396: Ainda há um director na PSP?

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🇵🇹 OPINIÃO

São já algumas dezenas os agentes da PSP presos preventivamente ou detidos por dezenas de crimes graves que terão sido praticados em esquadras do centro de Lisboa. “Presos por sodomizar sem-abrigo”, lia-se há pouco no rodapé de um noticiário na televisão. Na verdade, deve este ser o gang mais perigoso em acção na capital, o que é uma tristíssima ironia.

Naturalmente que os processos judiciais estão a decorrer e apenas há condenações, ou não, após os devidos julgamentos. Os sindicatos da polícia têm explicado estes factos com a “juventude” dos agentes em causa. Mas há algo aqui de especialmente mórbido, desde logo pela dimensão de que falamos: a gravidade dos crimes e o número de agentes envolvidos. A juventude dos agentes explica esta realidade? Bem, também há jovens bancários e jovens entregadores de pizzas… Faz parte da natureza das coisas. E o facto de terem uma arma à cintura só torna o seu comportamento mais inaudito.

Destes agentes, uns praticam os crimes originais, outros praticam outros crimes sucessivos, desde logo o de partilharem vídeos de agressões ou omitirem o seu dever de auxílio ou de denúncia. Mas esta escala de violência e de cumplicidade só é possível seguramente com um conhecimento mais amplo dentro da instituição policial. E com falhas muito graves daqueles que chefiam e sobre os quais ainda mais responsabilidades recaem.

Não chega o que se conhece hoje para virem as demissões devidas? É esta a cultura policial a que se chegou em 2026? Não há ninguém que consiga assumir que o que sucedeu é demasiado grave e representa não apenas falhas de funcionários em concreto, mas uma óbvia falha institucional gritante, que envergonha a polícia e o país e que tem de fazer mudar muita coisa?

Espera-se que esta seja uma das prioridades do novo ministro da Administração Interna. Já houve um tempo em que se decapitavam pessoas em postos policiais. Não se quer regressar a esse período.

E… Imigrantes, toxicodependentes, pessoas sem-abrigo – os alvos. É o uso da força contra os mais fracos, a cobardia no seu esplendor. Sente-se a vergonha alheia em relação aos demais polícias, os que são decentes e cumpridores, os que vêem na sua profissão uma oportunidade para ajudar outros, normalmente em situações difíceis.

Só a PSP sabe quem são estas pessoas com quem agora a Justiça lida. Foi a PSP que os recrutou, que os formou, que lhes atribuiu funções, que os supervisionou. Que falhanço, rotundo, sistémico! Quando tudo falha, é boa altura para reconstruir quase tudo.

Diário de Notícias
06.05.2026
Miguel Romão

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395: Fisco alerta para ‘e-mails’ e SMS falsos enviados para roubo de dados pessoais

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🇵🇹 PORTUGAL // FISCO // FRAUDES

Autoridade Tributária e Aduaneira realça que não “solicita pagamentos através de ‘links’ enviados por ‘e-mail’ ou SMS”.

Foto: Leonardo Negrão

A administração fiscal avisou esta segunda-feira, 4 de maio, que estão a circular mensagens de ‘e-mail’ e SMS fraudulentas em nome do fisco com o objectivo de roubar dados pessoais e bancários dos contribuintes.

Numa nota publicada no Portal das Finanças, a Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) alerta que as mensagens são “enviadas por pessoas que se fazem passar pela instituição” e que as “comunicações fraudulentas incluem ‘links’ maliciosos e têm como objectivo obter dados pessoais ou bancários, num esquema conhecido como ‘phishing’”.

O fisco sublinha que só envia e-mails de “endereços terminados em @at.gov.pt” e que, nessas mensagens, nunca inclui “’links’ para inserir, alterar ou confirmar dados pessoais ou fiscais”.

Da mesma forma, vinca, não “solicita pagamentos através de ‘links’ enviados por ‘e-mail’ ou SMS”.

