207: Depois da destruição da Kristin, depressão Leonardo traz muita chuva e vento a Portugal

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🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // DEPRESSÃO LEONARDO

Em algumas regiões, a chuva prevista para esta semana poderá ser duas a três vezes acima da média. Madrugada de quinta-feira será o período mais crítico, prevê o IPMA

Paulo Spranger/Global Imagens

Portugal prepara-se para mais um episódio de mau tempo. Ainda mal ficaram para trás os efeitos da depressão Kristin e já se aproxima uma nova tempestade atlântica, de nome Leonardo, que promete trazer chuva intensa, vento forte, neve nas serras e mar muito agitado nos próximos dias.

De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a depressão Leonardo –  assim baptizada pela Delegação Regional dos Açores -, está a organizar-se no Atlântico Norte, a cerca de 1100 quilómetros a norte dos Açores. Trata-se de mais um sistema inserido no chamado “comboio de tempestades” que tem marcado este inverno e que continua a canalizar sucessivas frentes activas na direcção de Portugal.

Chuva persistente e vento forte no continente

No continente, os efeitos da depressão Leonardo deverão começar a notar-se a partir do final da tarde de terça-feira, 3 de Fevereiro, com a chegada de um sistema frontal pelo Baixo Alentejo e Algarve, avisa o IPMA, em comunicado. A chuva será persistente e, por vezes, forte, acompanhada de vento intenso, sobretudo no litoral e nas zonas montanhosas.

Durante a noite de quarta para quinta-feira, 4 para 5 de Fevereiro, prevê-se o período mais crítico, com precipitação generalizada, rajadas até 75 km/h no litoral a sul do Cabo Mondego e até 95 km/h nas terras altas.

Nas regiões montanhosas do Norte e Centro, os acumulados totais de precipitação entre os dias 3 e 7 poderão atingir valores entre 150 e 250 litros por metro quadrado, valores duas a três vezes superiores à média, com a próxima quinta-feira (5) a prever-se como o mais chuvoso destes dias.

“Devido a esta situação foram emitidos avisos meteorológicos de níveis laranja e amarelo, nomeadamente de precipitação, neve, rajada de vento e agitação marítima”, refere o IPMA.

Açores e Madeira também em alerta

Nos Açores, os primeiros impactos começam a sentir-se já a partir de quarta-feira, 4 de Fevereiro. O IPMA emitiu aviso vermelho de agitação marítima para o grupo Ocidental, onde as ondas poderão atingir 10 metros de altura significativa, com picos máximos até 19 metros, e aviso laranja de vento para os grupos Ocidental e Central, com rajadas que podem chegar aos 110 km/h.

Também a Madeira será afectada pelas ondulações frontais associadas à depressão. Entre os dias 3 e 6, espera-se chuva frequente, especialmente no oeste da ilha, vento forte e mar muito agitado. As rajadas poderão atingir os 85 km/h, ou mesmo 95 km/h nas terras altas, e as ondas na costa norte poderão chegar aos 7 metros a partir de quinta-feira. “Devido a esta situação foram emitidos avisos meteorológicos de níveis laranja e amarelo para a agitação marítima e rajada de vento”, refere o IPMA.

Papel do anticiclone dos Açores e da corrente de jacto

A precipitação deverá persistir, pelo menos, até a metade de Fevereiro, com novos sistemas a cruzar o território nacional, aproveitando a posição anómala do anticiclone dos Açores, que se encontra mais a sul do que é habitual, deixando de funcionar como barreira de estabilidade. A isto junta-se o comportamento da corrente de jacto, que tem permanecido muito a sul, a passar sobre os Açores e o território continental, abrindo caminho a sucessivas depressões atlânticas.

O IPMA aconselha a monitorização constante das previsões e dos alertas meteorológicos, principalmente nas áreas mais susceptíveis a inundações, ventos fortes e agitação marítima. Após a Kristin, Leonardo confirma que o inverno ainda está longe de terminar.

Diário de Notícias
Rui Frias
02.02.2026

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206: Sim, voltámos a falhar

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🇵🇹 OPINIÃO

A depressão Kristin não arrancou só vidas, telhados, árvores, postes de alta tensão, mas deixou também expostas as falhas de um Estado que voltou a não estar à altura num momento crítico. Quando foi ao terreno, Marcelo Rebelo de Sousa quis passar a mensagem de que, desta vez, não se terá tratado de uma falta de prevenção.

Permita-me discordar, Sr. Presidente: foi precisamente o que aconteceu. Falhamos, uma e outra vez, por falta de prevenção nas políticas públicas, por falta de escolhas responsáveis ao longo de anos, capazes de preparar o país para fenómenos que já não podem ser tratados como inesperados.

Prevenir não se resume a alertas meteorológicos a avisar que vem aí tempestade. É garantir que as infra-estruturas não fiquem desajustadas a fenómenos climáticos cada vez mais extremos, como apontou (e bem) o Presidente da República.

É investir em redundância nas comunicações móveis, geradores, redes eléctricas mais resilientes, reforço de meios técnicos e humanos. Tudo isto implica muito dinheiro? Sim. Mas implica sobretudo fazer as escolhas políticas certas, para não perpetuarmos a incompetência e a impreparação que corroem a confiança dos cidadãos nas instituições do Estado.

