446: O carácter que Passos não viu ao espelho

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🇵🇹 OPINIÃO

Há palavras que dizem mais de quem as profere do que de quem estas visam. Foi o que aconteceu na última terça-feira, na Faculdade de Direito de Lisboa, quando Pedro Passos Coelho, a apresentar A Constituição Fluída, de Blanco de Morais, avisou que o político postiço acaba “como um prostituto sem carácter”. Aquilo que pretendeu ser um diagnóstico professoral dos outros acabou por ser um retrato do seu próprio campo.

Começo por aquilo que mais me incomodou, a linguagem. Um antigo primeiro-ministro descer ao registo da taberna e do bordel para fazer política não enobrece o debate, avilta-o. A direita liberal-conservadora gosta de reclamar para si os pergaminhos do decoro e acaba por competir na grosseria com aquilo que diz combater. Quem precisa do insulto para ser ouvido confessa que já não tem ideias para o ser.

Mas o essencial não está no verbo, mas sim no cenário. O cenário, neste caso, é tudo. Passos pronunciou aquelas palavras com André Ventura sentado na primeira fila, num lançamento de pendor identitário, sob o olhar cúmplice do homem que personifica precisamente o que dizia condenar. Há qualquer coisa de irónica comédia nisto: o moralista que denuncia a prostituição pelo aplauso, a ser aplaudido por quem… comprou meio país com o crédito do ressentimento.

Esta é uma fotografia sublime de uma direita que vestiu a fatiota do populismo e já nem se dá ao trabalho de disfarçar o namoro. E é por aqui que o discurso se vira contra o autor, porque o percurso que Passos descreve, o do político que se torna mais populista do que os populistas não é apenas, traço por traço, o de Luís Montenegro, refém do voto do Chega para sobreviver. É também o de Carlos Moedas, que governa Lisboa com entendimentos feitos com o Chega protegidos da luz do escrutínio. Mas é, sobretudo, o do próprio Passos, à procura de uma segunda vida política à boleia de Ventura.

Convém lembrar o que isto significa. Há uma década, dizer que um líder do PSD dependeria da extrema-direita para governar era um insulto. Hoje é o que temos. Essa fronteira apagou-se sem estrondo, à força de orçamentos viabilizados à porta fechada e de indignações encenadas. Passos devia ser o primeiro a reconhecê-lo. Escolheu alimentá-lo: primeiro com a presença, depois com o aplauso, agora com a linguagem.

Faltou-lhe depois a coragem das próprias palavras. Confrontado pelos jornalistas, recusou dizer a quem se referia e refugiou-se nos “labirintos de interpretação”. Atira-se a pedra e esconde-se a mão. É a política sem espinha levada ao limite, que faz barulho para substituir a substância.

Sá Carneiro não confundia firmeza com insulto. A social-democracia que fundou subordinava o mercado à Justiça e media-se pelo carácter, não pela esperteza saloia. Por isso, quando Passos fala em prostitutos sem carácter, fica no ar uma pergunta que ele se recusou a responder. Talvez por saber que a resposta o devolveria, ressentido e inteiro, ao espelho.

Diário de Notícias
Davide Amado
Presidente da Concelhia do PS de Lisboa
01.06.2026

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445: Greve geral. CP alerta para perturbações e divulga serviços mínimos

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🇵🇹 PORTUGAL // CP // GREVE GERAL

Veja como pedir o reembolso total ou troca gratuita para outro comboio.


FOTO: Paulo Spranger

A CP – Comboios de Portugal prevê perturbações na circulação de comboios devido à greve geral de quarta-feira, 3 de Junho, e alerta para possíveis impactos também no dia anterior e seguinte.

A empresa divulgou os serviços mínimos previstos para os comboios urbanos, regionais e de longo curso, os quais podem ser consultados aqui.

Os clientes que já tenham bilhetes para viajar em comboios dos serviços Alfa Pendular, Intercidades, Internacional, InterRegional e Regional, podem pedir o reembolso total, ou troca gratuita para outro comboio da mesma categoria e na mesma classe.

Para reembolso ou troca de forma automática, a CP recomenda, para os bilhetes adquiridos nos canais digitais e até 15 minutos antes da partida do comboio da estação de origem do cliente, o site na área “pós venda”, ou na App MyCP, ou as bilheteiras físicas, antes ou após a data da viagem, e até 10 dias após o fim da greve.

Sujeito a tempos de resposta superiores, poderá também pedir o reembolso através do formulário online “Reembolso por Atraso ou Supressão”.

Diário de Notícias
Sofia Fonseca
30.05.2026

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444: Sai Maio, entra Junho: Calor é para continuar? Eis as previsões do IPMA

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🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // IPMA

A semana entre os dias 1 e 7 de Junho “deverá ser menos quente que a anterior, em particular no litoral”, de acordo com o IPMA, que admite, ainda assim, que “deverão manter-se ainda valores elevados de temperatura máxima no interior”.

calor Portugal Lisboa
© Luis Boza/NurPhoto via Getty Images

Depois de uma segunda quinzena de maio marcada por uma vaga de calor que colocou os termómetros acima dos 30 graus – e, nalguns casos, até acima dos 40.º – o que esperar da primeira semana de Junho?

