“Não falharam as pessoas.” A frase com que a jornalista Margarida Vaqueiro Lopes terminou um artigo no início da semana deveria ter sido lida ao Presidente da República antes de Marcelo Rebelo de Sousa ter voltado aos tempos de professor universitário, e de comentador televisivo, e à análise crítica da actuação do Governo durante o período de calamidade que o país vive há uma semana devido à passagem da depressão Kristin que arrasou grande parte da zona Centro – nomeadamente a região de Leiria.
E o que se foi vendo e ouvindo ao longo destes dias dá razão à citação com que iniciei este texto. Às regiões afectadas foram chegando voluntários de diversos pontos do país que começaram a ajudar a limpar e a tentar arranjar o possível – desde retirar lixo das ruas, colocar lonas nos telhados ou acondicionar comida em sacos para serem entregues a quem viu a sua vida ser transformada em dias de sobrevivência sem luz, água e, até, estradas.
Tudo isto contrasta com o triste espectáculo a que fomos assistindo dado por quem tem a responsabilidade política de decidir e aprovar formas de apoiar e de prevenir situações como as que afectaram o país.
Além da falta de prevenção – o Instituto Português do Mar e da Atmosfera alertou com antecedência que a depressão se aproximava e que seria perigosa -, houve depois dificuldades em reagir. E quando essa reacção surgiu ainda piorou a imagem do Governo: um ministro deixou publicar um vídeo propagandístico onde aparecia ao telefone (diga-se, em abono da verdade, que assim que percebeu isso mandou retirá-lo); um outro que terá levado um grupo de militares a um determinado ponto onde fez uma acção (de campanha?) e depois, quando terminou, o cenário foi retirado – acusaram os moradores na zona e não foram desmentidos. Aliás, ouvi um desses habitantes a dizer para um canal de televisão: “Ajuda? Só se for dos passarinhos que estavam com fome.”
Acrescentemos à lista a ministra da Administração Interna que chegou a Leiria e, entre outras frases, disse: “Tudo isto é uma aprendizagem.” Quem assistiu viu a expressão do presidente da Câmara… Aliás, Maria Lúcia Amaral teve companhia do ministro da Coesão numa outra tese: o Governo desconhecia o que correu mal no atraso para a disponibilização de meios de ajuda para o terreno.
Por tudo isto as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa ontem, em Pedrogão Grande, podem ser consideradas uma avaliação negativa do Governo: “As pessoas ainda não perceberam o que aconteceu aqui, com 80% destruído”; “principalmente os que estão mais longe”; “As medidas têm de sair do papel e ser explicadas às pessoas. As pessoas comuns não as percebem. Para elas são politiquês.”
Estradas alagadas e pequenas cheias na via pública são algumas consequências da chuva que tem caído nos últimos dias.
Paulo Spranger
A chuva insiste em não desaparecer. Segundo a Protecção Civil desde 1 de Fevereiro que se registaram mais de 3300 ocorrências relacionadas com cheias. Esta quarta-feira, 4 de Fevereiro, e quinta, todos os distritos de Portugal continental estão sob aviso amarelo devido à previsão de chuva por vezes forte, passando a aguaceiros, devido à passagem da depressão Leonardo. Na região de Lisboa, houve pequenas inundações, nomeadamente na Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, e na capital várias estradas alagadas.
Veja as fotografias dos repórteres de imagem do DN Paulo Spranger e Leonardo Negrão, clicando na seta:
Ler e ouvir quem, mais ou menos assumidamente, apela ao voto em Ventura é uma experiência fascinante. Há inclusive — juro — os que invocam como principal motivo as “convicções” do líder do Chega.
“Sei que ficamos espantados quando há gente com convicções na política”.
A frase é de Teresa Nogueira Pinto, a “ministra da Cultura sombra” do Chega — que, filha da centrista Maria José Nogueira Pinto e do hagiógrafo de Salazar Jaime Nogueira Pinto, melhor teria o cognome de enviada-especial-do-Chega-para-a-velha-direita-endinheirada — num programa da Rádio Observador, referindo André Ventura. E que convicções lobrigou na pessoa em causa esta Nogueira Pinto, nas últimas semanas em pressuroso rodopio de entrevistas e comentários no desiderato de apor a sua patine bon-chic-bon-genre ao candidato presidencial da extrema-direita? Vejamos.
Supõe-se que o encontraremos explicado num texto que publicou no Expresso intitulado “porque voto Ventura”. Nele, começa por referir “a tríade ‘Deus, Pátria, Família’” — que, como é sabido, foi usada por Salazar como esteio central do seu regime e tem sido apropriada pelo líder do Chega. Segundo Nogueira Pinto, essa tríade, que “tanto horror suscita ao progressismo dominante”, não nasceu com Salazar mas sim da pena de um italiano oitocentista democrata e revolucionário, e é “uma ideia bonita e simples”.
Conviria quiçá lembrar que o ditador português Salazar pediu emprestado o slogan ao ditador italiano Mussolini — a quem, creio, ninguém se atreverá a negar o apodo de fascista — dando-se o caso, nada secreto, de Salazar ser contemporâneo do fascismo italiano. Tentar refutar essa referência evidente — tanto mais evidente quando Ventura anda a clamar aos quatro ventos que o que faz falta são “três salazares” — faz tanto sentido como asseverar que se alguém andar aí de cabeça rapada a vender T-shirts com “O trabalho liberta” se está a referir ao bem que faz trabalhar e ao título do livro de 1873 do alemão Lorenz Diefenbach (outro oitocentista) e não aos infames letreiros dos campos de concentração nazis.
Teresa Nogueira Pinto, obviamente, sabe-o bem — o seu pequeno texto é uma espécie de prestidigitação infantil, onde semeia aquilo a que se costuma dar o nome de “apitos de cão” enquanto pretende estar a negá-los. Porque a ideia é precisamente acicatar. Quando no citado programa da Rádio Observador assevera que é preciso “debater com toda a serenidade” matérias como a imigração, logo de seguida desculpabiliza como “uso da retórica e da comunicação política” o facto de Ventura assegurar que com ele como presidente haveria pessoas que iriam presas. É, diz a militante do Chega que se apresenta como “especialista em ciência política” e “professora universitária”, não um anúncio de alteração de regime e do fim da separação de poderes que caracteriza o Estado de direito democrático, mas “uma espécie de pedra que se manda para o charco de águas paradas, e funciona, porque ficámos a falar dos três salazares.”
Desde que funcione, tudo bem, então — supõe-se que Nogueira Pinto, que parece considerar muito a religião e a fé, também não achará mal que Ventura se tenha anunciado escolhido pelo seu deus para salvar Portugal (afirmação que deu origem a uma das melhores perguntas alguma vez feitas numa entrevista — aquela que Miguel Pinheiro, o director do Observador, colocou ao líder do Chega sobre tal revelação: “Quando é que isso aconteceu?”).
Talvez seja essa uma das “convicções” que a ministra-sombra vê no presidente do seu partido: a de ter sido ungido pelo Deus dos católicos. Certo é que no texto que escreveu sobre o seu candidato não colhemos referência às alegadas convicções que este terá, e que, segundo ela, o distinguem — só a certificação de que Ventura é “dissenso”, “divergência e alternativa” a “um consenso sufocante e despolitizado”. É, portanto, “contraditório”, ou “do contra”. Em quê? Para quê? Bom, isso agora não interessa nada.