Ao longo de décadas, Portugal foi abandonando o investimento público sustentado, a manutenção das infra-estruturas e o reforço da capacidade de resposta do Estado. O resultado é evidente: estamos vulneráveis aos “azares” que inevitavelmente acontecem, apesar dos alertas científicos repetidos que, na prática, continuamos a ignorar. Uma postura próxima da irresponsabilidade dos populistas e negacionistas que criticamos (os quais, depois, são lestos a explorar as consequências dos fenómenos que fingem não existir).

Por isso, voltámos a falhar, sim. Mas a essa incapacidade estrutural do País juntaram-se também falhas graves na resposta concreta a esta crise. Não existiu um sistema eficaz de alerta e prontidão. Demorou-se a perceber a verdadeira dimensão dos estragos, num país que, administrativamente, continua a não enxergar para lá do umbigo centralista.

A resposta foi desarticulada, sem uma mobilização nacional à altura, deixada à iniciativa de cada município e da própria sociedade civil, que, consciente do indecoro do Estado, se desdobra em iniciativas de apoio e voluntariado.

Tivemos ministros mais preocupados com vídeos de promoção pessoal, desfiles de vaidades em frente às câmaras, outros inexplicavelmente desaparecidos de combate e uma comunicação institucional tão fiável quanto a do SIRESP que, pasme-se, voltou a registar falhas. O estado de calamidade teve de esperar pelo Conselho de Ministros do dia seguinte, a Comissão Nacional de Protecção Civil reuniu-se só este domingo (cinco dias depois), e milhares de pessoas continuam sem luz, água ou comunicações.

A depressão Kristin deixou um rasto de destruição material que vai levar muito tempo a consertar e uma tarefa ainda mais difícil pela frente: reparar a confiança dos cidadãos nas instituições do Estado.

Diário de Notícias
Rui Frias
Editor-Executivo Adjunto do Diário de Notícias
02.02.2026

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205: Situação de calamidade prolongada até 8 de Fevereiro. Será criada estrutura de missão para zonas afectadas

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🇵🇹 PORTUGAL // SITUAÇÃO DE CALAMIDADE

Passagem da depressão Kristin por Portugal continental deixou rasto de destruição em Leiria, Coimbra e Santarém. Situação de calamidade foi decretada até à meia-noite deste domingo em 60 municípios.

Primeiro-ministro em visita à região de Leiria.
Paulo Novais / Lusa

Estrutura de missão para zonas afectadas

Governo vai criar estrutura de missão para zona afectadas pela depressão Kristin. Será liderada por Paulo Fernandes, anterior presidente da câmara do Fundão, e funcionará em Leiria.

Apoio até dez mil euros para “reconstrução de habitação própria”

Luís Montenegro anunciou também uma linha de apoio para “reconstrução de habitação própria e permanente” até dez mil euros, sem ser necessária documentação quando não houver cobertura de seguro.

O mesmo montante estará disponível para situações relacionadas com agricultura e floresta exactamente no mesmo montante.

Situação de calamidade prolongada até 8 de Fevereiro

Em declaração após o Conselho de Ministros extraordinário o primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou o prolongamento da situação de calamidade até de 8 de Fevereiro. Abrangidos estão 60 municípios do país.

167 mil clientes mantêm-se sem energia, quase 50 mil no concelho de Leiria

Cerca de 167 mil clientes da E-Redes mantinham-se às 12h00 deste domingo sem electricidade, dos quais 49.900 no concelho de Leiria, devido aos efeitos da depressão Kristin, disse o presidente do conselho de administração da empresa.

“O número absoluto neste momento em Leiria [concelho] de clientes sem electricidade é 49.900. O dado que eu tenho para o total são cerca de 167 mil clientes, ao meio-dia de hoje”, afirmou aos jornalistas José Ferrari Careto, numa conferência de imprensa nos Bombeiros Sapadores de Leiria, onde está instalado o centro de operações do município.

José Ferreira Careto adiantou que o número de clientes continua a diminuir à medida que decorrem as intervenções que a E-Redes tem no terreno.

E-Redes sem previsão de restabelecimento total de energia na região afectada pela depressão

O presidente do conselho de administração da E-Redes, José Ferrari Careto, afirmou este domingo não haver previsibilidade sobre quando vai ser possível ter o restabelecimento total de energia eléctrica à região afectada pela depressão Kristin.

“Eu esclareço que não consigo, neste momento ter previsibilidade sobre a data em que toda a gente vai ter energia no perímetro desta intempérie. É a resposta mais séria e a resposta mais honesta que eu tenho para dar neste momento”, declarou José Ferrari Careto.

Numa conferência de imprensa nos Bombeiros Sapadores de Leiria, onde o município instalou um centro de operações, o responsável da empresa disse esperar que “seja cada vez mais residual o número de pessoas que não tem energia”.

“Mas não consigo dizer mais do que isto, neste momento, sob prejuízo de estar a criar falsas expectativas e de estar a faltar à verdade”, adiantou.

Lusa

Diário de Notícias
Carla Alves Ribeiro
01.02.2026

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204: Todos os distritos de Portugal Continental e Açores sob aviso amarelo até terça-feira

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🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // MAU TEMPO

Porto, Faro, Setúbal, Viana do Castelo, Lisboa, Leiria, Beja, Aveiro, Coimbra e Braga encontram-se sob aviso laranja entre as 15h00 de segunda-feira, 2 de Fevereiro, e as 02h00 de quarta-feira, dia 4.

