343: O MP tem medo de André Ventura?

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🇵🇹 OPINIÃO

Desde que Ventura iniciou a sua já longa carreira de discriminação e incitamento ao ódio, não houve uma vez em que o Ministério Público visse no que diz e faz o crime do mesmo nome. Será medo ou outra coisa?

“Dou mil contos a quem me trouxer um cigano sério” e “a maioria dos ciganos rouba”.

Se disser que estas duas frases foram proferidas por um político, o mais certo é que quem me lê avente tratar-se de alguém do Chega. Não é o caso; o autor, de nome Armando Costa, estava no PSD e era autarca, presidente de Junta de Freguesia de Gandra, quando as proclamou, em plena Assembleia Municipal de Paredes, há quase 30 anos.

Não é porém ser do PSD e ter dito algo de extremamente racista que justifica trazê-lo à colação: afinal, André Ventura era candidato por esse mesmo partido à Câmara de Loures quando em 2017 iniciou a sua fulgurante carreira política usando, precisamente, o discurso racista contra os ciganos como trampolim.

Armando Costa interessa por outro motivo, muitíssimo mais raro: foi condenado, em processo crime, pelo que disse. Em 2002, o Tribunal Judicial de Paredes aplicou-lhe uma pena de nove meses de prisão, suspensa, por discriminação racial (crime previsto no artigo 240º do Código Penal, cujo título actual é “Discriminação e Incitamento ao ódio e à violência”).

Durante o julgamento, o autarca, que já antes garantira à Lusa não ser racista, aproveitando, na entrevista, para se incriminar mais — acusou “os ciganos” de viverem “muito à volta de habilidades e da droga”, perguntou “Já viu algum cigano a trabalhar numa empresa?” e concluiu: “Se eu estivesse a falar de Lisboa, referia-me aos negros, que lá são muitos e toda a gente sabe que roubam mais” — jurou, de acordo com o relato que então fez o Público, que nem sabia o que tal palavra significava e até tinha, imagine-se, uma empregada doméstica negra.

Sabendo ou não Armando o significado de racismo, o tribunal sentenciou que, malgrado “o tipo objectivo” do crime descrito no artigo 240º “ser estruturalmente muito complexo”, era claro que as expressões proferidas pelo arguido imputavam “factos ou juízos de valor gravemente atentatório da honra e consideração de dois grupos de pessoas”, a saber, “os ciganos” e “os negros”. Foi também evidente para o tribunal a existência de intenção de incitar à discriminação racial ou de a encorajar, já que enquanto presidente da junta quisera convencer a Assembleia Municipal “a recusar ao povo cigano o exercício de direitos fundamentais”.

Sim, Armando Costa, o primeiro e único político até hoje condenado pelo crime de discriminação racial, era Chega antes do Chega. Vejam-se as declarações gémeas do presidente da Câmara de Albufeira, Rui Cristina, que a 26 de Novembro de 2025, também na Assembleia Municipal, disse: “Não vou gastar dinheiro com a etnia cigana enquanto tenho albufeirenses com necessidade de casa. Podem chamar-me xenófobo ou o que quiserem! Primeiro estamos nós, que pagamos impostos, e depois estas comunidades. É tão simples como estou a dizer e é assim que vai ser.”

Cristina está, foi noticiado, a ser investigado pelo Ministério Público (MP) pelo mesmo crime pelo qual o autarca de Gandra foi condenado. Mas a comparação termina aqui: se o MP acusar o presidente da Câmara de Albufeira, será a primeira vez em décadas que acusa um político pelo crime em causa, e uma estreia absoluta no que respeita ao Chega. O que é tanto mais notável quando grande parte do discurso político deste partido consiste em apelar à discriminação, difamar grupos vulneráveis e incitar ao ódio.

E tanto mais irónico quando em 2002, em reacção à condenação de Armando Costa, o então alto-comissário para a Imigração e as Minorias Étnicas, José Leitão, se congratulava, em declarações ao Público, com o que via como “uma cada vez mais exigente sensibilidade social contra a discriminação racial”, que iria “na linha do aperfeiçoamento legislativo nesta matéria”.

24 anos depois, malgrado um enorme acréscimo nas participações — entre 2015 e 2025 aumentaram 2236%, de 15 para 449 —, são ainda muito poucos os inquéritos por este crime que terminam em acusação. Quantos, aliás, não foi possível perceber, já que a informação comunicada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao DN sobre acusações por “crimes de ódio” — 26 desde 2020 — inclui outros crimes motivados de ódio, não apenas os referentes ao artigo 240º.

