Previstos aguaceiros fracos na região Norte e litoral Centro no sábado e períodos de chuva em geral fraca nas regiões Norte e Centro no domingo.
Chuva e vento forte em Portugal Continental Leonardo Negrão
Depois de semanas consecutivas de tempestades, a chuva deverá dar algumas tréguas este sábado, dia em que, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o céu apresentar-se-á “em geral pouco nublado, com aumento temporário de nebulosidade”.
Esse aumento da nebulosidade poderá ser acompanhado de “ocorrência de aguaceiros fracos na região Norte e litoral Centro, que a ocorrer serão de neve acima de 800/1000 metros de altitude até ao início da manhã”. Mas nada comparado com as chuvas intensas a que temos assistido.
Também é esperado “vento fraco a moderado (até 30 km/h) de norte/noroeste, soprando moderado a forte (30 a 45 km/h) no litoral oeste e nas terras altas, com rajadas até 75 km/h e 90 km/h, respectivamente, diminuindo gradualmente de intensidade a partir da manhã”, prevendo-se ainda uma “pequena descida da temperatura mínima”, com Lisboa a variar entre os 9ºC e os 14ºC e Porto entre os 8ºC e 14ºC.
Para domingo estão previstos “períodos de céu muito nublado, apresentando-se muito nublado a norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela”.
Prevêem-se “períodos de chuva em geral fraca nas regiões Norte e Centro, sendo mais frequente no Minho e Douro Litoral a partir da tarde”, assim como “vento fraco a moderado (até 30 km/h) do quadrante oeste, soprando moderado a forte (30 a 45 km/h) nas terras altas” e uma “pequena descida da temperatura mínima”, com Lisboa a oscilar entre 9ºC e os 15ºC e Porto entre os 8ºC e 14º C.
O mesmo cenário está previsto para o início da próxima semana, com “períodos de chuva nas regiões Norte e Centro, sendo mais frequente no Minho e Douro Litoral” na segunda-feira; e “aguaceiros fracos nas regiões Norte e Centro, sendo mais frequentes no Minho e Douro Litoral até ao fim da manhã” na terça.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afectadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Mau tempo tem provocado condicionamentos nas ligações ferroviárias e em várias estradas do país, com destaque para a A1, cujo piso abateu na zona de Coimbra devido ao rompimento de um dique.
Elementos da protecção civil transportam agricultores de barco nos campos e instalações agrícolas inundadas pela água do Mondego devido ao rebentamento do dique em Coimbra FOTO: PAULO NOVAIS/LUSA
Mais de 70 empresas já pediram lay-off simplificado
O ‘lay-off’ simplificado já foi pedido por 75 empresas afectadas pela tempestade Kristin, abrangendo 642 trabalhadores, enquanto 68 entidades recorreram ao incentivo extraordinário à manutenção de postos de trabalho, segundo dados hoje divulgados pelo Ministério do Trabalho.
“Os concelhos que registam um maior número de empregadores a requerer” o lay-off simplificado foram “Leiria, com 22 e Marinha Grande, com 16”, adiantou ainda o ministério liderado por Rosário Palma Ramalho, em comunicado enviado às redacções.
Os trabalhadores abrangidos pelo lay-off simplificado nas empresas afectadas pelas tempestades vão, afinal, receber dois terços do salário bruto até ao triplo do salário mínimo nacional (até 2.760 euros) e não 100%, como o Governo tinha anunciado, segundo esclareceu na quinta-feira o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.
A remuneração nunca pode ser inferior ao salário mínimo nacional em vigor, que está actualmente fixado em 920 euros.
No comunicado divulgado na quinta-feira, o Governo esclareceu ainda uma outra questão que estava por clarificar relativamente às regras do ‘lay-off’ simplificado, sobre a fatia que a Segurança Social vai suportar nos salários a pagar aos trabalhadores abrangidos.
Segundo o ministério, “durante os primeiros 60 dias, a Segurança Social assegura 80% da remuneração devida ao trabalhador, enquanto a entidade empregadora garante os restantes 20%”.
“Após este período inicial, aplicar-se-á a habitual divisão de 70/30”, acrescentou.
Além do lay-off simplificado, o Governo criou uma outra medida, chamada incentivo extraordinário à manutenção de postos de trabalho.
No âmbito deste apoio, “foram submetidas 68 candidaturas por empregadores, abrangendo um total de 340 trabalhadores, num montante global de apoio de mais de um milhão de euros”, adianta ainda a tutela, no comunicado hoje divulgado.
Do total de candidaturas apresentadas, 21 correspondem a trabalhadores independentes, acrescenta o executivo.
Em termos geográficos, “os concelhos de Leiria, Marinha Grande e Pombal concentram 62% das candidaturas”, adianta ainda o ministério, acrescentando que a região Centro “regista 52 empregadores apoiados, abrangendo 253 trabalhadores e um montante de 788.625,27 euros”.
Segundo o ministério, segue-se a região de Lisboa e Vale do Tejo, com 15 candidaturas abrangendo 80 trabalhadores, “e o Alentejo, com uma candidatura que abrange sete trabalhadores”.
Este apoio é atribuído pelo IEFP três meses “com possibilidade de prorrogação”, para assegurar “o cumprimento das obrigações retributivas até 100% do montante da retribuição normal ilíquida do trabalhador, deduzida a contribuição para a Segurança Social”, confirmou na quinta-feira o ministério.
O montante do apoio “não pode ultrapassar o valor de duas vezes a retribuição mínima mensal garantida, vulgo salário mínimo, ao qual acresce o apoio à alimentação e transporte”.
O Governo esclareceu ainda que “este apoio não é acumulável com o ‘lay-off’ simplificado”.
“Os dois apoios podem, no entanto, ser pedidos de forma sequencial. Quanto à isenção do pagamento de contribuições à Segurança Social para empresas afectadas pela calamidade, é acumulável com o incentivo extraordinário à manutenção de postos de trabalho ou com o lay-off simplificado”, sinalizou o ministério do Trabalho na mesma nota, na quinta-feira.
O comunicado divulgado hoje pelo Ministério do Trabalho surge pouco depois de o primeiro-ministro ter indicado que o Governo já contabilizou mais de 18.500 pedidos de ajuda, quase metade dos quais para reconstrução de habitações afectadas pelas tempestades.
Lusa
Deslizamentos provocam cortes e condicionamentos de trânsito na Sertã
A Câmara da Sertã cortou várias ruas, estradas e caminhos municipais devido aos deslizamentos e derrocadas que têm provocado danos nas vias, na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta pelo território.
“O elevado índice de precipitação que se tem registado tem provocado deslizamento de vertentes e danos em algumas vias, afectando a normal circulação rodoviária. Assim, no que respeita a estradas no concelho, registam-se alguns cortes e condicionamentos”, explicou, em comunicado, este município do distrito de Castelo Branco.
Segundo a informação disponibilizada, a Estrada Nacional 2 (EN2) tem o trânsito rodoviário cortado desde a Barragem do Cabril até Pedrogão Pequeno (alternativa IC8) e encontra-se condicionada entre Pedrogão Pequeno até ao limite do concelho com Vila de Rei.
Em Pedrogão Pequeno, a Rua Casimiro Freire teve de ser cortada por perigo de queda de uma fachada para a via pública e na União de Freguesias de Cernache do Bonjardim, Nesperal e Palhais, na Rua do Vale Casal o trânsito está cortado.
Já o Caminho Municipal 1130, na freguesia da Sertã, está cortado à circulação rodoviária.
Existem ainda condicionamentos no cruzamento desde a EN238 (junto à Portela de Oliveira) até à Foz da Sertã (União de Freguesias de Cernache do Bonjardim, Nesperal e Palhais) e no Caminho Municipal 1116 (entre Pinheiro a Aldeia Velha) e no Caminho Municipal 1117.
