Lisboa, 30 Jan 2026 (Lusa) – O IPMA prevê a partir de domingo a passagem de algumas frentes que vão trazer chuva, mas nada tão agressivo e preocupante como o que ocorreu na quarta-feira com a depressão Kristin, segundo a meteorologista Cristina Simões.
CARLOS M. ALMEIDA/LUSA
“Não será nada muito assustador, nem agressivo, no entanto, com precauções até porque estamos numa situação em que há zonas muito fragilizadas com tudo o que aconteceu. (…). A chover novamente e com vento a adicionar ao que já aconteceu não vai facilitar a quem está a tentar resolver os problemas, os estragos”, disse à Lusa a meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Cristina Simões adiantou que para hoje ainda está prevista alguma chuva e que o sábado será um dia de acalmia, contudo no domingo a situação vai mudar.
“Vamos continuar com a passagem de algumas frentes que vão trazer precipitação entre domingo e segunda-feira. No final do dia de domingo, a chuva será mais intensa no norte e centro, mas nada tão gravoso como tivemos”, disse.
De acordo com Cristina Simões, para segunda-feira está também prevista queda de neve nos pontos mais altos da Serra da Estrela e vento um pouco mais intenso, não tendo sido emitidos avisos e a emitir serão amarelos.
O agravamento no domingo tem a ver com uma superfície frontal que vai trazer chuva, passando a aguaceiros e vento mais intenso à passagem da frente.
“São situações típicas de inverno. Numa situação normal não seria nada preocupante, nem assustador, só ter aqueles cuidados normais de quando chove. No entanto, estamos a sair de uma situação bastante grave em que estamos a tentar resolver problemas e tudo isto não ajuda”, disse.
Na próxima semana, segundo Cristina Simões, vai continuar a passagem alternada de algumas superfícies frontais, apontando a previsão para a continuação de chuva alternando com períodos de acalmia.
“Toda a semana vamos ter estas passagens. O anticiclone está muito a sul e vai deixando passar todas estas perturbações do Atlântico, que conseguem atingir o continente”, adiantou.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Protecção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de dia 01 de Fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.
Já nos habituámos a que Trump seja um mentiroso compulsivo, quando dizia que a UE pouco tinha participado no apoio financeiro à Ucrânia, ao contrário dos EUA, quando explicava que Zelensky só era apoiado por 4% dos ucranianos, quando afirmava que o responsável pela guerra desencadeada por Putin era Joe Biden e quando garantia que acabava com o conflito em 48 horas.
Pressionou Zelensky a render-se à Federação Russa em Fevereiro do ano passado, na indescritível reunião da Sala Oval.
Se a Ucrânia não se rendeu foi, em larga medida, graças à resistência europeia.
Depois, durante vários meses, ameaçou com sanções à Rússia, sanções essas que tardaram a ser decididas.
Depois, realizou uma Cimeira no Alasca com Putin, sendo certo que, ainda hoje em dia, não se perceberam os verdadeiros contornos do que foi acordado entre os dois líderes.
Depois, afirmou estar desiludido com Putin e admitiu ceder mísseis Tomahawk à Ucrânia para, após telefonema do seu amigo russo, mudar, de imediato, de ideias.
Mais recentemente, e à margem do Direito Internacional, atacou a Venezuela, havendo muitos ingénuos que pensam que tal se destinou a libertar aquele país do jugo ditatorial de Maduro.
Todavia, tem-se mostrado mais preocupado com a exploração do petróleo venezuelano por empresas americanas do que com o retorno desse país à democracia, mantendo negociações com os “herdeiros políticos” do sr. Maduro.
Mostrou-se preocupado, isso sim, com o Prémio Nobel da Paz, escrevendo ao primeiro-ministro norueguês uma carta em que afirma “que não se sente mais obrigado a pensar na paz, uma vez que não recebeu o dito Prémio Nobel”, revelando uma “solidez moral edificante”.
De seguida, explicou que as únicas regras a que se sente obrigado são as ditadas pela sua própria moral – que, conforme se constata é “sólida” -, não havendo qualquer Direito Internacional que o limite a ele e aos seus actos.
Viria, ainda, a dizer, mais uma vez, que os EUA deveriam assumir o controlo soberano da Gronelândia, por aquisição ou, eventualmente, através de uma operação militar.
