277: ‘Snova Spacibo, Gospodin Putin’

1
0

 

🇵🇹 OPINIÃO

Há quatro anos escrevi, noutras páginas, uma coluna chamada Spacibo, Gospodin Putin.

Era Março de 2022, cinco dias após a invasão, e a ironia ainda cabia numa lista de agradecimentos: a NATO acordara, a Europa rearmava, o mito militar russo desfazia-se perante Kiev. Quatro anos depois, o dispositivo retórico mantém-se. A ironia, não. Há muito menos para agradecer. E o que há custa infinitamente mais do que qualquer cálculo antecipava.

É de agradecer a confirmação de que Putin não é o decisor frio que o seu marketing vendia, mas um líder consumido pelo ego e pela mitomania. Ao persistir num erro crasso, conseguiu o que mais temia: o maior alargamento da NATO na História, com a Finlândia a acrescentar 1300 quilómetros de fronteira e a Suécia a fechar o Báltico à projecção naval russa.

Até Trump funcionou como ricochete: ao ameaçar os aliados, acelerou a autonomia estratégica europeia. Putin quis dividir o Ocidente e forçou-o a crescer. Foram os ucranianos a pagar o preço.

É de agradecer ter posto fim ao sono europeu. Vinte e três países cumprem hoje os 2% do PIB em Defesa. Mas a gratidão é amarga: foi precisa a maior carnificina desde 1945 para comprarmos extintores. O mesmo vale para a energia, conquistada à custa das faturas mais pesadas para os consumidores mais vulneráveis.

É de agradecer ter exposto o encolhimento estratégico da Rússia. A Síria deixou de ser vitrina de poder; na Venezuela, em Cuba e em África, Moscovo tem cada vez menos para oferecer além de retórica. A reputação militar, alimentada por intervenções cirúrgicas na Geórgia e na Crimeia, ruiu perante a logística falhada, a doutrina inexistente e a corrupção estrutural. As escolas de guerra estudarão esta campanha durante décadas, não como modelo, mas como aviso.

É também de agradecer ter transformado a China no árbitro de uma paz que ninguém lhe pediu e ter reduzido a Rússia a vassalagem existencial. Putin foi a Pequim pedir suporte e saiu como parceiro subalterno. Não aliado: subalterno. Resta-lhe o arsenal nuclear, suficiente para garantir lugar à mesa, mas insuficiente para definir o menu. Putin jogou para restaurar um império. Acabou por hipotecar o que restava dele.

Nunca acreditei numa derrota militar total da Rússia. Quem a prometeu cedeu à pressão do momento. O que me perturba é que, apesar de estar no limiar da derrota estratégica, a Rússia poderia estar hoje numa posição muito pior. Não fosse a inflexão de Trump e as hesitações europeias, o mapa negocial seria mais favorável à Ucrânia. A Europa deu o suficiente para que não perdesse; nunca o suficiente para que pudesse ganhar.

Os números não mentem: quase dois milhões de baixas combinadas, a larga maioria das quais soldados russos, mais de 15 mil civis confirmados, seis a sete milhões de refugiados, metade da capacidade eléctrica da Ucrânia destruída. Cada número é uma vida interrompida, uma família dispersa, uma cidade amputada.

Chegamos a 2026 com mais de dois milhões de baixas e mesas de paz em Abu Dhabi e Genebra. Resta um amargo agradecimento pelo erro crasso que Putin cometeu, por puro ego, em Fevereiro de 2022. Putin obrigou-nos a escolher entre a paz dos cemitérios e a fadiga das democracias. Apostou no nosso cansaço; respondemos com o rearmamento de um século. Se a Europa e Kiev recusarão esse guião ou cederão ao peso do tempo, é a questão que 2026 ainda não respondeu.

Obrigado, senhor Putin: hoje todos sabemos que, consigo, a paz é apenas o intervalo para a próxima guerra.

Diário de Notícias
Jorge Silva Carvalho
25.02.2026

Visita: contador gratuito

- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).

