Bragança, Viseu, Porto, Vila Real, Viana do Castelo, Aveiro, Coimbra e Braga vão estar sob aviso amarelo entre as 9:00 e as 21:00 e Guarda e Castelo Branco entre as 9:00 e as 03:00 de terça-feira.
Neve em Vila Pouca de Aguiar, no distrito de Vila Real PEDRO SARMENTO COSTA/LUSA
Dez distritos de Portugal continental estão esta segunda-feira, 9 de Março, sob aviso amarelo devido à previsão de queda, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Os distritos de Bragança, Viseu, Porto, Vila Real, Viana do Castelo, Aveiro, Coimbra e Braga vão estar sob aviso amarelo entre as 9:00 e as 21:00 e Guarda e Castelo Branco entre as 9:00 desta segunda-feira e as 03:00 de terça-feira.
Paralelamente, Faro e Beja vão estar sob aviso amarelo por causa da agitação marítima entre as 03:00 e as 15:00 de terça-feira, prevendo-se ondas de noroeste com 04 a 4,5 metros.
O aviso amarelo é emitido pelo IPMA sempre que existe uma situação de risco para determinadas actividades dependentes da situação meteorológica.
O IPMA prevê para esta segunda-feira, em Portugal continental, céu muito nublado, períodos de chuva, passando a aguaceiros, em especial no norte e centro, queda de neve, formação de gelo, descida da temperatura máxima e agitação marítima forte a norte do cabo Espichel.
As temperaturas mínimas vão oscilar entre os -2 graus Celsius (na Guarda) e os 09 (em Faro) e as máximas entre os 05 (na Guarda) e os 17 (em Faro).
A actividade parlamentar da última semana voltou a trazer para o centro do debate uma questão difícil que ainda consome muita gente de bem: como deve a democracia lidar com quem testa constantemente os seus limites? Num prato da balança pesam-se os riscos de dar palco à vitimização que faz parte das narrativas “anti-sistema”; no outro, os riscos de normalizar atropelos e abusos quando apenas se encolhem os ombros.
Antes de mais, convém perceber que a Assembleia da República não é apenas um palco de confronto político, mas também, e antes de mais, a casa da democracia. Um espaço onde a liberdade de expressão e o debate aceso devem conviver com regras de respeito institucional, responsabilidade e decoro. Quando essas regras são sistematicamente desafiadas e desrespeitadas, estamos perante uma tentativa de redefinir as fronteiras do jogo democrático.
Foi isso que Teresa Morais decidiu não deixar passar em claro, esta semana, no Parlamento. A vice-presidente da AR tomou as rédeas das sessões, na ausência do presidente Aguiar-Branco, e decidiu ser vocal na defesa da honra da instituição a que presidia naquele momento.
Primeiro, no debate quinzenal com o primeiro-ministro, assinalando a André Ventura que não podia deturpar as regras da interpelação à mesa para continuar o discurso político e não recuando perante as desconsiderações do presidente do Chega, que a tentou menorizar dizendo-lhe que “nem deveria estar ali” naquele dia.
Depois, no dia seguinte, quando decidiu não deixar passar uma acusação de Ventura à deputada Isabel Moreira, do PS, e às líderes parlamentares do Livre e do PCP, de ficarem caladas quando as mulheres são violadas por cidadãos estrangeiros. Ao afirmar que nenhuma deputada quer esconder violadores ou ignorar crimes contra mulheres, Teresa Morais não fez uma intervenção partidária, nem agitou qualquer bandeira feminista. “Limitou-se” a fazer o essencial: defender a honra da instituição a que presidia naquele momento.
Há quem veja nesta atitude a ingenuidade de alimentar a narrativa preferida dos populistas: a do “sistema” que os quer silenciar. Basta lembrar como o antigo presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, foi tantas vezes acusado de contribuir para o crescimento do Chega por isso.