No que diz respeito à reposição da energia eléctrica, todos os 280 postes de transformação do concelho estão energizados, dos quais 246 ligados à rede de média tensão e 34 alimentados por geradores, prosseguindo os trabalhos quer na média, quer na baixa tensão.
Já o apoio psico-social, que estava a decorrer na biblioteca municipal, vai passar a realizar-se exclusivamente na Câmara Municipal da Sertã, no Sector de Acção Social, nos dias úteis das 09:00 às 12:30 e das 13:30 às 17:00.
Lusa
Troço suburbano do metrobus na região de Coimbra pode reabrir na próxima semana
O presidente da Metro Mondego estimou hoje que a operação do Sistema de Mobilidade do Mondego seja retomada na próxima semana até à Lousã, mas até Serpins pode ainda demorar, pelo menos, cinco meses.
“Estamos convencidos de que iremos ultrapassar estes problemas durante a próxima semana e que voltaremos a operar de forma normal o metrobus”, afirmou João Marrana.
As operações do metrobus no troço suburbano foram suspensas há cerca de uma semana por motivos de segurança e indicação da Protecção Civil, com a Metro Mondego a garantir serviços alternativos de transporte.
“Pedimos desculpa por todos os problemas que demos às pessoas”, disse.
O presidente da Metro Mondego participou hoje na reunião de Câmara de Miranda do Corvo, no concelho de Coimbra, a convite do presidente da autarquia, José Miguel Ramos Ferreira, para dar explicações sobre os constrangimentos na circulação do metrobus.
Na reunião, Marrana reconheceu que a ligação entre a Lousã e Serpins pode demorar mais tempo a ser retomada, devido “à obra estrutural” que terá de ser feita entre o Casal de Espírito Santo e o Casal de Santo António.
“Esperamos fazer o contrato com total urgência de serviço na próxima semana, mas vai demorar cinco meses. É a nossa estimativa”, explicou.
João Marrana reconheceu que a operação dos serviços alternativos ao metrobus começou “com muitas limitações”, apontando dificuldades em encontrar operadores.
“Neste momento, temos em operação autocarros que são operados com motoristas que vieram de Aveiro e outros que vieram de Guimarães. Não é fácil encontrar operadores do pé para a mão. Não é nada fácil”, explicou.
Sobre a oferta de serviços alternativos, “tudo indica que será suficiente”, tendo como referência os dados da utilização no dia 21 de Janeiro.
“Neste momento, estamos com 78 serviços em cada sentido. Quando eram os serviços alternativos, há uns meses, eram 83”, detalhou, acrescentando que se for preciso mais serviços a Metro Mondego disponibilizará, “desde que se arranje quem os possa fazer”.
Aos vereadores e residentes de Miranda do Corvo presentes na reunião, o responsável apontou ainda como condicionante para os serviços alternativos a “quantidade expressiva de estradas que estão cortadas”.
Marrana disse ainda que o problema foi “existir a [depressão] Kristin com um conjunto extenso de tempestades seguintes”.
Lusa
Empresas em municípios em calamidade responsáveis por 15,2% de exportações
As empresas sediadas nos 68 municípios onde foi declarada situação de calamidade foram responsáveis, no ano passado, pela exportação de 15,2% dos bens nacionais, segundo dados do INE.
Num destaque hoje publicado, sobre estes municípios, o Instituto Nacional de Estatística (INE) indicou que em 2025, as empresas sediadas nestes municípios foram responsáveis por 15,2% das exportações nacionais de bens e por 12.085,7 milhões de euros (dados preliminares).
Segundo o INE, no sector do alojamento turístico, estes municípios concentravam 14,9% dos estabelecimentos em actividade (1.263 unidades), 11,5% da capacidade instalada (58,3 mil camas) e 8,9% das dormidas registadas no país (7,3 milhões).
De acordo com a mesma informação, em 2024, nestes municípios estavam 15,8% das empresas não financeiras, 14% do pessoal ao serviço e 13,8% do volume de negócios.
Já em termos sectoriais, destacaram-se a agricultura e pescas e a indústria e energia, com o maior peso relativo no pessoal ao serviço e no volume de negócios, bem como a indústria e energia e o comércio, com maior expressão no número de empresas.
Paralelamente, segundo o recenseamento agrícola de 2019, estes municípios concentravam 22% das explorações agrícolas, 20% do volume de trabalho agrícola e 14% da superfície agrícola utilizada.
Já na produção pecuária, “o peso relativo era particularmente expressivo”, indicou o INE, com 60% do efectivo nacional de suínos e 52% das aves.
“Apesar de concentrarem uma menor proporção da superfície agrícola utilizada, estes municípios assumem um peso significativo na produção pecuária nacional”, destacou.
De acordo com o INE, “em 2021, cerca de 1,8 milhões de pessoas (17,0% da população residente em Portugal) viviam nos 68 municípios onde foi declarada situação de calamidade, que concentravam também 19% dos alojamentos do país”.
Lusa
Prejuízos elevados em praias de freguesias de Oliveira do Hospital
A presidente da União de Freguesias de Penalva de Alva e São Sebastião da Feira, em Oliveira do Hospital, fez hoje votos de que, no verão, as praias fluviais afectadas pelo mau tempo possam receber visitantes.
Apesar de não conseguir apontar números concretos, Madalena Mendes disse à agência Lusa que os prejuízos no território desta união de freguesias do distrito de Coimbra foram “muito elevados, sobretudo em infra-estruturas viárias e nas praias fluviais”.
Segundo Madalena Mendes, o mau tempo deixou um rasto de destruição nas praias fluviais de Penalva de Alva, Caldas de São Paulo, Santo António do Alva e São Sebastião da Feira, muito procuradas no verão por pessoas que “dão muita vida” às freguesias.
“Esperamos que no próximo verão já haja condições” para receber os visitantes.
No que respeita à rede viária, a autarca destacou o colapso da plataforma da Estrada Municipal (EM) 514, que ficou cortada nos dois sentidos na quarta-feira à noite.
“É outro grande constrangimento, até porque temos unidades hoteleiras e está a ser muito difícil”, afirmou Madalena Mendes, garantindo que estão a ser feitos todos os esforços para que a EM 514 reabra o mais rapidamente possível.
O desabamento na EM 514 (também conhecida como estrada do Vale do Alva) ocorreu às 22:48 de quarta-feira, encerrando a via entre o cemitério de Penalva de Alva e o Lagar das Caldas de São Paulo.
“A estrada colapsou numa extensão de 100 metros. Grande parte da plataforma foi abaixo. Tem apenas uma parte residual que ainda não abateu, mas admitimos que nas próximas horas acabará por colapsar, o que põe em causa a mobilidade e um conjunto de serviços”, disse o presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, na quinta-feira.
Segundo José Francisco Rolo, trata-se de “uma estrada estruturante para a zona Sul do concelho”, que liga várias freguesias e dá acesso à escola da Ponte das Três Entradas.
Lusa
Acesso da Ponte 25 de Abril para a A5 de novo cortado
O acesso da Ponte 25 de Abril para a Autoestrada 5 (A5), que liga Lisboa a Cascais, foi hoje novamente cortado ao trânsito, sendo a saída alternativa por Alcântara ou Monsanto, informou a Brisa.
De acordo com uma nota da BCR – Brisa Concessão Rodoviária, cerca das 15:20, o acesso da Ponte 25 de Abril à A5, no sentido Lisboa – Cascais, está fechado, não adiantando mais pormenores.
Anteriormente, a Brisa dava conta de que se encontrava cortado o trânsito na via central esquerda da A5, sentido Lisboa-Cascais, ao km1, ficando apenas a via esquerda aberta ao trânsito.