O mesmo vale para o historiador e colunista do Observador Rui Ramos, que, num texto justamente intitulado “Ventura contra todos os outros”, garante ser esse “o único líder político em actividade que interessa aos portugueses”, mas não, ao contrário do que “os rivais crêem”, pelos seus truques de comunicação, mas pela “substância”. E a substância é? “O choque a que o país foi sujeito quando percebeu que os governantes, sem lhe perguntarem, tinham decidido abolir qualquer controlo da imigração.”
Passando à frente, por motivos de espaço, da afirmação de que “foi abolido qualquer controlo de imigração”, talvez seja de recordar que quando Ventura se começou a afirmar politicamente, ainda como candidato do PSD à autarquia de Loures, em 2017, a sua “causa” — Rui Ramos afirma que “é o único político activo que está associado a uma causa, e mais: à necessidade de manter essa causa, que não é uma causa qualquer, mas existencial, no debate público” — era o ataque aos ciganos e àquilo a que dá o nome de “subsídio-dependência”.
É estranho estar a chamar a atenção de um historiador para a história, mas a tal “causa existencial” que segundo ele faz o sucesso de Ventura só surgiu no seu discurso em 2024, quando o Chega já tinha um bom número de deputados e o seu líder era há muito o político mais entrevistado pelas TV portuguesas. Pelo que, lamento, não, não é de todo verdade o que Rui Ramos diz. Se Ventura tem desde o início da sua ascensão política uma causa, é a da discriminação dos discriminados, à mistura com os “apitos de cão” que Teresa Nogueira Pinto tão diligentemente refere no texto citado.
Acresce que, nas dores de crescimento, o Chega, ou seja o seu líder (porque o Chega é o seu líder), largou o hiper-liberalismo à Milei do programa inicial (de 2019) e transformou-se num partido que defende o Estado Social, ou seja, mais dinheiro para os hospitais públicos, as escolas públicas, os funcionários públicos, mais dinheiro para os pensionistas (incluindo os que pouco ou nada contribuíram para a Segurança Social, numa curiosa contradição face à sua propalada aversão à “subsídio-dependência”) — em suma, aquilo a que os “liberais económicos”, como será o caso de Rui Ramos, execram como “socialismo”.
De resto, o Chega é sistematicamente apanhado a votar contra, a favor e a abster-se no mesmo assunto — ou seja, destituído de convicções, a não ser uma: a de que tudo, incluindo todas as piruetas, vale para chegar ao poder. Se há algo que distingue André Ventura, algo em que é realmente exímio, é em não ter qualquer outra convicção a não ser a de que tem de fazer tudo o que for preciso, por mais repugnante e por mais vil, para chegar onde quer.
Não pode haver ninguém com o mínimo de cultura política e histórica que não veja e não saiba isso — pelo que todos os que, de forma mais ou menos sonsa, tentam articular defesas intelectuais do voto em Ventura são, como ele, meros oportunistas que ou pretendem uma boleia para o que esperam seja o seu destino ou sonham poder usá-lo.
Uma semana após a passagem da tempestade Kristin, há ainda populações privadas de electricidade e a precisar de ajuda numa altura em que o país enfrenta a nova depressão meteorológica Leonardo.
Foto: Gerardo Santos
IP activou planos de emergências. Mais de 1000 operacionais no terreno e 400 milhões de euros
A Infra-estruturas de Portugal activou os seus planos de actuação em situações de emergência, assegurando uma intervenção contínua no terreno, numa altura em que muitas estradas e linhas ferroviárias continuam cortadas.
Foram mobilizados cerca de 1.100 operacionais, integrando equipas da IP e dos seus prestadores de serviço, 550 viaturas, entre veículos ligeiros, pesados, todo-o-terreno e veículos motorizados especiais, bem como pás carregadoras, retro-escavadoras e giratórias.
No mesmo sentido, a IP recebeu um reforço de 400 milhões de euros, aprovado em Conselho de Ministros, para conseguir dar resposta ao actual cenário nacional.
“Até ao momento, os principais efeitos registados estão sobretudo associados à instabilidade de taludes, derrocadas, quedas de árvores e situações pontuais de inundação, fenómenos que constituem as principais preocupações operacionais, tendo em conta a quantidade de água acumulada nos solos. As equipas da IP, com o apoio essencial das empresas e empreiteiros com que colabora, encontram-se no terreno mobilizadas para acções de inspecção, prevenção e reposição das condições de segurança e circulação”, garante a entidade no seu site oficial.
Figueiró dos Vinhos cancela Carnaval. “Todos os recursos canalizados para o apoio às populações”
A Câmara Municipal de Figueiró dos Vinhos anunciou o cancelamento das festividades do Carnaval 2026 no concelho devido à situação de calamidade, na sequência da “passagem devastadora da depressão Kristin”.
“Todos os recursos humanos e logísticos estão canalizados para o apoio às populações e empenhados em minimizar, o mais possível, os graves danos causados por esta tempestade”, justifica o município em nota divulgada nas redes sociais.
Assim sendo, o programa das festividades do Carnaval, que estava previsto realizar-se entre os dias 13 e 17, foi cancelado. “O nosso pensamento está constantemente com todas as famílias que sofreram estas perdas, com aqueles que viram os seus bens danificados e com todos os que enfrentam o desalento causado por esta intempérie”, refere a autarquia.
Força Aérea recolhe informação em zonas afectadas por cheias e em situação de perigo
A Força Aérea realizou esta quarta-feira um sobrevoo de reconhecimento da zona envolvente ao Rio Vouga, entre a Ria de Aveiro e a barragem de Ermida, para recolher informação sobre áreas afectadas por cheias e em situação de perigo.
“Uma tripulação da Esquadra 552 da Força Aérea, acompanhada por Fuzileiros, realizou hoje um sobrevoo de reconhecimento visual na zona envolvente ao Rio Vouga, entre a Ria de Aveiro e a barragem de Ermida”, anunciou em comunicado aquele ramo das Forças Armadas.
De acordo com a Força Aérea Portuguesa, esta “missão conjunta permitiu recolher informação crítica sobre áreas densamente afectadas por cheias e em situação de perigo, reforçando a capacidade de resposta integrada das Forças Armadas no apoio às autoridades civis e às populações”.
A Força Aérea acrescenta ainda que estão “empenhados dois helicópteros AW119 Koala, um dedicado à monitorização das zonas mais afectadas, em apoio à E-Redes e ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, e outro vocacionado para a vigilância e detecção de cheias”.
O ramo das Forças Armadas recorda que na Base Aérea N.º 5 (BA5), em Monte Real, Leiria, continuam a ser distribuídas refeições e é dada a possibilidade de banhos quentes e carregamento de telemóveis, além de outros apoios solicitados pelos cidadãos, tanto presencialmente como através das redes sociais da Força Aérea.
Mantém-se ainda “o apoio na cedência e aplicação de lonas, na disponibilização de geradores e na remoção de destroços das vias públicas”.
Por outro lado, o “Centro de Operações Espaciais da Força Aérea intensificou a recolha e análise de informação espacial, que complementada com as imagens recolhidas pelas aeronaves, apoiam as operações de resposta imediata e as acções de recuperação após os efeitos da depressão Kristin”.
