385: O Chega e a Bíblia de Tarantino

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🇵🇹 OPINIÃO

Nos EUA, um ministro pretende fazer um sermão bíblico recitando, em pose Chuck Norris, a fala furiosa de um gangster num filme; em Portugal, um partido invoca o laicismo do Estado para declarar que o país é católico e, portanto, podem-se ilegalizar outras confissões.

Já toda a gente, menos o próprio, terá dado umas boas gargalhadas ao ver Pete Hegseth, o burlesco ministro da Guerra de Trump, recitar entusiasticamente, do princípio ao fim, convencido de que está a reproduzir um excerto bíblico, o inesquecível “sermão” de Samuel L Jackson em Pulp Fiction — aquele que a personagem, esbirro de um mafioso, declama sempre antes de despachar mais uma vítima com um tiro entre os olhos.

Engraçado porém que a maioria dos comentários sobre o equívoco do governante se detiveram na sua reveladora ignorância bíblica, sem mencionarem algo bem mais relevante: admitindo que não se tinha enganado, e citara mesmo a Bíblia e não uma criação de Quentin Tarantino, como se admite, num país com alegada separação entre Estado e religião, um ministro “oficiar” numa cerimónia religiosa? Mais, que sentido faz uma cerimónia religiosa num edifício estatal (o Pentágono)?

A razão pela qual — em Portugal, pelo menos — ninguém colocou essas questões é que, apesar de termos desde 1976 uma Constituição que deixa clara a separação entre Estado e igrejas, estamos há estes mesmos 50 anos a assistir a negações práticas dessa separação. Desde logo, através do mais ou menos declarado financiamento, com dinheiros públicos, da confissão dominante — ainda há um quarto de século o então cardeal patriarca de Lisboa, José Policarpo, se queixava de haver pouca verba no Orçamento de Estado para a construção de igrejas, e só a partir de 2005, após a revisão da Concordata, os padres deixaram de beneficiar legalmente de isenção de IRS —, sendo fastidioso enumerar aqui todos os privilégios, económicos e outros, de que a Igreja Católica ainda goza face às outras confissões.

Este é, de resto, um assunto praticamente tabu — de cada vez que alguém se lembra de abordar tais privilégios, é tratado de herege raivoso para baixo.

Nem que apenas se proteste, por exemplo, contra o facto de a Igreja Católica portuguesa ter levado duas décadas para aceitar examinar com seriedade a horripilante questão dos crimes de abuso sexual de menores no seu seio, sem nunca ter sido a tal forçada pelo Estado. Ou se chame a atenção para o facto de a renitente interdição do sacerdócio às mulheres, mantendo-as num estatuto de menorização na hierarquia, constituir, nas palavras do teólogo suíço Hans Küng, “uma difamação essencial das mulheres” que nega o princípio fundamental da igualdade de género.

Ou ainda, numa nota mais leve, alguém se insurja  por num determinado dia santo para os crentes do catolicismo toda uma zona da cidade ser apetrechada com altifalantes para que o som da música (tocada pela banda da GNR, claro) e cânticos de uma procissão, mais o sermão do padre que lhe preside, possam propagar-se em alto e bom som por vários quarteirões.

Que faria então se, em vez de questionar apenas a necessidade de altifalantes que obrigam toda a gente nas imediações a escutar a celebração como se tivesse resolvido passar o dia na missa, a proposta fosse de interditar as procissões, alegando que, ao ocupar o espaço público, incomodam quem nelas não participa, podendo de resto defender-se que são contrárias aos valores e gostos da maioria, já que, como resulta evidente, só uma ínfima minoria da população, mesmo quando sucedem em feriados, a elas ocorre?

Tal proposta — a de interditar as procissões por a maioria nelas não participar nem por elas se interessar — seria decerto e bem classificada como um atentado à liberdade em geral e à liberdade religiosa em particular. Não faltaria quem lembrasse que é assim que agem os estados totalitários e as teocracias, onde, em nome do alegado império de uma maioria e do bem da nação, os que professam religiões minoritárias (ou qualquer religião) são frequentemente invisibilizados, discriminados, obrigados a esconderem-se para as celebrar. E até insultados, perseguidos, escorraçados, brutalizados e mortos.