Esta ausência de informação — pública, pelo menos — é tanto mais bizarra quando a lei de política criminal enfatiza desde 2023 “a necessidade de prevenção e de repressão” dos “crimes de ódio”, e o último Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) atribui o acréscimo dos registos por esses crimes a uma maior “crispação da sociedade portuguesa” decorrente da “polarização política, racial, religiosa, e/ou sexual” acompanhada de “fenómenos de desinformação”.

E o RASI vai mais longe, acusando, no capítulo das “Ameaças globais à segurança interna”, a extrema-direita de procurar “provocar e confrontar abertamente os seus alvos, a fim de retirar benefícios eleitorais da polarização da sociedade portuguesa em torno de temas fracturantes da sua agenda política”, e, “ao disseminar  propaganda e desinformação online, continuar “a promover a normalização do discurso público da discriminação, do ódio e de ideias antidemocráticas, contribuindo para suscitar comportamentos racistas ou xenófobos, e radicalizar militantes e simpatizantes para a acção violenta.”

“Promover a normalização do discurso público da discriminação, do ódio e das ideias antidemocráticas” é o que faz o Chega diariamente — é a sua receita, mais que comprovada e assumida em milhares de declarações, tuites, posts no Instagram e tiktoks. No entanto todos os inquéritos criminais até agora instaurados contra dirigentes do partido ou foram arquivados sumariamente pelo MP, sem sequer constituição de arguidos, ou estarão a caminho do mesmo destino, já que, à excepção do que tem as declarações de Rui Cristina como objecto, não se lhes conhecem quaisquer diligências.

Foi assim com o inquérito-crime aberto em 2021, devido a Ventura, enquanto candidato presidencial, ter, durante um debate televisivo com Marcelo Rebelo de Sousa, exibido uma foto de sete pessoas negras com o Presidente, clamando que Marcelo ali estava com “bandidos” e “bandidagem”; foi assim com o inquérito relativo aos cartazes da campanha presidencial do mesmo Ventura, nos quais se lia “Os ciganos têm de cumprir a lei”, “Os imigrantes não podem viver de subsídios” e “Isto não é o Bangladesh”. Nos dois casos, o MP arquivou sem sequer constituir o presidente do Chega arguido (condição para a qual é necessário requerer o levantamento da respectiva imunidade parlamentar, o que não sucedeu).

Também quando Ventura e a deputada do mesmo partido Rita Matias recitaram, em Julho de 2025, como indesejáveis e escandalosos e com evidente intenção discriminatória, os nomes de crianças estrangeiras alegadamente matriculadas num jardim de infância de Lisboa, foi instaurado um inquérito-crime, no qual os dois parlamentares não terão, até à data, sido constituído arguidos.

Igualmente sem arguidos estará (mais uma vez, não há notícia de pedidos de levantamento de imunidade) o inquérito aberto em Outubro de 2024 a três membros do Chega, todos actuais deputados — André Ventura, Pedro Pinto e Ricardo Reis — por declarações congratulatórias a propósito da morte de Odair Moniz, baleado por um agente da PSP.

De notar, de resto, que apesar de o crime tipificado no artigo 240º não depender de queixa — o MP pode abrir autonomamente inquéritos — em nenhum dos casos relativos ao Chega e a Ventura terá sido o caso.

Temos pois de perguntar porquê — tanto mais que, como se sabe, a justiça cível considerou, em decisões de tribunais superiores, ilícitas, por discriminatórias e difamatórias, acções de Ventura nas quais o MP não viu indício de crime (a calúnia televisiva à família negra do bairro da Jamaica e os cartazes contra a comunidade cigana).

Será que o Ministério Público acha que o crime de discriminação e incitação ao ódio não deveria existir, e portanto age como se não existisse?

Ou, como se retira do inacreditável despacho de arquivamento no caso dos cartazes, defende, contra a jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (que o procurador invoca de forma capciosa, ignorando os acórdãos relevantes, que contrariam a sua tese) que o crime não se deve aplicar a políticos por algo que digam “enquanto políticos”?

Segundo tal lógica, quanto maior o perigo, pela difusão e pela capacidade de influência e de dano do discurso de ódio, menos a lei se poderia aplicar?

