É quase certo que 90% dos portugueses está cansado dos dias cinzentos e frio. Felizmente, o sol começou a aparecer e no fim de semana, 18 e 19 de Abril, as temperaturas vão subir significativamente, segundo a previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
E não, não estamos a exagerar… É mesmo possível que as temperaturas cheguem aos 29ºC, no sábado e no domingo, mas apenas em alguns distritos, como Beja, Santarém ou Évora. Já nos restantes mantém-se entre os 25ºC e 26ºC, incluindo em Faro.
Isto significa que vai estar um fim de semana perfeito para passear com a família, apanhar sol e, quem sabe, ir a banhos. Este bom tempo lembrou-nos que Portugal tem um destino comparado com as Maldivas. Qual?
Estamos a falar a Ilha da Armona, em Olhão, uma das mais bonitas da região, e talvez do país. Só consegues lá chegar de barco que parte de Olhão. É uma viagem cénica de 15 a 20 minutos e o bilhete custa a apenas €4,20 (ida e volta).
Lá podes aproveitar as “águas cristalinas e areia branca”, mas também os “restaurantes, mini mercados, parque de campismo e uma praia acessível a cadeiras de rodas”, explicam os criadores de conteúdos de viagens do perfil @maggieandramiro, no TikTok.
É, sem dúvida, um pequeno paraíso e recebe muitos elogios em plataformas como o Tripadvisor, onde as pessoas que por lá passaram a descrevem como “uma ilha super acolhedora”, “serena” e de ficar “completamente sem palavras”.
Se não acreditas podes sempre espreitar a galeria, onde encontras várias imagens desta ilha.
Dentro de dias, a 21 e 22, a Assembleia Geral da ONU irá questionar a visão e as propostas de cada um dos candidatos a secretário-geral. António Guterres termina o seu segundo e último mandato no final do ano. Quem será o seu sucessor?
Uma candidata é Michelle Bachelet, que foi presidente do Chile por duas vezes – no período 2006-2010 e de 2014 a 2018. Bachelet pode igualmente reivindicar uma experiência marcante nas Nações Unidas. Assumiu vários cargos, e foi até 2022 a alta-comissária para os Direitos Humanos.
Acontece que os Direitos Humanos são uma área muito sensível, onde é frequente criar conflitos com diversos Estados infractores. O presidente norte-americano e o recém-empossado presidente do seu país não vêem por isso a sua candidatura com bons olhos. Embora seja, na minha opinião, a candidata mais qualificada, enfrenta um desafio praticamente impossível.
Rafael Grossi, o argentino que desempenha a função de director-geral da Agência Internacional da Energia Atómica desde 2019, também participa na corrida. Grossi ganhou visibilidade por causa das crises em torno das centrais atómicas na Ucrânia e no Irão. O seu nome está claramente associado às questões nucleares. Tem revelado coragem e iniciativa.
O apoio do presidente do seu país, Javier Milei, um extravagante que mantém uma relação especial com Donald Trump e se tem aproximado da China – disse este ano em Davos que a China é um grande parceiro comercial – ajudará a sua candidatura. O problema poderá vir de Moscovo: Milei apoia a Ucrânia, embora com oscilações ditadas pelo alinhamento com Washington. Que impacto poderá ter essa posição sobre a ambição de Grossi?
Rebeca Grynspan, a antiga vice-presidente da Costa Rica (1994-1998), está igualmente na lista dos candidatos oficiais. Grynspan ganhou pontos quando foi um dos responsáveis pelas negociações entre a Ucrânia e a Rússia sobre a segurança da navegação no Mar Negro. É actualmente a secretária-geral da UNCTAD, a agência da ONU que procura promover o comércio internacional num quadro de desenvolvimento sustentável.