Haveria inclusive quem recordasse como em Portugal, o Portugal monárquico em que Igreja Católica e Estado não se distinguiam, foram a certa altura discriminados, perseguidos, escorraçados e obrigados a esconder a sua religião, para não serem expulsos ou assassinados, os judeus.

Tudo impensável hoje, no país democrático e liberal, com separação entre confissões e Estado e garantia constitucional de não discriminação com base na religião, que somos.

Ou não: num projecto de lei apresentado em Março, e que esta quarta-feira vai a discussão em comissão, a dos assuntos constitucionais, da Assembleia da República, o Chega propõe precisamente, em nome de uma “matriz cultural e espiritual da nação”, e da “identidade católica portuguesa”, alterar a Lei da Liberdade Religiosa (de 2001) para combater “a crescente diversidade religiosa”.

Passando então os respectivos artigos 4º e 5º a rezar assim (alterações a itálico): “O Estado não adopta qualquer religião nem se pronuncia sobre questões religiosas, contanto que as mesmas não contrariam os valores constitucionais ou a ordem pública (…)”; “O Estado cooperará com as igrejas e comunidades religiosas radicadas em Portugal e compatíveis com os valores nacionais (…).”

O objectivo, entre outros, tal como se admite no muito instrutivo preâmbulo do diploma, assinado pelos 60 deputados do partido, é desde logo proibir “celebrações muçulmanas em espaços públicos”, com a justificação de que ser muçulmano é não ser português: “Não pode, nem deve, o Estado, disponibilizar os seus espaços públicos, e até, financiar, celebrações que nada têm que ver com a matriz do ser português.”

Assistimos assim à expulsão simbólica de todo e qualquer muçulmano da identidade nacional, ficando aliás a saber, os que de nós não são católicos, que deixamos muito a desejar como portugueses (como aliás nos lembrou ainda há semanas o ministério da Defesa, ao partilhar nas redes sociais o desejo de “Uma Santa Páscoa”) e podemos, quiçá, ser os próximos.

O mais curioso, porém, é que o Chega apresenta estas propostas em nome do “princípio constitucionalmente protegido da liberdade religiosa”. E como? Alegando que “em algumas comunidades muçulmanas há sistemas normativos, como a Xaria, nos quais a distinção entre o direito religioso e o direito civil não é formalmente estabelecida, prática substancialmente distinta do princípio ocidental da separação entre Estado e religião, consagrado na Constituição da República Portuguesa (…).” Um “princípio ocidental” que, lembre-se, até 1975 não vigorava em Portugal, já que o divórcio civil era interditado a quem tivesse celebrado um casamento católico — mas isso agora não interessa nada, muito menos ao partido “dos três salazares”.

Concluímos assim que para defender a ideia de que uma confissão (reconhecida pelo Estado, como é o caso da islâmica) não pode ser tratada como igual às outras, o que significa, obviamente, que aqueles que a professam não são cidadãos como os outros, se invoca o princípio da liberdade religiosa.  Mais: parte-se “da premissa constitucional de um Estado laico cuja política pública deve preservar a respectiva neutralidade e a igualdade entre cidadãos, sem prejuízo das garantias de liberdade religiosa (…).”

O que este extraordinário diploma nos diz é que é para defender o Estado laico — o Estado que não tem religião — que propõe ilegalizar a manifestação pública de uma determinada confissão, porque essa manifestação pública colide com “o núcleo identitário português”, ou seja, com uma proclamada identidade católica nacional. E isto tudo, imagine-se, “não pretendendo alinhar qualquer juízo de valor discriminatório”.

