406: Um imposto extraordinário

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🇵🇹 OPINIÃO

A ideia do ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, de criar um novo imposto para taxar lucros extraordinários deve perturbar alguns empresários deste país, mas desconfio que não pelas razões mais óbvias. A medida recupera uma iniciativa de 2022, protagonizada pelo governo PS de António Costa e por outros governos europeus, que pediram à Comissão Europeia de Von der Leyen para dar uma talhada nos “lucros caídos do céu” de algumas empresas. Motivo? A invasão russa sobre a Ucrânia fez disparar os preços dos combustíveis – e, depois, de tudo o resto – e foi preciso agitar muito os braços para parecer que se estava a fazer tudo para proteger o consumidor.

A eficácia foi reduzida. O Estado português, por exemplo, estimava arrecadar entre 50 e 100 milhões de euros, mas acabou por captar um total de “apenas” 8,3 milhões, como recordou recentemente a Helena Garrido no Observador. Portanto, não será o valor da cobrança a assustar as empresas.

Agora, uma nova guerra – desta feita no Irão – levou ao fecho do estreito de Ormuz e, consequentemente, à subida dos preços dos combustíveis e dos bens. E Miranda Sarmento vai criar uma taxa especial sobre as empresas energéticas.

Na verdade, já existe uma. Durante o programa de ajustamento da Troika – que se seguiu ao reconhecimento pelo governo de José Sócrates que iria entrar em “default” sem ajuda externa – o governo de Pedro Passos Coelho decidiu criar uma contribuição extraordinária sobre o Sector Energético, a CESE.

Na Lei do Orçamento do Estado de 2015, aliás, criou uma outra: sobre a Indústria Farmacêutica. Ambas, tanto a CESE como a CEIF (Contribuição Extraordinária sobre a Indústria Farmacêutica) ainda estão em vigor, mais de uma década depois, apesar dos processos movidos por várias empresas que as pagam.

Alguns destes processos resultaram no óbvio: o Tribunal Constitucional considerou que a permanência em vigor desta taxa, muito além do período de excepcionalidade que o motivo, viola princípios constitucionais de igualdade e proporcionalidade. Por exemplo, já travou a sua aplicação nos sectores do gás natural e do petróleo, correspondendo a uma pretensão da Galp, que desde o início contestou a CESE e recusou-se a pagá-la (mas constituindo provisões para essa eventualidade). O sector farmacêutico aguarda também que o TC se pronuncie nos processos que também tem a correr.

Foi também por causa de uma guerra que nasceu o mais antigo imposto do sistema fiscal português, o Imposto de Selo. Tudo porque a Coroa portuguesa – sob a regência de D. Luísa de Gusmão, que governou enquanto Afonso VI era menor – precisava de equilibrar as contas após a Guerra da Restauração da Independência, face a Espanha, e assim decidiu instaurar um imposto temporário que se aplicava a actos notariais e transferências de propriedade. O Estado recebia, por essa via, uma parte das transacções.

O alvará deste imposto sobre o “Papel Selado” foi rubricado na véspera de Natal de 1660. Está, portanto, temporariamente em vigor há 365 anos.

E o problema das empresas é mesmo esse. O Estado português – e os sucessivos ministros que o gerem – tem uma extraordinária dificuldade em aceitar o conceito da finitude temporal. Pelo menos no que diz respeito a impostos, taxas e outras cobranças.

Diário de Notícias
Nuno Vinha
Director-adjunto do Diário de Notícias
11.05.2026

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405: Uma mão cheia de (in)diferença

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🇵🇹 OPINIÃO

Em 25 de Julho de 1963, poucos meses antes de ser assassinado em Dallas (Texas), John F. Kennedy enviou uma carta ao Comité dos Estados Unidos para a UNICEF, como forma de apoiar a angariação de verbas para o fundo da ONU de apoio às crianças. Nela, escrevia: “As crianças são o recurso mais valioso que há no mundo e a sua maior esperança para o futuro”.