A AT sublinha ainda que só envia comunicações informativas aos contribuintes que activaram o envio de ‘e-mails e SMS’ e que “têm os seus contactos (‘e-mail’ e telemóvel) confirmados no Portal das Finanças”.

As comunicações enviadas centralmente pela Autoridade Tributária “estão disponíveis no Portal das Finanças, onde os contribuintes podem aceder com segurança a todas as mensagens”, enquadra a AT, explicando que, para as consultar, “basta iniciar sessão, autenticar-se e, no menu lateral, seleccionar a opção ‘Comunicações’”.

Noutros avisos anteriores, a AT incluiu réplicas de algumas mensagens deste tipo, nas quais os atacantes alegam que os contribuintes têm pagamentos de impostos por realizar e que o devem fazer até um determinado dia para evitarem uma suposta penhora do fisco.

Relativamente ao acesso ao site, a AT sugere no aviso de hoje que os cidadãos confirmem “sempre que o endereço começa por https://, garantindo uma ligação segura”.

Depois de se autenticarem, os contribuintes “podem consultar os seus dados pessoais e fiscais, incluindo declarações, documentos de pagamento e processos”, refere.

No folheto informativo sobre segurança da informação, disponível no Portal das Finanças, a AT recomenda aos contribuintes que suspeitem de ‘links’ e ficheiros enviados por mensagens electrónicas ou SMS, sugere que não respondam às mensagens que suscitam dúvidas, que não cliquem em ‘links’, que não descarreguem ou abram ficheiros, que não forneçam “as suas credenciais para acesso ao Portal das Finanças” e que apaguem as mensagens “de origem desconhecida ou de conteúdo duvidoso”.

Diário de Notícias
DN/Lusa
04.05.2026

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394: Estações alongam-se, pólen aumenta: saiba como se proteger

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🇵🇹 PORTUGAL // SAÚDE // PÓLEN

O bom tempo está a instalar-se e, com fins de tarde mais longos e temperaturas mais altas, a primavera traz um presente menos desejado: as alergias.

Pessoas sentam-se sob as cerejeiras em flor no St James’s Park, em Londres.
© Copyright 2024 The Associated Press. All rights reserved

Todos os anos, milhões de pessoas trocam os espirros das constipações de inverno pelos espirros provocados pelo pólen.

Quando chega a primavera, as árvores iniciam a sua libertação anual de pólen, começando pelas aveleiras e amieiros, seguindo-se as bétulas, freixos e carvalhos ao longo da estação, antes de as gramíneas assumirem no verão.

A alergia ao pólen desencadeia-se quando as moléculas presentes no ar entram em contacto com as vias respiratórias e com os olhos. O sistema imunitário pode então reagir e libertar histamina, o que provoca inflamação, dilata os vasos sanguíneos e leva a nariz a pingar, olhos a lacrimejar e sensação de ardor.

O início, a duração e a intensidade da estação do pólen variam todos os anos e dependem das condições meteorológicas e dos ciclos fisiológicos das plantas.

“As árvores são organismos naturais; seguem de facto um ciclo de produção de pólen, com anos mais fortes seguidos de um ano mais fraco, em que acumulam energia”, explicou à Euronews Health Astha Tiwari, cientista da unidade de micologia e aerobiologia do instituto de saúde pública belga Sciensano.

Acrescentou que a produção de pólen exige muita energia às árvores, pelo que a anos fortes sucedem-se sempre anos mais fracos.

Estão as estações de pólen a tornar-se mais intensas?

A prevalência de alergia ao pólen na população europeia é estimada em 40%, o que faz deste um dos alergénios mais comuns na região.

Regista-se uma prevalência mais elevada nas zonas urbanas, devido a factores como a poluição e alterações nos estilos de vida.

“Se olharmos para os resultados da última década, vemos que as estações de pólen estão a ficar mais longas, começam um pouco mais cedo e a intensidade de pólen está a aumentar”, afirmou Tiwari.