Numa abordagem diferente está, por exemplo, o estilo do actual presidente, José Pedro Aguiar-Branco, defensor de deixar que a própria dinâmica do debate parlamentar regule os conflitos.
Ambas as abordagens têm riscos evidentes. Mas quando um dia olharmos para trás para fazer o balanço deste tempo político, será importante perceber que houve quem não hesitou em erguer a voz para defender as instituições democráticas e os valores da decência. Teresa Morais, seguramente, não poderá ser acusada de ter assistido em silêncio.
Diário de Notícias
Rui Frias
Editor-Executivo Adjunto do Diário de Notícias
09.03.2026
Visita:
- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê que a próxima semana traga frio e chuva, com temperaturas abaixo da média “para esta altura do ano”. Eis as previsões.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) divulgou, esta sexta-feira, a previsão do estado do tempo para a próxima semana, entre os dias 9 e 15 de Março, em Portugal continental. Segundo o instituto, os próximos dias contarão com temperaturas “abaixo dos valores médios para esta altura do ano”.
No boletim semanal, o IPMA revela que, na próxima semana, Portugal continental será “influenciado pela passagem de sistemas frontais, com ocorrência de precipitação em geral fraca”.
A precipitação será “mais provável” nas regiões Norte e Centro na segunda-feira, 9 de Março, e no litoral Norte na quarta-feira, 11 de Março.
Há ainda a “possibilidade de ocorrer queda de neve nas serras do Norte e Centro” na segunda-feira, mas à data de hoje a probabilidade é “inferior a 50%”.
Na próxima semana, “a temperatura irá estar abaixo dos valores médios para esta altura do ano”, estando previstas máximas a variar entre 6 e 16ºC e mínimas entre 1 e 9ºC na segunda e terça-feira.
Nos mesmos dias, as temperaturas podem variar entre os -2 e 0ºC no interior Norte e Centro e prevê-se que atinjam os -6ºC nos pontos mais altos da Serra da Estrela.
Já a partir de quarta-feira, 11 de Março, “haverá um aumento de temperatura, com valores máximos a variar entre 12 e 20 °C e valores mínimos entre 1 e 10 °C em todo o território”.
Lamento ter de repetir, mas criticar a teoria do realismo geopolítico não constitui um exercício de idealismo ingénuo. Trata-se, pelo contrário, de recordar três dimensões fundamentais das relações entre os Estados. Primeiro, que a paz deve ser o princípio basilar da ordem internacional.
Segundo, que a Carta das Nações Unidas – ainda que careça de actualização em matéria de representatividade e do funcionamento do Conselho de Segurança – deve ser escrupulosamente respeitada. Terceiro, que o poder da força militar não pode, nem deve, sobrepor-se à força do Direito Internacional. O mundo não é um ringue de boxe, nem uma arena de gladiadores, onde vence invariavelmente o mais forte.
O erro central do pretenso “realismo político” reside na redução do Estado ao papel de um ator único, ignorando as práticas democráticas. As instituições, as associações de cidadãos, os agentes económicos, a comunicação social e os intelectuais são desvalorizados ou instrumentalizados como meros peões do poder.
As oposições são diminuídas nos seus direitos, como alternativas normais em democracia. Na realidade, este pretenso realismo, que mais não é do que uma forma de reducionismo político, abre as portas ao poder absoluto e arbitrário, mesmo nas democracias aparentemente consolidadas.
Um líder, quando encara o mundo apenas pela alavanca da força e da agressão militar, vive ancorado noutros tempos, tem as suas raízes mentais enterradas no passado. Coloca-se fora da lei e chama a isso pragmatismo. Ignora – ou finge ignorar – que há um antes e um depois de 1945, e que o mundo mudou radicalmente desde o fim da Guerra Fria. Quando fala em “negociações”, refere-se, na verdade, à submissão do mais fraco perante a vontade do mais forte.
