Lisboa, 08 Fev 2026 (Lusa) – Portugal continental vai continuar nas próximas horas com um quadro meteorológico adverso e com o risco de cheias nas zonas ribeirinhas e movimentos de terra, alertou hoje a Protecção Civil, aconselhando a população a manter a precaução.
ANDRÉ KOSTERS/LUSA
Continuamos a apelar porque todo o cuidado é pouco nestas situações e, sobretudo, para as pessoas que vivem nas zonas ribeirinhas, que tomem todas as precauções necessárias para a eventual subida das águas”, referiu o comandante nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC), Mário Silvestre.
No ‘briefing’ das 19:00 sobre o ponto de situação na prevenção e apoio às zonas e populações afectadas pelo mau tempo, na sede da ANEPC, em Carnaxide, Oeiras (distrito de Lisboa), Mário Silvestre referiu que ainda se sentem os efeitos da depressão Marta, com um quadro de precipitação no litoral, mais intensa na regiões Centro e Sul, e com neve nos pontos mais altos da serra da Estrela.
Mário Silvestre alertou ainda para um agravamento das condições meteorológicas na terça-feira na região Norte, sobretudo na zona do Minho e do Porto.
O risco significativo de inundações, sublinhou, mantém-se nos rios Mondego, Tejo, Sorraia e Sado, enquanto os rios Vouga, Águeda, Lima, Cávado, Ave, Douro, Tâmega, Lis e Guadiana continuam sob risco de cheia.
Até às 18:00 de hoje, na sequência das depressões meteorológicas desde o final de Janeiro, foram activados nove planos distritais e 117 planos municipais e emitidas 19 declarações de situação de alerta. O plano especial de emergência para a Bacia do Tejo mantém-se no nível vermelho, o mais elevado.
O comandante sublinhou que a precipitação é o principal factor a despoletar as cedências do terreno e alertou para que a população redobre os cuidados, como não atravessar estradas inundadas, manter-se em locais elevados, desligar electricidade e gás, proteger equipamentos eléctricos e medicamentos, e manter crianças e animais em segurança.
Também devem ser reportadas fissuras no solo, quedas de árvores ou deslizamentos e não se aproximar de cabos eléctricos caídos, que podem ainda estar em carga.
Catorze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também várias centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afectadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até ao dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
“Estas condições meteorológicas para o final do dia de hoje, madrugada de segunda-feira e para dia 10, terça-feira (…) [que] poderá ter alguma severidade”, explicou Mário Silvestre.
“A situação continua bastante crítica” em relação a risco de cheias, pela saturação de solos a albufeiras em níveis máximos. Foto: Reinaldo Rodrigues
Corvo e Flores sob aviso amarelo e laranja devido a agitação marítima
O grupo Ocidental do arquipélago dos Açores vai estar a partir das 15:00 de hoje sob aviso amarelo por causa da agitação marítima, que se agravará para laranja na terça-feira, anunciou hoje o IPMA. De acordo com um comunicado divulgado pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o grupo composto pelas ilhas do Corvo e das Flores vai estar sob aviso amarelo (o menos grave numa escala de três) entre as 15:00 locais (16:00 em Lisboa) e as 06:00 de segunda-feira, e das 15:00 às 24:00 de segunda-feira devido à forte agitação marítima, com ondulação de oeste.
A partir dessa hora, o IPMA eleva o aviso para laranja – o segundo mais grave – que se manterá até às 12:00 de terça-feira, baixando depois novamente para amarelo, até às 09:00 de quarta-feira. É esperada forte ondulação de sudoeste. O grupo Ocidental está ainda sob aviso amarelo devido a chuva forte até às 24:00 de hoje, passando-se o mesmo com o grupo Central (Graciosa, Terceira, São Jorge, Faial e Pico), onde o aviso se estende até às 03:00 de segunda-feira.
Lusa
11.213 ocorrências e 1.272 deslocados
No briefing desta tarde, a Protecção Civil informou que regista até ao momento 11.213 ocorrências e mais de 1.272 deslocados, sobretudo devido a deslizamentos de terras, “a situação que mais desalojados está a criar”, sublinhou Mário Silvestre, que pediu especial atenção das populações a eventuais situações de risco.
Lusa
Alerta da Protecção Civil
A Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC) alertou que apesar do desagravamento meteorológico das últimas horas “a situação continua bastante crítica” em relação a risco de cheias, pela saturação de solos a albufeiras em níveis máximos.
“Eu quero alertar toda a população portuguesa que a situação continua bastante crítica com todas as albufeiras nos seus níveis máximos de armazenamento e, portanto, estas condições meteorológicas para o final do dia de hoje, madrugada de segunda-feira e para dia 10, terça-feira, onde está previsto mais um episódio meteorológico, [que] poderá ter alguma severidade, continuam a ser críticas e a manter-nos todos em profunda situação de alerta”, disse o comandante nacional da ANEPC, Mário Silvestre.
Lusa
“Não é aceitável”. Governador do Banco de Portugal critica falhas de prevenção após crise do mau tempo
O governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, defendeu que é preciso “retirar as necessárias ilações e ensinamentos de toda esta crise” resultante do mau tempo, reiterando que “não é aceitável” ter populações isoladas por falta de prevenção. Numa publicação na sua conta pessoal no X, Santos Pereira escreveu que “recentes tempestades puseram a nu algumas das debilidades de planeamento e de falta de prevenção que grassam no nosso País”.
