Se estavas à espera de um dia calmo, a verdade é que a Depressão Oriana tem outros planos para esta sexta-feira, dia 13. Conforme indica o portal Luso Meteo, Portugal Continental vai enfrentar um dos dias mais complicados das últimas semanas, com fenómenos meteorológicos severos a atingir várias regiões.
O Impacto da Depressão Oriana no Continente
Infelizmente, a coincidência do calendário com a sexta-feira 13 parece confirmar-se na meteorologia. Adicionalmente, a passagem de várias frentes frias vai criar um cenário de grande instabilidade que deves acompanhar com atenção.
Sexta-feira 13 em alerta: Depressão Oriana traz neve, cheias e mau tempo
Risco Extremo de Cheias: A chuva será persistente e muito forte, especialmente durante a madrugada e manhã. Como resultado, bacias como a do Mondego estão sob vigilância apertada, visto que o solo já se encontra saturado.
Nevão nas Serras: Prepara o casaco mais quente, pois a neve vai cair com abundância. Além disso, a cota de neve desce até aos 1000/1100 metros, com previsões de acumulações históricas acima dos 30 cm nos pontos mais altos da Serra da Estrela.
Trovoada e Granizo: Logo após a chuva forte, o céu não vai dar tréguas. De facto, a descida das temperaturas vai potenciar a ocorrência de trovoadas e granizo, tornando a condução particularmente perigosa.
Vento e Mar de Alerta
Simultaneamente, o vento soprará com rajadas que podem chegar aos 85 km/h nas montanhas. No litoral, o mar estará em fúria, com ondas gigantes de 5 metros. Portanto, evita as zonas de costa e segue rigorosamente os avisos das autoridades.
Açores e Madeira: O Refúgio do Anticiclone
Por outro lado, se estiveres nas ilhas, o cenário é oposto. Graças à protecção de um anticiclone, tanto os Açores como a Madeira terão um dia bastante mais agradável.
Nos Açores, o tempo seco e o sol vão dominar, permitindo uma pequena subida das temperaturas. Da mesma forma, na Madeira, o ambiente continuará a parecer uma autêntica primavera antecipada, embora o vento de Noroeste ainda se faça sentir com alguma intensidade nas zonas altas.
A Boa Notícia: O Fim do “Comboio de Tempestades”
Apesar de toda esta agitação, há luz ao fundo do túnel. Segundo o Luso Meteo, este deverá ser o último grande evento de precipitação intensa deste período. Logo depois da passagem da Oriana, o anticiclone vai finalmente ganhar força, prometendo trazer o sol de volta a todo o país.
Em suma, mantém-te seguro durante esta sexta-feira 13, protege-te da chuva e da neve e aguarda pelo bom tempo que está quase a chegar.
Um homem viajava de comboio, na manhã desta quarta-feira, quando se deparou com uma imagem que o encheu de orgulho.
Fotografia tirada no comboio torna-se viral: “Gesto simples, mas carregado de educação”
“Duas crianças, com cerca de 4 e 6 anos, viajam com seu pai — descalças, para não sujarem os bancos. Por baixo do assento, vêem-se as pequenas botas/galochas cuidadosamente pousadas. Um gesto simples, quase invisível, mas carregado de educação, respeito pelo espaço público e sentido de responsabilidade“, lê-se na legenda de uma fotografia que partilhou nas redes sociais e que soma já milhares de interacções.
“Num tempo em que tantas vezes se desvaloriza o cuidado com o que é de todos, esta atitude merece ser sublinhada. Não apenas das crianças, mas sobretudo do pai, que, pelo exemplo, transmite valores que nenhuma campanha ou regulamento consegue impor. É assim que se constrói cidadania: nos detalhes, no quotidiano, no exemplo silencioso“, acrescenta.
Segundo o autor da fotografia, esta foi tirada às 07:48 horas na zona do Fogueteiro, no Seixal.
Numa série de interessantes artigos no Público, António Guerreiro procura pensar o processo social e político que vivemos neste momento, opondo ao conceito de “regressão” (voltar a um paraíso mítico de três Salazares, regra nos espíritos e ordem nos costumes), uma mais ampla ideia de “processo descivilizatório”, isto é, inversamente ao “processo civilizatório” que Norbert Elias descreve, um combate furioso a todas as aquisições de tolerância e liberdade que a evolução e abertura da moralidade pública têm tornado possíveis.
Nós temos hoje uma amostra ao vivo, qual montra publicitária, do destino desse processo de desconstrução das regras políticas democráticas e das conquistas na aceitação social em relação às minorias: os Estados Unidos de Donald Trump, onde se aliam as pulsões racistas e homofóbicas com o projecto de desmantelar a democracia dos Pais Fundadores, rumo a um sistema autocrático, com votações controladas de cima e concentração de poderes num líder sacralizado.
Se esta tendência revela a sua força nos próprios países fundadores da Democracia (França, Estados Unidos, Reino Unido), mais ainda se exprime em todos os países que se habituaram, durante toda a sua História, a regimes autocráticos.
Nesse sentido, a votação num candidato de união dos democratas, de esquerda e de direita, como foi a de António José Seguro, representa uma posição maioritária dos portugueses na rejeição desse processo anti-civilizatório e desse suicídio assistido das liberdades públicas.
Os três Salazares não movem mais os portugueses, por vaga que seja já para tantos a memória desses tempos do “viver habitualmente”, sob a protecção da polícia, das prisões e da censura. Dissemos com firmeza não aos três Salazares e reivindicámos, para além de todas as nossas diferenças e todas as nossas desilusões, a luta contra essa “política do pior” que se vai expandindo pelo mundo.
A grande lição que aprendemos é que nada fica definitivamente enterrado no caixote do lixo da História. O fascismo (pondo de lado as diferenciações académicas) está de regresso, como a esquerda norte americana entendeu já. E ao lado de nós temos uma Espanha, onde o PP não hesita em aliar-se ao Vox, uma França onde Le Pen e Bardella se tornaram favoritos, depois da empresa falhada, conduzida por Macron, de tentar destruir as diferenças políticas em democracia, uma Itália governada por um fascismo que recusa dizer o seu nome, uma Alemanha onde o AfD… etc., etc.
É claro que passámos a um regime de luta pela democracia e pela própria civilização, que virá tornar o debate político essencial (socialismo democrático ou liberalismo?) secundário relativamente a este combate pelas próprias condições de existência de uma sociedade aberta, multicultural e tolerante e de um Estado democrático e social. A base consensual do funcionamento de uma sociedade decente.
Não se tornou obsoleta a distinção entre esquerda e direita e aquilo a que chamamos centro designa apenas os moderados de um e do outro lado, que não querem perder o solo comum das garantias democráticas, para prosseguirem em paz e liberdade os seus combates.
Em tempos idos chamava-se “unidade antifascista”. Não será hoje o mesmo inimigo, com outras roupagens, discursos e tecnologias?
O espanto deu lugar à impiedade e esta foi dizimada pela indiferença. Já não faz sentido escrever que a ministra da Administração Interna foi incapaz de desempenhar o seu cargo ou mostrarmos surpresa pelo seu pedido de demissão. Na verdade, a ministra já não o era. Foi retirada de cena e fechada numa masmorra de onde não foi salva por príncipes ou dragões. Só a deixaram sair para que fosse ela a colocar o parágrafo, mas a questão foi sempre outra.
Maria Lúcia Amaral é uma distinta professora catedrática de Direito, desempenhou as funções de juíza e vice-presidente do Tribunal Constitucional e fez um brilharete na Provedoria da Justiça. A maioria dos comentadores elogiou a capacidade de Montenegro para convencer uma das melhores portuguesas, esquecendo o pormenor de que muitas das estrelas da sociedade civil foram um desastre quando tiveram responsabilidades governativas.