São palavras simples, que facilmente poderíamos ler em vários dos programas eleitorais dos principais partidos em Portugal. O problema não está no conceito em si mesmo: defender a saúde e promover o desporto na infância; salvaguardar a educação e equilibrar as oportunidades de acesso ao ensino médio e superior representam ideias básicas em qualquer país evoluído. O problema está na concretização desses desígnios e, sobretudo, na abrangência. Em termos simples, quem fica tapado pelo cobertor e quem fica com os pés de fora.

Não é novidade para ninguém que lê as notícias nos jornais que o Estado português – seja a nível central, seja na grande maioria das autarquias – dedica pouco orçamento, poucos meios e pouca atenção às crianças com necessidades educativas específicas. É o jargão para crianças com dificuldades de aprendizagem que podem, ou não, estar associadas a problemas cognitivos, autismo ou síndromes de vária ordem.

Em suma, são crianças consideradas “diferentes” [por isso existem escolas “inclusivas”] e têm, por isso mesmo, acesso a regras diferentes na sua educação (na avaliação e, por vezes, no conteúdo dos programas), ainda que nem sempre aos meios que, por vezes, seriam necessários para os prosseguir. A manta só estica para outros desígnios, por muito direito que estes alunos tenham a receber apoios adequados.

A perplexidade torna-se maior quando se percebe que o outro lado da escala – os alunos sobre-dotados – enfrentam o mesmo tipo de problemas. Como escrevemos nesta edição do DN, o apoio a estes alunos com capacidades acrescidas são quase inexistentes, o que leva a presidente da Associação Portuguesa de Crianças Sobre-dotadas (APCS), Helena Serra, a dizer que o apoio “é uma mão cheia de nada”. Como acontece frequentemente em países que elevaram a sua burocracia a uma forma de arte, a ausência de apoios radica na regulamentação que enquadra a vida destas crianças.

Tal como as crianças que não conseguem acompanhar o programa normal, estas – que muitas vezes o acham ridiculamente fácil – têm as mesmas regras. “Não há legislação específica, aplica-se a Educação Inclusiva, que pouco ou nada inclui quem tem mais capacidades”, revela a responsável.

Se pensarmos na Educação a duas velocidades (privados vs público); na crescente ausência de professores (sobretudo motivados) na escola pública; na falta de condições de muitas escolas do Estado; na menor exigência dos currículos e quase ausência de exames; nas dificuldades acrescidas das aulas com múltiplas nacionalidades, vemos um padrão e um rumo.

O caminho do Ensino público português arrisca-se a tornar-se, por este meio, uma enorme trituradora de excelência, liminarmente capaz de servir decentemente quem se enquadra no padrão e muito pouco quem fica fora dele.

Colectivamente, parecemos ter já dado como perdida a luta para reter em Portugal os melhores cérebros saídos da geração mais bem preparada de sempre, seja nas universidades, seja depois no mercado de trabalho. Seria um mal maior que abdicássemos de formar estes cérebros em todo o seu potencial.

Lembremo-nos disso quando fizermos a próxima festa – merecida, refira-se – de um ou uma jovem que tira 20 a tudo, faz desporto de competição e está em vários programas internacionais de excelência. Sabemos que ele ou ela não ficam cá, mas é já é bom que sejam de produção nacional.

Lembremo-nos que estes jovens, todos os jovens, os de excelência e os outros, são o nosso recurso mais valioso e a maior esperança para o nosso futuro.

Diário de Notícias
Nuno Vinha
09.05.2026

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404: El Niño vai trazer já este mês temperaturas elevadas ao planeta

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EL NIÑO // METEOROLOGIA

O mês de Abril foi um dos mais quentes de que há registo, tanto em terra como no mar. Avisos deixados pelo Copernicus, o programa da União Europeia para a observação da terra.

