Disparos efectuados a partir de uma viatura fizeram, na madrugada desta quarta-feira, 25 de Fevereiro, três feridos na Rua do Benformoso, em Lisboa, segundo avança a TVI/CNN.
As três vítimas são três homens com idades compreendidas entre os 29 e os 42 anos. Um sofreu ferimentos no tórax e foi transportado para o Hospital de São José, encontrando-se em estado crítico. Outro foi atingido num pé e o terceiro na cabeça. Segundo a TVI/CNN, também foram encaminhados para o mesmo hospital mas estão livres de perigo.
Há quatro anos escrevi, noutras páginas, uma coluna chamada Spacibo, Gospodin Putin.
Era Março de 2022, cinco dias após a invasão, e a ironia ainda cabia numa lista de agradecimentos: a NATO acordara, a Europa rearmava, o mito militar russo desfazia-se perante Kiev. Quatro anos depois, o dispositivo retórico mantém-se. A ironia, não. Há muito menos para agradecer. E o que há custa infinitamente mais do que qualquer cálculo antecipava.
É de agradecer a confirmação de que Putin não é o decisor frio que o seu marketing vendia, mas um líder consumido pelo ego e pela mitomania. Ao persistir num erro crasso, conseguiu o que mais temia: o maior alargamento da NATO na História, com a Finlândia a acrescentar 1300 quilómetros de fronteira e a Suécia a fechar o Báltico à projecção naval russa.
Até Trump funcionou como ricochete: ao ameaçar os aliados, acelerou a autonomia estratégica europeia. Putin quis dividir o Ocidente e forçou-o a crescer. Foram os ucranianos a pagar o preço.
É de agradecer ter posto fim ao sono europeu. Vinte e três países cumprem hoje os 2% do PIB em Defesa. Mas a gratidão é amarga: foi precisa a maior carnificina desde 1945 para comprarmos extintores. O mesmo vale para a energia, conquistada à custa das faturas mais pesadas para os consumidores mais vulneráveis.
É de agradecer ter exposto o encolhimento estratégico da Rússia. A Síria deixou de ser vitrina de poder; na Venezuela, em Cuba e em África, Moscovo tem cada vez menos para oferecer além de retórica. A reputação militar, alimentada por intervenções cirúrgicas na Geórgia e na Crimeia, ruiu perante a logística falhada, a doutrina inexistente e a corrupção estrutural. As escolas de guerra estudarão esta campanha durante décadas, não como modelo, mas como aviso.
É também de agradecer ter transformado a China no árbitro de uma paz que ninguém lhe pediu e ter reduzido a Rússia a vassalagem existencial. Putin foi a Pequim pedir suporte e saiu como parceiro subalterno. Não aliado: subalterno. Resta-lhe o arsenal nuclear, suficiente para garantir lugar à mesa, mas insuficiente para definir o menu. Putin jogou para restaurar um império. Acabou por hipotecar o que restava dele.
Nunca acreditei numa derrota militar total da Rússia. Quem a prometeu cedeu à pressão do momento. O que me perturba é que, apesar de estar no limiar da derrota estratégica, a Rússia poderia estar hoje numa posição muito pior. Não fosse a inflexão de Trump e as hesitações europeias, o mapa negocial seria mais favorável à Ucrânia. A Europa deu o suficiente para que não perdesse; nunca o suficiente para que pudesse ganhar.
Os números não mentem: quase dois milhões de baixas combinadas, a larga maioria das quais soldados russos, mais de 15 mil civis confirmados, seis a sete milhões de refugiados, metade da capacidade eléctrica da Ucrânia destruída. Cada número é uma vida interrompida, uma família dispersa, uma cidade amputada.