Claro que não é assim: tanto o legislador previu a aplicação do artigo 240º a políticos que determinou que quem for por ele condenado pode, “atenta a concreta gravidade do facto e a sua projecção na idoneidade cívica do agente”, ser incapacitado, por período de dois a dez anos, “para eleger o Presidente da República, os deputados à Assembleia da República, os deputados ao Parlamento Europeu, os deputados às Assembleias Legislativas das Regiões Autónomas e os titulares dos órgãos das autarquias locais” e “para ser eleito como tal (…).”

Tal como a Constituição da República proíbe a existência de partidos racistas, o Código Penal, através do artigo 246º, permite retirar direitos civis a racistas e instigadores de ódio, impedindo-os de eleger e de serem elegíveis. Caso para dizer, emulando Armando Costa: alvíssaras a quem encontrar um procurador com coragem.

Diário de Notícias
Fernanda Câncio
07.04.2026

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342: Poeiras de África vão pairar esta semana, DGS alerta para riscos para a saúde

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🇵🇹 PORTUGAL // POEIRAS DE ÁFRICA

Uma massa de poeiras proveniente dos desertos do Norte de África está a atravessar Portugal Continental e deverá manter-se até à próxima quinta-feira, levando a um agravamento da qualidade do ar, alertou a Direcção-Geral da Saúde.

Poeiras de África vão pairar esta semana, DGS alerta para riscos para a saúde
© Ana Rocio Garcia Franco/Getty Images

O fenómeno vai provocar um aumento das partículas inaláveis (PM10) na atmosfera, um poluente que pode ter impacto na saúde, sobretudo nas populações mais vulneráveis.

Crianças, idosos e doentes com problemas respiratórios ou cardiovasculares estão entre os grupos mais afectados, sendo aconselhados a adoptar cuidados acrescidos durante este período.

Cuidados a ter durante o fenómeno

A Direcção-Geral da Saúde recomenda à população em geral que evite esforços prolongados e reduza a actividade física ao ar livre, bem como a exposição a factores de risco, como o fumo do tabaco ou produtos irritantes.

Já as pessoas mais vulneráveis devem, sempre que possível, permanecer no interior dos edifícios e manter as janelas fechadas, de forma a minimizar a exposição às poeiras em suspensão.

A autoridade de saúde sublinha ainda a importância de manter os tratamentos médicos, no caso de doentes crónicos, e alerta para a necessidade de procurar ajuda em caso de agravamento de sintomas, através da Linha Saúde 24 ou de um serviço de saúde.

A evolução da qualidade do ar pode ser acompanhada através da informação disponibilizada pela Agência Portuguesa do Ambiente ou pela aplicação QualAr.

SIC Notícias
Verónica Moreira
06.04.2026

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341: PGR alerta para burla informática em nome da Autoridade Tributária

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🇵🇹 PORTUGAL // PGR // AVISO // BURLA INFORMÁTICA

A Procuradoria-Geral da República (PGR) alertou esta segunda-feira para uma nova burla informática, através da “expedição massiva” de mensagens via WhatsApp ou correio electrónico, a exigir o pagamento de dívidas em atraso à Autoridade Tributária (AT).

PGR alerta para burla informática em nome da Autoridade Tributária

Segundo a página da PGR na Internet, “trata-se de uma campanha criminosa por via da qual, ardilosamente, os criminosos pretendem convencer as vítimas de que têm uma dívida à Autoridade Tributária, a qual está pendente de pagamento”, esquema que tem vindo a ser detectado e denunciado desde as últimas semanas de Março.

“O método criminoso consiste na remessa de mensagens escritas, por telefone ou por via de correio electrónico, para as potenciais vítimas”, refere a PGR, acrescentando que as mensagens “são remetidas de forma indiscriminada e massiva, para inúmeros destinatários”, sendo “usados cartões telefónicos de redes nacionais, frequentemente com o número chamador oculto ou cartões telefónicos pré-pagos”.

As mensagens encaminham a vítima para um ‘link’, onde a mesma “pode consultar os detalhes” e o texto sublinha que tal pagamento é necessário “para evitar penhora”.

“Com esta formulação, pretendem os criminosos levar à reacção urgente a esta mensagem, precipitando o pagamento impulsivo e pouco reflectido de um valor”, alerta a PGR, acrescentando que, no passado, foram identificadas campanhas da mesma natureza, reclamando o pagamento de falsas dívidas à EDP, à Segurança Social, ao SNS e à própria AT.