Maria Lúcia Amaral, ex-ministra da Administração Interna. Global Imagens
Governar não é o mesmo que liderar um instituto, uma empresa ou ser presidente de um banco. Depende sempre das qualidades de quem se convida. Não quero criticar a pobre ex-ministra, faço-lhe apenas um reparo. Na vida, não podemos perder a noção do que sabemos fazer e do que não conseguimos.
A ex-governante não respeitou esse princípio, o que revelou um lamentável défice de auto-conhecimento – como é que alguém que se revelou tão ridiculamente frágil, aceitou ser ministra e logo na pasta da Administração Interna? Não conhecia as suas limitações?
A senhora professora deveria ter sido a primeira a dizer a Luís Montenegro que não era a pessoa certa. Ter-se-ia poupado e teria poupado o país a um espectáculo de nonsense.
Esta quarta-feira, um dia que terá muita chuva, é marcada pela demissão da ministra da Administração Interna, pelo debate na AR sobre a actuação do Governo, e pela operação de evacuação em Coimbra.
PAULO NOVAIS/LUSA
Câmara de Leiria encerra Mercado Municipal D. Pedro V
A Câmara Municipal de Coimbra e a Protecção Civil decidiram pelo encerramento do Mercado Municipal D. Pedro V. “A decisão deve-se à instabilidade do talude da Cerca de Santo Agostinho, situação que já motivou o encerramento da Rua da Fonte Nova”, justifica o executivo.
O parque de estacionamento superior do Mercado encontra-se igualmente encerrado.
Locais de apoio receberam 160 pessoas retiradas de zonas de risco em Coimbra
Os locais de acolhimento de Coimbra previamente definidos receberam 160 pessoas durante a noite, que tinham sido retiradas de zonas de risco de cheia no concelho, revelou hoje fonte do município.
Às 04:30 de hoje, a escola de Taveiro tinha recebido 22 pessoas, a escola Inês de Castro 43 e o pavilhão Mário Mexia 95 idosos, disse à agência Lusa fonte oficial da Câmara de Coimbra.
Estas zonas de concentração e apoio à população (ZCAP) tinham sido definidas previamente e estão preparadas para acolher pessoas que precisem de ser retiradas de zonas onde está identificado o risco de cheia da bacia do Mondego.
O pavilhão Mário Mexia funciona como ZCAP para 95 idosos, retirados de três lares da freguesia de São Martinho do Bispo.
A ZCAP de Ceira, que também tinha sido accionada na noite de terça-feira, encontrava-se, às 04:30, sem qualquer pessoa, informou a mesma fonte.
O presidente da Junta de Freguesia de Ceira confirmou que não foi necessário retirar os moradores desta zona ribeirinha do concelho de Coimbra para um ponto seguro, face ao risco de cheia que se previa para a madrugada.
“Graças a Deus não foi necessário. As pessoas ficaram nas suas casas em segurança e está tudo dentro da normalidade”, indicou Fernando Almeida.
De acordo com o presidente da Junta de Freguesia de Ceira, o Rio Ceira “desceu um bocadinho durante a noite”, o que permitiu que os habitantes pudessem ficar nas suas casas.
“Agora vamos ver como se vai portar durante a manhã”, acrescentou.
De acordo com fonte oficial da protecção civil local, toda a população que poderá ser afectada “foi avisada”.
Município e protecção civil irão “continuar a bater às portas” das pessoas, disse também esta fonte.
Fonte do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Coimbra (CSREPC) confirmou à Lusa a retirada de 160 pessoas durante a noite, explicando que os números que têm registado dizem apenas respeito a pessoas retiradas com ajuda de bombeiros, nomeadamente cidadãos com dificuldades de mobilidade.
“A restante população terá recorrido a meios próprios para estar fora da zona de risco, seguindo as orientações da protecção civil”, disse.
Segundo a mesma fonte, não há, até ao momento, indicação de pessoas retiradas de Soure e Montemor-o-Velho.
DN/Lusa
Estação Fluvial de Porto Brandão encerrada
Por motivo de interdição dos acessos rodoviários a Porto Brandão, por parte das autoridades competentes, a Estação Fluvial de Porto Brandão encontra-se encerrada, informa a Transtejo, que assegura as ravessias do Tejo na região de Lisboa, no seu site oficial.
Assim, o serviço de transporte de passageiros encontra-se temporariamente limitado a Trafaria – Belém, sendo realizado de acordo com os horários em vigor.
A Transtejo diz que não é possível prever quando será retomado o serviço na Estação Fluvial de Porto Brandão.
Numa nota citada pelo Observador, Rui Ribeiro Rei, presidente da Transtejo diz que vai iniciar-se a retirada de todas as pessoas da localidade por razões de segurança.
Douro regista subida considerável. Espera-se um dia difícil
O rio Douro registou uma subida considerável durante a noite de hoje e o dia adivinha-se “difícil a nível do controle dos caudais” devido à muita chuva prevista para o Norte de Portugal e Espanha, segundo a Capitania do Douro.
“Já observamos uma subida considerável na cota da albufeira do Carrapatelo, na cidade do Peso da Régua [distrito de Vila Real]. Já atingiu os 10,7 metros, o que significa que a água já chegou à marginal. Não passou muito disso e manteve-se estável, mas já é uma cota considerável. Aqui [zonas do Porto e Vila Nova de Gaia] durante o dia temos que ir mantendo a supervisão porque continua a haver muita água”, disse o comandante adjunto da capitania, Pedro Cervaens.
Num ponto de situação à agência Lusa, cerca das 07:30, o comandante adjunto da Capitania do Douro referiu que a forte pluviosidade prevista para o dia de hoje fazem este dia “merecedor de muita atenção”.
“A cota no estuário também está sempre ali a rondar os 5 metros. Portanto, Miragaia [no Porto] ontem [terça-feira] já meteu um pouco de água. Nada de significativo, mas já entrou um pouco. Acreditamos que hoje pode ser também um dia difícil a nível do controlo dos caudais. Portanto, é possível que estas zonas com cotas mais baixas sofram novamente a entrada de água”, alertou.
O município do Porto terá activo até às 23:59 de domingo o Plano Municipal de Emergência de Protecção Civil (PMEPC), após o Governo ter colocado 48 concelhos em situação de contingência devido à ocorrência ou risco elevado de cheias e inundações, conforme foi noticiado na segunda-feira.
Também Vila Nova de Gaia activou até domingo o Plano Municipal de Emergência de Protecção Civil (PMEPC), lê-se num despacho datado de sábado e publicado na segunda-feira no ‘site’ da autarquia.
O mau tempo com muita chuva, vento e agitação marítima levou a Capitania do Douro a activar, na semana passada, o alerta vermelho para risco de cheias.
Lusa
Amarante activa Plano Municipal de Emergência de Protecção Civil
O Município de Amarante activou o Plano Municipal de Emergência e Protecção Civil (PMEPC), perante a previsão de chuva contínua e intensa, com risco acrescido de cheias e inundações, indica a câmara no seu ‘site’.
“Perante a previsão de precipitação contínua e de períodos de chuva intensa, com risco acrescido de cheias e inundações, foi activado o Plano Municipal de Emergência e Protecção Civil de Amarante,(…) ao abrigo da legislação em vigor, com vista à salvaguarda de pessoas e bens”, lê-se na publicação.
