O Ministro da Educação admite uma investigação ao que está a acontecer nas escolas públicas frequentadas por crianças e adolescentes. A reportagem no Público criou ondas de choque: 79 associações de estudantes, de escolas de norte a sul, pagaram a actores pornográficos e misóginos para animar a malta. As sessões levaram os alunos ao delírio e vários professores assistiram à performance de “machonitos” de tronco nu e cuecas a transbordar das calças.
A indignação obriga-me a um sorriso triste. Porque a maioria dos que se chocaram não faz ideia da música que os miúdos ouvem, dos influencers que os contaminam, da linguagem que usam, das referências que têm.
Artur Machado
Há centenas de escolas primárias, para não falar dos outros ciclos, em que as festas de final de período, incluindo o Natal, são feitas à base das músicas rascas que as crianças conhecem e consomem em casa. Música funk, com letras ordinárias, machistas, sexualizadas e altamente promiscuas.
Não sou moralista. Acredito no futuro e nas gerações dos meus filhos e futuros netos. No entanto, que não haja ilusões. Há uma multidão de miúdos que está a crescer sem referências. Lê pouco ou nada, está online em permanência e venera pessoas de quem nunca ouvimos falar, gente com milhares e milhares de seguidores que são populares por serem “manos muita-malucos e bacanos”.
Estamos chocados pelos idiotas que entram nas escolas dos nossos filhos com a autorização dos directores, mas ligamos pouco ou nada ao que nos trouxe até aqui.
Vários distritos de Portugal continental vão estar a partir de quinta-feira sob avisos devido à agitação marítima, vento e neve, informou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Os distritos de Lisboa, Leiria e Coimbra vão estar com aviso amarelo entre a 21:00 de quinta-feira e as 03:00 de sexta-feira devido à agitação marítima, passando depois a laranja até às 19:00 de sexta-feira, prevendo-se ondas de noroeste com 05 a 6,5 metros de altura, podendo atingir os 11 metros de altura máxima.
Também por causa do estado do mar, o IPMA emitiu aviso amarelo para os distritos de Setúbal, Porto, Faro, Viana do Castelo, Beja, Aveiro e Braga entre as 21:00 de quinta-feira e as 19:00 de sexta-feira.
Porto, Faro, Setúbal, Viana do Castelo, Lisboa, Leiria, Beja, Aveiro, Coimbra e Braga vão estar também sob aviso amarelo entre as 00:00 e as 19:00 de sexta-feira por causa do vento forte com rajadas da ordem dos 70/80 quilómetros por hora.
O IPMA colocou também os distritos da Guarda e Castelo Branco sob aviso amarelo devido à queda de neve acima de 1.400/1.600 metros de altitude entre as 21:00 de quinta-feira e as 19:00 de sexta-feira.
A costa norte da ilha da Madeira e o Porto Santo estão até às 12:00 de hoje sob aviso amarelo por causa da agitação marítima, prevendo-se ondas de noroeste com 04 a 05 metros.
O aviso laranja é emitido pelo IPMA sempre que existe “situação meteorológica de risco moderado a elevado, e o amarelo quando há uma situação de risco para determinadas actividades dependentes da situação meteorológica.
Temperaturas chegaram quase aos 3 graus negativos na terça-feira no Pico do Areeiro. Veja os vídeos registados por madeirenses e turistas nos pontos mais altos da ilha nos últimos dias.
A passagem da depressão Regina levou, na terça-feira, neve até às regiões montanhosas da ilha da Madeira, que estão agora pintadas de branco.
A estação meteorológica do Pico do Areeiro chegou ontem a registar -2.9ºC, a temperatura mais baixa do país na terça-feira.
O arquipélago da Madeira foi atingido pela depressão Regina, que, segundo as previsões, iria condicionar o estado do tempo até esta manhã.
As imagens partilhadas nas redes sociais mostram um manto branco nos pontos altos da ilha.
O Serviço Regional de Protecção Civil emitiu um aviso à população, alertando para a necessidade de adoptar uma condução defensiva, reduzindo a velocidade e tendo especial cuidado com a possível formação de gelo nas vias; não circular em vias afectadas pela acumulação de neve, respeitar as interdições dos acessos às zonas com neve e garantir que os sistemas de aquecimento dos veículos se encontram em bom estado de funcionamento.