Esteve recentemente em Baku, num encontro internacional que é anualmente promovido pelo presidente do Azerbaijão e que reúne centenas de personalidades activas na cena internacional. Depois, viajou até Moscovo, onde se reuniu com Sergey Lavrov. Dizem-me que a visita correu de modo cordial. Todavia, a diplomacia russa é muito sabida e só mostrará as suas cartas no último momento.
Grynspan é, à partida, a candidata com mais hipóteses de sucesso. Além das suas qualidades diplomáticas e da sua experiência no domínio da economia global, vem de um país com pouca controvérsia e é mulher. Ora, existe uma enorme campanha política, em vários círculos influentes, que faz pressão para que seja eleita uma mulher – um feito inédito.
Temos ainda Macky Sall, antigo presidente do Senegal (2012-2024) e da União Africana (2022-2023). No desempenho desses cargos, Sall mostrou saber dialogar com as grandes potências de modo independente, sem alinhamentos geo-estratégicos. É uma voz moderada do Sul Global. Enfrenta, no entanto, um grande desafio: a rotação geográfica da posição de secretário-geral. Segundo esse princípio, um entendimento não-escrito, mas decisivo, o próximo secretário-geral da ONU deve provir do grupo de países que constituem a América Latina e as Caraíbas.
O único secretário-geral vindo dessa região foi o peruano Javier Pérez de Cuéllar, que concluiu o seu mandato no último dia do ano de 1991. Assim, é quase certo ver Guterres ceder o lugar a um latino-americano ou a um caribenho – estou convencido de que estas designações de nacionalidade deveriam ser escritas no feminino.
Veremos como decorrem as audições de 21 e 22 de Abril. As delegações presentes na Assembleia-Geral preparam-se para levantar um vasto leque de questões. As mais delicadas serão certamente as ligadas à reforma das Nações Unidas, a começar pela composição e representatividade do Conselho de Segurança.
Também surgirão pedidos de esclarecimento sobre a maneira como cada candidato pensa ser possível tratar com os Estados com direito de veto, cada vez que estes enveredam pela violação clara da Carta das Nações Unidas e da Lei Internacional. Esta é uma questão demasiado actual.
Grandes potências violam agora descaradamente os princípios e protocolos que elas próprias e a comunidade internacional aprovaram ao longo das décadas. Rasgam a Carta da ONU quando lhes convém. E protegem Estados-clientes que são dirigidos por criminosos de guerra.
Como poderá cada candidato responder a questões desse tipo? Não será fácil.
A dimensão política da ONU conhece um período acelerado de fragilização e de marginalização. As relações internacionais deixaram de estar alinhadas com a procura de soluções para os problemas globais. Hoje, como num passado que se julgaria não mais voltar, anterior a 1945, os confrontos e as guerras de agressão contam mais do que a diplomacia e a solidariedade entre os povos. Que pode o secretário-geral fazer para inverter esta tendência?
Dito de outra maneira, haverá ainda espaço político para uma organização que tem como missão a manutenção da paz entre os povos? A resposta reside nas diferentes capitais nas diversas partes do mundo. Não está no edifício em Manhattan, na zona conhecida como Turtle Bay, a Baía das Tartarugas. Por isso, o novo secretário-geral, seja ele ou ela um dos quatro acima mencionados, ou saia ele de uma qualquer carta fora do baralho, que apareça na hora derradeira e tenha o beneplácito dos cinco membros com direito de veto, tem de ser uma tartaruga em movimento.
Um peregrino da paz em trânsito permanente entre as capitais. O contacto directo com os povos e com os mais diversos líderes, incluindo com os que fingem acreditar no multilateralismo, na diplomacia e no respeito pela Lei Internacional, essa é a chave-mestra do renascimento das Nações Unidas.
Diário de Notícias
Victor Ângelo
Conselheiro em Segurança Internacional. Ex-secretário-geral-adjunto da ONU
17.04.2026
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- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).
É indispensável compreender que posição os Estados Unidos da América, enquanto super-potência, ocupam no mundo contemporâneo e quais são as inerentes consequências.