A câmara de Amarante, cuja zona ribeirinha é banhada pelo rio Tâmega, um dos maiores afluentes do rio Douro, acrescenta que decorreu na terça-feira uma reunião extraordinária da Comissão Municipal de Protecção Civil “com o objectivo de assegurar uma resposta coordenada, integrada e eficaz de todos os agentes de protecção civil e entidades com dever especial de cooperação, reforçando a prontidão operacional, a mobilização de meios e a articulação institucional face à situação excepcional em curso”.
“O Município de Amarante está a acompanhar permanentemente a evolução das condições meteorológicas e hidrológicas, podendo adotar medidas adicionais que se revelem necessárias, sendo o plano desactivado logo que deixem de se verificar os pressupostos que determinaram a sua activação”, vinca a autarquia, pedindo à população para se manter informada.
Deslizamento de terras obrigou à retirada de 31 pessoas na Costa da Caparica
Mais de 30 pessoas foram hoje retiradas de prédios na Costa da Caparica, em Almada, devido a um deslizamento de terras, que não causou vítimas, disse à Lusa fonte do Comando Sub-Regional da Península de Setúbal.
“A arriba que está junto destes prédios está a ter movimentos e cerca das 03:38, uma pedra de dimensões significativas deslizou e atingiu o número 3 da Rua João Azevedo. Esta situação obrigou à retirada de 31 pessoas que foram entretanto encaminhadas para equipamentos da autarquia e para casa de familiares, adiantou a fonte.
De acordo com a protecção civil, o número 3 foi o que sofreu maiores danos devido ao impacto, tendo os outros edifícios sido evacuados ao nível do rés-do-chão por precaução.
“Cerca das 07:00, os serviços de protecção civil municipal estavam a avaliar os danos e a possibilidade de alguns moradores poderem regressar às suas casas”, disse.
No local, estiveram 17 operacionais, com o apoio de seis veículos.
Também hoje, pelas 06:16, um deslizamento de terras na estrada nacional 378 na Charneca da Caparica, também em Almada, obrigou a retirar o condutor, que não sofreu ferimentos, de uma viatura que ficou imobilizada na via.
Lusa
Escolas de Penacova e Soure também estão encerradas
Além das escolas de Coimbra localizadas na margem esquerda do rio Mondego, também as escolas de Penacova, no distrito de Coimbra, vão estar hoje encerradas na sequência do mau tempo, informou a Câmara Municipal, um pouco depois das 07:00, nas redes sociais.
“A Câmara de Penacova e o Agrupamento de Escolas informam que devido às condições precárias de várias estradas, ao risco de novas ocorrências, à continuação de chuva persistente e à dificuldade na operação da rede de transportes, esta quarta-feira [hoje] todos os estabelecimentos de ensino estarão encerrados”.
Em Coimbra, face ao risco de inundações numa parte do concelho, todas as escolas das freguesias de Santa Clara e Castelo Viegas, São Martinho do Bispo, Ribeira de Frades, Taveiro, Ameal e Arzila estarão encerradas.
As escolas de Soure, no mesmo distrito, também estarão encerradas.
Prevê-se que a chuva persistente vai continuar a atingir, nos próximos dias, o continente, sobretudo no Norte e Centro, zonas onde já se verifica um excesso de acumulação de água devido ao mau tempo.
Danos numa estrada em Arruda dos Vinhos, na sequência do mau tempo Foto. Reinaldo Rodrigues
Município de Leiria pede doação urgente de telhas
O Município de Leiria apelou hoje para a doação urgente de telhas, material necessário para a reconstrução de casas afectadas pela depressão Kristin.
Numa nota de imprensa, a Câmara salienta que as telhas são “indispensáveis para dar resposta às necessidades de reconstrução das habitações afectadas pelos danos provocados pela depressão Kristin”.
Segundo a autarquia, agora são prioritárias “telhasol 10 e 12, telhões para telhasol, telha Marselha antiga, telha Margon Juncal (esquerda e direita), telha Umbelino Monteiro, telha CS – modelo F2 e telhões para telha CS”.
A Câmara salienta que “a entrega destes materiais, desde que em bom estado de conservação, é fundamental para permitir uma resposta eficaz aos pedidos de apoio apresentados pelos munícipes”.
A entrega deve ser feita no Armazém Solidário, localizado no Mercado do Falcão, junto ao aeródromo de Leiria, diariamente entre as 09:00 e as 17:00, local que também é de recolha de outros “materiais de construção, assegurando o apoio direto às famílias nos trabalhos de reconstrução das suas habitações”.
Os munícipes que necessitem de apoio podem dirigir-se ao Armazém Solidário, por onde passaram já cerca de quatro mil pessoas, para pedir materiais.
À agência Lusa, o vereador Carlos Palheira adiantou que a Câmara está com alguma dificuldade em ter aquele tipo de telhas e telhões, referindo que já adquiriu e também tem apelado à solidariedade de empresas, que têm oferecido.
“Quem tem telhas em casa e não as consegue fazer chegar, pelo menos sinalize o modelo de telha e diga onde é que estão, que nós vamos tentar encontrar forma de ir buscá-las à casa das pessoas, caso seja uma necessidade o modelo em questão”, adiantou Carlos Palheira.
O autarca agradeceu a todos os que têm doado telhas, “um gesto de solidariedade imensa”, destacando que “contribuem, de alguma forma para o bem-estar de pessoas”.
Lusa
E-Redes com 46 mil clientes sem energia às 16:00
Um total de 46 mil clientes da E-Redes, em Portugal continental, continua sem abastecimento de energia eléctrica devido aos danos provocados pelo mau tempo na rede de distribuição, desde 28 de Janeiro, informou hoje a empresa.
Num balanço com dados actualizados às 16:00, a empresa contabiliza 46 mil clientes por alimentar em todo o território continental, dos quais “cerca de 35 mil clientes na zona da depressão Kristin”.
Destes 35 mil clientes, 27 mil estão localizados no distrito de Leiria, o mais afectado com a falta de energia eléctrica, sete mil no distrito de Santarém e mil no distrito de Castelo Branco.
Anteriormente a empresa tinha indicado que pelas 08:00 estavam sem energia eléctrica 41 mil clientes, “sendo que nas zonas mais críticas” as avarias decorrentes da depressão Kristin totalizavam 35 mil clientes.
Leiria já era o distrito mais afectado, com 26 mil clientes sem energia, seguido de Santarém com seis mil clientes, Castelo Branco com dois mil e Coimbra com mil.
Os clientes da E-Redes correspondem a “pontos de entrega de energia” como habitações, empresas ou lojas com ligação eléctrica, sendo assim difícil quantificar o número de pessoas que estão a ser afectadas, ainda de acordo com a empresa.
Lusa
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) alertou hoje que são esperados, na quarta-feira, chuva e vento por vezes fortes devido à depressão Nils, que não irá afectar directamente Portugal continental.
Num comunicado, o IPMA refere que o continente português “não será influenciado directamente pela depressão Nils”, que “tem associado um sistema frontal que transporta uma massa de ar quente e húmido para a Península Ibérica”.
“Assim, para dia 11 está prevista chuva persistente e por vezes forte nas regiões Norte e Centro, sendo menos intensa na região Sul”, acrescenta o instituto.
De acordo com o IPMA, o vento irá soprar por vezes forte, com rajadas até 75 km/h, podendo atingir 100 km/h nas terras altas, em particular nas regiões a norte do rio Mondego.
Quanto à agitação marítima, “continua forte na costa ocidental”, prevendo-se ondas de noroeste com 4 a 6 metros de altura significativa, podendo atingir 11 metros de altura máxima a norte do Cabo Mondego.
O IPMA já emitiu avisos amarelo e laranja para chuva, vento e agitação marítima.