Por outro lado, veículos pesados devem evitar circular naquelas vias, em particular articulados, veículos com reboque e veículos de tracção traseira.
A população deve também manter-se atenta às informações da meteorologia.
A Protecção Civil deu também conta das estradas que estão condicionadas.
A Polícia de Segurança Pública (PSP) anunciou que reforçou o patrulhamento nas zonas de maior altitude da região, “devido às baixas temperaturas e à queda de neve verificada nas últimas horas”.
“Vários acessos encontram-se encerrados por razões de segurança e a circulação está condicionada em algumas vias devido à formação de gelo e acumulação de neve”, lê-se numa publicação feita nas redes sociais na terça-feira.
À semelhança da Protecção Civil, também a PSP alerta para que sejam “evitadas deslocações para estas zonas enquanto se mantiverem as actuais condições meteorológicas, mesmo que as viaturas sejam consideradas preparadas”.
“A presença de gelo e o eventual bloqueio de vias podem colocar pessoas e veículos em situação de risco”, lê-se na mesma nota.
Quanto aos voos, o aeroporto da Madeira parece ter retomado a normalidade esta quarta-feira, depois de mais de 80 voos com partida ou destino para a ilha terem sido cancelados na terça-feira.
A utilização da Base das Lajes para o reabastecimento de aviões norte-americanos a caminho do Médio Oriente, para apoiar as operações contra o Irão, voltou a colocar Portugal no centro de uma polémica sensível. Especialistas contestam a versão do ministro dos Negócios Estrangeiros e defendem que os Estados Unidos precisariam de autorização explícita para usar a base no âmbito de uma ofensiva militar.
O ministro argumentou que nenhum aparelho que tenha passado pelas Lajes foi utilizado no ataque, mas terão sido usados em funções de reabastecimento, o que significa que Portugal terá facilitado a intervenção norte-americana e israelita. E isso tem consequências políticas.
O problema é que esta não é uma questão de resposta simples. Em teoria, Portugal poderia recusar o uso da base, como prevê o tratado assinado nos anos 50. Mas, na prática, uma recusa colocaria em causa uma aliança que, desde há décadas, contribui para a nossa segurança e para a preservação da nossa integridade territorial. É aqui que a política externa deixa de ser um exercício académico e passa a ser um confronto com a realidade.
A cedência da base na Terceira nasceu no contexto da Guerra Fria, numa altura em que os Estados Unidos procuravam apresentar-se como uma potência democrática e pós-colonial, distinta dos antigos impérios europeus e guiada por valores que sustentavam a sua ambição de liderar o “mundo livre”. O acordo foi assinado entre estados soberanos que, no papel, se tratavam como iguais. Mas Salazar sabia que a recusa das pretensões norte-americanas poderia pôr em risco a sobrevivência do Estado Novo e até a integridade territorial do país.
A memória da Segunda Guerra Mundial estava demasiado presente: em 1943, as potências anglo-saxónicas deixaram claro que poderiam ocupar os Açores, se necessário, como fizeram na Gronelândia e na Islândia, se Portugal não permitisse a sua utilização. Além disso, desde a Restauração, Portugal sempre procurou manter uma aliança com a potência marítima dominante, para garantir a sua independência e preservar o império colonial.
“A margem jurídica para rejeitar a utilização da base existe, mas a margem estratégica é estreita. A decisão de Rangel é um exercício de equilíbrio entre a autonomia política e a dependência estrutural do país.” Igor Martins
Setenta anos depois, o mundo mudou, o país democratizou-se e o império desvaneceu-se, mas a nossa geografia continua a ser a mesma. Portugal é um pequeno país atlântico, responsável por uma vasta área oceânica que inclui dois arquipélagos e recursos submarinos ainda pouco explorados. Por estas águas passam rotas essenciais do comércio marítimo internacional.
Ao contrário de países europeus com grande profundidade continental, Portugal não tem o luxo de poder dispensar uma relação estreita com a principal potência marítima. E esta tem dado sinais de que está disposta a contornar a ordem internacional construída no pós-guerra e a regressar a lógicas de competição imperial, chegando a admitir a anexação de territórios alheios, como se viu na Gronelândia.