Escolas no concelho de Ansião reabrem na segunda-feira
As escolas do concelho de Ansião, no distrito de Leiria, reabrem na segunda-feira, após quase duas semanas fechadas devido à depressão Kristin, disse hoje à agência Lusa o presidente da Câmara, Jorge Cancelinha. “Amanhã [segunda-feira], reiniciarão as aulas, com a normalidade possível, garantindo a electricidade em todas as escolas, mas ainda há muitos testes de rede a acontecerem e, portanto, poderá haver períodos em que a electricidade falhe”, afirmou Jorge Cancelinha.
O concelho tem 11 escolas com 2.100 alunos, para os quais os transportes estão garantidos. “O regresso à normalidade vai-se fazendo, faseadamente, com a abertura das escolas, assim como também já abrimos a piscina municipal na semana passada”, disse o autarca, esclarecendo que a maioria dos equipamentos desportivos “também já está a funcionar”, mas o pavilhão gimnodesportivo vai manter-se fechado até ser resolvida a questão da cobertura.
O presidente do município garantiu que, no que diz respeito à acção municipal, tem sido “dado tudo e feito tudo” para o regresso à normalidade, mas há situações que aguardam resolução por parte de entidades externas. Neste caso, apontou o trabalho das equipas da E-Redes que, “nos últimos dois dias, têm avançado muito devagarinho”, considerou.
Lusa
Depressão Marta provoca retrocesso na reposição de energia em Pombal
A queda de árvores na noite de hoje deitou abaixo fios de média tensão que já tinham sido repostos, provocando um retrocesso na reposição da energia eléctrica no Município de Pombal, disse a vice-presidente da câmara, Isabel Marto. “Tivemos mais umas quedas de árvores, desde ontem [sábado] com a depressão Marta que provocou um retrocesso na reposição da rede eléctrica que, estamos a tentar compensar com geradores”, disse à agência Lusa Isabel Marto.
A vice-presidente do Município de Pombal, no distrito de Leiria, indicou que, “mesmo antes desta nova depressão, já havia localidades em todas as freguesias do concelho sem energia” eléctrica. “Estamos a falar ao equivalente a 20% da população sem energia. Há um sentimento de abandono, porque são maioritariamente aldeias que já por si se dizem esquecidas e que não são tratadas como os outros. Há uma saturação nas pessoas”, realçou.
Lusa
Porto de Mós tem cerca de 5 ME de danos em espaços e edifícios públicos
O concelho de Porto de Mós, no distrito de Leiria, teve cerca de cinco milhões de euros (ME) de prejuízos em edifícios e espaços públicos, devido ao mau tempo registado nos últimos dias, revelou hoje o presidente da Câmara Municipal. Em declarações à Lusa, o presidente da Câmara de Porto de Mós, Jorge Vale, indicou que, apesar de o levantamento dos danos continuar a ser feito pelo município, “uma estimativa por alto” aponta que os estragos causados em espaços e estruturas públicas estejam na ordem dos cinco milhões de euros.
Além disso, “mais de 200 pessoas manifestaram prejuízos nas suas habitações e também uma série de empresas, ligadas quer à indústria, quer aos serviços, tiveram prejuízos”, acrescentou.
Lusa
“Os danos são nacionais”: AHRESP quer apoios rápidos e para todas as empresas, não só nas zonas afectadas
A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) pede que os apoios “cheguem rapidamente” às empresas afectadas pelas tempestades em Portugal “ e que não se restrinjam àquelas que se localizam nos concelhos directamente afectados.
Arruda pode ficar sem abastecimento de água devido a danos em conduta
O concelho de Arruda dos Vinhos poderá ficar sem água nas próximas horas, depois de terem sido detectados danos na conduta que abastece o município, devido ao mau tempo, alertou hoje fonte oficial autárquica. “Por causa do abatimento do caminho da Lavareda, a conduta de água que abastece o concelho sofreu danos e vão surgir grandes constrangimentos com falta de água”, indicou a fonte.
A fonte adiantou ainda que, quando deixar de existir água nos reservatórios, o concelho corre mesmo o risco de ficar sem água. O problema foi hoje detectado e, apesar de a EPAL – Empresa Pública de Águas Livres já estar no local a reparar dos danos, “não existem previsões” para a resolução do problema, acrescentou a fonte.
Lusa
E-Redes contabiliza 76 mil clientes sem energia eléctrica
Cerca de 76 mil clientes da E-Redes no território continental, dos quais 66 mil na zona mais afectada pela depressão Kristin, continuavam hoje às 08:00 sem abastecimento de electricidade, segundo a empresa. No balanço enviado pela E-Redes à agência Lusa regista-se uma descida do total de clientes por alimentar, depois do aumento verificado no sábado, na sequência da passagem da depressão Marta.
Segundo a empresa, às 03:00 de sábado a E-Redes tinha por alimentar cerca de 56 mil clientes na zona da depressão Kristin. Com o agravamento das condições meteorológicas causadas pela passagem da depressão Marta, às 19:30 de sábado o número subiu para 124 mil clientes sem abastecimento de electricidade na zona da depressão Kristin e um total de 167 mil clientes em todo o território continental.