Não é preciso ser constitucionalista ou sequer jurista para saber que este projecto de lei não tem ponta por onde se lhe pegue — os próprios autores saberão bem disso. Mas o que pretendem não é aprovar uma lei. É, como Hegseth quis com o seu sermão tarantinesco, fazer um show. Num caso como no outro, de ódio — porque é esse o seu único reino.

Diário de Notícias
Fernanda Câncio
29.04.2026

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384: Dois pesos e duas medidas

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🇵🇹 OPINIÃO

Começou no início deste mês o período de entrega do IRS, e quase dois milhões de pessoas já submeteram as suas declarações de rendimentos relativos ao ano passado ao Estado. O Executivo comprometeu-se a pagar num prazo médio de duas semanas, o que tem sido cumprido, sobretudo quando se fala de entrega automática de declarações – de qualquer forma, tenha especial atenção se fizer parte do grupo de pessoas que entrega a declaração automática, porque têm sido relatados vários erros na declaração das contribuições, o que pode ser penalizador na hora do acerto de contas.

Ora, algo que sabemos este ano é que os valores dos reembolsos deverão ser significativamente menores, uma vez que o Governo de Luís Montenegro decidiu reduzir o montante das contribuições mensais, para aliviar a carteira dos cidadãos no curto prazo, o que ainda poderá causar surpresa a quem tenha andado mais desatento. Pode até dar-se o caso de ter de liquidar alguma conta com o Estado, mesmo que nos últimos anos tenha sempre sido reembolsado – daí ser ainda mais importante confirmar que declarou todas as suas despesas e que as tem devidamente identificadas para conseguir ter os benefícios fiscais devidos.

Mas o que não deixa de ser surpreendente nesta época, é que o Estado continue – e que nós não nos insurjamos contra isso – a usar dois pesos e duas medidas na hora deste acerto de contas anual a que somos todos obrigados. É que se eu for obrigada a liquidar algum montante ao Estado, porque não descontei o suficiente durante os 12 meses de 2025, tenho de o fazer até dia 31 de Julho de 2026. Precisamente um mês depois de ter terminado o prazo para a entrega das declarações de IRS. Mas se, por acaso, for o Estado a ter de me reembolsar porque, afinal, descontei mais do que me seria devido, pode fazê-lo até dia 31 de Agosto.

No mesmo sentido, o Fisco também avisa logo que se houver lugar a reembolsos de valores inferiores a dez euros, estes não são transferidos para a conta do contribuinte. “Não há lugar a reembolso quando em virtude de liquidação, ainda que adicional, reforma ou liquidação, a importância a restituir seja inferior a dez euros”, diz o Portal das Finanças. O mesmo não acontece se eu tiver de pagar 10 euros ao Estado – e é só fazer as contas: se dois milhões de contribuintes tiverem cinco euros, por exemplo, para receber do Estado, o Fisco embolsa 10 milhões de euros sem o mínimo esforço (ou direito).

O facto de haver dois pesos e duas medidas no tratamento de cidadãos e Executivo é algo que não se restringe às Finanças, e que nos devia deixar a todos em alerta. Porque, afinal, este dinheiro todo de que falamos quando falamos de IRS, é nosso: pagamo-lo porque trabalhamos, e entregamo-lo a quem escolhemos para o administrar, para que tenhamos direito a bens e serviços. Ser mais exigentes com a transparência e a justiça é, pois, o mínimo que devemos fazer.

Diário de Notícias
Margarida Vaqueiro Lopes
Editora-Executiva do Diário de Notícias
28.04.2026

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383: A Figura do Dia. O cravo de Seguro

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OPINIÃO 🇵🇹🕊

Há 20 anos que um Presidente da República não entrava na Assembleia da República com um cravo na lapela.

Parece difícil de acreditar que muitos de nós não tenham orgulho num dos momentos mais bonitos e identitários de ser português – enquanto na Guerra Civil espanhola morreram mais de meio milhão de pessoas, não contabilizando os 100 mil que desapareceram, em Portugal preferimos armar as espingardas com cravos a matar-nos uns aos outros.