É verdade que não estamos sozinhos, dado que Portugal integra a União Europeia, mas trata-se de uma construção recente e de futuro incerto. A geografia, porém, não muda. Com ou sem União Europeia, Portugal vai ser sempre um país marítimo e os EUA vão permanecer a grande potência do Atlântico Norte.
É neste contexto que qualquer governo português tem de decidir se autoriza ou não o uso das Lajes. A margem jurídica existe, mas a margem estratégica é estreita. A decisão nunca é apenas técnica ou legal. É, acima de tudo, um exercício de equilíbrio entre autonomia política e dependência estrutural, num mundo em que a geografia e o poder continuam a pesar mais do que as declarações formais.
Ainda sobre as constantes agressões ao Direito Internacional e à Carta das Nações Unidas por parte de psicopatas terroristas que não possuem o mínimo respeito pelos valores humanos, voltámos à Idade da Pedra.
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Regressado das brumas, o dom Sebastião da direita garante não querer desforras nem provar nada — quando, com a inestimável ajuda dos do costume, não faz outra coisa.
Vai por aí uma grande excitação com o regresso de Passos Coelho às lides. O que é completamente natural, tendo em conta que o ex-primeiro-ministro e ex-líder do PSD entrou logo a disparar canhões contra o seu ex-mui-delfim Luís Montenegro..
Dando-se o caso de esta entrevista ter ocorrido após as presidenciais, surpreende um pouco que Passos não tenha sido confrontado com a evidência de que a maioria bastante esmagadora dos eleitores da AD e até da IL votaram no socialista António José Seguro contra André Ventura — o que talvez queira dizer que não querem misturas com o Chega e prezam a ideia de uma cerca sanitária face à extrema-direita, mesmo quando isso implica votar à esquerda.
E surpreende ainda mais que, opinando Passos que o Chega estará bem posicionado para ganhar as próximas eleições, considere que a melhor solução para o PSD seria ter-se aliado a ele. Quiçá para melhor se deixar engolir, perdendo para o PS e a IL os (como se constatou, muitos) eleitores que rejeitam o discurso de ódio, racista e xenófobo de Ventura e apaniguados?
Tácticas à parte, sobre o que Passos pensa da extrema-direita também não vimos qualquer questão nesta bastante interminável entrevista — ficamos só a saber, caso tivéssemos ainda dúvidas (o entrevistador claramente não teve), que em nada o incomoda. O que não pode ser grande surpresa: foi com Passos e o PSD, através da candidatura à presidência da Câmara de Loures nas autárquicas de 2017, que Ventura estreou o seu discurso anti-ciganos (levando, recorde-se, o parceiro de coligação CDS-PP a afastar-se), iniciando, com o beneplácito da então direcção do partido, a caminhada de radicalização racista e desbragada que conduziu à criação do Chega.
Talvez, claro, Passos tenha outras informações, que não as que constam nos programas do Chega e no discurso público do seu dirigente, sobre o que o partido e Ventura defendem/querem — sabemos bem quão elásticas são as respetivas posições.
Nem nos olvidámos (ou olvidámos?) do que dizia e prometia antes das eleições de 2011; como, em plena crise do euro, face à imposição de austeridade por parte da Comissão Europeia e parceiros europeus (a começar pela Alemanha) e mesmo já após o pedido de resgate, recusava a ideia de cortar pensões ou salários ou subsídios de Natal ou férias, como torcia as mãos face à ideia de aumentar impostos e como garantia que tudo se resolveria apenas “cortando as gorduras do Estado”. Era esse singelo e indolor corte “das gorduras do Estado” que, prometia o PSD à época, constituía as famosas “reformas estruturais” que até hoje Passos tanto incensa e apelida de o seu “projecto de transformação”.
As “reformas estruturais” que, uma vez no poder, consubstanciou em cortes e mais cortes de pensões, salários e apoios sociais, aumentos de impostos e venda ao desbarato (ao Estado chinês) de activos fulcrais como a rede eléctrica e a EDP.
Daí que seja verdadeiramente delicioso vê-lo agora a censurar Montenegro por não se ter, e cito, dirigido “aos eleitores naquela eleição [2024] pedindo-lhes um mandato para fazer reformas, com espírito reformista”. Isto porque Passos diz acreditar “que as reformas que duram são aquelas que as pessoas desejam” e portanto “um partido não pode chegar ao Governo e, de repente, mostrar às pessoas que, afinal, as surpreende com um pacote, um conjunto de reformas que as pessoas não esperavam que acontecessem e que poderiam até não gostar que fossem feitas.”