No século XIX, tal prática designava-se por “ultimato”. Hoje, apresenta-se sob a capa de um denso “nevoeiro geopolítico”. A falta de visibilidade, permite um jogo sem regras claras. A diplomacia é capturada para ganhar tempo, semear confusão – entre adversários e junto da opinião pública– e preparar, na sombra, a logística da guerra. Podemos confiar, hoje e amanhã, num líder assim?
Ahmed Mardnli / EPA
A guerra contra o Irão recorda-nos que é imperativo e urgente insistir na ética internacional e nos Direitos Humanos. Quando a força bruta se torna o critério primordial, ninguém está verdadeiramente seguro – nem mesmo os mais poderosos. Se os Direitos Humanos são desprezados, o medo transforma-se na única verdade aceitável e na regra social dominante. A novilíngua de George Orwell começa, inquietantemente, a ser imposta como norma linguística, quando em certas capitais europeias se fala de personagens invulgares que agora aparecem à boca de cena.
O que acontece hoje no Médio Oriente sublinha uma realidade constante: durante e no fim das más decisões e do despotismo, há sempre um grande número de seres humanos a pagar a factura. Esta realidade leva-me a sustentar que a única soberania que verdadeiramente conta é aquela que assenta na protecção da vida e da dignidade humana. Tudo o resto pertence à comédia trágica do poder, às ambições megalomaníacas absurdas e à indiferença perante as pessoas e o próprio mundo. Estaremos a assistir ao declínio definitivo das preocupações humanistas?
É urgente levar este tema à mesa do Conselho de Segurança. A diplomacia portuguesa, empenhada em obter um assento no Conselho para o biénio 2027-2028, deve assumir esta visão como uma bandeira sua: a bandeira da paz, do diálogo e da tolerância, com a Humanidade acima de tudo. Ao fazê-lo, Portugal alinhar-se-á com a maioria dos Estados-membros e com a própria essência da ONU. Não seremos meros espectadores passivos do niilismo e do unilateralismo actuais, mas sim uma voz ativa, capaz de proclamar que os grandes desafios exigem respostas colectivas e multilaterais.
A nossa participação na NATO tem um objectivo de paz e não impede a construção de pontes com organizações regionais na América Latina, em África ou na Ásia. Num momento em que algumas potências se afastam da ONU, ou a querem subalternizar e capturar, a diplomacia portuguesa poderá servir de mais um pilar – em articulação com outros Estados – na construção de consensos, na defesa do Direito Internacional e no apoio às instituições de interesse comum. Por exemplo, dos tribunais internacionais sediados em Haia e dos organismos do sistema das Nações Unidas, vitais para milhares de milhões de pessoas e para o planeta.
Em Junho, a Assembleia Geral votará a composição do Conselho para os próximos dois anos. A campanha portuguesa decorre num contexto exigente e bastante delicado. O nosso maior trunfo deve ser a promoção intransigente da paz através do reforço do papel político da ONU. É essa a mensagem que o mundo quer – e mais precisa – de ouvir com clareza.
Diário de Notícias
Victor Ângelo
Conselheiro em Segurança Internacional. Ex-secretário-geral-adjunto da ONU
06.03.2026
Os renascidos 4 estarolas pré-históricos do século XXI
Visita:
- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).
Com a chegada de uma nova massa de ar vindo do Norte de África, o céu de Portugal está prestes a ganhar aquele tom baço e alaranjado que já conhecemos a partir de segunda-feira. No entanto, este fenómeno vai muito além de uma curiosidade visual ou de deixar os carros sujos. Como a nuvem de poeiras do Saara transporta partículas finas que afectam a qualidade do ar, é fundamental que saibas como te proteger nos próximos dias.
poeiras do Saara ainda contêm radioactividade! quais os perigos?