Hoje, o número voltou a descer, com um total de 76 mil clientes sem ligação à rede eléctrica em todo o país, dos quais 66 mil na zona mais afectada pela depressão Kristin.
A costa ocidental está sob aviso amarelo para agitação marítima, prevendo-se ondas de noroeste que podem atingir de quatro a cinco metros de altura.
Em Arruada dos Vinhos, parte da cidade está alagada. Foto: Reinaldo Rodrigues
Temperaturas e barras fechadas
O IPMA alerta ainda para a possibilidade de chuva em todo o país a partir da tarde. Quanto às temperaturas máximas, devem situar-se entre os 6ºC na Guarda e os 16ºC em Setúbal, Sagres e Faro, ao passo que as mínimas vão oscilar entre os 2ºC na Guarda e os 11ºC em Sagres. Apesar da considerável melhoria do tempo, 17 barras marítimas continuam hoje fechadas e cinco condicionadas, segundo informação actualizada às 08:20 pela Autoridade Marítima Nacional.
Na zona norte, estão fechadas as barras de Caminha, Douro, Esposende, Figueira da Foz, Vila Praia de Âncora, Póvoa de Varzim e Vila do Conde, enquanto as de Aveiro e Viana do Castelo só permitem a entrada de barcos com comprimento superior a 35 metros e a 30 metros, respectivamente. Mais abaixo, estão encerradas a toda a navegação as barras do Portinho da Ericeira e São Martinho do Porto.
No Algarve, as barras de Albufeira, Alvor, Vila Real de Santo António, Quarteira, Tavira e Vilamoura estão fechadas a toda a navegação, e as de faro, Olhão e Portimão só autorizam a entrada de barcos com mais de 15 metros. O arquipélago dos Açores tem fechadas as barras de Santa Cruz da Graciosa (desde 26 de Janeiro) e de Rabo de Peixe.
Câmara de Gondomar activa Plano Municipal de Emergência de Protecção Civil
A Câmara de Gondomar activou no sábado o Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil, em resposta à manutenção de condições meteorológicas extremas e ao risco elevado de ocorrência de cheias e inundações no concelho, anunciou hoje o município. A decisão decorre da declaração da situação de contingência, determinada pelo Despacho do Governo n.º 1532-E/2026, de 7 de Fevereiro, que vigora entre as 00:00 do dia 5 de Fevereiro de 2026 e as 23:59 do dia 15 de Fevereiro de 2026, e que abrange um conjunto alargado de concelhos do país, entre os quais se inclui Gondomar, lê-se no comunicado enviado à Lusa.
Lusa
Toda a costa com aviso de agitação marítima e dois distritos devido a neve
Toda a faixa costeira de Portugal continental está hoje sob aviso amarelo devido à agitação marítima, com o resto do país sem avisos meteorológicos à excepção de Castelo Branco e Guarda por causa da neve. De acordo com o ‘site’ do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o país está hoje sem previsões significativas de mau tempo, depois de mais de uma semana a ser assolado por tempestades sucessivas. A costa ocidental está sob aviso amarelo para agitação marítima, prevendo-se ondas de noroeste que podem atingir de quatro a cinco metros de altura.
Lusa
Comboios suprimidos
De acordo com o último comunicado da CP, às 6h00, ainda há linhas com actividades suspensas e outras condicionadas.
– Linha do Norte – estão a ser realizados os serviços Intercidades de forma parcial – comboios 721, 731, 723, 720, 620 e 528 – com recurso a material circulante diferente do habitual e com transbordo rodoviário entre as estações de Pombal ↔ Coimbra B.
– Linha do Norte – estão a ser realizados os serviços Regionais entre Entroncamento e Soure e entre Tomar e Lisboa;
–Linha de Cascais – comboios circulam com alterações nos horários, pelo que recomendamos a sua consulta emcp.pt;
– Linha da Beira Alta – serviço Intercidades entre Coimbra e Guarda realiza-se com recurso a material circulante diferente do habitual;
– Comboio Internacional Celta – circulação suspensa determinada pelo operador espanhol, sem previsão de retoma;
– Linha da Beira Baixa – serviço de passageiros suspenso entre Entroncamento e Castelo Branco;
A circulação ferroviária também continua suspensa nestas linhas/serviços:
– Linha do Douro – entre Régua e Pocinho;
– Linha do Oeste;
– Urbanos de Coimbra.
“População compreende, mas não gosta. O adiamento da democracia em Arruda dos Vinhos e na Golegã”
O DN continua com reportagens no interior de Portugal. Neste domingo, mostramos como estão os moradores de Arruda dos Vinhos e Golegã, trabalho do jornalista César Avó e do foto-jornalista Reinaldo Rodrigues.
A Câmara Municipal de Lisboa anunciou o encerramento de vários espaços públicos durante o fim de semana devido à passagem da depressão Marta, que deverá trazer chuva intensa, ventos fortes e agitação marítima. A autarquia aconselha ainda o cancelamento de todas as actividades desportivas, culturais e associativas previstas para este período.