Chegamos a 2026 com mais de dois milhões de baixas e mesas de paz em Abu Dhabi e Genebra. Resta um amargo agradecimento pelo erro crasso que Putin cometeu, por puro ego, em Fevereiro de 2022. Putin obrigou-nos a escolher entre a paz dos cemitérios e a fadiga das democracias. Apostou no nosso cansaço; respondemos com o rearmamento de um século. Se a Europa e Kiev recusarão esse guião ou cederão ao peso do tempo, é a questão que 2026 ainda não respondeu.
Obrigado, senhor Putin: hoje todos sabemos que, consigo, a paz é apenas o intervalo para a próxima guerra.
A circulação nos dois sentidos daquele troço com cerca de oito quilómetros (km) foi cortada ao trânsito há 21 dias.
Reinaldo Rodrigues
O troço da autoestrada 14 (A14) entre a autoestrada 17 (A17) e o nó de Santa Eulália, no município da Figueira da Foz, não tem previsão de reabertura, face aos danos causados pelas cheias, informou esta terça-feira, 24 de Fevereiro, a concessionária.
A circulação nos dois sentidos daquele troço com cerca de oito quilómetros (km) foi cortada ao trânsito na madrugada de dia 03, cumprem-se esta terça-feira 21 dias (três semanas), devido à subida das águas nos campos agrícolas adjacentes do vale do Mondego, e não voltou a ser reaberta.
A Brisa Concessão Rodoviária (BCR) disse à Lusa que “o corte de plena via na A14 mantém-se devido à realização de trabalhos de avaliação do estado da infra-estrutura, designadamente aterros e órgãos de drenagem, na sequência da subida da cota da água e subsequente submersão da plataforma ao longo de vários dias”.
A fonte oficial da Brisa disse ainda que assim que aqueles parâmetros forem avaliados internamente, “e após avaliação técnica externa, pelas entidades competentes”, estará em condições de reabrir a circulação na A14.
No entanto, “nesta fase, ainda não é possível antecipar a data de reabertura”, vincou a BCR.
Os primeiros 13 km da A14 (entre a Figueira da Foz e o nó de Santa Eulália, acesso oeste a Montemor-o-Velho e norte à povoação da Ereira, no distrito de Coimbra) abriram ao trânsito em 1994, então ainda como parte integrante do Itinerário Principal 3 (IP3).
Só em 2001 aquele troço original passou a fazer parte da A14, (autoestrada que liga a Figueira da Foz ao nó de Coimbra-Norte da A1) mantendo, até hoje, o seu carácter gratuito.
A partir de Montemor-o-Velho, o acesso alternativo à Figueira da Foz, para quem circula de e para Coimbra e localidades intermédias, faz-se pela antiga estrada nacional (EN) 111 e tem vindo a criar constrangimentos de trânsito, nomeadamente à passagem pelas localidades de Maiorca (na freguesia com o mesmo nome) e Caceira (Alhadas).
Em Maiorca, a Lusa constatou o aumento exponencial do tráfego automóvel e de veículos pesados, especialmente no atravessamento da povoação, ao início da manhã e final da tarde.
O aumento do volume de tráfego faz-se ainda sentir nos cerca de 2 km entre o nó de Santa Eulália e aquela vila do Baixo Mondego, na recta conhecida como Pontes de Maiorca.
O trajecto por esta via de dois sentidos, ladeada por vegetação – construída vários metros acima dos campos de arroz e com marcações no pavimento que não resistiram ao passar dos anos – implica atravessar cinco pontes, todas edificadas pela antiga Junta Autónoma das Estradas, três em 1937 e outras duas em 1940, ainda antes do primeiro Plano Rodoviário Nacional datado de 1945.
Este inverno é o segundo mais chuvoso desde 2000 e o oitavo mais chuvoso desde que há registos.
mau tempo em Lisboa Leonardo Negrão
Os primeiros 15 dias de Fevereiro foram suficientes para fazer deste mês o mais chuvoso dos últimos 47 anos e o 10.º mais chuvoso desde 1931, segundo avançou esta terça-feira, 24 de Fevereiro, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), que revela também que o mês de Janeiro já fora o segundo mais chuvoso desde 2000 e o 14.º mais chuvoso desde que há registos.