Global Imagens

Dez distritos de Portugal continental vão estar sob aviso laranja, o segundo mais elevado, entre segunda e quarta-feira, devido a agitação marítima, anunciou este domingo, dia 1 de Fevereiro, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Porto, Faro, Setúbal, Viana do Castelo, Lisboa, Leiria, Beja, Aveiro, Coimbra e Braga encontram-se sob aviso laranja entre as 15h00 de segunda-feira e as 02h00 de quarta-feira.

Nestes distritos prevêem-se “ondas de noroeste com cinco a seis metros, podendo atingir 11 metros de altura máxima”, lê-se num comunicado do IPMA.

Todos os distritos de Portugal Continental e o arquipélago dos Açores vão estar sob aviso amarelo por diferentes motivos – agitação marítima, precipitação, neve e vento – em distintos períodos entre este domingo e terça-feira, ainda de acordo com o IPMA.

O aviso laranja é emitido pelo IPMA sempre que existe “situação meteorológica de risco moderado a elevado, e o amarelo quando há uma situação de risco para determinadas actividades dependentes da situação meteorológica.

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Protecção Civil, vários feridos e desalojados.

Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.

Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de hoje para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.

Diário de Notícias
DN/Lusa
01.02.2026

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203: 16 minutos que abalaram o mundo

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🇵🇹 OPINIÃO

Começo pelo óbvio: Mark Carney, primeiro-ministro canadiano, fez em Davos um discurso que ficará na história do século XXI. Durou 16 minutos, foi interrompido duas vezes com palmas e, no final, praticamente toda a sala se levantou para uma prolongada ovação que só teve paralelo com um célebre discurso de Mandela, em 1992, quando chamou ao palco F. D. Klerk promovendo aos olhos do mundo uma reconciliação nacional na África do Sul.

É extraordinário que este discurso tenha sido feito por um banqueiro. O seu percurso foi sedimentado na liderança de dois poderosos bancos centrais, o Banco do Canadá e o Banco de Inglaterra – Carney foi o único a governar mais do que um banco central do G7.

E é igualmente notável que seja um canadiano a avançar como ideólogo da decência de um novo mundo que, por mais desejos piedosos que possamos ter, já não volta para trás. Um banqueiro canadiano que cita dois pensadores europeus, um da Grécia, berço da Democracia, o outro do Leste europeu que foi rastilho para uma subversão que aniquilou por dentro uma tirania que se acreditava indestrutível: a tirania comunista com base no Pacto de Varsóvia e da União Soviética.

Mark Carney licenciou-se em Harvard e doutorou-se em Oxford. Os seus pais eram professores de liceu e acreditavam na força das ideias como motor humano. Ele e os seus três irmãos cresceram nessa premissa. Era importante saberem para onde ir e acreditarem que a cooperação é mais inteligente do que o individualismo. Mark foi guarda-redes de hóquei no gelo na infância e adolescência. E durante vários anos, nas férias de estudante do Secundário, distribuía o jornal da terra nas ruas de Edmonton.

É um discurso revolucionário. Um texto corajoso, destemido e brilhante que me disse muito. Se me tem acompanhado nesta “conversa” semanal sabe o quanto estes temas me são caros. O valor dos princípios aliado ao pragmatismo. O valor dos resultados, aliado à cultura e ao pensamento. O valor do crescimento, aliado à cooperação.

O valor da liberdade aliado às regras e aos princípios. O valor e o peso dos “peixes” médios e pequenos que têm de fazer por si para não serem engolidos por tubarões, quando estes, como disse Carney com outras palavras, decidem que não há regras que devam respeitar sempre que lhes apetece comer.

Carney vem do mundo das ideias e da banca. Vem do mundo das regras e da regulação. Vem da procura da excelência e não do populismo. E vem do Canadá, onde o perigo de se dizer não a Trump é real. É isso que redobra a força do seu discurso. Ele está ali ao lado, é o seu país que está directamente ameaçado, mas é precisamente ali que Trump e os seus pistoleiros, serão combatidos.

Desejo dizer duas ou três coisas rápidas. Partilhá-las consigo. Quero que fiquem escritas. Como bem disse Carney, o mundo mudou. E é neste quadro que devemos trabalhar, não num mundo utópico ou nostálgico. Ninguém nos dará nada de borla. Não é por nos ajoelharmos ao poder dos falcões – quer seja Trump ou Putin – que eles nos oferecerão alguma coisa. Os que acreditaram nisso, perderam. Perderam na década de 1930 com os nazis, perderam há uns anos com a Rússia, depois da invasão da Crimeia, e tornarão a perder se capitularem com a tomada pela força da Gronelândia… ou do Canadá.

A aceitação traz segurança, pergunta Tucídides. A resposta é evidente. Será duro o embate, mas precisamos de aceitar o desafio e formarmos uma verdadeira confederação de ideias. Necessitamos de estabelecer regras e novos líderes capazes de se distinguir a partir de uma ideia moral. Estar do lado certo, do lado do bem, da cooperação, único modo de sermos eficientes, de sobrevivermos e ganharmos.

Por fim, uma pequena nota. Acredito firmemente que este novo tempo terá como consequência o fim da Esquerda e da Direita como conceitos e modelos ideológicos. A clivagem será, a partir de agora, e nas próximas décadas, entre quem acredita na liberdade e na democracia liberal, e quem não acredita. Entre quem defende uma ordem baseada na decência e no respeito pelos interesses das partes, e quem defende a desordem e o poder da força dos poderosos contra todos os que não o são.