Já na quarta e quinta-feira, o trânsito na A5 esteve cortado no sentido Lisboa–Cascais, do viaduto de Duarte Pacheco até à Cruz das Oliveiras (quilómetro 1), depois de um deslizamento de terras ter obstruído duas faixas de rodagem, cerca das 19:20.
O trânsito reabriu no local na quinta-feira às 06:27 em duas das quatro vias no sentido Lisboa-Cascais, depois de terem sido terminados trabalhos de limpeza, segundo disse a GNR.
Durante a noite foram removidos detritos devido à derrocada de quarta-feira. No local estiveram elementos da Brisa, a concessionária da autoestrada, a avaliar a situação.
No entanto, horas depois, cerca das 15:40, fonte da Divisão de Trânsito da PSP de Lisboa adiantou à Lusa ter ocorrido um novo deslizamento de terras ao quilómetro 1, na subida para o Monsanto, no mesmo local em que ocorreu um outro na quarta-feira, pelo que o trânsito foi novamente cortado.
Lusa
Mais de 250 bibliotecas públicas com danos causados pelas tempestades
Mais de metade das 489 bibliotecas da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas (RNBP) foram afectadas pelo mau tempo, principalmente as de Alcácer do Sal, Santarém, Leiria, Caldas da Rainha, Pombal e Marinha Grande, que sofreram maior impacto.
“De acordo com a informação recolhida pela DGLAB [Direcção-Geral do Arquivo dos Livros e das Bibliotecas] e que se mantém em actualização, 52% das bibliotecas da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, maioritariamente localizadas na região centro do país, indicaram ter sido afectadas pelo mau tempo das últimas semanas”, disse à Lusa Bruno Eiras, subdirector-geral daquele organismo.
O responsável adiantou que este é o balanço possível no momento, uma vez que os “contactos com as bibliotecas não estão a ser tão rápidos” como desejável, “não conseguindo manter a informação actualizada”.
Além disso, “a continuidade do tempo de chuva tem criado novas situações”, alertou.
De qualquer modo, os dados recolhidos indicam que das quase 255 bibliotecas atingidas pelas sucessivas tempestades que assolam o país desde 28 de Janeiro, 80% dizem respeito a infiltrações e inundações de pequenas dimensões ou a situações externas às bibliotecas como falhas de electricidade e comunicações.
As restantes informaram pequenos impactos, alguns relacionados com problemas preexistentes, e muitas relatam dificuldades por parte de alguns trabalhadores em chegar às bibliotecas.
Apesar dos danos verificados, 78% das bibliotecas indicaram ter conseguido manter-se em funcionamento, enquanto os restantes 22% tiveram de encerrar alguns espaços ou serviços, acrescentou Bruno Eiras, sem especificar quais as bibliotecas em causa.
No entanto, revelou que “os casos mais graves” de que teve conhecimento “ocorreram nas Bibliotecas Municipais de Alcácer do Sal, Santarém, Leiria, Caldas da Rainha, Pombal e Marinha Grande, onde os espaços ou mesmo as estruturas foram bastante afectadas”.
De acordo com uma publicação nas redes sociais da respectiva autarquia, a Biblioteca Municipal de Alcácer do Sal está “encerrada por tempo indeterminado”, pois “todo o piso térreo ficou debaixo de água, perdendo-se as salas infantis e os livros em depósito e registando-se enormes danos no auditório e sala de exposições”.
Na sequência da perda deste espólio de 30 anos de actividade, a biblioteca lançou no início desta semana um apelo à doação de “livros infantis” em bom estado, destinados a crianças até 12 anos, para recompor o seu acervo, mas de acordo com informações de um agrupamento de escolas local, a angariação foi entretanto suspensa por falta de capacidade de gestão, devido ao mau tempo.
No dia 04 deste mês, quando ainda só se faziam sentir os impactos da depressão Kristin, também a directora da Biblioteca Municipal de Pombal, Daniela Martins, revelou à Lusa que aquela estrutura sofrera “estragos significativos no piso superior e na parte de trás”.
“Está com infiltrações e falta de coberturas. Uma janela ficou partida e outras duas janelas grandes foram projectadas, tendo destruído alguns computadores sobre os quais caíram”, indicou na altura, especificando que “ficaram também destruídas a parte interna do edifício e a oficina”, mantendo-se em funcionamento apenas a parte da frente, servindo a população afectada.
Quanto à biblioteca da Marinha Grande, já naquela altura era uma das que tinham tido “mais estragos”, tendo perdido a cobertura, que impedia a entrada da água, segundo a responsável, que disse ainda que as estantes e os livros estavam cobertos com plásticos, para tentar minimizar os danos.
Bruno Eiras destacou “o trabalho de apoio às comunidades que muitas bibliotecas têm dado desde os primeiros dias”.
“As características das bibliotecas públicas e dos seus trabalhadores atribuem-lhes especial importância na ajuda às populações, como locais abertos a todos, gratuitos e seguros e onde os profissionais podem apoiar as populações na procura de informação relevante e na utilização dos equipamentos informáticos”, realçou.
Em muitos municípios, as bibliotecas públicas foram os primeiros locais a disponibilizar-se para prestar serviços às populações para carregar telemóveis e computadores, aceder à Internet, ter um espaço para trabalhar, estudar, contactar familiares ou ainda, simplesmente, como um local confortável para estar face às tempestades, assegurou o responsável.
“Várias bibliotecas também adaptaram os seus horários de funcionamento para melhor responderem à procura e tentaram estar alinhadas com as estratégias municipais”, acrescentou.
Esse foi o caso da Biblioteca Municipal de Pombal que, devido à procura, alargou o horário de funcionamento para o período das 09:00 às 20:00, sem interrupções, de segunda-feira a sábado, segundo a directora.
Lusa
Deslizamento de terra obriga à retirada de 13 pessoas em Leiria
Um deslizamento de terra hoje de madrugada obrigou à retirada de 13 pessoas, em São Romão, no concelho de Leiria, disse à agência Lusa o vereador da Protecção Civil, que revelou que uma outra habitação está a ser monitorizada.
“Verificou-se um deslizamento de terras numa das encostas de São Romão. Retirámos, até ao momento, 13 pessoas. E já estamos a proceder a vistorias para notificar os proprietários, que é uma parte privada, para também procedermos às reparações necessárias”, explicou Luís Lopes.
Segundo o vereador, um dos objectivos é repor o acesso às habitações todas, porque “algumas ficaram muito condicionadas por parte de um caminho que foi também muito danificado”.
As 13 pessoas retiradas viviam nas habitações por baixo de uma encosta, mas a Protecção Civil está a monitorizar uma outra habitação na parte superior do talude.
“Estamos a verificar a sua estabilidade, uma vez que uma parte das fundações ficou à mostra e temos de ter a certeza de que não há dano estrutural que possa colocar em causa os moradores”, acrescentou.
Luís Lopes explicou que se tratou de “um movimento de massas considerável”, que envolve “umas toneladas valentes de terras que se movimentaram”, pelo que “ainda vai levar alguns dias até se conseguir repor”.
O autarca salientou que “as condições meteorológicas não têm sido nada favoráveis e a acumulação de água nos solos tem contribuído para este tipo de situações”.
Esperando que nos próximos dias a situação meteorológica melhore, Luís Lopes espera que seja possível realizar uma “intervenção para repor alguma normalidade e as pessoas poderem regressar o mais rápido possível às suas casas”.
Continua a correr todos os dias, a sorrir todos os dias, a preocupar-se todos os dias. Não há nenhum atleta em Portugal que tenha feito da sua vida uma apologia da comunidade, do vivermos uns com os outros, uns para os outros.
Rosa Mota nunca quis ser livre no sentido mais egoísta do termo, acreditou sempre que as suas medalhas precisavam de continuidade, que precisava de ser em permanência um exemplo ético e cívico.