Não contente com tudo isto, ameaçou os países europeus que se opusessem à conquista da Gronelândia com um aumento de tarifas.
E quando lhe perguntaram sobre o futuro da NATO, disse que a mesma era mais importante para os europeus e que pensava que os mesmos nada fariam pelos EUA se fosse accionado o artigo 5.º do Tratado.
Foi, de facto, um grande “azar de Trump”, porque a única vez em que o artigo 5.º foi accionado teve que ver com o Afeganistão (em decorrência do 11 de Setembro) e os europeus responderam à solicitação americana.
E morreram muitas centenas de europeus (incluindo dois portugueses), sendo que os mesmos estiveram na linha da frente, ao contrário do afirmado por Trump, mentindo, como é seu hábito.
Que o sr. Trump minta por mera ignorância – como, por exemplo, aconteceu quando disse que a Espanha era um BRIC -, ainda se poderá compreender, embora se lamente, mas que minta numa questão tão grave e de uma forma tão leviana como esta, ofendendo as Forças Armadas de países aliados, insinuando a sua cobardia e desvalorizando o esforço desenvolvido pelas mesmas, é algo que merece ser condenado.
É passar-se da mentira para o insulto e, quando assim é, não existem razões diplomáticas que justifiquem que não se faça sentir a quem de direito que nos considerámos insultados.
Autoridade de saúde apela à adopção de medidas preventivas e comportamentos seguros e emite recomendações a ter com consumo de água e de alimentos, bem como no saneamento.
Depressão Kristin deixou milhares de casas sem eletricidade e água potável CARLOS BARROSO/LUSA
A Direcção-Geral da Saúde alerta para riscos na segurança da água e dos alimentos após a tempestade Kristin e os cortes de energia, recomendando cuidados no consumo, na alimentação e no saneamento para proteger a saúde da população.
A DGS emitiu um conjunto de recomendações na sequência da tempestade que afectou várias regiões do país na madrugada que quarta-feira, provocando falhas no fornecimento de energia eléctrica que ainda se mantêm em algumas localidades, o que pode comprometer a qualidade da água para consumo e a segurança dos alimentos.
“Situações como esta têm impacto na segurança dos alimentos conservados no frigorífico e no congelador, assim como na qualidade da água, especialmente em áreas onde o abastecimento depende de sistemas eléctricos”, alerta em comunicado.
Para reduzir estes riscos, a autoridade de saúde apela à adopção de medidas preventivas e comportamentos seguros.
Água
A Direcção-Geral da Saúde lembra que deve ser evitado o consumo de água de fontes que não estão ligadas à rede pública de abastecimento, como poços ou minas, por poderem estar contaminadas.
A DGS aconselha a população a não beber água da torneira, lavar alimentos ou escovar os dentes com essa água, a menos que exista confirmação oficial da sua segurança, devendo, sempre que possível, utilizar água engarrafada.
“Se não tiver água engarrafada, ferver a água durante 10 minutos antes de usar ou desinfectar com lixívia sem corantes, detergentes ou perfumes (cerca de 2 gotas por litro de água)”, recomenda, aconselhando ainda a população a lavar bem as mãos antes de manusear água tratada ou alimentos.
Saneamento
Relativamente ao saneamento, a autoridade recomenda que, sempre que possível, se continue a utilizar a sanita, mas evitar deitar água usada se a rede estiver inoperacional.
As águas residuais, como as provenientes da lavagem, não devem ser despejadas em solos ou ribeiros, devendo também o lixo doméstico e resíduos sanitários ser mantidos afastados de quaisquer fontes de água.
Alimentação
A DGS esclarece que, se a interrupção de energia no frigorífico não tiver ultrapassado as 12 horas, os alimentos poderão ter-se mantido em condições de segurança para consumo.
No caso dos hortícolas e fruta, como cenoura, tomate, couve, laranja ou limão, estes podem permanecer seguros mesmo para além desse período.
Já os congeladores conseguem manter os alimentos congelados até 48 horas, ou 24 horas se estiverem apenas meio cheios, desde que a porta permaneça fechada.
Segundo a DGS, alimentos que, após o restabelecimento da energia, ainda apresentem cristais de gelo ou se mantenham frios como se estivessem refrigerados poderão, na maioria dos casos, ser cozinhados ou voltarem a ser congelados.