 

Loading

276: Troço da A14 na Figueira da Foz sem previsão de reabertura

1
0

 

🇵🇹 PORTUGAL // FIGUEIRA DA FOZ // AUTO-ESTRADAS

A circulação nos dois sentidos daquele troço com cerca de oito quilómetros (km) foi cortada ao trânsito há 21 dias.

Reinaldo Rodrigues

O troço da autoestrada 14 (A14) entre a autoestrada 17 (A17) e o nó de Santa Eulália, no município da Figueira da Foz, não tem previsão de reabertura, face aos danos causados pelas cheias, informou esta terça-feira, 24 de Fevereiro, a concessionária.

A circulação nos dois sentidos daquele troço com cerca de oito quilómetros (km) foi cortada ao trânsito na madrugada de dia 03, cumprem-se esta terça-feira 21 dias (três semanas), devido à subida das águas nos campos agrícolas adjacentes do vale do Mondego, e não voltou a ser reaberta.

A Brisa Concessão Rodoviária (BCR) disse à Lusa que “o corte de plena via na A14 mantém-se devido à realização de trabalhos de avaliação do estado da infra-estrutura, designadamente aterros e órgãos de drenagem, na sequência da subida da cota da água e subsequente submersão da plataforma ao longo de vários dias”.

A fonte oficial da Brisa disse ainda que assim que aqueles parâmetros forem avaliados internamente, “e após avaliação técnica externa, pelas entidades competentes”, estará em condições de reabrir a circulação na A14.

No entanto, “nesta fase, ainda não é possível antecipar a data de reabertura”, vincou a BCR.

Os primeiros 13 km da A14 (entre a Figueira da Foz e o nó de Santa Eulália, acesso oeste a Montemor-o-Velho e norte à povoação da Ereira, no distrito de Coimbra) abriram ao trânsito em 1994, então ainda como parte integrante do Itinerário Principal 3 (IP3).

Só em 2001 aquele troço original passou a fazer parte da A14, (autoestrada que liga a Figueira da Foz ao nó de Coimbra-Norte da A1) mantendo, até hoje, o seu carácter gratuito.

A partir de Montemor-o-Velho, o acesso alternativo à Figueira da Foz, para quem circula de e para Coimbra e localidades intermédias, faz-se pela antiga estrada nacional (EN) 111 e tem vindo a criar constrangimentos de trânsito, nomeadamente à passagem pelas localidades de Maiorca (na freguesia com o mesmo nome) e Caceira (Alhadas).

Em Maiorca, a Lusa constatou o aumento exponencial do tráfego automóvel e de veículos pesados, especialmente no atravessamento da povoação, ao início da manhã e final da tarde.

O aumento do volume de tráfego faz-se ainda sentir nos cerca de 2 km entre o nó de Santa Eulália e aquela vila do Baixo Mondego, na recta conhecida como Pontes de Maiorca.

O trajecto por esta via de dois sentidos, ladeada por vegetação – construída vários metros acima dos campos de arroz e com marcações no pavimento que não resistiram ao passar dos anos – implica atravessar cinco pontes, todas edificadas pela antiga Junta Autónoma das Estradas, três em 1937 e outras duas em 1940, ainda antes do primeiro Plano Rodoviário Nacional datado de 1945.

Diário de Notícias
DN/Lusa
24.02.2026

Visita: counter

- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).

 

Loading

275: Bastaram 15 dias para este Fevereiro ser o mês mais chuvoso dos últimos 47 anos

1
0

 

🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // MAU TEMPO

Este inverno é o segundo mais chuvoso desde 2000 e o oitavo mais chuvoso desde que há registos.

mau tempo em Lisboa
Leonardo Negrão

Os primeiros 15 dias de Fevereiro foram suficientes para fazer deste mês o mais chuvoso dos últimos 47 anos e o 10.º mais chuvoso desde 1931, segundo avançou esta terça-feira, 24 de Fevereiro, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), que revela também que o mês de Janeiro já fora o segundo mais chuvoso desde 2000 e o 14.º mais chuvoso desde que há registos.