Para já, a semana que se inicia na próxima segunda-feira “deverá ser menos quente que a anterior, em particular no litoral”, de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Contudo, dizem os meteorologistas, “deverão manter-se ainda valores elevados de temperatura máxima no interior”.

De acordo com a previsão do IPMA para o estado do tempo na semana entre 1 e 7 de Junho, o anticiclone dos Açores “irá deslocar-se ao longo da semana e localizar-se a oeste do arquipélago, devendo estender-se em crista para a Península Ibérica, com o fluxo a ser predominantemente do quadrante oeste. Essa crista não será intensa e irá permitir a passagem de sistemas frontais em dissipação, que originarão alguma precipitação fraca, em especial no litoral Norte e Centro, e influenciarão as temperaturas nas zonas litorais”.

E, se no Interior as temperaturas previstas deverão continuar acima dos valores normais para a época, como vão estar os termómetros? Nas regiões do interior Norte e Centro, a temperatura máxima deverá variar entre 21°C e 31°C, enquanto que na região Sul variará entre 27°C e 35°C. No litoral ocidental “deveremos ter temperaturas máximas entre 19°C e 29°C e no litoral sul deveremos ter temperaturas máximas entre 23°C e 34°C”.

No que toca às temperaturas mínimas, deverão situar-se entre os 8°C e os 17°C nas regiões do interior Norte e Centro e entre 11°C e 17°C na região Sul, sendo que nas zonas litorais os valores deverão variar entre 12°C e 19°C.

Se o arranque do mês de Junho significa, no seu caso, o arranque das férias e início da época balnear, saiba que, no que toca à ida a banhos, as notícias não são muito animadoras: a temperatura da água “terá uma tendência de descida ao longo da semana, devendo apresentar valores entre os 16°C e os 18°C na costa ocidental, sendo que na costa sul se esperam valores entre os 16°C e os 19°C”.

Quanto ao fim de semana, oito distritos de Portugal continental ainda vão estar sob aviso amarelo devido ao tempo quente, pelo menos até às 18 horas de sábado. São eles Beja, Évora, Portalegre, Castelo Branco, Guarda, Viseu, Bragança e Vila Real.

O aviso amarelo, o menos grave de uma escala de três, é emitido sempre que existe uma situação de risco para determinadas actividades dependentes da situação meteorológica.

No domingo, já não deverá haver qualquer distrito sob avisos meteorológicos.

Notícias ao Minuto
Tomásia Sousa
30.05.2026

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443: Ainda nos espantamos com o óbvio

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🇵🇹 OPINIÃO

As manchetes têm-se sucedido nos últimos dias – inclusivamente no Dinheiro Vivo – e parecem espantar toda a gente: caos no aeroporto de Lisboa vai provocar problemas na restauração, nas agências de viagem e na hotelaria nacionais.

Um vídeo da correspondente internacional principal da CNN, Clarissa Ward, tornou-se viral esta semana, depois de a repórter de guerra ter filmado uma fila imensa de pessoas à espera para conseguir passar no controlo de passaportes do aeroporto de Lisboa, enquanto contava a sua própria experiência, nas redes sociais: esperou, perdeu o voo que ia apanhar, continuou à espera…

Confesso que me deixa sempre surpreendida esta capacidade que temos de nos espantarmos com algo que não é novo. Há mais de 50 anos que se fala num novo aeroporto e, na última década, apesar de o discurso se ter inflamado, o resultado foi exactamente o mesmo: zero. No entanto, o Turismo de Portugal, juntamente com associações do sector apostaram significativamente no aumento do turismo, a quem devemos grande parte do desenvolvimento económico a que o país assistiu desde o pico da crise financeira, em 2012.

Ora, não é possível ter mais turistas sem preparar para isso as estruturas que os recebem. Bem que podem aumentar o número de polícias, substituir sistemas, suspender temporariamente o controlo fronteiriço e escrever textos inflamados nos jornais: quando o espaço não estica, não há milagres.

Há uns meses escrevi nestas páginas algo parecido, sobre o aumento significativo do número de habitantes em território português nos últimos cinco anos: tal como acontece quando regamos uma planta, se formos colocando água em quantidades moderadas, a terra consegue absorvê-la; mas se decidirmos despejar um litro e meio de água para o vaso, não há muitas dúvidas de que a água vai transbordar.

No aeroporto – pasme-se! – não é diferente. Por muito que se tente fazer obras, alterar percursos ou regras, o que é certo é que não é possível, naquele espaço, acolher a quantidade de viajantes que as companhias aéreas querem, os hotéis e os restaurantes precisam (porque agora se dimensionaram para estes números recorde) e o país tem recebido. Simples assim.