A Câmara Municipal de Lisboa anunciou, esta sexta‑feira, o encerramento de vários espaços na cidade devido à passagem da depressão Marta, já a partir deste sábado, face à previsão de chuva intensa, ventos fortes e agitação marítima.
Entre os locais que vão estar encerrados entre sábado (7) e domingo (8) incluem‑se:
Castelo de São Jorge
Todos os cemitérios municipais, que estarão interditos durante o fim de semana, excepto para a realização de cerimónias fúnebres.
Feira da Ladra
Parques e jardins municipais, cujo encerramento já tinha sido previamente anunciado pela autarquia: Estufa Fria, o Jardim da Cerca da Graça, o Jardim do Caracol da Penha, o Jardim Guerra Junqueiro, o Parque da Bela Vista, o Parque da Serafina, o Parque do Alvito, o Parque Urbano do Alto do Duque, o Parque Verde de Carnide, a Quinta da Paz, a Quinta das Conchas e Lilases e a Tapada das Necessidades.
Na sequência das recomendações da Protecção Civil, a autarquia aconselha ainda o cancelamento de todas as actividades desportivas, culturais e associativas previstas para este período.
Que orientações devem ser seguidas para garantir a segurança de todos?
Evitar deslocações desnecessárias;
Não circular nem estacionar em zonas potencialmente sujeitas a inundações;
Não circular em zonas ribeirinhas;
Evitar o estacionamento de veículos junto a árvores, encostas e declives, sujeitas a deslizes de terra;
Recolher todos os objectos soltos em varandas, quintais e telhados.
A autarquia lembra ainda que é possível receber avisos preventivos e alertas de emergência no telemóvel: para tal, basta enviar uma mensagem SMS com o texto “AvisosLx” para o número 927944000.
IPMA prevê ondas a atingir 12 a 13 metros de altura na costa ocidental.
Vila Nova da Rainha, no concelho de Azambuja, é uma das zonas mais afectadas. Foto: Gerardo Santos
Mais de 1.600 militares em acção
Mais de 1.600 militares estão a actuar directamente no terreno em 12 distritos e 41 municípios, destacou o Exército em comunicado esta manhã. Os militares estão a trabalhar em missões diversas, como engenharia, remoção de escombros e limpeza, desobstrução, contenção de caudais, patrulhamento de proximidade, comunicações, energia/iluminação, transportes, apoio sanitário e intervenção psicológica. Os meios também estão em “prontidão para resposta imediata”.
Estão mobilizadas 135 viaturas tácticas ligeiras, 130 viaturas tácticas pesadas, 24 máquinas de engenharia e 15 geradores. Há mobilização ainda de módulos de comunicações, “complementados por meios pré-posicionados com notificação para emprego rápido sempre que necessário”.
Até agora, o Exército já realizou a protecção e recuperação de habitações, com 188 lonas aplicadas em telhados e 26 coberturas reparadas, 210 toneladas de carga transportada e 169 quilómetros de itinerários e estradas abertos, além da recuperação de condições de segurança com 451 toneladas de escombros removidos.
As Forças Armadas ainda disponibilizaram 1.826 camas, realizadas 762 patrulhas, apoiadas 229 situações de dificuldade social e assegurado apoio de lavandaria, com 650 kg de roupa lavada, “contribuindo para o apoio directo às populações em contexto de emergência”.
O trabalho é realizado em “coordenação com as autoridades competentes, assegurando uma resposta contínua, integrada e ajustada às necessidades identificadas no terreno”.
Conselho Regional de Coimbra cria bolsa de advogados voluntários para apoiar vítimas
O Conselho Regional de Coimbra da Ordem dos Advogados (OA) criou uma bolsa de advogados voluntários para auxiliarem as pessoas afectadas pelo mau tempo a formalizarem as participações de sinistros resultantes da depressão Kristin junto de seguradoras.
Segundo informação disponibilizada no seu sítio na Internet, o Conselho Regional deliberou, na sexta-feira, constituir uma bolsa de advogados voluntários para, em regime ‘pro bono’, auxiliarem as populações “na formalização das participações de sinistros resultantes” da depressão Kristin junto das empresas seguradoras e na plataforma de reporte de prejuízos.
O Conselho Regional destaca que se trata “de um apoio focado na orientação e auxílio no preenchimento das participações dos sinistros, junto das empresas seguradoras, e na plataforma de reporte de prejuízos, imprescindível à defesa dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos e das empresas e à promoção do acesso ao direito”.
“A activação da bolsa de advogados e do apoio que se pretende prestar às populações conta com a colaboração e empenho dos municípios”, adianta, explicando que vai estar disponível aqui.
*Lusa
Há também alerta de neve
O IPMA alertou que a acumulação de neve e a possível formação de gelo poderão causar “perturbação moderada”, incluindo vias condicionadas ou interditas, danos em estruturas ou árvores e abastecimentos locais prejudicados.
Toda a costa e 13 distritos sob aviso laranja devido a ondas, chuva, vento e neve
Toda a faixa costeira de Portugal continental está este sábado, 07 de Fevereiro, sob aviso laranja – o segundo mais grave – devido à forte agitação marítima, mantendo-se com o mesmo nível de alerta treze distritos, por causa da precipitação e do vento. Segundo um comunicado emitido pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), os distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Leiria, Lisboa, Setúbal, Beja e Faro estão com aviso laranja face à previsão de ondas que podem atingir 12 a 13 metros de altura na costa ocidental e 4 a 5 metros na costa sul.