De acordo com dados divulgados pelo IPMA, entre 1 e 15 de Fevereiro, dias marcados pelas depressões Leonardo e Marta e pela passagem de superfícies frontais associadas às depressões Vils e Oriana, a precipitação teve um total acumulado de 223,5 mm, o que representa 304% do normal, ou seja, é cerca de três vezes superior ao valor médio de referência 1991-2020. “Grande parte do território já regista valores entre 300% e 400% (3 a 4 vezes) do valor normal 1991-2020, sendo mesmo superior a 500% (ou seja, cinco vezes) nas localidades de Mora, Lavradio e Alvalade do Sado”, diz o IPMA.
Um mês que se segue a um outro que também havia sido muito chuvoso. De acordo com o instituto, Janeiro de 2026 foi o segundo mais chuvoso desde 2000, marcado pela passagem de cinco depressões, nomeadamente a Francis, a Goreti, a Ingrid, a Joseph e a Kristin, esta última devastadora para a região centro. “Em grande parte das regiões Centro e Sul os valores mensais situaram-se entre 250% e 350% do normal”, realça o IPMA, que recorda ainda que a maior rajada de vento registada nas estações de superfície atingiu 177.8 km/h na base aérea de Monte Real.
Tendo em conta que Novembro e Dezembro de 2025 já tinham registos que os tornavam o terceiro e sétimo mais chuvosos desde 2000, segundo o IPMA, este inverno é o segundo mais chuvoso desde 2000 e o oitavo mais chuvoso desde que há registos.
Entre Novembro e 15 de Fevereiro, o total acumulado de precipitação foi de 819.2 mm, correspondendo ao dobro do valor médio, sendo o sétimo valor mais elevado desde 1931. “Mais de metade dos distritos já atingiu ou ultrapassou o valor médio anual de precipitação. Em Faro, o total acumulado já supera o valor médio de um ano completo”, diz.
Segundo as informações divulgadas pelo IPMA, o ano de 2025 fora o terceiro mais chuvoso desde 2000, com um total anual de 1064.8 mm (130% do valor normal 1991-2020) e o 5.º mais quente desde que há registos, com seis ondas de calor, incluindo uma com características excepcionais.
Depois de um fim de semana com temperaturas altas, a chuva está de regresso já esta terça-feira. Portugal continental será também hoje afectada com poeiras vindas do deserto do Saara.
Depois de um fim de semana primaveril – em que os termómetros chegaram a atingir os 26ºC -, a chuva poderá estar de regresso a partir de hoje, terça-feira, de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). De notar ainda que Portugal continental é afectado por poeiras vindas do deserto do Saara.
Segundo a previsão, o céu estará de um forma geral “muito nublado”, havendo a “possibilidade de ocorrência de períodos de chuva fraca no litoral Norte e Centro a partir do final da tarde, sendo mais provável no Minho e Douro litoral no final do dia”.
Já o vento soprará “fraco a moderado do quadrante sul, soprando por vezes forte na faixa costeira ocidental a norte do Cabo Raso”. Será “moderado a forte com rajadas até 65 km/h nas terras altas”.
Haverá uma “pequena subida da temperatura mínima, em especial no Norte e Centro”, mas também haverá uma “pequena descida da temperatura máxima” nas mesmas regiões.
Um cenário idêntico na Grande Lisboa e no Grande Porto.
“Episódio de poeiras” afecta Portugal
De recordar que, no domingo, a meteorologista do IPMA, Patrícia Marques, já havia adiantado ao Notícias ao Minuto que iriam começar a chegar poeiras a Portugal.