Acrescentou que isto estará potencialmente ligado às alterações climáticas, já que temperaturas mais amenas são ideais para que árvores e plantas floresçam mais cedo, fazendo com que o período de polinização comece antecipadamente.

Um estudo que acompanhou, ao longo de 30 a 44 anos, dados de pólen de estações de monitorização na Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo concluiu que a maioria das espécies arbóreas registou um aumento global dos níveis anuais de pólen e dos valores de pico, bem como um início mais precoce da estação do pólen.

O aumento das temperaturas e das concentrações atmosféricas de dióxido de carbono estimula o crescimento das plantas e reforça a produção de pólen, prolongando as estações e elevando as concentrações no ar.

As pessoas tornam-se mais sensibilizadas a um alergénio quanto mais tempo lhe estiverem expostas; assim, com mais plantas a produzir mais pólen durante períodos mais longos, é expectável um aumento das alergias relacionadas com o pólen.

Investigadores da Universidade de East Anglia, em Inglaterra, estimam que o número de pessoas que sofrem de febre dos fenos causada pelo pólen de ambrosia possa duplicar dos actuais 33 para 77 milhões até 2050.

Como se pode proteger?

A poluição e o pólen formam um ciclo vicioso, alimentando-se mutuamente e aumentando a sensibilidade das pessoas.

Verificou-se que a poluição atmosférica, em particular o dióxido de azoto, o ozono e as partículas em suspensão, pode

Alterar quimicamente as moléculas de pólen, tornando-as mais alergénicas e agressivas.

Nem todas as pessoas são igualmente sensíveis ao pólen, nota Tiwari. Mesmo concentrações baixas de pólen no ar podem desencadear sintomas de alergia em pessoas muito sensíveis.

As reacções alérgicas ao pólen podem afectar o sono, prejudicar o bem-estar mental e diminuir a qualidade de vida, provocar perdas de produtividade ou reduzir o desempenho escolar das crianças, segundo o Observatório Europeu do Clima e da Saúde.

Ainda assim, há medidas que se podem seguir para minimizar a exposição nos dias de maior concentração de pólen.

Uma medida simples passa por manter as janelas de casa fechadas durante o dia. Para arejar, é preferível abri-las de manhã cedo ou ao final do dia, quando as concentrações de pólen no ar são mais baixas.

Tomar banho ao voltar a casa e mudar de roupa também ajuda a reduzir a quantidade de pólen que entra em casa e, sempre que possível, é melhor secar a roupa no interior.

Quando se sai à rua, os óculos de sol podem ajudar a evitar que as partículas entrem nos olhos. Como os alergénios aderem à superfície das lentes de contacto reutilizáveis, lentes descartáveis ou óculos são opções mais seguras.

Tiwari acrescentou ainda que as zonas costeiras podem ser benéficas para as pessoas com alergias, já que a brisa marítima e a menor densidade de vegetação reduzem a quantidade de pólen no ar.

Euronews Português
Marta Iraola Iribarren
03.05.2026

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393: Temperaturas voltam a descer e há forte probabilidade de chuva em todo o país

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🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // MAU TEMPO

Este fim de semana, as temperaturas vão voltar a descer nas regiões Norte e Centro. As previsões apontam para uma elevada probabilidade de chuva em todo o país.

Temperaturas voltam a descer e há forte probabilidade de chuva em todo o país
© japatino

Este sábado e domingo estão previstos ainda aguaceiros para a parte da tarde.

As temperaturas mínimas irão rondar os 8 graus na Guarda e os 14 graus em Faro. Já máximas estarão situadas entre os 20 graus em Setúbal e os 13 graus na Guarda.

“Portugal vai ter um clima mais seco, mas fenómenos extremos de chuva vão aumentar”

No espaço semanal ‘No Olho do Furacão’, Duarte Costa, especialista em alterações climáticas e comentador da SIC, explica que a Europa aquece cada vez mais e mais rápido e que os fenómenos extremos, como secas ou cheias, vão tornar-se mais frequentes.