“António José Seguro não usou o cravo na lapela por ser socialista ou de esquerda. Usou-o por ser democrata, por acreditar mais no que nos une do que naquilo que nos separa (…).”
FOTO: Leonardo Negrão

Os cravos são um símbolo da democracia, não necessariamente um património exclusivo da esquerda. Representam a vida em oposição à morte, a esperança em oposição ao medo, o optimismo em oposição ao fatalismo. É o símbolo da nossa inocência, de uma ingenuidade poética que me emociona e orgulha.

É também um abraço à memória de uma mulher, a dona Celeste, que começou a distribuir, por puro instinto, cravos aos soldados revoltosos, entusiasmando vendedoras de várias praças de Lisboa a fazerem o mesmo.

Não é bonito? Não é extraordinário? Não foi um verdadeiro milagre?

“Há 20 anos que um Presidente da República não entrava na Assembleia da República com um cravo na lapela.”

Renegar os cravos é virar as costas ao que temos de melhor, ao símbolo mais poderoso da tolerância democrática, da liberdade colectiva e individual.

Vamos lá a ver, António José Seguro não usou o cravo na lapela por ser socialista ou de esquerda. Usou-o por ser democrata, por acreditar mais no que nos une do que naquilo que nos separa, por ser intolerante com o ressentimento dos que prefeririam que os cravos não existissem… ou a democracia.

Diário de Notícias
Luís Osório
Escritor, jornalista e cronista
27.04.2026

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382: Chuva forte e trovoada deixam 11 distritos sob aviso amarelo na terça-feira

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🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // CHUVA

Início da semana começa com previsões de aguaceiros que poderão ser fortes, de granizo, e acompanhados por trovoadas, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

Foto: Leonardo Negrão

A semana arranca com o agravamento do estado do tempo, estando previsto a partir da tarde desta segunda-feira, 27 de Abril, períodos de céu muito nublado, aguaceiros, que poderão ser fortes, de granizo e acompanhados por trovoadas, “em especial nas zonas montanhosas” do norte do país, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Devido a estas previsões, sete distritos – Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real, Bragança, Aveiro e Viseu – estão hoje sob aviso amarelo.

Para esta terça-feira (28), o IPMA estendeu, no entanto, o aviso amarelo a outras regiões de Portugal continental – juntam-se a Viana do Castelo, Braga e Vila Real os distritos de Bragança, Viseu, Évora, Guarda, Santarém, Castelo Branco, Coimbra e Portalegre –  devido à chuva forte e trovoada.

São esperados “períodos de céu muito nublado, apresentando-se geralmente muito nublado no litoral Centro, aumentando de nebulosidade no litoral a partir do final da tarde”, com a previsão de aguaceiros a partir do meio da manhã, sendo em especial no interior e durante a tarde, podendo ser por vezes fortes, de granizo e acompanhados de trovoada”, de acordo com o IPMA.

Prevê-se também para terça-feira uma pequena descida da temperatura máxima no Centro e Sul do território continental, com Santarém e Évora a atingirem os 28º Celsius.

Para quarta-feira, também se espera “céu geralmente muito nublado, diminuindo de nebulosidade, em especial na região Sul, a partir do final da tarde”, e “períodos de chuva ou aguaceiros, em especial no Norte e Centro, podendo ser por vezes fortes e acompanhados de trovoada”.

As condições meteorológicas deverão melhorar a partir de quinta-feira, com a previsão de “aguaceiros em geral fracos, mais prováveis no litoral oeste e até ao meio da tarde”.

Diário de Notícias
Susete Henriques
27.04.2026

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381: Oito distritos sob aviso amarelo por causa da chuva

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🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // CHUVA

Os distritos de Bragança, Viseu, Porto, Guarda, Vila Real, Viana do Castelo, Aveiro e Braga estão sob aviso amarelo devido à previsão de chuva, podendo ser acompanhada de trovoada e de queda de granizo, segundo o IPMA.