Entre quem acredita num mundo regulado e quem utilizará a tecnologia para criar cidades, países e, por fim, um mundo como espaço não-regulado, um mundo libertário saído de um filme de ficção científica. Entre, para simplificar, o bem e o mal. A luz e a sombra. A esperança e o ressentimento.

Tudo isto tem alguma coisa a ver com as nossas eleições presidenciais, mas isso deixarei para a próxima semana.

Presidente da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Torres Vedras

manuel.guerreiro@ccamtv.pt

Diário de Notícias
Manuel José Guerreiro
30.01.2026

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202: Munique 2026: o Direito Internacional deve dizer não à força bruta

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🇵🇹 OPINIÃO

A Conferência Anual de Munique sobre a segurança internacional vai decorrer de 13 a 15 de Fevereiro. É um acontecimento marcante no debate político global: basta recordar a intervenção fracturante do vice-presidente norte-americano, JD Vance, no encontro do ano passado, para compreender a relevância da reunião.

Agora estamos numa fase ainda mais complicada. Como disse há dias em Davos o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, encontramo-nos numa situação de ruptura permanente, numa era de “bruta realidade”, onde as grandes potências usam o comércio e a força como armas de coerção. Tem razão, em grande medida. A sua constatação já foi por mim referida em textos recentes.

Repito, todavia, que não podemos deixar-nos vencer nem pelo pessimismo, nem pela irracionalidade e a violência dos autocratas. Baixar os braços não é solução. O mundo não está condenado a ser governado por narcisistas, nem por ditadores ou por tresloucados. Mahatma Gandhi terá lembrado que “sempre houve e há tiranos e assassinos e, por algum tempo, até parecem invencíveis, mas, no final, sempre tombam… sempre!”

Os discursos que irão ser pronunciados em Munique estão a ser redigidos. Parece-me, por isso, ser o momento de partilhar uma série de ideias sobre temas que me parecem prioritários.

Começarei por citar Kofi Annan, com quem trabalhei vários anos: “A nossa missão é colocar o ser humano no centro de tudo o que fazemos. Nenhum muro é suficientemente alto para impedir a entrada dos problemas globais, e nenhum país é suficientemente forte para os resolver sozinho.” Já antes Martin Luther King havia dito que “estamos presos numa teia sem fuga possível”, que nos captura a todos.

As mensagens de ambos são fáceis de compreender: ou apostamos na solidariedade entre os povos, ou as nossas sociedades e o planeta, tal como o conhecemos, só podem aproximar-se ainda mais do abismo.

Observo com preocupação a apologia da “subordinação útil”, a que alguns chamam realismo político. Esse pretenso realismo a que as grandes potências nos tentam subjugar, e que certos teóricos e alguns líderes defendem, deve ser considerado um anacronismo perigoso. É uma espécie de “guia de sobrevivência” que, sob o disfarce da aceitação da força como o factor determinante nas relações internacionais, propõe o abandono de princípios universais em troca de uma estabilidade ilusória.

Essa visão política que nos querem vender parte da estafada e perigosa premissa da aceitação da existência de esferas de influência. Ou seja, inspiram-se nas suseranias e nas vassalagens de outrora, e seriam a melhor maneira de garantir a paz. Tem de haver em Munique quem desmonte esta falácia.

A verdadeira força de um Estado não reside apenas no seu arsenal militar. Assenta igualmente na sua legitimidade e na coragem do seu povo. Investir na criação de uma atmosfera de medo é a actividade preferida dos ditadores e dos populistas. Quando os deixamos utilizar essa arma, caminhamos para a perdição. Isso está a acontecer, incluindo entre nós.

Está a desenvolver-se um clima de temor na Europa. A paralisia gerada pelo medo é a verdadeira fraqueza de uma nação. É fundamental que se diga em Munique que estamos prontos para vencer o pavor, venha ele donde vier. A audácia, ancorada em valores, é a resposta.

A Ucrânia é um exemplo disso. O seu povo sabe-o. A resistência ucraniana é um ato de coragem moral que prova que um povo com um espírito livre é invencível, mesmo quando confrontado com uma filosofia imperial que ainda vê o mundo como se estivéssemos no século XIX. A intervenção de Zelensky em Davos foi um apelo à reflexão, embora tenha sido ofuscada pelo discurso de Carney.

Zelensky criticou abertamente a Europa, considerando-a um “caleidoscópio fragmentado de pequenas e médias potências”, hesitante, dependente dos EUA e perdida em discussões internas, enquanto a agressão russa continua e o petróleo de Putin circula livremente ao longo das costas europeias. Propôs que esse petróleo fosse confiscado e os proveitos utilizados para financiar a legítima defesa da Ucrânia, e por consequência, do nosso continente.

É verdade que a assistência financeira fornecida à Ucrânia pela UE, desde a invasão ilegal russa de 2022, já ultrapassa os 193 mil milhões de euros, um montante considerável, superior ao norte-americano. Zelensky terá, porém, ido longe demais nas suas palavras. Teve, no entanto, o mérito de sublinhar que sem aguerrida determinação, meios financeiros, incluindo os necessários para adquirir armas, imaginação e firmeza política não será possível enfrentar a violência injustificável da Rússia.

Será bom que Zelensky pronuncie um discurso semelhante em Munique, mas que substitua as críticas por propostas. E que a Europa democrática responda mostrando que compreende o perigo que as intenções de Putin – e de outros – representam. A guerra híbrida contra a Europa já está em curso e embora a ameaça maior venha do Leste, é preciso não perder de vista as ameaças provenientes de outros azimutes.