Lisboa tem-se tornado motivo de chacota internacional porque o aeroporto parece, na verdade, um grande armazém onde nada faz sentido. Os passageiros que chegam e que partem cruzam-se nos mesmos corredores; as filas nos controlos fronteiriços são inenarráveis; os atrasos sucedem-se porque não há, sequer, forma, de garantir que todos os voos previstos saem a horas – é como se o trânsito do aeroporto se juntasse ao da 2.ª Circular, mas sempre em hora de ponta – e a experiência é, na larga maioria das vezes, pouco agradável.

Aliás, recentemente, até a zona do lounge da TAP esteve em obras, o que fez com que várias pessoas se espalhassem pelos corredores, encostadas a plásticos de protecção.

Tudo isto podia ser somente interpretado como falta de respeito pelos passageiros, que pagam cada vez taxas mais elevadas para viajar. Mas na verdade, creio que é até mais grave do que isso. É sintomático de uma cultura de descaso que se tem visto em vários serviços públicos, e que tem sido perpetuada por governantes ao longo das últimas décadas.

Seria fácil resolver a questão do aeroporto se houvesse vontade política para resolver um problema, ao invés de estarem à espera de quem ganha uma guerra de poder onde quem perde são sempre os mesmos: os consumidores e os contribuintes.

Diário de Notícias
Margarida Vaqueiro Lopes
Editora-Executiva do Diário de Notícias
29.05.2026

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442: Trump é bufo, estúpido, psicopata descontrolado. Putin é maquiavélico

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INTERNACIONAL // ENTREVISTAS

Vicente Garrido é criminologista e doutorado em Psicologia pela Universidade de Valência, onde lecciona Criminologia Forense e Pedagogia aplicada ao crime. E é hoje o entrevistado do Notícias ao Minuto, para falar do seu livro “Como detectar um Psicopata”, acabado de publicar em Portugal.


Vicente Garrido
© Mário Alexandre Borges

Estima-se que 1% da população mundial sofra de psicopatia grave, uma percentagem que dispara quando olhamos para cargos de liderança.

Longe do estereótipo do assassino em série, o verdadeiro perigo reside, em grande parte das vezes, naqueles que se misturam na multidão, na sociedade, nas nossas vidas, subindo através da mentira, da manipulação e do (des)controlo de tudo e todos.

Vicente Garrido, um dos nomes mais sonantes em criminologia e psicologia forense de Espanha, lança agora em Portugal o livro “Como Detectar um Psicopata”, um autêntico manual de sobrevivência aos tempos que correm.

Em entrevista exclusiva ao Notícias ao Minuto, o especialista explica por que razão o mundo digital e individualista de hoje pode potenciar estes comportamentos, analisa a mente ‘doente’ de alguns dos grandes líderes geopolíticos da actualidade, como Donald Trump e Vladimir Putin, e deixa um aviso claro: “a nossa intuição avisa-nos” quando estamos em perigo. Às vezes não queremos é ouvi-la.

O psicopata, uma vez que não consegue estabelecer laços humanos significativos, substitui o que para nós é o vínculo afectivo pelo vínculo do poder.

O seu livro “Como detectar um Psicopata” foi publicado recentemente em Portugal. Nele partilha décadas de conhecimento, desmonta mitos comuns e oferece uma análise clara dos “psicopatas integrados”, ou seja, aqueles que não cometem crimes violentos, mas que se misturam na sociedade, manipulam os outros e causam danos significativos. A pergunta que se impõe é: como podemos detetar um psicopata?

Depende do contexto, do lugar a que nos referimos. Se estamos a falar de pessoas que trabalham em instituições, em empresas, no mundo da política ou no mundo financeiro, mas são sempre indivíduos que costumam deixar um rasto de destruição por onde passam. Muito hábeis a manipular, em dividir as pessoas, em mentir e caluniar e em fazer-nos prisioneiros à medida em que vão avançando. Muitas vezes ,dizem mentiras flagrantes mas, o principal a ter em conta é que conseguem convencer as pessoas que têm mais poder para que os promovam e protejam com a sua amizade ou confiança. Quando conquistam isso, desenvolvem-se como pessoas de grande influência e poder e fazem o que querem com o mesmo.

No âmbito das relações pessoais, é muito importante ver o que fazem em vez de ouvir o que dizem e verificar se as coisas que nos contam sobre o passado, sobre o trabalho, sobre as amizades, são verdadeiras. É muito importante usar a intuição, ela avisa-nos quando é necessário prestar atenção, quando nos sentimos inseguros, estranhos, com medo, ansiosos, ou outro tipo de indicador suspeito.

Porque é que a percentagem de pessoas com altos níveis de psicopatia aumenta substancialmente em posições de poder ou liderança. Qual a relação da psicopatia com o poder?