Não há paralelo com qualquer dos grandes atletas portugueses, ninguém se lhe pode comparar – a nossa Campeã Olímpica, uma das maiores maratonistas da historia, deixou as competições a “sério”, mas continuou a ganhar provas atrás de provas no Circuito de Veteranos, a viajar para os cinco continentes, a ajudar quem precisa, a comprometer-se nos mais variados combates sociais, culturais e até políticos.
Fábio Poço / Global Imagens
A menina da Foz manteve-se menina. Pequenina, sorridente, esmagadora na simplicidade, mas corajosa e politicamente incorrecta. Rosa Mota, mais o seu companheiro e mentor, o enorme José Pedrosa, acorda nas manhãs como se fosse eterna. E no próximo dia 19, de hoje a oito dias, será doutora pela Universidade do Porto. Doutora Honoris Causa.
Rosa, a segunda mais nova de seis irmãos de uma família proletária na zona mais burguesa do Porto, será aplaudida de pé pelos professores e sábios da cidade, do país e do mundo. Estarão reitores, cardeais, ministros, autarcas e até dois presidentes de duas Repúblicas. Despacho já o meu abraço, querida Rosa. Na próxima semana, não conseguirei chegar a ti.
A minha crónica de 30 de Janeiro sublinhou a importância da conferência de Munique deste ano, olhando à nova realidade da segurança internacional, decorridos que estão 12 meses da Administração Trump. A mensagem principal do meu texto era suficientemente clara: o direito internacional deve dizer não à força bruta!
Agora, com a conferência a começar hoje e a decorrer até domingo, penso ser importante reflectir sobre a segurança numa perspectiva europeia. Em Munique, a Europa tem de saber demonstrar que está realmente disposta a resolver e a ultrapassar com feitos concretos a sua fragilidade geopolítica.
Este primeiro ano da Presidência de Donald Trump veio confirmar o que a invasão ilegal, injustificada e em larga escala da Ucrânia em 2022 já havia revelado: a Europa é economicamente poderosa, cultural e normativamente influente, mas estrategicamente fraca. Em matéria de segurança, tem dependido fundamentalmente dos EUA e da sua visão do mundo. Com a chegada de Trump ao poder, a vulnerabilidade e a dependência da Europa, em termos de Defesa, em relação a Washington, tornaram-se mais evidentes.
Neste contexto, a presença de Marco Rubio em Munique, à cabeça de uma enorme e influente delegação americana, ganha um significado particular. Na conferência de 2025, o vice-presidente americano JD Vance ficou para a pequena história ao dizer, entre outras afirmações que nos chocaram, que o compromisso americano com a segurança europeia deixara de ser incondicional. Uma vez isso dito, a posição de Washington já não precisará agora de ser tão perturbante. Rubio representa uma América menos boçal, que não hostiliza dessa forma a Europa. Apenas a considera como um actor geopolítico fragmentado, desorientado, com pouco peso, praticamente insignificante.
O seu discurso não andará muito longe dos seguintes pontos: a responsabilidade da segurança da Europa é, acima de tudo, uma incumbência europeia; os governos europeus devem investir mais em Defesa, tal como se comprometeram na Cimeira da NATO, em Junho de 2025; os americanos querem que haja mais clareza estratégica do lado europeu, o que no entendimento dos EUA significaria um alinhamento sem hesitações com as políticas definidas por Washington e um engajamento efectivo na iniciativa de Trump no inefável Conselho de Paz. Rubio não se esquecerá de mencionar que a Aliança Atlântica continuará a existir, enquanto a sua liderança for, no essencial, ditada pelos interesses dos EUA.
Irá igualmente explicar o pretenso plano de paz, de inspiração russa, que o presidente americano quer impor à Ucrânia, incluindo o projecto irrealista de realização de eleições presidenciais num país a sofrer uma guerra de agressão dia e noite, e ao som dos tambores e dos mísseis russos.
Na verdade, não creio que Rubio trará de oeste nada de novo. As intervenções dos dirigentes europeus, essas sim, terão de ser escutadas atentamente.
Aí, vejo de forma cada vez mais nítida, discordâncias significativas, em particular entre a França e a Alemanha – divergências que se reflectem nas visões contrastantes entre Emmanuel Macron e Ursula von der Leyen.
Macron insiste, há anos, na necessidade de uma Europa estrategicamente autónoma, capaz de organizar a sua segurança tendo em conta as ameaças prováveis. Essa posição ficou de novo reflectida na entrevista que deu esta semana ao jornal Le Monde e a outros grandes jornais europeus. Não diminui a NATO, mas insiste no equilíbrio entre os interesses estratégicos das duas margens do Atlântico. Para Macron, a continuação da dependência em relação a Washington é uma forma disfarçada, mas real, de subordinação.
Contrariamente ao que outros pensam, acredito que essa tomada de posição de Macron não visa marcar terreno para vir a substituir António Costa como presidente do Conselho Europeu em Junho de 2027. Nessa área, Macron parece não ter grandes hipóteses.
Von der Leyen segue uma abordagem mais institucional e profundamente moldada pelas opções estratégicas alemãs. A sua liderança, mais próxima de Friedrich Merz, tem sido eficaz na obtenção de compromissos no domínio das indústrias de Defesa e no apoio à Ucrânia. Mas a presidente da Comissão Europeia permanece convencida da necessidade da nossa complementaridade com os Estados Unidos.
Para Von der Leyen, a autonomia europeia surge mais como reforço do pilar europeu da NATO do que como um projecto político paralelo, com laivos de independência. É uma decisão inspirada na tradição alemã das últimas décadas.
Macron pensa em Charles de Gaulle e reflecte uma Europa que deixou de acreditar no respaldo americano. Aposta na unidade entre as principais potências europeias. Já Von der Leyen teme as fracturas que possam surgir em situações de crise. Considera indispensável que haja um ponto de ancoragem exterior às rivalidades europeias. Na realidade, isso poderá significar que reconhece a fragilidade do projeto europeu.
Temo que a Conferência de Munique mostre essas discrepâncias e transmita à delegação chefiada por Rubio uma imagem de fraqueza. E a convicção de que quem manda, de facto, na segurança europeia estaria afinal na Casa Branca. Tal seria trágico para o nosso projecto comunitário.
Perante Rubio, e por seu intermédio, Donald Trump, a Europa não pode limitar-se a prometer mais despesas. Tem de demonstrar unidade, capacidade de decisão e força moral num novo velho mundo, agora dominado por potências que deixaram outra vez de dar valor à ética política e ao direito internacional.
Na sequência da precipitação persistente e prolongada, um troço da A1 desabou devido ao rompimento de um dique no Mondego, Coimbra. Ministro das Infra-estruturas diz que reparação irá demorar semanas.
MIGUEL A. LOPES/LUSA
Caudal do Sado baixa em Alcácer do Sal mas avenida mantém-se inundada
O caudal do Rio Sado voltou hoje a baixar em Alcácer do Sal, distrito de Setúbal, e a marginal deixou de estar inundada, mas a Avenida dos Aviadores continua ‘debaixo de água’, revelou a Protecção Civil.
Em declarações à agência Lusa, o comandante sub-regional de Emergência e Protecção Civil do Alentejo Litoral, Tiago Bugio, indicou que o nível da água do rio começou a baixar durante a madrugada, cerca das 02:00.
“Tivemos o pico da maré à meia-noite e, depois, começámos a ter uma diminuição do caudal do Rio Sado. Do lado da marginal, a água já baixou, mas a Avenida dos Aviadores continua inundada”, adiantou.
Segundo o responsável, com a subida do nível do rio, a Avenida dos Aviadores voltou a ficar inundada na quarta-feira de manhã, enquanto a marginal da cidade alentejana foi invadida pelas águas do Sado já ao final da tarde.
Apesar da situação, durante a noite de terça-feira e madrugada de hoje, “a população manteve-se tranquila e não houve nenhuma operação de resgate”, salientou.