“Os alimentos que estivam armazenados no frigorífico ou congelador, durante a interrupção de energia, devem ser consumidos ou confeccionados o mais rapidamente possível e confeccionados através de métodos que atinjam temperaturas elevadas (maiores que 75 °C)”, sublinha.
A DGS aconselha a população a avaliar os sinais de degradação dos alimentos, a não provar alimentos para verificar se estão bons e deitar fora qualquer alimento com cheiro, cor ou textura invulgar.
🌧️ Após a #tempestade#Kristin redobre os cuidados com os #alimentos conservados no frigorífico ou congelador e esteja atento à qualidade da água utilizada.
A DGS deixa ainda conselhos para a segurança da população durante tempestades como “não atravessar áreas inundadas a pé ou de carro”, porque as águas podem ser mais profundas e perigosas do que aparentam, e evitar contacto directo com águas das cheias.
Limpar e desinfectar superfícies que tenham estado em contacto com água da cheia, usar luvas e botas impermeáveis durante limpezas, não manusear aparelhos eléctricos enquanto houver água acumulada no interior da casa, remover, sempre que possível, água acumulada e materiais húmidos para reduzir o risco de bolor, são outros conselhos da DGS.
Apela ainda à população para evitar zonas com árvores instáveis ou estruturas danificadas, ter lanternas e pilhas acessíveis, seguir as instruções das autoridades e manter-se abrigado em locais seguros.
Pode consultar o guia completo da DGS no link abaixo:
🇵🇹 PORTUGAL // OPERAÇÃO LIMPAR LEIRIA // DEPRESSÃO KRISTIN
O objectivo é limpar o estádio, o percurso Polis, algumas zonas do centro da cidade e criar “uma união fundamental para os próximos meses”. A entrega de bens para pessoas que foram atingidas pelo mau tempo está centralizada no pavilhão dos Pousos.
PAULO NOVAIS/LUSA
A Câmara de Leiria lança a campanha “Limpar Leiria”, a primeira acção de voluntariado para limpar a capital de distrito, iniciativa que decorre no sábado, 31 de Janeiro, disse à agência Lusa o presidente daquele município gravemente afectado pelo mau tempo.
“Depois daquilo que foi o estado em que ficou a cidade de Leiria, com muitos derrubes de árvores, telhas partidas, a cidade já tem uma parte importante das árvores de grande porte retiradas. No entanto, é necessário criar condições para que a nossa cidade, o mais rápido possível, volte a ser uma cidade limpa”, afirmou Gonçalo Lopes.
Segundo Gonçalo Lopes, a acção de voluntariado decorre no sábado, a partir das 10:00, junto ao Estádio Municipal, “com o objectivo de limpar o estádio, limpar o percurso Polis, algumas zonas do centro da cidade”.
Além da dimensão humana e solidária, pretende-se com a campanha “Limpar Leiria” criar “uma união fundamental para os próximos meses”, em que o concelho vai precisar “dos leirienses e dos portugueses” para reerguer a cidade, adiantou o autarca.
“É das primeiras acções de voluntariado que vamos lançar, uma vez que temos tido muitas solicitações de pessoas a quererem ajudar-nos”, declarou, pedindo aos voluntários para que levem luvas, pás, vassouras e outras ferramentas, porque o município não tem capacidade de distribuição.
No local, “um conjunto de voluntários irão coordenar esse trabalho, juntamente com a Ecoambiente, a empresa que faz a recolha do lixo”, explicou.
A duração da actividade, para a qual o município apela à participação, decorre durante o período da manhã.
“No período da manhã é o primeiro passo. Nós vamos ter a capacidade de poder envolver também os Escuteiros, os próprios adeptos da União de Leiria que estão preocupados com o estádio”, declarou.
O presidente da Câmara admitiu a repetição da iniciativa, que vai ser estendida “também às freguesias, desafiando as juntas de freguesia a fazerem essa mesma actividade de voluntariado”.
A entrega de bens para pessoas que foram atingidas pelo mau tempo está centralizada no pavilhão dos Pousos, próximo da cidade de Leiria.
