueses, apresentaram um pré-aviso de greve, aderindo à greve geral “convocada no âmbito da contestação ao pacote laboral actualmente em discussão”, segundo um comunicado.

Paralelamente, as empresas de transportes urbanos de passageiros, de norte a sul do país, estão mobilizadas para a greve, disse à Lusa fonte da Fectrans.

De acordo com José Manuel Oliveira, da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans), “todas as empresas de transportes” estão mobilizadas, tendo já sido entregue o pré-aviso de greve por parte dos sindicatos.

Foi ainda revelado que os trabalhadores da Carris e da Carristur decidiram aderir à greve geral.

Os associados do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) também aprovaram a adesão à greve geral e o Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroporto (Sitava) vai aderir ao protesto, apontando dois objectivos: “rejeitar o pacote laboral de assalto aos direitos e de afronta à Constituição da República Portuguesa” e “combater a política de retrocesso e exigir outro rumo para o País”.

Já o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) não vai aderir.

De recordar que a CGTP-IN entregou um pré-aviso de greve geral para 3 de Junho contra as alterações à lei laboral, após as negociações com o Governo terem terminado sem acordo.

O Governo aprovou em Conselho de Ministros, a proposta de lei de revisão da lei laboral, que será discutida no Parlamento. O anúncio foi transmitido pela ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Rosário Palma Ramalho, em conferência de imprensa, uma semana depois de o Governo ter dado por terminadas as negociações sobre as alterações à legislação laboral sem acordo na Concertação Social.

[Notícia actualizada às 10h14]

Notícias ao Minuto
Lusa
01.06.2026

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447: A Figura do Dia. O melhor do mundo

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🇵🇹 OPINIÃO

As crianças: não há como elas. São o melhor do mundo, o que é verdade. Como verdade é o tão repetido: “No nosso tempo é que era.” Claro que sim. Éramos jovens, enfrentávamos o frio de manga curta e julgávamo-nos eternos.

As crianças… escrevia antes de me interromper… amam-nos tanto. Não nos questionam. Para elas somos heróis, mesmo que não passemos da cepa torta, corajosos mesmo que cobardes, bonitos mesmo que feios, credíveis mesmo que mentirosos.

“As crianças: não há como elas. São o melhor do mundo (…) amam-nos tanto. Não nos questionam. Para elas somos heróis, mesmo que não passemos da cepa torta, corajosos mesmo que cobardes, bonitos mesmo que feios, credíveis mesmo que mentirosos.”
FOTO: Reinaldo Rodrigues

Nós, pais e família, achamos que será assim para sempre. E rezamos para que cresçam “lindos meninos”, para que cresçam sem nos questionar, para que cresçam não crescendo.

Mas quando tudo corre bem crescem e põe-nos em causa. Deixamos de ser considerados como antes, o que eram qualidades são agora defeitos. Sofremos tanto que achamos ser para sempre, outra vez para sempre.

“Hoje é Dia das Crianças. O dia em que celebramos o futuro, mas também o que em nós ainda o é. Em crianças seríamos capazes de empenhar os brinquedos para sermos adultos. Mas quando chegamos a adultos faríamos quase tudo para regressar à infância.”

Mas se tudo tornar a correr bem, também não será para sempre. Um dia eles fazem as pazes com o passado e dão-nos um abraço como os antigos. Um abraço em que nos envolvem como se nós fossemos crianças e eles os nossos pais. E a volta fica completa.

Hoje é Dia das Crianças. O dia em que celebramos o futuro, mas também o que em nós ainda o é. Em crianças seríamos capazes de empenhar os brinquedos para sermos adultos. Mas quando chegamos a adultos faríamos quase tudo para regressar à infância.

Como não é possível talvez não fosse menos inteligente proclamarmos o direito a ser crianças envelhecidas, como os vinhos, que têm a força do tempo sem perderem a frescura da juventude. Por mim, aceitaria já um acordo.

Diário de Notícias
Luís Osório
Escritor, jornalista e cronista
01.06.2026

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446: O carácter que Passos não viu ao espelho

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🇵🇹 OPINIÃO

Há palavras que dizem mais de quem as profere do que de quem estas visam. Foi o que aconteceu na última terça-feira, na Faculdade de Direito de Lisboa, quando Pedro Passos Coelho, a apresentar A Constituição Fluída, de Blanco de Morais, avisou que o político postiço acaba “como um prostituto sem carácter”. Aquilo que pretendeu ser um diagnóstico professoral dos outros acabou por ser um retrato do seu próprio campo.

Começo por aquilo que mais me incomodou, a linguagem. Um antigo primeiro-ministro descer ao registo da taberna e do bordel para fazer política não enobrece o debate, avilta-o. A direita liberal-conservadora gosta de reclamar para si os pergaminhos do decoro e acaba por competir na grosseria com aquilo que diz combater. Quem precisa do insulto para ser ouvido confessa que já não tem ideias para o ser.

Mas o essencial não está no verbo, mas sim no cenário. O cenário, neste caso, é tudo. Passos pronunciou aquelas palavras com André Ventura sentado na primeira fila, num lançamento de pendor identitário, sob o olhar cúmplice do homem que personifica precisamente o que dizia condenar. Há qualquer coisa de irónica comédia nisto: o moralista que denuncia a prostituição pelo aplauso, a ser aplaudido por quem… comprou meio país com o crédito do ressentimento.

Esta é uma fotografia sublime de uma direita que vestiu a fatiota do populismo e já nem se dá ao trabalho de disfarçar o namoro. E é por aqui que o discurso se vira contra o autor, porque o percurso que Passos descreve, o do político que se torna mais populista do que os populistas não é apenas, traço por traço, o de Luís Montenegro, refém do voto do Chega para sobreviver. É também o de Carlos Moedas, que governa Lisboa com entendimentos feitos com o Chega protegidos da luz do escrutínio. Mas é, sobretudo, o do próprio Passos, à procura de uma segunda vida política à boleia de Ventura.

Convém lembrar o que isto significa. Há uma década, dizer que um líder do PSD dependeria da extrema-direita para governar era um insulto. Hoje é o que temos. Essa fronteira apagou-se sem estrondo, à força de orçamentos viabilizados à porta fechada e de indignações encenadas. Passos devia ser o primeiro a reconhecê-lo. Escolheu alimentá-lo: primeiro com a presença, depois com o aplauso, agora com a linguagem.

Faltou-lhe depois a coragem das próprias palavras. Confrontado pelos jornalistas, recusou dizer a quem se referia e refugiou-se nos “labirintos de interpretação”. Atira-se a pedra e esconde-se a mão. É a política sem espinha levada ao limite, que faz barulho para substituir a substância.

Sá Carneiro não confundia firmeza com insulto. A social-democracia que fundou subordinava o mercado à Justiça e media-se pelo carácter, não pela esperteza saloia. Por isso, quando Passos fala em prostitutos sem carácter, fica no ar uma pergunta que ele se recusou a responder. Talvez por saber que a resposta o devolveria, ressentido e inteiro, ao espelho.

Diário de Notícias
Davide Amado
Presidente da Concelhia do PS de Lisboa
01.06.2026

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