Estão com aviso laranja devido à previsão de chuva “persistente e por vezes forte” os distritos de Coimbra, Viseu, Porto, Vila Real, Viana do Castelo, Aveiro e Braga.
Lusa
Depressão Nils: “Seremos influenciados, mas a severidade será menor do que a da Marta”, diz o IPMA
Nuno Lopes, meteorologista do IPMA, afirma que a Nils terá em Portugal um impacto inferior ao da depressão Marta — “com a Kristin não há comparação possível”. Alerta para chuva “por persistência”, a norte e centro, e para o risco de deslizamentos de terras, já que “os solos estão muito fragilizados”
Município de Leiria pede doação urgente de telhas
O Município de Leiria apelou hoje para a doação urgente de telhas, material necessário para a reconstrução de casas afectadas pela depressão Kristin.
Numa nota de imprensa, a Câmara salienta que as telhas são “indispensáveis para dar resposta às necessidades de reconstrução das habitações afectadas pelos danos provocados pela depressão Kristin”.
Segundo a autarquia, agora são prioritárias “telhasol 10 e 12, telhões para telhasol, telha Marselha antiga, telha Margon Juncal (esquerda e direita), telha Umbelino Monteiro, telha CS – modelo F2 e telhões para telha CS”.
A Câmara salienta que “a entrega destes materiais, desde que em bom estado de conservação, é fundamental para permitir uma resposta eficaz aos pedidos de apoio apresentados pelos munícipes”.
A entrega deve ser feita no Armazém Solidário, localizado no Mercado do Falcão, junto ao aeródromo de Leiria, diariamente entre as 09:00 e as 17:00, local que também é de recolha de outros “materiais de construção, assegurando o apoio directo às famílias nos trabalhos de reconstrução das suas habitações”.
Os munícipes que necessitem de apoio podem dirigir-se ao Armazém Solidário, por onde passaram já cerca de quatro mil pessoas, para pedir materiais.
À agência Lusa, o vereador Carlos Palheira adiantou que a Câmara está com alguma dificuldade em ter aquele tipo de telhas e telhões, referindo que já adquiriu e também tem apelado à solidariedade de empresas, que têm oferecido.
“Quem tem telhas em casa e não as consegue fazer chegar, pelo menos sinalize o modelo de telha e diga onde é que estão, que nós vamos tentar encontrar forma de ir buscá-las à casa das pessoas, caso seja uma necessidade o modelo em questão”, adiantou Carlos Palheira.
O autarca agradeceu a todos os que têm doado telhas, “um gesto de solidariedade imensa”, destacando que “contribuem, de alguma forma para o bem-estar de pessoas”.
Lusa
E-Redes com 46 mil clientes sem energia às 16:00
Um total de 46 mil clientes da E-Redes, em Portugal continental, continua sem abastecimento de energia eléctrica devido aos danos provocados pelo mau tempo na rede de distribuição, desde 28 de Janeiro, informou hoje a empresa.
Num balanço com dados actualizados às 16:00, a empresa contabiliza 46 mil clientes por alimentar em todo o território continental, dos quais “cerca de 35 mil clientes na zona da depressão Kristin”.
Destes 35 mil clientes, 27 mil estão localizados no distrito de Leiria, o mais afectado com a falta de energia eléctrica, sete mil no distrito de Santarém e mil no distrito de Castelo Branco.
Anteriormente a empresa tinha indicado que pelas 08:00 estavam sem energia eléctrica 41 mil clientes, “sendo que nas zonas mais críticas” as avarias decorrentes da depressão Kristin totalizavam 35 mil clientes.
Leiria já era o distrito mais afectado, com 26 mil clientes sem energia, seguido de Santarém com seis mil clientes, Castelo Branco com dois mil e Coimbra com mil.
Os clientes da E-Redes correspondem a “pontos de entrega de energia” como habitações, empresas ou lojas com ligação eléctrica, sendo assim difícil quantificar o número de pessoas que estão a ser afectadas, ainda de acordo com a empresa.
Lusa
Depressão Nils traz chuva e vento fortes apesar de não afectar directamente Portugal
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) alertou hoje que são esperados, na quarta-feira, chuva e vento por vezes fortes devido à depressão Nils, que não irá afectar directamente Portugal continental.
Num comunicado, o IPMA refere que o continente português “não será influenciado directamente pela depressão Nils”, que “tem associado um sistema frontal que transporta uma massa de ar quente e húmido para a Península Ibérica”.
“Assim, para dia 11 está prevista chuva persistente e por vezes forte nas regiões Norte e Centro, sendo menos intensa na região Sul”, acrescenta o instituto.
De acordo com o IPMA, o vento irá soprar por vezes forte, com rajadas até 75 km/h, podendo atingir 100 km/h nas terras altas, em particular nas regiões a norte do rio Mondego.
Quanto à agitação marítima, “continua forte na costa ocidental”, prevendo-se ondas de noroeste com 4 a 6 metros de altura significativa, podendo atingir 11 metros de altura máxima a norte do Cabo Mondego.
O IPMA já emitiu avisos amarelo e laranja para chuva, vento e agitação marítima.
Estão com aviso laranja devido à previsão de chuva “persistente e por vezes forte” os distritos de Coimbra, Viseu, Porto, Vila Real, Viana do Castelo, Aveiro e Braga.
Lusa
Alvaiázere ainda com “muitas centenas” de casas sem luz
O concelho de Alvaiázere, no distrito de Leiria, terá ainda “muitas centenas, se não milhares” de habitações sem luz, alertou hoje o presidente da Câmara, defendendo mais meios no terreno para resolver as ligações de baixa tensão.
“Enquanto nós estávamos a trabalhar mais na média tensão, tínhamos noção de quantos clientes é que aqueles postos abasteciam. Agora, diria que pelo número de reclamações que estamos a ter, temos muitas centenas se não alguns milhares de habitações ainda por fazer a ligação à rede eléctrica”, afirmou à agência Lusa João Guerreiro.
Apesar de os problemas de média tensão estarem resolvidos, o autarca explicou que falta fazer as ligações a habitações, num concelho com centenas de quilómetros de linhas de baixa tensão afectadas.
“Não é fácil explicar às pessoas porque é que o vizinho tem e eles não têm, porque é que já existe iluminação pública e a casa deles não tem. São questões técnicas que estamos a tentar ultrapassar e dar resposta o mais rapidamente possível”, aclarou.
Perante a situação de pessoas que estão há 14 dias sem luz, João Guerreiro salientou que o município pediu à E-Redes “disponibilização de mais equipas de baixa tensão” para resolver os vários problemas que existem no terreno, considerando que os recursos, neste momento, são escassos.
“O que precisamos muito, muito nesta altura são equipas de baixa tensão para fazer estas últimas ligações porque sem elas muitas habitações e algumas empresas não têm acesso à electricidade”, vincou, referindo que, neste momento, o concelho tem apenas três equipas de baixa tensão a trabalhar.
Se se mantiverem apenas três equipas de baixa tensão, o autarca acredita que em vez de falar de dias para resolver os problemas ainda existentes terá de pensar em semanas, numa altura em que a frustração de quem está sem luz continua a acumular-se.
“Vamos ter aqui alguns casos em que estaremos a falar de semanas, porque são territórios bastante dispersos, em que às vezes uma linha que alimenta três ou quatro casas está atingida em cinco ou seis pontos e tem 10 quilómetros de linha”, notou.
O autarca, que antes de falar com a Lusa atendia ao pedido de um munícipe de 91 anos que lhe perguntava porque é que ainda não tinha luz, contou que há “pessoas isoladas, idosas, que estão desesperadas com a situação”.