Antecipava-se que este segundo mandato de Trump à frente da grande nação norte-americana iria ser ainda pior do que o anterior. Mas o que tem vindo a acontecer ultrapassa as mais pessimistas previsões.
Pode especular-se quais os motivos que a isso conduziram. Talvez quatro sobrelevem. A vertigem que por vezes afecta os segundos e últimos mandatos (a ver vamos…), a mais avançada idade, o agravamento de um quadro mental, físico e psicológico muito preocupante e incompatível com o cargo e também uma exuberante ignorância.
Pode classificar-se Trump com quase tudo o que há de mau. O mesmo se diga quanto ao trio que gravita em seu torno (Vance, Rubio e Hegseth). Mas isso é mais ou menos irrelevante, salvo para salientar que, por agora e a pensar na sucessão, Vance e Rubio, que são “farinha do mesmo saco”, procuram envergar “peles de cordeiro”, que só podem iludir quem quiser ser iludido e que Hegseth, o personagem que transformou a Defesa em Guerra, é a todos os títulos inqualificável. Tão inqualificável que seria apenas caricato e ridículo se não fosse grave e deprimente.
O que é certo e relevante é que estas quatro personagens, com destaque natural para Trump, transformaram a América não em “great again”, mas sim num actor global merecedor de toda a desconfiança, a que se juntam, no plano interno, o declínio económico e do emprego, a expansão da pobreza, a rotura das políticas sociais, a tentativa de instrumentalizar a Justiça e o Banco Federal, além das inimagináveis violências e desumanidades perpetradas sobre pretensos imigrantes ilegais, incluindo crianças.
O nó da actual crise global é que não é possível ser-se materialmente uma super-potência e, ao mesmo tempo, um pária político, económico e social. Uma super-potência não pode ser um perturbador global.
Não se identifica quem hoje no mundo respeite e confie nos EUA. Há naturalmente quem procure tirar partido do que vai por Washington, mas nesse grupo só se encontram autocracias com lideranças mais perspicazes do que a norte-americana, o que, convenhamos, não é difícil.
Trump levou a NATO à pior das situações. Na NATO não há hoje orientação política, ao mesmo tempo que as suas pesadas burocracias diplomática, militar e administrativa continuam a fazer de conta que não se passa nada e que o secretário-geral Rutte exorbita das suas competências e se afadiga a prestar uma incompreensível vassalagem a Trump.
Com Trump, a relação transatlântica, pelo menos por agora, transitou para o domínio da fé e a ideia de Ocidente desvaneceu-se. A única coisa sensata a fazer na NATO, por forma a preservar o seu excepcional legado e a potenciá-la para o futuro, é fazer pouco ou nada e esperar que a crise passe. Qualquer outra atitude arrasta o risco de rotura e de colapso.
Com Trump, a China aproveita para acelerar a sua marcha ascensional, ao mesmo tempo que procura preencher todos os vazios resultantes da retracção norte-americana e também europeia, e se faz representante do dito Sul Global. Desde logo no seio dos BRICS.
Com Trump, a Rússia encontra mais argumentos para se imaginar uma grande potência.
Com Trump, a Europa ganha uma vincada convicção de que necessita de afirmar a sua soberania estratégica, ainda que, por enquanto, continue enredada numa pobre teia de inércia e nas suas divisões internas. O que tem de se esperar que seja ultrapassado de modo positivo e rápido.
Com Trump, os EUA têm um presidente que, como todos os fracos, é rápido a escarnecer dos outros (Biden, Obama, Zelensky, Sanae Takaichi, Macron, …), mas que é pasto de todas as pilhérias em todas as partes do mundo, na comunicação social e nas redes sociais, que ele julga dominar.
Great again???
Por mim, fico à espera que os EUA voltem a ser a Nação que aprendi a respeitar e a admirar.