SIC Notícias
02.05.2026

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392: Quero saber quem financia a política, e tu?

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🇵🇹 OPINIÃO

EU também quero…

Há decisões que não fazem barulho imediato, mas que deixam um eco prolongado na qualidade da democracia. Recusar a partilha de informação sobre o financiamento dos partidos é uma delas. Não é um tema mobilizador à superfície, porém, diria eu, toca no nervo central da confiança política.

Para os partidos, as vantagens são evidentes. Menos escrutínio significa maior margem de manobra, já que permite gerir apoios, donativos e relações com financiadores com menor exposição pública, reduzindo o risco de desgaste mediático e de leituras simplistas ou instrumentalizadas. Num sistema político pressionado por ciclos noticiosos rápidos, a opacidade pode parecer uma forma de protecção e, acrescenta-se, também evita que cada contribuição seja imediatamente convertida em suspeita, num ambiente em que a desconfiança se instala com facilidade.

Mas aquilo que protege a curto prazo fragiliza a longo prazo: a democracia vive de confiança, e a confiança exige transparência. Quando os cidadãos não conseguem perceber quem financia quem, abrem-se espaços para a suspeita, para a ideia de que existem interesses ocultos a condicionar decisões públicas. Mesmo que não existam, a simples possibilidade mina a credibilidade do sistema. E uma democracia sem credibilidade entra num terreno perigoso, no qual o populismo encontra alimento fácil.

Existem boas-práticas internacionais que apontam noutro sentido, veja-se o que fazem tantos outros países por esse mundo fora. Existem opções claras de transparência activa com a divulgação acessível e compreensível das fontes de financiamento. Mais: existe a prática de realizar auditorias independentes e regulares. E ainda uma definição rigorosa de limites para donativos individuais e empresariais. E, sobretudo, existe uma cultura de prestação de contas que não é tão somente formal, é assumida como parte integrante da ética política.

A política exige responsabilidade acrescida, porque lida com o interesse público e, por isso, os códigos de conduta devem ser claros, os mecanismos de fiscalização eficazes e deverá existir comunicação frontal sobre financiamento. Nada disto é acessório, são condições mínimas de legitimidade. Digo eu e não creio que esteja sozinha.

Diário de Notícias
Patrícia Reis
Jornalista e escritora
30.04.2026

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391: Influenciadores

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🇵🇹 OPINIÃO

As redes sociais, com o seu gosto pela boçalidade e o insulto, nivelaram o discurso por baixo, convertendo todas as pessoas, por mais tolas, imbecis ou ignorantes que sejam, em potenciais influenciadores, capazes de condicionar as acções de um cada vez maior número de “seguidores”, tão tolos, imbecis ou ignorantes como eles.

Influenciar é um comportamento tão comum como a natureza humana. A larga maioria dos seres humanos já influenciou, ou tentou influenciar, outros seres humanos.

Os pais influenciam os filhos. Os irmãos mais velhos influenciam os mais novos. Os professores influenciam os seus alunos. Os artistas mais conceituados e respeitados – pintores, escultores, arquitectos, compositores, actores, cantores – influenciam os que se iniciam nas respectivas actividades.

Há mesmo profissionais que desenvolvem a sua actividade no domínio específico da influência: vendedores, especialistas em marketing, políticos, críticos literários, musicais, teatrais, cinematográficos, lobbyists.

Neste contexto, foi-me difícil compreender o que haveria de especial na palavra “influenciador”. Consultado o dicionário – no caso, da Porto Editora –, além da definição óbvia de influenciador como aquele que influencia, surge o influenciador digital: “Pessoa que, por reunir um grupo significativo de seguidores em redes sociais ou plataformas de comunicação online, tem a capacidade de gerar interesse em determinada marca, serviço, produto ou causa, através das referências ou das recomendações que faz nesses meios.”