Segundo a PGR as mensagens incluem dados para o pagamento por via do sistema bancário, através das caixas Multibanco (ATM) ou ‘homebanking’, mas este esquema agora detectado “é mais sofisticado e agressivo”.

A PGR explica que, “uma vez acedida esta página fraudulenta, num primeiro momento, é solicitado à vítima que ali introduza o seu Número de Contribuinte e o seu código pessoal de acesso. Inseridos estes, é exibida uma outra página, da qual consta existir uma dívida, sendo indicado o respectivo valor e a forma de pagamento (dados para pagamento em caixas ATM ou por via de homebanking). Além disso, é referido, de forma destacada que o pagamento ‘Expira hoje’, sendo providenciado um botão com a menção ‘Pagar Agora’ e também graficamente salientado ‘Evite Apreensão’ e que ‘o montante deverá ser pago, podendo resultar em processo de execução fiscal e penhora de bens'”.

A PGR adianta que foi em concreto identificada uma destas páginas falsas registada num endereço pertencente ao Registrar Porkbun LLC, um servidor que providencia alojamento de conteúdos em nuvem, com sede em Sherwood, Oregon, Estados Unidos, mas gerido pelo Registrant Private by Design, LLC, com sede em Sanford, Carolina do Norte, EUA.

Este último é um fornecedor de serviço especializado em garantir privacidade aos seus clientes: faculta aos mesmos a navegação na Internet mantendo ocultos e confidenciais os respectivos nomes, número de telefone e endereço, entre outros dados pessoais.

SIC Notícias
Lusa
06.04.2026

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340: Acabou-se o calor. Chuva e frio estão de volta

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🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // MAU TEMPO

Após uns dias com temperaturas “bem acima do que é normal para a época do ano”, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, vem aí precipitação e frio.

Chuva e vento forte em Portugal Continental
Leonardo Negrão

O estado do tempo em Portugal continental muda radicalmente já a partir desta segunda-feira, 6 de abril. Após uns dias com temperaturas “bem acima do que é normal para a época do ano”, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), vem aí precipitação e frio por influência de uma depressão que se irá centrar a oeste do continente, em deslocamento para sul, e que irá permanecer durante a semana entre o arquipélago da Madeira e Portugal continental.

A previsão do IPMA indica que a precipitação será mais intensa e frequente na terça-feira, dia 7, e poderá ser acompanhada de trovoada. O vento irá predominar do quadrante sul, sendo mais intenso nas terras altas, onde poderá ter por vezes rajadas até 80 km/h também na terça.

Além disso, vai registar-se uma descida acentuada dos valores da temperatura máxima. Na terça-feira, a descida poderá ir até 10°C em alguns locais do território e desta forma teremos a maior parte do território com valores de temperatura máxima abaixo dos 20°C. Também a temperatura mínima irá registar uma pequena descida, ficando a variar entre 8 e 12°C.

Para esta segunda-feira, há previsão de poeiras, mas estas têm tendência a ser deslocadas para leste a partir da tarde de terça, transportadas na circulação da referida depressão.

Durante este período, a ondulação na costa ocidental terá um aumento na quarta-feira, dia 8, prevendo-se ondas de noroeste com 4 a 5 metros.

O IPMA informa que o posicionamento desta depressão irá condicionar as previsões dos próximos dias, pelo que há ainda alguma incerteza associada.

Diário de Notícias
Sofia Fonseca
06.04.2026

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339: ‘#donasdecasaucranianas’

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🇵🇹 OPINIÃO

Em Agosto de 1981, a Apple lançou um famoso anúncio de página inteira no diário The Wall Street Journal, em tom de provocação, intitulado “Bem-vinda, IBM. A sério.” Naturalmente, Steve Jobs não estava apenas a dar as boas-vindas, mas a ironizar com a entrada tardia da gigante IBM no mercado dos computadores pessoais, que ignorou durante muito tempo em prol dos grandes sistemas para empresas.

Quarenta anos depois, podemos dizer que um cenário semelhante se replica no setor da indústria da Defesa, onde se assiste a uma grande transformação na própria forma de fazer a guerra, como os acontecimentos na Ucrânia nos têm mostrado, quase diariamente, ao longo dos últimos quatro anos.

O engenho e agilidade dos ucranianos para fazer face à agressão russa numa grande desproporção de meios, reinventando formas e armas de defesa, tornaram-se um exemplo claro de guerra moderna. Mas, tal como a IBM naquele primeiro impulso dos computadores pessoais, ainda há na indústria quem demore a mudar o chip.