Diário de Notícias
Luís Valença Pinto
General. Presidente do EuroDefense-Portugal
16.04.2026
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O IPMA prevê que, para esta terça e quarta-feira, o tempo continue cinzento, com alguma chuva e temperaturas abaixo dos 20ºC em quase todo o país. A partir de quinta-feira, 16 de Abril, o cenário muda e chega o bom tempo.
A semana arrancou fresca e sombria, com alguma chuva, mas a partir de quinta-feira, 16 de Abril, tudo indica que o bom tempo regresse para um fim de semana de sol e calor.
De acordo com as previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), hoje, terça-feira, 14 de abril, é esperado em Portugal Continental “céu geralmente muito nublado, diminuindo de nebulosidade a partir da tarde”, assim como “períodos de chuva fraca, em especial no litoral Norte e Centro, sendo pouco provável a partir da tarde”.
Apesar de se registar uma “subida de temperatura, em especial no interior”, os termómetros não deverão ir além dos 21ºC de máxima e apenas em Santarém, Évora e Faro.
Para os Açores, espera-se chuva para todas as ilhas, sendo que Flores e Corvo estão sob aviso amarelo devido à agitação marítima. Já na Madeira o céu vai estar apenas nublado.
Para amanhã, quarta-feira, 15 de Abril, o IPMA prevê algo idêntico. Céu geralmente muito nublado, diminuindo gradualmente de nebulosidade a partir da manhã. Possibilidade de ocorrência de períodos de chuva fraca no litoral Norte e Centro até ao final da manhã, podendo persistir no Minho ao longo do dia.
A registar uma nova “pequena subida da temperatura máxima no Interior e na costa sul do
Algarve”. Castelo Branco, Santarém e Faro chegam aos 23ºC, Setúbal, Évora e Beja aos 22ºC.
Nos Açores apenas se prevê chuva para a ilha Terceira, enquanto Flores e Corvo continuam sob aviso amarelo devido à agitação marítima. Na Madeira, o céu continua pouco nublado.
Já na quinta-feira, 16 de Abril, o cenário começa a mudar, pelo menos em Portugal Continental. Segundo os meteorologistas do IPMA, o céu vai estar “em geral pouco nublado, apresentando períodos de maior nebulosidade até ao meio da manhã”.
Apesar disso, há “possibilidade de chuva fraca no Minho e Douro Litoral até ao fim da manhã” de quinta-feira.
O vento vai soprar “fraco a moderado (até 30 km/h) predominando de noroeste, soprando por vezes moderado a forte (até 40 km/h) nas serras das regiões Centro e Sul e na faixa costeira ocidental a sul do Cabo Carvoeiro, em especial a partir da tarde”.
Espera-se alguma “neblina ou nevoeiro matinal, em especial no interior”, uma “pequena descida da temperatura mínima” mas também uma “subida da temperatura máxima, exceto no litoral das regiões Norte e Centro”, o que só deverá acontecer a partir de sexta-feira.
Em Santarém, Évora, Beja e Faro os termómetros devem chegar aos 26ºC de máxima, Setúbal aos 25ºC, Castelo Branco e Lisboa aos 24ºC e Portalegre, Sines e Sagres aos 23ºC.
Nos Açores vai voltar a chover no Grupo Ocidental (Flores e Corvo) e Central (Terceira, Faial, Pico, São Jorge e Graciosa). Já no Oriental (São Miguel e Santa Maria) e na Madeira o céu estará apenas nublado.
Este fenómeno meteorológico redistribui o calor global, provocando eventos meteorológicos extremos. Existe uma probabilidade de 25% da ocorrência de um “Super El Niño” entre Novembro de 2026 e Janeiro de 2027.
Antes de mais, o que é o El Niño? O El Niño-Oscilação Sul (ENSO) é um fenómeno natural que ocorre no Pacífico equatorial mas que influencia os padrões climáticos em várias partes do mundo. Envolve a atmosfera e o oceano e tem três fases distintas: El Niño, La Niña e a fase neutra.