Toda. O psicopata, uma vez que não consegue estabelecer laços humanos significativos, substitui o que para nós é o vínculo afectivo pelo vínculo do poder. Para ele, a sociedade divide-se entre as pessoas que consegue manipular e usar e as pessoas inimigas, que tem de desafiar e vencer. Ou, simplesmente, pessoas que não têm nenhuma relevância e são indiferentes para ele. Por isso, o psicopata, como motivação fundamental, assim como nós temos afecto, compromissos e ideais que orientam o nosso comportamento, tem o controlo e domínio.

Um dos objectivos deste livro era dotar a população, em geral, de ferramentas para detectar psicopatas e para se poder defender deles. Quais os primeiros sinais? Os padrões de comportamento a que devemos estar atentos?

Tal como disse acima, é muito importante ter atenção à nossa intuição. É a primeira defesa que temos. E a intuição surge, por vezes, sob a forma de insegurança, de confusão, de estupefacção, de irritação. Há algo dentro de nós, tanto emocional quanto mentalmente, que nos deixa inquietos e alterados. Isso não significa que a pessoa em questão é necessariamente psicopata. Mas avisa-nos que temos de prestar atenção e devemos ser cautelosos quando nos relacionamos com pessoas que nos transmitem estes sentimentos.

Também é muito importante saber observar. Isso é fundamental, porque muitas vezes não vemos o que não queremos ver. É importante perguntarmos a nós próprios se, como pessoas, como seres humanos com ideias e crenças, cultivar uma relação assim tira o pior de nós, faz-nos ficar mais pobres, invejosos, gananciosos. Se atrapalha o nosso mundo afectivo, os nossos valores. Essas são perguntas muito importantes que devemos fazer a nós próprios.

Como criminologista com mais de três décadas de experiência, terá lidado com muitos psicopatas criminais. Há algum caso que o tenha marcado mais profundamente?

Sem dúvida, o caso de Joaquín Ferrándiz Ventura, um assassino em série que actuou na província de Castellón, em Valência, no final dos anos 90, e que tive a oportunidade de entrevistar pessoalmente e de, antes da sua captura, colaborar com a polícia e a Guarda Civil na sua detenção e identificação, trançando um perfil criminoso.

Donald Trump é uma pessoa que cria o caos, o medo, que divide as pessoas, que gera ódio e violência. Qualquer pessoa que tenha dois dedos de testa percebe que este homem é uma desgraça para a humanidade

No livro explica também que os psicopatas são tão antigos como a espécie humana e lembra que a psicopatia tem uma parte genética. No entanto, o ambiente também tem a sua importância. Acha que a sociedade de hoje em dia está a ‘criar’ mais psicopatas? Porquê?

Não é que haja mais psicopatas, mas as condições ambientais e culturais de hoje em dia favorecem os traços de psicopatia latentes, que podem não ser concretizados depois em comportamento real, mas têm na atual sociedade mais probabilidades de se desenvolver. É a diferença. Não acho que haja uma maior massa genética de psicopatas. A psicopatia tem um componente de predisposição genética, mas o ambiente pode esbater essa tendência, com as condições adequadas. Podemos imaginar essa predisposição como uma espécie de semente. Há sementes psicopáticas em algumas pessoas, mas se estão num ambiente pouco propício para desenvolver esses traços, provavelmente, estes não se desenvolvem. O que acontece é que o mundo encontra-se tão alienado, individualista, competitivo, desolador que perdemos muitas vezes as referências éticas e culturais que tínhamos. Apesar de vivermos num mundo digital, cada vez estamos mais sozinhos, com um aumento da taxa de suicídios e de problemas mentais. Este tipo de mundo é um mundo onde podem prosperar os psicopatas, principalmente quando adicionamos a presença de líderes psicopatas.

Como por exemplo Donald Trump, segundo defende. O que o leva a afirmar que o presidente dos EUA é psicopata?

Fiz o diagnóstico através da análise de milhares de documentos e de horas de gravação sobre ele. Sabemos tudo sobre o seu comportamento, muito mais do que podemos saber de uma pessoa com quem falamos, diversas vezes, em consultório. Além disso, antes de ele ser eleito, já psiquiatras e psicólogos lhe tinham diagnosticado uma personalidade, no mínimo, narcisista. E estes dois anos de segundo mandato demonstraram que estava completamente certo quando escrevi – neste livro – que ele era psicopata. Donald Trump é uma pessoa que cria o caos, o medo, que divide as pessoas, que gera ódio e violência. Qualquer pessoa que tenha dois dedos de testa percebe que este homem é uma desgraça para a humanidade.

Trump é o bufo, o estúpido, o psicopata descontrolado, impulsivo, ignorante em todos os sentidos (…) Já Putin e Netanyahu são muito mais inteligentes e maquiavélicos

E como é que vê a administração Trump a terminar?