Isto lembra-nos que a soberania nacional é um direito inalienável que temos a responsabilidade de proteger. É o que está escrito na Carta das Nações Unidas. Munique deve sublinhá-lo e incluir simultaneamente na agenda a reforma das Nações Unidas. Este é dos temas mais prioritários ao nível internacional. Os países que prezam o primado da lei, da igualdade de direitos entre todos os Estados e da paz, têm aqui uma bandeira mobilizadora.

Conselheiro em Segurança Internacional.

Ex-secretário-geral-adjunto da ONU

Diário de Notícias
Victor Ângelo
30.01.2026

… menciona o autor desta peça que “A resistência ucraniana é um acto de coragem moral que prova que um povo com um espírito livre é invencível, mesmo quando confrontado com uma filosofia imperial que ainda vê o mundo como se estivéssemos no século XIX
Eu rectificaria antes o “século XIX” pelo tempo primitivo da Idade da Pedra… da era Flintstones!

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201: Sobe para nove número de vítimas da depressão Kristin. 180 mil clientes da E-Redes ainda sem energia

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🇵🇹 PORTUGAL // DEPRESSÃO KRISTIN // ESTRAGOS

Passagem da depressão Kristin por Portugal continental deixou rasto de destruição em Leiria, Coimbra e Santarém. Situação de calamidade foi decretada até à meia-noite deste domingo em 60 municípios.

Primeiro-ministro em visita à região de Leiria.
Paulo Novais / Lusa

Encerrada ponte de Louredo no rio Mondego em Vila Nova de Poiares

A Câmara Municipal de Vila Nova de Poiares informou hoje que a ponte de Louredo, sobre o rio Mondego, está encerrada ao trânsito devido ao previsível aumento do caudal.

“O Serviço Municipal de Protecção Civil informa que a ponte de Louredo, no rio Mondego, que liga a ER110 [Estrada Regional 110] à EN2 [Estrada Nacional 2] foi encerrada ao trânsito devido ao previsível aumento do caudal do rio”, anunciou.

Nas redes sociais, o executivo municipal liderado por Nuno Neves adiantou que a decisão “foi tomada em articulação com o Município de Vila Nova de Poiares, GNR [Guarda Nacional Republicana] e restantes autoridades”.

“A ligação alternativa entre as duas margens é a ponte de Penacova”, também no distrito de Coimbra.

Lusa

Doze pessoas foram retiradas das habitações por segurança em Vila de Rei

Doze pessoas foram retiradas das suas casas em Vila de Rei, no distrito de Castelo Branco, por motivos de segurança e o fornecimento de energia eléctrica está restabelecido em cerca de 90% do concelho.

“Os serviços de telecomunicações encontram-se em fase de reposição, nomeadamente o serviço de fibra óptica, o abastecimento de água foi totalmente restabelecido e o acesso a todas as aldeias do concelho encontra-se assegurado”, explicou, numa nota publicada nas suas redes sociais, o município de Vila de Rei.

Na sequência da passagem da depressão Kristin pelo concelho de Vila de Rei, continuam a decorrer, no terreno, diversos trabalhos com o objectivo de minimizar os seus efeitos e restabelecer a normalidade no território.

“O fornecimento de energia eléctrica encontra-se restabelecido em cerca de 90% do território concelho, subsistindo ainda alguns constrangimentos em determinadas localidades. Estão a ser desenvolvidos todos os esforços para que o serviço seja reposto com a maior brevidade possível”.

A autarquia tem ainda equipas no terreno a fazer a identificação e acompanhamento de pessoas desalojadas, isoladas ou em situação de maior vulnerabilidade.

Caso as condições meteorológicas não originem novos danos, prevê-se que os estabelecimentos de ensino – Creche Municipal, Jardim de Infância Municipal e Escola Básica e Secundária do Centro de Portugal – retomem o seu funcionamento a partir de segunda-feira, assim como os serviços municipais.

Lusa

180 mil clientes da E-Redes ainda sem energia às 08h00

Cerca de 180 mil clientes da E-Redes continuavam este domingo, 1 de Fevereiro, às 08h00 sem luz em Portugal continental, a maior parte na zona de Leiria, na sequência da depressão Kristin na madrugada da passada quarta-feira.

Comparativamente com os dados da E-Redes de sábado às 19h00 (quando havia 187 mil clientes sem luz), há agora mais 7.000 clientes com energia eléctrica.

Do total de clientes que estavam hoje às 08h00 sem luz, a maior parte é da zona de Leiria, no total de 127 mil (eram 130 mil no sábado ao fim da tarde).

Os restantes clientes sem luz encontravam-se hoje nas zonas de Santarém (30.000 clientes sem luz), Coimbra (7.000) e Castelo Branco (13.000).

Os clientes da E-Redes correspondem a pontos de entrega de energia como habitações, empresas ou lojas com ligação eléctrica, sendo assim difícil quantificar o número de pessoas que está a ser afectada.

Lusa

Morreu mais um homem em Leiria

Morreu mais uma pessoa na sequência dos efeitos da depressão Kristin, em Monte Real, Leiria. Trata-se de um homem de 74 anos que morreu intoxicado por monóxido de carbono libertado por um gerador. A informação foi confirmada aos jornalistas pela GNR de Leiria.

O alerta da ocorrência, na localidade de Segodim, chegou às autoridades pelas 2h30.

Ontem, sábado, um homem de 73 anos morreu ao cair do telhado que estava a reparar, no concelho da Batalha, distrito de Leiria.