De acordo com dados divulgados pelo IPMA, entre 1 e 15 de Fevereiro, dias marcados pelas depressões Leonardo e Marta e pela passagem de superfícies frontais associadas às depressões Vils e Oriana, a precipitação teve um total acumulado de 223,5 mm, o que representa 304% do normal, ou seja, é cerca de três vezes superior ao valor médio de referência 1991-2020. “Grande parte do território já regista valores entre 300% e 400% (3 a 4 vezes) do valor normal 1991-2020, sendo mesmo superior a 500% (ou seja, cinco vezes) nas localidades de Mora, Lavradio e Alvalade do Sado”, diz o IPMA.

Um mês que se segue a um outro que também havia sido muito chuvoso. De acordo com o instituto, Janeiro de 2026 foi o segundo mais chuvoso desde 2000, marcado pela passagem de cinco depressões, nomeadamente a Francis, a Goreti, a Ingrid, a Joseph e a Kristin, esta última devastadora para a região centro. “Em grande parte das regiões Centro e Sul os valores mensais situaram-se entre 250% e 350% do normal”, realça o IPMA, que recorda ainda que a maior rajada de vento registada nas estações de superfície atingiu 177.8 km/h na base aérea de Monte Real.

Tendo em conta que Novembro e Dezembro de 2025 já tinham registos que os tornavam o terceiro e sétimo mais chuvosos desde 2000, segundo o IPMA, este inverno é o segundo mais chuvoso desde 2000 e o oitavo mais chuvoso desde que há registos.

Entre Novembro e 15 de Fevereiro, o total acumulado de precipitação foi de 819.2 mm, correspondendo ao dobro do valor médio, sendo o sétimo valor mais elevado desde 1931. “Mais de metade dos distritos já atingiu ou ultrapassou o valor médio anual de precipitação. Em Faro, o total acumulado já supera o valor médio de um ano completo”, diz.

Segundo as informações divulgadas pelo IPMA, o ano de 2025 fora o terceiro mais chuvoso desde 2000, com um total anual de 1064.8 mm (130% do valor normal 1991-2020) e o 5.º mais quente desde que há registos, com seis ondas de calor, incluindo uma com características excepcionais.

Diário de Notícias
Sofia Fonseca
24.02.2026

Visita: counter

- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).

 

Loading

274: Poeiras a chegar (e chuva também). Como vai estar o tempo hoje?

1
0

 

🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // POEIRAS

Depois de um fim de semana com temperaturas altas, a chuva está de regresso já esta terça-feira. Portugal continental será também hoje afectada com poeiras vindas do deserto do Saara.

Depois de um fim de semana primaveril – em que os termómetros chegaram a atingir os 26ºC -, a chuva poderá estar de regresso a partir de hoje, terça-feira, de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). De notar ainda que Portugal continental é afectado por poeiras vindas do deserto do Saara.

Segundo a previsão, o céu estará de um forma geral “muito nublado”, havendo a “possibilidade de ocorrência de períodos de chuva fraca no litoral Norte e Centro a partir do final da tarde, sendo mais provável no Minho e Douro litoral no final do dia”.

Já o vento soprará “fraco a moderado do quadrante sul, soprando por vezes forte na faixa costeira ocidental a norte do Cabo Raso”. Será “moderado a forte com rajadas até 65 km/h nas terras altas”.

Haverá uma “pequena subida da temperatura mínima, em especial no Norte e Centro”, mas também haverá uma “pequena descida da temperatura máxima” nas mesmas regiões.

Um cenário idêntico na Grande Lisboa e no Grande Porto.

“Episódio de poeiras” afecta Portugal

De recordar que, no domingo, a meteorologista do IPMA, Patrícia Marques, já havia adiantado ao Notícias ao Minuto que iriam começar a chegar poeiras a Portugal.