O mês de Abril foi um dos mais quentes de que há registo, tanto em terra como no mar. Avisos deixados pelo Copernicus, o programa da União Europeia para a observação da terra.
© Imagem: World Meteorological Organization

O observatório climático europeu refere que se Abril foi quente, maio poderá ser pior com a chegada da tempestade El Niño.

Um fenómeno climático que está a aumentar a temperatura do mar e a provocar alterações em várias partes do globo.

De acordo com as previsões, os cientistas da Copernicus alertam para o facto de este fenómeno possa ser ainda mais forte do que o último registado há 3 anos.

RTP
Sara Araújo de Almeida – RTP Antena 1
08.05.2026

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403: Seis distritos do continente estão hoje sob aviso amarelo devido à chuva

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🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // MAU TEMPO

O IPMA prevê para esta sexta-feira (8 de Maio) no continente céu em geral muito nublado, com ocorrência de períodos de chuva ou aguaceiros, por vezes fortes no sul no fim do dia.

Foto: Leonardo Negrão

Seis distritos de Portugal continental estão esta sexta-feira (8 de maio) e sábado sob aviso amarelo devido à previsão de precipitação, por vezes forte, podendo ser acompanhada de trovoada, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Os distritos de Évora, Faro, Setúbal, Santarém, Lisboa e Beja vão estar sob aviso amarelo por causa da chuva entre as 21h00 de hoje e as 12h00 de sábado.

Os distritos de Leiria, Castelo Branco e Portalegre vão estar sob aviso amarelo entre as 06h00 e as 15h00 de sábado.

O IPMA emitiu também aviso amarelo para os distritos de Faro, Setúbal, Lisboa e Beja entre as 03h00 e as 09h00 de sábado por causa do vento forte com rajadas até 75 quilómetros por hora, em especial no litoral.

Também as regiões montanhosas da ilha da Madeira estão sob aviso amarelo até às 15:00 de hoje devido à previsão de vento forte com rajadas até 95 quilómetros por hora (km/h).

O aviso amarelo, o menos grave de uma escala de três, é emitido sempre que existe uma situação de risco para determinadas actividades dependentes da situação meteorológica.

O IPMA prevê para hoje no continente céu em geral muito nublado, com ocorrência de períodos de chuva ou aguaceiros, por vezes fortes no sul no fim do dia.

Está prevista também intensificação do vento no litoral e terras altas a partir da tarde, pequena subida da temperatura mínima e pequena descida da máxima, em especial no interior.

As temperaturas mínimas vão oscilar entre os 7 graus Celsius (na Guarda) e os 13 (em Aveiro) e as máximas entre os 13 graus (na Guarda) e os 22 graus (Santarém, Leiria, Évora e Beja).

Para o arquipélago da Madeira está previsto hoje céu geralmente muito nublado, períodos de chuva, por vezes forte na vertente sul e terras altas da ilha da Madeira até início da manhã, passando a regime de aguaceiros a partir do meio da manhã.

A previsão aponta ainda para vento moderado a forte do quadrante oeste, com rajadas até 70 km/h, soprando forte, com rajadas até 95 km/h, nas terras altas.

No Funchal as temperaturas vão variar entre os 14 e os 21 graus e em Porto Santo entre os 14 e os 20 graus.

Diário de Notícias
DN/Lusa
08.05.2026

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402: A Figura do Dia. Pete Hegseth é o “mal”

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🇵🇹 OPINIÃO

Quando o Secretário da Guerra americano me entra pela casa, procuro o comando para o desmaterializar. Faço-o por repulsa, por incapacidade de tolerar uma energia que contamina, um veneno diabólico que se multiplica.

Pete Hegseth é o “mal”, uma sombra de filme de terror, um toque a reunir das bruxas de todas as encruzilhadas. Pergunto-me da razão para que tantos de nós não percebam o “mal” quando o vêem tão mal mascarado.