Lusa
Casal e filho desalojados após casa desabar parcialmente em Ourique
Um casal, com cerca de 70 anos, e o filho, de 40, ficaram hoje desalojados depois de a casa onde viviam ter desabado parcialmente devido ao mau tempo, no concelho de Ourique, distrito de Beja.
Contactado pela Lusa, o comandante dos Bombeiros de Ourique, Mário Batista, referiu à Lusa que a casa, situada no lugar de Foros da Favela, a cerca de oito quilómetros da vila, ficou sem condições de habitabilidade.
A habitação “tem paredes em taipa” e as chuvas intensas podem ter originado “infiltrações de água” na estrutura, que provocaram o desabamento parcial, apontou.
Igualmente contactado pela Lusa, o presidente da Câmara de Ourique, Marcelo Guerreiro, salientou que os três moradores, um casal, com cerca de 70 anos, e o filho, de 40, vão ser realojados temporariamente numa casa do município.
O alerta para o desabamento parcial desta habitação foi dado às autoridades às 07:57.
DN/Lusa
Cerca de 99% da população de Ourém deverá ter água ao final da tarde
Cerca de 99% da população do concelho de Ourém, no distrito de Santarém, deverá ter o abastecimento de água restabelecido até ao final da tarde de hoje, anunciou a Be Water – Águas de Ourém.
Em comunicado enviado à agência Lusa, a empresa referiu que “cerca de 80% dos sistemas de abastecimento do concelho estão a operar com energia proveniente de geradores (aproximadamente 25 no total)”.
“Devido à sua sensibilidade, estes equipamentos estão sujeitos a paragens e avarias, exigindo vigilância contínua e circuitos de reabastecimento ininterruptos, assegurados por duas equipas em permanência”, explicou.
Segundo a Be Water, foi feito o reforço do abastecimento em alguns reservatórios através do transporte de água entre sistemas e “algumas zonas abastecidas com hidropressores estão temporariamente a funcionar em ‘bypass’”, o que poderá levar a que a pressão de serviço seja inferior ao normal.
Há também a possibilidade de surgirem “pequenas interrupções devido a roturas ou danos na rede de distribuição”, mas a empresa referiu que, “para assegurar uma intervenção rápida”, está a recolher informações junto do município de Ourém, da Protecção Civil e dos munícipes.
“Os trabalhos estão a decorrer para normalizar totalmente o abastecimento o mais rapidamente possível”.
Lusa
Um total de 93 mil clientes da E-Redes sem energia
Um total de 93 mil clientes da E-Redes continua sem abastecimento de energia eléctrica devido aos danos provocados pela depressão Kristin, que afectou Portugal continental há uma semana, na rede de distribuição, informou hoje a empresa. São menos 10 mil do que no balanço anterior, que estava nos 103 mil.
Num balanço feito às 08:00, a empresa indicou que “estão por alimentar 93 mil clientes, sendo que, nas zonas mais críticas, as avarias decorrentes da depressão Kristin totalizam 87 mil clientes”.
Leiria é o distrito mais afectado, com mais com 63 mil clientes sem energia, seguido de Santarém, com 15 mil clientes, Castelo Branco com seis mil, e Coimbra com três mil, segundo a E-Redes.
DN/Lusa
“Situação agravou-se”. Nível de cheia subiu para 1,2 metros na baixa de Alcácer do Sal
Foto: Gerardo Santos
O nível de cheia na zona baixa de Alcácer do Sal, distrito de Setúbal, “já ultrapassou 1,20 metros”, disse esta quarta-feira à Lusa o comandante sub-regional da protecção civil, realçando que “a situação agravou-se”.
“O nível de cheia já ultrapassou 1,20 metros e prevê-se um agravamento das condições meteorológicas, a continuação da precipitação e do vento”, disse o comandante sub-regional de Emergência e protecção Civil do Alentejo Litoral, Tiago Bugio.
Além disso, acrescentou, “as barragens continuam a descarregar”, com essa água a chegar ao Rio Sado que ‘banha’ a cidade de Alcácer do Sal.
“A situação agravou-se. Tivemos a maré cheia por volta das 05h00 e a próxima será às 18h00”, relatou.
Tiago Bugio indicou que “a avenida está inundada e ruas adjacentes e diversas ruas estão cortadas ao trânsito”.
O comandante destacou que hoje também a Estrada nacional 253 (EN253) que faz a ligação entre Alcácer do Sal e Montemor-o-Novo, no distrito de Évora, encontra-se fechada à circulação rodoviária.
Além disso, tal como nos últimos dias, os acessos às localidades de Santa Catarina, São Romão, Arez e Casebres estão cortados ao trânsito, mas estas povoações têm ligações a municípios vizinhos, enquanto Vale do Guizo, cujo acesso também está cortado, “está isolado”.
Perante as condições meteorológicas previstas, o comandante sub-regional de Emergência e Protecção Civil do Alentejo Litoral deixou um apelo à população.
“O importante é que os habitantes se cinjam às deslocações essenciais, porque as condições meteorológicas vão agravar-se”, alertou.
Além disso, continuou, “a acumulação de água nas estradas é muito elevada, as linhas de água estão a extravasar os leitos”, pelo que são necessários “cuidados redobrados”.
O mesmo responsável acrescentou ainda que, na área do Comando Sub-Regional de Emergência e Protecção Civil do Alentejo Litoral, estão cortadas duas estradas no concelho de Santiago do Cacém. Bombeiros disseram à Lusa que se trata da EN261 em S. Domingos e a Estrada Municipal 390, entre Abela e S. Domingos.
Lusa
Ponto da situação da rede ferroviária. Circulação suspensa na Linha do Sul em Grândola
A Infra-estruturas de Portugal (IP) indica que nesta quarta-feira a circulação ferroviária regista condicionamentos em três linhas da rede nacional: Douro, Oeste e Sul, sendo esta última a mais recente com constrangimentos. Uma situação causada “pelas condições meteorológicas adversas da última semana, com impacto na infra-estrutura devido a inundações, à queda de árvores e detritos”.
De acordo com a CP, a circulação ferroviária na Linha do Sul estava às 09h00 suspensa entre Azinheira dos Barros e Grândola, no distrito de Setúbal.
Este era o ponto da situação da IP às 08h00:
Linha do Sul: circulação suspensa entre Grândola e Azinheira de Barros.
Linha do Douro: circulação suspensa entre a Régua e o Pocinho;
Linha do Oeste: circulação suspensa entre Mafra e Amieira.
“As equipas da Infra-estruturas de Portugal encontram-se no terreno a desenvolver todos os esforços para resolver a situação e repor, com a maior brevidade possível, as condições de circulação e de segurança”, assegura a empresa na nota divulgada no site.
Maioria das escolas do concelho de Leiria reabriu hoje
A maioria das escolas do concelho de Leiria reabriu esta quarta-feira, uma semana após a depressão Kristin ter atingido gravemente o município, anunciou a Câmara.
Abriram estabelecimentos do pré-escolar ao ensino secundário dos oito agrupamentos do concelho e a Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo (esta não agrupada), com o município a aconselhar a consulta no sítio na Internet do município ou nas redes sociais de quais as escolas reabertas, assim como as turmas deslocalizadas.
“Algumas escolas vão permanecer encerradas, devido aos danos provocados pelo mau tempo, nomeadamente quedas de árvores, cortes de energia e infiltrações, situações que exigem a verificação e garantia de todas as condições de segurança”, adiantou a autarquia, referindo que a avaliação para novas reaberturas vai ser feita diariamente.