Este alerta, emitido às 06:16, vigora até às 18:00 em Viana do Castelo e Braga, e até às 21:00 no Porto, ao passo que nos restantes distritos se estende até à manhã de domingo, com excepção de Coimbra em que a previsão aponta para um abrandamento a partir das 03:00. Leiria, Santarém, Lisboa, Setúbal, Beja, Portalegre, Castelo Branco e Évora estão sob aviso laranja até às 12:00 de hoje, devido à “chuva persistente e por vezes forte”.
O mesmo nível de alerta está em vigor até às 15:00 de hoje, nos distritos Setúbal, Beja, Faro e Leiria, estendendo-se até às 18:00 em Lisboa, devido ao “vento forte de sudoeste com rajadas até 100 km/h, sendo até 120 km/h nas serras”.
Por outro lado, nos distritos de Guarda, Castelo Branco, Bragança, Viseu e Vila Real, o aviso laranja estará em vigor até às 00:00 de domingo, face à possibilidade de queda de neve acima dos 1.600 metros de altura, com acumulação superior a 25 centímetros em zonas situadas a mais de 1.400 metros de altura.
A ministra do Ambiente garante que tudo está a ser feito para que o impacto da depressão Marta seja o menor possível, mas admitiu que pode ser preciso evacuar mais locais.
Alcácer do Sal está a sofrer inundações e a situação pode agravar-se nas próximas horas. FOTO: Gerardo Santos
A ministra do Ambiente e Energia alertou esta sexta-feira, 6 de Fevereiro, para o momento “particularmente crítico” que o país vive, destacando que a tempestade Marta atingirá especialmente as bacias dos rios Sado, Tejo e Mondego.
Maria da Graça Carvalho falava após uma reunião na Agência Portuguesa do Ambiente (APA), na Amadora, Lisboa, para um balanço da situação das cheias em Portugal.
A próxima depressão, que chega na noite desta sexta-feira,vai entrar em Portugal numa região entre Sines e Lisboa e vai afectar especialmente a bacia do Sado, onde especialmente Alcácer está a sofrer inundações, disse a ministra, explicando que a depressão atingirá depois a zona do rio Tejo, também em situação de cheias, e ainda outro rio igualmente preocupante, o Mondego.
Dezembro e Janeiro foram meses muito chuvosos, mas a APA fez preventivamente descargas nas barragens para encaixar essa água, o equivalente ao consumo dos portugueses durante um ano (mais de 700 hectómetros cúbicos descarregados em Janeiro), e só assim foi possível conter “grandes cheias”.
No balanço, a ministra disse que na quinta-feira foi um dia preocupante no rio Tejo, devido a descargas nas barragens de Espanha, nomeadamente na grande barragem espanhola de Alcantara, que levou a que o caudal quase duplicasse.
Esta sexta-feira já está mais reduzido (esta tarde o caudal era de 6.700 metros cúbicos por segundo em Almourol, quando ponto crítico é 10.000). Na quinta-feira chegou aos 9.000 metros cúbicos.
Maria da Graça Carvalho afirmou que tudo está a ser feito para que o impacto da depressão Marta seja o menor possível, mas admitiu que pode ser preciso evacuar mais locais.
O presidente da APA, Pimenta Machado, falou também do “tempo excepcional” que o país vive e deu como exemplo barragens do Algarve que nunca enchiam e que agora estão a fazer descargas e disse que a barragem de Santa Clara, no sudoeste alentejano, vai também fazer descargas. Monte da Rocha, na bacia do Sado, vai fazer descargas.
Para esta sexta-feira e sábado há um elevado risco de inundações nos rios Vouga, Águeda, Mondego, Tejo, Sorraia e Sado. Com risco de inundações (não elevado) estão também os rios Lima, Cávado, Ave, Douro, Tâmega, Lis e Guadiana.
Efeitos desta depressão começam a ser sentidos na região Sul, na manhã de sábado, “com precipitação persistente e por vezes forte e com rajadas de vento da ordem de 100 km/h e de 120 km/h nas serras”.
Foto: Leonardo Negrão
Portugal continental vai começar a sentir no sábado de manhã os efeitos da depressão Marta, que traz chuva, neve, vento e agitação marítima e uma nova subida dos caudais dos rios e ribeiras a sul do rio Tejo.
De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), os efeitos da depressão vão começar a ser sentidos na região Sul, em especial no litoral, na manhã de sábado, “com precipitação persistente e por vezes forte e com rajadas de vento da ordem de 100 km/h e de 120 km/h nas serras”.
“Prevê-se que os maiores valores acumulados de precipitação ocorram a sul do rio Tejo, incluindo a região da grande Lisboa, sendo mais prováveis no Alentejo e nas serras algarvias, com acumulados da ordem de 60 mm (litros/m2) em 24 horas, o que contribuirá para uma nova subida dos caudais dos rios e ribeiras destas áreas”, pode ler-se no comunicado do IPMA.