Nuvem de poeiras do Saara a chegar: os cuidados que tens de ter
Certamente, o impacto mais directo sente-se na nossa respiração. Estas poeiras são compostas por minerais, mas também podem carregar pólenes, fungos e outros poluentes recolhidos durante o trajecto. Portanto, se sofres de alergias ou problemas respiratórios, deves redobrar a atenção, pois a concentração de partículas em suspensão (PM10) vai disparar.
Poeiras de África
Os Perigos Invisíveis para a Tua Saúde
Embora pareça apenas “areia no ar”, a verdade é que estas partículas são tão pequenas que conseguem penetrar profundamente nos pulmões. Consequentemente, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) recomenda habitualmente cuidados especiais durante estes episódios.
Irritação Imediata: É muito comum sentires os olhos a arder, a garganta seca ou uma tosse persistente.
Agravamento de Doenças: Pessoas com asma, rinite ou bronquite podem sentir crises mais severas devido à má qualidade do ar.
Esforço Cardiovascular: O corpo trabalha mais para filtrar estas impurezas, o que pode ser perigoso para idosos ou pessoas com problemas de coração.
Visto que a exposição prolongada é o maior risco, o ideal é que tentes passar o máximo de tempo possível em ambientes fechados enquanto a nuvem estiver sobre a tua região.
Dicas Práticas para Sobreviver à “Chuva de Lama”
Além da saúde, existe o lado prático da manutenção da casa e do carro. Adicionalmente, as previsões apontam para a possibilidade de chuva em alguns pontos do país, o que resultará na deposição de lama sobre todas as superfícies.
Alerta chuva: este erro fatal custa-te 600 Euros em multa
Mantém as Janelas Fechadas: Evita arejar a casa nas horas de maior concentração para impedir que o pó entre nos teus estofos e tapetes.
Cuidado ao Lavar o Carro: Se o teu carro ficar coberto de pó, não passes uma esponja directamente. Deves usar muita água sob pressão primeiro, caso contrário, os grãos de areia vão riscar a pintura de forma permanente.
Hidratação Constante: Beber muita água ajuda a manter as mucosas das vias respiratórias húmidas, o que facilita a expulsão natural de algumas destas poeiras.
Usa Máscara se Necessário: Se tiveres de fazer trabalhos no exterior ou se fores do grupo de risco, a utilização de uma máscara FFP2 pode ser uma excelente aliada para filtrar o ar que respiras.
Quando é que o Céu Volta ao Normal?
De acordo com os modelos meteorológicos, este fenómeno deverá persistir durante vários dias, afectando primeiro a Madeira e progredindo depois pelo Continente. Contudo, a situação tende a normalizar assim que as correntes de ar mudarem ou uma frente de chuva mais limpa ajude a lavar a atmosfera.
Em suma, aproveita o cenário para tirar fotografias impressionantes, mas não ignores os sinais do teu corpo. Se sentires falta de ar ou um desconforto invulgar, procura um local arejado (dentro de casa) e descansa.
Querem um exemplo concreto da relevância do multilateralismo entre estados que também protege as populações portuguesas e Ocidentais? Olhem para o caos no Médio Oriente com a resposta do Irão à Operação Fúria Épica e onde tudo isso esteve ausente desde o primeiro momento.
Num contexto em que a União Europeia tanto invoca a “autonomia estratégica” pretendida, seria expectável que, pelo menos os estados afirmassem, o primado do Direito Internacional e da diplomacia. Alguns fizeram-no. Portugal optou pelo silêncio administrativo. Algo que nos tornou perigosamente coniventes. Mesmo que de forma prudente, a União tenha apelado à contenção e à legalidade institucional. Fora desse espectro, até o Reino Unido que é o grande aliado dos americanos, foi contundente e não renunciou ao reflexo na utilização das suas bases.
Lê-se grande parte da opinião pública americana e europeia, e existe uma crítica com pouco ou nada de ideológico a esta investida e que sublinha aquilo que já se deveria ter aprendido com a História recente. As mudanças de regime não acontecem assim num país da dimensão do Irão e com as células terroristas que dali espoletam. Antes, têm tendência a reforçá-las e até a reacender o que estava adormecido.