A meteorologista afirmou que este “episódio de poeiras” afectará primeiro o arquipélago da Madeira, “mas não se espera que seja uma concentração muito significativa e não se espera que afecte o país todo”, havendo assim uma maior incidência na ilha da Madeira, Porto Santo e na zona centro do país.
O alemão Carlo Masala não quis escrever uma ficção distópica, mas sim um alerta ficcionado, seguido de um epílogo que é um pequeno ensaio explicativo: se a Rússia vencer a guerra na Ucrânia não se vai ficar por ali, é a sua tese. Haverá, prevê, uma expansão territorial russa, incorporando, no início, populações russófonas deixadas para trás com a desagregação da União Soviética em 1991. Se a Rússia vencer – um cenário é o título do livro, agora traduzido em português.
A ficção/ensaio de Masala, um académico que ensina na Universidade das Forças Armadas alemãs, em Munique, vale muito a pena ser lido. Sem necessidade de puxar demasiado pela imaginação, só relatando aquilo que costuma ser a prática tanto nos círculos de decisão do Kremlin, como da NATO, transforma a questão da resposta a uma fictícia incursão militar russa no leste da Estónia, em Março de 2028, num debate sobre se será o início da Terceira Guerra Mundial. E perante a incerteza do nível (nuclear ou não) da contra-resposta russa, a NATO acaba por não aplicar o artigo 5.º nesse cenário imaginado.
Não só há hesitação dos poderosos, como até a questão de se os países do Sul, como Itália, Portugal e Espanha, estarão dispostos a enviar soldados para combater por um recanto estónio. Pelo contrário, tanto os outros países bálticos como a Polónia, com um longo historial de guerras com a Rússia, defendem uma retaliação, provavelmente por temerem ser os próximos.
No livro de Masala, cuja primeira versão terminou de ser escrita há um ano, parte-se, portanto, da ideia de que, em Março de 2028, a guerra na Ucrânia já teria terminado, com sucesso da Rússia, cujos ganhos teriam vindo da incapacidade de europeus e americanos ajudarem a resistência dos ucranianos.
O alerta feito é esse mesmo: ganhe a Rússia na Ucrânia e haverá novas ucrânias, razão pragmática pela qual tudo deveria ser feito para que a Rússia não ganhasse.
Um alerta que é um apelo do autor para que Kiev não seja abandonada na sua luta contra Moscovo, seja porque os Estados Unidos dão prioridade a uma negociação de paz, seja porque os países da União Europeia decidiram investir em Defesa, mas adiando na medida do possível, e por vezes por falta de alternativa, a concretização do novo poder militar.
“O que não é surpresa é a mortandade. De um lado e do outro. Os números são mantidos secretos, ou então atirados pelo inimigo para lançar o desânimo, mas serão certamente impressionantes.” Mykola Tys / EPA
Cumprem-se hoje quatro anos exactos sobre a invasão russa da Ucrânia. Certamente que houve surpresas, em sentido contraditório, desde o fracasso do passeio dos tanques russos até Kiev, até à capacidade da Rússia em resistir à retaliação mista do Ocidente, com sanções económicas a Moscovo, por um lado, e apoio material ao esforço de guerra da Ucrânia.
O que não é surpresa é a mortandade. De um lado e do outro. Os números são mantidos secretos, ou então atirados pelo inimigo para lançar o desânimo, mas serão certamente impressionantes. A maior evidência disso é a necessidade de novos recrutas e a dificuldade de os conseguir, por ambos os beligerantes. Longe da frente de batalha, os dois países, sobretudo a Rússia, até podem tentar manter a ilusão de que tudo funciona, mas consequências dos combates no Donbass vão sentir-se durante décadas depois da guerra acabar.
E quando acabará? Numa data qualquer antes de 2028, como prevê Masala? Um outro alemão, o chanceler Friedrich Merz, cujo país lidera o esforço de rearmamento europeu, disse agora, em jeito também de alerta, mas com terrível pragmatismo, que “esta guerra não vai parar até que ambos os lados estejam exaustos, militar ou economicamente”.