A partir da tarde de sábado, com o deslocamento da depressão para leste, prevê-se uma intensificação do vento no litoral Centro, com rajadas que poderão atingir os 90 km/h, bem como ocorrência de precipitação por vezes forte.
A precipitação ocorrerá sob a forma de neve acima de 900 metros de altitude, subindo temporariamente a cota para 1200/1400 metros entre o início da manhã e o final da tarde, com acumulados superiores a 25 cm acima de 1400 metros na Serra da Estrela.
O instituto sublinhou ainda que a agitação marítima irá manter-se forte durante este período, prevendo-se ondas do quadrante oeste até sete metros de altura significativa na costa ocidental, em especial a sul do Cabo Carvoeiro, podendo atingir 13 metros de altura máxima, sendo ondas até cinco metros de sudoeste na costa sul do Algarve.
Toda a costa de Portugal continental está sob aviso laranja de agitação marítima pelo menos até sábado.
Já Évora, Setúbal, Santarém, Beja, Portalegre estão sob aviso amarelo de chuva até ao final de manhã de sábado.
Braga, Castelo Branco, Viana do Castelo, Vila Real e Guarda estarão sob aviso laranja por neve durante o fim de semana, enquanto Faro, Setúbal e Beja estarão sob aviso laranja por vento no sábado.
Doze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afectadas.
O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
“Desde 1997, aproximadamente, que não tínhamos um episódio destes na Bacia do Tejo e no Rio Tejo”, disse o comandante nacional da Protecção Civil. Autarquias já estão a adoptar medidas.
Gerardo Santos
O comandante nacional da Protecção Civil pediu esta quinta-feira, 5 de Fevereiro, às populações das zonas ribeirinhas que abandonem as habitações e vão para locais seguros, alertando para as previsões de aumento intenso e rápido de caudal no rio Tejo.
De acordo com Mário Silvestre, a velocidade e a intensidade de aumento de caudal do rio Tejo não acontecia desta forma desde 1997.
“Desde 1997, aproximadamente, que não tínhamos um episódio destes na Bacia do Tejo e no Rio Tejo. E, portanto, isto implica cuidados por parte da população ribeirinha que estão habituados a este fenómeno, mas desde 1997 que não temos um fenómeno potencialmente com esta dimensão”, alertou numa conferencia de imprensa na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC), em Carnaxide, Oeiras, depois de ter sido activado o alerta vermelho para a bacia do Tejo devido à subida abrupta do caudal.
De acordo com o responsável, o fenómeno é explicado, por um lado, pelo facto de as barragens espanholas de Alcântara e Cedilho estarem “a debitar caudais muito elevados no rio Tejo”, cerca de 7 mil metros cúbicos por segundo, e, por outro, as ocorrências para as bacias em Portugal, que poderão explicar caudais “na ordem dos 9 mil metros cúbicos por segundo”.
“Aquilo que se recomenda a todos é, preventivamente, retirem as coisas das suas casas, coloquem-se em segurança, abandonem as casas, ou seja, vão para locais seguros sempre que possível. O comportamento seguro neste momento é crítico para que se possa passar por este episódio sem termos vítimas a lamentar”, disse o comandante nacional.
Mário Silvestre apontou que os efeitos expectáveis são inundações em zonas urbanas, cheias e deslizamentos de terras, além do piso escorregadio e formação de lençóis de água.
Com as inundações e os cursos de água há também objectos que são arrastados para as estradas, deixando, por isso, recomendações para os condutores.
“Se estiver a conduzir, não atravesse estradas inundadas. É crítico que não o façam. Pare em local seguro e elevado, longe das linhas de água, 30 centímetros de água para a maior parte dos veículos, é igual ao veículo ficar parado dentro de água por aspiração da mesma, e portanto isto coloca logo e de imediato as pessoas em risco”, alertou, acrescentando que se evitem túneis, ribeiras e vales.
Recomendou igualmente que as pessoas se afastem de equipamentos eléctricos e para que levem apenas o essencial no caso de terem de abandonar a habitação: “E quando falamos de essencial, falamos de coisas tão simples como pessoas que têm medicação associada à sua normalidade, que levem essa medicação com eles”.
Disse ainda que as crianças devem ser afastadas das linhas de água, recomendou que se protejam os animais, colocando-os em zonas seguras e que as pessoas não se aproximem de zonas de risco para fotografar ou filmar a subida da água, sobretudo nas zonas de largadas das barragens.