Ontem, até às 13 horas, a Unidade Local de Saúde (ULS) da Região de Leiria dava conta de que mais de 400 pessoas deram entrada nas urgências do hospital de Leiria com traumas devido a situações relacionadas com acidentes em trabalhos de limpeza e reconstrução na sequência da depressão Kristin.

Fundo de Emergência da Cáritas de Leiria com 250 mil euros em menos de 48 horas

O Fundo de Emergência Social de Apoio às Vítimas da Tempestade Kristin criado pela Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima atingiu 250 mil euros em menos de 48 horas, disse hoje à agência Lusa o director de serviços.

“A Cáritas Diocesana de Leiria encontra-se com grandes dificuldades em aceder à conta, tendo em conta também os grandes problemas com as telecomunicações. Contudo, já poderemos afirmar com toda a certeza, que já angariámos cerca de 250 mil euros”, declarou Nelson Costa.

O fundo, financiado por donativos recolhidos por MB WAY, transferência bancária ou donativo ‘online’, foi criado na sexta-feira à tarde após a Cáritas ter participado numa reunião da Protecção Civil com o Município de Leiria, e em sintonia com o bispo diocesano, José Ornelas.

Segundo este responsável, no decorrer da próxima semana, o objectivo é “entrar em contacto com os diversos municípios que fazem parte da área geográfica da Diocese de Leiria-Fátima”.

“Vamos criar uma equipa multidisciplinar, composta por elementos da Cáritas Diocesana de Leiria e com outros elementos dos concelhos vizinhos”, adiantou Nelson Costa.

O director de serviços esclareceu ainda que vai ser feito “um levantamento efectivo das necessidades das pessoas, a nível de habitações e tudo o mais”, para depois esta entidade “canalizar, da melhor forma, e dignificar também o dinheiro” que lhe foi confiado e evitar erros do passado.

Questionado sobre que tipo de ajudas chegam à Cáritas, Nelson Costa exemplificou com alimentos.

“O Município de Leiria já suspendeu a recolha de bens alimentares e de produtos de higiene. A Cáritas Diocesana de Leiria não o fez, porque a nossa área de intervenção não é só Leiria, mas também os outros concelhos vizinhos”, como Batalha, Marinha Grande, Porto de Mós, Ourém ou parte de Pombal, explicou.

No sábado, a pedido de uma entidade pública de Alvaiázere, foram encaminhados bens para cerca de 30 pessoas, referiu.

Lusa

Câmara da Sertã recolhe lonas e plásticos para cobertura de estruturas

O município da Sertã, no distrito de Castelo Branco, está a realizar uma recolha de lonas e plásticos para cobertura de estruturas face às necessidades sentidas por muitas pessoas que viram destelhadas as suas habitações.

Em comunicado enviado à agência Lusa, a Câmara Municipal da Sertã informa que os materiais podem ser entregues nos estaleiros municipais, situados na zona industrial da vila, todos os dias, incluindo fins de semana, entre as 8h00 e as 17h00.

Segundo o último ponto de situação no terreno avançado pela autarquia, relativamente ao abastecimento de água, os problemas mais críticos localizam-se em Herdade, Santo Abril e Santa Rita.

“Por todo o concelho, vão surgindo novas rupturas que vão sendo reparadas. Um ponto crítico é a Foz da Sertã, dado que o trajecto até ao depósito ainda não está acessível, mas que ficará resolvido durante o dia hoje”.

Há ainda problemas com o abastecimento de água no Painho, Casal da Escusa, Viseu Fundeiro e Carvalhal, que serão resolvidos após a limpeza dos acessos aos depósitos.

“Há outros locais que poderão, entretanto, ficar sem água, mas serão prontamente abastecidos”.

Relativamente ao fornecimento de luz eléctrica, há geradores a ligar partes das localidades de Troviscal, Cabeçudo e Cernache do Bonjardim.

“Em Cernache do Bonjardim está a ser reposta a ligação de uma fase ligada por média tensão. Ainda hoje será fornecida energia, através de gerador, às localidades de Várzea dos Cavaleiros, Cumeada e Figueiredo”.

A autarquia salientou que também as localidades de Castelo e Pedrogão Pequeno terão abastecimento através de gerador muito em breve.

A Estrada Nacional (EN) 238, entre Cernache do Bonjardim e Vale da Ursa está transitável, o mesmo acontece com a estrada entre o Brejo da Correia e Porto dos Fusos estando em curso os trabalhos de desobstrução.

Lusa

CP retoma serviço Intercidades entre Coimba B e Guarda

A circulação ferroviária de Intercidades na Linha da Beira Alta entre Coimbra B e Guarda é retomada este domingo, 1 de Fevereiro, disse a CP em comunicado.

O primeiro comboio deste serviço parte de Coimbra B às 9h40, segundo a actualização publicada no ‘site’ da CP no sábado à noite.

A empresa disse ainda que já foi reposto o serviço regional entre Entroncamento e Soure.

Apesar de virem sendo retomados alguns serviços de comboios, há vários outros afectados pela tempestade de quarta-feira que continuam suspensos e para já sem previsão de retoma.

Assim, mantém-se suspensa a circulação nos comboios urbanos de Coimbra, na Linha do Norte entre Braga e Lisboa, na Linha do Douro entre Régua e Pocinho e na Linha do Oeste.

Devido a estas suspensões, também está suspensa a venda para viagens em comboios Alfa Pendular e Intercidades na Linha do Norte para o dia de hoje.