Acredito que a única forma do mundo se livrar de Donald Trump é fazer com que as pessoas que o elegeram, defraudadas pela perda de poder aquisitivo, simplesmente o repudiem. Fazer com que parte do Congresso, a parte republicana, comece a perceber que ele é um perdedor e simplesmente o desautorizem, que lhe tirem o poder de uma maneira definitiva. Aliás, já vimos algumas personalidades, algumas vozes a elevarem-se contra ele, nas redes sociais e meios de comunicação social, como Tucker Carlson, que se afastou, publicamente, de Trump, depois do ataque ao Irão.

Qual a melhor maneira de lidar com um psicopata como Donald Trump?

Sem dúvida, sem medo. Desafiando-o. Mostrando que a Europa também tem as suas armas. Porque Donald Trump ama os ditadores: Putin, o presidente chinês, Netanyahu – que não o é de facto, mas actua devido à situação de guerra com poderes ditatoriais -, Orbán, um pseudo-ditador que adoeceu a Europa, através da Hungria, durante tantos anos. Ele ama as pessoas que têm poder. E só respeita uma linguagem, a linguagem do poder. Por isso, quando a Europa se opôs a deixá-lo seguir em frente com a Gronelândia – e outras aventuras-, Trump não teve outro remédio que não começar a ameaçar, a insultar, dizer que ia sair da NATO. Mas, na prática, não fez nada.

E Putin também é psicopata? Netanyahu? Qual a diferença entre estes três líderes?

Sim, Putin também é psicopata. A diferença é que Putin é um psicopata controlado. Precisa de menos aplausos, de ouvir que é um ser maravilhoso. Trump é um psicopata, mas também é narcisista. Tem um narcisismo monstruoso. Acho que não existe na história da política mundial alguém com um narcisismo tão monstruoso. Simplesmente desafia qualquer expectativa e todo entendimento. É assustador. Já Putin é mais controlado. Claro, que ele também é narcisista, porque deseja que todos os outros o reconheçam como alguém forte, poderoso e muito importante. Mas não precisa da aclamação. Não precisa que todos os que estão a seu lado o adorem como se ele fosse a galinha dos ovos de ouro. Trump é muito mais impulsivo, pensa muito menos nas coisas e é profundamente ignorante, coisa que Putin não é. Putin é mais inteligente. Neste sentido, há uma grande diferença. Por outro lado, Putin é maquiavélico, enquanto Trump, na sua maldade, é muito transparente.

Netanyahu, por sua vez, tem traços de psicopatia. É, sem dúvida, autoritário, capaz de matar milhares ou dezenas de milhares de pessoas sem pestanejar. Não o estudei tão profundamente, mas consigo dizer que tem traços muito vincados de psicopatia. A manipulação, a mentira, a crueldade, o desprezo pelas liberdades e direitos constitucionais do seu povo. Não posso defini-lo de uma forma específica porque não o estudei como sujeito, mas, com certeza, ele tem muitos traços de psicopatia.

Resumindo, Trump é o bufo, o estúpido, o psicopata descontrolado, impulsivo, ignorante em todos os sentidos, mas que foi capaz de convencer metade do país de que ele era a resposta, porque ele sempre foi um grande vendedor. E, sinceramente, metade do povo americano renunciou aos critérios morais na hora de escolhê-lo. Já Putin e Netanyahu são muito mais inteligentes e maquiavélicos e sabem utilizar o poder que têm, com as diferenças importantes que existem entre Netanyahu, que, todavia, ainda vive em democracia, apesar de um pouco em suspensão por um estado de guerra, e Putin, que vive numa ditadura.

Nem todas as pessoas más são psicopatas. A psicopatia não tem a exclusividade da maldade. É importante ver se essa pessoa é realmente psicopata ou se é apenas má

Do que conhece de Portugal, arrisca-se a dizer que temos algum psicopata entre os nossos líderes políticos ou com algum cargo de renome?

Não, não estudei os líderes políticos de Portugal, por isso, não posso dizer nada.

De acordo com a sua experiência e investigação, nascemos psicopatas ou tornamo-nos psicopatas?

Ambas as coisas. Temos predisposições e traços, que fazem parte da nossa herança genética, mas depois o ambiente tem muita influência no momento de desenvolver essas características. Nunca alguém com predisposição à psicopatia era o homem ideal ou a mulher perfeita, mas é claro que, num ambiente positivo, num ambiente que fomenta valores e autocontrolo, essa psicopatia pode ser inibida, pelo menos nos seus comportamentos mais graves.

Para terminar, qual é o melhor conselho que o seu livro oferece a alguém que suspeite que tem um psicopata na sua vida?

Confirmá-lo. E se não puder fazer uma confirmação com um diagnóstico psiquiátrico, assegurar-se de que o comportamento dessa pessoa é realmente honesto e sincero. Observe, investigue, pergunte a outras pessoas que a conheçam. No fim de contas, mesmo que alguém seja hábil a manipular e enganar, não pode ocultar realmente quem é, sobretudo nesta sociedade em que vivemos todos interconectados. Não se trata de colocar um selo de psicopata a toda a gente, porque nem todas as pessoas más são psicopatas. A psicopatia não tem a exclusividade da maldade. É importante ver se essa pessoa é realmente psicopata ou se é apenas má. Porém, se nos traz algo negativo e se nos impede de sermos felizes, não precisamos de nenhum diagnóstico. Para sermos felizes, temos de estar com pessoas felizes e honestas.