Pete Hegseth “tem o corpo tatuado a ódio. No peito, a Cruz de Jerusalém. Nos bíceps, a frase que era o grito dos Cruzados antes a matança: ‘Deus o Quer.’ Num braço, a palavra ‘Infiel’ escrita como se a tinta fosse sangue.”
FOTO: Yuri Gripas / EPA

É um fanático. Como outros na Administração americana. Acabará mal como todos os ícaros, mas até à sua queda fará o que for preciso para abocanhar a fatia maior do bolo que Trump distribui todas as manhãs ao mais fiel dos seus esfomeados lobos.

Tem o corpo tatuado a ódio. No peito, a Cruz de Jerusalém. Nos bíceps, a frase que era o grito dos Cruzados antes a matança: “Deus o Quer.” Num braço, a palavra “Infiel” escrita como se a tinta fosse sangue.

“Pete Hegseth é o ‘mal’, uma sombra de filme de terror, um toque a reunir das bruxas de todas as encruzilhadas. Pergunto-me da razão para que tantos de nós não percebam o ‘mal’ quando o vêem tão mal mascarado.”

Vendo a sua biografia, e a dos mais emblemáticos ditadores, sabemos algumas coisas que lhes são comuns: maltratados na infância, perversos, ressabiados e providencialistas. É lógico e compreensível que pessoas assim não desejem a democracia: deve ser-lhes insuportável aturar um regime onde são obrigados a respeitar os outros meninos e meninas do recreio.

Por isso, as vítimas, todas as vítimas dos fanáticos religiosos, são o preço justo a pagar, a conversão do mundo é a única coisa que conta. Um mundo sempre visto, aos seus olhos, como diabólico.

E o Diabo combate-se com fogo e martírio. Não é novo. É apenas humano, horrorosamente humano.

Diário de Notícias
Luís Osório
Escritor, jornalista e cronista
07.05.2026

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401: Já a pensar no calor do verão? Maio traz chuva e temperaturas abaixo do normal para a época do ano

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🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // MAU TEMPO

O mês de Maio deverá trazer um regresso da instabilidade, com chuva frequente e temperaturas, em geral, abaixo do normal para a época nas duas primeiras semanas, segundo as previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). À medida que o final do mês se aproxima, espera-se uma melhoria do estado do tempo.

Já a pensar no calor do verão? Maio traz chuva e temperaturas abaixo do normal para a época do ano
© sarayut Thaneerat

Se já fez a tradicional transição de guarda-roupa de inverno para primavera/verão, talvez seja melhor recuar e ir buscar aquele casaco mais quente ou uma gabardina. Segundo as previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) para este mês de Maio prevê-se o regresso prolongado da chuva e temperaturas pouco convidativas para esta altura do ano.

O boletim de previsão mensal divulgado esta segunda-feira pelo IPMA refere-se às condições meteorológicas previstas entre os dias 4 e 31 de Maio.

1ª Semana (04/05 a 10/05):

Esta primeira semana de maio, prevê-se chuva ligeiramente acima do normal em algumas zonas do interior Centro, Lisboa e Vale do Tejo e também no Sul (entre 1 mm e 10 mm).

Ao mesmo tempo, as temperaturas deverão ficar ligeiramente abaixo da média (entre -1,5 °C e -0,5 °C) para a época nas mesmas regiões, bem como no interior Norte.

2ª Semana (11/05 a 17/05):

A chuva deverá manter-se acima do normal em todo o território, com valores mais elevados no litoral Norte, onde a precipitação poderá ultrapassar os 10 a 30 mm.

Quanto à temperatura, deverá continuar a registar valores abaixo da média em todo o país (-1.5°C a -0.5°C).

3ª Semana (18/05 a 24/05):

Na terceira semana de maio, a chuva começa a dar tréguas e não se espera precipitação acima do normal. As temperaturas deverão subir ligeiramente (entre +0.5°C a +1.5°C), ficando acima da média em quase todo o país, excepto no litoral Centro e no Algarve.