Netanyahu é um carniceiro que pretende dizimar a região para distrair aquilo que recai sobre si e Trump, de forma quase idêntica, é alguém que despreza os serviços de inteligência, a diplomacia e tudo o que é aconselhável na cautela que se deve ter sobre aquela região. Não será um pormenor esta guerra ter sido iniciada por quem foi do lado Ocidental.
Com o tema da utilização da Base das Lajes e os EUA como Estado agressor, Portugal colocou-se à margem de um dos maiores desafios na relevância da UE: a reabilitação do multilateralismo e do Direito Internacional. Perdemos espaço para a crítica recorrente da falta de força política e de autonomia da União.
Como se poderá exigir isso a partir daqui? É verdade que o Governo Português não participa no ataque, mas politicamente a resposta é insuficiente em relação às Lajes. Nem nos enquadrámos de forma pragmática. Se é certo que provavelmente não corremos o risco de ser atingidos por um míssil, também o é que a guerra assimétrica pode vir a revelar-se por outros meios e aí a comprometer-nos.
Nada aprendemos com a História. O resultado da invasão do Iraque à margem culminou num país devastado, de uma instabilidade regional duradoura e do fortalecimento de dinâmicas extremistas que ainda hoje moldam o Médio Oriente.
No Afeganistão, duas décadas de intervenção resultaram num regresso ao ponto de partida, com mais de dois milhões de mortos e custos financeiros incalculáveis.
Mudanças de regime promovidas externamente, por mais tenebroso e sanguinário que seja o mesmo – e o do Irão é tudo do pior – produzem efeitos desastrosos. Ignorar essa memória colectiva é um luxo ao qual a Europa não se pode dar. Muito menos um Estado como Portugal. Ao evitar qualquer afirmação política, o Governo enfraquece a relevância portuguesa e contribui para aquilo que tem sobrado: uma UE sem peso estratégico.
Pequenos Estados não ganham influência pelo alinhamento subserviente, mas pela consistência dos princípios que defendem. Se queremos uma Europa com voz própria, temos de começar por exercê-la. Caso contrário, continuaremos a queixar-nos da fragilidade europeia enquanto voluntariamente, somos hoje o principal promotor.
Olhemos para o nosso vizinho e entendamos como se mantém a lucidez, os princípios, a realpolitik e a coluna num tempo de ignorância trumpista e em que a farsa dos loucos comanda.
Podemos ser mais do que isto.
Diário de Notícias
Gonçalo Ribeiro Telles
Comentador Político. Fundador e consultor de Comunicação na GRiT Communication & Political Risk
04.03.2026
Visita:
- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).
What passing-bells for those who die as cattle? – Only the monstruous anger of the guns. Only the stuttering rifles’ rapid rattle – Wilfred Owen (1893 – 1918)
As nossas mentes e as nossas escritas conseguem alhear-se deste clima de guerra total que nos rodeia e envolve? A bem da nossa saúde mental, era bom que continuássemos a falar de outras coisas, a olhar para fora de nós e das notícias terríveis que hora a hora nos chegam e em que, crescentemente, “cada homem tem apenas para dar/um horizonte de cidades bombardeadas” (Eugénio de Andrade).
A nossa época está a transformar-se numa daquelas épocas em que os tempos se transformam por cima das nossas vontades, quaisquer que elas sejam, e em que se procede a uma destruição selvagem e radical do que passámos décadas a acumular. Como se a guerra fosse a limpeza que fazem os donos da casa antes de mudar a mobília.
O nosso drama é que não sabemos quem são os donos da casa, nem que nova mobília querem trazer, porque os fins da guerra ultrapassam sempre as estratégias mais ou menos racionais que movem os líderes que são instigadores e agentes das guerras. Por isso, no final, os resultados são tão diferentes do que vencedores e vencidos tinham previsto!