Notícias ao Minuto
Natacha Nunes Costa
28.05.2026

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441: “O povo está farto”

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🇵🇹 OPINIÃO

Corria um tranquilo sábado, como devem ser todos os sábados, quando o simples e costumeiro gesto de ligar a televisão nos traz a surpresa e a perturbação.

Naquele sábado, sétimo dia da semana, dia de descanso consagrado como tal por várias religiões e, também, na legislação portuguesa desde a década de 60 do século passado, a televisão é porta-voz da afirmação de que “o povo está farto”.

Quando, depois de podar as roseiras e conversar com um amigo de infância, liguei a televisão e, de supetão, antes do almoço em família ouço o senhor primeiro-ministro afirmar que “o povo estava farto”, tive um sobressalto.

Consciente das dificuldades por que passamos, e apesar da minha orientação política diversa, logo tendi a concordar.

Os portugueses estarão certamente desgostosos com a incapacidade de atendimento dos serviços de saúde ou com as dificuldades que a crescente inflação impõe ao seu quotidiano.

Estarão também angustiados por não conseguirem ter a casa que ambicionam, ou os salários que lhes assegurem uma vida digna.

Alguns estarão mesmo cansados de esperar pelos apoios para se recuperarem das recentes catástrofes naturais, apoios que teimam em não chegar.

Estava nestes pensamentos quando percebi que não era deste tipo de realidades que o senhor primeiro-ministro achava que o povo estava farto.

Socorrendo-me da tecnologia que permite ver a qualquer hora, qualquer notícia na sua integralidade, percebi que as preocupações do senhor primeiro-ministro não eram aquelas.

O que disse foi que “o povo não quer eleições, está farto de eleições. O povo já fez a sua opção e em 2029 fará a próxima”.

Ora, aqui chegados, convirá deixar para reflexão colectiva alguns princípios.

O povo não se farta de eleições pela simples razão de que não se farta da democracia e da liberdade de escolha, ou de censura, que a democracia, e só ela, permitem.

Quem encontra a legitimidade do seu cargo no voto soberano do povo não pode, seja em que circunstância for, diminuir ou apoucar esse exercício.

O exercício dos mais relevantes lugares do Estado Português obriga ao conhecimento e rígido respeito pelas leis da República, e todos sabemos que a duração dos mandatos e a marcação de eleições depende da avaliação e decisão de vários órgãos de soberania.

O povo pode estar farto. Mas, não está farto de eleições. Estará, porventura, cansado de programas não-cumpridos. Mas, isso é outro assunto.

Talvez faça aqui sentido citar Francisco Sá Carneiro, em declarações de 1980:

“Democracia representativa significa o funcionamento de órgãos de soberania eleitos e o pleno respeito pela acção da oposição parlamentar…

Posso concordar ou não com as posições alheias, mas respeito os meus colegas e os seus pontos de vista (…). Admito que as opiniões dos outros sejam melhores.”

Nota final: sendo hoje 28 de Maio, e um século passado, tem especial significado não apoucar as eleições e a participação dos cidadãos.

Diário de Notícias
Luís Parreirão
Advogado e gestor
28.05.2026

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440: Semana de muito calor. Que avisos emitiu o IPMA e quais as recomendações da DGS?

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🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // CALOR

As temperaturas mínimas vão oscilar entre os 16 e os 23 graus e as máximas entre os 29 (em Faro e Viana do Castelo) e os 38 (em Santarém e Évora).

Fenómeno das ‘ilhas de calor’ na cidade, onde a temperatura aumenta, ocorre, entre outros motivos, pela falta de árvores.
Leonardo Negrão

Esta semana está a ser marcada por muito calor no território nacional, o que levou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) a emitir avisos. A Direcção-Geral da Saúde (DGS) também está a fazer recomendações à população.

É o resultado de uma onda de calor está a atingir a Europa, com temperaturas recorde para maio. Há alertas das autoridades em países como Espanha, França, Irlanda, Reino Unido, Áustria e República Checa.

As altas temperaturas registadas em grande parte da Europa, acima do normal para maio, obrigaram as autoridades de vários países a emitir alertas de calor e a tomar precauções extremas para evitar incêndios florestais.

Que distritos estão sob aviso meteorológico?

Todos os distritos de Portugal continental, com exceção de Faro, estão esta quarta e quinta-feira sob aviso amarelo devido à previsão de tempo quente, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

O aviso nos 17 distritos vai vigorar entre as 09:00 de hoje e as 18:00 de quinta-feira face à previsão de persistência de valores elevados da temperatura máxima. O aviso amarelo, o menos grave de uma escala de três, é emitido sempre que existe uma situação de risco para determinadas actividades dependentes da situação meteorológica.