4ª Semana (25/05 a 31/05):

Embora o IPMA não adiante informação detalhada sobre o estado do tempo na última semana do mês, prevê-se que as temperaturas se mantenham amenas e sem registo de chuva, com o país a preparar-se para entrar no mês em que começa oficialmente o verão.

SIC Notícias
Mariana Jerónimo
05.05.2026
Mariana Jerónimo

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400: O ‘Chic Nic’ da vergonha e Carlos Moedas

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🇵🇹 OPINIÃO

Lisboa não precisa de cenários “instagramáveis” pagos com dinheiro público. Precisa de políticas consistentes, transparentes e justas – que apoiem o movimento associativo, as colectividades e programas essenciais para os bairros, como o BIP/ZIP.

A decisão do Executivo liderado por Carlos Moedas de isentar de taxas e financiar o evento Chic Nic com 75 mil euros não é apenas muito discutível – revela uma visão de cidade que privilegia uma certa aparência “chic” em detrimento das necessidades reais. Num contexto em que o custo de vida aumenta diariamente, um punhado de privilegiados levou cestas de 300 euros para o Parque Eduardo VII num evento comercial financiado com dinheiro público. Quando se abdica de receitas municipais e se canalizam recursos públicos para um evento desse tipo, a pergunta impõe-se: quem beneficiou, que contrapartidas para a cidade?

Não foram, decerto, as associações de bairro, os projectos comunitários ou os agentes culturais que lutam todos os dias para manterem actividades com impacto social. Esses continuam a enfrentar candidaturas complexas, atrasos e apoios insuficientes. O contraste é evidente. Para uns há financiamentos fáceis, para outros só atrasos e exigências.

Lisboa enfrenta desafios sérios: dificuldades no acesso à habitação, pressão sobre serviços públicos, falta de financiamento nas cantinas escolares, falta de auxiliares nas escolas e fragilidades nas respostas sociais. No caso do programa BIP/ZIP, da responsabilidade da autarquia, projectos aprovados para 2025 receberam apenas 15% do financiamento previsto. Os atrasos colocam em risco iniciativas em áreas críticas como educação, envelhecimento e saúde mental.

Há igualmente associações a endividarem-se para pagar salários e para conseguirem manter respostas a pessoas em situação de sem-abrigo ou vítimas de violência doméstica, devido a incumprimentos da Câmara Municipal de Lisboa. O futuro do próprio programa BIP/ZIP – em vigor desde 2010 e considerado internacionalmente um exemplo de participação – é, neste momento, incerto.

Perante este cenário, a escolha de canalizar recursos públicos para eventos com forte componente comercial e destinados a uma elite é vincadamente simbólico. Indica um rumo político da cidade virado para o privilégio dos que só entendem a cidade como espaço de negócio, de especulação e de segregação social, em que os interesses do mercado constituem a orientação essencial. Moedas, agora com o apoio da extrema-direita que lhe deu a maioria, está a cumprir o seu programa.

Lisboa merece mais do que políticas para o 1% de privilegiados, enquanto os 99% enfrentam dificuldades e lutam por uma vida mais justa. Merece políticas que promovam a igualdade e coloquem os cidadãos no centro das decisões – não apenas como figurantes de uma fotografia bem composta, mas como protagonistas de uma cidade mais justa.

Diário de Notícias
Paula Marques
Dirigente da Associação Política Cidadãos Por Lisboa
07.05.2026

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OMS garante que o risco representado pelo hantavírus “é fraco” e não é comparável com a covid-19

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OMS // HANTAVÍRUS

Tedros Adhanom Ghebreyesus diz que há “oito casos suspeitos”, sendo que “três pacientes foram retirados” do navio cruzeiro “há apenas umas horas”.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, director-geral da OMS.
FOTO: EPA/MARTIAL TREZZINI

O risco representado pelo hantavírus identificado num navio de cruzeiro ao largo de Cabo Verde é fraco e não é comparável com a covid-19, declarou esta quarta-feira, 6 de maio, à AFP o director da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Interrogado em Genebra pela agência de notícias francesa sobre o nível de urgência deste foco de vírus a bordo do HV Hondius no Atlântico, o director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, estimou que a aparição do hantavírus não é semelhante ao da covid-19 na sua fase inicial.