Foi, por acaso, exactamente o que o actual PSD fez com a proposta de reforma laboral — à imagem da estratégia de Passos quando governou: apresentar propostas, grande maioria delas inconstitucionais (e como tal declaradas pelo Tribunal Constitucional), que nunca submetera a sufrágio. E não se diga que houve circunstâncias supervenientes a justificá-lo: quando elaborou o programa eleitoral Portugal estava sob resgate, e os termos desse resgate foram também negociados com a troika FMI-Comissão Europeia-Banco Central Europeu pelo PSD, como o negociador-mor do partido, Eduardo Catroga, não se cansou de proclamar.
Não as tem, de resto, em nada. O homem que se quer apresentar como “sério” e “transparente” e é tantas vezes referido como “reserva moral da direita” já mudou radicalmente de ideias e discurso uma meia dúzia de vezes e foi tudo menos honesto quando se apresentou a eleições.
Sabe bem ele, e deveria saber toda a gente, que se tivesse em 2011 anunciado o que queria realmente fazer e que o seu sonho era pôr em prática a tal revisão constitucional que meteu na gaveta em 2010 (quando, lembre-se, além de se apresentar como um liberal na economia também garantia sê-lo nos costumes, pronunciando-se a favor da legalização do aborto, do casamento das pessoas do mesmo sexo e da adoção por casais homossexuais), seria bastante improvável obter uma maioria absoluta.
Mas, reconheça-se, há um projecto de transformação do país que Pedro Passos Coelho conseguiu levar a bom porto: aquele que permite que, depois de tudo o que aconteceu, de tudo o que fez e disse, se alcandore a exemplo de probidade, lisura e ética. Isso sim é obra.
O mundo já não observa apenas com inquietação — observa com perplexidade. Em poucos meses, a segunda Presidência de Donald Trump transformou a política externa norte-americana numa demonstração aberta de força, onde a lógica do facto consumado substitui a diplomacia e o multilateralismo é tratado como obstáculo, não como instrumento.
A captura de Nicolás Maduro, as ameaças à Gronelândia e a eliminação do Líder Supremo do Irão, Ali Khamenei, não são episódios isolados. São peças de uma mesma estratégia: afirmar hegemonia através da coerção directa, testando até onde o mundo está disposto a tolerar.
A Operação Absolute Resolve, que levou Maduro de Caracas para Nova Iorque, não foi apenas uma acção cirúrgica contra um regime autoritário. Foi uma mensagem política inequívoca: Washington considera-se novamente com legitimidade para intervir unilateralmente no seu “quintal estratégico”. A Doutrina Monroe, que muitos julgavam um artefacto do século XIX, regressa sob nova embalagem — jurídica, mediática e militar.
O levantamento selectivo de sanções e a reconfiguração do setor petrolífero venezuelano revelam que a moralidade invocada anda de mãos dadas com interesses energéticos. A narrativa da libertação convive, sem grande pudor, com a reorganização económica sob tutela externa. E quando Trump declara que os Estados Unidos “gerirão o país até ser seguro entregá-lo”, a frase ecoa menos como promessa de transição democrática e mais como afirmação de protectorado.
O caso da Gronelândia é igualmente revelador. A pressão sobre a Dinamarca mostrou que, para esta administração, alianças são instrumentos contingentes, não compromissos estruturais. Ao admitir o uso da força para adquirir território aliado, Washington quebrou um tabu geopolítico dentro da própria NATO. A confiança — verdadeiro cimento da Aliança Atlântica — não resiste facilmente a este tipo de teste.
Mas foi no Irão que a doutrina da força atingiu o seu ponto máximo. A morte de Ali Khamenei, confirmada por Teerão, inaugurou uma fase de imprevisibilidade estratégica raramente vista desde o início do século XXI. Falar abertamente em “mudança de regime” numa potência regional com capacidade de retaliação assimétrica é jogar xadrez geopolítico com peças inflamáveis.
O Estreito de Ormuz sob ameaça, o petróleo em escalada, mísseis sobre Israel e bases americanas: a região entrou num ciclo de acção-reacção cujo fim ninguém controla plenamente. O risco já não é apenas regional; é sistémico.