Nesta longa definição, sobressaem dois aspectos: a natureza predominantemente comercial da influência (as causas aparecem em último lugar) e a existência de seguidores nas redes sociais. O influenciador digital corresponde ao influencer da língua inglesa – ou corresponderia, se a palavra existisse, o que é tudo menos certo. O conceituado dicionário Merriam-Webster, por exemplo, ignora o termo, limitando-se a referir a palavra influence e alguns seus derivados, como influenced.

O que há de peculiar no uso actual (com não mais de meia dúzia de anos) dos termos influencer ou “influenciador” é que aqueles que assumem, ou pretendem, sê-lo o consideram uma profissão. Ora, se tivermos presente a definição do dicionário português, tal profissão consistiria em ganhar a vida através da influência exercida, em regra com finalidades comerciais, sobre outras pessoas, através das redes sociais.

Na verdade, como vimos, essa actividade, na sua essência, existe há muito. Sucede que esses “influenciadores” avant la lettre, exerciam a sua influência porque lhes era reconhecida especial qualificação, conhecimentos ou reputação, que tornavam a sua influência – veiculada, em regra, por órgãos da comunicação social – respeitada.

É aqui que entra a segunda parte da definição – as redes sociais.

As redes sociais, com o seu gosto pela boçalidade e o insulto, nivelaram o discurso por baixo, convertendo todas as pessoas, por mais tolas, imbecis ou ignorantes que sejam, em potenciais influenciadores, capazes de condicionar as acções de um cada vez maior número de “seguidores”, tão tolos, imbecis ou ignorantes como eles.

Num mundo de crescente mediocridade, poderíamos mesmo formular uma nova Lei de Murphy: por mais idiota que seja um influenciador, o número dos seus seguidores tende a aumentar.

Diário de Notícias
João Caupers
Antigo presidente do Tribunal Constitucional e subscritor do ‘Manifesto 50+50 pela Reforma da Justiça’
30.04.2026

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390: O ministério onde não se lê jornais ou vê televisão

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OPINIÃO

Três mortes. Este é um número que deveria ser repetido várias vezes durante a Comissão Parlamentar de Inquérito ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) sobre o impacto da greve às horas extraordinárias dos técnicos de emergência pré-hospitalar que teve lugar entre 30 de Outubro e 4 de Novembro de 2024. Pois estas foram as mortes associadas pela Inspecção-Geral das Actividades em Saúde à paralisação das 12 ocorridas naquele período e que levantaram suspeitas sobre o socorro.

Aquelas mortes, bastava uma, deviam ser o suficiente para os responsáveis do Ministério da Saúde mostrarem respeito pelas vítimas e não procurarem usar a burocracia (para não lhe chamar pior) para não assumirem responsabilidades políticas.

Resumidamente a questão é esta: a ministra da Saúde e a antiga secretária de Estado da Gestão da Saúde disseram, desde o primeiro momento, que não tinham recebido o pré-aviso de greve dos técnicos.

E a verdade é que andamos nisto há um ano e cinco meses: ninguém é responsável pela falta de meios do INEM nesses dias.

A piorar a situação, sabemos desde essa altura que no Ministério da Saúde ninguém ouve notícias, lê jornais e vê televisão: chegámos a ouvir que não sabiam de uma greve que foi largamente noticiada. Aliás, acho que no país toda a gente sabia da mesmo, excepto quem trabalha no edifício da Avenida João Crisóstomo, onde funcionam o gabinete da ministra e as secretarias de Estado.

Mas a Lei de Murphy é para levar a sério neste ministério. Se já era difícil entender como é que quem tem responsabilidades governativas, e quem faz a sua assessoria, diz não saber de uma greve bastante anunciada, o que pensar do facto de um e-mail ser enviado para um gabinete, depois reencaminhado para o endereço errado e nenhuma das pessoas que o leu ser capaz de avisar que existia um aviso de greve? Não trabalham em equipa? Nem no mesmo local?

E depois as desculpas: primeiro ninguém tinha conhecimento do pré-aviso e, agora, afinal foi um erro no processamento da informação. Então se foi um erro qual a razão para o tentar “esconder”?