O jornal Le Monde, que na edição datada de hoje analisava o impasse na guerra e também o impasse na NATO sobre o que fazer, sublinhou que a frase dita, alto e a bom som, por Merz na Conferência de Segurança de Munique é o que pensam muitos chefes militares. Também citado pelo jornal francês, Elie Tenenbaum, director do Centro de Segurança do Instituto Francês de Relações Internacionais (IFRI), resumiu a situação no terreno assim: “Os dois lados estão em chamas, mas a questão é qual deles está a arder mais rapidamente. É a mesma corrida, algo cínica, que se vive desde 2022.”
O sistema russo, onde Vladimir Putin tem um poder inquestionável, parece dar vantagem a Moscovo nesta descida partilhada aos infernos, pois Volodymyr Zelensky tem de lidar com o escrutínio tanto dos ucranianos, como dos aliados Ocidentais, mas no final, até ver, o resultado é a tal destruição mútua.
O que torna ainda mais urgente negociações sérias, destinadas a travar o círculo de morte e destruição, mesmo que se saiba à partida que Rússia e Ucrânia partem de posições inconciliáveis, a primeira a ter já anexado oficialmente territórios de outro país e a segunda a defender a sua soberania. Qual o caminho para essas negociações sérias, não mero ganhar de tempo por uns ou outros, depende muito da capacidade de americanos – aqui Trump conta muito -,e europeus decidirem uma ação conjunta que obrigue a Rússia a repensar a estratégia e dê condições à Ucrânia para ver uma luz ao fundo do túnel.
Era importante também que a China, que pretende ser vista como um actor de peso e responsável na cena internacional, faça sentir à aliada russa que em algum momento a paz tem de regressar. Só assim se ilibará da suspeita que tira vantagens da guerra na Europa, seja por comprar petróleo a preço de amigo ou, a outro nível, por esta desviar as atenções da sua ascensão.
O sucesso dessa acção para acabar com a guerra depende também daquilo que os aliados da Ucrânia estão dispostos a fazer pela sua soberania e segurança no futuro. Convinha entenderem-se ou ficarão para a História como tendo incentivado a resistência dos ucranianos para depois os deixarem essencialmente sós numa guerra que é desigual.
Quatro anos! É quase tanto como a Primeira Guerra Mundial. E é mais do que durou a guerra dos soviéticos contra os nazis depois da invasão da União Soviética pela Alemanha em Junho de 1941, em plena Segunda Guerra Mundial.
Diário de Notícias
Leonídio Paulo Ferreira
Director-adjunto do Diário de Notícias
24.02.2026
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As poeiras em suspensão vão chegar primeiro à Madeira, dirigindo-se depois para o território continental. IPMA alerta para a possibilidade de “implicações na qualidade do ar e impactos na saúde”.
Reinaldo Rodrigues (Arquivo)
Para esta terça-feira, 24 de Fevereiro, prevê-se a chegada a Portugal continental de poeiras com origem no deserto do Saara, no norte de África, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
O transporte de poeiras irá afectar primeiro o arquipélago da Madeira esta segunda-feira (23), dirigindo-se depois ao território continental, “progredindo gradualmente de sul para norte, inseridas num fluxo de sul, definido pelo anticiclone localizado sobre a Península Ibérica e pela aproximação de uma superfície frontal fria ao continente”.
Um dos efeitos visíveis das poeiras em suspensão tem a ver com a alteração da cor do céu, “pois encontram-se normalmente em níveis mais elevados quando longe da origem”, explica o IPMA, referindo que será “mais provável que ocorra a deposição húmida de poeiras”, como consequência da chuva prevista a partir do final desta terça-feira em Portugal continental.
O IPMA alerta ainda para a possibilidade de “implicações na qualidade do ar e impactos na saúde”.