A meteorologista afirmou que este “episódio de poeiras” afectará primeiro o arquipélago da Madeira, “mas não se espera que seja uma concentração muito significativa e não se espera que afecte o país todo”, havendo assim uma maior incidência na ilha da Madeira, Porto Santo e na zona centro do país.

Notícias ao Minuto
24.02.2026

Visita: counter

- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).

 

Loading

273: Guerra na Ucrânia. Quatro anos e mais quanto tempo?

0
0

 

🇵🇹 OPINIÃO

O alemão Carlo Masala não quis escrever uma ficção distópica, mas sim um alerta ficcionado, seguido de um epílogo que é um pequeno ensaio explicativo: se a Rússia vencer a guerra na Ucrânia não se vai ficar por ali, é a sua tese. Haverá, prevê, uma expansão territorial russa, incorporando, no início, populações russófonas deixadas para trás com a desagregação da União Soviética em 1991. Se a Rússia vencer – um cenário é o título do livro, agora traduzido em português.

A ficção/ensaio de Masala, um académico que ensina na Universidade das Forças Armadas alemãs, em Munique, vale muito a pena ser lido. Sem necessidade de puxar demasiado pela imaginação, só relatando aquilo que costuma ser a prática tanto nos círculos de decisão do Kremlin, como da NATO, transforma a questão da resposta a uma fictícia incursão militar russa no leste da Estónia, em Março de 2028, num debate sobre se será o início da Terceira Guerra Mundial. E perante a incerteza do nível (nuclear ou não) da contra-resposta russa, a NATO acaba por não aplicar o artigo 5.º nesse cenário imaginado.

Não só há hesitação dos poderosos, como até a questão de se os países do Sul, como Itália, Portugal e Espanha, estarão dispostos a enviar soldados para combater por um recanto estónio. Pelo contrário, tanto os outros países bálticos como a Polónia, com um longo historial de guerras com a Rússia, defendem uma retaliação, provavelmente por temerem ser os próximos.

No livro de Masala, cuja primeira versão terminou de ser escrita há um ano, parte-se, portanto, da ideia de que, em Março de 2028, a guerra na Ucrânia já teria terminado, com sucesso da Rússia, cujos ganhos teriam vindo da incapacidade de europeus e americanos ajudarem a resistência dos ucranianos.

O alerta feito é esse mesmo: ganhe a Rússia na Ucrânia e haverá novas ucrânias, razão pragmática pela qual tudo deveria ser feito para que a Rússia não ganhasse.

Um alerta que é um apelo do autor para que Kiev não seja abandonada na sua luta contra Moscovo, seja porque os Estados Unidos dão prioridade a uma negociação de paz, seja porque os países da União Europeia decidiram investir em Defesa, mas adiando na medida do possível, e por vezes por falta de alternativa, a concretização do novo poder militar.

“O que não é surpresa é a mortandade. De um lado e do outro. Os números são mantidos secretos, ou então atirados pelo inimigo para lançar o desânimo, mas serão certamente impressionantes.”
Mykola Tys / EPA

Cumprem-se hoje quatro anos exactos sobre a invasão russa da Ucrânia. Certamente que houve surpresas, em sentido contraditório, desde o fracasso do passeio dos tanques russos até Kiev, até à capacidade da Rússia em resistir à retaliação mista do Ocidente, com sanções económicas a Moscovo, por um lado, e apoio material ao esforço de guerra da Ucrânia.

O que não é surpresa é a mortandade. De um lado e do outro. Os números são mantidos secretos, ou então atirados pelo inimigo para lançar o desânimo, mas serão certamente impressionantes. A maior evidência disso é a necessidade de novos recrutas e a dificuldade de os conseguir, por ambos os beligerantes. Longe da frente de batalha, os dois países, sobretudo a Rússia, até podem tentar manter a ilusão de que tudo funciona, mas consequências dos combates no Donbass vão sentir-se durante décadas depois da guerra acabar.

E quando acabará? Numa data qualquer antes de 2028, como prevê Masala? Um outro alemão, o chanceler Friedrich Merz, cujo país lidera o esforço de rearmamento europeu, disse agora, em jeito também de alerta, mas com terrível pragmatismo, que “esta guerra não vai parar até que ambos os lados estejam exaustos, militar ou economicamente”.