O comandante mostrou-se preocupado com a próxima madrugada por estar previsto o regresso da chuva e o eventual início de descargas na Barragem do Monte da Rocha, no concelho de Ourique, distrito de Beja, para o Rio Sado.
Esta barragem “estava a 70 centímetros” de atingir a cota máxima “há um dia ou um dia pouco e, agora, está a 30”, realçou, assumindo que o mais provável é que comece também a descarregar nas próximas horas.
A concretizar-se, o Monte da Rocha será a oitava barragem a descarregar para o Rio Sado, juntando-se às de Vale do Gaio, Pego do Altar, Odivelas, Campilhas, Alvito, Fonte Serne e Roxo.
“Solicitámos às associações [gestoras das barragens] que aumentem um bocadinho as descargas” para que, mais tarde, seja possível “acomodar a chuva que vai cair durante a próxima noite” e, assim, controlar o caudal do rio, revelou.
Tiago Bugio disse que, nas últimas semanas, Alcácer do Sal já registou quatro inundações, realçando que a primeira ocorreu no dia 28 de Janeiro, enquanto a mais grave foi registada no dia 05 deste mês, não sabendo precisar a que altura chegou a água dessa vez.
“Nesse dia, estavam a ser descarregados 1.070 metros cúbicos de água por segundo pelas barragens”, acrescentou.
Num comunicado publicado na sua página na rede social Facebook, a Câmara de Alcácer do Sal revelou que cerca de 80 militares do Exército e da Marinha estiveram, na quarta-feira, envolvidos nas operações de limpeza na cidade e na colocação de barreiras de contenção na encosta do castelo, onde ocorreram deslizamentos de terra.
Os festejos de Carnaval da cidade foram cancelados.
DN/Lusa
Brisa está a realizar trabalhos de estabilização do aterro na zona que abateu na A1
A Brisa está já a realizar trabalhos de estabilização do aterro na zona onde abateu a A1, em Coimbra.
De acordo com um comunicado da concessionária, estão no terreno mais de 30 de camiões, um camião-grua, um camião porta-máquinas, um bulldozer e duas escavadoras, além de mais de 70 profissionais. Estão ainda, segundo indica, mobilizadas todas as equipas Brisa especializadas nas áreas de gestão e operação de infra-estruturas.
Os trabalhos irão decorrer em duas fases. A primeira, focada no sentido Norte-Sul, e a segunda, focada no sentido Sul-Norte.
“A prioridade passa, actualmente, pela implementação de medidas que impeçam o agravamento dos danos nas duas faixas de rodagem. Os trabalhos em curso consistem na utilização de material rochoso tendo em vista suster a erosão da infra-estrutura (enrocamento) no sentido Norte-Sul”, explica.
A segunda fase dos trabalhos visará estabilizar os solos sob a laje de transição, no sentido Sul-Norte, de forma a repor as condições da plataforma.
Segundo a Brisa, não é possível, para já, estimar o prazo de conclusão das obras.
Já há camiões no local para iniciar os trabalhos MIGUEL A. LOPES/LUSA
Governo ordena avaliação técnica de infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias
O Ministério das Infra-estruturas e Habitação aprovou um despacho que determina a realização urgente de uma avaliação técnica independente às infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias nacionais, mandatando o LNEC para analisar a segurança e operacionalidade após os fenómenos meteorológicos extremos.
O documento sublinha que “nenhuma disposição do presente despacho ou a actuação subsequente do LNEC mitiga ou afasta a responsabilidade ou as obrigações das entidades gestoras das infra-estruturas rodoviárias ou ferroviárias”.
O despacho produz efeitos a partir de 11 de Fevereiro de 2026 e é assinado pelo ministro das Infra-estruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz.
Conservação do dique do Mondego foi “completamente descurada”. “Uma obra destas não pode ser abandonada”
O dique do rio Mondego exige uma observação constante de toda a albufeira e das zonas de degelo da Serra da Estrela, defendeu hoje o engenheiro Carlos Matias Ramos, para quem a monitorização foi “completamente descurada”.
“Uma obra destas não pode ser abandonada. O maior risco que se corre é não conhecer o risco”, disse à Lusa o ex-bastonário da Ordem dos Engenheiros, alertando para a dimensão e o tipo de estrutura, constituída por diques em aterro ao longo de cerca de 30 quilómetros entre Coimbra e a Figueira da Foz.
Carlos Matias Ramos, que presidiu ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) explicou que um dique como o do Mondego, que colapsou na quarta-feira, é construído sob regras “muito rígidas”, tendo em conta, nomeadamente, a natureza do solo, que constitui a fundação.
“Tenho de saber se o solo tem capacidade para receber o peso que vai receber aquele dique. Uma vez concluída a obra, tem de ser fortemente conservada”, afirmou.
“É necessária uma observação constante sobre o que se está a passar”, reiterou, explicando que a partir dos resultados o projectista reformula a obra ou estabelece um plano para conservação.
Trata-se de uma obra de diques de contenção lateral, que deve ter entre a quota máxima da água (em situação de cheia) e a coroa (topo) uma margem de 40 a 60 centímetros.
“Essa quota pode ser comida se o dique assentar”, especificou Carlos Matias Ramos, referindo que durante os primeiros 10 anos após a construção não houve problemas com a obra.
DN/Lusa
Câmara de Castelo Branco cancela “grande parte dos eventos” previstos para este ano
A Câmara de Castelo Branco decidiu cancelar “grande parte dos eventos municipais” previstos para este ano, na sequência dos efeitos das tempestades que “atingiram com elevada intensidade o concelho nas últimas semanas”
“As tempestades provocaram danos significativos em infra-estruturas públicas, equipamentos municipais, espaços verdes e vias de comunicação, exigindo uma intervenção prioritária e a reafectação de recursos humanos, logísticos e financeiros para acções de recuperação e reabilitação no concelho”, justifica a Câmara de Castelo Branco numa nota divulgada nas redes sociais.
Perante este cenário, o “executivo municipal decidiu direccionar todos os esforços para a reposição das condições de segurança, reconstrução das infra-estruturas danificadas, implementação de medidas de mitigação e prevenção que reforcem a resiliência do território”.
Há, no entanto, eventos que vão ser realizados “por se tratarem de iniciativas de forte enraizamento cultural”, mas poderão ter “formatos mais restritos e os programas contarão exclusivamente com artistas locais e regionais”. É o caso de Castelo Branco Moda, Festival Sabores de Perdição, Cinema no Parque, Patas & Patudos, Mercadinho de Natal e as festividades da Passagem de Ano
Penacova pede moderação no consumo de água após ruptura de condutas
A Câmara de Penacova pediu hoje às populações de duas uniões de freguesias e de outras três localidades que moderem o consumo de água devido à ruptura de condutas que obrigou a recorrer a auto-tanques para garantir abastecimento.
O município, numa nota publicada hoje nas redes sociais, apela à moderação do consumo de água nas uniões de freguesias de São Pedro de Alva e São Paio de Mondego, e de Oliveira do Mondego e Travanca do Mondego, assim como nas localidades da Carvoeira, Ronqueira e Travasso.
Em declarações à Lusa, o presidente da Câmara, Álvaro Coimbra, explicou que se registou na quarta-feira uma ruptura numa conduta adutora da Águas do Centro Litoral, que abastece parte do concelho (as duas uniões de freguesias visadas pelo aviso).
“As pessoas têm água na mesma, mas estamos a recorrer a auto-tanques dos bombeiros para repor a água dos reservatórios. Como este é um esforço muito grande, que implica estar constantemente a transportar água, estamos a pedir às pessoas para moderarem o seu consumo, enquanto não se repararem as condutas”, aclarou.