No caso dos estabelecimentos que não reúnem ainda condições para reabrir, a Câmara assegurou que “continua a trabalhar em articulação com a comunidade educativa para que todos os alunos regressem às aulas em segurança o mais rapidamente possível”.
A Câmara de Leiria gere 145 edifícios escolares, com cerca de 15 mil alunos.
🇵🇹 PORTUGAL // DEPRESSÃO LEONARDO // KIT DE EMERGÊNCIA
As tempestades de Inverno vieram para ficar: depois da Kristin, o país prepara-se para a chegada da depressão Leonardo, que pode provocar chuva intensa e muito prolongada.
A nova depressão deverá chegar a solo português já esta terça-feira. Perante este cenário, e com o objectivo de proteger a população e evitar consequências semelhantes às registadas nas tempestades anteriores, a Guarda Nacional Republicana (GNR) emitiu um conjunto de recomendações, entre as quais a preparação de um kit de emergência para 72 horas.
O que deve incluir o kit de emergência?
Entre os elementos que devem compor o kit de emergência, que deverão garantir autonomia por pelo menos 72 horas, estão água potável, comida não perecível para três dias, uma lanterna, um rádio a pilhas, um power bank para carregar aparelhos electrónicos, produtos de higiene pessoal, sacos do lixo, um apito, um canivete, dinheiro físico, um mapa, um kit de primeiros socorros, medicamentos essenciais, roupa, calçado resistente, uma manta e uma cópia de todos os documentos importantes que devem ser guardados numa bolsa impermeável.
A GNR aconselha ainda a população a seguir sempre as indicações das autoridades e dos serviços de protecção civil; a evitar aproximar-se de árvores instáveis, estruturas danificadas, cabos eléctricos caídos ou zonas sinalizadas como perigosas; a redobrar os cuidados durante trabalhos em altura, como subidas a telhados, garantindo condições de segurança adequadas; a assegurar a utilização segura de lareiras, salamandras e outros sistemas de aquecimento, garantido ventilação adequada, limpeza das chaminés e a extinção total das brasas antes de dormir; a utilizar geradores exclusivamente no exterior das habitações, afastados de portas e janelas, prevenindo a acumulação de gases tóxicos; e a manter vigilância acrescida das habitações, sobretudo das que se encontrem temporariamente desocupadas, comunicando de imediato qualquer situação suspeita às forças de segurança.
Primeiros efeitos da depressão Leonardo sentidos esta tarde
Os primeiros efeitos da tempestade Leonardo deverão fazer-se sentir, na tarde desta terça-feira, “inicialmente com a aproximação ao Baixo Alentejo e Algarve de um sistema frontal a ela associado”, indica o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), sendo esperada “precipitação persistente e por vezes forte e rajadas de vento que podem atingir 75 quilómetros/hora no litoral a sul do Cabo Mondego e 95 quilómetros/hora nas terras altas”.
Na quarta-feira, o sistema frontal irá estender-se às outras regiões do continente, prevendo-se que “o período com valores acumulados de precipitação mais elevados e vento mais intenso seja na noite” de quarta para quinta-feira, revela o IPMA.
Os distritos de Faro, Setúbal e Beja vão estar sob aviso amarelo por causa da chuva, por vezes forte e persistente, entre as 18:00 de hoje e as 15:00 de quarta-feira, e as 21:00 de quarta-feira e as 09:00 de quinta-feira.
Devido à previsão de chuva por vezes forte e contínua, o IPMA emitiu também aviso amarelo para os distritos de Santarém, Lisboa, Leiria, Castelo Branco, Coimbra e Portalegre, válido das 21:00 de quarta-feira às 09:00 de quinta-feira.
Os distritos de Faro, Setúbal,Lisboa e Leiria vão estar sob aviso amarelo entre as 21:00 de hoje e as 12:00 de quarta-feira, bem como entre as 06:00 e as 15:00 de quinta-feira, face ao vento forte esperado. Estão previstas rajadas até 70/80 km/h e até 95 km/h nas serras.
Ainda por causa das rajadas de vento forte, o IPMA emitiu aviso amarelo para os distritos de Bragança, Viseu, Évora, Porto, Guarda, Faro, Vila Real, Setúbal, Santarém, Viana do Castelo, Lisboa, Leiria, Beja, Castelo Branco, Aveiro, Coimbra, Portalegre e Braga, entre as 06:00 e as 15:00 de quinta-feira.
Vários distritos sob aviso laranja
A queda de neve acima de 800/1000 metros, até às 18:00 desta terça-feira, levou o IPMA a colocar os distritos de Viseu, Porto, Guarda, Vila Real, Viana do Castelo, Aveiro, Castelo Branco, Coimbra e Braga sob aviso laranja.
Relativamente à agitação marítima, os distritos do Porto, Faro, Setúbal, Viana do Castelo, Lisboa, Leiria, Beja, Aveiro, Coimbra e Braga estão também sob aviso laranja até às 00:00 de hoje e entre as 12:00 e as 19:00 de quinta-feira. Estão previstas ondas de noroeste com 5 a 6 metros, que podem atingir os 11 metros de altura máxima.
Açores sob aviso vermelho
As ilhas do grupo Ocidental dos Açores estão sob aviso vermelho, desde segunda-feira e até quarta-feira, enquanto as do grupo Central e Oriental estão sob aviso laranja, devido à agitação marítima. O aviso vermelho apenas é emitido em casos de situação meteorológica de risco extremo.
As rajadas de vento também não darão tréguas e podem atingir os 110 km/h nos grupos Ocidental (Flores e Corvo) e Central (Terceira, São Jorge, Pico, Faial e Graciosa) e os 100 quilómetros/hora no grupo Oriental (São Miguel e Santa Maria).
Já o arquipélago da Madeira vai estar sob aviso laranja entre as 15:00 e as 19:00 de quinta-feira devido à agitação marítima, prevendo-se ondas com 5 a 7 metros de altura significativa, podendo chegar aos 12 metros de altura máxima.
🇵🇹 PORTUGAL // DEPRESSÃO LEONARDO // PROTECÇÃO CIVIL
Quando ainda se tenta recuperar do rasto de destruição devido à tempestade Kristin, país começa esta terça-feira a sentir os efeitos da depressão Leonardo: mais chuva, vento forte e agitação marítima
Marcelo Rebelo de Sousa recebeu o primeiro-ministro Luís Montenegro no Palácio de Belém. FOTO: FILIPE AMORIM/LUSA
Pescadores têm fundo de compensação e Governo estuda novo apoio para aquacultura
O Governo esclareceu hoje que os pescadores podem recorrer ao fundo de compensação salarial face ao mau tempo e adiantou estar a avaliar, para a aquacultura, um apoio para a compra de equipamentos destinados a requalificar unidades destruídas.
“No que respeita aos pescadores, é possível recorrer ao Fundo de Compensação Salarial dos Profissionais da Pesca (FCSPP), um mecanismo que apoia financeiramente pescadores e armadores com actividade suspensa por motivos excepcionais, como mau tempo ou gestão de recursos”, indicou o Ministério da Agricultura e Mar, em resposta à Lusa, acrescentando que estão a ser analisados apoios complementares.