Foi o que demonstrou, de forma particularmente desastrada, o CEO da gigante alemã Rheinmetall. Numa entrevista à revista The Atlantic, Armin Papperger desvalorizou a indústria de drones ucraniana, reduzindo-a a expressões como “Legos de montar” ou “donas de casa com impressoras 3D” para menorizar a comparação com a tecnologia dos grandes fabricantes.

A reacção foi tão imediata quanto intensa. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky respondeu com ironia, afirmando que “qualquer dona de casa ucraniana poderia ser CEO da Rheinmetall”. Dirigentes militares destacaram os números que provam a eficácia dos drones ucranianos, que já destruíram mais de 11 mil tanques russos e provocaram 90% das baixas do inimigo. E nas redes sociais a polémica ganhou vida própria, impulsionada pela hashtag #madebyhousewives.

O conflito na Ucrânia acelerou uma transformação em curso. Drones baratos, produção descentralizada e ciclos rápidos de adaptação passaram a ter um peso decisivo, enquanto os sistemas pesados e ultra-dispendiosos deixaram de garantir uma vantagem automática no palco de batalha. Pressionada pela necessidade, a Ucrânia adaptou-se de forma admirável, desenvolvendo um ecossistema ágil, capaz de testar soluções em tempo real e ajustar-se rapidamente ao terreno.

Prova disso é o facto de os próprios EUA terem pedido a ajuda ucraniana para lidar com os drones iranianos no actual conflito no Médio Oriente, enquanto parte da indústria continua presa a processos longos e contratos rígidos.

Ao falar com aparente desdém do heróico esforço ucraniano e de uma nova indústria, que já redefine o campo de batalha, Papperger arriscou um sério dano de reputação, obrigando a própria Rheinmetall a retratar-se nas redes sociais e a reconhecer que “a força inovadora e o espírito de luta do povo ucraniano são uma fonte de inspiração para todos”.

Se a invasão russa ainda não tinha deixado isso claro, fica mais uma lição de que o melhor talvez seja mesmo não subestimar o papel das “donas de casa” ucranianas.

Diário de Notícias
06.04.2026
Rui Frias
Editor-Executivo Adjunto do Diário de Notícias

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338: Operações de Páscoa da PSP e GNR registam 18 mortos em mais de dois mil acidentes

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🇵🇹 PORTUGAL // PÁSCOA 🐇 // ACIDENTES

GNR fiscalizou mais de 22 mil condutores e deteve 199 pessoas. A PSP efectuou 952 detenções, das quais 548 por crimes rodoviários.

RUI MANUEL FONSECA / GLOBAL IMAGENS

 

As operações de Páscoa 2026 da PSP e da GNR registaram até este domingo, 5 de Abril, 18 mortos, em mais de dois mil acidentes, de que resultaram 42 feridos graves e 668 feridos ligeiros.

No período entre as 00:00 de quinta-feira e as 23:59 de sábado, no âmbito da Operação “Páscoa 2026”, a Guarda Nacional Republicana (GNR) registou um total de 584 acidentes, dos quais resultaram 12 vítimas mortais, 22 feridos graves e 164 feridos ligeiros.

De acordo com a nota da GNR, que dá conta dos dados provisórios da operação, foram fiscalizados 22.022 condutores, tendo sido detidos 199 pessoas por conduzirem com uma taxa de álcool no sangue igual ou superior a 1,2 g/l, e 59 por conduzirem sem habilitação legal;

Aquela força militar detectou 3.619 contra-ordenações rodoviárias, entre as quais 669 por excesso de velocidade, 649 por falta de inspecção periódica obrigatória e 97 excessos de álcool.

Também foram registadas 148 contra-ordenações por falta de seguro de responsabilidade civil obrigatório e 131 por falta ou incorrecta utilização do cinto de segurança e/ou sistema de retenção para crianças (SRC), 129 por uso indevido do telemóvel no exercício da condução.

Em relação aos acidentes com vítimas mortais, no sábado ocorreram duas mortes após colisões: na E.N. 13, na localidade de Afife, do distrito de Viana do Castelo, entre um motociclo e um veículo ligeiro, que provocou a morte de um homem com 58 anos e na E.N. 125, em Luz de Tavira, do distrito de Faro, entre um ciclomotor e um ligeiro, que provocou a morte de um homem de 63 anos.