“Neste momento, o risco para o resto do mundo é fraco”, estimou o director da organização.

“Actualmente, temos oito casos suspeitos. Três pacientes foram retirados há apenas umas horas”, disse ainda Tedros Adhanom Ghebreyesus, referindo-se a dois membros da tripulação que adoeceram e a uma pessoa assintomática identificada como caso de contacto do vírus.

O navio de cruzeiro HV Hondius, que navegava com cerca de 150 pessoas a bordo entre Ushuaia, na Argentina, e as Canárias, parou em Cabo Verde e desembarcou hoje os três passageiros, que foram transportados em aviões medicalizados.

O navio esperava, após esta evacuação, rumar a Tenerife, no arquipélago das Canárias, onde deverá atracar “dentro de três dias”, segundo as autoridades espanholas.

“A partir daí, é claro, os restantes passageiros regressarão aos seus respectivos países”, acrescentou Tedros, confirmando as declarações feitas pouco antes pela ministra da Saúde espanhola, Mónica García Gómez.

“Já temos a bordo profissionais de saúde, incluindo pessoal da OMS. E continuaremos a monitorizar e a apoiar as pessoas a bordo. Acompanharemos também a situação no exterior”, acrescentou o director-geral da OMS.

Dois passageiros recentes do MV Hondius deram positivo em Joanesburgo e Zurique, onde se encontram hospitalizados.

Diário de Notícias
DN/Lusa
06.05.2026

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398: Dois chefes da PSP e 13 agentes entre detidos no caso da esquadra do Rato. IGAI admite abrir mais processos

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🇵🇹 PORTUGAL // POLÍCIA DE “SEGURANÇA” PÚBLICA // DETENÇÕES // JUSTIÇA

Os 15 polícias estão detidos no Comando Metropolitano de Lisboa da PSP para depois serem ouvidos em primeiro interrogatório judicial por um juiz de instrução que irá determinar as medidas de coação.

Foto: Gerardo Santos

Dois chefes da PSP e 13 agentes estão entre os 15 polícias detidos na terça-feira por suspeitas de tortura e violações na esquadra do Rato, em Lisboa, disse esta quarta-feira, 6 de maio, à Lusa fonte ligada ao processo.

Os 15 polícias estão detidos no Comando Metropolitano de Lisboa da PSP para depois serem ouvidos em primeiro interrogatório judicial por um juiz de instrução que irá determinar as medidas de coação.

Com a detenção dos 15 polícias na terça-feira aumenta para 24 o número de elementos da Polícia de Segurança Pública envolvidos no processo de alegadas torturas e violações a pessoas vulneráveis como toxicodependentes, estrangeiros e sem-abrigo na esquadra do Rato, numa investigação denunciada pela PSP.

Muitos desses abusos foram filmados e partilhados em grupos de WhatsApp com dezenas de outros agentes.

Na terça-feira, o Ministério Público e a PSP realizaram 30 buscas, domiciliárias e em esquadras, tendo sido detidos 15 polícias e um civil, num inquérito que investiga a eventual prática de crimes como “tortura grave, violação, abuso de poder, ofensas à integridade física qualificadas”, segundo um comunicado sobre um inquérito tutelado pelo Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, relativo a factos ocorridos nas esquadras do Rato e do Bairro Alto.

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, afirmou que os 15 polícias visados exercem funções e “de alguma forma poderão ter interagido com o comportamento desviante” ocorrido em 2024 e 2025 na esquadra do Rato.

Na terça-feira, decorreu a terceira operação policial desde Julho de 2025 relacionada com alegações de tortura e violação por polícias de pessoas detidas na esquadra do Rato.