“Desde ontem [quinta-feira] que temos um centro de apoio colocado no pavilhão dos Pousos, onde temos já recolhido alguns bens alimentares para as pessoas que não conseguiram ir aos supermercados que ainda estão a funcionar ou que precisem de alguma ajuda nessa parte”, afirmou à agência Lusa o vereador da Protecção Civil, Luís Lopes.
No mesmo local, é feita a “distribuição de lonas e plásticos para que as pessoas possam ir recolher e tapar os telhados que não têm condições agora para reparar”, referiu, pedindo às pessoas que queiram apoiar com bens para que se desloquem àquele pavilhão.
“Temos lá as nossas equipas que irão recebê-las e que irão depois acomodar as coisas”, adiantou o vereador.
O município anunciou também que no Balcão Único de Atendimento da Câmara Municipal vai estar, a partir das 10:00, um serviço de acção social e de tele-consultas.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Protecção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de dia 01 de Fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.
Na sequência do rasto de destruição causado pela depressão Kristin, o comissário europeu da Energia e Habitação desloca-se esta sexta-feira à Marinha Grande com o ministro da Presidência.
Reinaldo Rodrigues
Protecção Civil apela à disponibilização de geradores na região Oeste
O Sub-Comando de Emergência e Protecção Civil do Oeste apelou esta sexta-feira às entidades e cidadãos que tenham geradores sem uso para os disponibilizarem nos serviços municipais de Protecção Civil, de forma a garantir electricidade aos lares de idosos.
“Quem tiver geradores que possa disponibilizar, dirijam-se aos serviços municipais de Protecção Civil. Os bombeiros e hospitais têm geradores próprios, mas há lares com necessidades de garantir electricidade às camas de pessoas acamadas”, afirmou o comandante do Sub-Comando de Emergência e Protecção Civil do Oeste, Carlos Silva à Lusa.
Por seu lado, a presidente do conselho de administração da Unidade Local de Saúde (ULS) do Oeste indicou que os centros de saúde da Lourinhã e de Sobral de Monte Agraço, que estiveram encerrados, reabriram depois de restabelecida a electricidade nas duas vilas.
Ainda assim, há “limitações de funcionamento nos centros de saúde de Campelos, São Mamede da Ventosa, Ponte do Rol e Silveira”, no concelho de Torres Vedras, devido à falta de electricidade ou de água.
Apesar dos esforços, “os maiores constrangimentos” prendem-se com a falta de electricidade na região, nomeadamente em Alcobaça e Nazaré, os concelhos mais afectados.
De acordo com a Protecção Civil, desde as 16h00 de terça-feira até agora, o número de ocorrência subiu para 1114, das quais 150 foram registadas desde as 12h00 de quinta-feira e estão relacionadas com limpezas motivadas por cortes de árvores (66), inundações (31) e deslizamentos de terras (6).
Devido às falhas de electricidade e às dificuldades de bombear água ao longo da rede, várias viaturas continuam a transportar água para os respectivos reservatórios para evitar que esta falte à população.
Os municípios de Alcobaça, Nazaré, Peniche, Óbidos, Lourinhã e Torres Vedras mantêm activados os seus planos municipais de emergência, uma situação que pode vir a ser alargada a outros concelhos da região, se vierem a constar entre os 60 concelhos onde o Governo declarou a situação de calamidade.
Questionado sobre a eventual falta de ajuda e apoio às populações, o responsável esclareceu que “os bombeiros e os serviços municipais de Protecção Civil têm conseguido chegar a todos, o que não tem acontecido com a E-redes” no que respeita à reparação da rede eléctrica.
Lusa
“A dimensão dos prejuízos é brutal”, admite ministro da Presidência na Marinha Grande
O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, está na Marinha Grande com o comissário europeu da Energia e Habitação, Dan Joergensen, as ministras do Ambiente e da Cultura, Juventude e Desporto.
Leitão Amaro apelou para que a população siga os alertas para os próximos dias sobre os comportamentos adequados. “A chuva vai continuar, os solos estão saturados, pode voltar o vento. Portanto, os próximos dias continuam a ser de alerta e de adaptação”, disse.
Afirmou que estes “são dias em que damos todos os braços, nós, portugueses, e portugueses com os europeus para, juntos, reerguermos o país e reerguemos esta região centro”. “Vamos conseguir, com muito custo”, destacou.