Na sua operação “Polícia Sempre Presente: Páscoa em Segurança 2026″, a PSP efectuou 952 detenções, das quais 548 por crimes rodoviários, 305 por condução de veículo em estado de embriaguez e 184 por falta de habilitação legal para conduzir.

De acordo com a nota, foram detidos 67 suspeitos por crimes contra a propriedade (furtos, roubos e burlas) e 102 por tráfico de estupefacientes, tendo sido apreendidas mais de 11.871 doses individuais de droga.

No mesmo período foram registadas 363 ocorrências de violência doméstica, tendo sido detidos 17 suspeitos pela prática deste grave crime.

Já no âmbito das acções de prevenção e fiscalização rodoviária, foram fiscalizados 15.671 condutores e controladas por radar 40.844 viaturas, destacando, além das 548 detenções por crimes rodoviários, o registo de 4.376 autos de contra-ordenação, a maioria por excesso de velocidade (614), por falta de inspecção periódica obrigatória (513), e por falta de seguro de responsabilidade civil (241), entre outras.

Em relação à sinistralidade rodoviária, no mesmo período a PSP registou 1424 acidentes, dos quais resultaram 524 feridos (20 feridos graves e 504 feridos ligeiros) e seis mortos registados numa colisão no dia 27, no concelho de Sintra; num atropelamento na quinta-feira, no concelho de Vila Nova de Gaia; num despiste na sexta-feira, no concelho de Almada; e no sábado numa colisão no concelho de Torres Novas, e dois despistes, no concelho de Santarém e no concelho de Santana, Região Autónoma da Madeira.

Diário de Notícias
DN/Lusa
05.04.2026

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337: Depois do bom tempo, volta a chuva e até a temperatura vai descer durante a semana

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🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // MAU TEMPO

A partir de segunda-feira voltam as nuvens, a chuva e o vento. Entre terça e quarta-feira as temperaturas vão baixar.

Foto: Paulo Spranger

 

Aqueles que pensavam que o bom tempo tinha vindo para ficar enganaram-se, pois na próxima segunda-feira, 6 de Abril, vai voltar a chuva em praticamente todo o território continental, a excepção será a região de Trás-os-Montes, e nos Açores, de acordo com os dados do IPMA.

Este regresso da nebulosidade, da ligeira descida de temperatura e do aumento do vento é causado por uma depressão.

A maior instabilidade será sentida na terça-feira e na quarta-feira, em que as temperaturas mínimas podem baixar dos 10º. A temperatura voltará a subir ligeiramente na quinta-feira, mas são esperados períodos de aguaceiros e que vão durar até ao próximo fim-de-semana.

Diário de Notícias
Carlos Nogueira
04.04.2026

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336: A Figura do Dia. Não falem apenas de Jorge Coelho

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🇵🇹 OPINIÃO

Relembramos hoje a Paixão e Morte de Jesus. Este é o dia em que ser cristão é acreditar que o sacrifício mais inominável pode ter um sentido que nos transcende.

É um excelente pretexto para recordar as 59 pessoas que morreram na ponte de Entre-os-Rios, fez agora 25 anos. Quando se volta à tragédia falamos quase sempre de Jorge Coelho, do pronto pedido de demissão, da sua verticalidade e coragem política. É justo, mas é terrível para a memória dos que deixaram de viver naquela noite de 4 de Março.

Muitas famílias de Castelo de Paiva choraram nessa madrugada e a maioria delas ainda continua num estranho e absurdo luto — 36 corpos nunca foram encontrados, é uma morte sem morte, um fim que não sossega os sonhos de quem ficou, há sempre quem acorde a meio da noite encharcado em pesadelos ou esperanças frustradas.

“Quando se volta à tragédia [de Entre-os-Rios] falamos quase sempre de Jorge Coelho, do pronto pedido de demissão, da sua verticalidade e coragem política.”
Arquivo DN

Foram 36 mulheres e 23 homens. Só cinco não eram de Castelo de Paiva, culpa de uma excursão a Foz Côa para ver o nascimento da primavera com as suas vaidosas amendoeiras em flor.

Jesus está na cruz. Celebramos a Páscoa, o mais terrível e proveitoso dos dias de fé. Celebramos também o inconcebível, a monstruosidade do que nos pode tocar, mas também a rede que precisamos para nunca deixar fugir a esperança do tanto que nos resta.