Trata-se de um processo periódico, que começa a desenvolver-se na primavera/verão no hemisfério norte e se intensifica no inverno.
A transição de El Niño para La Niña ocorre, em média, a cada três a cinco anos. O El Niño provoca um enfraquecimento dos ventos alísios no Pacífico equatorial e aumenta a temperatura à superfície do Pacífico equatorial central e oriental. Pode durar até 18 meses.
Provoca chuvas intensas, ou mesmo inundações, e prejudica a pesca nas costas peruanas e equatorianas, enquanto no outro extremo, no Sudeste Asiático ou na Austrália, se forma uma zona de alta pressão persistente que provoca seca.
Nome de El Niño
Este termo é utilizado há séculos. Foi assim que os pescadores do Peru e do Equador baptizaram este acontecimento em referência ao Menino Jesus, quando, por altura do Natal, a água aquecia e a pesca piorava.
E La Niña? É o fenómeno oposto. Os ventos alísios intensificam-se e a temperatura à superfície do Pacífico equatorial central e oriental arrefece.
As águas profundas do oceano sobem ao largo da costa do Peru e do Equador, fornecendo mais nutrientes e melhorando a pesca, mas o tempo é, no entanto, mais seco.
Na Austrália, por outro lado, a precipitação é muito abundante. Pode durar até três anos.
Efeitos fora do Pacífico
Modifica a circulação atmosférica global, logo, os efeitos não se fazem sentir apenas no local de origem, mas podem ser detectados a milhares de quilómetros de distância. Impede o desenvolvimento de furacões, conduzindo a uma estação de ciclones tropicais menos activa no Atlântico.
Como já dissemos, gera mais chuva no Equador e no Peru, mas provoca secas noutros países do norte da América do Sul e da América Central. Lá longe, no Corno de África, o El Niño provoca inundações, enquanto o La Niña gera secas significativas.Quando é que o El Niño regressa?
Actualmente, nem El Niño nem La Niña estão presentes, ou seja, ainda estamos em condições neutras.
Mas estamos a começar a ver mudanças tanto na atmosfera como no oceano. Há cinco meses consecutivos que a temperatura do Pacífico equatorial está acima da média.
Existe uma probabilidade de 61% de que o El Niño surja no trimestre entre maio e Julho. Esta probabilidade aumenta para 79% no trimestre Junho-Julho-Agosto e ultrapassará os 90% nos meses seguintes. Uma vez activo, El Niño persistirá pelo menos até ao final de 2026.
Poderemos ter um “super El Niño” no final de 2026?
Existe uma probabilidade de 25% da ocorrência de um El Niño muito forte (anomalia ≥ 2°C) durante o trimestre Novembro-Dezembro-Janeiro. Um El Niño mais forte aumentaria a probabilidade de temperaturas globais anormalmente elevadas em 2026 e 2027 e de fenómenos meteorológicos extremos (vagas de calor, inundações, secas, tempestades graves, etc.).
Os episódios El Niño tendem a aumentar as temperaturas globais durante o evento e mesmo depois de este terminar, enquanto o La Niña provoca um arrefecimento.
Até agora, o ano de 2024 é o mais quente registado desde 1850 e o segundo ano mais quente foi 2023. O ano de 2024, com uma anomalia de temperatura de +1,6°C, é o primeiro ano a exceder o nível de 1,5°C estabelecido no Acordo de Paris.
O último evento El Niño ocorreu entre 2023 e 2024. Se adicionarmos o El Niño ao aquecimento global, o que se antevê para 2026 e 2027 não é certamente uma previsão optimista.
Silvia Laplana / 14 abril 2026 06:13 GMT+1
Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa
Vivemos hoje entre guerras e ameaças, retrocessos e desastres, situação que pode certamente reforçar o nosso desejo de escapar para um jardim interior ou de limitar a nossa actividade aos mais paroquiais e familiares contactos.