Medidas das autarquias
Santarém
A Câmara de Santarém determinou a “evacuação obrigatória das zonas ribeirinhas”, tendo identificado Caneiras, Ribeira de Santarém (até à linha de caminho de ferro) e São Vicente do Paul – Reguengo do Alviela como zonas críticas. A autarquia, indicou outras zonas que poderão ser afectadas com a evolução do aumento das cheias, nomeadamente Vale de Figueira (zona da Secágro) e Alfange, e determinou o encerramento de todas as escolas do concelho na sexta-feira. A Câmara activou a “reabertura da Passagem de Nível do Peso (excepcionalmente) para evacuação da zona das Caneiras, só disponível a veículos ligeiros e de protecção civil”. A Câmara de Santarém informa que o 𝐈𝐂𝟏𝟎 (𝐏𝐨𝐧𝐭𝐞 𝐒𝐚𝐥𝐠𝐮𝐞𝐢𝐫𝐨 𝐌𝐚𝐢𝐚) encontra-se 𝐞𝐧𝐜𝐞𝐫𝐫𝐚𝐝𝐨 𝐚𝐨 𝐭𝐫𝐚̂𝐧𝐬𝐢𝐭𝐨, para avaliação técnica do tabuleiro da ponte, a cargo de peritos especializados. Para quem circula entre 𝐒𝐚𝐧𝐭𝐚𝐫𝐞́𝐦 e 𝐀𝐥𝐦𝐞𝐢𝐫𝐢𝐦, o acesso alternativo disponível é através da Ponte 𝐃. 𝐋𝐮𝐢𝐬.
Cartaxo
O presidente da Câmara do Cartaxo anunciou que, face às previsões meteorológicas, foi decidido fazer uma evacuação preventiva da população da Palhota e Ponte do Reguengo. Na freguesia de Valada, que já se encontra isolada, está de prontidão uma ambulância e uma viatura dos bombeiros. As escolas do concelho estarão encerradas na sexta-feira, mas na escola básica Marcelino Mesquita será assegurado o acolhimento das crianças cujos pais desempenhem funções essenciais.
Vila Franca de Xira
A Câmara de Vila Franca de Xira, no distrito de Lisboa, activou o plano municipal de emergência e protecção civil, tendo dado a indicação para as escolas fecharem depois da hora de almoço, no sentido de os pais poderem ir buscar as crianças, de modo a diminuir o número de circulações nas estradas ao fim do dia. Avisou igualmente todos os clubes, e agentes culturais de que devem suspender todas as actividades desportivas e culturais ao fim do dia. 𝗘𝘃𝗶𝘁𝗲 𝗮𝗻𝗱𝗮𝗿 𝗻𝗮 𝗿𝘂𝗮 𝗮 𝗽𝗮𝗿𝘁𝗶𝗿 𝗱𝗮𝘀 𝟭𝟲𝗵𝟬𝟬, para libertar as vias para as deslocações essenciais e eventual socorro.
Golegã
Os estabelecimentos do Agrupamento de Escolas da Golegã, Azinhaga e Pombalinho vão encerrar na sexta-feira e na freguesia de Azinhaga foi colocado um gerador municipal para garantir apoio a situações urgentes. Está igualmente “definido o local do heliporto”, caso seja necessária a retirada de doentes urgentes. As pessoas afectados pelas cheias “serão realojados no Pavilhão Municipal de Azinhaga, na Santa Casa da Misericórdia de Azinhaga, em casa de familiares e noutros locais já identificados, de acordo com cada situação”. O serviço de transporte Transfer será suspenso a partir de sexta-feira e que o Parque de Campismo Municipal da Golegã também será encerrado nesse dia, estando a decorrer as diligências para a retirada de caravanas e auto-caravanas. O Jardim do Equuspolis encerra ao público ainda hoje.
Salvaterra de Magos
O Município de Salvaterra de Magos determinou a evacuação obrigatória, a partir das 19:00, de áreas ribeirinhas das localidades de Escaroupim e Porto de Sabugueiro.
Abrantes
A Autarquia decidiu evacuar as zonas baixas devido à subida dos níveis de água, nomeadamente Rossio ao Sul do Tejo, Cabrito, Arrifana, Rio de Moinhos e Alvega. A 𝐔𝐧𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐝𝐞 𝐒𝐚𝐮́𝐝𝐞 𝐅𝐚𝐦𝐢𝐥𝐢𝐚𝐫 𝐁𝐞𝐢𝐫𝐚 𝐓𝐞𝐣𝐨 (𝐑𝐨𝐬𝐬𝐢𝐨 𝐚𝐨 𝐒𝐮𝐥 𝐝𝐨 𝐓𝐞𝐣𝐨, 𝐀𝐛𝐫𝐚𝐧𝐭𝐞𝐬) foi encerrada preventivamente devido ao aumento do caudal do rio Tejo e ao condicionamento dos acessos. A resposta assistencial está assegurada na Consulta Externa do Hospital de Abrantes, com o apoio dos profissionais da própria unidade.
Rio Maior
As escolas do concelho de Rio Maior vão estar encerradas na sexta-feira.
Os caudais dos rios vão manter-se elevados, em particular a bacia do Tejo, com uma “tendência de subida significativa”. Há o risco de inundações em áreas urbanas e para a formação de lençóis de água.
FOTO: Gerardo Santos
A Protecção Civil alertou esta quinta-feira, 5 de Fevereiro, para o risco agravado de inundações e cheias, na sexta-feira e no sábado, devido à subida dos caudais da maioria dos rios e às descargas de barragens espanholas.
A continuação da chuva “intensa registada nos últimos dias” provocará a subida dos caudais dos rios e pode levar a cheias provocadas pelo transbordo do leito de alguns cursos de água, rios e ribeiras, segundo o comunicado da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC).
Com base na informação que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) disponibilizou à ANEPC, os caudais dos rios vão manter-se elevados, em particular a bacia do Tejo, com uma “tendência de subida significativa”, destacando-se os rios Zêzere, Nabão e Sorraia.