“A dimensão dos prejuízos é brutal, como creio que todos podem observar, em todas as dimensões, desde as infra-estruturas públicas ao património natural”, declarou.
Leitão Amaro fez referência à “quantidade de árvores arrasadas” aos danos em equipamentos desportivos, escolares, nas casas particulares, nos equipamentos industriais e empresariais. “A situação é mesmo terrível nesta região”, vincou o governante, dando conta que o ministro da Economia e da Coesão Territorial está reunido com os autarcas das zonas afectadas. “Temos todas as forças no terreno e a fazer um esforço enorme”, assegurou.
“Precisamos deste apoio europeu. A vinda do senhor comissário, os contactos desde os primeiros momentos, a conversa com a senhora presidente da Comissão Europeia são muito importantes, a palavra de solidariedade da Comissão Europeia para nos ajudar”, destacou. “A Europa está ao nosso lado”, adiantou.
Cerca de 60% das infra-estruturas da GNR no distrito de Leiria afectadas mas operacionais
Cerca de 60% das infra-estruturas do Comando Territorial de Leiria da Guarda Nacional Republicana foram afectadas pelo mau tempo, mas estão operacionais, disse hoje fonte da GNR, que ressalvou que esta situação está em fase de verificação.
Numa informação enviada à Lusa, a mesma fonte adiantou que a depressão Kristin “provocou diversos danos materiais e constrangimentos significativos na circulação rodoviária”, mas o Comando Territorial de Leiria “tem mantido um empenhamento permanente na resposta à situação em estreita articulação com as autoridades de Protecção Civil”.
“No âmbito desta actuação, os militares da GNR têm prestado apoio directo às entidades de Protecção Civil, nomeadamente através da desobstrução e limpeza de vias, assegurando condições mínimas de segurança e fluidez do trânsito nas zonas mais afectadas”, salientou.
Ao mesmo tempo, “têm sido desenvolvidas acções de desimpedimento de rodovias e outros acessos, permitindo o restabelecimento do acesso dos cidadãos às suas habitações e propriedades privadas, em situações condicionadas por quedas de árvores, detritos ou outros obstáculos”, referiu.
“Na sequência de inúmeros contactos efectuados por familiares preocupados com a situação de pessoas potencialmente isoladas ou residentes em locais de difícil acesso, os militares da GNR têm-se deslocado ao terreno para confirmar o estado de segurança e bem-estar desses cidadãos, assegurando o devido acompanhamento das situações sinalizadas”.
À população, o Comando Territorial de Leiria, cuja área de intervenção corresponde ao distrito de Leiria, pede a “adopção de comportamentos preventivos face às actuais condições meteorológicas e aos riscos associados, nomeadamente no que respeita à circulação rodoviária, ao risco eléctrico, à segurança das propriedades e ao cumprimento rigoroso das orientações transmitidas pelas forças de segurança e autoridades de Protecção Civil”.
“A GNR mantém-se no terreno, acompanhando de forma permanente a evolução da situação, apelando à colaboração de todos para minimizar riscos e garantir a segurança de pessoas e bens”.
A passagem das várias depressões meteorológicas em Portugal deixaram um vasto rasto de destruição um pouco por todo o território, com incidência na região centro. Para ajudar a ultrapassar situações de catástrofe, qualquer país da União Europeia pode pedir a activação do Mecanismo Europeu de Protecção Civil.
Este mecanismo tem por base o auxilio às populações através do envio de material, como geradores de emergência, bombas de água e até kits de primeiros socorros ou pessoal médico para ajudar o país atingido.Andrea Neves – Antena 1
O território afectado deve apresentar o pedido de auxílio à Comissão Europeia no prazo de 12 semanas a contar da ocorrência da catástrofe. O auxílio financeiro proposto pela Comissão deverá, em seguida, ser sujeito à aprovação do Conselho e do Parlamento Europeu.
As ajudas que Bruxelas pode dar, se Portugal pedir
Ouve-se falar mais desta possibilidade durante os incêndios mas o Mecanismo Europeu de Protecção Civil está disponível todo o ano e para todo o tipo de catástrofes.
Para ser activado é preciso que a Bruxelas chegue um pedido expresso de Portugal especificando as necessidades mais urgentes.