Infelizmente, enquanto assistimos a esta triste novela, não há um assumir de responsabilidades. Lembrem-se: morreram 12 pessoas naquele período e três ficaram associadas à falta de resposta do INEM.

Diário de Notícias
Carlos Ferro
Editor-executivo do Diário de Notícias
30.04.2026

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IPMA: “Vamos ter um agravamento do estado do tempo com precipitação forte”

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🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // MAU TEMPO

As temperaturas máximas vão descer significativamente na quarta-feira podendo ser de menos 8 graus Celsius em algumas regiões do continente, quebrando-se a possibilidade de uma onda de calor, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Chuva
© AWAY magazine

Em declarações à agência Lusa, a meteorologista Maria João Frada disse que a partir de hoje está prevista uma descida das temperaturas máximas, que nos últimos dias têm estado acima da média para a época do ano.

“Hoje ainda vamos ter um dia abafado, mas a partir da tarde, o vento vai rodar para quadrante oeste e vamos ter uma entrada de vento do mar e vai baixar a temperatura”, explicou.

De acordo com a meteorologista do IPMA, na quarta-feira, a temperatura máxima vai ter uma nova descida, mas mais acentuada em vários locais, principalmente nas regiões do norte e centro e Alto Alentejo de 05, 07 e 08 graus e no Baixo Alentejo e Algarve de 04 graus celsius.

“A partir do início da manhã de hoje vamos ter um agravamento do estado do tempo com precipitação forte, que pode ser acompanhada de granizo e trovoada generalizada. Temos já emitido aviso amarelo de precipitação e trovoada em praticamente todo o território, com excepção de Leiria, Setúbal, Lisboa e Faro”, indicou.

O aviso amarelo está também emitido para quarta-feira por causa da precipitação e trovoada para os mesmos distritos.

“Temos um vale nos níveis altos da atmosfera que vai posicionar-se a noroeste do território do continente e dá origem a esta instabilidade. No dia 30 há um alívio, uma melhoria em termos de precipitação, mas continua ainda com alguma nebulosidade e precipitação mais dispersa”, indicou.

Segundo Maria João Frada, já na quinta-feira está prevista uma subida entre 02 a 04 graus.

“Não é previsível que durante esta semana e o início da próxima semana tenhamos valores de temperatura máxima na mesma ordem de valor que temos tido”, referiu.

Para o fim de semana, é expectável o regresso dos aguaceiros e trovoadas, mas ainda a confirmar.

Away
Agência Lusa
28.04.2026

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387: Salário médio anual dos portugueses 38% abaixo da média da UE

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🇵🇹 PORTUGAL // UE // SALÁRIOS MISERÁVEIS

De acordo com um relatório promovido pela Associação Business Roundtable Portugal, verifica-se, em termos absolutos, uma diferença de 15 mil euros.

Leonardo Negrão

O salário médio anual dos portugueses cresceu 1.600 euros entre 2023 e 2024, para 24.800 euros, mas continua 38% abaixo da média da União Europeia, segundo um relatório promovido pela Associação Business Roundtable Portugal.

“Apesar do incremento de 1.600 euros entre 2023 e 2024, o salário médio dos portugueses continuava 38% abaixo da média salarial da União Europeia, que se cifrou em 39.800 euros”, indicou, em comunicado, a associação.

Verifica-se, em termos absolutos, uma diferença de 15.000 euros.

Assim, um trabalhador médio da União Europeia ganha cerca de 60% mais do que um em Portugal.

O salário médio anual em Portugal avançou 7% em 2024, em comparação com o ano anterior, para 24.800 euros.

O relatório hoje divulgado concluiu ainda que o salário médio nacional, naquele ano, ficou cerca de 6% abaixo do que foi praticado pelos países concorrentes – Espanha, Eslovénia, Estónia, Grécia, Hungria, Itália, Polónia e Chéquia -, cuja remuneração média se fixou em 26.300 euros, mais 1.500 euros do que em Portugal.