Chuva (Associated Press)
© TVI Notícias

De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o aviso amarelo para estes oito distritos vai estar em vigor entre as 12:00 e as 21:00 deste domingo.

A previsão para estas localidades é de aguaceiros, por vezes fortes, de granizo e acompanhados de trovoada, em especial nas zonas montanhosas.

Para o resto do país, a previsão é de céu geralmente pouco nublado, com períodos de mais nebulosidade durante a tarde e neblina ou nevoeiro matinal em alguns locais do litoral Norte e Centro, bem como uma pequena subida de temperatura.

O aviso amarelo, o menos grave de uma escala de três, é emitido sempre que existe uma situação de risco para determinadas actividades dependentes da situação meteorológica.

TVI Notícias
Agência Lusa
26.04.2026

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379: Vem aí um mês de chuva a menos e calor a mais: O que esperar?

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🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA

Boletim de previsão mensal do IPMA para o período entre 20 de abril e 17 de Maio dá conta de que Portugal continental irá ter valores de precipitação total semanal abaixo do normal e valores de temperatura média semanal acima do normal.

Lisboa, Bom tempo, Calor,
© Luis Boza/NurPhoto via Getty Images

As próximas quatro semanas trarão valores de precipitação total semanal abaixo do normal e valores de temperatura média semanal acima do normal, anunciou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

De acordo com o boletim de previsão mensal para o período entre 20 de Abril e 17 de Maio deste ano, espera-se, até ao próximo domingo, valores de precipitação abaixo do normal para todo o território continental (-30 mm a -1 mm). Já quanto a temperaturas, prevêem-se valores acima do normal em todo o território (+0.5°C e +3°C), principalmente no interior (+1.5°C e +3°C).

A partir de domingo e até ao próximo dia 3 de Maio, não se esperam anomalias significativas no que toca à chuva, mas esperam-se valores de temperatura acima do normal para quase todo o território, excepto no Algarve (+0.5°C e +3°C).

Já na semana entre os dias 4 e 10 de Maio, conte com valores de precipitação abaixo do normal no Alentejo e Algarve (-10 mm a -1 mm) e valores de temperatura acima do normal no interior (+0.5°C e +1.5°C).

Por fim, na última semana analisada, entre os dias 11 e 17 de Maio, o IPMA não prevê anomalias estatisticamente significativas no que diz respeito à chuva, mas prevê valores de temperatura acima do normal no interior (+0.5°C e +1.5°C).

“A previsão alargada apresenta cenários em termos probabilísticos”, refere o IPMA, no boletim. “A sua utilização deve ser feita com reservas, para a segunda e em especial para as terceira e quarta semanas.”

Notícias ao Minuto
24.04.2026

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378: EUA-Irão: a escalada, o jogo político e a saída possível

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🇵🇹 OPINIÃO

Constantemente promovido pelos canais televisivos e por outros meios de comunicação social – incluindo as plataformas digitais –, o espectáculo político funciona como uma droga de efeito rápido: estimula, excita, mas não alimenta; promete cura, mas não trata a doença. E depois, quando a adrenalina baixa, volta a pergunta que incomoda: onde estão os resultados? No dia a dia, o que resta são os custos exorbitantes dos combustíveis, da Saúde, da habitação e de tudo o resto, somados a uma sensação crescente de insegurança.

Passado o efeito, fica tudo na mesma – ou pior. O circo acaba, com o tempo, por revoltar o espectador contra os actores políticos, que não produzem resultados, e contra os comentadores, que falham previsões como quem troca de camisa. É uma política feita para a fotografia: o essencial é manter-se visível, no centro da arena.

Quando os resultados não se materializam, a estratégia costuma mudar de direcção: ou se anunciam reformas em catadupa (no estilo faz-de-conta), ou se aumenta a polarização e se procura um inimigo a quem atribuir todas as culpas. O espectáculo pode mobilizar multidões – pode, até, ganhar eleições. Mas é o resultado concreto que sustém o poder e, por algum tempo, garante a paz social.