Além de no passado ter havido riscos de queda de telhados e de intoxicação por monóxido de carbono face à passagem da depressão Kristin, João Guerreiro alertou para os riscos que agora surgem com linhas de baixa tensão em carga.
Segundo o presidente da Câmara de Alvaiázere, a intervenção de emergência nas habitações afectadas já foi feita “em quase todas as casas”, o abastecimento de água está assegurado e as comunicações começam a recuperar, “embora ainda com algumas falhas”.
Lusa
Pescadores algarvios impedidos de ir ao mar passam dificuldades
Os pescadores algarvios debatem-se com a falta de rendimentos provocada pelo mau tempo, que os tem impedido de ir ao mar, agravada por subsídios do ano passado que ainda não chegaram, disseram à Lusa responsáveis do sector.
“O certo é que já são quatro semanas em que os barcos não vão ao mar e as famílias não têm maneira de ter rendimento, havendo situações já muito complicadas”, afirmou a responsável pela Associação de Armadores de Pesca da Fuseta, no concelho de Olhão.
Em declarações à Lusa, Sónia Olim lembrou que esta é a única forma de subsistência destes profissionais e que se os pescadores não conseguem trabalhar, também não têm rendimentos: “Não vendendo, não têm com o que viver”, lamentou.
Para complicar ainda mais a situação, acrescentou a responsável, ainda não foi sido distribuído o fundo de compensação salarial devido pelo período de defeso à pesca do polvo, de meados de Setembro a meados de Outubro do ano passado.
“Esse subsídio dava para as muitas famílias que estão a passar por dificuldade aguentarem pelo menos este mês de mau tempo”, afirmou Sónia Olim.
A Associação de Armadores de Pesca da Fuseta tem mais de 80 associados, na sua maior parte com pequenas embarcações que levam em média três pescadores.
Miguel Cardoso, responsável pela Olhão Pesca, uma outra associação de produtores do mesmo concelho do distrito de Faro, concorda que “a resposta das autoridades não é tão rápida” como os beneficiários gostariam.
“Estamos a falar com o Governo para ver as ferramentas de ajuda que há e aguardamos com muita expectativa por uma resposta”, disse aquele responsável à Lusa.
Miguel Cardoso admite que durante o inverno a situação dos pescadores é “sempre complicada”, mas este ano, “desde 16 de Janeiro que já houve quatro tempestades, o que impediu os barcos de pesca exercerem a sua actividade”.
A falta de actividade pesqueira afecta também os negócios ligados às lotas, de distribuição e de restauração, porque não há peixe para vender e o pouco que há está mais caro.
Lusa
Caudal do Mondego registava mais de 1.700 metros cúbicos por segundo às 14:00
O caudal do rio Mondego na ponte-açude de Coimbra registava, pelas 14:00 de hoje, 1.741 metros cúbicos por segundo (m3/s), um dos maiores valores desde que as inundações atingem, há mais de uma semana, o Baixo Mondego.
No início da passada semana, os caudais que passam no açude-ponte – onde o rio Mondego entra no trajecto canalizado que vai de Coimbra à Figueira da Foz – chegaram a ultrapassar os 1.800 m3/s, mas numa altura em que não chovia e em que os campos agrícolas estavam longe da inundação que agora se verifica.
A meio da tarde de domingo, o caudal que sai (efluente) da Ponte-Açude, começou a baixar, dos 1.507 m3/s até aos 1.264 m3/s (menos 243 mil litros por segundo) registados às 14:00 de segunda-feira, segundo dados do portal Info Água, consultados pela agência Lusa.
No entanto, nas últimas 24 horas e praticamente sem que a chuva, embora fraca, desse tréguas, o caudal voltou a subir, cifrando-se, pelas 14:00 de hoje, nos 1.741 m3/s (mais 477 mil litros por segundo) face à mesma hora de segunda-feira.
Acresce que os descarregadores da margem direita do Mondego – três infra-estruturas da obra hidráulica do rio, que permitem retirar água do canal principal para os campos agrícolas – estavam hoje a funcionar, embora não na plenitude, revelam imagens captadas no local.
A água descarregada do canal principal acaba por acumular e correr para jusante, em direcção ao leito abandonado do Mondego e valas de drenagem, sendo parcialmente responsável pelo isolamento da povoação da Ereira há uma semana e por alguma água acumulada no centro de Montemor-o-Velho.
Segundo a mesma fonte de dados, a bacia do Mondego voltou hoje a estar em situação de alerta de cheias – o menos gravoso de dois níveis, sendo o mais grave a situação de risco – embora com quatro episódios a montante de Coimbra a merecerem atenção.
Um desses episódios acontece na estação hidrométrica da Ponte do Cabouco, no rio Ceira (afluente da margem esquerda do Mondego), registava, pelas 16:00, 4,47 metros de altura de água (bem acima do mínimo de 3 metros do nível de risco) e um caudal de 193 m3/s.
Também no nível de risco estavam a ponte da Conraria, no mesmo rio, situada a pouco mais de um quilómetro da foz do Ceira, cuja altura de água se situava, pelas 16:15, nos 6,46 metros (1,46 metros acima do nível mínimo de risco de 5 metros) e um caudal de 471 m3/s, que estará a provocar uma pressão acrescida ao caudal da ponte-açude de Coimbra.
Já a ponte de Santa Clara, na baixa de Coimbra, voltou hoje à situação de risco, apresentando, pelas 16:00, um caudal com 3,88 metros de altura.
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) tem vindo a fazer uma gestão de cheia controlada, aplaudida em geral, no Baixo Mondego, por agricultores e autarcas, no sentido de evitar que as margens do Mondego quebrem, o que sucedeu em 2001 com resultados catastróficos e, mais recentemente, em 2019, com uma cheia limitada à margem direita.
No entanto, continua a existir o risco de os diques direito ou esquerdo do canal principal do rio poderem rebentar, face à pressão que a água exerce naquelas infra-estruturas e o tempo decorrido desde o início desta crise – cerca de 10 dias – com caudais médios da ordem dos 1.500 m3/s.
Lusa
Novas inundações em Soure devido à subida dos rios
O concelho de Soure voltou hoje a registar inundações devido à subida do caudal dos rios e a localidade de Sobral ficou parcialmente isolada, disse o presidente da Câmara.
Hoje, a situação no concelho “está pior, com os níveis de cheia muito altos”, e, na localidade de Sobral, “foram os Fuzileiros a levar as crianças para a escola”.
“Nos outros sítios estamos a conseguir fazer [o transporte] com alternativas terrestres. No Sobral é que temos algumas situações em que as casas estão mesmo isoladas no meio da água. Só mesmo com os botes”, afirmou Rui Fernandes à agência Lusa, realçando que apenas “algumas casas” da localidade estão isoladas.
Os rios Arunca e Anços “subiram outra vez” hoje, verificando-se inundações no centro da vila de Soure, disse o autarca, notando que a situação das povoações à volta do rio Mondego é também “muito difícil”.
“Cada vez são mais as estradas cortadas”, salientou.
A autarquia está a avaliar a retirada de uma pessoa devido aos danos na cobertura de uma casa na localidade de Gabrieis, que não foi possível reparar.
De acordo com Rui Fernandes, a previsão é a de que a situação piore, face às notícias que chegam do rio Mondego, com o reporte de um caudal no rio Ceira “que as pessoas nunca viram”.
“Temos muita chuva e vamos manter o Anços e o Arunca a subir também. A previsão para as próximas horas é de agravamento e, para complicar as coisas mais, parece que na quarta-feira ainda temos muita chuva”, concluiu.