Além da conduta adutora, houve também uma ruptura numa conduta da rede municipal, que abastecia as localidades de Carvoeira, Ronqueira e Travasso, onde também é preciso recorrer a auto-tanques para garantir o abastecimento de água, disse o presidente daquele concelho do distrito de Coimbra.
As duas rupturas aconteceram junto à estrada nacional 2 (N2), após um deslizamento de terras junto à Carvoeira, num momento em que aquela via principal está cortada ao trânsito nos dois sentidos desde terça-feira, afirmou Álvaro Coimbra.
O município tem as suas escolas encerradas desde quarta-feira e até sexta-feira face aos vários cortes de estradas que têm ocorrido no concelho, não havendo condições de segurança para os autocarros escolares circularem.
Lusa
Território de Montemor-o-Velho é o que mais preocupa Protecção Civil da Região de Coimbra. “As pessoas têm de manter toda a atenção”
O comandante sub-regional de Emergência e Protecção Civil da Região de Coimbra disse hoje que a maior preocupação no território é, neste momento, o concelho de Montemor-o-Velho.
Carlos Luís Tavares disse à Lusa que a barragem da Aguieira está a descarregar e, por isso, enquanto não se baixar a pressão no rio Mondego e com toda a água que está a ir para os campos agrícolas, a maior preocupação é o concelho de Montemor-o-Velho e a localidade da Ereira, que já está isolada há alguns dias, neste município.
“Mas também mantemos a preocupação nas margens direita e esquerda [do rio Mondego, entre Coimbra e Montemor-o-Velho], porque não estamos livres de que os diques rebentem. As pessoas têm de manter toda a atenção”, apelou.
DN/Lusa
Circulação de comboios suspensa entre Alfarelos e Verride, na região Centro
A Infra-estruturas de Portugal (IP) actualizou a situação na rede ferroviária nacional, dando conta de novos condicionamentos, nomeadamente no ramal de Alfarelos, na região Centro.
Segundo a empresa, várias equipas da IP estão no terreno “para resolver a situação e repor, com a maior brevidade possível, as condições de circulação e de segurança”.
Era este o ponto da situação às 13h00:
– Ramal de Alfarelos: circulação suspensa entre Alfarelos e Verride.
– Linha de Sintra: circulação suspensa na via descendente externa entre Cacém e Monte Abraão;
– Linha de Cascais: circulação suspensa na via ascendente entre Algés e Caxias;
– Linha do Norte: circulação suspensa entre Alfarelos e Formoselha;
– Linha do Douro: circulação suspensa entre a Régua e o Pocinho;
– Linha do Oeste: circulação suspensa entre Caldas da Rainha e Amieira;
– Linha da Beira Baixa: circulação suspensa entre Ródão e Sarnadas;
– Linha do Vouga: circulação suspensa entre Oliveira Azeméis e Pinheiro da Bemposta;
– Concordância de Xabregas: circulação suspensa entre Lisboa Santa Apolónia e a Bifurcação Chelas.
Leiria desafia E-Redes a ir às freguesias prestar esclarecimentos sobre falta de energia
A Câmara de Leiria e as 20 Juntas de Freguesia do concelho desafiaram esta quinta-feira a E-Redes a ir ao terreno prestar esclarecimentos às populações que, há 16 dias, estão sem electricidade na sequência da depressão Kristin.
“Solicitamos à E-Redes informação detalhada sobre o ponto de situação dos trabalhos e desafiamos a empresa a deslocar-se às freguesias mais afectadas para prestar esclarecimentos directos às populações”, lê-se num comunicado subscrito pelo município e juntas.
No comunicado conjunto, pede-se ainda “a apresentação urgente de um calendário concreto, freguesia a freguesia, para a reposição total do serviço”, e é reiterado “o pedido de mobilização de meios técnicos adicionais para acelerar as intervenções nas zonas ainda afectadas”.
Os subscritores reclamaram ao Governo para accionar “os mecanismos necessários para garantir o reforço de meios técnicos e operacionais”, assegurando uma resposta proporcional à dimensão dos danos”, e à E-Redes, principal operadora da rede de distribuição de energia eléctrica em Portugal Continental das redes de alta, média e baixa tensão, renovaram o pedido para que defina rapidamente “medidas de compensação pelos prejuízos causados”.
“Impõe-se ainda que a E-Redes apresente explicações sobre situações em que subsistem clientes sem fornecimento eléctrico, apesar de existirem habitações vizinhas já com energia restabelecida, bem como esclareça os critérios que justificam que alguns concelhos e freguesias apresentem níveis de reposição significativamente inferiores a outras”, defenderam.
Através do documento, exigiram ainda “o reforço imediato das equipas SOS para reposição de ligações em situações isoladas”, depois de lembrarem que, desde que a depressão Kristin atingiu o concelho, em 28 de Janeiro, “continuam a existir falhas no fornecimento de electricidade em todas as freguesias”, situação que “tem provocado dificuldades graves às populações”.
Reconhecendo o empenho dos trabalhadores em “intervenções exigentes e tecnicamente complexas”, as autarquias notaram, todavia, ser “evidente que os meios actualmente mobilizados são insuficientes face à dimensão dos danos”.
“Os presidentes de junta estão diariamente no terreno, a ouvir a revolta legítima das populações”, relataram.
O município garantiu que vai manter “toda a pressão institucional necessária até que o fornecimento seja plenamente restabelecido”.
Lusa
Registados danos em 21 equipamentos da rede de teatros e cine-teatros
A Direcção-Geral das Artes (DGArtes) indica que foram reportados danos em pelo menos 21 equipamentos da Rede de Teatros e Cine-teatros Portugueses (RTCP), na sequência do mau tempo que tem assolado o país nas últimas semanas.
Esses danos foram registados em 20 municípios no Norte, Centro, Oeste e Vale do Tejo, Península de Setúbal, Alentejo, Algarve e Açores”, refere a DGArtes à Lusa.
Qualidade da água fornecida aos municípios do centro litoral está assegurada
A Águas do Centro Litoral (AdCL) garantiu hoje que a qualidade da água fornecida aos municípios que serve está assegurada, mantendo-se uma monitorização contínua e reforço do desinfectante residual (cloro) nos pontos de entrega.
Num comunicado a AdCL informa que a qualidade da água fornecida aos clientes no distrito de Coimbra (municípios de Arganil, Coimbra, Condeixa-a-Nova, Lousã, Miranda do Corvo, Penacova, Penela e Vila Nova de Poiares) e Mealhada (distrito de Aveiro), não apresenta problemas.
A empresa tem mantido “uma monitorização contínua da água, desde a captação até à entrega às redes municipais, garantindo permanentemente a segurança e fiabilidade do abastecimento público”.
Ao mesmo tempo, “foi reforçada a monitorização do desinfectante residual (cloro) nos pontos de entrega à rede municipal, como medida adicional de segurança”, tendo em conta as recentes intempéries, que estão a afetar a região do Centro Litoral.
A água fornecida aos municípios de Coimbra, Condeixa-a-Nova, Lousã, Mealhada, Miranda do Corvo e Penela, a partir da Estação de Tratamento de Água (ETA) da Boavista é “exclusivamente captada em furos subterrâneos, não tendo sido afectados pelas inundações registadas”, acrescenta.
A Águas do Centro Litoral serve os municípios de Águeda, Albergaria-a-Velha, Ansião, Arganil, Aveiro, Batalha, Cantanhede, Coimbra, Condeixa-a-Nova, Espinho, Estarreja, Góis, Ílhavo, Leiria, Lousã, Marinha Grande, Mealhada, Mira, Miranda do Corvo, Murtosa, Oliveira do Bairro, Ourém, Ovar, Penacova, Penela, Porto de Mós, Santa Maria da Feira, Soure, Vagos e Vila Nova de Poiares.