Não é inteiramente ilegítimo esse desejo: se nos concentramos no terror do mundo, acabamos por perder qualquer atenção à beleza do mundo.
E a atitude consciente e lúcida de quem não quer deixar de estar atento não pode tornar-se numa fixação doentia na demência mortal para que nos arrastam os pretensos donos do mundo, esquecendo-se da vida “vê-la desfiar seu fio, que também se chama vida, ver a fábrica que ela mesma teimosamente se fabrica”, como escreveu João Cabral de Melo Neto. O nosso dever é ficarmos intransigentemente do lado da vida que continua, contra todos os arautos da morte que ocupam o nosso espaço e o nosso tempo.
A derrota esmagadora de Viktor Orbán na Hungria é uma boa notícia, no meio das desgraças com que somos todos os dias confrontados. Peter Magyar é um político da área cultural conservadora a que pertence o Fidesz, de que foi membro até há pouco tempo. Mas a votação que obteve, na qual convergiram esquerda e direita, campo e cidade, e uma impressionante maioria de jovens, mostra um desejo de mudança, que o seu partido Tisza não poderá ignorar e que a maioria de 2/3 que obteve lhe permite concretizar, enquanto governo.
As redes de interesses criados e as cláusulas legais e constitucionais montadas para dificultar uma verdadeira alternância deverão ser os primeiros objectivos de Peter Magyar. “Libertámos a Hungria” foi a sua primeira proclamação.
Em relação à União Europeia, existe um mesmo desejo de mudança e Trump e Putin sofreram uma clara derrota. Mas em política externa o peso das realidades conta mais e talvez as posições do novo governo húngaro quanto à Rússia, de que a Hungria ainda depende em termos energéticos, e da Ucrânia, com quem subsistem contenciosos vindos da História (a situação da minoria húngara na antiga Ruténia Carpática), venham revelar alguma maior moderação numa política que estará agora virada prioritariamente para desmontar o sistema de poder interno montado por Orbán.
Mas é claro que a atitude em relação à União Europeia irá mudar e desanuviar-se. E bem mais recente que os contenciosos com a Ucrânia, a triste memória da dominação soviética e da invasão de 1956 viu-se profundamente ferida com a divulgação pública dos votos de amizade eterna trocados entre Putin e Orbán e do papel de agente russo desempenhado pelo ministro húngaro que relatava a Moscovo todas as discussões sigilosas em que participava nas reuniões europeias.
Derrota de Putin e não menor derrota de Trump, que deu todo o seu apoio a Orbán, enviando o vice presidente Vance a Budapeste participar no comício de apoio ao FIDESZ, com mensagem telefónica pessoal sua para os participantes naquela manifestação.
Temos razões para nos sentirmos hoje mais confiantes na força da democracia.
É certo que o tempo está instável e sempre a mudar. Já tivemos sol, calor, mas também temperaturas mais baixas e, agora, chuva. É verdade, o início desta semana, segunda e terça-feira, 13 e 14 de Abril, será “marcado pela ocorrência de alguma precipitação em Portugal continental”, explica o Meteored.
Mais especificamente, esta segunda prevê-se “céu muito nublado de norte a sul de Portugal continental, com chuva geralmente fraca, dispersa e temporária”. Esperam-se “períodos breves de precipitação ao longo do dia”, mas “tendencialmente de curta duração e sem continuidade no norte e centro”. Já na região sul “a probabilidade de chover será ainda mais reduzida, praticamente nula”.
Na terça-feira, a precipitação deve manter-se, com “os mapas a denunciarem a possibilidade da mesma se estender pelo litoral”. Felizmente, na quarta-feira, 15 de Abril, a “instabilidade diminuirá de forma significativa, com o céu a tornar-se pouco nublado a partir da manhã”.