Lusa
Cheia no Baixo Mondego poderá impedir produção de arroz
A situação de cheia que dura há mais de uma semana no Baixo Mondego, com cerca de 6.000 hectares inundados, poderá impedir a produção de arroz, cuja sementeira começa em Abril, perdendo-se 30 mil toneladas daquele cereal.
A previsão foi feita à agência Lusa por José Pinto Costa, um dos maiores produtores de arroz do Baixo Mondego, que, olhando para a eventual subida dos custos de produção, acrescidos dos investimentos necessários para fazer face aos prejuízos das cheias e da depressão Kristin, admitiu a possibilidade de não avançar, este ano, para a sementeira, por poder não compensar.
“Quanto mais tarde instalarmos a cultura, menor vai ser a produção média por hectare, a perspectiva das 30 mil toneladas pode cair para as 20 mil. E já sabemos que os custos de produção vão aumentar novamente e, portanto, ponderamos seriamente se vale a pena ir para o terreno ou não”, frisou o empresário agrícola da freguesia de Maiorca, concelho da Figueira da Foz.
“Estamos a fazer as nossas contas e a ponderar seriamente se vale a pena avançar com a cultura do arroz na próxima campanha”, reafirmou José Pinto Costa.
A água acumulada nos campos agrícolas – que, em alguns locais, ultrapassa dois metros de altura – vai fazer com as culturas sejam instaladas “muito mais tarde” no terreno, antecipando “graves problemas” na campanha do arroz que começa em Abril.
Para além das inundações, observou que há agricultores com armazéns danificados pela passagem da depressão Kristin, e que têm os terrenos “totalmente inundados, sem saberem daqui por quanto tempo podem entrar nas suas propriedades agrícolas”.
“E as infra-estruturas de rega e de drenagem não sabemos o que acontece e em que estado estarão quando a água descer”, vincou o também presidente da Associação de Beneficiários da Obra de Fomento Hidroagrícola do Baixo Mondego.
“Está um cenário futuro bastante complicado. De há dois anos para cá vimos a perder rendimento, há dois anos perdemos 25%, o ano passado voltámos a perder, e agora, com estas perspectivas, com este cenário que temos, não sabemos o que vai acontecer”, argumentou José Pinto Costa.
Do lado do milho, mas também dos produtos horto-frutícolas – as três principais culturas do Baixo Mondego – a situação é idêntica: Armindo Valente já produziu arroz, mas, de há uns anos para cá, aposta apenas no milho, planta cuja cultura se inicia em finais de Março, princípios de Abril.
Depois há ainda problemas na batata, cultura habitualmente instalada em finais deste mês, início de Março, e cujos agricultores “estão sem saber o que fazer” e “sem condições”, face a tanta água nos campos.
Com décadas de experiência na agricultura, Armindo Valente é uma das vozes mais conhecedoras e respeitadas na planície agrícola. O também vice-presidente da associação de regantes considerou ser ainda prematuro antecipar o que sucederá face à situação de cheia que teima em não largar o Baixo Mondego, avisando, no entanto, que “se isto continuar mais uma semana ou duas, a situação leva a que não se consiga entrar em algumas zonas dos arrozais”.
“O arroz [os terrenos onde se cultiva] está praticamente todo debaixo de água. Como são os terrenos com cotas mais baixas, são os que têm neste momento mais água. Ninguém sabe o que vai acontecer, mas isto pode pôr em causa a produção no Baixo Mondego e não só no arroz”, avisou.
“Está toda a gente à espera que venha o bom tempo e isto se resolva, mas a situação começa a ser preocupante para algumas culturas”, antecipou Armindo Valente.
A inundação dos campos afecta o vale central do Mondego, na margem direita do rio, mas também os vales secundários da margem esquerda, por onde correm os rios Ega, Arunca e Pranto, nos concelhos de Montemor-o-Velho, Soure e Figueira da Foz, distrito de Coimbra.
A única zona que não está totalmente coberta de água são os campos agrícolas localizados mais perto de Coimbra, embora, também aí, as preocupações cresçam.
“Aqui mais a montante, a situação poderá ser menos gravosa, mas também está a ficar tudo cheio de água”, notou João Grilo, produtor de arroz e milho, com uma propriedade de cerca de 100 hectares, localizada entre São Martinho da Árvore e São Silvestre, no concelho de Coimbra.
Por estes dias, João Grilo, que também preside à Associação de Agricultores do Vale do Mondego, vai olhando as infra-estruturas adjacentes ao canal principal do Mondego – como os três descarregadores da margem direita que voltaram a lançar água para os campos.
“Temos de deixar passar isto [as cheias]. Mas já sabemos que mais custos vão existir, estamos a viver tempos muito difíceis e sem rendimento nenhum, não sabemos se vamos ter capacidade de semear ou não. O que sabemos é que vai ter de existir um antes e um depois desta situação no Baixo Mondego”, enfatizou.
Cauteloso, João Grilo, aguarda para perceber a dimensão dos prejuízos: “Só depois das águas baixarem e ficar tudo a nu, é que vamos ver”, defendeu.
Também hoje, em comunicado, a Associação Distrital dos Agricultores de Coimbra (ADACO) considerou que os prejuízos causados pelas tempestades na agricultura e floresta “foram avultados”, sendo que na horticultura, “ultrapassam o meio milhão de euros”, para além de destruição de telhados de armazéns agrícolas, de dezenas de estufas, assim como milhares de árvores e oliveiras arrancadas.
A ADACO disse ser “urgente o rápido levantamento dos prejuízos junto dos agricultores”, a simplificação dos processos administrativos e que as indemnizações e apoios cheguem aos destinatários de forma célere, defendendo apoios a fundo perdido por parte do Governo.
Lusa
Primeiro-ministro responde quarta-feira no parlamento sobre actuação do Governo
O primeiro-ministro regressa na quarta-feira ao parlamento para um debate quinzenal que deverá ficar marcado pela resposta do Governo às consequências do mau tempo que causou 15 mortes nas últimas duas semanas.
Com parte do país (68 concelhos) em situação de calamidade até domingo, Luís Montenegro responderá, pela primeira vez, na Assembleia da República à oposição, que criticou a actuação do executivo, sobretudo na fase inicial de resposta à depressão Kristin, com vários partidos a pedirem a demissão da ministra da Administração Interna.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de Janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
O debate quinzenal realiza-se ainda três dias depois da eleição do novo Presidente da República, o antigo secretário-geral do PS António José Seguro, que venceu com quase 67% e 3,48 milhões de votos, quando faltam votar 20 freguesias, de oito municípios, que pediram o adiamento do sufrágio para o próximo domingo devido ao mau tempo.
O outro candidato, o presidente do Chega, André Ventura, obteve mais de 1,7 milhões de votos (cerca de 33%), o que o levou a auto-intitular-se no domingo “líder da direita.
Já o primeiro-ministro defendeu no domingo que “nada mudou” para a governação com esta eleição presidencial e insistiu, por várias vezes, que se abre agora um período de 3,5 anos sem eleições nacionais, referindo-se ao final previsto da legislatura, no outono de 2029.
O debate quinzenal abrirá com uma intervenção inicial de Luís Montenegro, e André Ventura – que retomará o mandato de deputado que suspendeu durante a campanha – será o primeiro a questionar o chefe do Governo, seguindo-se PS, IL, Livre, PCP, BE, PAN, JPP, antes das bancadas que suportam o Governo, CDS-PP e PSD.
Sobre a resposta ao mau tempo, o primeiro-ministro tem defendido que o Governo fez tudo o que era possível desde o início e que este ainda não é o momento de fazer a avaliação do executivo, mas de responder às situações de emergência no terreno.