O mecanismo prevê o envio, por exemplo, de geradores. Foi o que fez o ano passado quando enviou 13 para a Irlanda depois da tempestade Eówyn que deixou 278 mil pessoas sem electricidade.
Também já foram enviados para a Ucrânia, mas neste caso por causa dos ataques russos terem danificado as infra-estruturas eléctricas do país.
Os países que podem vir a disponibilizar geradores só precisam de saber a voltagem e a quantidade. O que deve ser expresso no pedido, caso Portugal opte por os pedir.
A comissão europeia está atenta e o comissário com a pasta da energia já veio dizer, na rede social X, que Bruxelas está em contacto próximo com as autoridades portuguesas e com a Rede Europeia de Operadores de Redes de Transporte de Electricidade porque a prioridade é que garantir a segurança e retorno da energia aos cidadãos prejudicados.
O Comissário tem uma visita a Portugal agendada para sexta-feira precisamente para analisar questões de energia e habitação.
Mas o Mecanismo Europeu de Protecção Civil, que ainda não recebei nenhum pedido de Portugal, pode também disponibilizar kits de primeiros socorros, equipamento médico e abrigos e bombas de água por exemplo.
A Comissão Europeia tem avançado com várias iniciativas para convocar os cidadãos para a prevenção sobretudo em caso de catástrofes naturais ou outras.
Bruxelas indica que todos os cidadãos devem ter em casa tudo o que precisarem para ser auto-suficientes por 72 horas o que inclui uma lanterna, um rádio, pilhas, comida, água e medicamentos básicos bem como algum dinheiro em numerário e fotocópias de documentos importantes.
Vários países da União Europeia já aconselharam os seus cidadãos a terem esse kit em casa ou num lugar seguro.
Mais tarde, e uma vez avaliados os danos, o governo português pode recorrer ao Fundo europeu de solidariedade para catástrofes que tem regras específicas.
Este fundo ajuda a cobrir custos de emergência, reparação de infra-estruturas, alojamento temporário e limpeza, demonstrando a solidariedade europeia.
Como regra geral, o FSUE pode conceder auxílio financeiro nos casos em que o total dos prejuízos directos provocados por uma catástrofe exceda 3 mil milhões de euros (a preços de 2011) ou 0,6 % do rendimento nacional bruto (RNB) de um país da UE, consoante o que for mais baixo.
A passagem da depressão Kristin agitação marítima, neve, chuva e vento fortes e deixou danos por todas as regiões de Portugal. Caíram árvores, estruturas, escolas fechadas e milhares de pessoas ficaram sem luz. E para os próximos dias, quais são as previsões meteorológicas?
Toda a costa de Portugal continental, que estava sob aviso vermelho, o mais grave, para a agitação marítima está esta quarta-feira à noite a laranja e passará a amarelo ao longo do dia de quinta-feira.
O vento também já não será um problema nos próximos dias. A partir das 06:00 de quinta-feira, todos os distritos estarão ‘a verde’.
A chuva ainda preocupa e pode afectar, com particular intensidade, as regiões Centro e Norte. Há 11 distritos sob aviso amarelo para a precipitação. Desses, quatro até às 09:00 de quinta-feira e os restantes até ao 12:00.
As previsões do IPMA apontam para queda de neve “nos pontos mais altos” da Serra da Estrela a partir do meio da tarde de quinta-feira.
Apesar da melhoria do estado do tempo, as autoridades alertam que se deve manter a vigilância.
A depressão Kristin deixou um rasto de destruição em Portugal. As rajadas de vento chegaram aos 176 km/h. Há registo de danos em todas as regiões, a mais afectada foi Leiria. Caíram árvores e estruturas, milhares de casas ficaram sem luz e sem água e muitas escolas fecharam. Pelo menos 5 pessoas morreram.
Os distritos mais afectados foram Leiria e Coimbra, onde os autarcas pedem que o Governo decrete estado de calamidade.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, “não excluí nada” mas, para já, não quer “tomar medidas sem a devida fundamentação”.
Enquanto isso, milhares de pessoas continuam incontactáveis, sem comunicações, sem luz e sem água. Além dos danos em estruturas, estradas e veículos, seis pessoas terão morrido devido ao mau tempo, apesar da Protecção Civil ainda só ter confirmado quatro.