O jornal Le Monde, que na edição datada de hoje analisava o impasse na guerra e também o impasse na NATO sobre o que fazer, sublinhou que a frase dita, alto e a bom som, por Merz na Conferência de Segurança de Munique é o que pensam muitos chefes militares. Também citado pelo jornal francês, Elie Tenenbaum, director do Centro de Segurança do Instituto Francês de Relações Internacionais (IFRI), resumiu a situação no terreno assim: “Os dois lados estão em chamas, mas a questão é qual deles está a arder mais rapidamente. É a mesma corrida, algo cínica, que se vive desde 2022.”

O sistema russo, onde Vladimir Putin tem um poder inquestionável, parece dar vantagem a Moscovo nesta descida partilhada aos infernos, pois Volodymyr Zelensky tem de lidar com o escrutínio tanto dos ucranianos, como dos aliados Ocidentais, mas no final, até ver, o resultado é a tal destruição mútua.

O que torna ainda mais urgente negociações sérias, destinadas a travar o círculo de morte e destruição, mesmo que se saiba à partida que Rússia e Ucrânia partem de posições inconciliáveis, a primeira a ter já anexado oficialmente territórios de outro país e a segunda a defender a sua soberania. Qual o caminho para essas negociações sérias, não mero ganhar de tempo por uns ou outros, depende muito da capacidade de americanos – aqui Trump conta muito -,e europeus decidirem uma ação conjunta que obrigue a Rússia a repensar a estratégia e dê condições à Ucrânia para ver uma luz ao fundo do túnel.

Era importante também que a China, que pretende ser vista como um actor de peso e responsável na cena internacional, faça sentir à aliada russa que em algum momento a paz tem de regressar. Só assim se ilibará da suspeita que tira vantagens da guerra na Europa, seja por comprar petróleo a preço de amigo ou, a outro nível, por esta desviar as atenções da sua ascensão.

O sucesso dessa acção para acabar com a guerra depende também daquilo que os aliados da Ucrânia estão dispostos a fazer pela sua soberania e segurança no futuro. Convinha entenderem-se ou ficarão para a História como tendo incentivado a resistência dos ucranianos para depois os deixarem essencialmente sós numa guerra que é desigual.

Quatro anos! É quase tanto como a Primeira Guerra Mundial. E é mais do que durou a guerra dos soviéticos contra os nazis depois da invasão da União Soviética pela Alemanha em Junho de 1941, em plena Segunda Guerra Mundial.

Diário de Notícias
Leonídio Paulo Ferreira
Director-adjunto do Diário de Notícias
24.02.2026

Visita: counter

- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).

 

Loading

270: Já não há desculpas, Carlos!

0
0

 

🇵🇹 OPINIÃO

Corria o ano de 2011 quando Mário Soares publicou o ensaio autobiográfico, político e ideológico Um Político Assume-se. O título revelou-se particularmente feliz: não só descrevia com rigor a vida e o modo de estar de Mário Soares, como acabou por se tornar um verdadeiro critério distintivo entre dois tipos de actores públicos.

De um lado, os que assumem inequivocamente que fazem política, com o objectivo de garantir direitos e liberdades, gerir recursos públicos, criar impacto económico e influenciar o futuro do país. Do outro, aqueles que constroem carreiras alavancadas na política partidária, mas dela se afastam sempre que tal lhes convém, num exercício de cinismo cuidadosamente calculado.

Esta reflexão serve de enquadramento para compreender o acordo que Carlos Moedas celebrou com a extrema-direita, à revelia dos lisboetas e sem nunca ter assumido, durante a última campanha autárquica, que essa seria uma opção em cima da mesa.