Os caudais também vão manter-se elevados e com tendência para subir no Rio Minho, Rio Lima, Rio Cávado, Rio Douro, Rio Vouga, Rio Mondego, Rio Lis, Rio Sado, Rio Guadiana, Ribeiras do Arade e as ribeiras do Algarve.
A Protecção Civil alertou também para o risco de inundações em áreas urbanas e para a formação de lençóis de água.
O corte do trânsito em algumas vias rodoviárias, por estarem submersas e derrocadas são outros efeitos da depressão Leonardo que poderão ocorrer, segundo a nota.
A Protecção civil alertou ainda para a presença de objectos soltos arrastados para as vias rodoviárias e para possibilidade estruturas móveis ou mal fixadas se soltarem devido às cheias e inundações, sendo que estes objectos e estruturas podem causar acidentes rodoviários.
Em relação às medidas preventivas, a ANEPC apelou às pessoas que desbloqueiem os sistemas de escoamento, ou seja, que retirem os objectos que possam ser arrastados pela água para as estradas e que prejudiquem o funcionamento dos sistemas.
A Protecção Civil pediu também que a população evite qualquer tipo de actividade próxima de linhas de água, em especial nas zonas com histórico de inundações.
A ANEPC apelou ainda para que as pessoas não estacionem veículos em zonas historicamente inundáveis e não atravessem locais inundados, evitando que cidadãos ou carros sejam arrastados para buracos no pavimento ou caixas de esgoto abertas.
Na nota, a Protecção Civil pediu a retirada de animais de zonas inundáveis e “especial cuidado na circulação e permanência junto de áreas arborizadas próximas de linhas de água, devido ao risco de queda de ramos e/ou árvores arrastados pelas águas”.
Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afectadas.
O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
O escrutínio e as críticas às falhas das estruturas de alerta, de protecção civil e de apoio em caso de catástrofe – dos bombeiros à Saúde, passando pelas infra-estruturas energéticas e pelos militares – não são um exclusivo de Portugal. É assim em França, Espanha e no Reino Unido, na verdade um pouco por todos os países democráticos, em que os cidadãos, contribuintes e eleitores, podem expressar livre e publicamente as suas preocupações, desespero ou mesmo a sua raiva.
Tal como noutros momentos dramáticos no nosso país, chegará o tempo de escalpelizar a fundo o que não correu bem durante as tempestades Ingrid, Joseph , Kristin e Leonardo, que assolaram e ainda assolam Portugal desde o final de Janeiro. Serão feitos relatórios e análises técnicas, haverá ministros e comandantes operacionais a responder no Parlamento.
Não é futurologia arriscada. Foi assim, por exemplo, nos incêndios de 2017, nos quais morreram pelo menos 116 pessoas. E haverá – com toda a certeza – demissões e remodelações de estruturas inteiras. Parafraseando Giuseppe Tomasi di Lampedusa, no seu romance Il Gattopardo, por vezes “é preciso que tudo mude para que tudo fique na mesma”.
“A ausência do país do comandante Nacional da Proteção Civil durante os piores dias das tempestades Joseph e Kristin, nos dias 26, 27 e 28 de janeiro, é grave e constitui um sintoma de males maiores.” Gerardo Santos
As auditorias aos fogos de Pedrogão Grande apontaram uma falha grave no topo da estrutura de comando da Protecção Civil. Um dos relatórios entregues no Parlamento indica que o comandante operacional nacional da Autoridade Nacional de Protecção Civil, à época Rui Esteves, deveria ter tido “uma presença activa” durante o incêndio. Que não deveria ter delegado o comando das operações no seu número dois, o tenente-coronel Albino Tavares, o homem que deu a ordem aos operadores de comunicações para não registarem mais alertas na fita do tempo do incêndio. Uma ordem que, na prática, terá impossibilitado de avaliar todas as falhas na resposta operacional.
Quase uma década depois, assistimos novamente a sinais de problemas sérios no topo das estruturas de comando da entidade encarregada de alertar e lidar com os efeitos destes fenómenos catastróficos.
A ausência do país do comandante Nacional da Protecção Civil durante os piores dias das tempestades Joseph e Kristin, nos dias 26, 27 e 28 de Janeiro, é grave e constitui um sintoma de males maiores.
Não é tanto o facto de Mário Silvestre, o homem no topo da pirâmide da coordenação, a última palavra em todas as decisões operacionais, ter sido autorizado a deslocar-se a Bruxelas para uma formação. É possível, ainda que pouco plausível, que não houvesse ainda uma ideia clara sobre os riscos da Tempestade Kristin, mas não é desculpável que Mário Silvestre não tenha regressado imediatamente quando os efeitos já eram visíveis até aos olhos destreinados do cidadão comum.
Ontem, Mário Silvestre ensaiou o discurso dos condenados: “A minha presença física nada teria mudado”, uma vez que “nada deixou de ser feito pela minha ausência”.
Das duas uma, ou Mário Silvestre considera – dez anos depois de Pedrogão – que é aceitável comandar operações em Estado de Calamidade por Zoom, Teams ou WhatsApp, ou acaba de assumir que não faz falta nenhuma nas operações.