Ou então, para continuar no poder, o mau líder tenta destruir – ou, pelo menos, enfraquecer – as instituições que sustentam os regimes democráticos. Se é um fascista, procura capturá-las, subjugá-las, torná-las inteiramente obedientes. Se é um populista, o objectivo é mais rasteiro: reduzir a capacidade de controlo e fiscalização, eliminar os travões. A partir daí, manda-se como se quer.

Nero, um imperador errático, cultivava obsessivamente a adulação popular e o culto da personalidade. Projectar-se como figura divina – de Apolo ao Sol – e governou quase sempre em confronto com o Senado. Trump não pode ir tão longe num sistema com separação de poderes e uma imprensa plural.

Mas tem tentado empurrar os limites: minimizar o papel do Congresso, pressionar a Justiça, atacar governadores democráticos, condicionar os media e as plataformas sociais. E, quando convém, volta ao velho expediente das operações militares externas: projectar força, ocupar o ciclo noticioso, galvanizar franjas do eleitorado.

À falta de resultados que melhorem o quotidiano das famílias, ataca as fundações da democracia e explora o nacionalismo: os EUA são apresentados como a potência número um na cena internacional. Tudo isto é feito com o calendário eleitoral a apertar: aproximam-se as eleições intercalares de 3 de Novembro.

Nesse dia estará em jogo o controlo do Senado e da Câmara dos Representantes, vários lugares de governador e outras posições. Na prática, é o próprio poder de Donald Trump que vai a votos. E os sinais, em geral, não lhe são favoráveis. Daí a urgência de conter – e, idealmente, encerrar – a escalada com o Irão antes que ela ganhe vida própria.

Como irá evoluir esta escalada e qual é a saída possível – uma saída que evite um recuo eleitoral expressivo? É esta, creio, a pergunta central, numa altura em que volta a circular a hipótese de uma segunda ronda de contactos entre as partes, em Islamabad.

A resposta – um acordo em Islamabad, sim ou não? – não depende de uma única variável. Eu resumiria assim: Ormuz, a questão nuclear, o futuro da política interna iraniana e, por fim, o factor israelita (com o peso particular da linha dura e inaceitável de Netanyahu). Um entendimento minimamente viável teria de baixar a temperatura no Estreito, estabilizar o dossier nuclear e criar canais de desescalada que funcionassem fora das câmaras e dos grandes cabeçalhos – e não apenas em comunicados para consumo internacional.

Seria um erro enorme se as autoridades de Teerão concluíssem que não vale a pena voltarem a sentar-se com uma delegação americana. Conhece-se a lista de exigências de Washington – maximalista, no limite daquilo que Teerão pode aceitar sem se desautorizar internamente – e conhece-se também a posição iraniana perante cada uma dessas condições.

Ainda assim, é plausível que um encontro, mesmo sem “negociações” formais, evite o retorno a hostilidades em larga escala e permita a outros actores continuar o trabalho diplomático já em curso – da China à Turquia, sem esquecer o Paquistão (aliado próximo de Pequim) – e, também, em vários países asiáticos e do Golfo.

A China e o Paquistão parecem estar a pressionar Teerão para que essa nova ronda de contactos – é cedo demais para lhe chamar “negociações” – aconteça agora ou em breve.

Ambos os lados teriam a ganhar com um acordo limitado. Para Washington, a vantagem é óbvia: travar uma dinâmica de escalada que, além de perigosa no terreno, aumenta o risco de violações do Direito Internacional Humanitário e degrada ainda mais a sua imagem na região e no Sudeste Asiático. E, convenhamos, a imagem americana hoje é muitas vezes lida através de dois filtros: a tentação do “músculo” e o alinhamento automático com a liderança israelita.

Para Teerão, o cálculo é igualmente claro: evitar o colapso económico e não cair na armadilha de uma guerra de represálias contra instalações petrolíferas e de gás natural – e contra portos dos Estados vizinhos do Golfo, onde basta um incidente para incendiar tudo.