Na primeira, foram detidos dois agentes da PSP, de 22 e 26 anos, e que vão ser julgados por crimes de tortura, violação e abuso de poder, entre outros, determinou em 27 de Abril de 2026 o Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa.

Outros sete polícias foram detidos em Março de 2026 e estão aguardar em prisão preventiva o desfecho da investigação, que poderá ou não culminar numa acusação do Ministério Público pelos mesmos crimes.

O caso deu origem a nove processos disciplinares e um processo de inquérito, este último sobre os polícias que assistiram aos vídeos das agressões partilhados num grupo de WhatsApp, adiantou, na altura, o inspector-geral da Administração Interna, Pedro Figueiredo.

O director nacional da PSP reiterou na terça-feira que a instituição tem “tolerância zero” perante alegações como a de tortura de detidos na esquadra do Rato, em Lisboa, defendendo que os cidadãos “podem continuar a confiar” na força policial.

IGAI admite abrir mais processos disciplinares a polícias

A Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI) admitiu entretanto a abertura de mais processos disciplinares após a detenção de 15 polícias no âmbito do caso de violência policial na esquadra do Rato, em Lisboa, revelou hoje aquele organismo.

“Em função das notícias avançadas ontem [terça-feira] e dos novos elementos que forem enviados, será ponderada a abertura de mais processos disciplinares”, refere a IGAI numa resposta enviada à Lusa após terem sido detidos na quarta-feira 15 polícias, dois chefes da PSP e 13 agentes, por suspeitas de tortura e violações na esquadra do Rato.

No âmbito do caso de violência policial da esquadra da PSP do Rato, em que as primeiras duas detenções foram feitas em Julho de 2025, a IGAI abriu nove processos disciplinares e um processo de inquérito, que estão todos – segundo aquela inspecção – “em fase de instrução e sujeitos a segredo”.

O inspector-geral da IGAI avançou na altura que o processo de inquérito está relacionado com os polícias que assistiram aos vídeos das agressões partilhados num grupo de WhatsApp.

Diário de Notícias
DN/Lusa
06.05.2026

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397: Cabaz alimentar volta a subir: Custa já 261,89 euros

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🇵🇹 PORTUGAL // CABAZ ALIMENTAR

O cabaz essencial de 63 produtos, monitorizados pela Deco Proteste, voltou a subir esta semana para 261,89 euros, mais 3,37 euros do que na semana passada, atingindo o valor mais elevado desde 2022.

© Shutterstock

Após uma descida na semana passada, o cabaz volta a aumentar e atingir o valor mais elevado desde o início da monitorização, em 2022, referiu a organização de defesa do consumidor em comunicado.

A cesta alimentar inclui carne, congelados, frutas e legumes, lacticínios, mercearia e peixe.

Entre outros, são considerados produtos como peru, frango, carapau, pescada, batata, cenoura, banana, maçã, laranja, arroz, esparguete, açúcar, fiambre, leite, queijo e manteiga.

Entre 29 de Abril e 06 de Maio, os três produtos que mais aumentaram de preço foram o atum posta em óleo vegetal aumentou para 1,54 euros (+20% que na semana anterior), a massa esparguete passou a custar 1,13 euros (+15%) e o queijo curado fatiado embalado subiu para 2,61 euros (+14%).

Segundo a Deco Proteste, há um ano, era possível comprar os mesmos produtos por menos 22,94 euros (menos 6,60%).

Já no início de 2022, era possível gastar menos 74,19 euros (uma diferença de 39,52%)

Em relação ao ano passado, as maiores subidas de preços verificaram-se em produtos como a couve-coração (44%, custando actualmente 2,02 euros por quilograma), o robalo (34%, situando-se actualmente nos 10,33 euros por quilograma) e os brócolos (31%).

Desde 05 de Janeiro, os maiores aumentos foram registados na carne de novilho para cozer (124% para 13,04 euros por quilograma), a couve-coração (103% para 2,02 euros por quilograma) e os ovos (84% para 2,10 euros).

Notícias ao Minuto
06.05.2026

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