O mesmo Carlos Moedas que acusa de “radical” qualquer exercício legítimo de oposição ao seu paupérrimo desempenho enquanto presidente da Câmara Municipal de Lisboa é, afinal, o Carlos Moedas que faz acordos de bastidores com o Chega, negociando lugares em troca de votos favoráveis ao Orçamento Municipal e, simultaneamente, tentando silenciar os seus opositores políticos.

Há aqui uma contradição difícil de ignorar. O autarca obcecado com a imagem e com a comunicação, que procura afastar-se da figura do político tradicional desgastado pelo populismo, é o mesmo que decide “comprar” uma vereadora que, por curiosa coincidência, abandona o Chega para assumir pelouros, como o do Desperdício Alimentar, que certamente seriam apelidados de tachos no linguarejar do próprio… Chega. Um gesto que diz muito sobre a natureza real deste entendimento e pouco sobre coerência política ou respeito pelo eleitorado.

Carlos Moedas governa agora com uma maioria que os lisboetas não lhe deram nas urnas. E, com isso, deixaram de existir desculpas. O mandato que aí vem adivinha-se particularmente exigente: a vitimização tem agora a perna tão curta como a mentira. Durante quatro anos, repetiu até à exaustão que não fazia mais porque “não o deixavam”, recorrendo sistematicamente à poderosa máquina de comunicação que montou no município. Essa narrativa está, a partir de agora, esgotada.

Sem obras planeadas pelo Executivo liderado por Fernando Medina para inaugurar, e sem eventos excepcionais, como a visita do Papa, que lhe permitam ganhar protagonismo mediático, resta-lhe apenas um caminho possível: arregaçar as mangas, governar efectivamente a cidade e pensar mais em Lisboa e menos numa estratégia pessoal para substituir Luís Montenegro. O acordo de Moedas com o Chega tem essa virtude: já não há desculpas para não fazer, Carlos!

Diário de Notícias
Davide Amado
23.02.2026

Visita: counter

- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).

 

Loading

269: Portugal foi o país da UE onde entraram mais imigrantes entre 2012 e 2023

1
0

 

🇵🇹 PORTUGAL // IMIGRAÇÃO

Dados da nova uma plataforma interactiva da Pordata, que faz um retrato comparativo dos 27 Estados-membros da União Europeia.

Foto: Reinaldo Rodrigues

Portugal foi o Estado-membro da União Europeia onde entraram mais imigrantes entre 2012 e 2023, de acordo com dados divulgados pela Pordata, apesar de estar longe de ser o país com a maior percentagem de população estrangeira.

Esta informação consta de uma plataforma interactiva, lançada esta segunda-feira, 23 de Fevereiro, pela Pordata, que, com base nos dados estatísticos do Eurostat, faz um retrato comparativo dos 27 Estados-membros da União Europeia com base em quatro temas: população, economia, custo de vida e rendimentos, energia e ambiente.

No que se refere à população, a Pordata indica que Portugal foi o país da União Europeia (UE) onde entraram mais imigrantes entre 2012 e 2023, “com uma taxa de crescimento médio anual de 34,3% face a 8,8%” a nível médio europeu.

O país com a segunda taxa mais elevada é a Estónia (30,3%), seguido da Lituânia (30,2%).

No entanto, apesar deste aumento na entrada de imigrantes, Portugal está longe de ser o país com a maior percentagem de população residente: com 9,6%, Portugal encontra-se em 12.º lugar, muito longe do Luxemburgo, onde cerca de 47,3% dos residentes são estrangeiros – a taxa mais elevada a nível da UE.

De acordo com estes dados, Portugal é o segundo país mais envelhecido da UE, apenas ultrapassado pela Itália: há 53 jovens por cada 100 idosos. Na Irlanda, o país da UE com a população mais jovem, a proporção é significativamente maior: há 122 jovens por cada 100 idosos.

Em Portugal, de acordo com os dados da Pordata, apenas um quarto dos agregados familiares (25,6%) tem crianças, “menos 6,8 pontos percentuais do que em 2011”, sendo a Eslováquia o país onde há mais famílias com crianças (35,6%).