Nesse sentido, é sugerido que sejam seguidas as recomendações da Direcção-Geral da Saúde (DGS). Idosos, crianças e doentes crónicos (com problemas respiratórios, principalmente asma, e do foro cardiovascular) devem, se possível, permanecer em casa com as janelas fechadas.
A população em geral “deve evitar os esforços prolongados, limitar a actividade física ao ar livre e a exposição a factores de risco, tais como o fumo do tabaco e o contacto com produtos irritantes”, indica a DGS.
O Governo celebrou um contrato no valor de 11.520 euros para a prestação de serviços de maquilhagem e cabeleireiro destinados a membros dos gabinetes ministeriais antes de conferências de imprensa. De acordo com o Correio da Manhã, o acordo foi assinado pela Secretaria-Geral do Governo na quinta-feira e tem como objectivo “garantir a qualidade da imagem” de ministros e secretários de Estado.
O contrato prevê a realização de 50 sessões ao longo de um ano, com uma periodicidade semanal. Cada serviço tem um custo unitário de 230,40 euros e pode abranger entre um e quatro membros do Executivo. Estão incluídos trabalhos de maquilhagem e desmaquilhagem para homens e mulheres, bem como serviços de cabeleireiro para as governantes.
De acordo com o documento, os profissionais são informados com 24 horas de antecedência quando o serviço decorre em Lisboa e com 48 horas quando acontece noutra localidade de Portugal continental.
O ajuste directo foi autorizado pelo secretário-geral do Governo no início de Dezembro de 2025, data em que foi também aprovada a abertura do procedimento. O contrato foi assinado a 19 de Fevereiro de 2026 com a empresa GlitterGlobe Lda., que não regista outras adjudicações semelhantes no Portal Base.
O acordo aplica-se aos membros do Executivo liderado por Luís Montenegro e destina-se exclusivamente a momentos de comunicação oficial com os jornalistas.
Corria o ano de 2011 quando Mário Soares publicou o ensaio autobiográfico, político e ideológico Um Político Assume-se. O título revelou-se particularmente feliz: não só descrevia com rigor a vida e o modo de estar de Mário Soares, como acabou por se tornar um verdadeiro critério distintivo entre dois tipos de actores públicos.
De um lado, os que assumem inequivocamente que fazem política, com o objectivo de garantir direitos e liberdades, gerir recursos públicos, criar impacto económico e influenciar o futuro do país. Do outro, aqueles que constroem carreiras alavancadas na política partidária, mas dela se afastam sempre que tal lhes convém, num exercício de cinismo cuidadosamente calculado.
Esta reflexão serve de enquadramento para compreender o acordo que Carlos Moedas celebrou com a extrema-direita, à revelia dos lisboetas e sem nunca ter assumido, durante a última campanha autárquica, que essa seria uma opção em cima da mesa.
O mesmo Carlos Moedas que acusa de “radical” qualquer exercício legítimo de oposição ao seu paupérrimo desempenho enquanto presidente da Câmara Municipal de Lisboa é, afinal, o Carlos Moedas que faz acordos de bastidores com o Chega, negociando lugares em troca de votos favoráveis ao Orçamento Municipal e, simultaneamente, tentando silenciar os seus opositores políticos.
Há aqui uma contradição difícil de ignorar. O autarca obcecado com a imagem e com a comunicação, que procura afastar-se da figura do político tradicional desgastado pelo populismo, é o mesmo que decide “comprar” uma vereadora que, por curiosa coincidência, abandona o Chega para assumir pelouros, como o do Desperdício Alimentar, que certamente seriam apelidados de tachos no linguarejar do próprio… Chega. Um gesto que diz muito sobre a natureza real deste entendimento e pouco sobre coerência política ou respeito pelo eleitorado.