Aquelas pessoas não regressaram a casa, mas despediram-se da vida com o cheiro das amêndoas doces nas flores brancas e rosas nascidas nos troncos das árvores.

A maioria não voltou a ser encontrada, está viva para sempre ou pronta a ressuscitar.

Diário de Notícias
Luís Osório
Escritor, jornalista e cronista
03.04.2026

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335: Termómetros vão chegar aos 28 graus na Páscoa, mas será sol de pouca dura

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🇵🇹 PORTUGAL // PÁSCOA // CLIMA

O céu limpo, com temperaturas “acima do normal para esta época do ano” vai durar até domingo, Depois, uma superfície frontal fria vai trazer um inverno primaveril a todo o país, com descida das temperaturas. Trata-se do rescaldo de uma depressão que irá atravessar as Ilhas Britânicas, mas que não tocará Portugal

Termómetros vão chegar aos 28 graus na Páscoa, mas será sol de pouca dura
© Jason Oxenham / Getty Images

Boas notícias para quem quer aproveitar a Páscoa. Até domingo, diz a meteorologista Ângela Lourenço, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), haverá poucas nuvens, predominando o céu limpo, com temperaturas “acima do normal para esta época do ano”. As máximas diurnas previstas oscilam entre os 23 e os 28 graus, sendo as zonas mais quentes “as do sul, o Ribatejo, o interior e o vale do Douro”. Perto do mar, prevêem-se valores ligeiramente inferiores, assim como nas serras, nomeadamente a da Estrela.

“À noite, as mínimas têm sido baixas. Temos tido noites frias, com valores de 5 ou 6 graus. Isso irá continuar”, nota a meteorologista. São temperaturas “típicas de inverno” que, na Serra da Estrela e noutras terras altas poderão não ultrapassar os 2 ou 3 graus.

Mas a recém-iniciada primavera já dá sinais de querer recuar. Isto deve-se a uma superfície frontal fria que, a partir de terça-feira – mas que na prática irá sentir-se em algumas zonas do país desde domingo – vai provocar alterações na temperatura do ar que exigem a reabilitação dos blusões de inverno.

Segundo a especialista do IPMA, uma depressão que afecta as Ilhas Britânicas, e que “não passará por Portugal”, é a responsável por uma descida da temperatura acentuada que, a 7 de Abril, pode variar entre os 8 e os 12 graus. Mas já o dia anterior será “muito nublado em todo o território, com poucas abertas”, ocorrência de chuva – sobretudo no norte e no centro do país – e aumento do vento, a soprar forte de quadrante sul. O resto da semana manterá estas características.

Expresso
Luciana Leiderfarb
02.04.2026

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334: Governo concede tolerância de ponto na quinta-feira à tarde antes da Páscoa

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🇵🇹 PORTUGAL // PÁSCOA // TOLERÂNCIA DE PONTO

Executivo diz considerar a “prática habitual” de deslocação de muitas pessoas para fora do seu local de residência na Páscoa.

O Governo vai conceder tolerância de ponto na tarde de quinta-feira, considerando a “prática habitual” de deslocação de muitas pessoas para fora do seu local de residência na Páscoa, refere um despacho esta segunda-feira, 30 de Março, assinado pelo primeiro-ministro.

No despacho de Luís Montenegro, a que a Lusa teve acesso, refere-se que “é concedida tolerância de ponto aos trabalhadores que exercem funções públicas nos serviços da administração directa do Estado, sejam eles centrais ou desconcentrados, e nos institutos públicos, no período da tarde de Quinta-Feira Santa, dia 02 de Abril de 2026”.

Esta tolerância de ponto é justificada pelo primeiro-ministro “considerando que constitui uma prática habitual a deslocação de muitas pessoas para fora dos seus locais de residência no período da Páscoa, tendo em vista a realização de reuniões familiares”.

O despacho refere que se exceptuam desta tolerância “os serviços e organismos que, por razões de interesse público, devam manter-se em funcionamento naquele período, em termos a definir pelo membro do Governo competente”.

“Sem prejuízo da continuidade e da qualidade do serviço a prestar, os dirigentes máximos dos serviços e organismos referidos no numero anterior devem promover a equivalente dispensa do dever de assiduidade dos respectivos trabalhadores, em dia a fixar oportunamente”, acrescenta o despacho.

Diário de Notícias
DN/Lusa
30.03.2026

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