🇵🇹 OPINIÃO
São já algumas dezenas os agentes da PSP presos preventivamente ou detidos por dezenas de crimes graves que terão sido praticados em esquadras do centro de Lisboa. “Presos por sodomizar sem-abrigo”, lia-se há pouco no rodapé de um noticiário na televisão. Na verdade, deve este ser o gang mais perigoso em acção na capital, o que é uma tristíssima ironia.
Naturalmente que os processos judiciais estão a decorrer e apenas há condenações, ou não, após os devidos julgamentos. Os sindicatos da polícia têm explicado estes factos com a “juventude” dos agentes em causa. Mas há algo aqui de especialmente mórbido, desde logo pela dimensão de que falamos: a gravidade dos crimes e o número de agentes envolvidos. A juventude dos agentes explica esta realidade? Bem, também há jovens bancários e jovens entregadores de pizzas… Faz parte da natureza das coisas. E o facto de terem uma arma à cintura só torna o seu comportamento mais inaudito.
Destes agentes, uns praticam os crimes originais, outros praticam outros crimes sucessivos, desde logo o de partilharem vídeos de agressões ou omitirem o seu dever de auxílio ou de denúncia. Mas esta escala de violência e de cumplicidade só é possível seguramente com um conhecimento mais amplo dentro da instituição policial. E com falhas muito graves daqueles que chefiam e sobre os quais ainda mais responsabilidades recaem.
Não chega o que se conhece hoje para virem as demissões devidas? É esta a cultura policial a que se chegou em 2026? Não há ninguém que consiga assumir que o que sucedeu é demasiado grave e representa não apenas falhas de funcionários em concreto, mas uma óbvia falha institucional gritante, que envergonha a polícia e o país e que tem de fazer mudar muita coisa?
Espera-se que esta seja uma das prioridades do novo ministro da Administração Interna. Já houve um tempo em que se decapitavam pessoas em postos policiais. Não se quer regressar a esse período.
E… Imigrantes, toxicodependentes, pessoas sem-abrigo – os alvos. É o uso da força contra os mais fracos, a cobardia no seu esplendor. Sente-se a vergonha alheia em relação aos demais polícias, os que são decentes e cumpridores, os que vêem na sua profissão uma oportunidade para ajudar outros, normalmente em situações difíceis.
Só a PSP sabe quem são estas pessoas com quem agora a Justiça lida. Foi a PSP que os recrutou, que os formou, que lhes atribuiu funções, que os supervisionou. Que falhanço, rotundo, sistémico! Quando tudo falha, é boa altura para reconstruir quase tudo.
Diário de Notícias
06.05.2026
Miguel Romão




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Há decisões que não fazem barulho imediato, mas que deixam um eco prolongado na qualidade da democracia. Recusar a partilha de informação sobre o financiamento dos partidos é uma delas. Não é um tema mobilizador à superfície, porém, diria eu, toca no nervo central da confiança política.
Influenciar é um comportamento tão comum como a natureza humana. A larga maioria dos seres humanos já influenciou, ou tentou influenciar, outros seres humanos.
Três mortes. Este é um número que deveria ser repetido várias vezes durante a Comissão Parlamentar de Inquérito ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) sobre o impacto da greve às horas extraordinárias dos técnicos de emergência pré-hospitalar que teve lugar entre 30 de Outubro e 4 de Novembro de 2024. Pois estas foram as mortes associadas pela Inspecção-Geral das Actividades em Saúde à paralisação das 12 ocorridas naquele período e que levantaram suspeitas sobre o socorro.


Todos os anos vamos para a rua pôr à vista uma realidade que contraria as ilusões instiladas pela extrema-direita na opinião pública – que a maioria o da população se reconhece no 25 de Abril, que os jovens não viraram as costas ao 25 de Abril e que a crítica a determinadas políticas públicas do Estado, seja de que área política elas venham, não quer dizer que rejeitemos a forma democrática de governo.