Criadas pela Lei n.º 36/94 com o propósito de combater a corrupção e a criminalidade económica, as averiguações preventivas degeneraram num dos mais controversos e problemáticos “institutos” do sistema de Justiça português.
Longe de sanar os seus vícios de origem, a recente Directiva 1/2026 do Ministério Público, publicada esta semana em Diário da República, veio reforçar a sua opacidade e o seu carácter inquisitório, tornando premente e inadiável o debate sobre a sua extinção.
Este mecanismo permite ao Ministério Público, agora com competência centralizada no DCIAP, conduzir diligências por um período que pode atingir os nove meses, com base em meras “notícias de factos” que indiciem o “perigo” da prática de um crime.
A Directiva 1/2026, emitida na sequência de fortes críticas públicas e de uma carta de juristas que questionava a constitucionalidade da prática, veio agravar drasticamente o quadro. Consagra-se um regime de sigilo absoluto (artigo 7.º), que impede qualquer pessoa, incluindo o próprio visado, de consultar o processo ou obter uma certidão, mesmo após o seu arquivamento.
De forma ainda mais gravosa, a regulamentação prevê que não há lugar à notificação da decisão final do procedimento (artigo 8.º, n.º 2), criando-se, assim, um “buraco negro” onde impera a suspensão dos direitos fundamentais dos cidadãos. Um cidadão pode ser investigado durante meses, ter a sua vida pessoal e patrimonial devassada, sem o seu conhecimento e, consequentemente, sem qualquer possibilidade de exercer o seu direito de defesa, de apresentar um contraditório ou de simplesmente esclarecer os factos. Se não houver inquérito na sequência da averiguação, o visado de nada saberá.
Estas ingerências secretas na vida privada de cidadãos são ilegais e inconstitucionais, por ofenderem os direitos, liberdades e garantias mais elementares de cada um de nós. Na realidade, sem necessidade de justificação, qualquer um de nós pode ser devassado na sua vida privada vezes sem conta, sem nunca o vir a saber, só porque sim.
Ora, apreendam os juristas nos bancos das Faculdades de Direito (pelo menos das boas Faculdades) que uma investigação de suspeitas concretas sobre um cidadão só pode, num Estado de Direito, ocorrer no quadro de um inquérito criminal, onde lhe é garantido o estatuto de arguido e os inerentes direitos de defesa. Até porque na prática, as averiguações preventivas, agora regulamentadas, se tornarão o novo normal na actualidade onde pululam frequentemente as denúncias anónimas.
A sua finalidade inicial de “prevenção” dará origem à generalização de inquéritos pré-criminais dirigidos à margem da lei processual criminal. Casos mediáticos recentes, que envolveram figuras políticas de primeiro plano, revelaram investigações profundas, verdadeiros inquéritos criminais, conduzidos à margem de qualquer garantia processual dos visados.
Numa perspectiva de reforma, o mínimo exigível seria consagrar o direito de intervenção do interessado, que implicaria a sua notificação, o direito a ser ouvido e a ter acesso ao processo após a sua conclusão. Contudo, mesmo com tais alterações, o “instituto” não deixa de constituir uma entorse ao acesso à Justiça e ao direito de defesa consagrados na Constituição da República Portuguesa.
A solução mais consentânea com os princípios do Estado de Direito democrático é a sua extinção sumária. Manter vivo um procedimento administrativo secreto e inquisitório como a averiguação preventiva representa um perigo para os direitos dos cidadãos e uma mancha na transparência e na legitimidade da Justiça. É imperativo que o legislador lhe ponha termo, devolvendo a investigação criminal ao seu lugar próprio: o inquérito, com todas as garantias que a Constituição e a lei impõem.
Advogado e sócio fundador da ATMJ – Sociedade de Advogados
A violência das tempestades que têm marcado este inverno, com vento forte e chuva intensa, causou impacto em todo o país e, depois da Kristin, novas depressões no Atlântico podem voltar a trazer vento fortes. Mas os especialistas lembram que Invernos rigorosos fazem parte da variabilidade climática e não são, por si, anómalos.