Outra característica de todas as guerras é que duram sempre muito mais tempo do que o programado. Daí que nalguns casos sejam os militares, conscientes da insustentabilidade dos objectivos bélicos, a impor a paz aos poderes políticos; mas a situação inversa pode também registar-se.
No momento presente, verificamos uma grande indefinição nos propósitos finais desta guerra generalizada no Médio Oriente, além do objectivo claro e permanente, por parte dos Estados Unidos, de garantir a segurança de Israel, mesmo que o final tenha de ser como o da história bíblica de Sansão…
A Ucrânia e, por tabela, a Europa, arriscam-se a perder força e presença nesta conjuntura, em que o Médio Oriente vai claramente passar à frente do drama ucraniano.
A situação do povo iraniano é cruelmente paradoxal: a esmagadora maioria das pessoas qualificadas e educadas, fora da burocracia estatal, odeia a ditadura teocrático-militar que lhes foi imposta; mas não creio que, apesar de tudo, possam ver com agrado o seu país ser atacado e destruído por forças estrangeiras.
Não penso de todo que isso leve estas pessoas (e qual será o seu peso relativo na população iraniana?) a solidarizar-se com um regime que odeiam. Mas não vemos emergir uma alternativa consistente e organizada no seio da valente oposição daquele país.
Rumi, o grande poeta e místico sufi (1207 – 1273) dizia das guerras que elas tinham a consistência “das brigas das crianças”. Infelizmente, entre essa consistência e as consequências das guerras a distância é enorme e mortal.
Há um costume no Irão de ir junto ao túmulo do poeta Hafez (século XIV) e, abrindo ao acaso o livro dos seus poemas, procurar nele o guia para o nosso futuro. Quando lá estive, vi muitos jovens a procurar o seu futuro num poema de Hafez tirado ao acaso. Fiz o mesmo agora, ao terminar este artigo, e surgiu-me este poema, que vos transmito aqui, com os meus agradecimentos a Hafez, e dedicado ao bravo povo iraniano que luta pela sua liberdade:
Os guerreiros domaram as bestas Em seus passados para que os cascos das patas da noite Não pudessem mais quebrar a visão Ricamente ornamentada do coração.
O Ministro da Educação admite uma investigação ao que está a acontecer nas escolas públicas frequentadas por crianças e adolescentes. A reportagem no Público criou ondas de choque: 79 associações de estudantes, de escolas de norte a sul, pagaram a actores pornográficos e misóginos para animar a malta. As sessões levaram os alunos ao delírio e vários professores assistiram à performance de “machonitos” de tronco nu e cuecas a transbordar das calças.
A indignação obriga-me a um sorriso triste. Porque a maioria dos que se chocaram não faz ideia da música que os miúdos ouvem, dos influencers que os contaminam, da linguagem que usam, das referências que têm.
Artur Machado
Há centenas de escolas primárias, para não falar dos outros ciclos, em que as festas de final de período, incluindo o Natal, são feitas à base das músicas rascas que as crianças conhecem e consomem em casa. Música funk, com letras ordinárias, machistas, sexualizadas e altamente promiscuas.
Não sou moralista. Acredito no futuro e nas gerações dos meus filhos e futuros netos. No entanto, que não haja ilusões. Há uma multidão de miúdos que está a crescer sem referências. Lê pouco ou nada, está online em permanência e venera pessoas de quem nunca ouvimos falar, gente com milhares e milhares de seguidores que são populares por serem “manos muita-malucos e bacanos”.
Estamos chocados pelos idiotas que entram nas escolas dos nossos filhos com a autorização dos directores, mas ligamos pouco ou nada ao que nos trouxe até aqui.