O município da Nazaré pediu esclarecimentos à Secretaria de Estado das Pescas e do Mar quanto à não inclusão das actividades piscatórias e de aquacultura nos apoios anunciados na sequência da depressão Kristin.
Numa solicitação dirigida ao secretário de Estado das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro, o presidente da Câmara da Nazaré, Serafim António, questionou “as razões que justificam esta exclusão, da comunicação pública relativa aos apoios financeiros extraordinários destinados a mitigar os prejuízos provocados pelas recentes intempéries”.
À Lusa, o Ministério da Agricultura e Mar assegurou que as empresas do sector podem recorrer ao conjunto de medidas para famílias e empresas afectadas pela depressão Kristin.
O ministério tutelado por José Manuel Fernandes adiantou ainda estar a trabalhar com a autoridade de gestão do Mar 2030 sobre a possibilidade de disponibilizar um apoio para a aquisição de novos equipamentos para requalificar as unidades destruídas.
Lusa
Metropolitano de Lisboa abre três estações a sem-abrigo no período nocturno
O Metropolitano de Lisboa vai manter abertas entre hoje e a madrugada de segunda-feira, no período nocturno, as estações de Santa Apolónia, Oriente e Rossio, para permitir que pessoas em situação de sem-abrigo possam ali pernoitar, devido ao frio.
Numa informação enviada à agência Lusa, fonte do Metropolitano de Lisboa explicou que esta medida se insere “no âmbito do Plano de Contingência para Pessoas em Situação de Sem-Abrigo, visando assegurar uma resposta adequada às condições de frio extremo que actualmente se fazem sentir na cidade de Lisboa”.
Assim, entre hoje e a madrugada de segunda-feira, as pessoas em situação de sem-abrigo poderão pernoitar nas estações de metro de Santa Apolónia (linha Azul), Rossio (linha Verde) e Oriente (linha Vermelha).
Lusa
Banco de Fomento lança 1.500 milhões de euros de crédito para emergências e reconstrução
O Banco de Fomento vai lançar na quarta-feira duas linhas de crédito de emergência de 1.500 milhões de euros dirigidas às empresas afectadas pelas tempestades, para colmatar necessidades imediatas e apoiar a reconstrução de instalações e equipamentos.
A criação das linhas foi anunciada hoje pelo presidente do Banco Português de Fomento (BPF), Gonçalo Regalado, num encontro com jornalistas.
O responsável da instituição adiantou que o prazo para submissão das candidaturas arranca na quarta-feira, estando previsto que a contratação e a liquidez aconteçam a partir de segunda-feira, 09 de Fevereiro.
Ao contraírem os empréstimos através destas linhas, as empresas terão uma isenção de comissão de garantia e das comissões bancárias habitualmente associadas, adiantou.
Os pedidos são submetidos junto do BPF pelos bancos comerciais, através do formulário que ficará disponível a partir de quarta-feira, cabendo às instituições financeiras obter a validação dos empresários para formalizar o empréstimo.
O objectivo das linhas de crédito especiais é assegurar condições de financiamento mais baixas às empresas, uma vez que os bancos concedem os empréstimos através de uma garantia emitida pelo BPF equivalente a 70% ou 80% do financiamento, dependendo da dimensão das empresas.
As linhas agora anunciadas abrangem diversos sectores de actividade, desde a indústria à hotelaria, passando pela restauração ou empresas agrícolas, explicou o presidente executivo do BPF.
Além do financiamento global de 1.500 milhões de euros, o BPF tem previstos 100 milhões de euros que serão convertíveis a fundo perdido (subvenções), explicou.
O apoio com maior valor disponível, para a concessão de empréstimos num valor global de 1.000 milhões de euros, chama-se “linha BPF apoio à reconstrução – investimento” e destina-se a apoiar a construção de instalações, equipamentos, activos biológicos e outras infra-estruturas afectadas.
Para acederem a esta linha, as empresas têm de enviar aos bancos dois documentos: uma declaração de valor de danos (emitida pelas seguradoras ou pelas comissões de coordenação de desenvolvimento regional) ou da avaliação bancária (pelos bancos), e uma declaração de compromisso.
Os bancos comerciais analisam as operações, financiam até 100% dos danos e o BPF emite uma garantia, explicou o presidente executivo.
O financiamento vai até 100% dos danos causados. Se as empresas receberem indemnizações de seguros ou outras compensações relacionadas com os danos financiados os valores abate ao apoio concedido.
A garantia do BPF será de 70% para as grandes empresas e de 80% para as Pequenas e Médias Empresas, referiu. Depois, existe um tecto máximo da garantia a conceder pelo BPF, que não poderá ultrapassar 20% do financiamento total por cada entidade financeira.
Há ainda a possibilidade de converter até 10% do valor concedido a uma empresa a fundo perdido, ao fim de três anos, se as entidades mantiverem a actividade e o emprego (será comparado o numero de trabalhadores entre 2025 e 2028), referiu o responsável do BPF.
As empresas têm dez anos para pagar os créditos, com um período de carência de três anos (até 36 meses) em que podem não reembolsar capital nem juros, explicou o responsável.
A segunda linha chama-se “linha BPF apoio à reconstrução – tesouraria” e pretende financiar necessidades imediatas de liquidez e fundo de maneio indispensáveis, estando previsto um total de 500 milhões de euros.
Neste caso, o prazo de pagamento é de cinco anos e o período sem exigência de reembolso é de 12 meses.
Nesta segunda linha, as micro empresas podem receber até 100 mil euros, as pequenas até 500 mil, as médias até 1,5 milhões de euros e as grandes até 2,5 milhões de euros, disse o presidente do BPF.
Para os financiamentos de tesouraria, o apoio abrange as empresas dos municípios em que seja decretada uma situação de emergência ou calamidade a partir de Janeiro de 2026.
O presidente executivo do banco disse que há pelo menos 120 mil empresas elegíveis, sendo este número variável porque diz respeito apenas às empresas sediadas nos locais afectados, e as empresas com sede noutros locais do país também podem concorrer caso tenham registado perdas nos concelhos afectados pelas tempestades.
Lusa
Protecção Civil eleva estado de prontidão para o nível máximo
O comandante nacional de emergência e protecção civil alertou hoje para a situação meteorológica “muito complexa” prevista para os próximos dias, que obrigou a elevar o estado de prontidão do dispositivo para o nível mais elevado.
“Com base neste quadro meteorológico, o país foi elevado todo para o estado de prontidão especial 4, o mais elevado dos níveis que temos, o que implica 100% da capacidade dos agentes de protecção civil disponível”, afirmou Mário Silvestre, numa conferência de imprensa na sede Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC).
Face à situação meteorológica muito complexa que está prevista, o comandante nacional apelou às populações que tenham em atenção os fenómenos meteorológicos, como chuva e vento forte, agitação marítima com ondas que podem atingir os 11 metros, queda de neve e possibilidade de inundações.
O comandante nacional da Protecção Civil alertou ainda para o risco de lençóis de água nas estradas e e disse que o risco de cheias é sobretudo elevado em Águeda e nas margens dos rios Douro e Tâmega.
Desde o início da tempestade Kristin até às 16:00 de dia 1 foram registadas 12 183 ocorrências, sendo a queda de árvores o principal tipo de ocorrência, e já foram activados 72 planos municipais e três planos distritais de emergência.