Lusa
Protecção Civil alerta para chuva forte nas zonas de Lisboa, Oeste e Setúbal
A Protecção Civil alertou para a possibilidade de chuva forte durante o fim do dia de hoje e amanhã nas zonas de Lisboa, do Oeste, e da península de Setúbal, com risco de cheias rápidas.
“O problema não serão as cheias lentas que estamos a ter em outras zonas, mas sim as cheias rápidas com impacto significativo na vida das pessoas, nomeadamente pelo alagamento de garagens e de zonas de estacionamento”, explicou Mário Silvestre.
Segundo o comandante nacional da Protecção Civil o quadro de chuva intensa vai verificar-se a partir das 18h00 de hoje.
Também a região da Lezíria do Tejo pode ter chuva intensa, segundo este responsável.
🇵🇹 PORTUGAL // COMBOIO DE TEMPESTADES // OCORRÊNCIAS
A maioria das ocorrências foi por inundações, seguido de queda de árvores, movimento de massas ou deslizamento de taludes, queda de estruturas e limpeza de vias.
Comboio de tempestades: Protecção Civil já registou mais de 1.600 ocorrências
Portugal continental registou na quarta-feira 1.602 ocorrências devido ao mau tempo, sobretudo inundações e queda de árvores que afectaram maioritariamente a região Centro e Lisboa e Vale do Tejo, adiantou esta quinta-feira à Lusa fonte da Protecção Civil.
Entre as 00:00 e 23:59 de quarta-feira, as autoridades de socorro realizaram 14 salvamentos aquáticos e 11 terrestres em todo o país, indicou Telmo Ferreira, oficial de operações da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC).
Por regiões, o Centro registou 604 ocorrências, seguido de Lisboa e Vale do Tejo (570), Norte (333), Alentejo (68) e Algarve (27).
A maioria das ocorrências foi por inundações (599), seguido de queda de árvores (355), movimento de massas ou deslizamento de taludes (305), queda de estruturas (171) e limpeza de vias (147).
No total, estiveram empenhados 5.384 operacionais, apoiados por 2.328 viaturas, indicou ainda Telmo Ferreira.
O comandante frisou que as bacias hidrográficas estão sob elevada pressão devido às consecutivas tempestades que afectaram Portugal, destacando o Vouga, Mondego, Tejo e Sado.
A Autoestrada 1 (A1) foi cortada ao final da tarde de quarta-feira entre o nó de Coimbra Norte e Coimbra Sul, em ambos os sentidos, devido ao rebentamento do dique e, à noite, um troço desabou.
Fonte da concessionária Brisa indicou que o abatimento ocorreu na placa sobre o aterro que dá acesso ao viaduto naquela zona.
Sobe para 16 número de vítimas mortais nas tempestades
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afectadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Se estavas à espera de um dia calmo, a verdade é que a Depressão Oriana tem outros planos para esta sexta-feira, dia 13. Conforme indica o portal Luso Meteo, Portugal Continental vai enfrentar um dos dias mais complicados das últimas semanas, com fenómenos meteorológicos severos a atingir várias regiões.
O Impacto da Depressão Oriana no Continente
Infelizmente, a coincidência do calendário com a sexta-feira 13 parece confirmar-se na meteorologia. Adicionalmente, a passagem de várias frentes frias vai criar um cenário de grande instabilidade que deves acompanhar com atenção.
Sexta-feira 13 em alerta: Depressão Oriana traz neve, cheias e mau tempo
Risco Extremo de Cheias: A chuva será persistente e muito forte, especialmente durante a madrugada e manhã. Como resultado, bacias como a do Mondego estão sob vigilância apertada, visto que o solo já se encontra saturado.
Nevão nas Serras: Prepara o casaco mais quente, pois a neve vai cair com abundância. Além disso, a cota de neve desce até aos 1000/1100 metros, com previsões de acumulações históricas acima dos 30 cm nos pontos mais altos da Serra da Estrela.
Trovoada e Granizo: Logo após a chuva forte, o céu não vai dar tréguas. De facto, a descida das temperaturas vai potenciar a ocorrência de trovoadas e granizo, tornando a condução particularmente perigosa.
Vento e Mar de Alerta
Simultaneamente, o vento soprará com rajadas que podem chegar aos 85 km/h nas montanhas. No litoral, o mar estará em fúria, com ondas gigantes de 5 metros. Portanto, evita as zonas de costa e segue rigorosamente os avisos das autoridades.
Açores e Madeira: O Refúgio do Anticiclone
Por outro lado, se estiveres nas ilhas, o cenário é oposto. Graças à protecção de um anticiclone, tanto os Açores como a Madeira terão um dia bastante mais agradável.
Nos Açores, o tempo seco e o sol vão dominar, permitindo uma pequena subida das temperaturas. Da mesma forma, na Madeira, o ambiente continuará a parecer uma autêntica primavera antecipada, embora o vento de Noroeste ainda se faça sentir com alguma intensidade nas zonas altas.
A Boa Notícia: O Fim do “Comboio de Tempestades”
Apesar de toda esta agitação, há luz ao fundo do túnel. Segundo o Luso Meteo, este deverá ser o último grande evento de precipitação intensa deste período. Logo depois da passagem da Oriana, o anticiclone vai finalmente ganhar força, prometendo trazer o sol de volta a todo o país.
Em suma, mantém-te seguro durante esta sexta-feira 13, protege-te da chuva e da neve e aguarda pelo bom tempo que está quase a chegar.
Autarquia mobilizou 118 operacionais e prepara apoios financeiros de quase meio milhão de euros para comerciantes, pescadores e munícipes afectados.
Desde a madrugada desta terça-feira, a Baixa de Cascais voltou a ficar inundada. A chuva intensa que caiu durante a noite, associada à subida da maré e aos solos saturados pela sucessão de tempestades das últimas semanas, provocou inundações em várias artérias do centro histórico, afectando lojas, restaurantes e habitações.
Infelizmente o Diário de Notícias não disponibiliza os links para os vídeos
No terreno estiveram, desde as primeiras horas do dia, os cinco corpos de bombeiros do concelho, apoiados por meios da Protecção Civil Municipal.
Em declarações ao Diário de Notícias, o presidente da Câmara Municipal de Cascais, Nuno Piteira Lopes, sublinhou que o concelho já se encontrava em estado de prevenção. “Nós, em Cascais, tínhamos equipas já de prevenção e com planeamento feito, com meios de prontidão para poder ocorrer a qualquer situação que pudesse vir a acontecer, como aconteceu”, afirmou.
A situação mais crítica registou-se na Baixa, que durante a madrugada galgou as margens. “Temos neste momento e desde a madrugada cerca de 118 homens a trabalhar no terreno, nomeadamente na Baixa de Cascais”, explicou o autarca, acrescentando que foram mobilizadas “bombas de alto débito para retirar a água”. Apesar de a situação estar agora “controlada”, o presidente alertou para a necessidade de manter o dispositivo reforçado: “Prevê-se um agravamento do tempo ao final da manhã e ao início da tarde, o que irá coincidir com a maré alta e por isso iremos manter os meios todos disponíveis”.
Também a comandante da Associação Humanitária dos Bombeiros de Cascais, Cristina Santos, confirmou a dimensão da operação. “Houve bastante pluviosidade durante a madrugada, tendo inundado certas zonas de risco aqui da zona da Baixa de Cascais”, explicou. No terreno, encontram-se equipas posicionadas “entre as zonas de maior alagamento, assim como várias lojas”, com especial incidência na área entre o Largo Camões e o Hotel Baía.
A comandante destacou que o pico da maré condicionou os trabalhos: “Estamos mesmo no pico da maré, o que significa que o nível de escoamento da Baixa de Cascais é bastante reduzido.” Por essa razão, os trabalhos deverão prolongar-se “ao longo de todo o dia de hoje e possivelmente pela noite dentro”, dependendo da evolução da maré e das condições meteorológicas.