Perante este padrão, a pergunta “qual será o próximo alvo?” deixa de soar especulativa e passa a ser estrutural.
Cuba surge como hipótese lógica, fragilizada pela perda do apoio energético venezuelano. A Coreia do Norte observa, calculando custos e oportunidades. No Indo-Pacífico, Taiwan permanece o epicentro latente de uma confrontação maior entre Washington e Pequim. Mesmo cenários aparentemente improváveis — como pressões acrescidas sobre o Panamá ou intervenções indirectas em África — deixam de parecer ficção estratégica.
O que une todos estes episódios não é apenas a retórica musculada; é a normalização da excepção. A ideia de que a estabilidade internacional depende menos de regras partilhadas e mais da capacidade de impor vontades.
Para a União Europeia, isto representa um dilema existencial. Se o principal aliado age de forma imprevisível e coerciva, a autonomia estratégica deixa de ser um slogan francês e passa a necessidade estrutural. Portugal, na periferia atlântica, mas no centro das rotas energéticas e comerciais, não pode assistir como mero espectador. A instabilidade no Atlântico Norte e no Médio Oriente atinge-nos directamente.
A questão central não é se estas acções são eficazes a curto prazo. Podem sê-lo. A questão é que mundo produzem a médio e longo prazo. Um mundo onde as potências agem sem constrangimentos multilaterais tende a tornar-se menos previsível, mais volátil e mais propenso a escaladas acidentais.
A era Trump 2.0 não é apenas uma mudança de estilo; é uma alteração de paradigma. Se esta lógica se consolidar, estaremos perante o regresso explícito da política de esferas de influência, onde o poder substitui a norma.
E quando a força passa a falar mais alto do que o direito, a História ensina-nos que raramente é a última palavra.
Depois de um fim de semana de sol, Portugal acordou na manhã desta segunda-feira, 2 de Março, com o céu cinzento. É sinal de que está próxima a depressão Regina, que vai afectar o país a partir da tarde desta segunda-feira com chuva e vento, particularmente nas regiões Centro e Sul do país.
Como se a chuva e vento não bastassem, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), as condições são favoráveis à ocorrência de trovoada a partir da tarde, em especial no Centro e Sul, e há ainda a possibilidade de queda de neve nos pontos mais altos da Serra da Estrela a partir da manhã.
Algo que também vai afectar o país esta segunda-feira são as poeiras do Chade, partículas finas de terra levantadas em zonas áridas de África que são transportadas pelos ventos para outros continentes e que podem irritar as vias respiratórias, particularmente devido à precipitação.
Quanto às temperaturas, as mínimas vão subir, já as máximas vão descer esta segunda-feira.
No meio de todo este cenário, menos sorte tem o arquipélago da Madeira, onde a depressão será mais sentida. Prevêem-se ventos fortes e lançam-se avisos quanto à agitação marítima e às rajadas que poderão afectar a circulação e as actividades ao ar livre.
A chuva, que está de regresso, vai manter-se, pelo menos, até quinta-feira, 5 de Março, dia em que o IPMA prevê períodos de chuva ou aguaceiros, que poderão ser de neve nos pontos mais altos da Serra da Estrela no final do dia. Esperemos que o fim de semana traga melhores notícias.
No entanto, enquanto a chuva persistir, garante que tens alguns dos acessórios úteis que mostramos na galeria de imagens.
Evento La Niña pode criar condições neutras e, posteriormente, um evento de aquecimento El Niño. Em 2024, o El Niño teve um papel importante no recorde das temperaturas globais.
Fenómeno El Niño pode regressar: Organização Meteorológica Mundial prevê mais calor entre Março e Maio
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) da ONU alertou esta terça-feira para a probabilidade crescente de, no período de Maio a Julho, se repetir o fenómeno climático conhecido por El Niño.
De acordo com o último boletim trimestral da OMM, espera-se que o recente evento La Niña, de menor intensidade, dê lugar a condições neutras e, posteriormente, a um evento de aquecimento El Niño.
Com base nas previsões dos centros de produção globais da OMM, espera-se que as condições neutras – indicando a ausência de um evento El Niño ou La Niña – persistam até Julho.
Para o período de Maio a Julho, a probabilidade de condições neutras é, portanto, de 60%, “enquanto a probabilidade de um evento El Niño aumentou constantemente para cerca de 40%”, afirmou a OMM.