Portugal é também o país da UE onde a população activa é menos escolarizada. De acordo com a Pordata, quatro em cada 10 pessoas não têm ensino secundário em Portugal, muito acima de países como a Polónia ou a Lituânia, onde apenas uma pessoa em cada 10 não concluiu esse grau ensino.

No entanto, na população entre os 25 e os 34 anos, “Portugal já revela uma escolarização alinhada com a média global da UE (43,2% com ensino superior face a 44,1% na UE)”, refere a Pordata.

Há também cada vez mais pessoas a viver sozinhas na UE. Segundo a Pordata, entre 2011 e 2023, “mais de 25 milhões de pessoas passaram a viver sozinhas, um aumento de 28%”.

“Em Portugal, foram mais 366 mil pessoas, um aumento de quase 50%”, indica a Pordata.

A plataforma lançada pela Pordata visa comemorar os 40 anos da adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (CEE), em Janeiro de 1986. Com dados do Eurostat, esta plataforma permite comparar as estatísticas dos 27 Estados-membros da UE e analisar a posição de Portugal sobre os diferentes tópicos face aos restantes países europeus.

Diário de Notícias
DN/Lusa
23.02.2026

Visita: counter

- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).

 

Loading

268: Cerca de 1.800 clientes da E-Redes ainda sem energia eléctrica às 17h00 deste Domingo

1
0

 

🇵🇹 PORTUGAL // ENERGIA // E-REDES

A empresa do grupo EDP reafirma que continua “focada em restabelecer o fornecimento de energia eléctrica”.

Trabalhos de recuperação da rede eléctrica em Leiria
FOTO: PAULO CUNHA/LUSA

Cerca de 1.800 clientes da E-Redes das localidades afectadas pela depressão Kristin, que passou em 28 de Janeiro por Portugal Continental, continuavam às 17h00 deste domingo, 22 de Fevereiro, sem energia eléctrica, de acordo com aquela empresa.

Num comunicado enviado à agência Lusa, a empresa do grupo EDP que opera as redes de distribuição de energia em Portugal continental, em regime de concessão, refere que continua “focada em restabelecer o fornecimento de energia elétrica”, à semelhança do que tem dito nas últimas semanas.

Os clientes da E-Redes correspondem a “pontos de entrega de energia” como habitações, empresas ou lojas com ligação eléctrica, sendo assim difícil quantificar o número de pessoas que estão a ser afectadas.

Num balanço anterior, às 07h00 de sexta-feira, eram 4.500 os clientes da E-Redes das localidades afectadas pela depressão Kristin que continuavam sem energia eléctrica.

Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afectadas.

Diário de Notícias
DN/Lusa
22.02.2026

Visita: counter

- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).

 

Loading

267: Várias linhas ferroviárias ainda com constrangimentos na circulação

0
0

 

🇵🇹 PORTUGAL // FERROVIA // CIRCULAÇÃO

Passou quase um mês da passagem pelo continente da tempestade Kristin.

Reinaldo Rodrigues

A circulação nas linhas ferroviárias da Beira Baixa, Douro, Oeste e Urbanos de Coimbra continuam esta segunda-feira, 23 de Fevereiro, com constrangimentos ou suspensas em alguns troços quase um mês depois da passagem pelo continente da tempestade Kristin.

Numa nota divulgada na rede social Facebook, a CP – Comboios de Portugal informa que, devido ao mau tempo das últimas semanas, continua ainda suspensa a circulação na Linha da Beira baixa, realizando-se apenas comboios Regionais entre Castelo Branco e Guarda e entre Entroncamento e Abrantes.

A circulação ferroviária mantém-se também suspensa nas Linhas do Douro, entre Régua e Pocinho, e na do Oeste.

Os comboios Urbanos de Coimbra estão a circular no percurso Coimbra-B – Alfarelos – Coimbra-B.

Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin (a 28 de Janeiro), Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afectadas.

A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afectados terminou a 15 de Fevereiro.

Diário de Notícias
DN/Lusa
23.02.2026

Visita: counter

- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).

 

Loading