Castanheira de Pera estima prejuízos de cinco milhões de euros com 550 habitações afectadas
O presidente do Município de Castanheira de Pera, no norte do distrito de Leiria, estimou hoje em cinco milhões de euros os prejuízos no concelho após a depressão Kristin, que provocou danos em 550 habitações.
“São cerca 600 infra-estruturas e habitações com danos, estamos agora a fazer o levantamento mais exaustivo, porque a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro pediu. E estimamos prejuízos de cerca de cinco milhões de euros”, disse à agência Lusa António Henriques.
“Os danos são em estradas, edifícios municipais, danos em património natural, nomeadamente ribeira de Pera, e Praia das Rocas”, declarou António Henriques, destacando que o número de habitações afectadas é de 550.
Segundo o autarca, “a zona sul do concelho foi praticamente toda afectada por esta intempérie”.
Quanto aos serviços essenciais, a falta de água foi pontual no concelho.
“Ao nível das telecomunicações, as três operadoras estão a funcionar desde domingo, embora, de vez em quando, haja alguma falha”, declarou, referindo que 95% do território tem energia eléctrica.
O presidente da Câmara destacou o trabalho dos operacionais que estão no terreno, desde a Protecção Civil, funcionários municipais e de instituições particulares de solidariedade social, bombeiros, sapadores florestais e pessoas que trabalham nas infra-estruturas eléctricas e de comunicações.
“Tem sido um trabalho que tem permitido minimizar o impacto, que é grande, da intempérie”.
A autarquia anunciou, entretanto, a criação de um banco de telhas gratuitas, no estaleiro municipal, que começa a funcionar na quarta-feira, entre as 09:00 e as 17:30.
Aos munícipes que necessitem, a autarquia pede que levem um exemplar ou informação do tipo de telha que precisem.
“No local, deverá ser solicitada exclusivamente a quantidade necessária de telhas”, adiantou, explicando que, “posteriormente, técnicos da Câmara Municipal deslocar-se-ão às habitações para verificar se a quantidade de materiais utilizada corresponde ao solicitado, de forma a evitar pedidos indevidos ou excedentes”.
Em caso de os cidadãos não terem meios para transportar as telhas até casa, haverá apoio dos técnicos.
“O apoio está limitado ao ‘stock’ existente e os materiais serão entregues apenas no local indicado, por ordem de chegada”, esclareceu o município, pedindo às pessoas que tenham telhas para doar que o façam no estaleiro naquele horário.
Lusa
Montenegro: “Esta semana será um grande desafio. Quinta-feira e domingo serão dias difíceis”
Luís Montenegro perspectivou mais uma semana difícil no que concerne ao mau tempo e os seus efeitos, garantindo que tudo está a ser feito para minimizar os estragos.
“Estamos a fazer o maior esforço possível para a normalidade regressar à vida das pessoas. ainda há muitas que estão sem energia eléctrica e telecomunicações. Esta semana será um grande desafio. Quinta-feira e domingo serão dias difíceis, com risco de inundações. Estamos a fazer toda a prevenção, para precaver os impactos”, afirmou primeiro-ministro após uma reunião com Marcelo Rebelo de Sousa no Palácio de Belém, em Lisboa.
Montenegro adiantou que o Presidente da República “estar em visitas a zonas afectadas, juntamente com membros do Governo, e constatar o que todos têm feito no terreno”.
O líder do executivo garantiu que “estão empenhados todos os meios disponíveis para reparação e proteger o que está hoje mais frágil”. “Não será possível fazer reparações nos primeiros dias, mas haverá acções preventivas para minimizar estragos”, assegurou Montenegro.
Concelhos em situação de calamidade representam 17% da população portuguesa
Os 68 concelhos em situação de calamidade após a passagem da depressão Kristin têm 17,1% da população residente em Portugal e 16,7% da área total, um território onde se localizam grandes empresas, muitas delas fortemente exportadoras.
Segundo os dados do INE de 2023, nos concelhos com declaração de calamidade viviam 1.8267.35 pessoas (17,1%) e com um rendimento bruto de 20.651.694 euros, que corresponde a 16,4 % do total do país.
Em muitas das freguesias, ainda sem electricidade, existirão dificuldades no acesso ao voto nas eleições presidenciais de domingo, 08 de Fevereiro. No total da área afectada, estão inscritos 1.589.165 eleitores (14,4% do total). A abstenção nestes concelhos oscilou entre 26,33% em Vila de Rei e 50,30% na Nazaré.
Acima do poder de compra ‘per capita’ do país, no mapa dos concelhos afectados, apenas está Leiria, Coimbra e Aveiro, mas, entre os municípios com menos de 70% da média nacional existem quatro casos: Oleiros, Penamacor, Góis e Pampilhosa da Serra.
No que diz respeito ao envelhecimento, 30% da população tem mais de 65 anos, acima da média nacional (24%), e, dos 68 concelhos afectados, apenas 14 têm populações mais novas que a média nacional, com destaque para Entroncamento, Batalha e Ílhavo, seguindo-se depois Aveiro, Torres Vedras, Condeixa-a-Nova, Leiria, Rio Maior, Murtosa, Ovar, Vagos, Marinha Grande, Lourinhã e Albergaria-a-Velha.
Na região, encontram-se 14 concelhos com índice de envelhecimento que corresponde a mais do dobro da média nacional, com destaque para Oleiros, Penamacor, Pampilhosa da Serra e Castanheira de Pêra.
Oleiros, aliás, é o concelho mais envelhecido de toda a região afectada, com um índice de 730, quatro vezes superior à média nacional, e o presidente da Câmara disse hoje que mais de 70% do território está sem comunicações móveis ou com instabilidade.
O impacto não é apenas nas pessoas mas também na economia regional e nacional. Os concelhos litorais desta região afectada têm uma forte componente empresarial e toda a região tem 248.586 empresas, que correspondem a 15,7% do total do país.
A região de Leiria e de Aveiro é fortemente exportadora e essa contabilidade também terá efeitos na balança comercial do país.
Lusa
Diário de Notícias
Susete Henriques, Sofia Fonseca, Carlos Nogueira, David Pereira
03.02.2026
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- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).
Quando ainda se tenta recuperar do rasto de destruição devido à tempestade Kristin, país começa esta terça-feira a sentir os efeitos da depressão Leonardo: mais chuva, vento forte e agitação marítima
Rio Sado voltou a galgar as margens e inundou a Avenida dos Aviadores, em Alcácer do Sal RUI MINDERICO/LUSA
EN222 cortada ao trânsito entre Vila Nova de Foz Côa e Almendra devido a várias derrocadas
A Estrada Nacional (EN222) foi esta terça-feira cortada ao trânsito, no troço entre Vila Nova de Foz Côa e Almendra, no distrito da Guarda, devido a derrocadas de pedra e terra, disse à Lusa o presidente da câmara.
Segundo o autarca de Foz Côa, Pedro Duarte, este corte foi feito por motivos de segurança rodoviária, visto que há várias derrocadas de pedras e terra no troço entre a sede de concelho e a freguesia de Almendra.
“Prevemos que os trabalhos de limpeza da via sejam céleres, mas não há garantias de não haja mais derrocadas, devido à chuva que se faz sentir e a previsão de condições meteorológicas adversas para os próximos dias”, disse
Segundo o autarca, o corte da EN222 foi efectuado ao início da manhã e, para já, não há alternativas rodoviárias.