A incerteza em torno das previsões de longo prazo está a aumentar, acrescentou a organização.
Em Janeiro, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) estimou uma probabilidade de 50 a 60% de desenvolvimento do El Niño entre Julho e Setembro.
“A comunidade da OMM (Organização Meteorológica Mundial) vai monitorizar de perto a situação nos próximos meses para que se possam tomar de decisões”, comentou a Secretária-Geral da OMM, Celeste Saulo.
O último evento El Niño, ocorrido em 2023/24, foi um dos cinco mais intensos já registados e desempenhou um papel importante nas temperaturas globais recordes de 2024.
Um evento El Niño é caracterizado pelo aquecimento periódico e em larga escala das águas superficiais no Pacífico equatorial central e oriental, associado a mudanças na circulação atmosférica tropical, especificamente nos ventos, na pressão e nas chuvas. Geralmente, ele tem efeitos opostos aos da La Niña nos padrões climáticos e de precipitação.
De acordo com a OMM, para o período de Março a Maio, deve haver “um aumento nas temperaturas da superfície em todo o mundo”.
Em relação às previsões de precipitação, “o padrão esperado é semelhante ao de La Niña no Pacífico equatorial, mas em outras partes do mundo, o sinal é mais misto”.
A OMM reitera que “fenómenos climáticos naturais de grande escala, como El Niño e La Niña, fazem parte de um contexto mais amplo de mudanças climáticas antropogénicas, que estão a elevar as temperaturas globais a longo prazo, intensificando eventos climáticos extremos, alterando os padrões sazonais de precipitação e temperatura”.
O mundo como eu o conhecia está a morrer. Os valores em que acredito perderam relevância. O poder é exercido por homens indecentes e amorais. O mal ocupou o tabuleiro de jogo e não há incenso ou rezas capazes de afastar ogres com um bafo a enxofre e agonia.
Tenho quatro filhos, o meu optimismo foi sempre exacerbado e inconsciente, mas quando o penso, quando os penso nessa sua sede e fome de futuro e eternidade, preciso de encontrar uma forma de combater a profunda descrença no que vejo ou pressinto.
As guerras fazem parte do nosso menu. Algumas foram necessárias, em algumas o sangue derramado permitiu o progresso ou o fim do caos ou das ameaças de Apocalipse. O jogo continua e só terminará quando o último de nós fechar a porta, só que agora é um combate sem regras e imprevisível.
EPA / Abedin Taherkenareh
Já não há bons e maus. Justos e ímpios. Batoteiros e honestos. Progressistas e fanáticos. Democratas e fascistas. No tabuleiro que agora nos prende a atenção é tudo mau, são todos horríveis, não há ponta por onde se possa pegar, não há gente ou ideias em que possamos confiar ou por quem valha a pena morrer.
Os fanáticos religiosos xiitas têm de ser travados – quem pode duvidar da premissa? Mas quem os está a travar é menos fanático e menos perigoso? Se colocarmos cada uma das forças numa mão, que mão preferimos? A que está contaminada com autocratas que matam, torturam e aterrorizam em nome de Deus? Ou a que está ocupada por loucos varridos e criminosos de guerra? Que mundo é este? Lutamos por quem? Pelo quê? Contra quem?
Diário de Notícias
Luís Osório
Escritor, jornalista e cronista
02.03.2026
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Prevê-se que uma massa de ar proveniente dos desertos do Norte de África, que transporta poeiras em suspensão, atravesse o território continental entre os dias 3 e 5 de março. Devido a este fenómeno, adverte a Direcção-Geral da Saúde, prevê-se “uma situação de fraca qualidade do ar no Continente, registando-se um aumento das concentrações de partículas inaláveis de origem natural no ar”.
Este poluente tem efeitos na saúde humana, principalmente na população mais sensível, crianças e idosos, cujos cuidados de saúde devem ser redobrados, sublinha a DGS em comunicado.
Para a população em geral, o conselho é evitar “esforços prolongados, limitar a actividade física ao ar livre e evitar a exposição a factores de risco”.
Em relação aos grupos mais vulneráveis, a DGS faz recomendações adicionais: “sempre que viável, permanecer no interior dos edifícios e, preferencialmente, com as janelas fechadas”.