Para além disto, o portal mencionou que os nove distritos mais afectados durante este início de semana são Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real, Aveiro, Viseu, Coimbra, Leiria e Lisboa.
Para segunda-feira ainda se prevê chuva fraca, mas ao longo da semana irá “ocorrer uma subida gradual” da temperatura, segundo a previsão do Instituto Português do Mar e da Atmosfera.
Rui Oliveira/Global Imagens
O início da próxima semana ainda será de chuva fraca, mas prevê-se um aumento das temperaturas, que podem chegar perto dos 30º na sexta-feira (17 de Abril), segundo a previsão do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
“Na próxima semana, no continente, haverá chuva fraca na segunda e terça-feira feira, em especial no litoral oeste, com possibilidade de queda de neve nos pontos mais altos da serra da Estrela na segunda-feira”, indica a previsão do IPMA.
Espera-se depois “ausência de precipitação” e a subida das temperaturas. “Após uma diminuição significativa dos valores da temperatura no fim de semana, irá ocorrer uma subida gradual ao longo da semana, ficando acima dos valores médios para esta altura do ano em todo o território com excepção da faixa costeira ocidental”, refere o IPMA para a semana de 13 a 19 de Abril.
Assim sendo, espera-se que os termómetros cheguem aos 9 e 19°C na terça-feira, mas na sexta-feira prevê-se que a temperatura máxima oscile entre os 18 e 28 °C.
Na semana seguinte, de 20 a 26 de Abril, no que se refere à temperatura média, prevê-se “uma anomalia positiva (+0.5°C a +1.5°C) para quase todo o território, excepto para as regiões do litoral Centro e Algarve”. “Existe uma probabilidade entre 30 e 50% de a temperatura média semanal ser superior ao normal”, indica ainda o boletim de previsão mensal do IPMA.
Campanha do grupo APT28 utiliza vulnerabilidades em equipamentos populares na Europa, como a TP-Link, para criar redes de vigilância indetectáveis.
Ilustração / Infografia: RSF / Gemini AI
O que parece um gesto simples de manutenção técnica é agora uma recomendação de segurança nacional. A Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla original), em coordenação com o FBI e agências de cibersegurança europeias, emitiu um alerta urgente: todos os utilizadores domésticos e de pequenos escritórios devem reiniciar os seus routers de Internet pelo menos uma vez por semana.
A medida visa combater uma campanha global de ciberespionagem levada a cabo pelo grupo APT28 (também conhecido como Fancy Bear), uma unidade de elite da espionagem militar russa (GRU). Este grupo tem estado a ‘recrutar’ silenciosamente routers em toda a Europa para criar uma infra-estrutura de ataque que permite o roubo de dados bancários, credenciais de acesso e a monitorização de comunicações privadas.
Embora o alerta tenha contornos globais, a Europa encontra-se numa posição de vulnerabilidade particular devido à saturação de marcas de hardware específicas. Relatórios técnicos recentes indicam que os atacantes estão a explorar activamente falhas em dispositivos da TP-Link, uma das marcas mais vendidas no mercado europeu. Mas na realidade todos os routers estão em risco.
Modelos antigos na mira
As agências de cibersegurança do Reino Unido (NCSC) e da União Europeia (ENISA) alertam que modelos mais antigos e populares, como o TP-Link WR841N, são os mais vulneráveis. Por serem aparelhos que raramente recebem actualizações automáticas, muitos utilizadores continuam a usar versões de software com anos de atraso, deixando a “porta aberta” para a espionagem estatal.
A investigação detalha que os atacantes estão a tirar partido da vulnerabilidade CVE-2023-50224. Esta falha de segurança permite que hackers externos contornem a autenticação do router através de pedidos HTTP maliciosos, ganhando acesso total às configurações do aparelho.