O IPMA prevê para esta quarta-feira continuação de tempo quente e aguaceiros no interior Norte e Centro, que serão acompanhados de trovoada e poderão ser ocasionalmente sob a forma de granizo e acompanhados de rajadas fortes.

A previsão aponta ainda para vento em geral fraco predominando do quadrante leste, poeiras em suspensão, em especial nas regiões Norte e Centro e pequena subida de temperatura, em especial da mínima.

As temperaturas mínimas vão oscilar entre os 16 graus (em Bragança, Viana do Castelo, Leiria e Setúbal) e os 23 (em Portalegre) e as máximas entre os 29 (em faro e Viana do Castelo) e os 38 (em Santarém e Évora).

De acordo com o IPMA, o tempo quente vai manter-se em Portugal continental com temperaturas elevadas, estando praticamente todo o território em onda de calor.

Que concelhos têm maior risco de incêndio?

O IPMA prevê para os próximos dias para várias regiões do país perigo de incêndio muito elevado e elevado. Hoje, os concelhos de Aljezur, Monchique, Portimão, Silves, Loulé, São Brás de Alportel e Tavira, no distrito de Faro, e Pampilhosa da Serra, em Coimbra apresentam perigo máximo de incêndio rural, estando quase todos os concelhos do continente em risco muito elevado e elevado.

Quais são as recomendações da DGS?

Tendo em conta as previsões de temperaturas elevadas, a Direcção-Geral da Saúde já emitiu diversas recomendações à população, entre elas a ingestão de água com frequência (pelo menos 1,5 litros/dia) e a procura de ambientes frescos ou climatizados pelo menos durante duas a três horas por dia.

Recomenda igualmente que se evite a exposição directa ao sol, principalmente entre as 11:00 e as 17:00, assim como a utilização de roupas de cor clara, leves e largas, que cubram a maior parte do corpo, chapéu e óculos de sol com protecção ultravioleta.

Pede especial atenção aos grupos mais vulneráveis ao calor, como crianças, pessoas idosas, doentes crónicos, grávidas ou trabalhadores com actividade no exterior.

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, revelou esta quarta-feira que a subida das temperaturas fez aumentar a procura do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e o nível de prontidão dos planos de contingência.

Diário de Notícias
David Pereira
27.05.2026

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Calor precoce faz disparar risco de incêndio antes do verão. “Pode descambar”, avisa climatologista

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🇵🇹 PORTUGAL // CLIMATOLOGIA

O risco de incêndio em Portugal está em “níveis anómalos para a época”, com grande parte do país a vermelho, num cenário que especialistas descrevem como preocupante à entrada do verão. Há que evitar ignições.


Mapa do Ceasefire com o índice de risco de incêndio a 26 de Maio e os incêndios registados
© Ceasefire

O aumento da carga de combustível e das condições meteorológicas adversas estão a criar um cenário de risco elevado de incêndio florestal em Portugal, mesmo antes do arranque da chamada “época mais crítica”. Apesar de não se tratar ainda de uma situação extrema, a tendência de agravamento do risco de incêndio deixa alertas quanto às próximas semanas.

Expresso
Carla Tomás
26.05.2026

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- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).

 

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438: Calor, poeiras, trovoada e vento: IPMA deixa vários avisos para Portugal

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🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // IPMA

Todos os distritos de Portugal continental, com excepção de Faro, estão hoje e quinta-feira sob aviso amarelo devido à previsão de tempo quente, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Dias muito quentes
(Foto: Unsplash) © Away – Tempo, Avisos Meteo, Combustíveis e Mobilidade

Até quando vigora o aviso?

O aviso nos 17 distritos vai vigorar entre as 09:00 de hoje e as 18:00 de quinta-feira face à previsão de persistência de valores elevados da temperatura máxima.

Há outros alertas meteorológicos em vigor?

O IPMA colocou também os distritos de Bragança, Viseu, Guarda e Vila Real com aviso amarelo entre as 12:00 e as 21:00 de hoje por ser provável a ocorrência de:

  • Aguaceiros localizados
  • Granizo
  • Trovoadas
  • Rajadas fortes

O que significa o aviso amarelo?

O aviso amarelo, o menos grave de uma escala de três, é emitido sempre que existe uma situação de risco para determinadas actividades dependentes da situação meteorológica.

Como vai estar o tempo hoje?

O IPMA prevê para hoje:

  • Continuação de tempo quente
  • Aguaceiros no interior Norte e Centro
  • Trovoada
  • Possibilidade de granizo
  • Rajadas fortes

Que outros fenómenos estão previstos?

A previsão aponta ainda para:

  • Vento em geral fraco predominando do quadrante leste
  • Poeiras em suspensão, em especial nas regiões Norte e Centro
  • Pequena subida de temperatura, em especial da mínima

Quais vão ser as temperaturas?