Um cervo cercado pela água, junto a Coimbra Reinaldo Rodrigues
Depois de vários dias marcados por vento muito forte, chuva intensa e forte agitação marítima, o tempo em Portugal deverá conhecer um período de maior acalmia. Ainda assim, o Atlântico continua sob vigilância. “Os próximos dias vão ser mais calmos, mas já há duas novas carruagens que estão no Atlântico”, afirma o climatologista Carlos Câmara, referindo-se ao “comboio de depressões” que tem assolado o país. Segundo o especialista, “o seu efeito em Portugal não vai ser antes de domingo, mas os modelos mostram que há possibilidade de se terem ventos intensos”. A incerteza mantém-se e o aviso é claro: “Ainda é cedo para se saber ao certo, mas há que estar atento ao que aí vem.”
As tempestades Ingrid, Joseph e Kristin que assolaram o país nos últimos dias inserem-se num contexto atmosférico que não é inaudito. Carlos Câmara sublinha que a percepção de excepcionalidade resulta, em grande parte, da forma como os fenómenos recentes são lembrados. “A nossa memória meteorológica é curta e estamos mais marcados pelos episódios de secas severas que têm sido a marca dos últimos anos”, refere.
Esta é a 5ª tempestade nomeada em Janeiro de 2026, com 4 delas a terem impacto em Portugal. Em 2021 também se nomearam 5 tempestades em Janeiro.
Desvio da corrente de jacto afecta Atlântico Norte
Este inverno caracteriza-se por um desvio para sul da corrente de jacto, um elemento-chave da dinâmica atmosférica. “A corrente de jacto, como o nome indica, é uma região tubular de ar situada a mais de 10 km de altitude em que o vento é muito intenso (pode ultrapassar 300 km/h)”, explica. A sua importância é estrutural, uma vez que “é uma espécie de coluna vertebral da atmosfera, no sentido de que a sua posição e intensidade regula o movimento da atmosfera de grande escala”.
Quando a corrente de jacto se desloca para sul, como aconteceu este inverno, o efeito é directo no Atlântico Norte. “Quando a corrente de jacto se encontra deslocada para sul, favorece o percurso de depressões intensas no Atlântico, dirigindo-as para as latitudes da Península Ibérica”, explica o climatologista.
Daí a sucessão de sistemas depressivos. “Este inverno pauta-se por comboios de depressões, isto é, sequências de depressões umas a seguir às outras.” Algumas dessas depressões destacaram-se pela sua intensidade. “Algumas destas depressões merecem ser baptizadas (Ingrid, Joseph, Kristin), o que indica serem particularmente intensas.”
A tempestade Kristin foi a mais violenta do conjunto. “A Kristin destacou-se pelo facto de ter um centro de baixas pressões particularmente baixo”, explica Carlos Câmara, esclarecendo que isso significa que “o vento que roda em torno desse centro (…) é particularmente intenso”. A situação agravou-se porque “a pressão no centro baixou muito rapidamente”, um fenómeno designado como “ciclogénese explosiva”.
A este cenário juntou-se ainda outro factor decisivo. “Formou-se nessa depressão um ‘sting jet’, isto é, uma configuração que favorece rajadas de vento descendente com velocidades muito grandes e com impactos particularmente destrutivos.” No conjunto, resume, “trata-se daquilo a que é vulgar chamar um ‘cocktail explosivo’”.
Alterações climáticas contribuem para fenómenos “mais energéticos”
Sobre a ligação às alterações climáticas, Carlos Câmara distingue claramente os planos de análise. “Enquanto a meteorologia se preocupa com o estado do tempo e respeita a eventos isolados, a climatologia é uma ‘sociologia dos estados do tempo’ e preocupa-se com a organização dos diversos tipos de sistemas meteorológicos”, explica, salientando que esta abordagem se traduz em “valores de probabilidades de ocorrência de determinados eventos”.
Nesse contexto, o papel da acção humana é relevante. “O aumento de concentração dos gases com efeitos de estufa (devido à acção do homem) implica uma alteração do balanço da radiação”, afirma, explicando que daí resulta “um aumento de energia armazenada na atmosfera”, o que torna “mais provável a ocorrência de fenómenos mais energéticos e, por isso, mais destrutivos”.
No entanto, e apesar da violência dos episódios recentes, o climatologista deixa uma mensagem clara. “Invernos rigorosos são normais, fazem parte da variabilidade climática. Sempre existiram.”