De acordo com a mesma análise, a diferença salarial entre Portugal e a União Europeia pode ser explicada por factores como a estrutura social do emprego, ou seja, nos últimos anos, o emprego tem crescido em sectores com remunerações médias mais baixas.

Em Portugal, o sector das tecnologias de informação e comunicação (TIC) é o que melhores salários paga (acima dos 40.000 euros) e teve um aumento de 42% no número de trabalhadores entre 2020 e 2024.

Destacam-se ainda os sectores da energia e ambiente e dos transportes (ambos com salários médios anuais de 33.000 euros) e a indústria (25.800 euros).

A Associação Business Roundtable Portugal é composta por 42 líderes de empresas e grupos que, em conjunto, acumulam receitas globais de 124.000 milhões de euros, sendo 59.000 milhões de euros a nível nacional.

No total empregam 424.000 pessoas, 218.000 só em Portugal.

Dinheiro Vivo
DN/Lusa
29.04.2026

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386: O nosso 25 de Abril

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🇵🇹 OPINIÃO

Todos os anos vamos para a rua pôr à vista uma realidade que contraria as ilusões instiladas pela extrema-direita na opinião pública – que a maioria o da população se reconhece no 25 de Abril, que os jovens não viraram as costas ao 25 de Abril e que a crítica a determinadas políticas públicas do Estado, seja de que área política elas venham, não quer dizer que rejeitemos a forma democrática de governo.

Este consenso transcende esquerda e direita e não é exclusivo de velhinhos a tremer pelas suas reformas, pois vimos muitos jovens na rua, com os cravos bem vermelhos a brilhar nas mãos.

Quer isto dizer que não existem problemas com as gerações que não viveram a Revolução e não conheceram o regime que nos foi imposto pela extrema-direita? Não, esse problema existe, essa distância é real, e, como disse o nosso Presidente da República, não podemos pedir aos mais jovens que amem o 25 de Abril por imposição, pois “ninguém ama por decreto ou procuração aquilo que não viveu”.

Por isso teremos de repetir sem quebras o que significou para nós essa data e, sobretudo, o que é viver num país democrático. Teremos de contrariar, com um discurso simples e sem chavões, as falsidades da extrema-direita, de onde surgiu agora a mentira da “facada nas costas” que teria sido dada pelo 25 de Abril a uma Guerra Colonial justa, ganha e aplaudida internacionalmente.

A mentira tem de ser desmentida com clareza, em vez de ser difundida acriticamente por uma comunicação social fascinada com as falsidades, quando as verdades não vendem.

Há uma desilusão com a política, quando a política falha nas promessas que faz aos eleitores. E é fácil, demasiado fácil, atribuir à maldade dos partidos e dos eleitos os fracassos havidos, em lugar de debater as soluções que cada força política propõe (ou não propõe) para os problemas. É que resolver problemas é mais complicado do que gritar “vergonha” no Parlamento e insinuar que um chefe todo-poderoso daria num ápice a felicidade a todos.

Acabar com a corrupção é fácil, quando se dispõe de uma censura eficaz, pois o que não vem a público deixa de existir. Minimizar as falhas dos serviços do Estado é fácil, desde que elimine, por via autoritária, qualquer escrutínio público. Nós lembramo-nos disso. Lembramo-nos da guerra e da miséria, dos interditos e das prisões. Lembramo-nos dos coronéis da censura e dos informadores da PIDE. Lembramo-nos da tortura nas prisões, dos Tribunais Plenários, das medidas de segurança, que permitiam manter um cidadão ou uma cidadã na prisão por tempo indefinido, mesmo sem acusação processual, mesmo com sentença de absolvição lavrada.

Hoje a prioridade política é defendermo-nos dos falsos salvadores.

Viva o 25 de Abril!

Diário de Notícias
Luís Castro Mendes
Diplomata e escritor
29.04.2026

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