Nas duas últimas semanas, o Governo realizou dois Conselho de Ministros centrados na resposta ao mau tempo – um extraordinário, a 01 de Fevereiro, onde aprovou os primeiros apoios a famílias e empresas, quer para ajuda à subsistência quer à reconstrução das habitações e fábricas destruídas, que o primeiro-ministro estimou totalizaram 2,5 mil milhões de euros.
Na quinta-feira passada, além de ter sido prolongada a situação de calamidade até ao próximo domingo, foi formalizada a isenção de portagens em alguns trechos de autoestradas das zonas afectadas pelo mau tempo e aprovado um regime jurídico excepcional e transitório de simplificação administrativa e financeira destinado a viabilizar a reconstrução e reabilitação, sem controlo administrativo prévio.
A ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, tem sido o alvo preferencial das críticas da oposição – com vários partidos a pedirem a sua substituição no Governo -, mas estas estenderam-se a outros membros do executivo na gestão da crise, como o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, o da Defesa Nacional, Nuno Melo, ou o da Economia e da Gestão Territorial, Manuel Castro Almeida.
O último debate quinzenal com o primeiro-ministro no parlamento realizou-se a 21 de janeiro, dominado pelo tema das presidenciais, e o próximo já está marcado para 25 deste mês.
Lusa
Diário de Notícias
Susete Henriques, Sofia Fonseca, David Pereira
10.02.2026
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- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).
Reforçado apelo de cuidado redobrado para possíveis situações de deslizamentos de terra. “O solo encontra-se bastante instável”, devido à “precipitação” e “acumulado de água”, diz Protecção Civil.
Foto: Reinaldo Rodrigues
A precipitação é a principal preocupação nos próximos dias, afirmou esta terça-feira, 10 de Fevereiro, o comandante nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC), no habitual briefing. Mário Silvestre lembrou que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) está com aviso laranja para chuva, o que “numa situação normal, seria um episódio normal de inverno”. No entanto, não é”, alertou, referindo o impacto que a chuva terá nos cursos de água, já muito saturados.
Os rios Mondego, Sorraia, Tejo, Vouga e Sado continuam a ter risco significativo de inundação. Juntam-se a estes os rios Minho, Coura, Lima, Cávado, Ave, Douro, Lis, Sousa, o Tâmega, Nabão e Guadiana, indicou o responsável.
“É uma lista muito extensa dos principais cursos de água que, neste momento, são afectados ou, potencialmente, serão afectados por inundação. Vai de Norte a Sul do país”, destacou o responsável.
Explicou que é preciso ter cuidado noutros “ribeiros, noutras zonas que têm afluentes a estes rios”.
“Não é uma situação apenas para as povoações mais ribeirinhas, mas é transversal a todas as pessoas que vivam nestas zonas”, sublinhou no ponto de situação do mau tempo na sede Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil, em Carnaxide, Oeiras.
O comandante nacional da Protecção Civil reforçou o apelo para o cuidado redobrado nas possíveis situações de deslizamentos e quedas de árvores “nas zonas mais densamente arborizadas e nas zonas onde existem declives maiores no terreno”. “O solo encontra-se bastante instável, em virtude da precipitação e do acumulado de água”, justificou, ao final da manhã, no ponto de situação.
Os rios Mondego, Sorraia, Tejo, Vouga e Sado continuam a ter risco significativo de inundação. Juntam-se a estes os rios Minho, Coura, Lima, o Cávado, Ave, Douro, Lis, Sousa, o Tâmega, Nabão e Guadiana, indicou o responsável. Explicou que é preciso ter cuidado noutros “ribeiros, noutras zonas que tem afluentes a estes rios”.
“Não é uma situação apenas para as povoações mais ribeirinhas, mas é transversal a todas as pessoas que vivam nestas zonas”, sublinhou.
Referiu que, entre o dia 1 de Fevereiro e as 12h00 de hoje em Portugal continental, foram registadas 13.388 ocorrências, com mais de 46 mil operacionais no terreno, sendo a queda de árvore a ocorrência mais significativa, seguida de deslocação de massas e inundações.
O comandante nacional da Protecção Civil alertou para a possibilidade de inundações potencialmente em áreas urbanas e junto aos cursos de água, deslizamentos de terra e colapsos de muros.
Devido ao mau tempo, foram activados 11 planos distritais, 125 planos municipais e 15 declarações de situação de alerta emitidas pelos municípios, indicou o comandante nacional da Proteção Civil.
Ao contrário do primeiro-ministro, que deitou ao lixo o “não é não” e até equiparou Seguro a Ventura, a esmagadora maioria dos eleitores mostrou que sabe ver a diferença, erguendo bem alto a linha vermelha.
“A maior parte do eleitorado da AD e da Iniciativa Liberal votou em António José Seguro”.
A frase é do centrista Diogo Feio, proferida esta segunda-feira na SIC-N, em comentário ao resultado da segunda volta das presidenciais. Por mais que possa custar aos líderes do PSD, do CDS-PP e da IL, o que diz não é passível de contestação: para obter uma percentagem de quase 67%, o eleitoprecisou de grande parte dos votos do centro-direita e até da direita.
Isso mesmo demonstra, além da mera aritmética, a análise provisória publicada pelo politólogo Pedro Magalhães no Twitter/X: 77% dos que votaram Marques Mendes na primeira volta puseram a cruz em Seguro na segunda; o mesmo é verdade para 58% dos que tinham querido ver o candidato da Iniciativa Liberal em Belém e 58% dos que não tinham comparecido na primeira volta.
Também 68% dos que dizem ter votado AD nas últimas legislativas, assim como 80% dos que votaram noutros partidos que não o PS e o Chega e — o que é digno de nota — 59% dos que se haviam abstido nessa ocasião, escolheram na segunda volta o ex-secretário-geral do Partido Socialista.
Ou seja, uma larguíssima maioria deixou claro que, para evitar a vitória do candidato da extrema-direita, não se importam de votar em alguém que é de uma área política com a qual em geral (ou pelo menos nos últimos tempos, convindo lembrar que há escassos quatro anos, em 2022, o PS teve maioria absoluta) não se identificam ou até contra a qual — caso dos eleitores associados ao candidato da IL, partido que fala de “socialismo” como se fosse uma doença pior que a lepra — se definem politicamente.
E esta maioria dos eleitores do centro-direita e da direita “liberal” (com aspas, sim) fê-lo a despeito dos sinais que lhes foram transmitidos pelo líder do PSD e da coligação governamental e pelas figuras gradas do actual CDS-PP, assim como pelo detentor do poder real na IL (graças aos 900 mil votos que amealhou na primeira volta), João Cotrim Figueiredo.
Montenegro, recordemos, afirmou que “o espaço político do PSD” não estava representado na segunda volta, pelo que não ia tomar posição entre dois candidatos — os quais, a despeito de ter sido variadíssimas vezes insultado e até caluniado por Ventura (lembremos que este o colocou num cartaz ao lado de José Sócrates, que está em julgamento por vários crimes, como representante de “50 anos de corrupção” e apelidou o PSD por ele dirigido de “prostituta política”), referiu, sem efectuar qualquer distinção qualitativa, como “o candidato que representa o espaço político à esquerda do PSD” e “o candidato que representa o espaço político à direita do PSD”. Por outras palavras, o primeiro-ministro fez saber que tanto se lhe dava que ganhasse Ventura, que lhe chama de tudo, ou Seguro, e que se calhar até ia fazer desenhos no boletim.