Esta é uma crise que precisa de ser travada depressa. Em condições normais, seria assunto para o Conselho de Segurança da ONU. Vivemos, porém, num mundo em que as grandes potências escolhem, à carta, quais preceitos do Direito Internacional levam a sério.

Ainda assim, uma conjugação de esforços de um novo tipo – China, Índia e União Europeia, com um par de países do Sul (Paquistão e Indonésia, por exemplo) – poderia fazer a diferença, no meu entender, onde a ONU está paralisada: manter canais de contacto permanentes, fazer aceitar medidas de cessar-fogo minimamente verificáveis e desenhar um roteiro pragmático para Ormuz e para o dossier nuclear. É este o tipo de trabalho diplomático que evita desastres. Essencial.

Diário de Notícias
Victor Ângelo
Conselheiro em Segurança Internacional. Ex-secretário-geral-adjunto da ONU
24.04.2026

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Já passei muito ‘kokushobi’ no Alentejo

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🇵🇹 OPINIÃO

Sabe aqueles dias em que está tanto calor que não consegue imaginar fazer mais nada além de estar na praia, de preferência com os pés dentro de água para refrescar? Aqueles dias em que o nosso querido Eça de Queiroz diria estar “um calor de ananases”? Os japoneses arranjaram um nome para se referir a esses dias: kokushobi.

A palavra, apresentada há dias pela Agência Meteorológica do Japão, significa “dia de calor insuportável”, “dia de calor brutal” ou “dia de calor extremo”. Foi a vencedora de uma sondagem online realizada a nível nacional e refere-se, especificamente, a dias em que as temperaturas ultrapassem os 40ºC. A ideia de fazer uma sondagem surgiu depois de o Japão ter registado em 2025 o verão mais quente desde que há registos.

Quem participou no inquérito podia escolher entre 13 opções para descrever os dias mais quentes. Realizado entre Fevereiro e Março, este recebeu mais de 478 mil respostas. Ideia inovadora? Nem tanto, afinal o Japão é conhecido por gostar de “inventar” palavras. Um outro exemplo? Tsundoku, ou seja, a arte de empilhar no chão livros por ler. E em relação ao calor, já tinham palavras específicas para dias com temperaturas superiores a 25°C, 30°C e 35°C.

Por cá, se ainda não inventámos uma palavra para os designar também nós nos habituámos a Verões cada vez mais quentes. E, como alentejana – mesmo da “espécie” que cresceu na Suíça e gosta bastante mais de neve do que de calor -, já enfrentei muitos dias com os termómetros acima dos 40ºC. E ainda não esqueci aquele verão de 2003 em que a Amareleja chegou aos 47,3ºC, ainda hoje o recorde de temperatura em Portugal.

No Alentejo, antigamente, quando o mercúrio subia e nem bolia uma aragem, os mais antigos escondiam-se atrás das paredes grossas das casas, caiadas de branco para afugentar o calor, e só voltavam a sair ao final da tarde para se sentar às portas e queixar-se da “calmaça” que esteve.

Se não é inventada como as dos japoneses, esta palavra também não vem no dicionário, sendo uma espécie de equivalente local a “caloraça” mas com “calma”, como os alentejanos gostam de chamar ao calor. Hoje, infelizmente, as paredes das casas já não são tão grossas e se o branco ainda domina no Alentejo, os ares condicionados continuam a ser excepção nas casas de habitação.

Ora são cada vez mais estes dias de calor extremo, no Japão, em Portugal e um pouco por todo o mundo, reflexo dessas alterações climáticas que alguns insistem em negar e outros pretendem combater lançando tinta sobre obras de arte. Mas contra as quais há muito devíamos ter começado a agir para evitar ondas de calor ou tempestades destruidoras, como as do último inverno em Portugal.

Afinal, mesmo quem gosta do verão, dispensa com certeza muitos dias de caloraça… ou de kokushobi.