Lusa
Ponto da situação na circulação ferroviária
Continuam a registar-se “condicionamentos” na circulação ferroviária em “algumas linhas da rede nacional”, devido à passagem da depressão Kristin e às condições meteorológicas “das últimas horas, com impacto na infra-estrutura devido a inundações, à queda de árvores e detritos”, segundo a Infra-estruturas de Portugal (IP).
Este era o ponto de situação às 08h00:
Linha do Douro: circulação suspensa entre a Régua e o Pocinho;
Ramal de Alfarelos: circulação suspensa entre Alfarelos e a Figueira da Foz;
Linha do Oeste: circulação suspensa entre Mafra e Amieira.
A Infra-estruturas de Portugal indica que as equipas estão “no terreno a desenvolver todos os esforços para resolver a situação e repor, com a maior brevidade possível, as condições de circulação e de segurança”.
Autocarro com crianças e idosos ficou preso na neve em Castro Daire
Um autocarro ficou ao início da manhã desta terça-feira retido na neve na Estrada Municipal (EM) 550, em Castro Daire, e os bombeiros estão a retirar crianças e idosos para os levar ao destino, disse à Lusa fonte da Protecção Civil.
Segundo a fonte do Comando Sub-regional de Viseu Dão Lafões, a EM 550, que liga Pinheiro a Castro Daire, ficou cortada devido à queda de neve durante a noite.
No local estão cinco operacionais e três veículos da GNR e dos bombeiros, a transportar “entre 25 a 30 passageiros” para a sede de concelho.
A mesma fonte acrescentou que não se encontra cortada mais qualquer estrada devido à queda de neve na zona da Serra de Montemuro.
Lusa
Cerca de 118 mil clientes da E-Redes sem energia pelas 08h00
Cerca de 118 mil clientes da E-Redes continuavam às 08h00 desta terça-feira sem fornecimento de energia em Portugal continental, na sequência dos danos provocados pela depressão Kristin na rede eléctrica, na quarta-feira, informou a empresa.
Segundo informação enviada à agência Lusa, sete dias depois da tempestade, 118 mil clientes continuavam hoje sem fornecimento de energia, sendo que nas zonas mais críticas as avarias decorrentes da depressão Kristin totalizam 115 mil clientes.
O distrito de Leiria é o mais afectado com 85 mil clientes sem energia, seguido de Santarém com 20 mil clientes, Castelo Branco com oito mil e Coimbra com dois mil.
Os clientes da E-Redes correspondem a “pontos de entrega de energia” como habitações, empresas ou lojas com ligação eléctrica, sendo assim difícil quantificar o número de pessoas que estão a ser afectadas.
No anterior balanço, correspondente às 18h00 de segunda-feira, 134.000 clientes da E-Redes, sobretudo em Leiria, estavam sem energia eléctrica, no dia em que o mau tempo da madrugada provocou novas avarias na rede, segundo a empresa.
Lusa
Leiria lança operação “Telhado Solidário”
A Câmara de Leiria lançou esta terça-feira a operação “Telhado Solidário”, iniciativa especialmente direccionada a técnicos qualificados e empresas com o objectivo de reparar telhados, com a garantia de alojamento aos participantes que não sejam do concelho.
“Depois da campanha de distribuição de lonas plásticas para protecção imediata dos telhados e da campanha de recolha de telhas, o Município lança agora a Operação ‘Telhado Solidário’, uma iniciativa que visa contratar empresas e mobilizar entidades e autarquias com capacidade para disponibilizar equipas técnicas qualificadas para a reparação de telhados afectados”.
Numa nota de imprensa, a Câmara assegurou que o objectivo “é assegurar a colocação de telhas ou de soluções provisórias de protecção, como lonas, em habitações de pessoas que, pela idade, condição física ou ausência de meios técnicos, não têm capacidade para realizar trabalhos desta natureza, que implicam risco e exigem especialização”.
A autarquia apelou à “colaboração de empresas do sector da construção e da reabilitação, entidades com equipas técnicas capacitadas, autarquias e outras entidades que possam disponibilizar recursos humanos para este esforço solidário”.
“Para as equipas que se desloquem de fora do concelho de Leiria, o Município assegurará alojamento, de forma a facilitar uma resposta rápida, eficaz e coordenada”.
As entidades participantes “deverão ter capacidade de actuação autónoma, dispondo dos seus próprios recursos humanos e materiais necessários à intervenção”.
Para participar na operação “Telhado Solidário”, os interessados devem manifestar interesse através do endereço de e-mail reerguerleiria@cm-leiria.pt ou do telefone 961 668 537, disponível para prestar todos os esclarecimentos necessários.
A campanha surge na sequência da depressão Kristin que atingiu o concelho de Leiria, “provocando danos significativos em numerosas habitações”, com a autarquia a sublinhar que “continua a reforçar a resposta no terreno, com especial atenção às situações de maior vulnerabilidade social”.
Lusa
Baixa de Alcácer do Sal outra vez inundada com subida do Rio Sado
A Avenida dos Aviadores em Alcácer do Sal, no distrito de Setúbal, voltou a ficar inundada na madrugada desta terça-feira, devido à subida do Rio Sado, que continua com um “nível muito elevado”, disse a Protecção Civil.
“O rio subiu esta madrugada como prevíamos e, tal como foi alertado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), não está a descer, continua com um nível muito elevado”, revelou à Lusa o comandante sub-regional de Emergência e protecção Civil do Alentejo Litoral, Tiago Bugio.
Por isso, durante a madrugada, “alagou um pouco a marginal do lado da câmara municipal, mas já baixou, e inundou a Avenida dos Aviadores até ao mercado municipal, subindo cerca de um metro, sem baixar”, precisou a mesma fonte.
A catástrofe natural que se abateu sobre a zona centro do país expôs as fragilidades da resposta do Governo em situações de crise. Não se trata de colocar em causa a competência técnica ou a boa vontade das pessoas responsáveis, dos ministros aos secretários de Estado, dos técnicos da Protecção Civil aos militares. O problema é estrutural e, também, comunicacional. E ficou visível para todos: numa altura em que centenas de milhar de pessoas estão aflitas, sem acesso a bens essenciais e assustadas com o que poderá acontecer assim que o sol voltar a pôr-se, o Estado português não tem conseguido transmitir confiança e coordenar esforços no apoio às populações afectadas.
No terreno, tem sido evidente a desarticulação. O episódio, noticiado pelo DN, em que o Exército teve de “contornar” a Protecção Civil para poder actuar, articulando-se directamente com as autarquias, mostra como temos um sistema que privilegia a burocracia em detrimento da eficácia. Quando enfrentamos uma situação de catástrofe, não há tempo para disputas entre “quintinhas”. São necessárias rapidez e uma cadeia de comando inequívoca. O país não pode assistir, incrédulo, as Forças Armadas que se vêem obrigadas a negociar a sua presença como se fossem um actor secundário, quando deveriam estar na linha da frente desde o primeiro minuto.
Por outro lado, na comunicação política também se registaram falhas. Em primeiro lugar, o vídeo promocional protagonizado pelo ministro da Presidência, Leitão Amaro, foi um passo em falso. Para além das acusações, que lhe foram dirigidas, de aproveitamento da catástrofe, o ministro passou uma imagem de uma certa falta de empatia pelo sofrimento alheio.