As temperaturas mínimas vão oscilar entre:

  • 16 graus em Bragança, Viana do Castelo, Leiria e Setúbal
  • 23 graus em Portalegre

Já as máximas vão variar entre:

  • 29 graus em Faro e Viana do Castelo
  • 38 graus em Santarém e Évora

O calor vai continuar nos próximos dias?

De acordo com o IPMA, o tempo quente vai manter-se em Portugal continental com temperaturas elevadas, estando praticamente todo o território em onda de calor.

Existe risco de incêndio?

O IPMA prevê para os próximos dias, em várias regiões do país:

  • Perigo de incêndio muito elevado
  • Perigo de incêndio elevado

Quais são os concelhos em perigo máximo?

Hoje apresentam perigo máximo de incêndio rural os concelhos de:

  • Aljezur
  • Monchique
  • Portimão
  • Silves
  • Loulé
  • São Brás de Alportel
  • Tavira
  • Pampilhosa da Serra

Quase todos os concelhos do continente encontram-se em risco muito elevado e elevado.

A onda de calor está a afectar outros países?

Uma onda de calor está a atingir a Europa, com temperaturas recorde para maio e alertas das autoridades em países como:

  • Espanha
  • França
  • Irlanda
  • Reino Unido
  • Áustria
  • República Checa
  • Portugal

Porque estão as autoridades em alerta?

As altas temperaturas registadas em grande parte da Europa, acima do normal para maio, obrigaram as autoridades de vários países a emitir alertas de calor e a tomar precauções extremas para evitar incêndios florestais.

Away
27.05.2026

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437: Defender um direito debaixo do chapéu-de-sol

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🇵🇹 OPINIÃO

A praia tem um lugar especial no coração de uma larga maioria dos portugueses. Seja pelas memórias e bem estar que proporciona, pela associação a tempos de lazer e de férias, ou outro motivo qualquer. É um espaço público do mais democrático que pode existir, onde se misturam ricos e pobres, locais e turistas, crianças e seniores. Pelo menos, assim devia ser. No entanto, aos poucos, vão surgindo obstáculos. Problemas de vária ordem e que precisam de respostas diferentes, para que permaneça livre o acesso da população a estes espaços públicos.

Há tendências que surgem rapidamente e que só se conseguem conter com legislação (como aconteceu com a proibição do uso de colunas de som na praia), outras que tentam ganhar terreno lentamente e que precisam de ser contestadas tanto judicialmente, como através da voz dos cidadãos (caso das cadeias hoteleiras que procuram condicionar/dificultar o acesso à linha de praia, quase como privatizando esses locais), e ainda aquelas que já se instalaram de tal forma, normalizando-se, que se torna necessário recordar que não têm qualquer respaldo na lei.

Foi isso que fez esta semana o presidente da Associação Portuguesa do Ambiente (APA) em relação à suposta interdição de os banhistas utilizarem chapéus-de-sol no areal em frente às concessões de praia, as quais cobram pela utilização de pontos de sombra fixos e outras comodidades, como espreguiçadeiras, garantindo aos seus clientes, ao mesmo tempo, mas de forma encapotada, vista directa para o mar.

“A única área que está onerada e que está concessionada é aquela que está delimitada por aquele rectângulo e nada mais, isto que fique claro. Todo o resto é de uso livre”, afirmou José Pimenta Machado, salientando ainda que a colocação de sinalética a proibir de chapéus-de-sol em frente das concessões “é um abuso” e que essa situação terá de ser revista.

Algumas concessionárias navegam no desconhecimento dos banhistas e até das autoridades para criar o seu próprio conjunto de regras, muitas vezes defendido em primeiro lugar pelos nadadores-salvadores que estas têm de contratar por obrigação legal.

Além disso, mesmo alguns banhistas mais conscientes da lei preferem deslocar o chapéu-de-sol uns metros mais para o lado e evitar, logo à partida, uma troca de argumentos capaz de perturbar um dia que devia ser de ócio – não deixa de ser curioso que tanta gente obedeça sem pestanejar à sinalética das concessionárias e, depois, não tenha qualquer problema em colocar o chapéu-de-sol por baixo de uma arriba instável.

Pois bem, este alerta da APA chega em boa hora e a clarificação deve ser rápida, para que Portugal não se transforme numa nova Itália. Por lá, as concessionárias permanecem há décadas nas mãos da mesmas famílias e foram ganhando metros de areal com o passar dos anos, empurrando o banhista que não quer pagar pelos serviços para faixas de terreno cada vez mais curtas.

Nos últimos anos, grupos de cidadãos organizaram-se para contestar este poder das concessionárias e o assunto tornou-se até um foco de pressão política para o governo de Giorgia Meloni. Por cá, talvez seja chegada a hora de colocar o seu chapéu-de-sol bem em frente à concessionária e defender esse direito, se for preciso. Antes que seja tarde demais.

Diário de Notícias
Pedro Sequeira
Editor-executivo do Diário de Notícias
27.05.2026

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