Lusa

Pombal garante qualidade da água e divulga localização de fontanários

A Câmara de Pombal, município do distrito de Leiria gravemente afectado pelo mau tempo, garante a qualidade da água da rede pública e divulga fontanários disponíveis para a população.

“Os Serviços Municipais de Pombal informam que a água da rede pública no concelho de Pombal se encontra própria para consumo humano, cumprindo integralmente todos os parâmetros legais de qualidade”, refere o município numa publicação nas redes sociais.

Segundo a autarquia, “a água distribuída na rede pública mantém-se dentro dos padrões habituais” e os “valores de cloro residual livre e de pH encontram-se conformes à legislação aplicável”.

“Foram reforçados os procedimentos de monitorização e serão feitas análises à água para confirmação do restabelecimento da normalidade”, assegura.

Para a população que ainda não tem água, na cidade de Pombal estão localizados fontanários no Largo do Arnado (perto da Farmácia Vilhena), Praça Faria da Gama (nas imediações do edifício da Junta de Freguesia) e Largo das Laranjeiras.

A autarquia informa ainda que existem torneiras no Largo do Cardal, perto da loja de brinquedos Casa Bebé.

Na semana passada, a Direcção-Geral da Saúde alertou para riscos na segurança da água e dos alimentos após a depressão Kristin e os cortes de energia, recomendando cuidados no consumo, na alimentação e no saneamento para proteger a saúde da população.

Lusa

Dez distritos sob aviso laranja no início da semana devido a agitação marítima

Dez distritos de Portugal continental vão estar sob aviso laranja, o segundo mais elevado, entre segunda e quarta-feira, devido a agitação marítima, anunciou este domingo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Porto, Faro, Setúbal, Viana do Castelo, Lisboa, Leiria, Beja, Aveiro, Coimbra e Braga encontram-se sob aviso laranja entre as 15h00 de segunda-feira e as 02h00 de quarta-feira.

Nestes distritos prevêem-se “ondas de noroeste com cinco a seis metros, podendo atingir 11 metros de altura máxima”, lê-se num comunicado do IPMA.

Todos os distritos de Portugal Continental e o arquipélago dos Açores vão estar sob aviso amarelo por diferentes motivos – agitação marítima, precipitação, neve e vento – em distintos períodos entre hoje e terça-feira, ainda de acordo com o IPMA.

O aviso laranja é emitido pelo IPMA sempre que existe “situação meteorológica de risco moderado a elevado, e o amarelo quando há uma situação de risco para determinadas actividades dependentes da situação meteorológica.

Lusa

Primeiro-ministro convoca Conselho de Ministros extraordinário

O Governo reúne-se em Conselho de Ministros extraordinário este domingo, 1 de Fevereiro, a partir das 10h00 na Residência Oficial do Primeiro-Ministro. Na agenda está a situação de calamidade decretada em 60 municípios do país, o “acompanhamento e adopção de medidas de prevenção e assistência perante os eventos climatéricos extremos (incluindo os dos próximos dias)” e a “recuperação e reconstrução das zonas afectadas”, de acordo com o comunicado do gabinete do primeiro-ministro.

No final da reunião Luís Montenegro fará uma declaração aos jornalistas.

Diário de Notícias
Carla Alves Ribeiro
01.02.2026

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200: Vários distritos com avisos devido a chuva, vento, neve e agitação marítima (veja a tabela e as horas)

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🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // MAU TEMPO

Este sábado há avisos emitidos pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera devido a devido à agitação marítima e queda de neve. Até segunda-feira espera-se agitação marítima, chuva, vento fortes e queda de neve

Aviso amarelo nos Açores devido à chuva forte
© Jason Oxenham / Getty Images

Vários distritos de Portugal continental mantêm-se entre hoje e segunda-feira com vários avisos devido à agitação marítima, chuva, vento fortes e queda de neve, indicou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Os distritos do Porto, Viana do Castelo e Braga estão sob aviso vermelho até à 06h00 de sábado devido à ondulação – prevendo-se ondas de oeste/noroeste com 07 a 08 metros, podendo atingir 14/15 metros de altura máxima -, passando depois a laranja até às 21h00.

Também os distritos de Faro, Setúbal e Beja estão a laranja até às 15h00, passando depois a amarelo devido a agitação marítima forte. Lisboa, Leiria e Aveiro estão a laranja até às 21h00 de hoje, passando depois a amarelo.

Níveis de alerta para sábado devido a agitação marítima

O IPMA emitiu também aviso amarelo para Porto, Viana do Castelo, Lisboa, Leiria, Aveiro, Coimbra e Braga entre as 21h00 de domingo e as 03h00 de segunda-feira, devido ao vento forte com previsão de “rajadas até 80 quilómetros por hora”.

Pelas mesma razão, o sinal amarelo foi emitido para Setúbal e Beja entre as 00h00 e as 06h00 de segunda-feira e, no caso de Faro, o aviso estende-se até às 09h00.

Todos os distritos de Portugal Continental vão estar sob aviso amarelo devido à chuva, por vezes forte, até às 06h00 de segunda-feira: Viseu, Porto, Vila Real, Viana do Castelo, Braga e Aveiro (a partir das 15h00 de domingo); Coimbra (desde as 18h00 de domingo); Santarém, Bragança, Guarda, Lisboa, Leiria e Castelo Branco (a partir das 21h00 de domingo) e Portalegre, Évora, Faro, Setúbal e Beja (com início às 00h00 de segunda-feira).