Em segundo lugar, a ministra da Administração Interna revelou-se incapaz de se afirmar como líder num momento em que as pessoas da precisavam de uma figura firme e empática, que lhes transmitisse alguma serenidade.
Numa crise, o que conta é a capacidade de comunicar com eficácia, de mobilizar recursos rapidamente e de criar condições para que os problemas das pessoas sejam resolvidos com a maior celeridade. O exemplo das antenas Starlink é paradigmático. Foi um empresário privado – Marco Galinha, accionista do DN -, quem tomou a iniciativa de comprar e instalar estes equipamentos para ajudar a restabelecer comunicações nos concelhos de Pombal e Leiria. Onde estava o Estado?
A explicação reside, eventualmente, na falta de visão estratégica e na inexistência de uma cultura de proximidade. Os autarcas de Leiria e Coimbra, Gonçalo Lopes e Ana Abrunhosa, mostraram o caminho que o Governo deveria seguir. Ambos revelaram muito pragmatismo, um contacto directo com as populações e soluções rápidas.
O desafio agora é aprender com os erros, reformar os mecanismos de resposta e, sobretudo, compreender que em momentos de crise a comunicação faz parte da própria essência da liderança.
Diário de Notícias
Filipe Alves
Director do Diário de Notícias
03.02.2026
Visita:
- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).
Infarmed diz que o medicamento será utilizado como “adjuvante à dieta e exercício, em adição a outros medicamentos para o tratamento da diabetes, para ser utilizado em 2ª e 3ª linhas terapêuticas”.
Foto: Reinaldo Rodrigues
O medicamento Ozempic (semaglutido) passa a ser comparticipado pelo Serviço Nacional de Saúde para adultos com diabetes tipo 2 e obesidade ou alto risco cardiovascular, uma decisão aplaudida pela Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal.
O Ozempic, utilizado no tratamento da diabetes tipo 2, recebeu autorização do Infarmed para comparticipação em doentes com obesidade ou elevado risco de doença cardiovascular, alargando o acesso a um tratamento considerado essencial para muitos doentes.
Segundo o Relatório de Avaliação de Financiamento Público do Infarmed, divulgado esta segunda-feira, 2 de Fevereiro, o Ozempic obteve autorização de comparticipação para o “tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2, insuficientemente controlada, com IMC igual ou superior a 30 kg/m2 ou risco elevado de doença cardiovascular”.
O medicamento será utilizado como “adjuvante à dieta e exercício, em adição a outros medicamentos para o tratamento da diabetes, para ser utilizado em 2ª e 3ª linhas terapêuticas”, adianta a Autoridade Nacional de Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed).
A medida foi saudada pelo presidente da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP), José Manuel Boavida, por se tratar de “uma reivindicação antiga da associação”.
Segundo o presidente da APDP, existia até agora “uma discriminação entre as pessoas com diabetes que não era de maneira nenhuma aceitável”.
“Esta notícia vem alargar a comparticipação à maior parte das pessoas com diabetes, a todas aquelas que têm obesidade e a todas aquelas que apresentam um risco cardiovascular elevado, o que são praticamente todas as pessoas com diabetes”, disse o especialista à Lusa.
A APDP considera que a decisão cria, finalmente, “uma situação de não discriminação entre as pessoas com diabetes”, mas ainda falta “o passo seguinte” que é “a abordagem directa do problema da obesidade”.
“Percebemos que é complexo, mas terá que ser dado também. Vamos por passos”, disse José Manuel Boavida, concluindo que “é realmente com uma grande satisfação que a Associação toma conta desta decisão do Infarmed e do Ministério da Saúde”.
Em algumas regiões, a chuva prevista para esta semana poderá ser duas a três vezes acima da média. Madrugada de quinta-feira será o período mais crítico, prevê o IPMA
Paulo Spranger/Global Imagens
Portugal prepara-se para mais um episódio de mau tempo. Ainda mal ficaram para trás os efeitos da depressão Kristin e já se aproxima uma nova tempestade atlântica, de nome Leonardo, que promete trazer chuva intensa, vento forte, neve nas serras e mar muito agitado nos próximos dias.
De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a depressão Leonardo – assim baptizada pela Delegação Regional dos Açores -, está a organizar-se no Atlântico Norte, a cerca de 1100 quilómetros a norte dos Açores. Trata-se de mais um sistema inserido no chamado “comboio de tempestades” que tem marcado este inverno e que continua a canalizar sucessivas frentes activas na direcção de Portugal.
Chuva persistente e vento forte no continente
No continente, os efeitos da depressão Leonardo deverão começar a notar-se a partir do final da tarde de terça-feira, 3 de Fevereiro, com a chegada de um sistema frontal pelo Baixo Alentejo e Algarve, avisa o IPMA, em comunicado. A chuva será persistente e, por vezes, forte, acompanhada de vento intenso, sobretudo no litoral e nas zonas montanhosas.
Durante a noite de quarta para quinta-feira, 4 para 5 de Fevereiro, prevê-se o período mais crítico, com precipitação generalizada, rajadas até 75 km/h no litoral a sul do Cabo Mondego e até 95 km/h nas terras altas.
Nas regiões montanhosas do Norte e Centro, os acumulados totais de precipitação entre os dias 3 e 7 poderão atingir valores entre 150 e 250 litros por metro quadrado, valores duas a três vezes superiores à média, com a próxima quinta-feira (5) a prever-se como o mais chuvoso destes dias.
“Devido a esta situação foram emitidos avisos meteorológicos de níveis laranja e amarelo, nomeadamente de precipitação, neve, rajada de vento e agitação marítima”, refere o IPMA.
Açores e Madeira também em alerta
Nos Açores, os primeiros impactos começam a sentir-se já a partir de quarta-feira, 4 de Fevereiro. O IPMA emitiu aviso vermelho de agitação marítima para o grupo Ocidental, onde as ondas poderão atingir 10 metros de altura significativa, com picos máximos até 19 metros, e aviso laranja de vento para os grupos Ocidental e Central, com rajadas que podem chegar aos 110 km/h.
Também a Madeira será afectada pelas ondulações frontais associadas à depressão. Entre os dias 3 e 6, espera-se chuva frequente, especialmente no oeste da ilha, vento forte e mar muito agitado. As rajadas poderão atingir os 85 km/h, ou mesmo 95 km/h nas terras altas, e as ondas na costa norte poderão chegar aos 7 metros a partir de quinta-feira. “Devido a esta situação foram emitidos avisos meteorológicos de níveis laranja e amarelo para a agitação marítima e rajada de vento”, refere o IPMA.
Papel do anticiclone dos Açores e da corrente de jacto
A precipitação deverá persistir, pelo menos, até a metade de Fevereiro, com novos sistemas a cruzar o território nacional, aproveitando a posição anómala do anticiclone dos Açores, que se encontra mais a sul do que é habitual, deixando de funcionar como barreira de estabilidade. A isto junta-se o comportamento da corrente de jacto, que tem permanecido muito a sul, a passar sobre os Açores e o território continental, abrindo caminho a sucessivas depressões atlânticas.
O IPMA aconselha a monitorização constante das previsões e dos alertas meteorológicos, principalmente nas áreas mais susceptíveis a inundações, ventos fortes e agitação marítima. Após a Kristin, Leonardo confirma que o inverno ainda está longe de terminar.