Uma vez dentro do sistema, o grupo Fancy Bear altera as definições de DNS. Na prática, isto significa que um utilizador em Portugal, ao tentar aceder ao seu e-mail ou portal bancário, pode ser redireccionado para uma página falsa sem qualquer aviso, permitindo o roubo imediato de credenciais.
Ao comprometer os aparelhos, os agentes russos conseguem contornar firewalls tradicionais, uma vez que o tráfego malicioso parece originar-se de um endereço IP doméstico legítimo em cidades como Lisboa, Madrid ou Berlim.
Porquê fazer um reboot
A recomendação de reiniciar o equipamento não é um mito urbano. Grande parte do malware moderno utilizado em ataques de “zero-click” é não-persistente, o que significa que reside apenas na memória volátil (RAM) do router. Ao desligar e voltar a ligar o aparelho faz-se a limpeza de memória, pelo que o código malicioso que não conseguiu escrever-se no armazenamento permanente é eliminado, a interrupção de ciclos, quebrando assim a ligação activa entre o router e o servidor de comando dos hackers, bem como a actualização de defesas: muitos equipamentos procuram actualizações de firmware críticas durante o processo de arranque.
Proteger a rede em casa
Especialistas da ENISA (Agência da União Europeia para a Cibersegurança) reforçam que, além do reinício semanal, os utilizadores devem adotar três passos fundamentais:
– Desactivar a gestão remota, o que garante que o painel de controlo do router não é acessível a partir da Internet pública.
– Manter o firmware em dia: Fazer a verificação mensal se o fabricante lançou correcções de segurança.
– Substituir equipamento antigo (legacy): Routers com mais de 5 ou 6 anos que já não recebem actualizações devem ser substituídos, pois são portas abertas para intrusões.
Esta “higiene digital” é hoje em dia considerada essencial num cenário de guerra híbrida, onde o router da casa se pode tornar, sem que o utilizador perceba, uma ferramenta de espionagem de um país adversário.
Os distritos de Aveiro, Coimbra, Leiria e Lisboa vão estar no sábado e no domingo sob aviso laranja (o segundo mais grave) devido à previsão de agitação marítima, alertou hoje o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
O aviso laranja, o segundo mais grave de uma escala de três, aplicar-se-á a estes quatro distritos das regiões Centro e Lisboa de Portugal continental entre as 15:00 de sábado e as 09:00 de domingo, prevendo-se agitação marítima com “ondas de noroeste com 5 a 6 metros, podendo atingir 10 metros de altura máxima”, segundo o IPMA.
Entre hoje e segunda-feira, há aviso amarelo (o menos grave) para 11 dos 18 distritos de Portugal continental, incluindo precipitação, trovoada, vento e agitação marítima, de acordo com as recentes previsões meteorológicas, divulgadas ao início da tarde desta sexta-feira.
No dia de hoje, entre as 15:00 e as 21:00, os distritos de Évora, Setúbal e Beja vão estar sob aviso amarelo por precipitação, com “aguaceiros, que localmente podem ser fortes e de granizo, e acompanhados de rajadas”, e por trovada, que se prevê frequente e dispersa, informou o IPMA.
O aviso amarelo por vento aplicar-se-á a partir das 06:00 de sábado e até às 12:00 de domingo nos distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Leiria, Lisboa, Setúbal, Beja e Faro, com a previsão de rajadas até 90 quilómetros por hora.
Além de aviso laranja por agitação marítima para quatro distritos, há aviso amarelo relativamente à previsão de ondas “com 4 a 5 metros”, entre as 12:00 de sábado e as 00:00 de segunda-feira, para 10 distritos do continente, nomeadamente Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Leiria, Lisboa, Setúbal, Beja e Faro, que são os mesmos que serão afectados pelo vento.
O aviso amarelo é emitido pelo IPMA sempre que existe uma situação de risco para determinadas actividades dependentes da situação meteorológica, enquanto o aviso laranja é emitido sempre que existe uma situação meteorológica de risco moderado a elevado.