O IPMA colocou ainda os distritos de Bragança, Viseu, Porto, Viana do Castelo, Vila Real e Braga a amarelo por causa da queda de neve até às 06h00 deste sábado e, num segundo momento, entre as 12h00 e as 23h00 de segunda-feira.

Guarda e Castelo Branco estão hoje, pelo mesmo motivo, com sinal amarelo até às 09h00 e, na segunda-feira, entre as 06h00 e as 23h00.

Níveis de alerta para sábado devido a queda de neve

O aviso vermelho é emitido pelo IPMA nos casos de situação meteorológica de risco extremo. Já o aviso laranja indica uma situação meteorológica de risco moderado a elevado e o amarelo risco para determinadas actividades dependentes da situação meteorológica.

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Protecção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.

Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.

Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade entre as 00h00 de quarta-feira até às 23h59 de dia 1 de Fevereiro para cerca de 60 municípios.

Expresso
Cátia Barros
31.01.2026

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199: Grupo de voluntários lança plataforma TempestadeSOS para ajudar vítimas da depressão Kristin

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🇵🇹 PORTUGAL // DEPR

Plataforma, criada em menos de uma hora, faz o ‘match’ entre quem precisa e quem pode ajudar, privilegiando a ligação entre pessoas da mesma zona geográfica

Cheias perto de Coimbra
Reinaldo Rodrigues

Um grupo de voluntários lançou a plataforma Tempestadesos.com para apoiar as vítimas da depressão Kristin e acelerar a resposta às necessidades mais urgentes. “O projecto é solidário e a missão é não deixar ninguém para trás”, dizem em comunicado.

A Tempestadesos.com foi desenhada para responder às necessidades essenciais – bens essenciais, alojamento temporário, apoio logístico ou técnico, geradores e combustíveis, materiais de construção, apoio às comunicações ou outros recursos -, e permite que qualquer pessoa possa pedir ajuda em apenas dois minutos ou oferecer apoio.

A plataforma faz o match entre quem precisa e quem pode ajudar, privilegiando a ligação entre pessoas da mesma zona geográfica, explicam na mesma nota.

Sob o mote “Um movimento de pessoas por pessoas. Aqui ninguém fica para trás”, a Tempestadesos.com nasceu em menos de uma hora, desenvolvida por uma equipa de voluntários especialistas Inteligência Artificial e Comunicação, que decidiu agir de forma imediata perante a dimensão dos danos e o rasto de destruição causados pelas intempéries.

Ao combinar tecnologia, inteligência artificial e comunicação de crise, a plataforma pretende reduzir tempos de resposta, evitar duplicação de esforços e potenciar a solidariedade organizada.

“Acreditamos que, em momentos de emergência, a rapidez salva mais do que recursos — salva dignidade, segurança e esperança”, sublinha o grupo de voluntários.

Este grupo já participou noutros movimentos de solidariedade, como a Cama Solidária, durante a pandemia, onde colocaram centenas de caravanas ao serviço de profissionais de saúde, o Computador Solidário, que permitiu a doação de centenas de computadores a pessoas carenciadas, e o Portugal sem Chamas, em 2025.

Diário de Notícias
Sónia Santos Pereira
30.01.2026

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198: IPMA prevê chuva e vento a partir de domingo, típico de inverno

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🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // MAU TEMPO

Lisboa, 30 Jan 2026 (Lusa) – O IPMA prevê a partir de domingo a passagem de algumas frentes que vão trazer chuva, mas nada tão agressivo e preocupante como o que ocorreu na quarta-feira com a depressão Kristin, segundo a meteorologista Cristina Simões.

CARLOS M. ALMEIDA/LUSA

“Não será nada muito assustador, nem agressivo, no entanto, com precauções até porque estamos numa situação em que há zonas muito fragilizadas com tudo o que aconteceu. (…). A chover novamente e com vento a adicionar ao que já aconteceu não vai facilitar a quem está a tentar resolver os problemas, os estragos”, disse à Lusa a meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Cristina Simões adiantou que para hoje ainda está prevista alguma chuva e que o sábado será um dia de acalmia, contudo no domingo a situação vai mudar.

“Vamos continuar com a passagem de algumas frentes que vão trazer precipitação entre domingo e segunda-feira. No final do dia de domingo, a chuva será mais intensa no norte e centro, mas nada tão gravoso como tivemos”, disse.

De acordo com Cristina Simões, para segunda-feira está também prevista queda de neve nos pontos mais altos da Serra da Estrela e vento um pouco mais intenso, não tendo sido emitidos avisos e a emitir serão amarelos.

O agravamento no domingo tem a ver com uma superfície frontal que vai trazer chuva, passando a aguaceiros e vento mais intenso à passagem da frente.

“São situações típicas de inverno. Numa situação normal não seria nada preocupante, nem assustador, só ter aqueles cuidados normais de quando chove. No entanto, estamos a sair de uma situação bastante grave em que estamos a tentar resolver problemas e tudo isto não ajuda”, disse.

Na próxima semana, segundo Cristina Simões, vai continuar a passagem alternada de algumas superfícies frontais, apontando a previsão para a continuação de chuva alternando com períodos de acalmia.

“Toda a semana vamos ter estas passagens. O anticiclone está muito a sul e vai deixando passar todas estas perturbações do Atlântico, que conseguem atingir o continente”, adiantou.

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Protecção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.

Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.

Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de dia 01 de Fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.

DD // SB

Lusa
Dina Dias
30.01.2026

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