Carlos Moedas governa agora com uma maioria que os lisboetas não lhe deram nas urnas. E, com isso, deixaram de existir desculpas. O mandato que aí vem adivinha-se particularmente exigente: a vitimização tem agora a perna tão curta como a mentira. Durante quatro anos, repetiu até à exaustão que não fazia mais porque “não o deixavam”, recorrendo sistematicamente à poderosa máquina de comunicação que montou no município. Essa narrativa está, a partir de agora, esgotada.
Sem obras planeadas pelo Executivo liderado por Fernando Medina para inaugurar, e sem eventos excepcionais, como a visita do Papa, que lhe permitam ganhar protagonismo mediático, resta-lhe apenas um caminho possível: arregaçar as mangas, governar efectivamente a cidade e pensar mais em Lisboa e menos numa estratégia pessoal para substituir Luís Montenegro. O acordo de Moedas com o Chega tem essa virtude: já não há desculpas para não fazer, Carlos!
Dados da nova uma plataforma interactiva da Pordata, que faz um retrato comparativo dos 27 Estados-membros da União Europeia.
Foto: Reinaldo Rodrigues
Portugal foi o Estado-membro da União Europeia onde entraram mais imigrantes entre 2012 e 2023, de acordo com dados divulgados pela Pordata, apesar de estar longe de ser o país com a maior percentagem de população estrangeira.
Esta informação consta de uma plataforma interactiva, lançada esta segunda-feira, 23 de Fevereiro, pela Pordata, que, com base nos dados estatísticos do Eurostat, faz um retrato comparativo dos 27 Estados-membros da União Europeia com base em quatro temas: população, economia, custo de vida e rendimentos, energia e ambiente.
No que se refere à população, a Pordata indica que Portugal foi o país da União Europeia (UE) onde entraram mais imigrantes entre 2012 e 2023, “com uma taxa de crescimento médio anual de 34,3% face a 8,8%” a nível médio europeu.
O país com a segunda taxa mais elevada é a Estónia (30,3%), seguido da Lituânia (30,2%).
No entanto, apesar deste aumento na entrada de imigrantes, Portugal está longe de ser o país com a maior percentagem de população residente: com 9,6%, Portugal encontra-se em 12.º lugar, muito longe do Luxemburgo, onde cerca de 47,3% dos residentes são estrangeiros – a taxa mais elevada a nível da UE.
De acordo com estes dados, Portugal é o segundo país mais envelhecido da UE, apenas ultrapassado pela Itália: há 53 jovens por cada 100 idosos. Na Irlanda, o país da UE com a população mais jovem, a proporção é significativamente maior: há 122 jovens por cada 100 idosos.
Em Portugal, de acordo com os dados da Pordata, apenas um quarto dos agregados familiares (25,6%) tem crianças, “menos 6,8 pontos percentuais do que em 2011”, sendo a Eslováquia o país onde há mais famílias com crianças (35,6%).
Portugal é também o país da UE onde a população activa é menos escolarizada. De acordo com a Pordata, quatro em cada 10 pessoas não têm ensino secundário em Portugal, muito acima de países como a Polónia ou a Lituânia, onde apenas uma pessoa em cada 10 não concluiu esse grau ensino.
No entanto, na população entre os 25 e os 34 anos, “Portugal já revela uma escolarização alinhada com a média global da UE (43,2% com ensino superior face a 44,1% na UE)”, refere a Pordata.
Há também cada vez mais pessoas a viver sozinhas na UE. Segundo a Pordata, entre 2011 e 2023, “mais de 25 milhões de pessoas passaram a viver sozinhas, um aumento de 28%”.
“Em Portugal, foram mais 366 mil pessoas, um aumento de quase 50%”, indica a Pordata.
A plataforma lançada pela Pordata visa comemorar os 40 anos da adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (CEE), em Janeiro de 1986. Com dados do Eurostat, esta plataforma permite comparar as estatísticas dos 27 Estados-membros da UE e analisar a posição de Portugal sobre os diferentes tópicos face aos restantes países europeus.