Quanto aos estragos, ainda é cedo para uma avaliação rigorosa. “Só quando conseguimos retirar a água é que se consegue verificar a real dimensão dos estragos”, referiu Cristina Santos, adiantando que, para já, a maioria dos danos registados é ao nível do piso térreo, embora haja situações mais graves, como uma loja onde a água atingiu “quase acima de dois metros”.
No terreno, a angústia dos comerciantes é evidente. Angelina Ferreira, proprietária de uma ourivesaria na Rua da Baía, descreve um cenário devastador. “Tenho a loja toda cheia de água e a cave toda submersa. Já conseguimos, com máquinas, tirar a água. Só que, como a parte de trás ainda continua cheia de água, já subiu outra vez”, relata.
A comerciante fala num efeito dominó entre estabelecimentos: “Vem de umas lojas para as outras.” O impacto estrutural é já visível: “Reparei que tenho o chão todo levantado. Parece que temos ali ondas. Até dá para saltar.”A água infiltra-se pelas paredes e pelo pavimento, comprometendo seriamente o espaço. “As paredes vão ter de ser todas feitas de novo”, lamenta, sem conseguir ainda quantificar os prejuízos. “Não tenho noção nenhuma.”
Na Farmácia da Misericórdia, a poucos metros dali o cenário é distinto, mas igualmente preocupante. Graça, funcionária do estabelecimento, descreve o que vê à sua volta: “Aquilo que nós vemos é uma tragédia, principalmente da parte dos restaurantes, que este ano já não têm conta as vezes que foram inundados.” A água que invadiu as ruas é, segundo diz, “lama autêntica”.
Apesar de a farmácia não ter sido afectada desta vez, graças a bombas instaladas numa loja vizinha, o ambiente é de solidariedade com os restantes comerciantes. “Temos um aparato enorme de bombeiros e de protecção civil a tentar ajudar e fazer aquilo que podem fazer”, afirma.
Face aos danos, a Câmara Municipal anunciou um pacote de medidas de apoio que ascende a quase meio milhão de euros. Está a ser preparada para a próxima reunião de Câmara uma proposta de criação de um fundo de emergência de 150 mil euros para os comerciantes da Baixa de Cascais, a que se somam outros 150 mil euros destinados a munícipes afectados por danos provocados pela queda de árvores. Haverá ainda um fundo de apoio à comunidade piscatória, que há cerca de um mês não consegue sair para o mar, e a isenção do pagamento de taxas e licenças municipais para os comerciantes afectados.
“Este valor, assim que seja aprovado na reunião de Câmara, estará disponível para começar a distribuir a todos os munícipes afectados e comerciantes”, garantiu Nuno Piteira Lopes.
O autarca deixou ainda um apelo à população: “Vivemos um fenómeno atípico, com as piores tempestades dos últimos largos anos. Os terrenos estão muito saturados, já não aguentam mais chuva.” E acrescentou: “Aquilo que eu peço aos cascalenses é que confiem no trabalho dos corpos de bombeiros, das forças de segurança e da protecção civil, porque estamos coordenados.”
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera emitiu, entretanto, um aviso amarelo para vento no concelho de Cascais, prevendo rajadas até 80 km/h, podendo atingir 100 km/h nas serras. As autoridades pedem à população que evite deslocações desnecessárias, que recolha objectos soltos e que se afaste de zonas arborizadas.
Na Baixa de Cascais, entre mangueiras, bombas de água e comerciantes que tentam salvar o que resta, o dia será longo. A normalidade poderá demorar a regressar, mas para já a prioridade é conter a água e minimizar os estragos de mais uma madrugada de tempestade.
Um homem viajava de comboio, na manhã desta quarta-feira, quando se deparou com uma imagem que o encheu de orgulho.
Fotografia tirada no comboio torna-se viral: “Gesto simples, mas carregado de educação”
“Duas crianças, com cerca de 4 e 6 anos, viajam com seu pai — descalças, para não sujarem os bancos. Por baixo do assento, vêem-se as pequenas botas/galochas cuidadosamente pousadas. Um gesto simples, quase invisível, mas carregado de educação, respeito pelo espaço público e sentido de responsabilidade“, lê-se na legenda de uma fotografia que partilhou nas redes sociais e que soma já milhares de interacções.
“Num tempo em que tantas vezes se desvaloriza o cuidado com o que é de todos, esta atitude merece ser sublinhada. Não apenas das crianças, mas sobretudo do pai, que, pelo exemplo, transmite valores que nenhuma campanha ou regulamento consegue impor. É assim que se constrói cidadania: nos detalhes, no quotidiano, no exemplo silencioso“, acrescenta.
Segundo o autor da fotografia, esta foi tirada às 07:48 horas na zona do Fogueteiro, no Seixal.
Numa série de interessantes artigos no Público, António Guerreiro procura pensar o processo social e político que vivemos neste momento, opondo ao conceito de “regressão” (voltar a um paraíso mítico de três Salazares, regra nos espíritos e ordem nos costumes), uma mais ampla ideia de “processo descivilizatório”, isto é, inversamente ao “processo civilizatório” que Norbert Elias descreve, um combate furioso a todas as aquisições de tolerância e liberdade que a evolução e abertura da moralidade pública têm tornado possíveis.
Nós temos hoje uma amostra ao vivo, qual montra publicitária, do destino desse processo de desconstrução das regras políticas democráticas e das conquistas na aceitação social em relação às minorias: os Estados Unidos de Donald Trump, onde se aliam as pulsões racistas e homofóbicas com o projecto de desmantelar a democracia dos Pais Fundadores, rumo a um sistema autocrático, com votações controladas de cima e concentração de poderes num líder sacralizado.
Se esta tendência revela a sua força nos próprios países fundadores da Democracia (França, Estados Unidos, Reino Unido), mais ainda se exprime em todos os países que se habituaram, durante toda a sua História, a regimes autocráticos.
Nesse sentido, a votação num candidato de união dos democratas, de esquerda e de direita, como foi a de António José Seguro, representa uma posição maioritária dos portugueses na rejeição desse processo anti-civilizatório e desse suicídio assistido das liberdades públicas.
Os três Salazares não movem mais os portugueses, por vaga que seja já para tantos a memória desses tempos do “viver habitualmente”, sob a protecção da polícia, das prisões e da censura. Dissemos com firmeza não aos três Salazares e reivindicámos, para além de todas as nossas diferenças e todas as nossas desilusões, a luta contra essa “política do pior” que se vai expandindo pelo mundo.
A grande lição que aprendemos é que nada fica definitivamente enterrado no caixote do lixo da História. O fascismo (pondo de lado as diferenciações académicas) está de regresso, como a esquerda norte americana entendeu já. E ao lado de nós temos uma Espanha, onde o PP não hesita em aliar-se ao Vox, uma França onde Le Pen e Bardella se tornaram favoritos, depois da empresa falhada, conduzida por Macron, de tentar destruir as diferenças políticas em democracia, uma Itália governada por um fascismo que recusa dizer o seu nome, uma Alemanha onde o AfD… etc., etc.
É claro que passámos a um regime de luta pela democracia e pela própria civilização, que virá tornar o debate político essencial (socialismo democrático ou liberalismo?) secundário relativamente a este combate pelas próprias condições de existência de uma sociedade aberta, multicultural e tolerante e de um Estado democrático e social. A base consensual do funcionamento de uma sociedade decente.
Não se tornou obsoleta a distinção entre esquerda e direita e aquilo a que chamamos centro designa apenas os moderados de um e do outro lado, que não querem perder o solo comum das garantias democráticas, para prosseguirem em paz e liberdade os seus combates.
Em tempos idos chamava-se “unidade antifascista”. Não será hoje o mesmo inimigo, com outras roupagens, discursos e tecnologias?