Já o deputado do CDS-PP Paulo Núncio, numa performance digna do presidente da bancada do Chega (ou do próprio Ventura), berrou no parlamento contra quem (caso dos signatários do Manifesto de não-socialistas por Seguro) apresentava a segunda volta das presidenciais como uma escolha entre valores democráticos e o seu contrário, mostrando para onde aponta o seu coração: “Era só mais o que faltava que o único voto legítimo e democrático fosse o voto no candidato do Partido Socialista.”
Cotrim Figueiredo foi um pouco mais sonso; ao contrário de Marques Mendes e Gouveia e Melo, evitou sempre dizer que ia votar em Seguro (só que não votava Ventura), acabando por afirmar, a uma semana do ato eleitoral, que a escolha era “entre andar para trás e ficar parado, que é uma coisa horrível” e que percebia muito bem quem ia votar em branco ou abster-se”, mas que pessoalmente preferia “estar parado a andar para trás”.
Esta atitude tão blasé face ao que estava em causa — para Cotrim “andar para trás” não é nada que lhe mereça uma rejeição empolgada — não contagiou, felizmente, a maior parte dos seus eleitores (ainda que 29%, como se constata na análise publicada por Pedro Magalhães, tenham achado que andar para trás é melhor, votando em Ventura, e 12% que tanto fazia, votando branco ou nulo).
Podemos, claro, considerar que a maioria dos eleitores de Marques Mendes/AD e de Cotrim/IL votaram Seguro não para — como defendia o citado Manifesto dos não-socialistas por Seguro — preservar os princípios do regime democrático liberal e rejeitar o discurso de ódio, divisionista, populista, racista e calunioso, do Chega, mas por motivos tácticos: se a escolha era entre dar força a alguém que assume querer ser o líder da direita e engolir PSD e IL, e um social-democrata do PS, melhor eleger o segundo, que está muito longe de querer destruir esses dois partidos e se apresenta como um pólo de “moderação”.
Mas esse, que terá sido decerto o motivo de vários apoios declarados a Seguro — o de um posicionamento táctico — e que esperaríamos do primeiro-ministro (talvez um dia venhamos a perceber o que passou pela cabeça de Montenegro para se colocar tão voluntariamente na posição de derrotado nestas presidenciais — será só, como diria Marcelo, uma obstinação “rural”, ou é, na verdade, um radical disfarçado?), não é de todo o da maioria dos eleitores que atravessaram a fronteira da sua área política para eleger o ex-secretário-geral do PS.
A generalidade dos eleitores não se move por táctica, e muito menos quando chove a cântaros. O que fez as pessoas sair de casa para votar em Seguro, um homem que nunca suscitará paixões assolapadas e de quem muitos até há pouco tempo já nem se lembrariam, não foi o cálculo sobre o xadrez partidário mas a repugnância que sentem por André Ventura e pelo seu teatro do grotesco.
Ainda há muita gente — e assim permaneça — que preza a democracia liberal tal como a conhecemos (imperfeita, certo, mas tão generosa na sua promessa de igualdade) e para quem, ao contrário do que sucede com um troca-tintas como Luís Montenegro, não é mesmo não. Podemos discordar, e discordamos, em muita coisa, mas aqui, como em 2022 quando se prefigurou a possibilidade de uma abertura do PSD ao Chega (porque Rui Rio não afastou claramente essa hipótese), ergueu-se, alta e magnificente, uma linha vermelha. Foi mesmo bonito, Portugal.
No meu tempo de criança as vitórias políticas eram festejadas como se estivesse em causa a Liga dos Campeões. As pessoas saíam para a rua e era sempre até de madrugada. Agora nem as jornadas da bola se adiam, o Benfica joga à mesma hora em que as televisões nos oferecem projecções.
Quando terminar de escrever sairei para festejar o que nos une. As circunstâncias transformaram a vitória esmagadora do novo Presidente da República numa conquista maior do que uma simples eleição. Representou um ato de resistência e de esperança num futuro decente para os nossos filhos e netos.
É provável que daqui a bocadinho não encontre ninguém na rua para abraçar, mas sairei à mesma. Celebrarei a esperança de cada bebé por nascer, de cada parto assistido por Joana Gomes, enfermeira de Setúbal que fotografa os bebés e as suas mães numa homenagem ao milagre de estarmos aqui. Cada fotografia sua, cada gravidez desejada e cada criança que nasce, é um apelo a que sejamos o melhor que conseguirmos ser.
Um apelo e o desejo de que aquele pequeno conjunto de partículas por deslindar seja bom e respeite as diferenças do mundo. Sairei de casa e festejarei com convicção absoluta a vitória da decência. Farei isso por cada um dos meus filhos, pela Joana fotógrafa da esperança e até pelos que votaram no candidato que carrega a náusea do ressentimento.
Gostaria que, no mais fundo de si próprios, pensassem nos vossos filhos por nascer, no bom que seria se fossem pessoas que não semeassem ervas daninhas na sua alma em construção.
Estivesse o TGV já em marcha e teríamos tido, por estes dias, a alta velocidade afogada em Coimbra. A zona para onde está projectada a futura estação intermodal, que se estende até à beira-rio, foi uma das afectadas pela subida do Mondego. Este “pormenor” pode parecer hoje insignificante face a tanto sofrimento e destruição provocados pelo mau tempo em tantas zonas do país, mas diz-nos muito sobre o que estamos a viver. Para lá das ondas de choque imediatas em curso, há uma questão de fundo que se impõe e que se chama ordenamento do território. O tema é lembrado sempre que acontece uma tragédia do género, sejam as cheias de inverno ou os fogos de verão, mas rapidamente esquecido de novo por quem tem a responsabilidade de zelar por ele até ao “azar natural” seguinte.
Não é por falta de avisos. Como não será também desta vez. Basta atentar ao que têm dito os diversos especialistas em ambiente, clima ou planeamento do território nos últimos dias. Aqui no DN, por exemplo, a bióloga Helena Freitas, professora catedrática da Universidade de Coimbra, titular da Cátedra da UNESCO para a Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável, lembrava coisas tão elementares como esta: “Nós artificializámos as bacias hidrográficas e os rios, e acreditámos que estavam sob o nosso controlo. (…) Construímos um progresso na base da destruição permanente da natureza, sobretudo nos últimos 50 a 60 anos, e esse desligamento da natureza tem custos.”
Ou João Joanaz de Melo, professor de Engenharia do Ambiente na Nova FCT, especialista em Política Ambientais, também aqui no DN: “Por que razão Alcântara inunda? Porque está sobre uma ribeira. Por que razão se chama Sete Rios a Sete Rios? Porque ali confluíam sete ribeiras. (…) Parte das nossas cidades está construída sobre leitos de cheia, que naturalmente inundam periodicamente.” E deixou novo lembrete para memória futura: “Temos de levar a sério os planos e parar de construir onde não devemos. Quanto ao que já existe, não defendo que se deitem cidades abaixo, mas nalguns casos haverá que realojar pessoas que vivem em zonas de alto risco.”
Tudo isto é conhecido, estudado e cartografado. O que falta não é ciência, nem diagnósticos, é coerência política. E os exemplos mais recentes mostram que continuamos, apesar de tudo, a andar no sentido contrário, desde a polémica nova Lei dos Solos ao recente episódio entre o ministro da Agricultura e o Instituto de Conservação da Natureza e Floresta.
Invoca-se por vezes o exemplo dos Países Baixos, país construído em zonas inundáveis. Mas esse argumento esquece o essencial da lição: ali, tudo foi pensado em função da água, com planeamento rigoroso e investimento permanente. Não há improviso, nem atalhos. E mesmo assim, hoje, devolvem espaço aos rios.
O que convém percebermos o quanto antes é que os acontecimentos destes dias são um resultado previsível de décadas de decisões tomadas contra o conhecimento disponível. Até quando?