Vários distritos de Portugal continental vão estar a partir de quinta-feira sob avisos devido à agitação marítima, vento e neve, informou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Os distritos de Lisboa, Leiria e Coimbra vão estar com aviso amarelo entre a 21:00 de quinta-feira e as 03:00 de sexta-feira devido à agitação marítima, passando depois a laranja até às 19:00 de sexta-feira, prevendo-se ondas de noroeste com 05 a 6,5 metros de altura, podendo atingir os 11 metros de altura máxima.
Também por causa do estado do mar, o IPMA emitiu aviso amarelo para os distritos de Setúbal, Porto, Faro, Viana do Castelo, Beja, Aveiro e Braga entre as 21:00 de quinta-feira e as 19:00 de sexta-feira.
Porto, Faro, Setúbal, Viana do Castelo, Lisboa, Leiria, Beja, Aveiro, Coimbra e Braga vão estar também sob aviso amarelo entre as 00:00 e as 19:00 de sexta-feira por causa do vento forte com rajadas da ordem dos 70/80 quilómetros por hora.
O IPMA colocou também os distritos da Guarda e Castelo Branco sob aviso amarelo devido à queda de neve acima de 1.400/1.600 metros de altitude entre as 21:00 de quinta-feira e as 19:00 de sexta-feira.
A costa norte da ilha da Madeira e o Porto Santo estão até às 12:00 de hoje sob aviso amarelo por causa da agitação marítima, prevendo-se ondas de noroeste com 04 a 05 metros.
O aviso laranja é emitido pelo IPMA sempre que existe “situação meteorológica de risco moderado a elevado, e o amarelo quando há uma situação de risco para determinadas actividades dependentes da situação meteorológica.
Temperaturas chegaram quase aos 3 graus negativos na terça-feira no Pico do Areeiro. Veja os vídeos registados por madeirenses e turistas nos pontos mais altos da ilha nos últimos dias.
A passagem da depressão Regina levou, na terça-feira, neve até às regiões montanhosas da ilha da Madeira, que estão agora pintadas de branco.
A estação meteorológica do Pico do Areeiro chegou ontem a registar -2.9ºC, a temperatura mais baixa do país na terça-feira.
O arquipélago da Madeira foi atingido pela depressão Regina, que, segundo as previsões, iria condicionar o estado do tempo até esta manhã.
As imagens partilhadas nas redes sociais mostram um manto branco nos pontos altos da ilha.
O Serviço Regional de Protecção Civil emitiu um aviso à população, alertando para a necessidade de adoptar uma condução defensiva, reduzindo a velocidade e tendo especial cuidado com a possível formação de gelo nas vias; não circular em vias afectadas pela acumulação de neve, respeitar as interdições dos acessos às zonas com neve e garantir que os sistemas de aquecimento dos veículos se encontram em bom estado de funcionamento.
Por outro lado, veículos pesados devem evitar circular naquelas vias, em particular articulados, veículos com reboque e veículos de tracção traseira.
A população deve também manter-se atenta às informações da meteorologia.
A Protecção Civil deu também conta das estradas que estão condicionadas.
A Polícia de Segurança Pública (PSP) anunciou que reforçou o patrulhamento nas zonas de maior altitude da região, “devido às baixas temperaturas e à queda de neve verificada nas últimas horas”.
“Vários acessos encontram-se encerrados por razões de segurança e a circulação está condicionada em algumas vias devido à formação de gelo e acumulação de neve”, lê-se numa publicação feita nas redes sociais na terça-feira.
À semelhança da Protecção Civil, também a PSP alerta para que sejam “evitadas deslocações para estas zonas enquanto se mantiverem as actuais condições meteorológicas, mesmo que as viaturas sejam consideradas preparadas”.
“A presença de gelo e o eventual bloqueio de vias podem colocar pessoas e veículos em situação de risco”, lê-se na mesma nota.
Quanto aos voos, o aeroporto da Madeira parece ter retomado a normalidade esta quarta-feira, depois de mais de 80 voos com partida ou destino para a ilha terem sido cancelados na terça-feira.