Diário de Notícias
Helena Tecedeiro
Editora-executiva do Diário de Notícias
24.04.2026

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376: Mau tempo está mesmo de volta a Portugal? Afinal, o que podemos esperar?

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🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // MAU TEMPO

Tem havido muitas oscilações no que toca à meteorologia e parece que já não sabemos quando faz sol ou faz frio. E sempre que ouvimos falar em tempestade, o pensamento corre imediatamente para cenários mais graves, muito por culpa do que aconteceu há poucos meses em cidades como Leiria. Mas, felizmente, a depressão que afectou Portugal esta terça-feira, 21 de Abril, vai já embora.

Meteorologia | Fotografia: Sebnem Coskun/Anadolu via Getty Images
© VERSA

Ora a partir desta quarta-feira, 22, a massa de ar muito quente que passou em Portugal nos últimos dias será substituída por uma massa de ar mais frio vinda do Atlântico, o que resultará numa descida das temperaturas para níveis mais típicos da estação, de acordo com o Meteored.

Este cenário deve-se à intensidade dos centros de pressão que irão dominar o Atlântico Norte: por um lado, um anticiclone nas proximidades da Islândia apresentará valores de pressão muito elevados; por outro, uma depressão a norte dos Açores atingirá níveis de pressão bastante baixos.

Já na quinta-feira, 23, o tempo deverá manter-se maioritariamente seco, embora com aumento de nebulosidade e possibilidade de chuvisco em algumas zonas do interior alentejano e do sotavento algarvio.

Contudo, a instabilidade poderá regressar com mais força na sexta-feira, 24, dia em que se prevê um aumento da frequência e intensidade dos aguaceiros e trovoadas, podendo abranger uma área mais vasta do território. Existe ainda alguma incerteza quanto ao fim de semana prolongado do 25 de Abril, mas não se exclui a continuidade deste padrão instável.

Versa
Rafaela Simões
22.04.2026

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375: A Figura do Dia. O CDS morreu há vários anos

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🇵🇹 OPINIÃO

O CDS é um partido que morreu há uns anos. Esteve um tempo nos cuidados paliativos e, por obra e graça de um destino sempre deliciosamente irónico, uma alma caridosa decidiu desligar a máquina e evitar mais sofrimento.

Por isso, quando alguém me conta que estão no Governo e ocupam lugares no Parlamento, concluo que o delírio tomou conta dos palácios e das cabeças.

Há um ministro que “monta” cenários e se aproveita das tragédias para mostrar músculo. E há um deputado que, nos últimos tempos, repete um mantra para que o povo não se esqueça de que o CDS é o original e o Chega um a imitação.

Paulo Núncio esforça-se para multiplicar uma mensagem que indigna a história do partido fundado por Freitas do Amaral e Adelino Amaro da Costa. Cada vez que esta gente surge com Deus na boca, mas com raiva e ressentimento nas acções, penso em todos os democratas-cristãos que combateram com coragem por uma sociedade conservadora, mas inspirada no humanismo cristão.

Não, caro Paulo Núncio, o CDS morreu com dignidade. O senhor ou o seu líder, ministro da Defesa, não representam o partido, mas apenas o nome que herdaram.

O CDS é o original, o Chega é a cópia, proclama o homem com voz grave e olhinhos vivos. O que diriam Francisco Lucas Pires, Adriano Moreira, Narana Coissoró, Krus Abecassis, Ribeiro e Castro, Lobo Xavier, Rui Pena e até Paulo Portas?

Não, caro Paulo Núncio, o CDS morreu com dignidade. O senhor ou o seu líder, ministro da Defesa, não representam o partido, mas apenas o nome que herdaram. Faria muita falta voltar a ter a democrata-cristã na nossa paleta de escolhas, seria até capaz de nela votar, mas a associação que os senhores representam é apenas um ardil, uma manigância, um insulto.

Diário de Notícias
Luís Osório
Escritor, jornalista e cronista
22.04.2026

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- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).

 

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